Sumidoiro's Blog

01/03/2013

O GRITO DE FIRMIANO

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 6:31 am

 ♦ Saudades do Jequitinhonha.

Contou o botocudo Firmiano que o urubu, antigamente, era completamente coberto de penas. Certo dia, convidou sua vizinha, a arara, para jantar, mas como só lhe servisse carne de anta podre, a arara pôs-se a jejuar. Por sua vez, querendo vingar-se, convidou o urubu e lhe ofereceu castanhas de sapucaia. O urubu achou-as excelentes e comeu grande quantidade. Em consequência, as penas da sua cabeça caíram e ficou careca para sempre.(1) Essa e outras fantasias habitavam a mente do índio. Mas, quem foi esse criativo Firmiano? Ou será que estava repetindo uma lenda do seu povo?

Post - Firmiano retratoRetrato de Firmiano.

Quem contou sua história foi Auguste de Saint-Hilaire(2)cientista e viajante francês – que esteve no Brasil entre 1816 e 1822. No final do ano de 1817, quando percorria terras de Minas Gerais, encontrou Firmiano, numa aldeia às margens do rio Jequitinhonha. Então, levou-o consigo, como encarregado do transporte e preparo das provisões, auxiliado pelo negro forro Manoel. Este contratado perto de Curitiba, com as obrigações de campear os animais, cuidar dos arreios e transportar as cargas. Também acompanhava-os o tropeiro José Mariano, contratado em Ubá (MG), encarregado de caçar e empalhar os pássaros.

Nessa época, ao passarem por Itajuru, vilarejo próximo à atual cidade de Santa Bárbara (MG), o índio se encantou com o lugar e, naquele momento, pretendeu abandonar a expedição. No relato da viagem(3) está escrito:

“Enquanto eu ansiava por deixar Itajuru, o botocudo Firmiano desejava ficar aí para sempre. Esse rapaz continuava alegre e contente. Eu temia torná-lo infeliz, tirando-o das florestas mas, até então, esse temor não se justificara. Alheio a todos os nossos costumes, Firmiano não era atormentado pela cupidez, nem pela ambição. Seus desejos não iam além das primeiras necessidades da vida e eu podia fazê-los todos, logo que os demonstrava. Gozando o dia de hoje e entregue à sua imprevidência, ele não encarava o futuro senão como a continuação da felicidade que usufruía. Denotava inteligência, não se recusava a trabalhar e era mesmo muito zeloso por tudo quanto tinha a ver com os animais de carga. Lembrava-se perfeitamente dos lugares por onde havíamos passado e, se esquecia de alguns, era sempre daqueles onde não tinha sido bem recebido.

Não tendo sido maltratado, nem contrariado sem motivos, havia conservado todas as suas graças selvagens e, como mantinha-se em constante alegria, recebiam-no sempre com bondade. O capitão Antônio Gomes e toda sua família amavam-no muito. As mulheres admitiam-no no interior da casa e ele as divertia pelo seu bom humor e ingenuidade. Prendia-se àqueles que lhe faziam o bem e, grato pelas bondades que lhe proporcionaram em Itajuru, disse um dia: – Vou ficar aqui, não posso ir para a França, meu coração não poderá ir.

Mas é preciso confessar, os índios acabam sempre por adquirir alguns defeitos, pela aproximação dos homens da nossa raça. Para que permanecesse como era então, seria preciso que Firmiano nunca se separasse de mim e de meu criado. Após a morte desse último, o pobre selvagem teve, quase sempre sob os olhos, exemplos detestáveis. Sendo naturalmente imitador, perdeu-se e nunca mais foi feliz.”

Post - S-Hilaire & plantaSaint-Hilaire e uma gravura da sua obra “Flora Brasiliae meridionalis ” (caryocar brasiliense, pequizeiro).

Quando fez uma viagem ao Rio Grande do Sul(4), passou pela estância da Tronqueira. Ali, rememorou em anotação no seu diário, de 15.04.1820, seus projetos e acontecimentos passados:

“Queria levar comigo, para a França, um botocudo, para que conheçam em meu país essa tribo singular. Por esse motivo, considerava Firmiano um monumento de minha viagem. O hábito de vê-lo, o cuidado que lhe dispensava, sua alegria, a originalidade do seu caráter ligaram-me a ele, pouco a pouco, e terminei por amá-lo como a um filho. Enquanto viajamos em Minas, não exigi dele nenhum trabalho; estava sempre alegre e compensava-me a sua inutilidade com o constante ar de contentamento que trazia no rosto.

Ao chegar ao Rio de Janeiro, ele se instalou na cozinha, dizendo que queria dormir ali, pois seria o cozinheiro. Com efeito, Prégent (um auxiliar), pelo qual o indiozinho se afeiçoara, lhe ensinou a fazer feijão e arroz (5). Ele limpava minhas roupas e meus sapatos, varria a casa algumas vezes e passava o resto do tempo dormindo. Obedecia com facilidade, não exigia nada, não sentia saudades, nem preocupação, nem inquietação pelo futuro. O menor presente o encantava e lhe trazia perene contentamento. Apreciava sua felicidade e, por isso, eu repetia orgulhosamente: – Não morrerei sem, pelo menos, ter tornado uma criatura humana perfeitamente feliz.”

Outra vez, no dia 09.06.1820, Saint-Hilaire falou de Firmiano, ao passar pelo sítio Santo Inácio, nessa mesma viagem ao Rio Grande do Sul. Percebera que o botocudo dava sinais do seu temperamento rebelde, embora natural dos indígenas:

“Tenho a lastimar a mudança de conduta de Firmiano, originada já pelos maus exemplos, já pelas chacotas que recebe de José Mariano, e principalmente do negro Manoel. Ele já não é calado; discute e responde grosseiramente; torna-se desonesto, mentiroso, e contraria a todo mundo. A opressão exalta e transmuda o caráter. Humilhado, revolta-se e arma-se de insuportável mau humor. É tão ignorante que se torna impossível fazê-lo voltar ao bom caminho. Não compreende o quanto será infeliz se eu o abandonar, reconhecendo apenas ser justo que me sirva porque eu o alimento e visto. Seus serviços são tão mal feitos quanto seja possível e ele não me dispensa mais nenhum afeto. Suporto-o por piedade, porque se perderá se eu o abandonar e porque espero que ficando só, comigo, voltará ao que era anteriormente.”

Post - Família de botocudosFamília de botocudos em viagem.

Entretanto, a psicologia de Saint-Hilaire mostrou-se falha, porque acontecimentos futuros mostraram que, da parte de Firmiano, os sentimentos eram outros, principalmente essa aparente ausência de saudade. Mas continuou seu relato:

“Ele não sabia contar, não conhecia o valor do dinheiro e era, entretanto, quem ia adquirir as pequenas provisões necessárias ao nosso sustento. Meu criado, que conhecia os preços, separava o dinheiro à compra de cada coisa e ele nunca se enganava. Quando ia herborizar (colher plantas para herbário), levava-o comigo e carregava algumas provisões, que comíamos às margens de algum regato. Esses passeios eram, para nós, uma alegre recreação.”

Mais adiante, embora não tenha revelado suas intenções, percebe-se, nas palavras de Saint-Hilaire, as intenções de penetrar na alma do botocudo e catequizá-lo:

Pouco tempo após minha chegada de Minas, conduzi-o a Copacabana, um dos lugares mais deliciosos dos arredores do Rio de Janeiro. Daí se vê, de um lado o alto mar, do outro as montanhas altas e pitorescas, cobertas de matas virgens e, nos cumes, casas de campo e terras de cultura. Subimos numa colina: a vista do mar – nova para ele – arrancou-lhe um grito de admiração.”

O grito de Firmiano serviu como uma deixa, para a tentativa de catequizá-lo na fé cristã. É o que depreende-se, nas palavras de Saint-Hilaire:

“Até então, nunca lhe falara a respeito de Deus e aproveitei esse momento para fazê-lo conhecer, perguntando-lhe se sabia quem tinha sido o autor de tantas maravilhas. E ele respondeu negativamente.

Nenhum homem, disse-lhe, seria capaz de criar uma gota d’água, um grão de areia, nem a menor haste de erva. É certo, pois, que tudo quanto vemos foi feito por um ser bem superior e esse ser é Deus. Foi Ele quem fez o sol que nos ilumina, a terra que nos sustém e o fruto que comemos. Foi, também, quem fez nascer sobre o corpo da ovelha a lã que fiamos [...] quem colocou na terra o ferro que nos proporciona a arma e os instrumentos agrários. Em toda parte Ele espalhou seus benefícios e ama-nos como um Pai.”

Post - RioHabitantes do Rio de Janeiro, desfrutando a obra do “grande capitão” (por Rugendas, detalhe). 

Mas Firmiano não era bobo e tinha lá suas convicções, foi o que se viu depois:

“No dia seguinte, perguntei-lhe se sabia quem era Deus. Em resposta, mencionou-me um punhado de obras do Criador e terminou dizendo que Deus era um grande capitão.”

No dia 12.06.1820, em Tramandaí (RS), Firmiano mostrou sua atávica intimidade com a natureza:

“Cerca de meio dia mandei Firmiano procurar lenha, tendo ele saído bastante contrariado. Como não regressasse ao fim de algumas horas julguei que tivesse fugido, mas, ei-lo surgindo, ao longe, porém sem trazer o menor pedaço de lenha. Disse, ao chegar, que tinha sido picado por uma cobra. Pedi para ver a ferida e reconheci, do lado do tornozelo de um dos pés, a marca dos dentes do réptil. Corri a preparar algumas gotas de álcali, ministrando à vítima quatro gotas em um copo d’água. Repeti esse tratamento de hora em hora, fazendo deitar o meu índio, sobrevindo apenas uma ligeira inchação no calcanhar. Firmiano teve coragem de trazer no bolso a cobra que o ofendeu, a qual ainda ali estava viva. Era meu intento empalhá-la mas, infelizmente, se estragou. Era pequena, com cerca de um pé de comprimento, cabeça chata e sensivelmente mais grossa que o colo, sendo de cor parda com manchas circulares negras. José Mariano disse-me ter-lhe visto as vesículas venenosas.”

Post - Rugendas caravanaCaravana em acampamento, tal como experimentou Saint-Hilaire (por Rugendas, detalhe).

No convívio com o botocudo, Saint-Hilaire conheceu também seu bom-humor. Contou que, quando estiveram no Rio de Janeiro, Firmiano “se divertia em chamar de tios os chineses” que ali viu, com olhos rasgados como os seus(6). Mas também notou que ele não era só alegria, tinha outros sentimentos, que o faziam sofrer e chorar. Ainda na viagem ao Rio Grande do Sul comentou:

“Quando parti para o rio Doce, fiz ver-lhe que não dispunha de ninguém para ajudar o tropeiro, nem para cozinhar e que, nessa conjuntura, contava que se prestaria a esses trabalhos. Respondeu-me aceitar de bom grado os encargos e, no começo da viagem, só mereceu elogios. Chegados no aldeamento de índios civilizados, no litoral, sua qualidade de botocudo causou-lhe pequenas contrariedades, que suportou com paciência. Quando os índios o rodearam para examiná-lo, injuriando-o, ele corou-se, deixando pender a cabeça e vi algumas lágrimas rolar dos seus olhos. Todavia, acostumou-se, pouco a pouco, a resistir, terminando por tornar-se malicioso e começou a responder-me com insolência e desobedecendo.”

O processo de aprendizado e adaptação ao mundo civilizado, fez com que Firmiano fosse adquirindo qualidades, defeitos e aprendendo velhacarias:

Durante a viagem a Goiás, continuou a proceder a meu contento. Imitador das pessoas com quem convivia, tornou-se tão alegre quanto Marcelino (um auxiliar) e, como ele, nunca lamentando. Mostrava interessar-se pelo que me pertencia e podia lhe confiar a guarda de meus objetos. Parecia ter prazer em conversar comigo e julgando-se uma pessoa de minha família [...] (parecia) ver nos meus empregados portugueses simples auxiliares temporários, que não podiam ter por mim a mesma afeição que ele. 

Pregent que, desde o primeiro dia, soubera julgá-lo melhor que eu, repetia sem cessar: – Firmiano só não é mau porque não convive com pessoas más. Seu caráter amoldar-se-há sempre ao dos homens que o cercarem.” 

Post - Três botocudosFeições de três botocudos (por Rugendas).

Daí, Saint-Hilaire começou a descrever as fragilidades de caráter do botocudo, nesse processo de aculturação:

“Ao ver José Mariano (um auxiliar) faltar-me com o respeito [...] começou a murmurar contra mim, a responder-me mal e a desobedecer-me. Em São Paulo, fui obrigado a castigá-lo, em consequência de sua cólera, quando quis me intimidar, mostrando a ponta de uma faca. Fingi não ter percebido sua ameaça e continuei a ralhar-lhe, tendo ele, pouco a pouco, baixado a faca. 

Durante a viagem a São Paulo e Porto Alegre, constituiu objeto de contínuas zombarias do negro Manoel. Sempre contrariado por esse homem e, vendo-o queixar-se de mim sem cessar, tornou-se cada vez mais brigão e insolente. [...] Não podia mais suportá-lo quando chegamos a Porto Alegre, contudo, não perdi as esperanças e, ao ficarmos sós, readquiriu sua alegria e caráter de outrora. Com a mesma facilidade assimilou os defeitos dos soldados que me acompanhavam. Houve uma ocasião, em Montevidéu, que não quiseram me obedecer, no que foram acompanhados por Firmiano, audaciosamente. 

Embora prestando serviços durante a viagem não demonstrara a menor afeição. Adotou a linguagem grosseira dos soldados e, a par de uma porção de defeitos adquiridos, conservou toda a sua inexperiência, gula e desamor ao trabalho. Nunca sabe nada e não tem interesse em aprender. Nunca procurou fazer alguma coisa  que me fosse agradável. Ao receber uma ordem, resmunga sempre e só obedece com lentidão, capaz de fazer o homem mais calmo do mundo perder a paciência.

Contudo, conservei-lhe muita amizade, até a nossa chegada às margens do arroio Santana. Ao ver-me às portas da morte só pensei nele e pedi, várias vezes, a Matias e Laruotte para recomendá-lo, de minha parte, ao conde de Figueira. Ele testemunhou essa minha súplica, sentindo quanto me interessava por sua sorte e verteu algumas lágrimas. Que homem branco, após ter recebido inequívocas provas de afeto, não teria ficado emocionado e não teria procurado, ao menos durante alguns dias, mostrar-se reconhecido por uma conduta agradável?” 

Mas, logo, acabou o que era doce e o índio mudou o tom: 

“Firmiano [...], desde o dia imediato, desrespeitou-me do modo mais insultuoso. Castiguei-o fisicamente e ele pareceu querer defender-se. Redobrei o castigo e ele cedeu, provavelmente receando a intervenção dos soldados. Daí em diante, deixei de falar-lhe com carinho e comecei a desgostar-me da sua companhia. 

Post - Combate botocudosBotocudos em luta. 

Também o comportamento sexual de Firmiano chamou sua atenção:

“Até minha partida de São Paulo esse indiozinho mostrava-se indiferente ao outro sexo, dizendo mesmo, no Rio de Janeiro, que a presença de mulher o entristecia. A gula e o amor ao sono pareciam ser suas únicas paixões. Foi em Castro que começou a parecer menos indiferente, mas acredito que os exemplos de Neves e de José Mariano influenciaram na metamorfose, mais do que seu temperamento.

Nas Missões, demonstrou inclinação pelas índias, provavelmente ainda por imitação. Nessa ocasião, causou-me muitas contrariedades por suas mentiras, sua desobediência e sua falta de respeito. Aí, comecei a tratá-lo com dureza, continuando até agora. Tenho lhe repetido que não é um homem livre e que posso me dispor dele como quiser. Nunca respondeu a essas palavras, pois sabe que os homens da sua tribo vendem seus filhos aos portugueses pela menor bagatela.”

A paciência de Saint-Hilaire foi se esgotando e manifestou que gostaria de se livrar do botocudo:

“Teria satisfação em desembaraçar-me desse rapaz, mas vejo-me, infelizmente, forçado a aturá-lo, como se fosse uma expiação. Se ele pertencesse à nossa raça, lhe diria: – Ou você muda de conduta ou vai procurar seu pão noutra parte! Mas, de que me serve falar assim a um homem ignorante, descontente, preguiçoso, inexperiente e sem noção de futuro? Que fará se eu o abandonar? E devo abandoná-lo após ter tido a infelicidade de tirá-lo da sua terra?” 

Post - Vila RicaVila Rica (hoje Ouro Preto) no roteiro de Saint-Hilaire.

Por outro lado, não compreendera a individualidade do selvagem e, ingenuamente, imaginara que seus valores pudessem ser facilmente desprezados, pois assim disse:

“Acreditava, quando o tomei, que um índio não diferia de nós senão pela ausência de civilização. Ignorar que essa gente era insensível a tais erros, conduziam-me a uma porção de outros. Assim, todas as vezes que lhe dava uma ordem, procurava fazê-lo sentir a necessidade mas, é lógico que tal método é inteiramente defeituoso para com aqueles cujas ideias não vão além do momento atual. Resultou daí tê-lo acostumado mal, a pedir-me explicação de tudo quanto eu fazia e a justificar as ordens que lhe dava, tal e qual uma criança mal educada, que discute as ordens com seu pai. 

Sem falar dos defeitos inerentes à sua raça, alguns dos que adquiriu são devidos à minha ignorância e indulgências excessivas. Os outros, tais como a grosseria, insolência e inclinação à mentira, deve aos homens que me acompanharam nas viagens. Talvez seja esse um motivo a mais para não o abandonar. Eis-me, pois, embaraçado para sempre a um homem que, pelo juízo, será eternamente criança. E ao qual é impossível fazer compreender que não o é, além de não me ser útil, nem capaz de afeição ou gratidão.”

A verdade é que, mal iniciara essa viagem ao Rio Grande do Sul, Saint-Hilaire já andava estressado com os seus fracassados auxiliares. Nos apontamentos do dia 26.07.1820, em Porto Alegre, escreveu:

“… seguirei amanhã, com o conde (da Figueira) para o Rio Grande. [...] pretendo me acompanhar apenas de José Mariano. Firmiano e Laruotte (criado francês) seguirão pelo lago com meus trastes. Quanto ao negro Manoel [...] que nenhuma utilidade tem me proporcionado, e ao qual tenho tolerado as sucessivas susceptibilidades, com santa paciência, achou de deixar-me no justo momento em que podia me prestar algum serviço, pois devia conduzir duas mulas carregadas de malas. Sua única desculpa foi de que queria voltar à sua terra…”

Ademais, não estava achando graça nenhuma em ficar atrelado ao conde da Figueira(7) − governador da província −, como insinuou:

“Esta viagem (à cidade de Rio Grande) contraria-me sobremaneira. [...] Não gozarei liberdade alguma, nada poderei fazer além desse diário. Com apenas José Mariano a meu serviço, cujos préstimos são nulos, ficarei escravizado a todo mundo. Além disso, é preciso que eu deixe aqui, com Firmiano e Laruotte, quase toda minha bagagem, sendo esses empregados também muito inexperientes…”

Apesar de tantos queixumes, a expedição ao Rio Grande do Sul prosseguiu, com muito proveito, até o final do primeiro semestre de 1821. Saint-Hilaire fez ainda mais uma expedição e, cheio de saudades, retornou à França em 1822.

Contam que Saint-Hilaire antecipou sua volta à França porque supôs estar envenenado, por ter ingerido mel de vespas − denominadas “lechiguanas” −, durante a viagem ao Rio Grande do Sul (8). Ele contou o ocorrido, dizendo ter sentido que fora enviado à morada eterna:

“Senti logo uma dor no estômago, mais incômoda que forte, e deitei-me embaixo da carruagem, com a cabeça apoiada sobre uma pasta do herbário, caindo em uma espécie de sonolência, durante a qual senti-me transportado aos espaços celestiais, ouvindo uma voz que gritava: – Ele não se perderá, há um anjo que o protege! Nesse instante, minha irmã veio buscar-me pela mão. Achava-se vestida de branco, com uma faixa ao redor do corpo e sua fisionomia aparentava calma e serenidade inexpressáveis. Tomou-me pela mão, sem me olhar e sem proferir uma palavra sequer, e conduziu-me perante o tribunal de Deus. Lembrei-me das últimas palavras da parábola do Bom Pastor e acordei.

Levantei-me, mas senti tal fraqueza que não pude dar mais de cinquenta passos. Voltei para debaixo da carruagem e senti-me, quase instantaneamente, com o rosto banhado de lágrimas, atribuíveis à emoção causada pelo devaneio. Envergonhei-me de tal fraqueza e pus-me a sorrir, apesar de tudo, mas prolongando-se esse sorriso, que tornou-se convulsivo, cobri a cabeça para que meus camaradas não o notassem.” 

Post - CisplatinaEmbarque de tropas, no Rio de Janeiro, com destino à província Cisplatina (por Debret, detalhe).

Finalmente, desistiu de levar Firmiano para a França e, antes de embarcar, entregou-o ao amigo Guido Marlière − capitão e diretor geral dos índios − para que dele cuidasse (9). Foi colocado em boas mãos, porque o militar era um admirador e amigo dos índios. Sob a guarda do novo chefe, foi transformado em soldado, com o sobrenome Durães. Na nova atividade e para rimar, o botocudo só aprontou confusões, deixando os superiores exasperados com tanta indisciplina. Chegou ao ponto de Marlière solicitar, às instâncias superiores, que lhe dessem um sumiço, como manifestou nessa correspondência:

02.01.1826 − Senhor Tenente-General : … Na companhia do […] vigário e diretor dos índios do Jequitinhonha, José Pereira Lidaro, remeto a V. Excia, um soldado índio […] por nome Firmino (sic) Durães [...] rogando [...] me desfaça dele, mandando-lhe fazer passagem para um dos corpos do exército do sul [...] para ser mais civilizado. Este índio acompanhou monsieur de Saint-Hilaire, meu amigo, em todas as suas viagens e, no seu embarque para a Europa, me recomendou a fim de que não voltasse ao mato. 

Ele nos mostra a melhor vontade (de voltar para o mato), ao mesmo tempo que convidou aos da sua nação a assassinar o guarda do Rubim, afim de roubar o que ali havia. Convidou os índios da aldeia da Itinga a matarem rezes nos pastos, como, com efeito, matou duas, e os [...] índios não as quiseram comer com medo de castigo. Espalha, com muito segredo, entre os índios, que os diretores são ladrões e que Sua Majestade dá imensas coisas para eles, que o diretor come, e não lhe dá nada. Em uma palavra: é um hipócrita dangeroso (perigoso) que foi denunciado pelos mesmos* (*próprios) chefes índios que, muito felizmente, o conhecem e aborrecem. Pelo que, ao mesmo tempo que lamento ser [...] obrigado expatriar um índio, que amava como um filho, peço a V. Excia. que expeça as necessárias ordens, a fim de que, com muita segurança, seja bem tratado até o seu destino. Recomendo que desviem dele as bebidas e não (deixem que) venda o fardamento e mais (a) roupa que leva… 

Daí em diante, não se sabe que rumo tomou Firmiano, se realmente participou da guerra ou se foi lá que deu o derradeiro grito antes de morrer. Ficou apenas a certeza do que ele já havia alertado anos antes: deixara guardado o seu coração nas matas do vale do Jequitinhonha.

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Post - Indiozinho

Dois indiozinhos guaranis

Índio guarani, por Marc Ferrez, séc. XIX. 

Saint-Hilaire, bem intencionado, é claro, não hesitava em tirar indiozinhos do seu chão e os levar para o dito mundo civilizado. No dia 24.06.1821, esteve com o governador da província do Rio Grande do Sul e fez algumas anotações no seu diário:

“Fui visitar o Conde de Figueira, em uma casa de campo onde passa as tardes e situada a cerca de ¾ de légua da cidade. [...] O Conde recebeu-me a contento, repetindo-me as ofertas de préstimos e convidando-me para o jantar de domingo. Mostrou-me um pequeno guarani, que servira nas tropas de Artigas(11) e, perguntando-lhe [...] se preferia ficar ali ou voltar para junto de Artigas, obteve do indiozinho a afirmativa de “desejar voltar para junto de Artigas”. Momentos depois, acrescentou que tal atitude nascia do desejo de rever sua mãe. O modo frio dessa tardia explicação demonstrava, contudo, ter sido engendrada pela suposição de ter ofendido ao Conde. Esse jovem guarani era bem vestido e bem alimentado, mas criado nos campos, acostumado às liberdades de uma guerra civil, e preferia a independência que desfrutava em sua tribo às doçuras da vida doméstica.”

Também, em anotação do dia 24.06.1821, acrescentou:

“Referi-me [...] a um pequeno índio que o Conde de Figueira aprisionara na batalha de Tacoarembó, que fora tocador de pífano das tropas de Artigas. O Conde achava que, como eu levava para a França um índio do norte do Brasil (Firmiano), seria útil, para comparação, levar um do sul e teve a gentileza de oferecer-me o seu indiozinho. Vendo o seu amor por essa criança, recusei aceitar a oferta. Entretanto, a ideia do Conde me sorrira e aceitei uma carta sua para o marechal Chagas, pela qual era este recomendado a dar-me um pequeno guarani. Então, não sabia ainda se faria uso dessa carta. Todavia, achando-me tão mal acompanhado, com tão poucas distrações em viagem, vendo sempre semblantes contrariados, decidi pedir um peão ao coronel Paulette, na esperança de que uma criança atenderia aos meus cuidados, que me sorriria, que me testemunharia alguma afeição e me serviria de distração. Disse ao coronel desejar um refugiado espanhol, órfão de pai e mãe. Achou ele, em São Borja, um menino nessa condição. Tem oito ou nove anos e um semblante agradável e espiritual. Seus pais morreram durante a guerra e atravessou o Uruguai com outro índio espanhol, que se apiedara dele. O pobre pequeno estava inteiramente nu e, como dei algum dinheiro ao homem que dele cuidara até então, fiz de uma vez dois benefícios.”

Desde o primeiro momento, o pequeno Pedro mostrou o maior desejo de agradar-me, grande interesse em servir-me, esforçando-se por tudo fazer, mesmo o superior às suas forças. Do segundo ao terceiro dia em diante, tenho-o trazido sempre comigo nas excursões ao campo. Distrai-me por sua graça, ajuda-me a colher sementes, corre atrás de todos os insetos e traz-me todas as flores que encontra. Esta criança denota a vivacidade e a curiosidade de um europeu, e possui a docilidade característica de sua tribo. Tem chorado diversas vezes ao lhe dizer que vai se separar de mim, mas era raro derramar lágrimas quando ofendido e dorme sobre uma das minhas caixas, envolto em uma simples coberta. Come normalmente muito, mas não se queixa quando não lhe dá alimento algum. Ensinei-lhe a recitar o Pater (Pai Nosso), em francês. Entende já tudo quanto se lhe diz em português e começa mesmo a falar essa língua.

Quando deixei São Borja, o coronel Paulette pediu-me pegar, em São Miguel, outro pequeno índio espanhol e mandá-lo, ao chegar ao Rio de Janeiro, ao marquês de Belas, irmão do Conde de Figueira. Não podia recusar esse ato de prestimosidade, por isso, trouxe de São Miguel um guarani.”

—— As citações dos diários de Saint-Hilaire foram mínimamente adaptadas ao vernáculo atual.

Post - GuidoSobre Guido Thomaz Marlière 

Nasceu em Jarnage (França), em 03.12.1767. Estudou filosofia e humanidades. Aos 18 anos de idade, entrou para o exército francês e participou de vários conflitos militares. Dominava o francês, alemão, inglês, português, tupi, tapuia e mais algumas línguas.

Veio para o Brasil em 1807, aportando primeiramente no Rio de Janeiro e, em seguida, dirigindo-se ao Rio Grande do Sul, onde serviu no posto de alferes da cavalaria ligeira. Logo depois, transferiu-se para o I Regimento de Cavalaria do Exército de Minas Gerais, no posto de tenente-capitão. Em 19 de julho, do mesmo ano, foi preso em Vila Rica, com a falsa suspeita de ter sido um enviado de Napoleão Bonaparte. Em 25.01.1812, recebeu em sesmaria meia légua de terras em quadra, no caminho do Rio de Janeiro, na paragem chamada Rio Novo do Piau. Em 1813, foi enviado à vila do Presídio de São João Batista (Visconde do Rio Branco), para pacificar e civilizar as tribos dos cropós, croatos e puris. Em 1814, foi nomeado diretor geral dos índios de Presídio de São João Batista, São Manoel do Pomba (Rio Pomba) e aldeias anexas. No mesmo ano, construiu o aldeamento de Rio Pardo (Argirita), onde abrigou quinhentos puris.

Em 1821, foi promovido a major, ao mesmo tempo em que assumia o cargo de venerável da Loja Maçônica Mineiros Reunidos, em Vila Rica. Em 1822, quando foi fundado o Grande Oriente do Brasil, conseguiu filiação na Oficina Mineira e nomeado primeiro delegado da Província de Minas Gerais. Em 1823, foi promovido a tenente-coronel e, em 1827, comandante das Divisões do Rio Doce.

Pelas suas atividades de desbravar florestas virgens e abrir estradas, foi denominado “apóstolo das selvas”. Atuou em todo o vale do Rio Doce e do Rio Jequitinhonha, atingindo os rios Mucuri e São Mateus, numa imensa região desconhecida e perigosa, pela presença de indígenas antropófagos e belicosos. Na sua obra civilizatória trabalhou com vários povos indígenas. Abriu uma estrada que ligava Minas Gerais a Campos dos Goitacases (RJ), permitindo o início de várias povoações. Em um terreno que lhe foi doado, em 26.05.1828, pelo sargento de ordenanças Henrique José de Azevedo, recebeu e cumpriu a missão de erigir uma capela e o povoado de Cataguases (MG). Também, de alguma forma, colaborou na fundação e desenvolvimento de várias outras. Duas delas foram batizadas rendendo-lhe homenagem: Guidoval − antigamente Guidowald, com inspiração no seu prenome(12)−, Marliéria − com inspiração no seu sobrenome.

Ao deixar o serviço militar, foi reformado no posto de coronel. Faleceu em Guidoval, antigo Sapé de Ubá, em 05.06.1836, onde possuía uma fazenda. A seu pedidoteve o corpo depositado na sepultura sentado, segundo a tradição indígena. A população da região lhe rendeu muitas homenagens, como o faz até hoje, pelo enorme trabalho em prol da constituição do território mineiro.

Post - S Hilaire miniatura

Sobre Saint-Hilaire

Suas viagens estenderam-se pelos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Conheceu a natureza exuberante que não mais existe. Viajou a pé, a cavalo ou em lombo de burro pelos sertões, geralmente abrindo picadas a facão, com a ajuda de escravos. Visitou Minas Gerais três vezes, pois se encantara com sua gente, costumes, cultura e tradições. Como todos os viajantes da época, teve de vencer a escassez de alimentos, o cansaço, as privações, abrigar-se em ranchos cobertos de palha. Acostumar-se a dormir em redes, transformar mala em cadeira e mesa − para escrever suas anotações −, enfrentar as feras, suportar mosquitos, carrapatos e bichos-de-pé e dividir os afazeres com os companheiros de aventura.

Usavam tratá-lo como tenente-coronel e, quando as circunstâncias da viagem tornavam-se difíceis, sofria ameaças de abandono pelos auxiliares. Os sertanejos, muitas vezes viam-no como médico, forçando-o a receitar remédios. Imaginavam que a pessoa que tinha o hábito de colher plantas era médico ou curandeiro. Em 1818, ao completar dois anos em que se deslocava pelo país, lhe falaram das belezas do inóspito Rio Doce. Auguste não teve dúvidas, colocou-se em marcha para conhecer o decantado lugar.

Nenhum dos viajantes que percorreram o Brasil mostrou-se tão capaz de detectar tanta variedade na natureza, no povo e na organização social, administrativa e política. Narrou, em vários livros, as diversas viagens e publicou também dois levantamentos da flora brasileira. Suas obras sobre as plantas permanecem como referências para o ensino de botânica.

Texto e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella.

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(1) SAINT-HILAIRE, Auguste de − “Segunda Viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais e a São Paulo”.

(2) SAINT-HILAIRE, Augustin (Auguste) François César Prouvensal de − (Orleans, *04.10.1779 / Sennely, †30.09.1853). Botânico, naturalista e viajante. Veio para o Brasil em 1816, acompanhando a missão extraordinária do duque de Luxemburgo, que tinha por objetivo resolver o conflito que opunha Portugal e França quanto à posse da Guiana. Obteve, para o seu trabalho científico, a aprovação do Museu de História Natural de Paris e financiamento do Ministério do Interior. / Vide nota biográfica acima.

(3)  SAINT-HILAIRE, Auguste de −“Viagem pelo Distrito dos Diamantes e pelo Litoral do Brasil”.

(4)  SAINT-HILAIRE, Auguste de −“Viagem ao Rio Grande do Sul”.

(5) PRÉGENT, Yves − Jovem auxiliar francês, empalhador. Durante expedição a Minas Gerais, em 07.03.1819, adoeceu antes de chegar em São João Del Rei, onde veio a falecer, por moléstia não diagnosticada, que lhe provocou febres altíssimas.

(6)  SAINT-HILAIRE, Auguste de −“Viagem às Nascentes do Rio São Francisco”. / Firmiano e a população do Rio de Janeiro, naquele início do século XIX, conviveram com a novidade dos imigrantes chineses, que foram os primeiros imigrantes orientais do Brasil. Eles foram trazidos de Macau, pelo governo de d. João VI, para introduzir a cultura do chá no país. Vieram cerca de 300 pessoas, provenientes da província de Hubei, local famoso pelo chá verde. Foram assentadas na fazenda da família imperial, onde é hoje o jardim botânico do Rio de Janeiro.

(7) VASCONCELOS e SOUZA, José Maria Rita de Castelo Branco Correia da Cunha / 1º conde da Figueira – (Salvaterra de Magos, *05.02.1788 / Lisboa, †16.03.1872). Pela carta régia, de 30.04.1826, foi eleito par do reino; também grande de Espanha de 1ª classe, sendo marquês de Olias e Zursial, na Catalunha, e marquês de Mortara, no ducado de Milão. Tomou parte na expedição portuguesa a Pernambuco, em 1817. Foi governador da capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, de julho de 1818 a 1821. Serviu como ajudante do infante d. Miguel, comandante em chefe, em 1833.

(8) Lechiguana é uma espécie de vespa, produtora de mel, encontrada no sul do Brasil e países vizinhos. Quando está muito frio, elas se juntam para se aquecer. Daí o dito popular: “passei uma lichiguana”; significa: passei frio esta noite. O nome científico é Brachygastra lecheguana. Tem coloração negra, parte posterior do abdome amarela e asas pardas. Constrói ninhos esféricos, que ficam pendurados num emaranhado de gravetos. Para quem tem os cabelos desalinhados, semelhante à casa das vespas, o gaúcho fala: - Vai arrumar esta lichiguana, guria! É conhecida, também, por enxuí, cabamirim e siçuíra.

(9) MARLIÈRE, Guido Thomaz − Vide nota biográfica acima.

(10) Revista do Arquivo Público Mineiro – ano XI / Fascículos I, II, III, e IV – 1906 – Imprensa Oficial de MG, 1907, p. 121 e 122.

(11) ARTIGAS, José Gervasio – (Montevidéu, *19.06. 1764 / Ibiray, †23.09.1850). Político e militar uruguaio; herói nacional do país. Estudou no Convento de São Francisco. Passou a juventude no interior do país, entre gaúchos, índios e tropeiros. Foi comerciante de couro e gado, e percorreu todo o Uruguai, adquirindo prestígio entre a população. Em 1797, ingressou no Regimento de Lanceiros, no posto de tenente. Durante a guerra hispano-portuguesa, combateu os ingleses no Prata, aliados dos portugueses. Nessa época, surgiu o movimento de libertação das colônias espanholas e Artigas juntou-se aos insurretos, sendo nomeado tenente-coronel pela junta de Buenos Aires. Derrotou os espanhóis na batalha de San José, em 1811, obrigando os inimigos a se retirarem para Montevidéu. Derrotou novamente os espanhóis na batalha de Las Piedras e sitiou a cidade. Divergindo do governo de Buenos Aires, retirou-se para o interior. Após as resoluções do Congresso de Tucumán, Artigas, entrou em guerra contra o exército luso-brasileiro, que invadira a Banda Oriental. Derrotado na batalha de Catalán, em 1817, Artigas iniciou movimentos de guerrilha que duraram três anos. Não podendo mais resistir, após a derrota na Batalha de Tacuarembó, em 1820, asilou-se no Paraguai, onde morreu trinta anos depois, sem haver retornado ao seu país.

(12) Guidowald: em alemão, “wald” = mata, floresta.

4 Comentários »

  1. Eduardo,

    Parabéns pelo seu excelente Blog. Quando recebi, por e-mail, o anúncio deste Post sobre o Firmiano abri-o imediatamente. Nas minhas leituras do Saint-Hilaire (meu viajante preferido), Firmiano passou-me sempre a figura de uma pessoa enigmática. Sua compilação das impressões de Saint-Hilaire sobre ele, colocadas em contexto, foi perfeita. Se as colocações de Saint-Hilaire soam um tanto estranhas aos ouvidos modernos, revelam, considerando seu tempo, serem as observações de um homem extremamente arguto e de bom coração.

    Comentário por Pedro Lobo Martins — 01/03/2013 @ 6:07 pm | Resposta

    • Pedro:
      Concordo com suas opiniões sobre Saint-Hilaire e Firmiano, particularmente o índio. Até hoje os índios são enigmáticos para mim. Suas histórias dão “pano para manga”.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/03/2013 @ 7:45 pm | Resposta

  2. Caro Eduardo;
    Não poderia deixar de expressar a minha admiração por você, pelo magnífico trabalho que realiza através desse Blog. Foi praticamente um milagre o dia que, depois de exaustivas pesquisas na internet, encontrei o seu Blog e fiquei conhecendo o maravilhoso trabalho que você realiza. A partir de então, assinei o Blog e não perco nenhum de seus artigos, verdadeiras obras primas que me transportam ao mundo da história, como esta que acaba de nos presentear.
    Muito obrigado, Eduardo.

    Comentário por EDSON LUIZ RIBEIRO — 01/03/2013 @ 9:56 pm | Resposta

    • Edson:
      Seu aplauso me emociona e entusiasma. Quero continuar escrevendo, embora não seja historiador. Cuidarei de sempre lhe avisar sobre as futuras postagens.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/03/2013 @ 10:05 pm | Resposta


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