Sumidoiro's Blog

01/05/2018

A RAPOSA ROMÂNTICA

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 7:56 am

 ♦ Corajosa, sincera e inspirada

A história ensina que, durante os séculos XVIII e XIX, ocorreram vários movimentos artísticos, amiúde eles se interpenetravam. Ao mesmo tempo, a Revolução Industrial e a Revolução Francesa também estiveram a provocar grande impacto no contexto histórico da época, em todos os sentidos.

O XVIII foi um período marcado pelo movimento intelectual do Iluminismo, também denominado Século das Luzes(1)O propósito seria iluminar a sociedade com novas ideias, de modo a romper com os modelos ditados pelo Absolutismo(2)

Por sua vez, o XIX foi um século de grandes invenções, descobertas e efervescência nas artes em geral. Nesse momento é que ressurgiu uma raposa para marcar presença.

A raposa fura o lobo: Renart e Ysengrim. 

ois corriam os anos entre 1760 e 1780, quando efervesceu o movimento literário Sturm und Drang* – nascido na Alemanha – e que tinha entre seus líderes o poeta Goethe(3). Eles estavam a contestar o ideário racionalista do Iluminismo e os estilos artísticos do Rococó(4) e do Neoclassicismo(5), ainda dominantes no período. Em pouco tempo, especialmente no que toca à literatura e às artes plásticas, os conflitos foram gerando desdobramentos, de modo a influenciar o pensamento artístico de toda a Europa e mesmo de terras mais distantes. — * “Sturm und Drang” (Tempestade e Ímpeto). O nome deriva da peça homônima de Friedrich Klinger (1752-1831). 

Os adeptos da nova corrente literária almejavam criar uma nova arte, que fosse mística, selvagem e espontânea, ou seja, quase primitiva, onde o maior valor seria a sensação – empfindung, dizendo no termo alemão – aquela que deveria se sobrepor à razão.

Uma grande influência recebida pelo Sturm und Drang veio de Herder*, introdutor do culto à genialidade que dependia da inspiração, não importando de onde viesse. Acreditando nisso, os poetas do movimento voltaram seus olhos para Homero, Shakespeare e, também, para as manifestações populares. — * HERDER, Johann Gottfried – filósofo e escritor alemão. 

O suicídio de Werther, ilustração para “Os Sofrimentos do Jovem Werther” (de Goethe).

De modo a definir o que pretendiam, lá na Alemanha já existia o adjetivo romantisch – romântico – referindo-se ao estilo de antigas poesias que ainda vicejavam entre o povo. Haviam surgido nos tempos medievais, num ambiente dominado pelo cristianismo, e eram comumente divulgadas pelos trovadores.

Pois bem, num certo momento, a escritora madame Stäel* começou a se interessar pelas novas ideias e passou a divulgar o Romantismo (Die Romantik, em alemão) entre os franceses. Para isso, como tradução na sua língua, utilizou o termo “Romantisme”. Da França veio para Portugal e Brasil, com o nome de Romantismo.

Na cultura europeia, foram destaques do Romantismo: Goethe – na literatura e no teatro –, especialmente com “Os Sofrimentos do Jovem Werther” e o “Fausto”; Chopin – na música –, como pianista e compositor; Delacroix – na pintura –, considerado um gênio do estilo; Victor Hugo, com a peça de teatro Hernani”. A lista completa é imensa e muito rica.

Em “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, o personagem principal – Werther – conhece Lotte, noiva de Albert. Ele passa a frequentar a casa de Lotte e acaba se apaixonando por ela que, contudo, ama seu noivo. Porém, o intrometido não consegue arrebatar Lotte e morre romanticamente por amor. Daí, o amigo Wilhelm, logo após a morte de Werther, descreve a tragédia muito romanticamente, assim:

 “Pela manhã, às 6 horas, o criado entrou no quarto com a luz. Encontrou o seu senhor no chão, viu a pistola e o sangue. Chamou-o, mexeu nele. Nenhuma resposta, ainda agonizava. Correu em busca dos médicos e de Albert. Lotte ouviu alguém tocar a campainha e um tremor fez convulsionar todos os seus membros […]. Tinha atirado na cabeça, logo acima do olho direito, fazendo saltar os miolos. Pelo sangue espalhado no espaldar da cadeira, concluiu-se que realizara seu intento sentado à escrivaninha; caíra em seguida, rolando convulsivamente em volta da cadeira. Estava estendido de costas, perto da janela, inerte, todo vestido e calçado, de casaca azul e colete amarelo. […] Do vinho, bebera somente um copo.” (6)

Chopin ao piano em uma noite romântica.

Pois bem, há de se notar que, na Península Ibérica e desde longínquas eras, existia outro gênero poético, o Romanceiro, que serve para nomear um conjunto de romances. Trata-se de sátiras e canções de amor, algumas em estilo épico, que haviam se espalhado por Espanha e Portugal. Essas últimas, são chamadas canções de gesta e narram gestos heróicos. Numa delas, há uma fala dirigida ao rei don Sancho(7), o primeiro dos Algarves: 

Rey don Sancho, rey don Sancho, | Rei don Sancho, rei don Sancho,
no digas que no te aviso; | não digas que não te aviso; 
que del cerco de Zamora | que do cerco de Zamora
un alevoso ha salido; | um traiçoeiro saiu;
Bellido Dolfos se llama, | Bellido Dolfos se chama,
hijo de Dolfos Bellido; | filho de Dolfos Bellido;
cuatro traiciones ha hecho, | quatro traições cometeu,
y con esta serán cinco. | e com esta serão cinco.
Si gran traidor es el padre, | Se grande traidor é o pai,
mayor traidor es el hijo.
| maior traidor é o filho.

Um romance de amor jogralesco, descoberto em 1421, é o mais antigo efetivamente documentado(8), escrito em um vernáculo misto de castelhano e catalão, que começa assim:

Gentil dona, gentil dona, dona de bell parasser… Gentil dona, gentil dona, dona de belo parecer…

Por sorte, com o advento do Romantismo, o Romanceiro retomou suas forças e está muito vivo. Quem fez um belo e profícuo trabalho nesse sentido foi o português Almeida-Garret(9). Seus livros em três volumes, intitulados Romanceiro, foram publicados a partir de 1828, contendo uma série de baladas medievais, recolhidas e atualizadas pelo autor. U’a amostra:

Onde vais alva e linda,
Mas tão triste e pensativa,
Pára, celeste Adozinda,
Da cor da singela rosa
Que nasceu ao pé do rio?
Tão ingênua e tão formosa
Como a flor, das flores brio,
Que em serena madrugada
Abre o seio descuidada
À doce manhã d’abril! etc.

No Brasil, a obra literária fundadora do Romantismo foi “Suspiros Poéticos e Saudades”, de Gonçalves de Magalhães(10), em 1836. Isto é, cerca de meio século depois de ter nascido o movimento alemão. Nestes versos, o poeta mostra seu estilo com o tempero brasileiro:

Quem, penetrando as negras catacumbas,
Escondidas da terra nas entranhas, 
Dos mártires cristãos leitos de morte,
Onde não entra o sol, nem entra a lua,
E só pequena luz, na mão do guia,
Trêmula, moribunda bruxuleia,
Como pálida estrela, ou como um olho
Do gênio habitador daquelas trevas;
Quem não se enche de horror? 
Quem falar pode?
Só ver, e emudecer; a língua é fraca;
As grandes comoções não se descrevem. / Roma, abril, 1835.

Nas artes pláticas

Como propagador do Romantismo na pintura, merece especial destaque Delacroix. Refletindo a importância do artista, há palavras de Baudelaire(11) quando se fez de crítico de arte. Assim falou sobre o pintor:

“… De uma paixão imensa, duplicada por uma vontade formidável, tal foi o homem. Mas ele dizia sem cessar: ‘Pois que considero a impressão transmitida ao artista pela natureza a coisa mais importante a traduzir…’ “

E acrescentou:

“Jamais, apesar de sua admiração pelos fenômenos ardentes da vida, Eugène Delacroix não será confundido entre essa turba de artistas e literatos vulgares, cuja inteligência míope se abriga atrás da palavra vaga e obscura de realismo.”

De fato, o Realismo* que surgira na década de 1850, após a Revolução Francesa(12), foi uma das consequências do ideário do Iluminismo, que pretendia representar o mundo aparente sem “artificialismos”, evitando as convenções, o exotismo e o sobrenatural. Contudo, através dos tempos, o figurativismo realista tem sido praticado nas artes visuais, sempre prevalecendo o alto domínio da técnica mas, amiúde, mas quase sempre com pouca qualidade expressiva. — * O Realismo perdeu fôlego ao aproximar-se o final do século XIX. 

“Cristo no mar da Galileia”: pintura romântica, por Delacroix.

Também o pintor espanhol Goya(13) foi um romântico e mais que isso, considerado um dos fundadores do Modernismo. Gostava de pintar coisas inacreditáveis, monstros, espetáculos de bruxaria e mais coisas do gênero. Assim sendo, não comungava com o ideário iluminista. Entretanto, ao mesmo tempo em que usava a imaginação, sabia tirar proveito das forças da razão. Uma de suas gravuras mostra um homem cabisbaixo – ele próprio – atormentado por um bando de morcegos esvoaçantes. E, com uma frase complementa a cena, dizendo:

“El sueño de la razón produce monstruos(14)“. — “O sonho / sono da razão produz monstros.” 

No Museu do Prado (Madri), há um manuscrito referente à mesma gravura, que pode ser assim traduzido:

“A fantasia, isolada da razão, somente produz monstros impossíveis. De outro modo, quando unida a ela (a razão), é a mãe da arte e fonte dos seus desejos.” 

Rastreando a palavra

O nome romantismo, em sentido amplo, não caiu do céu, veio de Roma. Seu nascedouro está na língua vulgar – sermo vulgaris ou linguagem comum. Dela vem a palavra romane, que designava o vernáculo* local, ou seja, o meio de comunicação popular, aquele que permitiria uma expressão mais calorosa e espontânea do que na língua erudita. Partindo do mesmo princípio, as línguas nativas de vários povos ficaram ditas como romance. — Vernáculo: língua própria de um país ou de uma região. / Do latim “vernacŭlus, a, um”, no sentido de escravo nascido na casa do amo; ou doméstico, de casa, nascido ou produzido no país ou no lugar, nacional. 

Na Idade Média, chamavam de romance à prosa e ao verso escritos na língua nativa, não importa qual fosse o país.  As obras narravam aventuras imaginárias, criadas de modo a despertar o interesse geral. Vai daí que, por meio do romance, qualquer pessoa podia externar os sentimentos com naturalidade e verdadeira emoção. Em italiano, se diz romanzo, ou melhor, romanzo volgare*. — * Romance popular.

Assim é que as palavras romance, romanceiro, romântico, romanesco e romantismo, desde há muito tempo, têm servido para traduzir o que provém dos sentimentos e dos sonhos, tudo aquilo que se sobrepõe à realidade aparente.

O lexicógrafo e hispanista italiano, Girolamo Vittori(15) (século XVII), contribuiu para esclarecer o assunto. Disse, no seu dicionário:

“Romanceiro – Um livro cheio de tais histórias em forma de canções. De passagem, é preciso aqui dizer que esta palavra Romant, dita antigamente como a linguagem latina ou romana, foi corrompida por toda parte, como cada um quisesse, até mesmo nos confins da Alemanha e da Lorena, onde chamam Romant a linguagem que não é o alemão. / Romancista – compositor de Romans; tradutor em língua vulgar; compositor de romance; que é o romance da língua particular.” — Traduzido do verbete em francês.

Jograis divertindo o povo.

Também o padre Raphael Bluteau(16), no seu dicionário (1720), define da seguinte maneira:

Romance – O mestre Venegas quer que romance seja advérbio, formado do verbo (palavra) latino romane, por falar romanamente, porque tinham uma lei os romanos, que lhes proibia dar ouvidos aos embaixadores, quando falavam em outra língua que não a romana. Tem esta palavra romance vários significados.

Em primeiro lugar, romance significa a língua própria, natural e vulgar de qualquer terra. […] Camões*, num rio de Melinde, diz que seu nome, no romance** da terra, é Obi. Vê cá a costa do mar, onde te deu / Melinde (cidade) hospício (abrigo) gasalhoso e caro / O Rapto rio nota, que o Romance/ Desta terra chama Obi (rio Obi), entra em Quilmance (cidade de Quelimane).** ” — * Nesse ponto, Camões fez uma analogia com a língua portuguesa que, outrora, foi um romance. – Luzíadas, 1572. /  ** Língua obi, falada em Quelimane, Moçambique. – Canto X, estância 96.

Mais esclarece Bluteau, no suplemento do dicionário:

QUILMANCE – Lugar situado na boca do rio Rapto, chamado por outro nome Obi, junto (próximo) ao rio de Melinde.”

Ainda no dicionário, Bluteau complementa: 

Romance, no dito sentido, Língua Vernácula. Na sua miscelânea quer Miguel Leitão que o falar em Romance seja como quem diz: falar Romano. […] Romance – No canto 10 dos sonetos de Camões, sobre a oitava 96, acrescenta Manoel de Faria, que qualquer livro traduzido do latim em vulgar, também se chama Romance, ainda que a tradução seja feita em versos com suas consonâncias e não só em latim, senão de um vulgar em outro, como o dito autor afirma ter visto muitas vezes, intitulado esse Poema traduzido em castelhano e dizia Lusíadas em Romance.”

O padre Bluteau, no Suplemento do seu dicionário, também disse:

Rapto* rio do qual faz menção João de Barros […] aonde diz: ‘Nas serras do reino, aldeia nasce o rio Obi, a que Ptolomeu chama Rapto’ […] Também se chama romance à prosa, para se diferenciar do verso, por ser ela mais vulgar que ele. […] Romancear – traduzir em língua vulgar e natural da terra. […] Romancista – o compositor de uma casta de versos a que chamam romance, ou o tradutor de obras de peregrino idioma, na língua da sua terra; ou aquele que não sabe latim e não só na sua língua exercita a arte que professa.”

A raposa “romântica”

A poética medieval, falada ou escrita em romance, denota que a ideia primitiva do romantismo estava sedimentada na cultura popular da Europa e cujos maiores divulgadores foram os menestréis. Em forma de manuscritos, datam do século XII e início do século XIII.

Entre eles, há o Le Roman de Renart*, em francês, que é o mais famoso conjunto de histórias de animais produzidas na Idade Média, resultado de várias autorias e totalizando 26 capítulos. A inspiração veio das fábulas do grego Esopo e do poema épico de escárnio da autoria de Nirvadus, escrito em latim, em 1148 ou 1149, cujo personagem principal é o lobo Ysengrimus**, que é hostilizado pela raposa Reinardus***. Mestre Nirvadus foi um monge andarilho flamengo, natural de Gent***. Através dele é que começou a ser vulgarizada a história do lobo, que tem suas maquinações destruídas pela maldosa e heróica raposa. — * Romance de Renard, em português. ** Ysengrin, em francês. / *** Reinart, em francês. / *** Gent, hoje na Bélgica.

” Le Roman de Renart”, em francês antigo, por volta de 1400.

Ao estabelecer semelhanças entre o animal e o homem, a narrativa visava criticar a sociedade do mundo feudal. No conjunto, predomina a ironia, mas plena de lições de moral. Nessa tônica é que Ysengrin aparece travestido em monge-bispo, para que o herói Renart o trate impiedosamente, de modo a emocionar e açodar a revolta de quem lê ou assiste o desenrolar da narrativa.

Em francês antigo, a palavra para raposa é  goupil* mas, depois que ganhou fama, “renart” virou o sinônimo preferido, trocando o t por d, ou seja, renard. — * O nome “goupil” vem de “vulpeculus” ou “vulpecula”, diminutivo de “vulpes” (raposa), em latim. 

Vê-se que a palavra roman, ao dar título ao poema, serviu para dizer da história popular de Renart, escrita em romance, ou seja, no vernáculo dos franceses e não em latim. Nesse contexto é que muita gente ainda fala e escreve em alguma língua românica ou neolatina(17), entre elas o português.

No latim culto (sermo cultus) diziam:

“Illa claudit semper fenestram antequam cenat.”

No latim vulgar (sermo vulgaris):

“Ea claudit semper illa fenestra antequam de cenare.”

No português:

“Ela fecha sempre a janela antes de jantar.”

O poeta Fernando Pessoa(18), a seu modo, soube bem definir o que seria romântico, no seu sentido mais profundo:

“É preciso ser um realista para descobrir a realidade. É preciso ser um romântico para criá-la.”

———

Àquela época do Sturm und Drang, a antiga raposa continuava circulando, mas pouca gente havia atentado para isso. Talvez Goethe, com sua enorme sensibilidade a tenha visto. Mas, para quem ainda não a viu, sempre haverá a oportunidade de vê-la, porque é imortal.

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Um Romancero para chorar. Ouça:

Pesquisa, texto, traduções e arte de Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

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(1) Iluminismo – período também dito como Século das Luzes, da Ilustração ou da Filosofia.

(2) Absolutismo – teoria política que defende a ideia de que uma pessoa – rei ou monarca – deve deter o poder absoluto. O momento culminante foi com o rei Luís XIV, conhecido como rei Sol.

(3) GOETHE, Johann Wolfgang von – (Frankfurt, Alemanha, (*28.08.1749 / Weimar, Alemanha, †22.03.1832) Escritor, esteta, pesquisador científico e estadista.

(4) Rococó – estilo artístico surgido na França, após a morte de Luís XIV, em 1715. É marca do período que termina com a Revolução Francesa, em 1789.

(5) Neoclassicismo – movimento cultural da Europa Ocidental, de meados do século XVIII. Teve larga influência na arte e cultura de todo o ocidente, até meados do século XIX. Seus limites são muito imprecisos. O neoclassicismo teve seu auge entre meados do século XVIII e as primeiras décadas do século XIX.

(6) No romance de Goethe, o jovem Werther conta ao amigo Wilhelm a história do seu amor impossível pela bela Lotte, compromissada em casamento com outro. Artista, sensível às coisas da natureza e do amor, ele não consegue esquecê-la e, no final, comete suicídio com um tiro de pistola na cabeça. Quando o livro foi lançado na Europa, milhares de jovens passaram a se vestir como o protagonista. Dizem que a história foi inspirada em uma paixão não correspondida (Charlotte Buff – imagem ao lado) de Goethe , que afirmou ter matado Werther para que ele próprio não morresse.

(7) Sancho II de Castilha – (*1038 ou 1039 / †07.10.1072) Primeiro rei de Castilha [por conquista] e, depois, da Galícia e Leão. / Dolfo Bellidos – é considerado um personagem lendário, mas seu nome está documentado, em 1057, como Vellit Adulfiz.

(8) Romance copiado en 1421 (imagem abaixo), por Jaume de Olesa, natural da ilha de Maiorca, quando estudava em Bolonha (Itália). Diz assim: “Gentil dona, gentil dona, / dona de bell parasser, / os pies tingo en la verdura / esperando este plazer.  Por hi passá ll’escudero / mesurado e cortés; / les paraules que me dixo / todes eren d’emorés. / Thate, escudero, este cuerpo, / este cuerpo a tu plazer, / las tetillas agudillas / qu’el brial quieren fender.  Allí dixo l’escudero: / No es hora de tender, / la muller tingo fermosa, / fijas he de mantener, / el ganado en la sierra / que se me ua a perder, / els perros en las cadenas / que no tienen que comer. Allá vayas, mal villano, / Dios te quiera mal fazer, / por un poco de mal ganado / dexas cuerpo de plazer. ||| L’escorraguda es: / Mal mi quero mestra Gil, / e faslo con dretxo / Bien me quie su muger / qui’m etxa en e son letxo.”

Post - GentilTradução: “Gentil dama, gentil dama, / dama de bel parecer, / os pés tenho na relva / esperando este prazer Por aí o escudeiro passou / Cheio de mesuras e cortês; / as palavras que me disse / todas eram de amores. / Acorda, escudeiro, este corpo, / este corpo a teu prazer, / as tetinhas agudinhas / que a seda querem furar. Ali disse o escudeiro: / Não é hora de atender / a formosa mulher que vejo, / a obrigação é de cuidar, / do gado pastando na serra / que senão me vai a perder, / os cães estão nas correntes / e não têm o que comer. Lá vais, mau vilão, / Deus te queira mal fazer, / por pouco de mau ganhado / deixas o corpo do prazer. ||| O desfecho é: / Mal me quer mestre Gil, / E o faz bem direito / Bem me quer sua mulher / Que me deixa em seu leito.” 

——— Outro exemplo do romanceiro espanhol, uma balada proveniente de comunidades de judeus sefarditas: “Yo me levantaría un lunes / Un lunes por la mañanita / Tomare yo mi cantarito / Y la fuente fuera por agua • Y a la mitad de aquel camino / Con mi amor me encontraré / Tiró me la manika al cuello / La gargantilla me tocara • Tate tate tu el caballero / Desha me, iré para mi casa / Me lavaré mi lindo cuerpo / Me pondré camisita blanca • Me ciñeré mi cinturita / Con una kushaka morada / Me peinaré mi cavesika / Me pondré camisita blanca • Tate tate que no hay dote / Desha el amor para la noche / Tate tate que no hay nada / Desha el amor para mañana. • Dai de a la suegra una sardina / Y a la nuera una gallina / Dai de a cenar al desposado / Dai de a cenar que no ha cenado.” 

Tradução: “Vou acordar segunda-feira, / Na segunda de manhãzinha. / Meu potinho vou pegar, / Pra buscar água na fonte . • Já na metade do caminho, / Meu amor encontrarei. / Pelo pescoço vai me abraçar  / E no meu colar tocará. • Acorda, acorda cavaleiro, / Deixa-me, irei para casa. / Lavarei meu lindo corpo, / Vestirei camisinha branca. • Cinturinha vou rodear, / Com uma fita vermelha. / Vou  enfeitar meus cabelos, / Vestirei camisinha branca. • Acorda, acorda, que dote não há, / Deixa o amor p’ra denoite. / Acorda, acorda, que nada há, / Deixa o amor pr’amanhã. • Dá à sogra uma sardinha / E à nora uma galinha. / Dá jantar ao desposado, / Dá-lhe o jantar, que não jantou.” — Cantado por Ester Davida, natural de Tanger, em 10.07.1978.  

(9) ALMEIDA-GARRET, João Baptista da Silva Leitão de – (Porto, *04.02. 1799 / Lisboa, †09.12.1854) foi um escritor e dramaturgo romântico; visconde; orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário de Portugal.

(10) MAGALHÃES, Domingos José Gonçalves de – (Rio de Janeiro, *13.08.1811 / Roma, †10.07.1882) Ensaísta, poeta, professor, diplomata e político. Participou de missões diplomáticas na França, Itália, Vaticano, Argentina, Uruguai e Paraguai.

(11) BAUDELAIRE, Charles-Pierre – (Paris, *09.04.1821 / Paris, †31.08.1867) Poeta; crítico de arte, assinando Baudelaire Dufays. Um dos precursores do Simbolismo e fundador da tradição moderna em poesia, juntamente com Walt Whitman, embora tenha participado de diversas escolas. Sua obra teórica teve grande influência sobre os artistas plásticos do século XIX.

(12) Revolução Francesa – O dia 14.07.1789 marca o início da Revolução Francesa com a Queda da Bastilha (um pequeno forte que servia de prisão), em Paris. O dia 09.11.1799 selou o fim da era, com o início do governo de Napoleão.

(13) LUCIENTES, Francisco José de Goya y – (Fuendetodos, Espanha, *30.03.1746 / Bordéus, França, †16.04.1828) Pintor e gravador.

(14) O escritor inglês Aldous Huxley (*26.07.1894 / †22.11. 1963), entusiasta do uso da droga LSD como estimulante dos processos mentais, escreveu sobre a gravura de Goya: “A legenda ‘El sueno de la razón produce monstruos’ admite mais de uma interpretação. Quando a razão dorme, o absurdo e as criaturas repugnantes da superstição acordam e ficam ativas, levando suas vítimas a um ignóbil frenesi. Mas não é só. A razão pode também fazer sonhar sem dormir, pode intoxicar-se, tal como ocorreu na Revolução Francesa, quando houve o sonhar acordado em prol de um progresso inevitável, em nome da liberdade, igualdade e fraternidade, mas impondo a violência, em nome da autossuficiência humana e pelo fim da tristeza.” Pois bem, a Revolução Francesa foi influenciada pelos ideais do Iluminismo, porém contestados por Goya e, assim sendo, a mensagem na sua gravura se revela ambígua.

(15) VITTORI, Girolamo – (Bolonha, Itália, *1549 / Genebra, Suíça, †?). Fonte da citação: “El Tesoro de las tres lenguas francesa, italiana y española”, 1614.

(16) BLUTEAU, Raphael – (Londres, *04.12.1638 / †Lisboa, 14.02.1734) Religioso da Ordem dos Clérigos Regulares e grande lexicógrafo da língua portuguesa; autor do “Vocabulário Português e Latino”.

(17) NEOLATINO / NEOLATINA – adjetivo designativo das línguas modernas derivadas do latim, como o português, o espanhol, o catalão, o provençal, o italiano, o francês e o romeno, ou aquelas de nações ou povos procedentes dos antigos Romanos; o mesmo que novilatino(a).

(18) PESSOA, Fernando Antônio Nogueira – (Lisboa, *13.06.1888 / Lisboa, †30.11.1935) Poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português.

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01/04/2018

O SILVO DO AMOR

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 6:45 am

♦ Receita para a felicidade a dois

Tudo começou com um fiu-fiu(1), aquele assovio de conquista. E deu certo, o moço e a moça se encaminharam para o altar…

uando José decidiu se casar com Maria das Graças, pensava em viver feliz para sempre. Ela também… De início, construíram uma casinha com jardim. Após o enlace, tudo estava tão bom que tratavam-se de Queridinha e Jotinha, enquanto cuidavam das flores e trocavam juras de amor. Nessa época, usavam a mesma língua, para dizer as mesmas coisas.

Assim permaneceram, até que nasceu o primeiro filho e, daí, tudo mudou. Foi quando a rotina de felicidade passou a sofrer interferências inesperadas do pimpolho. O agente do mal estava sempre com dores de barriga, enchia múltiplas fraldas de xixi e cocô, ficava febril por qualquer motivo e provocava um mundo de atropelos.

Depois vieram à luz mais um, dois, três, quatro, afinal, um montão de gente miúda, para tirar os enfeites da vida do casal. Contudo, devido aos contratempos e de modo a aliviar suas dores, Queridinha passou a transferir responsabilidades ao Jotinha. Àquela altura, voltara a chamar o indivíduo simplesmente de Jota. Desde então, usando a mesma língua e torcendo as palavras, passaram a dizer coisas diferentes. Nisso está a sutileza da mudança de Jotinha para Jota.

Porém, o coitado também já estava sobrecarregado de tantos dissabores. Como consertar o chuveiro, as torneiras que não paravam de pingar, o esgoto que sempre entupia, o ferro de passar que parava de esquentar, etc. Verdade é que Jota amava Queridinha e, por isso, ainda aprendeu a trocar fraldas, cozinhar, lavar e passar, pregar botões e até mesmo cerzir roupa. Ou seja, transformara-se num marido moderno, como tem ditado a nova regra. Ainda mais, para atender às crescentes despesas da família, costumava fazer horas extras no trabalho.

Contudo, na ânsia de amainar os seus sufocos, o coitado procurou alívio nas amizades e voltou com elas a frequentar, aos sábados, as peladas de futebol, das quais se tornou juiz. Desse modo, aprendeu a usar o apito com maestria. Por fim, depois de cada jogo, fazia relaxamento no boteco com a turma, até altas horas da noite. Como consequência, sempre voltava meio bêbado para casa… Normalmente, entrava na habitação sorrateiramente e com uma mudez pétrea.

Vai daí que, num dos seus piores dias, Queridinha deflagrou uma guerra de palavras que, aliás, já vinha ocorrendo, mas em nível medianamente civilizado. Foi quando se exacerbou ao perceber o marido entrando no seu quarto, cambaleante, lá pela madrugada, e disse:

“- Bem que mamãe falou para eu não me casar com você. Não quero mais viver com um bêbado, que só pensa em bola e cerveja. Quero me separar!”

Pois bem, como Jota ainda estava com o raciocínio meio embotado pela bebida, de pronto arremeteu um tiroteio de palavras:

“- O quê? Você está falando sério ou está apenas querendo me agradar?

Por sorte e para não deixar romper o último fio que os unia, surgiu um sábio sacerdote que conseguiu apagar, temporariamente, o incêndio relacional. Da parte de Jota, aconselhou-o a ficar monossilábico e, quando sentisse saudade de lidar com as palavras, que as procurasse nos livros, especialmente os de filosofia. Da parte de Queridinha, ficar sempre com a boca cheia d’água mas, se não fosse possível, contar até dez antes de dizer alguma coisa. Na pior das hipóteses, sair a fazer tricô ou concentrar-se em palavras cruzadas.

Para si, Jota logo assumiu os preceitos do orientador religioso e Queridinha, de sua parte também. Assim sendo, ao ensimesmarem-se, cada um no seu canto, o relacionamento do casal entrou num estado de paz contida. Claro que com riscos de novas explosões. Mas, tempos depois, por alguma força misteriosa da natureza, ocorreu um evento notável. A imensa caixa d’água da residência começou a vazar e inundou a sala de jantar. Assim sendo, diante da emergência e seguindo a tradição, Queridinha berrou:

“- Chama os ôme!

Melhor dizendo: “- Chama os homens.” Essa é uma recomendação muito feminil, em todas as situações desse tipo. Mas, infelizmente, não havia nenhum “ôme” disponível para o socorro urgente. Então, o jeito foi o Jota, ele mesmo, subir no telhado…

Contudo, no afogadilho, o bombeiro improvisado se esqueceu de levar as ferramentas necessárias e, lá das alturas, passou a pedir socorro aos gritos:

“- Balde, alicate, chave de cano…”

Mas, nada! Dona Queridinha não ouvia e a água continuava jorrando. O jeito foi Jota resolver tudo por si próprio, subindo e descendo escada. Afinal de contas, conseguiu consertar a caixa d’água e, mais uma vez, salvar o casamento. Também notou que, sem que percebessem, ambos estavam se comunicando aos berros e já havia algum tempo. Assim, pôde entender o porquê de Queridinha não atender aos seus chamados. Ela ficara medianamente surda, de tanto ouvir gritaria de criança e música baiana.

E, como sempre há males que vêm para bem, Jota teve uma luminosa ideia para restabelecer a boa convivência. Pois foi contando com sua experiência em apitar jogos de futebol, que resolveu implementar, entre ele e a mulher, uma linguagem de sinais. Usava o apito e os gestos, que havia assimilado das lições de um famoso árbitro de futebol(2), que dizia:

“Falem com os jogadores e com a plateia sem precisar falar!”

Exemplificava aquele mestre juiz que, no meio do campo, com um simples gesto de mão e um breve “pi”, o jogo tinha que ser interrompido. Sendo mais longo, o “piii” servia para indicar que foi aplicado um cartão amarelo ou vermelho. Quando ocorria uma falta mais pesada, emitia-se um “piiiiiiiii”. Além disso, sabe-se que a melodia dos “pis” pode produzir um mundo de reações, como até mesmo fazer rir e chorar.

Assim sendo, depois que Jota modulou o silvo do apito ao nível de audição de Queridinha e usando toda sorte de gesticulações, nunca mais precisou da palavra para falar, nem gritar. Normalmente, quando queria chamar sua “amada” dava uns silvos agudos e altos, depois completava com a gesticulação. Quando queria pedir um copo d’água, dava um silvo moderado e mostrava a língua seca, e adormecida. E assim por diante…

Até hoje, devido ao estratagema, estão convivendo muito bem, com tudo funcionando nos conformes, mesmo quando o apito não está disponível. Nesses casos, emite o silvo com os dois dedos na boca. Tem mais… Aproveitando o seu know-how, Jota está com a ideia de criar um curso de orientação de casais. Desse modo, enquanto estiver na sala de aula e dialogando com os alunos, poderá voltar a falar. As classes seriam do tipo unissex, oferecido para casais, desde que apenas um dos parceiros tenha perda de audição, evidentemente. Um deles ajuda o outro a escutar, melhor dizendo, quem ouve apita no ouvido do surdo(a). O slogan de propaganda seria assim:

“Um silvo de apito fala mais que mil palavras.”

Assim sendo, Queridinha e Jotinha, estão discutindo o empreendimento educacional, mas sem apitar, porém comunicando-se por escrito em latim, que felizmente aprenderam no ginásio. Já decidiram que a parte administrativa e contábil ficará por conta de Queridinha, pois ela lida muito bem com a frieza dos números.

———

Contudo, é preciso lembrar que nada vem do nada, visto que Jota e Queridinha estavam a praticar um tipo de comunicação que, mutatis mutandis, existe há séculos na comunidade de La Gomera(3), uma das ilhas Canárias. Trata-se de uma transposição fonética do espanhol local. Assista:

O Silvo Gomeiro

Por Eduardo de Paula

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(1) No Brasil, o fiu-fiu chegou trazido pelo cinema de Hollywood mas, agora, infelizmente está em desuso. Nos países de língua inglesa, é chamado de “wolf-whistle” – assovio do lobo – e virou moda na época da Segunda Guerra mundial, quando os marinheiros popularizaram o silvo usado no mar, mas então dirigido às mulheres que tinham o poder de despertar sua libido. Atualmente, o fiu-fiu tem sido classificado como assédio moral ou sexual.

(2) Juiz de futebol Arnaldo César Coelho.

(3) La Gomera, em português Gomeira: ilha com 370 km² de área, a segunda menor das ilhas principais do arquipélago das Canárias. Coordenadas geográficas 28° 06′ N 17° 08′ O, na costa da África.

01/03/2018

AS LUZES DE GOETHE

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 6:55 am

♦ Revelando as cores

Duas mentes brilhantes, a primeira de Isaac Newton(1), a segunda de Johann Wolfgang von Goethe(2)Cada um a seu modo, desvendou o que é cor. Newton viveu entre 1643 e 1727, e provou que a luz contém todas as cores. Goethe viveu entre 1749 e 1832, e contestou Newton, afirmando haver lacunas e falsidades em sua teoria, porém, ao final de contas, ambos estavam certos. 

Luz: energia que ilumina. Tinta: material que reflete luz (d’aprés Picasso).

Os dois gênios viveram nos dias* em que o Iluminismo(3) estava a dominar o pensamento europeu, quando a razão e a ciência falavam mais alto. Contudo, Goethe se rebelou contra as ideias em voga e foi buscar respostas nos sentimentos, melhor dizendo, nas emoções. Newton explicou a física da cor, ou seja, seu comportamento como energia eletromagnética. Goethe desvendou como ela se manifesta através do sentido da visão. A partir desse conflito de ideias, de Goethe contra o falecido Newton, ficou mais fácil compreender a natureza da cor. — * Entre 1715 e 1789, mais ou menos.

Post - No preâmbulo da sua obra, denominada Teoria das Cores, Goethe escreveu:

“Desde que devemos falar de cores, há que se mencionar a luz antes de tudo. […] As cores mostram como a luz age e como ela é afetada. Dentro desse enfoque, podemos esperar que seja esclarecida sua natureza. É verdade, entre a cor e a luz, há uma relação muito íntima e devemos imaginar ambas como pertencendo à natureza. Devido a isso é que se revela, particularmente pelo sentido da visão. […]

Comparamos a teoria das cores de Newton à um velho castelo, cujo construtor começou a edificar com juvenil afobação. Pouco a pouco, curvando-se aos ditames da época e às circunstâncias, o ampliou e o enfeitou. Além disso o fortificou, de modo a defendê-lo de ataques e hostilidades. Assim também iriam agir seus sucessores ou herdeiros, sempre que sentissem necessidade de ampliar a construção, fosse com outros edifícios ou anexos. Nesses casos, era tanto para suprir necessidades intramuros, quanto pelo incômodo de adversários ou por mero acaso. […]

Do mesmo modo, enquanto a teoria de Newton subsistisse, seria impossível escrever, ou simplesmente preparar, uma narrativa do estudo das cores. O impedimento é que, jamais, algum observador aristocrático daria atenção àqueles que não pertenciam à sua classe. Devia-se a uma insolência insuportável, desde que os adeptos da escola newtoniana tinham o costume de denegrir tudo que fora produzido antes dela ou ao seu lado.

Com riso e pesar, lemos em Priestley(4), em sua “História da óptica” que, num período anterior, até depois dele, data a era da salvação do mundo das cores, quando aceitaram a luz como sendo divisível. E quando, sem exceção, todos com suas sobrancelhas levantadas, passaram a desprezar as ideias de outros mais antigos, mas também dos mais modernos. Contudo, são estes que estiveram serenamente a seguir o caminho mais correto e que transmitiram observações detalhadas, e ideias que nos parecem mais corretas e das quais saberemos tirar bom proveito.” * PRIESTLEY, Joseph: descobridor do “dephlogisticated air”, ou oxigênio.

E Goethe completou o raciocínio apelando a um ditado latino:

“Si quid novisti rectius istis, candidus imperti; si nil, his utere mecum.”

Ou seja:

“Se não conhece algo melhor, candidamente peço que adote o que tenho.”

Goethe em Kikelhahn, em frente a uma cabana, apreciando a natureza.

No seu tratado, construído em seis capítulos, Goethe fez uma introdução:

O desejo de saber, em nós seres humanos, é despertado quando fenômenos importantes atraem nossa atenção. Mas, para que tudo isso perdure, é necessário que ocorra um envolvimento mais íntimo, o qual, gradualmente, nos torna mais conscientes da natureza das coisas. Então, descobriremos sua grande variedade, que nos aparece sob o aspecto da quantidade. […]”

Pelos conhecimentos atuais, fica evidente que Goethe estava enfatizando o ramo do conhecimento que se denomina Percepção Visual, tema que não tinha sido tratado por Newton. É o que se verá adiante:

“Apenas duas vezes, houve tentativas de descrever e classificar amplamente o fenômeno das cores. A primeira por Teofrasto(5)* e a segunda por Boyle(6). Contudo, com o presente ensaio, não é nossa pretensão disputar o terceiro lugar. * Teofrasto: filósofo grego.

A história revela, em detalhes, as circunstâncias das tentativas de Teofrasto e Boyle. Aqui, diremos apenas o seguinte: no século XVII, tão logo Newton tomou por base, em sua hipótese, um fenômeno observado de maneira incompleta e secundária*, sequer podia-se pensar numa obra semelhante à nossa. Porém, sobre os demais fenômenos não havia como silenciar-se, nem suprimi-los, mas ele os descreveu artificialmente, com o mesmo comportamento de um astrônomo insensato, que pretendesse colocar a lua como centro do nosso sistema solar. * A separação da luz branca, através de um prisma de cristal, obtendo as mesmas cores do arco-íris.

Isaac Newton decompondo a luz branca com um prisma de cristal.

Prosseguiremos gora, avançando em nossa proposta. Entendendo que a natureza da luz já é conhecida*, faremos o mesmo esclarecimento no que toca aos olhos. Assim, diremos que toda a natureza se manifesta pela cor ao sentido da visão. Embora possa parecer estranho, afirmaremos que o olho não vê forma alguma. A claridade, a escuridão e a própria cor é que permitem distinguir um objeto do outro, como também suas partes. Então, com esses três elementos, podemos construir o mundo visível e, do mesmo modo, uma representação pictórica, aquela que possa trazer para uma tela o mundo visível, bem mais perfeito que o mundo real. * Estava a dizer da concepção física de Isaac Newton.

O olho deve sua existência à luz. À parte do conjunto de órgãos animais, que lhe são secundários e indiferentes, a luz criou para si própria um outro que lhe é semelhante. Assim o olho é formado, de uma luz interna para responder à luz externa*. * Nesse ponto, ao confiar num conceito muito antigo, Goethe sofreu um escorregão. A ciência provou que só existe luz externa.

Aqui lembramo-nos de um repetido adágio, da antiga escola jônica(7), que diz:

“O semelhante só pode ser reconhecido pelo semelhante”.

E também as palavras de um escritor místico do passado, que mostramos nestas linhas:

Se o olho não fosse solar,
Como perceberia a luz?
Se o poder de Deus não estivesse vívido em nós,
Como poderíamos nos encantar com o Divino? — Ideia poética de Jacob Bohme.

Ninguém poderá negar esse parentesco direto da luz com os olhos. Contudo, é mais difícil explicar os dois ao mesmo tempo, do que um de cada vez. No entanto, a questão fica mais compreensível ao dizer que no olho existe uma luz em repouso*, a qual será despertada por um estímulo que pode vir tanto de dentro, como de fora. * A ciência mostra que não existe luz inerente ao olho. 

A luz (energia) caminhando para o cérebro. Não há luz no olho.

Também podemos fazer nascer em nós as mais claras imagens, apelando à imaginação, mesmo que seja no escuro. Nos sonhos, os objetos surgem com a mesma aparência como os vemos em pleno dia. Por outro lado, quando em estado de alerta, a impressão externa produzida pela luz, por menor que seja, é perceptível. E, ainda, ao ser o órgão da visão submetido a um impacto de origem mecânica, a luz e as cores podem nele eclodir.* * Nesse parágrafo, Goethe revela a cor psicológica e a gerada por distúrbio de origem nervosa.

Porém, talvez dirão aqueles acostumados a conferir o todo, que ainda não explicamos claramente a cor. Ao correr da nossa apresentação, é do nosso intento retomar este assunto mais de uma vez, quando diremos, detalhadamente, como a luz de fato se manifesta. Por enquanto, vale repetir: a cor é uma aparência, quando por força de um fenômeno, a natureza se revela através da visão. Igualmente, devemos admitir que esse sentido é funcional, que a ação da natureza sobre ele é contínua e, por isso mesmo, não podemos tratar de cor com um homem cego.

Círculo cromático de Goethe (cores materiais) e algumas qualidades de ordem psicológica.

Porém, para que não pareça estar faltando explicação, de outra maneira gostaríamos de formular as preliminares: a cor seria um fenômeno natural elementar para o sentido visual. Manifestando-se, como todos os outros, por separação e contraste, por mistura e associação, por intensificação e neutralização, por comunicação e repartição, e assim por diante. E podem ser vistos e compreendidos, da melhor maneira, mediante as regras que lhe são inerentes.

A ninguém podemos impor essa maneira de ver as coisas. Assim, aqueles que como nós a julgarem apropriada, aceitem-na voluntariamente. Não queremos defendê-la em polêmicas futuras. Porque sempre foi bastante perigoso abordar o assunto cor, a tal ponto que um dos nossos predecessores, certa vez, arriscou dizer:

– O touro fica furioso ao lhe mostrarmos um pano vermelho, mas o filósofo* se enraivecerá, desde que lhe falemos tão somente de cor.’ — * No passado, o filósofo era versado em múltiplos saberes: das coisas do universo e do homem.

No entanto, se devemos, em alguma medida, prestar contas ​​da nossa exposição, antes de tudo vamos mostrar como classificamos as diferentes condições que determinam o aparecimento da cor. Distinguimos três tipos de ocorrências, três categorias de cores ou, se preferível, três maneiras de considerá-las e podemos mostrar de que modo diferem.

Então, logo estudamos as cores enquanto elas pertencem aos olhos e somente a eles, e como ocorrem devido a um fenômeno de ação e reação. Em seguida, focamos nossa atenção naquelas que percebemos em meios incolores ou com a colaboração deles. Finalmente, nosso interesse voltou-se para aquelas que denotavam pertencer aos objetos.

Post - Cor psicológicaHumores humanos: “Rosa dos temperamentos” (direita) de Goethe e Schiller. 

Nomeamos as primeiras* de cores fisiológicas, as segundas** de físicas e as terceiras*** de químicas. As primeiras são por demais fugidias e não há como retê-las. As segundas, passageiras, mas em todos os casos, persistem apenas por um certo tempo. As terceiras, podem ser mantidas plenamente estáveis.” *Que pertencem aos próprios olhos. / **Que são percebidas em conjunto com fundos brancos ou incolores. / *** Que são inerentes ao próprio objeto.

Contudo, não parece apropriado dizer cor física, como propôs Goethe, o que existe é cor gerada por um fenômeno físico. Objetivamente, não existe cor nas coisas da natureza, pois ela é exatamente uma configuração cerebral, seja nos humanos ou em alguns animais. Na sua teoria, de outro modo, criou as subdivisões de cores químicas, fisiológicas e patológicas. Quanto às cores que chamou de químicas, são elas provenientes de misturas materiais. Assim sendo, melhor seria chamá-las de cores sólidas.

De acordo com os conhecimentos atuais, as cores estão englobadas em três grupos: 1. cores espectrais (da energia), 2. fisiológicas e 3. psicológicas. A física estuda os diversos fenômenos da natureza. A fisiologia – ramo da biologia –, estuda as funções físicas e bioquímicas dos seres vivos. A psicologia estuda processos mentais e comportamentos humanos.

Um dos maiores méritos de Goethe, ao contestar Newton, foi o de criar os fundamentos da Percepção Visual, com as devidas demonstrações e muita clareza. Tendo a colaboração de Schiller(8) – entre 1778 e 1799 – e ao estudar as sensações, desenvolveu a Rosa dos Temperamentos*, onde os humores humanos são representados em quatro conjuntos de três cores, os quais formam dois pares que se contrapõem. Organizados em um círculo, eles situam-se em posições diametralmente opostas. (vide ilustração acima).— * “Temperamentenrose”.

Os conjuntos são: 1 – COLÉRICO (vermelho/laranja/amarelo), representando tiranos, heróis e aventureiros; 2 – SANGUÍNEO (amarelo, verde, azul-ciano), representando hedonistas, amantes e poetas; 3 – FLEUMÁTICO (azul-ciano, azul-escuro, violeta), representando oradores, historiadores e professores; 4 – MELANCÓLICO (violeta, vermelho-magenta, vermelho), representando filósofos, perfeccionistas e líderes. De modo que se opõem 1 a 3; e 2 a 4. 

E prosseguiu Goethe:

“Na medida do possível e com o propósito de fazer uma exposição didática, classificamos as cores dentro dessa ordem natural. Ao mesmo tempo, conseguimos ordená-las em encadeamento contínuo, ligando seus aspectos fugidios aos persistentes e, de outra forma, aos aspectos duradouros. Naquilo que erigimos, tivemos os devidos cuidados, eliminando as aparências desnecessárias.

No quarto capítulo do nosso trabalho, abordamos aquilo que, até então, havia sido percebido nas cores reveladas em condições especiais e, também, esboçamos o plano de um futuro Tratado das cores*. Por enquanto, diremos que a cor para surgir requer luz e obscuridade, ou seja, claridade e sombra. Dizendo de maneira mais geral: luz e trevas. A cor mais próxima da luz é a que chamamos amarelo, a mais próxima da obscuridade é o azul.  * “Zur Farbenlehre, ditaktischer teil”.

Representação moderna das cores entre a luz e as trevas, ou segundo uma escala de cinzas. 

Tão logo as misturamos em seu estado de maior pureza e desde que estejam perfeitamente equilibradas, produzem uma terceira, à qual chamamos verde. Mas pode ocorrer novo fenômeno, caso uma dessas duas cores esteja mais concentrada ou sombreada. Ela, então irá gerar uma cor avermelhada que, entretanto, mostrará de onde vem, seja do azul ou do amarelo primitivos. * O tratado foi escrito ao longo de vários anos.

Contudo, um vermelho mais intenso e puro pode ser produzido – sobretudo nas cores físicas – tão logo reúnam-se duas cores terminais* de vermelho-alaranjado e de azul-avermelhado. É assim que o surgimento e a produção da cor podem ser efetuados de maneira vivaz. Pode-se também associar um vermelho e um amarelo determinados, e produzir, por caminho inverso, o que foi obtido por intensificação. — * Conceito correto apenas em parte.

As cores fundamentais* não se resumem apenas a três ou seis, há mais, e podem ser convenientemente dispostas em um círculo. Outras variações, até o infinito, se revelam na prática, tanto no uso do pintor ou do tintureiro, em uma só palavra: na vida. * Conceito equivocado de Goethe, pois as fundamentais ou primárias, são apenas três.

Por dever de estabelecer uma propriedade geral, diremos da necessidade de observar as cores que são, na sua totalidade, absolutas meias-luzes ou meias-sombras. Por isso é que, logo que são misturadas, suas qualidades específicas se neutralizam mutuamente adquirindo uma coloração sombria, qual seja, alguma cor acinzentada.

No quarto capítulo, está o roteiro do nosso Tratado das cores, contendo informações específicas e também outras, conectas com outros domínios. Essa parte é muito importante, mesmo que possa parecer um pouco árida. No entanto, ao considerarmos improvável qualquer conclusão de imediato, nem por isso podemos desistir na primeira tentativa.

Por certo, primeiramente é preciso esperar para ver como se manifestam naqueles a quem pretendemos servir. Para eles, pensamos estar fazendo um trabalho agradável e útil. Acolherão nossos esforços se adotarem os resultados, tirem partido deles ou os desenvolvam. Mas há liberdade de também recusá-los, renegá-los ou rejeitá-los. Contudo, gostaríamos que nos permitissem dizer aquilo que acreditamos, assim esperamos.

Goethe na Itália, onde foi arrebatado pela sua luz e despertado para as maravilhas das cores. 

Por parte dos filósofos, acreditamos merecer o seu reconhecimento, por termos investigado o fenômeno na sua fonte, lá onde ocorre e com simplicidade, a sua verdadeira existência e também onde estão, e que nada falte por explicar. Além disso, bom será se conseguirmos explanar o fenômeno de modo que possa ser facilmente compreendido, mesmo que não vejam com clareza nossa intenção.

Dos médicos, antes de qualquer coisa, esperamos receber sua compreensão, especialmente daqueles que estudam o órgão da visão, que cuidam dele, remediam seus defeitos e procuram sanar suas moléstias. Esses médicos se sentirão muito à vontade no capítulo que trata das cores fisiológicas, como também no apêndice onde são descritas as cores patológicas. E, certamente, para todos que agora estão a investigar esse domínio com alegria e levando em conta nossos esforços, desenvolveremos amplamente o primeiro capítulo da Teoria das cores, que tem sido até agora negligenciada e que consideramos como sendo de suma importância.

Por sua vez, o discípulo não mais aceitará docilmente aquele alimento, que lhe tem sido oferecido de maneira muito simplista. Mais tarde, outra vantagem surgirá, mas em detrimento à teoria de Newton, a qual é de fácil assimilação, mas que, ao ser posta em prática, redunda em dificuldades insuperáveis​​. A nossa, à primeira vista, pode parecer de entendimento mais difícil, mas quando isso é superado, tudo se ajusta e faz sentido.

O químico, que adota critérios para descobrir as qualidades mais secretas dos corpos, tem encontrado muitos obstáculos quando trata de nomear e caracterizar suas cores. Ao observá-las com um olhar mais acurado e adotando a nomenclatura usual, percebemos que, nas operações químicas, usam uma nomenclatura insegura e enganosa para classificá-las. No entanto, em nossa exposição, esperamos refazê-las, para que fiquem mais evidentes suas qualidades, que são progressivas, crescentes e mutáveis. E, por não se tratar de uma falácia, muito pelo contrário, é necessário revelar como manifestam-se estas muito sutis operações da natureza.

Contudo, se continuarmos a investigar esse vasto horizonte, sentiremos medo de desagradar o matemático. Visto que, devido a uma estranha sequência de circunstâncias, arrastaram a teoria das cores para o tribunal do matemático, onde não é o seu lugar. O motivo foi a correlação que se fez com outras leis da visão, às quais o matemático tem tratado de estudar. Verdade é que um grande matemático elaborou uma teoria das cores. Mas no seu trabalho, embora tenha cometido um erro na física, nele colocou toda a força do seu talento, mas insistindo no erro. Se reconhecemos esses dois fatos, iremos logo dissipar o mal-entendido, e o matemático, tendo boa vontade, poderá contribuir para o desenvolvimento do capítulo que trata da física, no Tratado das cores.

Por outro lado, o artesão da tinturaria deve receber nosso trabalho de um modo muito favorável. Quando lidam com os fenômenos dos tingimentos, a teoria ainda em curso mostra-se insatisfatória. E foram eles os primeiros a notar que a concepção de Newton era inadequada. Ademais, há que se entender: as conclusões de cada pessoa são bem diferentes, de acordo com o domínio que têm de um determinado saber ou uma ciência. […]”

Exemplo de tapeçaria Gobelin.

Quando fez referência aos químicos e aos artesãos da tinturaria, Goethe bem sabia das dificuldades que enfrentava essa gente ao lidar com as cores. Assim sendo, com apoio na sua teoria, conseguiram desvendar vários mistérios que estavam a afetar os coloridos. Isso ocorria, por exemplo, na fábrica de tapetes Gobelins* onde, amiúde, as tecelagens aparentavam estar desbotadas. Entretanto, tudo foi resolvido quando convocaram o químico Chevreul(9) que, fundamentado na teoria de Goethe, detectou a origem do problema. — * Manufacture des Gobelins, desde 1443, Paris. 

Chevreul constatou que cores diferentes podiam se apagar ou se fortalecer – uma em relação à outra – quando, por proximidade, sofriam interferência mútua. A esse fenômeno denominou contraste simultâneo. Mas havia outro, chamado contraste sucessivo, que ocorre em outras condições e em determinados lapsos de tempo. Em ambos os casos, tratava-se de construções mentais ou, dizendo de outra forma, meras impressões provocadas pela luz. De sorte que, devido aos ensinamentos de Goethe e de Chevreul houve uma revolução nas artes visuais*, de modo geral.

Curiosamente, desde as primeiras experiências e mesmo sem o saber, Goethe estava a construir uma teoria da percepção das cores e, ao mesmo tempo, a alimentar a fundação da arte moderna. De qualquer maneira, acabou por mostrar algo da sua intenção, ao dizer:

“Quanto a nós, que abordamos o estudo das cores pelo lado da pintura ou do colorido estético das superfícies, esperamos ter realizado um trabalho digno de reconhecimento. No sexto capítulo, procuramos determinar os efeitos físicos e psicológicos da cor, de modo a torná-los mais úteis para servir à arte. Mesmo assim fazendo, como também no resto do texto, muitos pontos foram apenas esboçados. É preciso lembrar que qualquer teoria deve, no seu embasamento, apenas apontar as características fundamentais, para posterior ação, e de modo que possa produzir resultados legítimos.”

———

Goethe despedindo-se de um visitante, na porta de sua casa, em Weimar.

ontam que Goethe, já estando acamado, acordou certo dia pressentindo a morte. Era quinta-feira, 22 de março de 1832. Assim, por volta de 11:30 horas da manhã, pediu ao criado que lhe desse cômodo numa cadeira e abrisse a janela do quarto. Isso feito, implorou: “- Mais luz! Mais luz!”. Daí, sua cabeça tombou, confirmando que partira.

Texto, tradução e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

Leia também, clique com botão direito: “História do Arco-da-velha”.

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(1) NEWTON, Isaac – (Woolsthorpe Manor, Reino Unido, *04.01.1643 / Kensington, Londres, Reino Unido, †31.03.1727) Físico, matemático, astrônomo, alquimista e teólogo. Sua obra de maior destaque foi a “Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica”, onde descreve a Lei da Gravitação Universal e estabelece os princípios da mecânica clássica. Construiu o primeiro telescópio refletor operacional e desenvolveu uma Teoria das Cores, ao constatar a decomposição da luz branca em várias cores, através de um prisma de cristal.

(2) GOETHE, Johann Wolfgang von – (Frankfurt, Alemanha, (*28.08.1749 / Weimar, Alemanha, †22.03.1832) Escritor, esteta, pesquisador científico e estadista.

(3) Iluminismo – Movimento também conhecido como Século das Luzes ou Idade da Razão, corrente intelectual e filosófica que dominou o mundo das ideias na Europa durante o século XVIII, dito ainda como Século da Filosofia.

(4) PRIESTLEY, Joseph – (*24.03.1733 / †06.02.1804) Teólogo, clérigo dissidente, filósofo natural, educador, teórico e político britânico. Publicou mais de 150 obras.

(5) TEOFRASTO (alcunha) – Nome original: Tirtamo (* Eresos, *372 a.C. / †287 a.C.); filósofo da Grécia Antiga, sucessor de Aristóteles na escola peripatética.

(6) BOILE, Robert – *25.01.1627 / †31.12.1691) Filósofo natural, químico e físico irlandês. Publicou “Experiments and Considerations Touching Colours”, onde apresenta algumas ideias e experimentações sobre cores.

(7) A escola jônica de filosofia foi fundada por Tales de Mileto (*c. 623 a.C. / †624 a.C.), na Jônia, Grécia. Seus pensadores focavam suas ideias principalmente na natureza.

 (8) SCHILLER, Johann Christoph Friedrich von – (*10.11.1759 / †09.05.1805). Poeta, filósofo, médico, historiador alemão e, junto a Goethe e outros, fundador do Romantismo na literatura. Por amizade e indicação de Goethe, em dezembro de 1788, tornou-se professor de filosofia e história na Universidade de Iena.

(9) CHEVREUL, Michel Eugène – (*31.08.1786 / †09.04.1889) Químico francês. Entre outras obras, publicou “De la loi du contraste simultané des couleurs”.

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