Sumidoiro's Blog

01/01/2018

AS MENINAS

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 9:29 am

♦ Prontinhas para casar

Post - As meninas

post-eram seis, três meninas mais seus três irmãos, filhos de dona Bicota e siô Severo. O pai, que fazia jus ao nome, tudo decidia pela família. Agia de modo liberal apenas com os varões, dadivoso só com eles e fechava os olhos mesmo quando mereciam punição. Às mulherzinhas, impunha que fossem criadas na barra da saia da mãe e as mantinha sob seu total zelo. Ilda era a mais velha, seguida de Terezinha e, depois, Luíza. Em altura, formavam uma escadinha e, fisicamente, cada qual tinha sua graça. Eram mais conhecidas como meninas de dona Bicota.

Na adolescência, quando chegou a hora de aprender a namorar, foram de pronto tolhidas pelo chefão Severo. E, nessa mesma toada, continuaram crescendo submissas ao rigor da lei paterna. Até que, certo dia, o opressor teve um infarto e o nosso papai do céu, que a todos ama e perdoa, levou-o para morar consigo.

Contudo, depois do passamento de Severo, as coisas pouco mudaram. Àquela altura da vida, já estavam as irmãs completamente domesticadas e, apesar de denotarem alguma madureza, permaneciam com ideias de meninas. Pior, sem traquejo na arte de arranjar namorados. Além do mais, carregavam outra dificuldade, a de serem portadoras de uma fala chocha e um jeito meio desengonçado.

Ano a ano e no permanente avanço dos ponteiros do relógio, foram se configurando como titias. Mas, devido aos seus modos inocentes, continuavam sendo tratadas como meninas de dona Bicota. Somando tudo, o saldo era sempre positivo, pois o trio irradiava simpatia… E, assim sendo, quando nascia alguma criança nas vizinhanças, amiúde convidavam alguma delas para madrinha. Tantas vezes foram chamadas que, se concurso houvesse, ganhariam qualquer campeonato de batizados.

Sempre viveram na fazenda da Telha Bonita, na beira do Rio das Velhas. Lá, colaboravam com a mamãe Bicota no sustento da casa fabricando goiabada que, nos fins de semana, comerciavam em Vila Formosa. Isso virou rotina de todo sábado quando, além de vender seus doces, aproveitavam para fazer compras para a casa. Tais como, mantimentos para a cozinha, coalho para fazer queijos, sementes para a horta, apetrechos de costura, querosene para as lamparinas, fósforos, etc. Tudo isso para bem servir à mamãe.

Porém, nas passagens pela vila, o maior interesse sempre foi o de arranjar namorados. Uma obsessão sem fim! Pois que, apesar de fracassadas tentativas, sempre estavam prontas para outra. Assim sendo, em busca do sonhado marido, a cada sábado seguiam o ritual, que tinha início às vésperas, ou seja, toda sexta-feira.

Tomavam, então, caprichados banhos de bacia, lavavam bem os cabelos e, depois, uma os trançava para a outra. Ornavam as testas com franjinhas no capricho e pintavam as unhas de vermelho vivo. Finalmente, à noitinha, diante de um pequeno oratório, ajoelhavam-se para pedir o indispensável socorro a Santo Antônio. Juravam que, caso fossem seus desejos satisfeitos, não deixariam de pagar promessa.

Nesse afã, todos os sábados acordavam de madrugadinha, ainda com tempo para as providências finais. Um detalhe nunca era esquecido, o de passar ruge nas bochechas, um pouco de batom nos lábios e bastante água-de-cheiro pelo corpo. Da fazenda da Telha Bonita, até a Vila Formosa, dava légua e tanto. Porém, nunca iam a cavalo, para não amarrotar os vestidos de chita e, mais ainda, por temerem pegar os maus odores do quadrúpede.

Contam que, num daqueles dias, ainda com a fresca da manhã, saíram aos sorrisos e em passos largos de pés descalços, a fim de levarem até a vila as cargas de doces e desejos. Contudo, logo depois de alguma caminhada, ouviram o barulho de um veículo. Seria boa oportunidade de pegar uma carona e evitar suores. E, mais que isso, de ter contato com alguém do sexo oposto que, certamente, estaria ao volante. Vai daí que, de repente, Luiza fez uma pausa, formou uma concha com a mão no ouvido e falou alto:

– Iscuita, lá envem um carro Terezinha! Pode sê qu’ele leva nóis…

– É memo, vamo vê! – concordou a irmã.

Ao avistarem o veículo surgindo da poeira ao longe, interromperam os passos. Terezinha ganhou certeza do que via e disse, toda chorosa:

– Num é, não, Luiza! Esse é ôtro… É o da Pissi-Cola, trazeno refrigerante.

Ao que Ilda, a irmã mais velha e na condição de líder, reagiu:

– Óia minina, nóis pode pegá carona, mais eu num gosto de andá com gente que fala errado. Se quisé andá comigo, tem que obedecê!

O caminhão da Pepsi-Cola passou zoando e levantando poeira. As meninas sacudiram os vestidos de chita, balançaram as tranças e continuaram alegres, seguindo em frente. Daí a pouquinho, estariam em Vila Formosa, para vender goiabadas, cuidar das compras e lançar olhares… Melhor dizendo, dar piscadelas para os moços e esperar a almejada resposta à sinalização amorosa. Quem sabe chegaria a vez de alguma delas, senão todas, entabularem um namoro sério? Porém, não importando qual fosse o resultado, nunca perdiam a fé em Santo Antônio. Viviam prontinhas para casar!

E, ainda bem que mamãe Bicota sempre facilitava. Era mais liberal que o finado papai Severo.

Por Eduardo de Paula

· Inspirado num bate-papo com a amiga Maria Marilda Pinto Corrêa.

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01/12/2017

EU VI O PENSAMENTO

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 7:16 am

♦ Um devaneio

Outro dia, fechei os olhos e, dormindo, consegui ver o pensamento. Tudo começou na beira de um rio quando, por acaso, me deparei com alguns simpáticos desconhecidos. Conversamos e, sem mais nem menos, os convidei a me acompanhar, em busca do pensamento. De imediato aceitaram o convite. Mas, por precaução, perguntei se sabiam nadar e responderam que sim. Então lhes disse:

– Vamos nos deslocar rio acima, onde certamente encontraremos o pensamento.

Formou-se um grupo: homens, mulheres e uma criança, e mergulhamos n’água. Daí, dando confiantes braçadas, prosseguimos com animação, até que nos deparamos com um pantanal. Ali vislumbramos, meio encoberto pelos juncos, o tal do pensamento. Ele se assemelhava a uma prancha de surf, enorme, porém muito despojada, singela.

De pronto, decidimos todos a nos acomodar no pensamento, a fim de fazer uma viagem. Contudo, como o veículo logo ficou superlotado, optei por ceder meu lugar aos convidados. Por isso, tive que me ajeitar pendurado num estribo, do lado direito, como aqueles que havia nos antigos bondes. Alguns companheiros se instalaram no estribo do lado esquerdo.

E foi dada a partida… O pensamento se deslocou serenamente, macio e sem trancos. Desse modo, a aventura foi transcorrendo no melhor dos mundos e plena de agradáveis surpresas.

D’onde estava e do meu ponto de vista, me deleitei com a linda paisagem, ornada com pássaros e flores. De vez em quando, ao meu lado passava um peixe ou mesmo um cardume. Uma após outra, me encantei com coisas até então desconhecidas. Nunca imaginara que fosse tão bom viajar no pensamento! Assim sendo, acreditei que os companheiros, instalados no estribo do lado esquerdo, estavam a apreciar diverso espetáculo, de acordo com o olhar de cada um.

Até que, cansado de tanta mesmice, procurei outra acomodação em busca de novidades. Para isso, abandonei meu lugar e me aboletei na parte superior do pensamento. Ali, sentei no chão, ao lado da criança que nos acompanhava. Logo à nossa frente estava o condutor, que manejava uma rédea como aquela dos cavalos.

Sem dúvida, meu novo posto era bem melhor, porque podia apreciar o panorama altaneiramente e em 360 graus. A nova posição me permitiu observação mais ampla e equilibrada. Nada de só direita ou só esquerda. Bem sei que a variedade sempre propicia maiores prazeres.

Daí em diante, como imaginei, a viagem se tornou mais rica, tanto pelo cenário, quanto pelo desenrolar dos acontecimentos. Acrescento que a criança ao meu lado era minha neta. Nunca a vira tão alegre!

Também notei que o veículo, que não possuía rodas, por toda parte movia-se rente ao chão, às vezes flutuava nas alturas. Mas, o melhor de tudo: quem puxava o pensamento era um anjo alado! Senti que, ao atravessar pedregulhos, o pensamento superava-os com facilidade e muito suavemente. Não produzia qualquer ruído.

Entretanto, em certo momento fiquei surpreso, pois os demais companheiros teriam perdido interesse pelo espetáculo e estavam adormecidos. Seus sensores vitais haviam entrado em modo de espera*, ou seja, quase que em hibernação**, guardando nada mais que vagas memórias do que se passara. — * O computador, em modo de espera, fica ocioso para economizar energia.  / ** Em hibernação, salva os arquivos e desliga.

Aliás, eu de antemão sabia… Para o bom desfrute daquela viagem, não nos bastavam os cinco sentidos, carecíamos do sexto e de mais alguma coisa. Acredito, seriamente, que os companheiros estariam mergulhados no vazio e não no sonho, como seria de todo recomendável, principalmente naquelas circunstâncias.

Daí em diante, sem esmorecer com os meus propósitos, prossegui solitário naquela aventura surrealista. Até me esqueci que tinha acompanhantes na viagem. E vai que, de repente, me deparei com um pórtico, em estilo neoclássico*, onde estava escrito: “Seja Bem-Vindo”. Diante da gentil recepção nem pestanejei e, com pleno entusiasmo, fui adentrando naquele sítio. Depois de algumas passadas, vi um bicicletário e uma placa avisando: “Aluga-se.” — * A arquitetura neoclássica começou a desenvolver-se na primeira metade do século XVIII.

Empolgado com a possibilidade de conhecer o que estava por vir, rapidamente escolhi uma bicicleta de pneus balão. Gosto de viajar confortavelmente! Contudo, tão logo me ajeitei no selim e já nas primeiras pedaladas, percebi que a bicicleta estava por demais pesada. Dei uma olhada nos pneus, mas constatando que estavam bem calibrados, continuei com toda força a movê-la e logo fui penetrar num denso arvoredo.

Era um bosque e, para não fugir à regra, mais à frente o caminho dividia-se, em três ramos. Porém, devido às minhas sabedorias, optei por escolher o que parecia ter mais empecilhos: pedregulhos, espinheiros, buracos, etc. Assim, sem titubear, fui em frente naquele mais conveniente ao meu gosto e, logo, pude ouvir passarinhos. Lembrei-me dos meus tempos de juventude quando, na hora do Angelus, ouvia cantorias de pardais.* — *  Na minha cidade, Belo Horizonte, os bandos de pardais alegravam o entardecer. 

Mais adiante, me deparei com um cão vira-latas, branco, que me lançou um olhar enigmático. Naquele instante, senti uma pulga atrás da orelha e suspeitei: “- Esse animal já é meu conhecido… de vidas passadas.” E parecia mesmo ser verdade, porque não mais se desgrudou de mim. E, daí para a frente, juntos, fomos trocando mensagens telepáticas e nos divertindo.

Pois bem, da mesma maneira que entendo que um pingo é letra, também admito que o rabo de um cão pode ser indicador de muita coisa. E foi então, com essa ferramenta, que o animal filho de Deus, passou a me guiar em meio ao arvoredo.

Levou-me então a um lago, onde vi uma ponte em estilo chinês. Lá havia pessoas, passeando em pedalinhos. Entre elas percebi sorrisos e demonstrações outras de alegria. Ainda vi um casal de namorados numa charrete, trocando beijos e afagos. E, como já estava suspeitando, mais adiante encontrei um pequeno parque de diversões. Admiti então que, mais que um bosque, aquele lugar era o parque de uma cidade.

E o cão amigo, sempre com o auxílio do rabo, continuou a me guiar. Mostrou, um pouco ao longe, um prédio em ruínas. Para lá nos dirigimos e, ao chegar, percebi uma escada que encaminhava para o alto, levando até a porta de uma edificação improvisada. Diante daquela visão e tomado pela curiosidade, apeei da bicicleta e fui ver o que havia por lá.

Pois bem, logo ao adentrar naquele lugar, encontrei um senhor de idade. Vi muitos quadros na parede, alguns terminados, outros por completar. Também havia uma folhinha, marcando o ano de 1957. Aquele homem, semicalvo, de bigode e trajando um terno de linho branco, me lançou um sorriso. Em seguida, puxou um tamborete sujo de tinta e tentou limpá-lo, usando um punhado de estopa, por demais sujo. E, daí, educadamente completou, com uma voz fanhosa: “- Sente-se, por favor.”

É claro que não pude recusar tal gentileza e me acomodei naquele assento imundo de tinta. Imediatamente, o anfitrião esclareceu, dizendo quem era: “- Chamam-me de mestre Guignard e aqui é minha escola de artes. Se bem lhe aprouver, venha participar das nossas aventuras.” Mas era uma cena de outrora, que então se repetia, de quando me matriculei na escola de belas-artes (1)!

Depois desse encontro, dentro da imaginação e da memória, desci de volta pela escada e continuei a pedalar, guiado pelo meu cão cicerone. Porém, como a bicicleta ainda estava muito pesada, já me batia o cansaço. Até que, de repente, à minha retaguarda soou uma voz infantil. Vinha de uma menina, aquela que embarcara comigo na prancha de surf e que passara despercebida na garupa. Estava então a me dizer: “- Vovô, eu também quero ser pintora.”

Abri os olhos, o dia estava magnífico! Desfrutei todas as faces da luz. Novamente, ao caírem as primeiras sombras da noite, fui ouvir o Angelus, orando…

Por Eduardo de Paula

• Quer conhecer mais o avô? Clique com o botão direito: “Obra Artística”.

(1) Escola Guignard (Escola de Belas-Artes de Belo Horizonte). Funcionava no parque municipal de Belo Horizonte, ocupando algumas salas da então ruína do atual Palácio das Artes.

01/11/2017

NENHUM TOM DE CINZA

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 7:35 am

♦ O cinza revelado.

No princípio, Deus criou os céus e a terra, diz a Bíblia. Porém, a terra estava deserta e vazia, e as trevas cobriam o abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Então, “Deus disse: ‘- Faça-se a luz!’ E a luz foi feita.” (1) Por isso mesmo é que tudo começou no arco-íris.

O mundo quase em preto e branco, da vaca e do boi.

Segundo a teoria física mais aceita, o universo teve início com o big bang(2), devido à explosão daquilo que se chama matéria*. Isso gerou uma enormidade de energia eletromagnética e, parte dela, veio a ser percebida por alguns seres vivos sob a forma de luz. Nesse aspecto, energia eletromagnética e matéria se entrelaçam, parte dela como luz e outra como matéria sólida, que reflete luz. — * Matéria, é um termo geral para dizer da substância dos corpos físicos. A luz se comporta tanto como partículas, quanto ondas.

Basicamente, um corpo em elevada temperatura ou em combustão emite luz. Pode ser oriunda do sol, de uma fogueira, uma lâmpada, um corpo aquecido, etc. Mas luz não é o mesmo que luminosidade, esta é sim uma propriedade da luz! E mais, não existe luz cinza, o que existe de fato é luminosidade, maior ou menor, que provem da fonte energética e que, de alguma maneira, está sendo por ela emitida ou, noutros casos, refletida por uma matéria sólida.

As coisas palpáveis têm a propriedade de absorver e/ou refletir luz. Um limão é verde porque reflete a luz de cor verde e absorve as demais. Um morango é vermelho porque reflete essa cor e absorve as demais. Isto ocorre com todas as coisas coloridas. Por outro lado, se chama de preto tudo aquilo que tem a capacidade de absorver o conjunto de luzes de todas as cores. E se chama branco tudo que as reflete.

Mas a luz é porção mínima de uma energia de maior grandeza – o denominado espectro* eletromagnético –, do qual ela é a parte visível. Nele estão contidas as ondas de rádio, as microondas, o infravermelho, a luz visível, os raios ultravioleta, os raios X, a radiação gama e os raios cósmicos. — * Espectro é o mesmo que fantasma. Por analogia, aquilo que está escondido na energia. 

No arco-íris há apenas cinco cores (luzes). / Vermelho-magenta (Vm-Mg) não é espectral. 

Pois bem, mas o que é cor? É nada mais, nada menos, que uma construção cerebral, consequência de um estímulo nervoso. É exatamente uma percepção, melhor dizendo, o resultado de uma interação entre luz, objeto e observador. Se algum desses agentes for eliminado, não existirá cor. No arco-íris, se vê uma sucessão de luzes coloridas. Isso ocorre por intermédio de gotículas de água* que estão em suspensão na atmosfera, nas quais ocorre a decomposição da luz branca em três cores primárias. Elas somam cinco e não sete, como imaginou Isaac Newton(3). — As gotículas de água funcionam como prisma.

As cinco cores do arco-íris (como mostra a figura ao lado) são: vermelholaranja, verde e azulvioleta – primárias; amarelo e azulciano – secundárias. Fora do arco-íris é possível ocorrer mais uma mistura, mas com luzes artificiais, ou seja: vermelholaranja + azul-violeta, que resulta em vermelhomagenta (número 6, na figura). Contudo, essa cor não é espectral.

Mas há dois tipos de mistura: a primeira de luzes, a segunda proveniente de materiais que têm o poder de produzir cores, ou seja, os corantes e pigmentos, em geral(4). Quando se trata de luz, a mistura sempre ocorre em direção ao branco, ou seja, com o crescimento da luminosidade.

Mas, quando se trata de tinta ou algo semelhante, a mistura ocorre em direção ao escurecimento, ou seja, ao negro. Por isso, quando é o primeiro caso, fala-se de mistura aditiva. No segundo caso, que é mistura subtrativa, tudo ocorre inversamente ao que se dá com a luz, ou seja, o escurecimento. Quando um pintor trabalha com tintas, produz misturas subtrativas.

Vale repetir que tudo começa na luz ou, simbolicamente, no arco-íris. E para brindar os amantes da natureza, um fenômeno atmosférico raro costuma ocorrer. De outra maneira, o arco se prolonga até fechar-se numa circunferência que abraça o sol. Nesse caso, dizem halo, anel ou círculo solar. Quando isso acontece, tal como mostra a figura abaixo(5), por quê não dizer também “círculo-íris”? Viva a cor!

Raro “círculo-íris”. / Belo Horizonte (MG), 29.10.17, cerca de meio-dia (por André Carvalho).

Nos seres humanos, a sensação de cor, bem como a de luminosidade, decorre da incidência de luz na parte posterior do globo ocular, ou seja, na retina. Mas, somente no cérebro essa energia é transformada em cores. E sem energia não há cores, tampouco sem cérebro. Tão importante é a relação do cérebro com a luz e as cores, que é possível construí-las nos sonhos. E, também, em decorrência de alguma alucinação ou, uma pancada na cabeça, por exemplo. Há também relatos de pessoas que, em estado de quase-morte, conseguiram penetrar num túnel onde haveria luz.

Toulouse-Lautrec e sua palheta. Tintas se somam, cores se apagam: mistura com subtração de luz. 

Verdade é que as cores trazem em si inúmeras complexidades. A maioria dos humanos têm a capacidade de identificá-las dentro de três variáveis. A primeira é sugerida pelo componente que se denomina matiz; a segunda é o valor; e a terceira é a saturação.

Matiz é o nome que se dá à cor. Valor é o mesmo que brilho ou luminosidade da cor, que é dito também como cinza (!). A luminosidade é variável e, portanto, cada cinza pode ser mais ou menos intenso. Saturação é o mesmo que intensidade da cor, que também pode-se chamar de croma. A palavra cromatismo tem a ver com a sensação de intensidade ou viveza de uma cor. — Os matizes foram organizados em um “círculo cromático.”

Todos os matizes no círculo cromático. / Matiz saturado e misturas com valores (cinzas).

Em seguida, vamos enfatizar as misturas subtrativas, ou seja, aquelas que se referem às cores materiais ou, dizendo de outro modo, às cores sólidas.

Imagine-se uma tinta, cujo matiz seja complemente saturado… Ele possui uma correspondência em valor, que é seu próprio brilho. Por outro lado, no momento em que se altera esse matiz, diminuindo sua saturação (ou intensidade), ele se transforma em um tom (figura acima). E se produz o tom acrescentando ao matiz um valor (ou cinza), que tanto pode ser mais claro ou mais escuro. Assim, o cinza, que tem a capacidade de atenuar a saturação, age também como uma espécie de “tempero” da cor. Quando elas se relacionam, como ocorre no trabalho do pintor, além de servir como elemento de união, o cinza ajuda a tornar o conjunto mais bonito e agradável.

Vulgarmente, atribui-se diversos nomes aos tons, tais como rosa, dourado, alaranjado, verde-musgo, esverdeado, azul-piscina, azulado, ocre, amarelo-ovo, castanho, bege, etc. E até mesmo para dizer de certas aparências “acinzentadas. Por isso é que se ouve dizer dia nublado, céu acinzentado ou, de outra forma, céu azul-acinzentado, etc.

Post - Portinari.brilhosFlautista, de Portinari. /  Menos brilho e mais brilho → .

E tem mais, não fôra o cinza, o mundo seria insuportável de se ver. Como poderíamos viver em meio a cores, todas elas plenamente saturadas? Vermelhos, amarelos e azuis, e mais todo o círculo cromático criariam um verdadeiro tumulto cerebral. Nós humanos seríamos levados à loucura e sofrendo comichões nos olhos. Infelizmente, tanto os ingênuos da estética, quanto os pintores de pouca experiência, costumam descuidar dos cinzas, pois não têm como perceber suas sutilezas.

Mas há quem trate o cinza das piores maneiras, com desprezo, e é comum que lhe atribuam um mundo de negatividades. Há que diga ser ele passivo, neutro, melancólico, indeciso, submisso, aborrecido, etc., enfim, uma coisa detestável. Às vezes, acusam-no de ser ambíguo quanto ao gênero, isto é, débil para ser masculino, mas rude para ser feminino. Chegou ao ponto de um cruel psicoterapeuta* dizer que é “sem personalidade, fechado em si mesmo e sem compromisso“. Ou seja, no mínimo um aborrecido! Mas, na verdade, ele não é nada disso, é sim um sóbrio e glorioso agente harmonizador das cores. — * Lüscher, Max (Suíça, *1923 / †2017).

O cinza, que é filho da luz (o branco) e das trevas (o preto), pode variar seu brilho à vontade, deslocando-se entre os dois extremos que o geram. Desse modo, à medida que se modifica, vai formando uma organizada escala de cinzas.

Quando o tempo está nublado e sombrio, as cores tendem a perder saturação e brilho. E quando há iluminação excessiva, elas ganham exagerado brilho e, do mesmo modo, perdem a saturação. Nesse último caso, a visão dessas cores fica muito prejudicada.

“O enterro do conde de Orgaz”, de El Greco, um pintor “maneirista”, muito amigo do cinza.

escala de valores (cinzas) é uma organização que permite fazer comparações. De acordo com esse referencial, quanto mais brilhante for a cor, mais alto será o seu nível de valor (ou cinza). E, quanto menos brilhante, mais baixo o seu valor. Assim, segundo essa escala, um determinado rosa vai situar-se em nível bem elevado, agressivamente luminoso. Um certo marrom, em nível bem baixo, profundamente escuro.

Por outro lado, toda imagem pode ser traduzida em cinzas ou sem cores, em função dos brilhos. Assim é que, o pintor pode fazer representações usando apenas misturas de branco e preto, quais sejam, variações de cinzas. Da mesma maneira, o fotógrafo pode obter uma imagem usando valores. Como também o fazem na imprensa e fizeram nos antigos televisores em preto & branco.

As cores como os olhos podem ver e a representação das mesmas em preto & branco.

Por sorte, os bons pintores não têm preconceito de cor e, muito menos, de cinza. Pelo contrário, admiram-no e sabem como tirar dele resultados muito expressivos. Vários e famosos de outrora, preparavam suas telas com fundo cinza, um artifício por demais interessante. Com essa estratégia, já desde as primeiras pinceladas, conseguiam “temperar” as cores com o cinza, de modo a unir os matizes. Rembrandt(6), Goya(7), El Greco(8), cada um tinha seu próprio estilo, mas sabiam tirar bom proveito das qualidades do cinza.

Post - CaravaggioTenebrismo, em “A vocação de São Mateus”, por Caravaggio (c.1600).

Mas, mesmo antes de Rembrandt, o cinza teve muita utilidade. Havia uma técnica que se limitava ao uso de misturas de branco e preto. Na França, o procedimento foi denominado grissaille*. Porém, ao correr do tempo, variações surgiram, uma delas levou o nome de chiaroscuro*. Mais adiante, criaram o tenebrismo, quando os princípios do chiaroscuro** foram levados ao extremo. — * De “gris” = cinza, em francês. / ** Chiaroscuro = claro-escuro, em italiano.

A ênfase no cinza, como enriquecedor da imagem, foi assimilada pelos artistas do barroco* – século XVI. Servia para enfatizar o espírito sombrio dos personagens ou os climas assustadores. Entre esses autores está o italiano Caravaggio(9) – inspirador do barroco italiano –, que ganhou a fama de mestre do tenebrismo, por ter explorado com maestria os princípios do chiaroscuro. — * Barroco – estilo artístico que surgiu na Itália, no século XVI.

Outra variante no uso do cinza foi o sfumato, italiano. A palavra, é derivada de fumo e designa uma técnica que tira partido do cinza, como elemento de união e transição entre as cores. Leonardo da Vinci (*1452 / †1519) é considerado o primeiro e maior expoente nessa arte. Dizia ele que, com essa técnica, unia as cores à maneira da fumaça. Utilizando esse recurso, muitos pintores puderam abolir as linhas ou contornos definidos.

Sequência mostrando perda de saturação, os brilhos são os mesmos (por A. V. Guignard)

Com o advento da fotografia, no século XIX, surgiu uma nova categoria de artistas do preto & branco. Eles assumiram o conhecido procedimento, de modo que o cinza reviveu, fortalecido. Alguns desses autores são considerados precursores da fotografia como obra de arte.

O primeiro a obter uma imagem fotográfica desse tipo e bem sucedida, foi Louis Jacques Mandé Daguerre. Desde que era pintor, cenógrafo e físico, soube se dar bem com o cinza. Um contemporâneo, o litógrafo A. F. Lémaitre, disse sobre Daguerre: “Acredito que ele possui uma inteligência rara em tudo o que envolva máquinas e o efeito da luz”. Seu invento ficou conhecido como daguerreótipo.

Daguerreótipo: “O atelier do artista”, por L. J. Daguerre, 1837.

Com o advento do cinema* e dentro da mesma ideia, os cinzas enriqueceram imagens em movimento. No escurinho dos teatros, o antigo chiarocuro serviu para criar cenas dramáticas. Os precursores da sétima arte, logo tiraram proveito do artifício e, com ele, souberam fazer medo e provocar sustos na plateia. Alguns exemplos são: “O gabinete do dr. Caligari” (1920), “Nosferatu” (1922), “Metropolis” (1927), “O corcunda de Notre Dame” (1939), etc. — * No cinema são luzes projetadas numa tela branca que, imediatamente, são refletidas aos olhos do espectador. 

Filme alemão: “O gabinete do dr. Caligari”, de Robert Wiene, 1920.

SEGREDOS DO CINZA

A cor sempre perde brilho quando é submetida a uma condição de sombra, resultando em uma tonalidade mais escura. Da mesma maneira, isso ocorre com o próprio cinza que, ao perder intensidade, fica mais escuro. Quando se trata do branco, colocado à sombra parecerá acinzentado. E, da mesma maneira, repete-se com tudo que possa ser entendido como preto. Se um material, dito como preto, tiver parte de si submetido à sombra e, ao mesmo tempo, parte dele submetida à luz, uma delas será vista como preto e a outra como cinza. É uma questão de relatividade e de interpretação cerebral. E os referenciais definidores estão na escala de valores.

Matizes com diferentes saturações e brilhos. / Luz e sombra em superfície dita como negra.

Pois bem, muito mal-entendido tem ocorrido devido a imprecisão de uma palavra, muito repetida, da língua inglesa: shade. Sim, como muitas outras, essa nomeação pode ser enganadora! No “Cambridge English–Portuguese Dictionary”, há o verbete que traz definições:

SHADE – an area where there is no light from the sun and it is darker = sombra. (I’d prefer to sit in the shade.) / a colour, especially when saying how dark or light it is = tom (a pale|dark shade of grey). 

SOMBRA – uma área onde não há luz do sol e é escura = shade (prefiro sentar à sombra) / uma cor, especialmente ao dizer quão escura ou clara é = shade (um pálido|escuro tom de cinza).

Está errado, o verbete não explica, só complica! Uma cor, seja ela clara ou escura, jamais poderá ser entendida como sombra. Isso é uma terrível contradição. Um rosa pouco saturado nunca poderá ser considerado uma sombra. Ele pode, sim, se apresentar em estado de sombreamento, maior ou menor, o que é outra coisa. É sim, exatamente um tom de rosa.

Um marrom exposto à plena luz não é uma sombra, mas sim uma tonalidade de vermelho ou, noutras palavras, um marrom mais luminoso. Também não há tom de cinza, mas somente tom ou tonalidade de alguma cor. Do mesmo modo, quaisquer cores pálidas ou escuras, pela mistura de algum cinza, são todas elas exatamente tonalidades e nunca sombras.

OLHAR E PERCEBER

Como se sabe, os seres vivos percebem o mundo diferentemente, cada qual a seu modo. Como exemplo há as abelhas, que enxergam mais cores que o homem. As moscas têm maior discernimento visual, pois seus olhos cobrem maior ângulo e conseguem perceber melhor os movimentos(10). Porém, a maioria dos animais não vê cor plenamente, ou quase não veem. E, quando se trata dos seres humanos, as mulheres enxergam cor melhor que os homens. Mais ainda: não há mulher daltônica.* — Daltonismo: incapacidade de diferenciar, ou perceber, algumas ou todas as cores.

Também chamam atenção os camaleões(11) que, além de ver cores, têm a capacidade de controlar os olhos de maneira independente. Desse modo, podem cobrir um ângulo de 360 graus de visão. Com essas ferramentas, podem captar cenas diferentes ao mesmo tempo. Mas, contrariando o que imagina o senso comum, as vacas e os bois praticamente só enxergam em preto e branco, ou seja, em variações de cinza, que não são tons, mas apenas valores. A propagada história da capa vermelha do toureiro é mera fantasia. O que irrita o animal é a visão de uma forma em movimento tremulante, mas sem cor.

Nisso tudo, coitado do cinza! Apesar da sua enorme contribuição para enfeitar a natureza, ainda há quem não o veja com bons olhos. Volta e meia, consideram-no desprezível, triste, sem graça e mesmo pornográfico. Chegaram até a escrever um livro com o título “Cinquenta tons de cinza”*, de modo a colocá-lo numa relação pervertida, denegrindo** ainda mais sua imagem. Na verdade, esse livro redundou em mais uma enorme confusão nas cabeças das multidões. Está mais do que provado que cinza nunca foi tom e que o cinza simplesmente colabora para fazer o tom! — * “Fifty shades of gray”. / ** Denegrir ou denigrir: ficar ou fazer ficar negro ou escuro.

Post - Gatos & morcegoDos gatos todos pardos, deles só brilhos.

O OLHO

No centro da retina há uma região denominada mácula. Por sua vez, no centro da mácula, há uma região que se diz fóvea, a qual contém células que se chamam cones. Na região periférica da fóvea há células denominadas bastonetes, que servem para interpretar configurações – de um modo geral –, e eles se tornam mais ativos quando há baixa iluminação. Desse modo, são muito úteis para a visão de cinzas, mas não para cores. Todo esse conjunto de células faz por remeter informações ao cérebro, por via do nervo óptico(12).

À noite, quando há pouca luz e os cones estão a “dormir”, os bastonetes entram em permanente vigília. Trabalham para revelar como se apresenta o mundo em meio às penumbras. Naqueles momentos, quanto todos os coloridos se apagam, são os bastonetes que captam informações preciosas. É quando o cinza assume o trono e até os gatos do provérbio ficam pardos, ou seja, perdem o colorido.

O inglês Arthur Simons, dito como o poeta dos morcegos, escreveu assim, em francês:

La nuit tous les chats sont gris. |
      À noite todos os gatos são cinzas.  
Chauves-souris et chat-chauves, |
  Morcegos e gatos pardos.
Toutes les souris sont fauves: |
      Todos os ratos são pardos:
Chats-chauves, chauves-souris! | 
      Gatos pardacentos, morcegos! — * Souris: ratos, camundongos. / Chauves-souris: morcegos.

Pois bem, devido à falta de luz, a regra é as cores perderem seu cromatismo e ficarem pardacentas. Tal como a cor dos gatos do provérbio, que é intermédia entre o preto e o branco, ou seja, praticamente acinzentada.

Pois bem, apesar do cinza não ser cor, ele sempre faz a diferença. Logo na alvorada, quando os morcegos já estão recolhidos e a luz mais uma vez aparece, as galinhas cacarejam, enquanto os gatos miam. Assim é que, a cada novo dia, todas cores amanhecem e já bem temperadas pelos cinzas. Nessas horas, a natureza agradece ao sol, ao cinza e ao Criador!

Um homem atento disse ter ouvido um matiz falando para o outro: “- Quando não quero ficar sozinho, visto cinza e todos me aceitam.”

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Clique com o botão direito e leia: “História do arco-da-velha”. / Sumidoiro’s Blog sugere: palavras de SERTANEJA, em COMMENTS, após as NOTAS.

Texto e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella.

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(1) “Deus disse: ‘Faça-se a luz!’ E a luz foi feita.” Gênesis, 1:3. 

(2) A teoria do Big Bang foi anunciada em 1948, por George Gamow (*1904 / †1968) e Georges Lemaître (*1894 / †1966). Segundo eles, entre 10 e 20 bilhões de anos atrás, após uma grande explosão cósmica, teria surgido o universo como consequência de grande liberação de energia. // A seu modo, o indígena brasileiro têm uma concepção do Big Bang. Seria Tupã – o trovão – que é mensageiro do deus Nhanderuvuçu, o qual seria a energia que existiu mesmo antes do universo e que existirá para sempre. Esse deus, primeiramente, criou Anhandeci – a matéria –, e depois criou Tupã; da mitologia tupi-guarani.

(3) NEWTON, Isaac (*1643 / †1727) –  Cientista inglês. Descobriu a “Lei da Gravitação Universal”. Publicou diversos trabalhos sobre mecânica, astronomia, física, química, matemática, alquimia e também sobre teologia. / Dedicou-se à pesquisa da luz e descobriu a origem física das cores. Inventou um sistema de cálculo infinitesimal, aperfeiçoou a fabricação de espelhos e lentes, fabricou o primeiro telescópio refletor, descobriu as leis que regem os fenômenos das marés. / Estabeleceu as três revolucionárias “Leis de Newton”.

(4) Existem diferenças fundamentais entre corantes e pigmentos, cujas definições foram acordadas por várias organizações onternacionais. Uma delas, a “The Ecological and Toxicological Association of Dyes and Organic Pigment Manufacturers (Basiléia, Suíça)”, diz: “Corantes são substâncias orgânicas, intensamente coloridas ou fluorescentes, que conferem cor a um substrato por absorção seletiva de luz.” / Outra, a “Color Pigment Manufacturers Association, Inc. (Arlington, Viginia, USA)”, diz: “Pigmentos são sólidos orgânicos ou inorgânicos, também partículas coloridas, negras, brancas ou fluorescentes. Geralmente são insolúveis e, essencialmente, não são afetados física e quimicamente pelo veículo ou substrato ao qual são incorporados. Sua aparência se altera pela absorção seletiva e/ou pela reflexão de luz. Os pigmentos, geralmente, são dispersos em veículos ou substratos para serem aplicados, por exemplo, na fabricação de tintas, plásticos ou outros materiais poliméricos.”

(5) O ponto azul embaixo, dentro do “círculo-íris”, não é parte da imagem real. Trata-se de um ponto do sistema de foco da câmera.

(6) RIJN, Rembrandt Harmenszoon van – ( *15.07.1606 / †04.10. 1669) Pintor e gravador holandês. Uma das suas pinturas mais famosas e revolucionária é a “Aula de Anatomia do Dr. Tulp”.

(7) LUCIENTES, Francisco de Goya y – (* 30.03.1746 / †16.04.1828) Pintor e gravador espanhol. Ficou muito popular sua pintura “A Maja desnuda”, em parte favorecida pela polêmica sobre a identidade da bela retratada.

(8) THEOTOKÓPOULOS, Doménikos (El Greco) – (*05.10.1541 / †07.04. 1614) Pintor, escultor e arquiteto grego. A maior parte da sua carreira foi desenvolvida na Espanha.

(9) CARAVAGGIO, Michelangelo Merisi da – (*29.09.1571 / †18.07.1610). Pintor italiano, natural de Milão.

(10) As moscas têm dois olhos maiores, compostos por cerca de 4.000 pequeníssimos olhos. Percebem o mundo em câmera lenta, diferentemente dos humanos. Para elas, o tempo flui mais lentamente do que para os humanos, ou seja, o que enxergam parece mover-se mais devagar. Por isso é tão difícil matar u’a mosca. Alguns vertebrados e animais voadores também têm essa capacidade, provavelmente para reagirem de forma mais rápida a ameaças e desviarem de obstáculos.

(11) Camaleão – Seu sistema visual possui dois olhos independentes, que podem girar de modo a cobrir um ângulo de 360°, permitindo dupla visão, tanto monocular, quanto binocular. Comparativamente, seria como um homem que pudesse ver, ao mesmo tempo, dois filmes diferentes.

(12) Nervo óptico – Um de doze pares nervosos, responsáveis por funções motoras, sensitivas e mistas. A função do nervo óptico é a de repassar informações vindas dos cones e bastonetes, ou seja, a de contribuir para a percepção visual. O nervo óptico conduz os impulsos nervosos para o setor do cérebro responsável pela visão.

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