Sumidoiro's Blog

01/05/2011

A FAMÍLIA DE BERNARDO

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 8:09 am

♦ Uma genealogia

A reconstrução histórica de uma família originária de terras da antiga Sabarabuçu, os Viannas, tem sido possível através de valiosas pistas testemunhais oferecidas por Augusto Vianna do Castello, nas correspondências a Antônio Gabriel Diniz. São relatos de vivências pessoais ou transmitidas por seu pai, Felicíssimo de Souza Vianna, durante 27 anos de convívio.

Da mesma forma, Felicíssimo convivera com Antônio de Souza Vianna, seu pai, por 44 anos. Consequentemente, Antônio convivera com o pai, Bernardo de Souza Vianna, por 39 anos. Ao amparo de documentos, esse encadeamento de memórias ganha consistência, permitindo a recuperação de  particularidades do passado e o desenho de uma árvore genealógica bem detalhada e confiável.

Três gerações: o avô Antônio (I), o filho Bernardo (I) e os netos Antônio (II), Bernardo (II) e José.

O missivista Augusto nasceu em 08.10.1874 e faleceu em 23.09.1953. Os fatos que vivenciou o credenciam como bom informante. Exerceu a profissão de advogado e comerciante, atuou na política e possuía invejável cultura. Destacou-se no cenário nacional como deputado, líder da maioria e ministro da Justiça e Negócios Interiores do governo Washington Luís. As correspondências foram redigidas no Rio de Janeiro, a primeira em 17 de novembro de 1948, começando assim:

“Prezado Dr. Antônio Gabriel Diniz(1) , agradeço e retribuo as saudações da sua carta de 8 deste. Recebi a 13 e, com muito gosto, aproveito as folgas dos feriados de 14 e 15 para attender ao seu pedido de informações, que o amigo está colligindo para escrever a história da nossa terra[Curvelo].

Prosseguiu, dizendo:

“O major Felicissimo de Souza Vianna nasceu na povoação da Quinta do Sumidouro, junto à cidade de Santa Luzia do Rio das Velhas, comarca da Villa Real de N. Sra. da Conceição do Sabará, em 16 de fevereiro de 1812, e morreu em Curvelo, em 12 de abril de 1900. Viveu, pois, durante as transformações políticas do Brasil, de reino unido a Portugal à Republica, nos governos de d. João VI, do Príncipe Regente, de d. Pedro I, das Regencias una e trina, na minoridade do imperador d. Pedro II, no 2o Imperio e na Republica.

Era filho de Antonio de Souza Vianna e de d. Josepha Fernandes de Azevedo. Antonio de Souza Vianna também era o nome do meu 4o avô [?], vindo do Minho, em Portugal, na época da descoberta do ouro em Sabará-buçú, fixando-se em Roça Grande. Adquiriu grande fortuna, para tempos de então e fundou a Fazenda dos Angicos(2), ainda hoje de propriedade de gente da familia. […] Quando morreu, deixou […] em testamento, a fazenda em usufructo aos escravos.”

Detalhe de uma carta de Augusto Vianna do Castello a Antônio Gabriel Diniz.

Há que se fazer um exercício de interpretação do que disse A. V. Castello, quando se referiu à “época da descoberta do ouro e ao 4o avô. Aceitando-se esta afirmativa haveria uma geração totalmente ignorada, remetendo o primeiro Antônio ao século XVII, o que não faz sentido. O bom-senso leva ao entendimento que pretendia dizer na época da exploração do ouro, no século XVIII, que o terceiro avô chegou a Minas Gerais”. Ao Antônio I fez apenas esta referência, mas do período que vai do seu segundo avô até à sua própria geração, forneceu amplas e valiosas informações.

A série de nove cartas, perfazendo quarenta e sete páginas datilografadas, vão até 2 de novembro de 1949. Nelas discorreu sobre fatos e personagens, como também emitiu opiniões. Devem ser os mais antigos relatos, desse teor, escritos sobre a família Vianna. Examinando essas memórias e confrontando documentos, surgem informações pouco divulgadas ou mesmo desconhecidas. Tratando-se de genealogia e história, sempre haverá a oportunidade de novas descobertas.

O foco deste texto é nas três primeiras gerações: o avô Antônio (I); o filho Bernardo (I); e os netos Antônio (II), Bernardo (II) e José. Do primeiro Bernardo são efetivamente conhecidos três filhos, o mais velho é Antôniohomônimo do avô paterno–, cuja mãe foi Thereza Moreira. Os outros, foram frutos do casamento com Angélica Maria Pacheco Ribeiro, começando com Bernardo, também chamado Bernardino ou Bernardo Mosso [Moço] e depois José, o mais novo dos três. A repetição de nomes na família chegou a criar versões, pouco consistentes, de que o pai desse primeiro Bernardo também se chamaria Bernardo e não Antônio. É possível que seja por confundirem com o Bernardino, mas este era neto(!) do primeiro Antônio. Uma pista mais sólida, a favor da existência de Antônio – o mais velho – é a repetição frequente do nome nas gerações que se sucederam. Por tradição tem sido uma forma de homenagear os antepassados. Cada um dos filhos de Bernardo também teve um filho Antônio e, até a quarta geração, foram quatro Antônios, todos Souzas Viannas. Daí, é preciso cautela ao interpretar os documentos.

O sobrenome se originara do topônimo da importante cidade e região de Viana do Castelo, em Portugal. O Castello incorporado ao nome do citado Augusto foi uma criação sua, homenageando a terra das origens. Quanto ao Souza não há pista alguma e nada se sabe sobre a ancestralidade. Muitas pessoas cogitaram sobre uma provável origem fidalga, mas disso não há evidências palpáveis. A partir do primeiro Bernardo e prosseguindo com seus descendentes, existem inúmeras e confiáveis fontes de informação. Sempre que não há provas se apela para conjecturas, mas é indiscutível que, dentre as famílias mineiras, a genealogia desses Viannas é das mais documentadas.

O objetivo deste texto é mostrar como se formou a grande família. Não é intenção enumerar a descendência completa de cada ramo, nem prestigiar qualquer nome particularmente. Quanto a Angélica, segunda mulher de Bernardo, sua ancestralidade será abordada em outra oportunidade.

OS PRIMEIROS

Antônio de Souza Vianna – filho mais velho do patriarca Bernardo – se casou com Josefa Fernandes de Azevedo. O casal viveu na região do atual parque do Sumidouro, localizado nos municípios de Lagoa Santa e Pedro Leopoldo.

Casamento de Antônio e Josefa.

Está assim no registro(3) de casamento:

“Aos desanove de Fevereiro de mil oitocentos e des, na Ermida da Quinta, se receberao em matrimonio por palavras de presente Antonio de Souza Vianna e Jozefa Fernandes de Azevedo …”

A capela da Quinta do Sumidouro, dedicada a Nossa Senhora do Rosário, fica próxima à casa que foi pouso do bandeirante Fernão Dias. É das primeiras que se vinculam ao período da mineração e foi tombada pelo patrimônio histórico. A localidade se transformou em um dos primeiros núcleos urbanos e da formação da cultura de Minas Gerais. Através do registro de óbito(4) de Antônio é possível calcular o ano em que nascera, que seria por volta de 1786. É este o documento:

Óbito de Antônio.

“Aos dezesseis dias do mes de Dezembro de mil oitocentos e cinquenta e seis annos falleceo Antonio de Souza Vianna casado com Dona Josefa Fernandes de Azevedo e filho natural de Thereza Moreira, de idade de setenta annos, pouco mais ou menos …”

O filho primogênito do casal, Felicíssimo de Souza Vianna (*16.02.1812), teve uma irmã(5) falecida com dois dias de vida (+18.02.1812) −  gêmea sua ou seria a primogênita? −, seguidos de José, Maria, Cândida, Anna Claudina, Cândido, Antônio Júnior, João Francisco de Assis e Joaquim* (*data de nascimento desconhecida). Nasceram na Quinta do Sumidouro e, com exceção de Maria que, por casamento, foi residir em Traíras(6), os demais se mudaram para Curvelo, onde deixaram muitos descendentes. Deles há muito o que contar.

Falecida com dois dias de vida, “… filha de Antônio de Souza Vianna…. Irmã gêmea ou primogênita?

As relações interfamiliares foram muitas, como mostra o registro(7) de casamento de Maria, filha de Antônio, que se casou com João Theodoro de Faria. Diz assim:

“… Aos vinte e cinco dias do mês de Novembro de mil oitocentos e trinta e cinco […] na Capella da Quinta, filial da Matriz  da Alagoa Santa […] receberao-se em Matrimonio João Theodoro de Faria, filho […] de Manoel Theodoro de Faria e Maria Rodrigues da Silva, e Maria de Souza Vianna, filha […] de Antonio de Souza Vianna e Josefa Fernandes de Azevedo […] na minha presença e das testemunhas o tenente-coronel Joaquim de Affonseca Ferreira e capitão Manoel Teixeira da Costa, e lhes conferi as bênçãos nupciais em virtude da dispensa do impedimento da affinidade de primeiro grão na linha collateral igual. / O Vigro. Manoel de Almeida Lima.”

Os nubentes eram parentes por afinidade − não eram consanguíneos − e as duas testemunhas tinham relações de amizade e parentesco com os Viannas. Dentre inúmeros documentos, este registro é um dos que mostram as ligações entre os Fonsecas [Affonsecas] Ferreiras e os Teixeiras da Costa(8). O tio de Maria, José de Souza Vianna, era cunhado da primeira testemunha. O citado capitão Manoel – mais tarde comendador – se uniu, em primeiras e segundas núpcias, com duas filhas do tio José.

Em uma das cartas, datada de 22.12.1948, A. V. Castello se refere a Maria:

“Tenho da tia […] recordações nítidas de certa vez em que ella, já viuva, hospedou-se com o meu pae [em Curvelo], vinda de sua fazendola nas bandas de Trayras. […] Era robusta, morena […] parecia mulher de acção. Conheci o seu filho, Felicíssimo de Souza Vianna [Sobrinho] morador na Lagoa do Defunto …”

Casamento de Maria e João Theodoro.

Anna Claudina, quando se casou(9), teve como um dos padrinhos o cunhado, marido da irmã Maria. O noivo, capitão Manoel Marques Ferreira(10), natural de Lagoa Santa, pertencia a família até hoje muito conhecida na cidade. Registro do casamento:

“20 nov 1848, Matrimonio […] de Manoel Marques Ferreira, branco, de 32 annos de idade, filho […] do finado Silvério Marques Ferreira e Esmeria Nogueira […] e Dona Anna Claudina de Souza, […] de 30 annos de idade, branca, filha […] de Antonio de Souza Vianna e Dona Josefa Fernandes de Azevedo, ambos naturais e moradores na Freguesia da Alagoa Santa […] testemunhas Illidio Pais de Oliveira Horta e Joao Theodoro de Faria …”

Casamento de Anna Claudina e Manoel Marques Ferreira.

FAMÍLIA UNIDA

Do segundo relacionamento de Bernardo de Souza Vianna, por matrimônio com Angélica Maria Ribeiro, nasceram dois filhos. O primogênito foi Bernardo de Souza Vianna – ou Bernardino , nascido em 1788. É necessário ressaltar que os dois grandes ramos familiares, formados com filhos de duas mulheres, se mostraram sempre muito próximos e unidos. Os netos de Thereza Moreira e Angélica compartilhavam não somente o sangue de Bernardo, mas também mantinham amiga convivência. Pelo menos em um caso houve uma relação perigosa, ocorrida entre Bernardino e uma prima em primeiro grau, Maria do Nascimento. Conceberam filhos no estado de solteiros e, em 1817, batizaram um gêmeo Antônio, sob condicionante imposta pela igreja quanto à efetiva legitimação dessa criança. Esta só poderia ocorrer com o casamento dos pais, que de fato se concretizou em 1838, vinte e um anos depois. Não há informação sobre o(a) outro(a) gêmeo(a), ou tão-pouco se sobreviveu.

Batismo de Antônio, filho de Bernardino e Maria do Nascimento.

Bernardino convidou o meio-irmão paterno Antônio de Souza Vianna e sua mulher Josefa Fernandes de Azevedo, para padrinhos desse filho concebido sem casamento. Para contornar a situação, censurada pela moral da época – primos e solteiros –, o inocente foi exposto(11) a Joanna, uma amiga, para que ela o criasse, procedimento comum no passado. O registro legitimatório(12) confirma tanto a data do batizado, na capela do Vínculo da Jaguara, quanto a do casamento. Foi um fato inusitado, porque anotaram-se simultaneamente dois eventos muito afastados no tempo. Os motivos serão revelados mais adiante. Está escrito:

“Aos nove de Novembro de mil oito centos e desacete na Capella do Jagoara o Padre Manoel de Araujo Ferreira Quintao […] Baptizou […] a Antonio innocente branco gemeo exposto a Joanna Moreira do Espirito Santo, forão padrinhos Antonio de Souza Vianna e sua molher Jozefa Fernandes de Macedo [Azevedo] e a cinco de Junho de mil oito centos e trinta e oito foi legitimado o dito Antonio pello subsequente Matrimonio de seus Pais Bernardo de Souza Vianna com Dona Maria do Nascimento …”

Batismos dos primos Anna Claudina e Cândido de Souza Vianna.

Dois anos depois, mano Antônio devolveu a gentileza, convidando a mulher do seu meio-irmão Bernardino para batizar uma filha. Na certidão de batismo(13) de Anna Claudina, filha de Antônio de Souza Vianna e Josefa, consta a madrinha Maria do Nascimento. Diz o seguinte:

“01 nov 1819, na Capella da Quinta o padre João Nepomuceno Pereira […] baptizou Anna […] filha […] de Antonio de Souza Vianna e Josefa Fernandes de Macedo [Azevedo]  forão padrinhos […] e Dona Maria do Nascimento …”

Três meses antes, Bernardino já havia batizado(14) um filho do irmão José:

“05 ago 1819, na Capella de Nossa Senhora do Valle de Massaricos, […] o Reverendo Coadjutor Joze Soares Dinis baptizou […] Candido […] gemio filho […] de Joze de Souza Vianna e […] Maria Candida de Assumpção; forao padrinhos Bernardo de Souza Vianna Mosso [Moço] e Dona Theodora Luiza da Piedade …”

TARDA MAS NÃO FALTA

A imposição do casamento de Bernardino com Maria do Nascimento, apesar da demora, foi atendida em 1838. O registro(15) traz pormenores do ato religioso e também mostra a idade do nubente, portanto, a conclusão é que teria nascido em 1788. Seria mais novo que Antônio e tudo indica que José, o terceiro irmão, teria nascido em 1789. Assim consta:

“Aos sette de junho de mil oitocentos e trinta e oito […] se receberam em Matrimonio […] Bernardino de Souza Vianna […] de cincoenta annos pouco mais ou menos, filho […] de Bernardo de Souza Vianna e de […] Angelica Maria Ribeiro e Maria do Nascimento […] de quarenta e tantos annos, filha natural de Luzia do Nascimento […] moradores nesta Freguezia de Santa Luzia …”

Casamento de Bernardino e Maria do Nascimento.

Bernardino tomou a decisão de se casar, discretamente, na capela de Santo Antônio da Venda Nova(16). A igreja, distante de onde morava, era apropriada para uma cerimônia reservada. Após o sacramento do matrimônio, retornaria para perto da mãe, na fazenda da Jaguara de Cima, que mais tarde se tornou sua propriedade.

O fato extraordinário na vida de Bernardino, batismo condicionado a casamento, está anotado no livro de batizados em Santa Luzia, arquivado na Cúria Metropolitana de Belo Horizonte, página 67, informando que a criança recebeu os santos óleos em 1817. Na mesma folha onde todos os outros registros são de 1840, está lançado este, de 1817, fora de ordem. Portanto, para essa legitimação, houve uma anotação provisória aguardando a decisão de Bernardino e Maria do Nascimento. Do batizado ao casamento, foram mais de duas décadas para colocar a família sob as graças da igreja. Tardou, mas venceu o vigário Manuel Pires de Miranda.

O nome completo da mulher de Bernardino era Maria Magdalena do Nascimento, pois consta de um registro(17) de batismo ocorrido no oratório da fazenda do irmão José, no ano de 1835. O sobrenome Nascimento costuma não ser nome de família e é usado para ocultar a paternidade. Nessa data, ainda não estava casada na igreja. No documento, a anotação do homônimo Bernardo não gera dúvida porque o pai, mais velho, falecera dez anos antes. Diz assim:

“Aos oito de Novembro de mil oitocentos e trinta e sinco no Oratorio dos Angicos o Padre José Ferras de Mello […] batizou […] Maria […] filha natural de Vicencia Ferreira Dias; forão padrinhos Bernardo de Souza Vianna e Dona Maria Magdalena do Nascimento …”

Maria Magdalena do Nascimento batiza no oratório dos Angicos.

NA JAGUARA DE CIMA

Bernardo e Angélica foram proprietários de terras localizadas junto à sede do Vínculo da Jaguara(18), onde estabeleceram a fazenda denominada Jaguara de Cima. É fato explícito que ali residiram(!), pois assim confirma um registro(19) lavrado pelo insuspeito vigário da paróquia:

Angélica, moradora da fazenda da Jaguara de Cima, batiza filho de escravo na Matriz de Santa Luzia.

“Joaquim pardo innocente […] filho […] de Valério pardo escravo de Dona Angelica Maria Ribeira moradora na sua fazenda do Jagoara de cima […] em treze de Maio do dito anno [mil oitocentos e trinta e oito] nesta Matriz de Santa Luzia Baptizei e pus os Santos Oleos […] Padrinhos Silvestre Ferreira da Fraga e Maria Francisca de Salles […] / O Vigr.o Manoel Pires de Miranda.”

Viajar no tempo ajuda a compreender melhor a história. Voltando ao dia treze de maio de 1838, se vê Angélica, viúva há 13 anos, batizando Joaquim o filho do escravo. Naquela data tinha 69 anos de idade e, pelo menos desde que falecera o marido, vivia junto a Bernardino (50 anos). Afinal de contas, não poderia uma senhora idosa viver sozinha na Jaguara de Cima. Os outros irmãos, Antônio (52 anos) e José (49 anos), moravam em lugares próximos, o primeiro na Quinta do Sumidouro e o segundo, na fazenda dos Angicos(20), em Vespasiano.

Após o falecimento de Angélica a propriedade passou às mãos do filho Bernardino e de sua mulher. Documentos apontam que, anos mais tarde, Maria do Nascimento, já viúva, foi vendendo as terras. Houve um negócio, realizado por procuradores, fazendo acreditar que necessitasse de ajuda, pois já estava idosa(21), em torno dos 80 anos de idade.

Trechos de dois documentos de venda de terras por Maria do Nascimento Vianna.

Está escrito no primeiro recorte (acima): “Dis D. Maria do Nascimento Vianna que he Senhora e possuidora da Miassão [Meiação] e tersa [terça] nas terras que lhe coube por Herança do falecido seu Marido Bernardo de Souza Vianna [Bernardo II]. As quais tem contratado vender …”

E nos dois recortes seguintes: “Digo eu Maria do Nascimento Vianna, que entre os bens que possuo livre e desembaraçados de qualquer onus ou hypotheca ha hum assim a miação e terça nas terras e benfeitorias da Fazenda do Jagoara de cima […] Santa Luzia, 26 de abro de 1872 / A rogo de D. Maria do Nascimento Vianna / Antonio Gonçalves Giraldis.”

Nada se sabe a respeito de possíveis descendentes ou se, quando faleceu, tenha deixado bens.

GENTE MUITO IMPORTANTE

Casamento de José de Souza Vianna e Maria Cândida da Assumpção.

O segundo filho do casal Bernardo e Angélica foi José de Souza Vianna. Casou-se com a filha de um grande minerador e dono da famosa fazenda da Carreira Comprida, de Santa Luzia. O registro(22) revela:

“Aos onze de Outubro de mil oitocentos e trese annos, na Capella da Carreira Comprida, […] matrimonio (de) Jose de Souza Vianna (e) Dona Maria Candida da Assumpcao […] elle filho […] do Alferes Bernardo de Souza Vianna e Dona Angelica Maria Ribeira, ella filha […] do Tenente Coronel Antonio Ferreira da Fonseca (e) Josefa Maria da Conceyção.”

Atestado de produção de aguardente (em 1815), na Fazenda dos Angicos, assinado pelo proprietário José de Souza Vianna.

José foi o mais rico dos três citados irmãos. Sua fortuna começou pelos bens que recebeu do pai e cresceu com o dote trazido por sua mulher Maria Cândida. O primogênito desse casal foi Francisco de Paula, seguido dos irmãos Antônio, Maria Cândida, Joaquim, Cândido, José, Bernardo, Joaquina, Bernarda, Francisco Xavier, Manoel, Maria Cecília, Maria Luíza, Francisco de Assis e Tristão, nascidos na antiga Santa Luzia. O mais velho assinava Francisco de Paula Fonseca Vianna e se tornou personagem proeminente no cenário social e político de Minas Gerais, tendo sido agraciado com o título de Visconde do Rio das Velhas. Da mesma forma, os demais irmãos e irmãs se destacaram nas comunidades onde viveram.

É preciso citar o forte entrelaçamento familiar que ocorreu, sobretudo com duas filhas de José. Primeiro através de Maria Cândida, que se casou com o comendador Manoel Teixeira da Costa, mas veio a falecer. Manoel então, em segundas núpcias, se uniu a Maria Luiza, outra filha de José. Por isso é fácil encontrar, particularmente em Santa Luzia, muitos Viannas que também são Teixeiras da Costa.

TRÊS MULHERES NO CAMINHO

Embora se tenha falado de mais um filho de Bernardo, que se chamaria João, não há o que comprove sua existência. Efetivamente, são conhecidos apenas os três citados, sendo que Antônio e José foram muito prolíficos, o mesmo se dando com seus filhos. Tão-pouco se sabe de irmãos de Bernardo.

Mas há, pelo menos, três mulheres no caminho para trazer mais incógnitas. A primeira é Francisca de Souza Vianna que teve duas filhas batizadas na Capela da Quinta. Para efeito de cálculo e considerando a data de nascimento dessas meninas, a mãe teria nascido por volta do ano 1800, se na época estivesse com cerca de 18 anos de idade. Portanto, poderia ser filha de Bernardo, de um irmão, ou de um filho mais velho, que por ventura tenha existido. Consta em um registro(23), de 29.10.1819:

“… batizou e pos os Santos Oleos a Maria […] filha […] de João Teixeira de Abreu e de Francisca de Souza Vianna […] forao padrinhos Antonio de Souza Vianna e Josefa Fernandes de Azevedo …”

E em outro(24), de 02.08.1821:

“… batizou e pos os Santos Oleos a Silvana […] filha […] de João Teixeira de Abreu e de Francisca de Souza […] forao padrinhos José de Moura e Josefa de Azevedo, molher de Antonio de Soiza Viana …”

Registros de Maria e Silvana, filhas de Francisca.

O segundo mistério está em Ritta de Souza Vianna, falecida aos 57 anos, solteira, cujo nome consta em um registro(25) de óbito. A celibatária foi sepultada dentro da matriz de Santa Luzia e, para merecer tal deferência, deveria pertencer a família muito importante.

Registro: “… sepultou-se dentro desta matriz […] Ritta de Souza Vianna, de idade de 57 annos, solteira …”

Quem seriam os seus pais? Por várias circunstâncias, faz sentido se excluir Antônio, homem modesto, morador na Quinta do Sumidouro. Seria improvável ter uma filha enterrada pomposamente no interior da matriz, distante de sua residência. As indagações então se voltam para Bernardino, para José, para o velho Bernardo e mais seu pressuposto filho João. E, quem sabe, um irmão ainda desconhecido de Bernardo? Tendo como referência o ano de nascimento de Ritta – 1808 –, se vê que, naquela época, José tinha 20 anos, Bernardino 21, e Bernardo 47. Ao leitor está lançado o desafio da interpretação: a quem cabe a paternidade e a maternidade de dona Ritta?

A terceira personagem é Balbinapoderia ter o sobrenome Souza Vianna, de batismo. Embora não fosse regra geral, ao se casar teria adotado o do marido, Ferreira da Silva. Ainda são admissíveis outras hipóteses. Essa ascendência, cheia de incógnitas, é instigante e merece ser investigada. Se Bernardo é o avô, descobrir o pai ou a mãe é a chave do enigma. Existe uma escritura de venda de um terreno, em que os transmitentes afirmam o seguinte:

“… senhores de vinte e cinco alqueires de terras […] havida de herança de nosso finado Avô Bernardo de Souza Vianna […] cujas terras vendemos ao Snr. Joaquim Antônio da Costa […] Taquarassú, 8 de junho de [18]72 // Francisco Ferreira da Silva / Balbina Olimpia Ferreira.”

Herdeiros de Bernardo vendem terras em Taquaraçu.

QUEM É QUEM

Bernardo tinha a patente militar de alferes e foi grande fazendeiro. Oito anos antes do seu falecimento morava com Angélica na fazenda da Jaguara de Cima, pois deixou uma anotação sobre produção de aguardente no ano de 1817 (reprodução abaixo):

“Fiz nesta minha Fazenda do Jagoara de Cima no Anno de 1817 trinta barris de Agoardente de que atesto em verdade / Jagoara de Cima 20 de Dezembro de 1817 /Bernardo de Souza Vianna.”

O imenso patrimônio de Bernardo era constituído por terras na Jaguara de Cima e também nos atuais bairros da cidade de Vespasiano, denominados Bernardo de Souza e Angicos. Os documentos encontrados, principalmente registros eclesiásticos, sugerem a presença de Bernardo na região em época bem remota. A fazenda, comprovadamente, pertenceu à família por mais de meio século. Considerando apenas o período que vai da data da produção de aguardente (1817), ao da venda das terras (1872) por Maria do Nascimento – viúva de Bernardino –, se evidencia a posse do imóvel durante 55 anos.

Para esclarecer um pouco mais sobre os dois Bernardos, convem comparar suas assinaturas (abaixo), a primeira de Bernardo I, no informe sobre a aguardente, e a segunda de Bernardino, no registro de batizado do filho.

Assinaturas nitidamente diferentes: a primeira de Bernardo pai, a segunda de Bernardino ao legitimar o filho.

AO DOBRAR DOS SINOS

Conta a tradição familiar que o patriarca Bernardo, além das qualidades de bom cidadão e da inequívoca proeminência social, era generoso e muito querido. Quando ocorreu seu falecimento, tinha cerca de 64 anos e Angélica 56. Naquele sábado triste, dia das exéquias em Santa Luzia, lhe prestaram homenagens muito especiais, como se lê no registro(26) de óbito:

Óbito de Bernardo de Souza Vianna.

“Aos vinte de agosto de mil oitocentos e vinte e cinco dentro desta Matriz de Santa Luzia sepultou-se Bernardo de Souza Vianna, casado com Dona Angelica Maria Ribeira [Ribeiro] , o qual falleceu com todos os Sacramentos; foi depositado nesta Matriz onde se fez desta sua Alma um solemne Officio de nove liçoens, com assistencia das Irmandades deste Arrayal e com os Sacerdotes do mesmo e mais das Freguezias circunvizinhas que se poderão convocar, que excedeo o numero de vinte, os quaes todos disseram Missa de corpo presente; todo este acto presidiu o Reverendo Vigario desta Freguezia, o qual solemnemente o imcomendou do que tudo para constar se abrio este assento que assignei. / O Vigr.o Manoel Pires de Miranda.”

Homônimo de São Bernardo, doutor da Igreja Católica, Bernardo faleceu no dia em que se comemora a festa do santo, 20 de agosto. Ao último momento do patriarca aqui na terra, a coincidência acrescentou um toque do divino.

• Leia também, clique aqui: “Um nome cá, outro acolá” “Viannas e o Castello”.

Por Eduardo de Paula

Colaboração: Carlos Aníbal Fernandes de Almeida, Berta Vianna Palhares Bigarella e Vânia Lúcia de Oliveira.

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(1) DINIZ, Antônio Gabriel – Historiador, natural de Curvelo, MG (*01.09.1891/+26.10.1969). // Agusto Vianna do Castello, cometeu um equívoco, quanto à data de falecimento de Felicíssimo de Souza Vianna, de fato foi 16.04.1900, conforme consta na certidão de óbito emitida pelo cartório de registros de Curvelo.

(2) Fazenda dos Angicos: propriedade ainda existente em Vespasiano, MG. Vide “Crônica da Grande Sabará (VI)”.

(3) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Casamentos de Santa Luzia, 1808/1822, fl. 14: “Aos desanove de Fevereiro de mil oitocentos e des na Ermida da Quinta, feitas as diligencias de estilo, sem se desquobrir impedimento algum com Provisao do Juizo Eclesiastico de – – (?) – – – – (?) em presença do Padre Jose Dias de Avellar de licenca minha e das testemunhas Martinho de Carvalho e o Alferes Jose Antonio Rodrigues Chaves de mutuo consentimento se receberao em Matrimonio por palavras de presente Antonio de Souza Vianna e Jozefa Fernandes de Azevedo moradores nesta Freguesia de Sancta Luzia, logo o mesmo Padre lhes deu as bencaons nupciais na forma do Ritual, o que tudo – – – (?) pelo assento que se me enviou, e de que se fez este que assinei. / O Coadjutor Manoel Pirez de Miranda.”

(4) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Óbitos em Lagoa Santa, lv. aberto em 1824, fl. 191 verso: “Aos dezeseis de Dezembro de mil oitocentos e cincoenta e seis annos falleceo Antonio de Souza Vianna casado com Dona Josefa Fernandes de Azevedo e filho natural de Thereza Moreira; de idade de setenta annos, pouco mais ou menos; foi encommendado solemnemente e sepultado dentro da Capella da Quinta filial da Matriz de Nossa Senhora da Saude da Alagoa Santa. / O Vigr.o encom.do Joao Bap.ta Corr.a.”

(5) Felicíssimo de Souza Vianna nasceu em 16.02.1812 (faleceu em 16.04.1900), portanto a menina que foi sepultada em 18.02.1812 era sua irmã gêmea. Da mesma forma que o pai, a recém-nascida mereceu a deferência de ter seu corpo depositado dentro da capela. Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Óbitos em Santa Luzia, 1804/1828, fl 150v: “Aos dezoito de Fevereiro de mil oitocentos e doze annos fallecendo hua inocente filha de Antonio de Souza Vianna, foi encomendada pello Padre José Fernandes de Oliveira, sepultada dentro da Capella da Quinta. / O Co.r José Soares Diniz.”

(6) Traíras era o nome de antigo distrito de Curvelo. Em 31.12.1943, passou a chamar-se Pirapama e, em 27.12.1948, passou a município de Santana do Pirapama.

(7) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Casamentos em Lagoa Santa, 1824/1884, fl. 46: ”… Aos vinte e cinco dias do mês de Novembro de mil oitocentos e trinta e cinco annos na Capella da Quinta, filial da Matriz  da Alagoa Santa pelas duas horas da tarde receberao-se em Matrimonio João Theodoro de Faria, filho legitimo de Manoel Theodoro de Faria e Maria Rodrigues da Silva e Maria de Souza Vianna, filha legitima de Antonio de Souza Vianna e Josefa Fernandes de Azevedo, naturaes ambos e moradores na Freguesia da Alagoa Santa na minha presença e das testemunhas o Tenente Coronel Joaquim de Affonseca Ferreira e capitão Manoel Teixeira da Costa, e lhes conferi as bençãos nupciais em virtude da dispensa do impedimento da affinidade de primeiro grão na linha collateral igual. / O Vigr.o Manoel de Almeida Lima.”

(8) Os Teixeiras da Costa têm também a ascendência Veloso, gente ligada à fazenda Soledade, de Sabará. Vide “Crônica da Grande Sabará (VII).”

(9) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Casamentos em Lagoa Santa, fl. 93: “Aos vinte dias do mes de Novembro de mil oitocentos e quarenta e oito annos receberão em Matrimonio Manoel Marques Ferreira, branco, de trinta e dous annos de idade, filho legitimo do finado Silverio Marques Ferreira e Dona Esmeria Nogueira e Dona Anna Claudina de Souza, branca, de trinta annos de idade, filha legitima de Antonio de Souza Vianna e Dona Josefa Fernandes de Azevedo, ambos naturaes e moradores na Freguesia da Alagoa Santa, na presença do padre Adriano de Araujo Valle e das testemunhas Illidio Pais de Oliveira Horta e Joao Theodoro de Faria, e lhes conferi as bençoins nupciaes, proclamados canonicamente sem impedimento. / O Vigr.o Manoel de Almeida Lima.”

(10) FERREIRA, Manoel Marques (bat. 05.05.1816, Capela da Jaguara, Lagoa Santa – Arq. Cúria Metr. BH, p. 105 / +1887, Curvelo).

(11) Filho exposto é aquele que foi “abandonado” pelos pais, ao nascer ou em tenra idade. Era entregue a alguém para criá-lo ou colocado na roda dos expostos. No passado, várias motivações levavam a esse procedimento.

(12) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Batismos em Santa Luzia, 1819/1868, fl. 67: “Aos nove de novembro de mil oito centos e desacete na Capella do Jagoara o Padre Manoel de Araujo Ferreira Quintão de licença Parochial Baptizou e pos os Santos Oleos a Antonio innocente branco gemeo exposto a Joanna Moreira do Espirito Santo, foraão padrinhos Antonio de Souza Vianna e sua molher Jozefa Fernandes de Macedo [Azevedo] e a cinco de Junho de mil oito centos e trinta e oito foi legitimado o dito Antonio pello subsequente Matrimonio de seus Pais Bernardo de Souza Vianna com Dona Maria do Nascimento do que tudo se abrio este assento que vai assinado por mim e pello dito Bernardo de Souza Vianna. // Bernardo de Souza Vianna / O Vigr.o Manoel Pires de Miranda.” O mérito da descoberta desta certidão cabe aos genealogistas Alfredo Marques Vianna de Góes e Antônio de Pádua Vianna Clementino. Fonte: jornal “A Notícia”, de Sete Lagoas, MG, ano I, no. 63, de 04.01.1975.

(13) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte –Batismos em Santa Luzia,1818/1833 fl. 7 verso: “No primeiro de Novembro de mil oitocentos e dezanove na Capella da Quinta o padre João Nepomuceno Pereira de licença minha baptizou e pos os Sanctos Olleos a Anna inocente filha legitima de Antonio de Souza Vianna e Josefa Fernandes de Macedo [Azevedo]; forão padrinhos o Alferes Joaquim Enriques de Freitas por procuracao que apresentou Jose de Souza Ribeiro e Dona Maria do Nascimento de que se fez este assento que assignei. / O Vigr.o Encom.do Manoel Pires de Miranda.”

(14) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Batismos em Santa Luzia,1818/1833 fl. 12 verso: Aos cinco  de Agosto de mil oitocentos e dezanove na Capella de Nossa Senhora do Valle de Massaricos, o Reverendo Coadjutor Joze Soares Dinis baptizou e pos os Santos Olleos a Candido innocente gemio filho legitimo de Joze de Souza Vianna e Dona Maria Cândida de Assumpção, forao padrinhos Bernardo de Souza Vianna Mosso e Dona Theodora Luiza da Piedade de que se fes este assento, que assigno. / O Ctr. Alexandre Gome de Ar.o – Acrescentou-se o “Mosso” para distinguir do pai que, em 1819, ainda estava vivo.

(15) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Casamentos em Santa Luzia, fl. 37 verso:“Aos sette de junho de mil oitocentos e trinta e oito na Capella de Santo Antonio da Venda Nova, feitas as Diligencias do estillo, sem descobrir impedimento outro algum mais do que o da consanguinidade em segundo grao da linha transversal, de que foram dispensados pelo Illustrissimo Cabido, de licença Parochial em presença do Reverendíssimo Conego Bernardo Hipolito Pereira Meirelles e das testemunhas Francisco de Assis Pereira e Joaquim Ignácio de Castilho, de mutuo consentimento se reberao em Matrimonio por palavras do presente Bernardino de Souza Vianna, branco, Agricultor, de idade de cincoenta annos pouco mais ou menos, filho legitimo de Bernardo de Souza Vianna e de Dona Angelica Maria Ribeiro e Maria do Nascimento de idade de quarenta e tantos annos, filha natural de Luzia do Nascimento, de idade de quarenta e tantos annos, filha natural de Luzia do Nascimento, ambos os contraentes naturaes batizados e moradores nesta Freguezia de Santa Luzia; e abençoados na forma do Ritual Romano de que se fez este assento e termo que assigno. / O Vigr.o Manoel Pires de Miranda.”

(16) Venda Nova: bairro ao norte de Belo Horizonte, MG. 

(17) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Batismos em Santa Luzia, fl.9:“Aos oito de Novembro de mil oitocentos e trinta e cinco no Oratório dos Angicos o Padre José Ferrás de Mello de licença Parochial baptizou e pos os Santos Óleos a Maria, inocente, filha natural de Vicência Ferreira Dias; forao padrinhos Bernardo de Souza Vianna e Dona Maria Magdalena do Nascimento de que se fez este assento. / O Vigr.o Manoel Pires de Miranda.”

(18) Vínculo da Jaguara: imenso conjunto de fazendas, de propriedade de um português, o capitão Antônio de Abreu Guimarães. A sede era a fazenda da Jaguara, hoje pertencente ao município de Matozinhos. O capitão acumulou fabulosa riqueza pela sonegação do impostos e contrabando de ouro e diamante. 

(19) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Batismos em Santa Luzia, fl. 42: “Joaquim pardo innocente filho legítimo de Valério pardo escravo de Dona Angelica Maria Ribeira moradora na Sua Fazenda do Jagoara de cima e de Maria Faustina parda forra naceo a treze de Abril de mil oitocentos e trinta e oito segundo por parte da mesma declarou o Padrinho abaixos assinados em treze de Maio do dito anno nesta Matriz de Santa Luzia baptizei e pus os Santos Oleos ao dito Joaquim sendo seos Padrinhos Silvestre Ferreira da Fraga e Maria Francisca de Salles de que fiz este termo e assento que assino com o declarante. // Silvestre Ferreira da Fraga / O Vigr.o Manoel Pires de Miranda.”

(20) Maria da Glória Teixeira da Costa – falecida –, neta do comendador Manoel Teixeira da Costa, quando tinha 74 anos de idade, prestou um depoimento ao sobrinho Marcelo Teixeira da Costa, dizendo que havia ”uma outra fazenda […] hoje […] é o povoado chamado Bernardo de Souza […] onde morava […] Bernardo de Souza Vianna.” No bairro próximo, chamado Angicos, ainda existe uma fazenda com o mesmo nome, cujas terras são remanescentes da antiga propriedade transferida ao filho José de Souza Vianna.

(21) A data de nascimento de Maria do Nascimento pode ser calculada pela informação do registro do casamento, de que teria quarenta e tantos anos de idade. Atribuindo-lhe 45 anos, teria nascido em 1793.

(22) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Casamentos em Santa Luzia, fl. 33: “Aos onze de Outubro de mil oitocentos e trese annos, na Capella da Carreira Comprida, pelas duas horas da tarde, pouco mais ou menos, havendo Provisão do … (?) Vigario da Vara desta Comarca, na presença do Reverendo Parocho desta Freguesia João de Soiza de Carvalho, e das Testemunhas, o Vigário da Vara o Doutor José da Costa Moreira, o vigário de Congonha Francisco de Souza Barros, se receberão em Matrimonio Jose de Souza Vianna e Dona Maria Candida da Assumpcao, elle filho legitimo do Alferes Bernardo de Souza Vianna e Dona Angelica Maria Ribeira, ella filha legítima do Tenente Coronel Antonio Ferreira da Fonseca e Dona Josefa Maria da Conceyção, naturaes desta Freguesia e residentes, e receberão as bençoens nupciais. / O Coadjutor José Soares Diniz.”

(23) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Batismos em Santa Luzia,1818/1833 fl. 7 verso: “Aos vinte e nove de Outubro de mil oitocentos e dezanove na Capella da Quinta o Padre João Nepomuceno Pereira de licença minha baptizou e pos os Sanctos Oleos a Maria inocente filha legitima de João Teixeira de Abreu e Francisca de Souza Vianna; forao padrinhos Antonio de Souza Vianna e Josefa Fernandes de Azevedo de q.e se fez este asssento, o qual assignei. / O Vigr.o Emcomd.o Manoel Pires de Miranda.”

(24) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Batismos em Santa Luzia,1818/1833 fl. 64: “Aos dois de Agosto de mil oitocentos e vinte e hum na Capella da Quinta o Reverendo João Nepomuceno Pereira de Licença Parochial baptizou e pos os Sanctos Oleos a Silvana inocente filha legitima de João Teixeira de Abreu e de Francisca de Souza; forao padrinhos Luciano José de Moura e Josefa de Azevedo, molher de Antonio de Soiza Viana de que se fez este assento, que assignei. / O Vigr.o Manoel Pires de Miranda.”

 (25) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Óbitos em Santa Luzia, 1825/1873, fl. 144 verso: “Aos vinte e seis de Abril de mil oitocentos e sessenta e cinco sepultou-se dentro desta Matris de Santa Luzia, Ritta de Souza Vianna, de idade de 57 annos; solteira, a qual faleceo com os Sacramentos da Penitencia e Extrema Unção e foi encomendada Parochialmente, do que se fes este assento, que assinei. / O Vigário José Joaquim Teixeira.”

(26) Registro do falecimento de Bernardo de Souza Vianna – Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte: livro aberto em Sabará (óbitos, ago 1824 a nov 1873), para a Freguesia de Santa Luzia, fl. 1 verso.

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25 Comentários »

  1. Eduardo: Sou testemunha da importância da família Vianna em Lagoa Santa. Sua exposição está completa. É uma justa homenagem a um brilhante ancestral. Parabéns pelo trabalho e a gratidão dos lagoanos.
    Maria Marilda.

    Comentário por maria marilda pinto correa — 01/05/2011 @ 10:43 am | Responder

    • Marilda: Como sempre, você é muito gentil nos seus comentários. Fico feliz em saber que gostou.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/05/2011 @ 11:56 am | Responder

  2. Eduardo: Pesquisa bastante criteriosa e consistente. Nota dez com louvor. Vá em frente porque tem muito grifo a deslindar.

    Comentário por Bertha Viana Palhares Bigarella — 03/05/2011 @ 8:09 pm | Responder

    • Bertha: Muito obrigado pelo estimulante comentário.
      Um abraço do Eduardo

      Comentário por sumidoiro — 05/05/2011 @ 12:27 pm | Responder

  3. Prezado Eduardo de Paula:
    Quero cumprimentá-lo pelo brilhante trabalho de resgate nesta genealogia da família de Bernardo de Souza Vianna. Não só pelo aspecto documental, fartamente ilustrado, como também pela clareza e objetividade do texto. Parabéns.
    Em segundo lugar, gostaria de solicitar alguma orientação: este ano de 2011 é o centenário de nascimento de meu pai, Eurico de Sales Viana, natural daqui de Matozinhos, e estamos organizando uma genealogia da família.
    Sem querer abusar, gostaria de algumas dicas, indicações, etc., para que eu possa encontrar rumos.
    Contando com seu apoio, antecipo agradecimentos.
    José Aluízio Viana

    Comentário por José Aluízio Viana — 23/08/2011 @ 8:05 pm | Responder

    • José Aluízio:
      Agradeço suas gentilezas. Vou lhe enviar por email meu telefone. O assunto é vasto. Tentarei lhe ajudar.
      Um abraço do Eduardo

      Comentário por sumidoiro — 23/08/2011 @ 9:35 pm | Responder

  4. Eduardo, parabéns pelo trabalho. Pelo resultado, posso imaginar a dedicação empregada.
    Tenho uma pista para ajudar a desvendar a origem de Francisca de Souza Vianna,
    que será útil ao enriquecimento do seu belo trabalho. João Bahia Vianna

    Comentário por João Bahia Vianna — 26/09/2012 @ 5:17 pm | Responder

    • João:
      Vou entrar em contato com você pelo seu email. Muito obrigado por tudo.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 29/09/2012 @ 8:54 am | Responder

  5. Prezado Eduardo,

    Mais uma vez gostaria de parabenizá-lo pelo magnífico estudo.

    Gostaria de dizer que fiquei muito feliz em saber um pouco mais sobre meus antepassados. Sou descendente de Maria Cecília de Souza Vianna, filha do Tenente da guarda nacional José de Souza Vianna e Maria Cândida da Assunção Fonseca Ferreira, exatamente como meu tio-bisavô Leônidas Marques Afonso havia mencionado em seu livro HISTÓRIA DE JABOTICATUBAS, publicado em 1957.

    Em AFONSO, Leônidas Marques, HISTÓRIA DE JABOTICATUBAS, publicação do autor, Jaboticatubas, 25/mar/1957, 70 pags., à página 62:

    III – FRANCISCO ALVES DOS SANTOS // Nasceu no ano de 1816, na fazenda dos seus progenitores, pertencente hoje ao distrito desta cidade. // Era filho de Manoel Alves dos Santos e de D. Ana Joaquina Moreira de Castilho. // Casou-se, em primeiras núpcias, com D. Maria Cecília Viana, irmã do Visconde do Rio das Velhas e, em segundas núpcias, com D. Bernarda Viana, sobrinha da precedente, tendo sido, portanto concunhado do senador Manoel Teixeira da Costa, antigo político de Santa Luzia. // Dos seus dois matrimônios, teve muitos filhos, entre os quais os médicos Dr. Benjamim Torres e Dr. Francisco Viana Santos. O primeiro, filho de D. Maria Cecília Viana e o segundo, de D. Bernarda Viana. // Foi prestimoso chefe político em Jaboticatubas e, nesta qualidade, prestou, à sua terra natal, relevantes serviços já citados, no decorrer desta história. // Presidiu a Câmara Municipal de Caeté. Após a passagem de Jaboticatubas para Santa Luzia, gozou, neste município, de grande prestígio. Foi um dos primeiros vultos, no passado de Jaboticatubas. Gozava, entre os seus conterrâneos, de alto conceito, de muita estima e de grande respeito. Era homem justo, leal aos seus amigos, serviçal aos que lhe pediam auxílio e generoso para com os necessitados. // Faleceu no dia 3 de Janeiro de 1887, deixando grande descendência. O seu enterro foi solene e muito concorrido. Acha-se sepultado no interior da igreja matriz.” Residia em Jaboticatubas, MG, Brasil.

    Cordialmente,
    Eduardo Emílio Maia Marques

    Comentário por Eduardo Emílio Maia Marques — 07/03/2013 @ 2:57 am | Responder

    • Eduardo Emílio:
      Muito obrigado pelo comentário e pelas informações. Ficarão aqui publicadas, para que o público tenha acesso a mais esta parte da história dos Viannas.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 07/03/2013 @ 9:01 am | Responder

  6. Prezado Eduardo, seu blog foi muito útil para a pesquisa que estou fazendo sobre meus ancestrais. Sou bisneto de Maria Augusta Vianna Barbosa e as informações que aqui encontrei preencheram várias lacunas que persistiam.
    Parabéns e obrigado por compartilhar o seu imenso trabalho.

    Comentário por Tarcísio Americano Barcelos — 15/03/2013 @ 7:32 pm | Responder

    • Tarcísio:
      Fico feliz de saber que meu trabalho tem sido útil. Pretendo dar prosseguimento a essa pesquisa genealógica, pois possuo muitos documentos que continuo estudando.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 15/03/2013 @ 11:18 pm | Responder

  7. Aqui quem vos escreve é José Augusto de Vianna do Castello, neto de Dr. Augusto Vianna do Castello, se precisarem de mais dados da família Vianna do Castello e da Souza, estarei pronto a ajudar.

    Comentário por Jose Augusto de Vianna do Castello da Silveira — 07/08/2013 @ 1:56 pm | Responder

    • José Augusto:
      Que alegria receber sua mensagem. Sim, quero sua colaboração. Vamos entrar em contato.
      Muito obrigado, Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 07/08/2013 @ 7:44 pm | Responder

  8. Ola, Eduardo.
    Muito obrigada por essas informações. Eu sou Vianna, descendente de José, o terceiro filho de Bernardo Souza Vianna.
    Você acaba de me desvendar o parentesco com uma prima que eu adoro e sempre soube que era minha prima, pois nunca entendi como, pois ninguém na família sabia explicar. Acabo de descobrir, aqui, que ela vem do Antônio, primeiro filho de Bernardo S. Vianna.
    Sempre soube que era longe, mas não poderia imaginar que fosse tanto, hahaha. ela é trineta do Felicíssimo (adorei esse nome).
    Eu conhecia a minha árvore genealógica até o José, que era pai de Bernarda, que mesmo sendo mulher, por algum motivo, deu aos filhos o sobrenome Vianna e não o do marido. Graças a isso, eu cinco gerações depois dela, ainda carrego o sobrenome.
    Mais uma vez, muito obrigada por essas informações da minha própria história.
    Eu tenho um filho Bernardo, que ainda carrega o Vianna, porem seguido de Mello Franco (também de origem mineira).
    Um abraço, e tudo de bom pra você!
    Cristiana

    Comentário por Cristiana Vianna — 29/11/2014 @ 3:48 am | Responder

  9. Lendo e relendo seu post, me fez pensar que este João que você levanta a hipótese de ser filho de Bernardo, poderia talvez ser o João filho de Bernarda, que é o Joao R. Fonseca Vianna 1850/1900 ( Faz.Palmeiras, Itabira), pai do meu bisavô Arthur. Bernarda, como eu já disse antes, registrou os filhos com o sobrenome invertido, deixando o Vianna no final.

    Comentário por Cristiana Vianna — 29/11/2014 @ 5:14 am | Responder

    • Cristiana:
      Esse João do qual você fala é descendente do José de Souza Vianna. Este casou-se com uma Fonseca, por isso deu o tal sobrenome.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 29/11/2014 @ 9:38 am | Responder

  10. Li o seu trabalho sobre a família de Bernardo Viana e me interessei. Também sou Viana e venho procurando minhas origens. Meu pai sempre me dizia que um seu antepassado (Geraldo) teria vindo de Curvelo/MG. Esse antepassado tinha família em Curvelo e, um dia, abandonou a mesma e saiu sem destino, chegando em Januária/MG, onde constituiu nova família. Caso o senhor saiba alguma coisa sobre essa pessoa, por favor me comunique.
    Abraço, Antônio Henrique de Matos Viana.

    Comentário por Antônio Henrique de Matos Viana — 28/03/2015 @ 12:51 pm | Responder

    • Antônio:
      Vou entrar em contato com você pelo seu endereço de email.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 28/03/2015 @ 3:40 pm | Responder

  11. Olá, meu nome e Emmanuel Lucas Costa Viana. Sou de Lagoa Santa e Viana por parte de pai, que é bisneto de João da Costa Viana e neto de Euclides Viana. A família de meu pai possuía terras que se estendiam de Vespasiano a Jaboticatubas. Tenho 24 anos de idade e somente nos últimos 4 anos, sozinho, sem ajuda de ninguém, consegui perceber a importância histórica da minha família. Já trabalhei em cartório e somente encontrei matriculas de fazendas. Tenho imensa curiosidade de saber se, aqui na região, Viana e Vianna são os mesmos. Aguardo mais informações.

    Comentário por Emmanuel lucas costa viana — 17/07/2015 @ 1:33 am | Responder

    • Emmanuel:
      Vou responder suas perguntas pelo seu endereço de email. Vianna e Viana são sobrenomes presentes em toda essa região onde você vive. As famílias e os sobrenomes se misturaram. Contudo, há muitos documentos para você montar sua árvore genealógica. Vou lhe enviar alguns dados. Meu aplauso pelo seu empenho em descobrir seus antepassados. Quem não tem passado é nada.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 17/07/2015 @ 9:35 am | Responder

  12. Bom-dia. Amei essa história dos Viana. Sou Elizabete Rosa Viana e não consigo saber a história dos meus bisavós. Comecei a procurar na internet e encontrei esse blog maravilhoso. Vou continuar minha pesquisa, pois vi que tenho muito a descobrir até chegar em mim. Amei essa forma de guardar a história e vou tentar o mesmo, pois é muito importante é gostoso saber as origens da nossa família. Se tiver mais informações, peço que avise-me por email, por favor. Desde já obrigada.

    Comentário por elizabete — 12/04/2017 @ 10:30 am | Responder

    • Elizabete:
      Vou entrar em contato com você por email.
      Muito obrigado pelo comentário, Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 12/04/2017 @ 2:54 pm | Responder

  13. Desta ilustre família também descendia pelo lado materno, Dr. Edésio Fernandes (1913/1980 – Desembargador, natural de Dr. Lund, distrito de Pedro Leopoldo), cuja biografia foi publicada em 2013, pelo parente Edésio Fernandes Junior.

    Comentário por marcos maurício mendes lima — 19/07/2017 @ 5:47 pm | Responder

    • Marcos:
      É verdade, o ilustre Edésio Fernandes é um dos descendentes.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 19/07/2017 @ 10:16 pm | Responder


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