Sumidoiro's Blog

01/10/2011

A GRANDE VIAGEM

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 7:30 am

 ♦ A aventura de Luís Cáceres.

No século XVIII, um fidalgo e militar, Luís de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, foi um cidadão proeminente em Portugal. Como alferes, participou da guerra do Pacto de Família, um dos desdobramentos da Guerra dos Sete Anos(1), conflito que se desenrolou no período de abril a novembro de 1762. Em 1764, foi nomeado capitão e ajudante de ordens do governador das Armas da Beira. Por indicação do marquês de Pombal, o rei de Portugal, d. José I, o incumbiu de assumir o posto de 4º governador da capitania de Mato Grosso.  A nomeação foi assinada em 3 de julho de 1771 e, em 12 de outubro do mesmo ano, embarcou em Lisboa, com destino ao Rio de Janeiro, acompanhado de José de Almeida de Vasconcelos Soveral e Carvalho(2), designado governador para a capitania de Goiás. Quando a nave aportou, no dia 1 de dezembro – 51º da viagem –, os viajantes foram saudados, efusivamente, com tiros de canhão. 

Luís Cáceres, 4º governador de Mato Grosso.

No Rio de Janeiro, Cáceres permaneceu por seis meses, preparando a longa jornada até a sede da capitania de Mato Grosso. Em 25 de julho, chegou à Vila Boa(3), sede da capitania de Goiás, onde ficou Soveral e Carvalho e, em 27 de agosto, saiu novamente em viagem. Em 4 de outubro, chegou à Vila do Cuiabá e, no dia 12 de novembro, posseguiu rumo à Vila Bela da Santíssima Trindade, a capital, chegando em 5 de dezembro de 1772, após 116 dias nessa aventura por terra. Parte do percurso, de Lisboa ao Rio de Janeiro e daí a Paracatu – na comarca de Sabará – está relatado no diário de viagem. Coube ao sociólogo Gilberto Freyre a descoberta desse documento, que publicou em 1966. Trata-se de um manuscrito encontrado nos arquivos da Casa da Ínsua, antiga residência dos Albuquerques − família de Cáceres − em Penalva do Castelo, região da Beira, em Portugal.

O redator do diário não foi Cáceres, mas uma pessoa da comitiva, pois a última frase, relatando a chegada ao Rio de Janeiro, diz: “… chegou o Sr. Marques a buscar os Srs. Governadores que [nós!] levámos.” Os dois citados eram Cáceres e José de Almeida de Vasconcelos Soveral e Carvalho. Sem se esquecer de que, entre os recém-vindos, estavam duas figuras contrastantes, o capitão-engenheiro Salvador da Mota Franco(4) – egresso da cadeia do Limoeiro(5) – e um frade. O engenheiro tinha a missão de prestar serviços ao governo da capitania.

Quanto ao diário, cabe uma pergunta: quem escreveu o texto seria o verdadeiro autor ou teria recebido a incumbência de anotar um ditado? Parece que ambas as coisas e mais, o próprio Cáceres deve ter escrito algumas linhas. O governador de Goiás também deixou um diário, lavrado em duas caligrafias distintas, evidenciando que foi produzido por duas pessoas(6). O nome do redator oficial consta do próprio título: “Diário […] que do Porto e cidade do Rio de Janeiro fes […] José de Almeyda Vasconcellos de Soveral e Carvalho, para Vila Boa […] Por Thomás de Souza, Ajudante das ordens do Governo …” (7)

CÁCERES CONSTRUTOR

Desde jovem, Cáceres demonstrara interesse pela engenharia e essa vocação está representada em um dos seus retratos, no qual traz uma planta nas mãos. Na sua governança, fez um censo populacional, criou um tribunal de justiça e planejou uma ligação entre as bacias do Prata e da Amazônia. Fundou as cidades de Vizeu, Albuquerque, São Pedro Del Rei, Casalvasco e Vila Maria do Paraguai (às margens do Rio Paraguai), homenageando a rainha d. Maria I, mais tarde trocado por Cáceres. Implantou os registros de Jauru e Ínsua, para cuidar da cobrança de impostos. Promoveu expedições de demarcação de fronteiras, de investigação de minas de ouro e exploração de rios.

Um dos seus principais encargos foi a construção de um forte, em plena floresta amazônica, às margens do rio Guaporé, de forma a preservar às terras fronteiriças do Brasil com a Bolívia. No final do ano de 1773, fez uma grande viagem de reconhecimento da região, escolhendo o sítio para a edificação. O forte fica na margem direita do rio Guaporé, atual Guajará-Mirim, no município de Costa Marques, estado de Rondônia. Foi batizado com o nome de Príncipe da Beira, em homenagem ao filho de d. José de Bragança, neto primogênito de d. José I.

Luís Cáceres segurando uma planta e a Casa da Ínsua. 

Simultaneamente à edificação do forte, Cáceres enviava a Portugal plantas e recursos financeiros para a construção de uma magnífica mansão que abrigaria sua família, a denominada Casa da Ínsua ou solar dos Albuquerques. Ali foi depositada valiosa documentação, que o 4º governador de Mato Grosso levou consigo do Brasil, após 17 anos de serviços prestados à coroa portuguesa. O seu diário é parte da coleção. A Casa da Ínsua, hoje é um hotel de “charme” e museu, em Penalva do Castelo, a 25 km de Viseu, na Beira Alta.

O forte Príncipe da Beira, em Rondônia, que foi desmembrada de Mato Grosso, em 1943.

A primeira capital de Mato Grosso foi Vila Bela da Santíssima Trindade, instalada em 19.03.1752. Situada às margens do rio Guaporé, numa região de muita riqueza mineral, pela sua posição estratégica protegia o território brasileiro da cobiça dos espanhóis, que tinham a vizinha Bolívia sob seu domínio. Atendendo à recomendação do Conselho Ultramarino de Lisboa, com o objetivo de modernizar a antiga vila, foi elaborado um projeto para a nova cidade, em 1777. Dele existe uma cópia, arquivada na casa da Ínsua. Tem o seguinte título:

“Plano da capital de Villa Bella do Mato groço […] Cujo plano se levantou no anno d’1777, por direção do Govor e Capam General daquella Capta a mais Ocidental do Brazil, Luis d’Albuqe d’Mello Pra e Cáceres.”

Implantá-lo foi difícil missão de Luís Cáceres naquela terra longínqua, isolada e insalubre. Depois de pouco mais de meio século de existência, imensas dificuldades forçaram a transferência da capital para Cuiabá, o que se deu em 28.08.1835.

Plano da capital Vila Bela. 

Cáceres foi substituído pelo irmão, João de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, que também realizou um belo trabalho. Os planos do 5º governador eram ambiciosos e realizou aqueles que o tempo lhe permitiu, pois morreu cedo. Entre suas obras, iniciou uma catedral em Vila Bela, onde seu corpo foi sepultado. Em 1882, Pizarro de Araújo(8) escreveu:

 “João […] Cáceres […] Faleceu ahi a 28 de fevereiro de 1796 e jaz na Igreja Matriz da Capital, que elle havia edificado em sumptuosidade e não chegou a concluir.” 

João Cáceres e as ruínas da catedral de Vila Bela.

DIÁRIO DE NOTAS

Os autores foram bons informantes, tal a riqueza de detalhes do diário. Há um trecho, referente aos dois últimos dias da viagem por mar, em que a caligrafia é de Cáceres. Certamente, experiências compartilhadas durante a grande viagem se refletiram no conteúdo do relato.

Viagem de Luís de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres,

de Lisboa para o Rio de Janeiro e desta cidade para Paracatu (1771-1772)

PRIMEIRA ETAPA — Lisboa − Rio de Janeiro

Acento da derrota que fizemos de Lisboa para o Rio de Janeiro em o ano de 1771.

Dias do mês 12 [Outubro] Dias de viagem 1 Lat. da saída 38º

Hoje, sábado 12 de Outubro, saímos da barra de Lisboa às 8 horas e 3 quartos em o navio Santa Ana Carmo e S. Jorge em companhia de (em branco) navios e 2 fragatas, sendo comandante José Sanches de Brito; uma das ditas logo se dezapartou de nós, chamada S. João Baptista, fomos seguindo nossa viagem com vento nordeste fresco, tempo claro, mar chão e ao meio-dia estaríamos distantes da barra 9 léguas e a sul 9 minutos.

Dias do mês 13 – Dias de viagem 2 – Lat. 37º 52’

Hoje domingo se observou o Sol e ficamos na lat. e longitude a margem, ventos mais bonanças, tempo claro, mar chão a vista dos mais navios, excepto a fragata S. João; pelas 3 horas da tarde falámos com uma corveta francesa que vinha de Marselha e ia para Norte, apareceram mais dois navios e um passou por nosso sotavento e ia no bordo do Nordeste.

Dias do mês 14 – Dias de viagem 3 – Lat. 36º (Long.) 51”

Hoje segunda-feira se observou o Sol e ficamos na latitude a margem andamos 48 léguas e 01 minuto para o Sul, que foi o caminho que o navio fez para vários rumos que andou; ventos fortes e vários desde o Norte. até o OEste, o mar vagueado, tempo nublado, alguns borrifos de água. Apareceu um navio por nosso barlavento francês às 10 horas da manhã navegava a leste outro a este vento na borda do sul a vista de todos os navios da nossa conserva.

Dias do mês 15 Dias de viagem 4 Lat. 36º 18’

Hoje terça-feira sobreveio temporal e ficamos na Santa Ana; aragem vento bonança, mar vagado, tempo claro, fez a fragata sinal para os navios da retaguarda fazerem força de vela ventos Ne (Nordeste) Norte todos os navios da nossa conserva à vista. 

Dias do mês 16 Dias de viagem 5 – Lat. 35º 50’

Hoje quarta-feira observei o Sol, digo se observou o Sol e ficamos na latitude anotada, andamos de distância 49 léguas e para o sul 27 minutos. Ventos desde o Noroeste até o Nordeste, calmas, tempo não muito claro, o mar vagueado a vista de todos os navios.

Dias do mês 17 Dias de viagem 6 – Lat. 35o 24’

Hoje quinta-feira se observou o Sol e ficámos na latitude a margem, andou o navio de distância 44 léguas para o Sul 27 minutos desde às 8½ estivemos a capa até às 3 da tarde, o vento muito bonança a Nordeste; o mar chão o tempo claro à vista de todos os navios da conserva foi a Charrua à fala da fragata por esta lhe fazer sinal para isso deitou bota fora pelas 2½ da tarde.

Dias do mês 18 Dias de viagem 7 – Lat. 35º 05’

Hoje sexta feira não se observou o Sol por estar encoberto, porém fazendo a estimativa pela barquinha se julgou andar segundo o rumo aprazado seguindo 19 minutos para o Sul e de distância 13 léguas e ficar na linha (?) à margem ventos do N e e Nornordeste, bonanças, tempo nublado, mar chão apareceu um passarinho pequeno do feitio de canário e outros mais à vista de todos os navios da nossa conserva.

Dias do mês 19 Dias de viagem 8 – Lat. 34º 30’

Hoje sábado se observou o Sol e por ele ficámos na latitude na margem, navegando de distância em singradura 1/2 léguas e para o Sul 35 m, o vento muita bonança, desde o N até Oeste e por ela fomos no bordo do N até às 11½ que viramos no Sul, tempo claro, muito calor, mar muito chão, matou-se um passarinho ao 4o tiro pequeno; pescou-se uma Ca[senv]a pequena, veio a bordo o escaler da nau com hum capitão-tenente e um capelão pelas 2½ horas da tarde e se foi logo.

Dias do mês 20 Dias de viagem 9 – Lat. 34º 08’

Hoje domingo se observou o Sol e por ele ficámos na latitude à margem navegando de distância (em branco) e andou para o Sul 22 m, ventos bonanças desde o Ne até Oeste, mar chão, tempo claro, as 9½ horas da manhã avistámos uma baía. Os navios todos da nossa conserva à vista.

Dias do mês 21 Dias de viagem 10 – Lat. 33º 31’

Hoje segunda-feira se observou o Sol e por ficamos na latitude à margem fazendo andar o navio de distância 14 léguas e para o Sul 37 m., vento de viração desde o sueste até o nordeste, tempo claro e calma, mar chão, à vista de todos os navios da conserva. Fez a nau sinal com três peças e uma bandeira branca no tope da proa para os navios de barlavento arrulearem para o sotavento às 5½ horas da tarde.

Dias do mês 22 Dias de viagem 11 – Lat. 32º 35’

Hoje terça-feira se observou o Sol e por ele ficámos na latitude à margem navegando de distância 20 léguas e tendo de diferença de latitude 56 minutos, vento nordeste fresco. Tempo claro, mar pouco vagado às 8 horas falou a nau a 2 navios e um deitou bote fora.

Dias do mês 23 Dias de viagem 12 – Lat. 30º 54’

Hoje quarta-feira se observou o Sol e por ele ficamos na latitude à margem navegámos de distância 31 léguas e tivemos de diferença da latitude r°- 41′ vento nordeste fresc o, o mar vaguado tempo claro. Pela r hora da tarde fez a nau sinal de navio de mais as da nossa conserva a vista todos.

Dias do mês 24 Dias de viagem 13 – Lat. 28º 38’

Hoje quinta-feira se observou o Sol e por ele ficámos na latitude à margem navegamos de distância 4½ léguas. Fizemos de diferença de latitude 2º – 16 m., ventos nordeste e lesnordeste. Tempo claro. Mar vagueado. Às 11½ horas falámos à fragata a despedir-nos para seguirmos nossa derrota; e esta logo fez sinal aos mais navios para fazerem força de vela, avistamos uns voadores.

Dias do mês 25 – Dias de viagem 14 – Lat. 26º 03′

Hoje sexta-feira se observou o Sol e por ele ficamos na latitude à margem. Navegamos de distância 46 léguas e para o Sul, andamos 2º 35’, vento forte desde o Norte até Leste, mar vagueado, tempo claro pela manhã se avistavam umas baleias, adoeceu o piloto e à tarde o capitão quis fazer exercício e determinou à gente cada um para seu posto, pela manhã ainda 4 navios da nossa conserva apareciam.

Dias do mês 26 – Dias de viagem 15 – Lat. 23º – 07’

Hoje sábado se observou o Sol e por ele ficámos na latitude à margem andámos de distância 528/10 léguas e para o Sul 2º – 56′ vento leste e Lesnordeste, mar bastante vagueado. Tempo claro. Já se não viu navio nenhum.

Dias do mês 27 Dias de viagem 16 – Lat. [em branco]

Hoje domingo se observou o Sol e por [ele] ficámos na latitude à margem, navegámos de distância 51½ e tivemos de diferença de latitude 2º 52’, ventos os mesmos, porém mais bonanças. Tempo claro. Mar pouco vagueado. Aparecerão alguns gafanhotos e uns passarinhos pequenos. Levantou-se o piloto, apareceu um navio muito a leste em que ia no bordo do Sul o que se julgou ser da nossa conserva. Hoje se sentiu mais calor que os mais dias.

Dias do mês 28 Dias de viagem 17 – Lat. 18º 47’

Hoje segunda-feira se observou o Sol e por ele ficámos na latitude à margem andámos de distância 27 léguas e para o Sul 1º 28’ ventos bonanças desde o Norte. Leste tempo algum tanto nublado mar chão, apareceu mais outro navio também no bordo do Sul e se via juntamente a outro na mesma distância.

Dias do mês 29 Dias de viagem 18 – Lat. 16º 50’

Hoje terça-feira se observou o Sol e por ele ficámos na latitude à margem andou o navio de distância 35 léguas e para o Sul 1º 57‘ ventos bonanças desde o Norte até Leste e pela manhã calma mudança de pano, aparece mais outro navio que com os dois que apareciam fazem 3. Viram-se muito bandos de avoadores.

Dias do mês 30 Dias de viagem 19 – Lat. 14º 55’

Hoje quarta-feira se observou o Sol e por ele ficámos na latitude à margem, andou o navio de distancia 35 léguas e para o Sul 1º 55′, ventos nordestes. Tempo claro. Mar muito pouco vagueado. A vista dos mesmos 3 navios.

Dias do mês 31 Dias de viagem 20 – Lat. 12º 21’

Hoje quinta-feira se observou o Sol e por ele ficámos na latitude à margem. Andou o navio de distância léguas 34½ e para Sul 2º 34’. Vento fresco nordeste e Lesnordeste, tempo claro, mar chão, à vista de dois navios somente. Deu o capitão muitas palmatoadas num marinheiro por escaldar um rapaz.

Novembro Dias do mês 1 Dias de viagem 21 – Lat. 10o 35’

Hoje sexta-feira se observou o Sol e por ele ficámos na latitude à margem. Andou o navio de distância 33 léguas e para o Sul 1º 50’ vento bonança Leste e Lesnordeste e Nordeste. Tempo claro, mar chão. Os mesmos dois navios. […]

Dias do mês 28 Dias de viagem 48 – Lat. 21º 44’

Hoje quinta-feira se não observou o Sol porém segundo o que o navio andou pela barquinha nos fizemos ficar na latitude à margem e andar de distância 45 léguas e para o Sul 2º 20’. Ventos frescos desde o nordeste até noroeste. Céus nublados de dia. Mar chão.

Dias do mês 29 Dias de viagem 49 – Lat. 21º 15’

Hoje sexta-feira se não observou o Sol por estar nublado, porém segundo o que o navio andou ficámos na latitude à margem. Andou o navio de distancia 53 léguas e para o Sul 31’. Ventos frescos desde o Nordeste até Noroeste. Tempo nublado. Mar algum tanto vagueado. Às 11 horas do dia por se verem as águas amansadas se andou e se achou de fundo 25 braças e logo depois se viu terra a que se julgou ser as ilhas de Santa Ana. Viemos navegando até à noite que estávamos com o Cabo Frio, e depois se ferrou tudo e fomos assim até à meia-noite, falámos a uma lancha de pescaria às 2 horas da tarde para o que se lhe atirou 1ª peça.

Dias do mês 30 Dias de viagem 50 – Dias 50 e 51 – [letra diferente, presumivelmente de Cáceres].

Pela manhã estávamos com uma terra alta, chamada a Ponte Negra N.O.S.E. coisa de 3 léguas e não se via por causa de estar neblinado e víamos na terra com ventos vários de ocaso bonançoso e pelas 8 horas víramos no mar e veio uma lancha de pescadores e atiramos-lhe uma peça cujo a bordo tomámos um homem para prático por estar neblinado a terra depois. E chamada Sacaremar que fica antes de chegar a Ponte Negra. Fomos no bordo de mar até à 1 fora da tarde que veio o vento para o Sul. Fiz com proa de E.So. e pelas 6 horas da tarde clariou e vimos umas ilhas, que estão distante da barra 3 léguas chamadas Achenda, mas como era tarde e a noite de neblina virámos no mar até à meia noite e pela meia noite virámos na terra pela manhã estávamos distante da dita ilha as mesma três léguas mas mais ao Sul e fomos buscar a barra, o vento abonançou que esteve quase calma pela 10. Pelo meio-dia do dia 51 estávamos Leste-Oeste com uma ilha chamada a Oraza, isto de frente da barra 2 [11?] léguas e pelas 3 na barra e pelas 4½ de mar fundo; a fortaleza da barra tinha ordem para nos salvar o que fez com 17 peças e nós recebemos com 15 de chegando nós até à ilha chamada dos Natos [?] chegou o Sr. Marques a buscar os Srs. Governadores que levámos.”

Mapa do Caminho Novo, em 1812, por John Mawe.

Para adentrar em Minas Gerais, Cáceres escolheu o Caminho Novo, que ligava o litoral do Rio de Janeiro a Vila Rica, daí prosseguindo até Sabará e, em seguida, tomando o rumo do sertão. Assim foi descrita parte da viagem pelo território brasileiro:

SEGUNDA ETAPA — Rio de Janeiro − Paracatu

Notas e desenhos de Luís de Albuquerque na viagem do Rio de Janeiro a Paracatu.

António Pinto recebeu de mim no Rio de Janeiro 105.000 e tantos reis. Recebeu mais 74.000 e tantos reis.

[Segue um quadro com distâncias em léguas entre cada parada]

17 de Maio de 1772 − Paulo Pereira

Pelas 8½ horas da manhã saímos do Rio de Janeiro; passámos a Baía até o Porto da Estrela até uma hora depois do meio-dia; ali jantámos e saindo pelas 4 da tarde chegámos ao rancho ou pousada chamada de Paulo Pereira que são duas léguas que tem comodidade bastante entra-se no fim da Baía pelo pequeno rio chamado Inhumerim e duas léguas acima se acha o porto da Estrela o caminho de lá até Paulo Pereira é muito bom guarnecido de muitas pequenas roças. Passam-se três pequenos riachos em pontes de madeira. [Seguem distâncias entre paradas]

Porto da Estrela, em uma gravura de Rugendas (início do sec. XIX).

18 de MaioManuel Correia

Partimos de Rancho do capitão Paulo Pereira às 5½ horas da manhã; e às 11 chegámos ao Rancho de Manuel Correia; passou- se a serra dos orgãos que são duas léguas de distância. Sobe-se muito e desce-se pouco: a subida da serra é muito áspera e perpendicular no meio da serra à uma pequena roça e no fim dela, aonde chamam Rio Seco há um rancho que tem comodidades; légua e meia dali está o rancho de Itamarati bastante cómodo tendo daí até Manuel Correia é bom caminho passam-se duas ribeiras ou 3, e uma delas em Itamarati se passa numa ponte de madeira, a ribeira chama-se Piabanha. Choveu muito e fez tal frio que foi preciso chegar ao fogo. [Seguem distâncias entre paradas]

19 de MaioFagundes

Saímos do rancho de Manuel Correia às 5½ horas da manhã; chegámos à Rosinha do Fagundes pelo meio-dia. São 6 léguas de distância; anda-se 1 légua e meia à borda da ribeira Piabanha, o mais é caminho passageiro mas sobem-se e descem-se muitos morros; param-se muitos pequenos ribeiros em más pontes de pau; e por vários regos à borda do caminho chamados Pedro Martins secretário Fagundes o Paiol Boa Vista: é todo o País de bosque virgem; somente perto das roças tem algum bocado desbravado. São 5½ as pontes chamam-se a ponte da Cidade a ponte de Pedro Martins é grande sobre a Piabanha, Ponte Pequena de Magé, há mais 4 pequenas e a ponte de Secretário, Ponte de Fagundes.

20Paraíba

Saí da Rosinha do Fagundes às 5½ da manhã, e chegámos a Paraíba às 10½; andaram-se 4½ léguas; quase todo o caminho é bastante bom, ainda que sempre se descem e sobem morros diferentes; o País é muito semelhante ao de Portugal, na vista geral, quando lá é mês de Maio; encontram-se neste caminho várias roças ou ranchos passageiros; a meia légua da Paraíba, se vem encontrar a estrada de terra firme que vem do Rio de Janeiro. O rio Paraíba corre para a banda de N.E. 4a. Neste sítio defronte da passagem corre muito arrebatadamente, terá quarenta braças de largo, pouco mais ou menos é muito profundo, tem neste sítio uma pequena guarda ou regimento com um oficial de auxiliares e seu destacamento. Pára-se em uma grande barca. Saindo da Rosinha do Fagundes passa-se pelo lugar das Cebolas, lugar da Laje, de Silva Moreira e pára-se um pequeno regato lugar de Castro Borges; pára-se outro pequeno regato, mais outro lugar de Castro Borges; Rosinha da Silva Moreira às 7 horas e ¾, chegámos ao alto do monte do Governo, lugar chamado do Governo, daqui ao lugar de onde tínhamos saído são duas léguas, pára-se num regato à saída do monte do Governo é muito perpendicular; passámos o ribeirão do Luca que tem uma ponte de madeira, outro ribeirão do luca que tem sua ponte, Ribeirão do Luca. Fomos cumprimentados pelo comandante da guarda, homem de bom gosto, o qual foi cortar uma boa porção de laranjeiro com muita laranja só afim de desembaraçar a vista das casas em que fiquei.

21 de MaioParaibuna

Saí da Paríba às 5¾, da manhã; chegamos às 10¾, a Paraíbuna; são 5 léguas pequenas, porém como o caminho em algumas paragens é péssimo, principalmente no morro da Cachoeira, representa-se duma grande dificuldade a dita paragem da Cachoeira se acha a três léguas da Paraíba e dela até o registo de Paraibuna todo o caminho é subir e descer muito; a distância de duas léguas da Paraíba se acha o rancho chamado a Farinha, é tudo caminho por entre bosques, param-se alguns regatitos pequenos da Paraíba. A Paraibuna é um rio um pouco mais largo que a Paraíba mas com muito menos águas tem da banda da Paraíba o rancho que é bastante mau e da outra parte um capitão de auxiliares com guarda do registo e o provedor também assiste ali; a passagem da barra da Paraíba junta com a da Paraibuna rendem anualmente ao rei 115 ou 116 mil cruzados. A 5 ou 6 léguas de distância daqui se mete até o rio Paraíba e principia a haver gentio chamado Curuado e Tupu, há outros chamados Chaputos e Ainia fazem seu comércio às vezes recebendo facas machados e trazem macacos papagaios, cera. Na Paraibuna estavam dois destacamentos um de dragões comandado pelo conde de Valadares e outro de auxiliares pretos, o comandante do regimento fez mil homenagens, puseram luminárias, etc. [Seguem distâncias entre paradas]

22 de MaioMatias Barbosa

Saí da Paraibuna às 6 e ¼ não podendo ser antes por conta do regimento e passagem da barca: cheguei a Matias Barbosa às 11 e vinte minutos: logo que se entrou na capitania de Minas, se acharam seguindo os ordinários do Sr. Conde de Valadares os lameiros belamente compostos de novo, os lameiros não são maus somente logo adiante de Paraibuna há os morros chamados os 3 irmãos que tem muitas subidas e descidas; passamos por algumas roças ou ranchos muito bons, o País é excelente tem um ar admirável: a distância uma légua passámos pela Rocinha da Negra meia légua adiante os três irmãos adiante mais o lugar da várzea rancho de Simão Pereira freguesia de N. Sr.a da Glória e lugar de Simão Pereira a Rocinha do Paraíso tem uma pontezinha; uma parte do caminho anda-se à borda da Paraibuna; da Paraibuna a Matias Barbosa são 5 léguas. O capitão Manuel do Vale administra o regimento que aqui se acha que rende para o rei anualmente entre 350 e 400 mil cruzados todas as cabeças pagam uma entrada; ou passagem e da mesma sorte as fazendas, todos que passam para Minas; o capitão Manuel do Vale Amado era o provedor do regimento, homem muito generoso e magnífico; aqui se apalpam e examinam as pessoas que vem de minas; aqui deixei um dos meus pretos doentes.

23 de Maio Juiz de Fora

Saí do regimento pelas 6 horas da manhã e cheguei ao juiz de Fora pelas 10¾ são 4 e ½ léguas, o caminho tem algumas subidas e descidas bastante ásperas, passa-se pela Rosinha do Medeiros lugar do Marmelo, aonde passa a ribeira Paraibuna e se torna a encontrar no mesmo lugar de juiz de Fora mas, se deixa à esquerda, passam-se duas pequenas pontes de madeira neste caminho costumam andar patrulhas para guardar a entrada e a busca aos diamantes; aqui se matou uma garça que se copiou.

24 de MaioO Engenho – Francisco Nunes Correia

Saí às 4 horas da manhã cheguei às 11¾ ao lugar chamado o Engenho; são 6 léguas de distância, o caminho não é muito bom, principalmente em algumas paragens onde se sobem e descem muitos morros; depois de sair do juiz de Fora, passa-se pelos lugares – Alcaide-Mor, Rosinha de Alcaide-Mor, Rosinha de António Moreira; à distância de duas léguas se acham uma ponte chamada da Cachueira, ao pé fica o morro deste nome, o lugar de António Moreira; ponte de madeira tem de comprimento esta ponte 60 braças e uma de largo; segue-se o lugar do Queirós onde ouvimos missa e assiste o vigário da freguesia; Rocinha de Queirós; junto desta Rosinha se acha um caminho feito de madeira que terá 75 braças em lugar pantanoso e no fim tem sua ponte indo de Azevedo; depois de chegar ao Engenho se achou doente um familiar da Paraíba; achou-se menos uma de minhas espingardas; e sucedeu a novidade de se cortar a língua a hum cavalo de Manuel Rodrigues; são 6 léguas.

25 de MaioFazenda de Francisco Gomes

Saí do Engenho ou fazenda de Francisco Nunes Correia às 7 e¼ da manhã, chegámos às 10¾, à fazenda de João Gomes; são 3 léguas; o caminho não é mau mas se sobem e descem muitos morros; passa-se uma ponte com um bocado de estrada de madeira; lugar de Luís Ferreira, Rosinha de Luís Ferreira ao pé passa um pequeno regato, lugar de Pedro Álvares, fazenda de Pedro Álvares; Rosinha de Pedro Álvares, Rosinha de Francisco de Macedo, na Rosinha de Pedro Álvares há comodidade bastante – 3 léguas.

26 de MaioManuel Dias ou Borda do Campo ou José Aires Gomes

Saí de Francisco Gomes às 4 e ½ da manhã, cheguei às 10 e ½ a Borda do Campo; são 6 léguas de distância; passa-se primeiramente pelo lugar de Pinho Velho, Pinho Novo, ponte da Mantequeira, aqui se passa um regato de água e nele principia a serra da Mantequeira que é um pouco áspera, o lugar de Calheiro ao pé tem uma estrada de madeira e se passa logo um pequeno regato; de Francisco Gomes ao princípio do campo são 4 e ½ léguas, acha-se ali um pinhal de árvores grandes e logo se segue o chamado campo que é um paul que a pequena distância se parece muito com o de Portugal, não tem mato ali, nos esperavam companhias de auxiliares com o seu major e diversos oficiais de auxiliares e ordens e outros indivíduos; chegando a Manuel Dias a pequena distância antes da roça se acha um pequeno regato com sua ponte e logo aqui se aparta para a esquerda o caminho pelo rio das Mortes; aqui vi linho, trigo, pessegueiros, pereiras, macieiras, marmeleiros; também há perdizes muito grandes, codornizes como as perdizes de Portugal; 6 léguas.

27 de MaioIgreja Nova

Saí da Borda do Campo ou José Aires no dia 26 depois de jantar e vim dormir à Igreja Nova onde chegamos cedo ainda, são 2 e ½ de distância, é País muito limpo e fértil, tem semelhança com o País de Portugal aonde não é Montanhoso passam-se duas pontes pequenas, uma maior de 15 braças onde foi o registo Velho, que é agora em Matias Barbosa; logo no lugar de José Aires ou Borda do Campo passa-se perto do rio das Mortes, e se torna a passar no Registo Velho depois o lugar de João Ribeiro, depois a uma pequena ponte; o arraial da Igreja Nova terá 50 casais de moradores, a Igreja que está principiada mas pouco adiantada em edifício, é um sítio muito airoso e bonito – 2½ léguas. A 10 léguas daqui se acham índios bravos chamados Botecudos e Pueris e actualmente se trabalhava na conquista deles.

28 de MaioAbranches

Saí da Igreja Nova às 7 horas da manhã, cheguei às 11 e ½ à fazenda de Abranches; são 4 léguas, todo o caminho é de campo excelente passa-se a duas léguas de distância por um bom rancho chamado o Ribeirão de Alberto Dias; pouco antes se achava um destacamento de auxiliares fardados de azul e amarelo; e dali légua e meia outros muitos fardados de branco, e à porta do Manuel Abranches estava uma companhia de ordenança – 4 léguas. Adiante do ribeirão se passa pelo lugar das Caveiras, que tem junto uma pequena ponte e o lugar da Cangalheira com seu regato e ligando Alberto Dias com sua pequena ponte, a 3 léguas da Igreja Nova deixamos o caminho da ressaca, que é o verdadeiro e tornamos a direito para Casa do Abranches e daqui a uma légua se mete outra vez no verdadeiro caminho a estrada.

29 de MaioO Engenho do Campo

Saí do rancho do Abranches às 7 e ½ da manhã e cheguei ao Engenho do Campo aos ¾ para uma hora; são 5 léguas de distância, bom caminho, avista-se de campo oito ou 9 léguas de horizonte, passa-se pelo lugar do Carandali, onde corre um rio pequeno que se mete no rio dos Mortos a bastante distância pelo lugar da fazenda das Taipas, perto passam dois regatitos com suas pontes: no lugar do engenho se achavam ordenanças, são 5 léguas.

30 de MaioBananeiras

Saí do Engenho do Campo às 6 e ½ da manhã, e cheguei às Bananeiras às 11, são 4 léguas de distância, o caminho é de Campos excelentes; passa-se pela Rosinha da Peropeva que tem sua pequena ponte lugar de Peropeva também com sua ponte de madeira e ribeirão do Inferno tem sua ponte; sítio dos Mulatos, lugar da Badeirinha, ponte das Bananeiras; no casal estava uma companhia de ordenança chamada Nobreza; e nas Bananeiras se achava a outra companhia; são 4 léguas. Adiante está o arraial de Cárijós a distância de meia milha.

31 de MaioChiqueiro

Saí das Bananeiras às 5 horas da manhã e cheguei ao Chiqueiro aos ¾, para a uma hora, são 7 boas léguas; o caminho é muito bom menos a serra de Deus te Livre que se passa a 5 léguas das Bananeiras, é sumamente áspera; passa-se pelo arraial dos Carijós a um 4o de légua das Bananeiras tem hoje poucos moradores mas sendo bastantes casas de taipa, é freguesia, depois pelo rancho novo, ponte das Congonhas sobre o rio do mesmo nome que desce a caminho da vila Rica, da de S. João de el-rei, alho da varzinha rancho da varzinha, com sua pequena ponte; lugar dos Carreiros rancho dos Carreiros arraial do Ouro Branco aonde ouvi missa; tem sua igreja e bastante moradores; rancho perto do morro no meio da serra Deus te Livre, tem um rancho novo, rio das Lavrinhas, rancho das Lavrinhas. No arraial do Ouro Branco havia uma companhia de auxiliares a cavalo; por todo este caminho se acham muitas lavras de ouro.

Sé de Mariana, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, tal como Cáceres não viu.

Quando relata o deslocamento para Vila Rica, o autor do diário fez referência ao povoado de Mariana que, embora estivesse fora da rota principal, era muito próximo e despertara interesse. Os comentários foram desabonadores, dizendo não haver “coisa notável”, nem a casa do bispo ou sequer a igreja da sé. De fato, o templo ainda era em taipa, pois a atual configuração, com as paredes externas em pedra e cal, data do ano de 1798.

1° de JunhoVila Rica

Saí do Chiqueiro às 6 e ½ da manhã e cheguei a Vila Rica às 12 e ½, são 3 léguas, passamos pelo sítio chamado Capão de Olanda, lugar do Pinheiro, que perto tem um regato com ponte de madeira; Capão de José Correia, sítio de José Correia, que ao pé tem seu ribeirão; aqui se achava um esquadrão de cavalaria auxiliar; depois pelo sítio das 3 Cruzes; Venda Nova, aonde havia outro esquadrão de cavalaria auxiliar, a uma légua de Vila Rica chamada Tapué se acha o general Conde de Valadares com as suas gentes; e logo adiante estava o esquadrão chamado da Nobreza bem fardado de encarnado com boa música, depois se continuou a marchar para a vila aonde se achavam debaixo das armas vários corpos de auxiliares: brancos, mulatos, negros, com suas respectivas músicas. Vila Rica é uma povoação grande terá 13.000 habitantes situada sobre vários morros, quase que forma uma só rua que terá quase de comprimento uma légua tem duas freguesias, uma do Ouro Preto, outra de António Dias; tem duas Igrejas grandes e asseadas; tem intendente e fundição, provedor da fazenda intendente e ouvidor; o Palácio do Governador é pequeno, posto que por todo o lado se trabalha em minerar; dali duas léguas está Mariana, é uma povoação chamada cidade mas não merece o nome, perto passa o ribeirão do Carmo, que corta o caminho de Vila Rica até à de Mariana; aqui não há coiza notável; a casa do Bispo é muito fraca; há um seminário e a Igreja que serve de Sé é também coisa ordinária.

8 de JunhoArraiais de Santo António da Casa Branca

Saí de Vila Rica à uma hora depois de meio dia e cheguei aos arraiais às 5¾, são 3 e meia léguas; passa-se a meia légua da vila, a serra de S. Borromeu mais trabalhosa de caminho que passei, pois sempre se vai em grandíssimo perigo; passa-se uma pequena ribeira com sua ponte de madeira, chamada a ponte dos Taboões, aqui se achavam tropas de auxiliares e dão a sorte no arraial aonde achei um civil do general conde de Valadares com um cavalo de presente; o conde com todos os oficiais e ministros veio acompanhar até o meio da serra, mandou dar descargas, formar tropas, etc. Este arraial terá 50 vizinhos; aqui encontrei algumas gentes do rio das Velhas.

9 de JunhoFazenda do Coronel Luís José Sota

Saí do Arraial de Santo António da Casa Branca às 7 horas da manhã, e cheguei às 2 e ½ da tarde; são 6 léguas e meia; passa- se pelo rancho da Portela, o alto do Gravata, lugar da Ponte Nova, e aqui perto passa o rio da Velhas, tem sua ponte de madeira que terá 16 léguas de comprimento, corre para o Norte, aqui há umas grandes lavras de ouro; passa-se pelo areal do rio das Pedras que é bonito, tem sua ponte, que terá 10 braças, ribeirão manso com sua ponte rancho do Coche de Água, ribeirão dos Machados, Santo António do rio das Velhas, aonde também passa; perto deste areal se acha um negro há vinte e tantos anos dormindo debaixo de uma árvore, e passeando de dia ao redor do caminho, sempre nu, sem falar a ninguém traz sempre um pequeno cliveite consigo na mão, que não deixa beijar a nenhum branco, somente aos negros; come sempre no chão alguma coisa que se lhe dá.

10 de JunhoSabará

Saí de casa do coronel Luís José às 6 da manhã e cheguei às 11¾ ao Sabará. São 5 léguas, o caminho é muito mau, quase todo cheio de morros; passa-se sempre quase à borda do rio das Velhas que de uma parte e outra está cheio de lavras de ouro, de serviços de roda e outros trabalhos dificultosos; passa-se primeiramente pelos sítios chamados: Engenho de Água, com seu pequeno regato arraial de Santa Rita que é bonito, que tem uma ponte de pau que terá 60 braças passa-se pelo rancho do Padre Pequenino, Ribeirão do Padre Pequenino com sua ponte, arraial dos Raposos com sua ponte chamado Borumado arraial Velho, etc. Encontramos muitos destacamentos de tropas auxiliares para honrar – a terra de Sabará terá 6.000 ou 7.000 habitantes, tem ouvidor, intendente, etc. – aqui me demorei um dia mas de tarde marchou alguma parte da comitiva para Santa Luzia.

Sabará, em 1842, setenta e um anos depois da passagem de Cáceres. (Gravura de Heaton & Rensburg)

12 de JunhoSanta Luzia arraial do Figueiredo

Saí do Sabará às 5 horas e meia da manhã e cheguei ao arraial às 9 da manhã. São 3 léguas de distância passam-se dois morros de muito mau caminho, e logo adiante do pequeno arraial de S. Gonçalo se passam os lugares do Alto da Suledade, o Corgo da Lage e o dos Cordeiros, ambos com suas pontes. O arraial de Santa Luzia é grande e bonito, ali achei várias ordenanças, encontrei a partida de Goiás que trazia os 5.os e vieram acompanhados por vários oficiais de ordenança. Aqui se torna a encontrar o rio das Velhas. De tarde fui dormir ao Fidalgo aonde fui dormir [sic] e se pousou com pouca comodidade; a três léguas de Santa Luzia se encontra ao todo deste uma lagoa, chamada a lagoa Santa Cruz, sua água é muito medicinal; também se passa logo em Santa Luzia uma grande ponte sobre o rio das Velhas; e mais adiante 2 léguas até o ribeirão da Mota com sua ponte de madeira – São de todo 4 léguas.

13 de JunhoJagoará e Pão de Cheiro

Saí do Fidalgo às 6 horas e cheguei à Jaguará às 9¾, são 3 léguas, o caminho é do Sumidouro que terá um 4o de légua de comprido, e 400 passos de largo; a 2 léguas de distância se acha há esquerda outra lagoa pequena. De tarde sai de Jagoará e cheguei ao Pau de Cheiro, são 3 léguas, cheguei pelas 5 horas. No Jagoará torna a passar o rio das Velhas, que se não vê mais, e vai meter-se no rio de São Francisco; é uma passagem muito bonita com engenho de açúcar, de cerrar madeira. Situação airosa; lavras de ouro de meia 8a por semana, é fazenda muito grande, tem mais de 8 léguas de comprimento. Da Jagoará para diante encontram-se algumas pequenas lagoas, à direita do caminho também há uma à esquerda, tudo é bom caminho campo excelente, a estrada segue a direcção de Oeste.

14 de Junho e 15O Melo

Saí do pau de Cheiro às 4 e ½ da manhã, cheguei às 10 ao Melo, são 6 léguas, é país de campos, e tudo quase bom caminho; passa-se pelo registo de requitibá onde costuma patrulhar uma partida de dragões de Vila Rica; tem ao pé uma ribeira do mesmo nome com sua ponte de madeira; passa-se pelo sítio e rancho da Taboca, e também tem sua ribeira com pontes, etc. A 15 também me demorei aqui todo o dia, se fizeram várias caçadas de perdizes cordonizes, periquitos, rolos e outros pássaros. Da Taboca para diante é arcebispado da Baía até o rio de S. Francisco; e dali para diante até os arrependidos é bispado de Pernambuco.

16 de JunhoMaquinez

Saí do Melo às 3¾ da manhã; e cheguei ao Maquinez às 9 e ¼. São 6 léguas, o caminho é muito bom, passa-se pela ponte do Melo, sítio da Tabuquinha com seu regato ao pé, sítio da Onça onde há seu rancho, aqui passa um pequeno ribeiro do mesmo nome com sua ponte de madeira; aqui abarraquei pela primeira vez e matei muita pomba e rôlos; é um rancho muito mau.

17 de JunhoFalcão

Saí do Maquinez às 3 e ½ da manhã, cheguei ao Falcão às 9 e ½, são 6 e ½, é caminho muito bom, o País é planície mas com algum mato pequeno, passamos pelo ribeirão da Venda Nova, sítio da Venda Nova, sitio do Sicuriú onde há uma má casa, aqui abarraquei e se lançaram ao pasto as bestas é muito mau sítio aqui adoeceu o António Coelho.

18 – 19 de JunhoBicudo

Saí de Falcão às 4 da manhã e cheguei ao Bicudo às 9. São 5 léguas; o caminho é planície com algum mato miúdo e muito campo; passa-se dois ribeirões e estes sem ponte, e junto do rancho passa um ribeirito chamado o Bicudo com sua ponte de madeira muito má. Em o dia 19 ficamos neste mesmo sítio do Bicudo por causa de não aparecerem 10 bestas as quais eram das que conduzem o mantimento e estas botando-se ao pasto se meteram ao mato, motivo da nossa demora deste dia, daqui por diante, em dois dias antes se acham muitos carapatos pelo mato, que se pegam muito e mordem; há muitos pássaros chamados João de Barros que são galantes pelos ninhos que fazem com sua divisão, há muitos veados, emas, perdizes, codornizes, rolas, etc., algumas Onças, Arataz.

20 de JunhoPindaibaz

Saí do Bicudo pelas 4¼ da manhã e cheguei às 10 ao Pindaibaz; são 5 léguas; o caminho é todo excelente de campos com algum pouco mato de quando em quando; passámos uma pequena ribeira sem ponte pelo rancho da Sereja com seu regato ao pé, quando daqui saiu o caseiro com duas cargas um soldado e outro auxiliar se perdeu um macho do caseiro e depois apareceu.

21 de JunhoAndré Quinê

Saí das Pindaibaz às 3½ da manhã, e cheguei às 9 a André Quinê; são 6 léguas, o caminho é excelente, tudo campo plano, com algum pouco mato de quando em quando. Passa-se o ribeirão do funil e o do Boi, ambos sem ponte; foi o pior rancho que até aqui apareceu, não havia nada de comer; aqui vimos veados e muitos Tuanois.

22 de JunhoEspírito Santo

Saí de Andre Quinê às 4¼ da manhã, cheguei ao Espírito Santo às 10, são 7 léguas boas; o caminho é muito bom de campos até 4 léguas de André Quinê, daí por diante passa-se uma grande decida de mais de meia légua de mau caminho. Saindo do rancho antecedente passa-se pelo regato perto, sem nome, com sua pontinha; passa-se mais o ribeirão da lage, o ribeirão fundo e rio do Espírito Santo, todos sem ponte. Há muito tatu, muita arara, papagaios, macacos; e Tamandua de Bandeira; o rancho do Espírito Santo não é coisa grande, mas é melhor que o antecedente. De noite choveu muito, mas melhorou de manhã; por todo este território fazia de noite e de manhã principalmente muito frio, e assim continuou até o Paracatu.

23 de JunhoAbaete

Saí do Espirito Santo às 6½ da manhã, cheguei ao Baete às 10. São 2½ o caminho é bom até o rio de S. Francisco, mas pantanoso, é uma légua de distância. O rio de S. Francisco corre para o Sul no sítio da passagem, mas logo toma para Oeste, é muito grande, há de ter 700 passos de largo, passa-se em canoas atadas uma à outra, tem na margem ocidental umas más cabanas para os passadores e diante dele, légua e meia, está o rio Abaete, que se mete no meio [do] rio de S. Francisco légua abaixo, e que terá 320 passos de largo, passa- se em canoa; tem um rancho na margem Setentrional, aonde me acomodei. Em ambos estes rios costuma haver muitas sezões e tem muitos peixes serabis e douradas muito grandes. Fez muito frio de noite e se fizeram muitas fogueiras de S. João e pelo mesmo motivo mandei dar muitos tiros.

24 de Junho, dia de S. JoãoAs 3 Barras

Saí de Abaete às 8½ da manhã e cheguei às 3 Barras às 12½. – São 5 léguas, o caminho todo muito bom, tem algum mato; passa-se a um 4o de légua do rancho um ribeiro em que 3 outros fazem 3 Barras, o que lhe dá o nome.

25 de JunhoCapão

Saí das 3 Barras pelo meio dia, cheguei ao Capão às 3¼. São 4 léguas. O caminho é muito bom, tivemos uma trovoada com alguma chuva mas passou logo. Passam nesta terra 4 ribeiras ao todo, sem ponte, que no Inverno ou tempo das águas hão de às vezes de ser trabalhosas. O primeiro ribeirão chama-se da Área; o 2º o do frade; o 3º o Boreti ; o 4º o do Capão de Santo Tiago.

26 de Junho – Santo António da Boa Esperança

Saí do Capão às 7 horas da manhã, e cheguei ao rancho de Santo António às 11 horas. São 4½ léguas, o caminho quase todo é bom; porém tem algumas decidas e subidas das quais se passam 4 mais pequenas e sem ponte. De manhã choveu alguma pequena coisa; em todos estes dias passados não fez calma, antes de noite bastante frio.

27 de JunhoCapão do rio do Sono

Saí de Santo António da Boa Esperança pelas 6½ da manhã, e cheguei aqui às 11 horas. São 3 léguas; o caminho é muito bom. Geralmente a 3 tiros de espingarda da Boa Esperança para riba havia ribeira muito grande, que em tempo de águas é muito dificultosa a passagem, esta ribeira chama-se a de Santo António, mas é verdadeiramente o rio do Sono; logo adiante se passa outra ribeira chamada das Almas, que igualmente se passa a vau; e é dificultosa com tempo de águas; mais adiante se passam dois pequenos riachos, o chamam Cachimbo, coisa fraca. Estes dois primeiros ribeiros grandes de Santo António e Almas correm para o Norte o primeiro e o 2º para N.E. O ribeiro de Santo António corre para o Norte e vai fazer barra no rio de Paracatu, depois de levar em si o rio do Sono e das Almas, e ribeira de Cachimbo; esta barra é feita a 15 léguas da outra que faz no rio de S. Francisco, e a barra dista que faz o Paracatu no rio de S. Francisco 9 léguas se acha o arraial de S. Romão, na margem esquerda, indo pelo rio abaixo. O rio da Prata mete-se no rio Paracatu meio 4º de légua para cima da passagem, a qual por abuso se chama passagem do rio da Prata, devendo ser passagem do rio Paracatu, em que já vem incluído o rio da Prata. Aqui foi o primeiro rancho onde tornamos a ver telha depois do Bicudo. Adiante do rio do Sono, a direita, toma outro caminho, chamado de S. José, o qual vai meter no que segue ao Vomitório, ou antes um pouco.

28 de JunhoAs Almas

Saí do rancho antecedente pelas 6½ da manhã, e cheguei às 11¼. São 5 léguas; passa-se logo o rio do Sono, que é bastante grande, corre para o Nascente; além da passagem está um rancho do mesmo nome; logo adiante está o regato do Atoleiro; o rio de S. Bartolomeu, que tem muita água, corre para o Norte; o rio da Catinga também leva bastante água e corre também para o Nascente. Adiante o rio das Almas, que é mediano; todos sem ponte, e em tempo de águas serão muito dificultosos de passar. O rancho das Almas não presta para nada. Aqui adoeceu o rapaz António Francisco e fugiu o mulato de José da Fonseca.

29 de Junho Roça de Santa Isabel

Saí do rancho das Almas às 6½ da manhã e cheguei às 10½ a Santa Isabel. São 4½ léguas medianas; o caminho é excelente, menos o princípio que passa entre um bosque, com suas subidas e descidas. Deste caminho se avistam as vastíssimas planícies chamadas de S. Jerónimo, a de António de 25 ou 30 léguas que rodeiam quase todo o horizonte pela banda do Este, de Nordeste e de S. E. Não se acha água neste caminho. O rancho de Santa Isabel é bastante mau. Acha-se muita caça por estes campos; alem de perdizes e codornizes, há muito veado, onças, antos, etc.; há pássaros deverços muito grandes como Hemas, Serienias, Coruacas, etc.

30 de Junho Vomitório

Saí do rancho de Santa Isabel pelas 6½ da manhã e cheguei às 9¼. São 3 léguas: o caminho é planície pela distância de légua e meia, e logo se acha um alagadiço que aos lados tem uma espécie de lagoa, e o resto do caminho é por entre um bosque de mato grande; o rancho do Vomitório vale muito pouco. O rio da Prata corre aqui e adiante 5 léguas se vai passar o rio Paracatu aonde já vai enchendo o da Prata, tendo feito barra meio 4º de légua acima. Aqui houve baile de noite de batuque feito pelas moças da fazenda.

1o de Julho Campo légua e meia adiante do rio da Prata, chamado riacho das Almas.

Saí do rancho Vomitório pelas 4 horas da manhã e cheguei a este sítio pelas 10, depois de ter feito a necessária demora em passar o rio. São 6½ léguas, 5 ao rio e uma e meia a este lugar onde passa um pequeno riacho, perto dum bocado de Mato. O rio da Prata, ou verdadeiramente Paracatu é nocivo aos passageiros, pelas más águas que leva; quando se passa leva já consigo o rio da Prata que se mete, pouco em cima da passagem, e o rio Escuro, que pouco antes se mete no Paracatu. O rio é profundo e terá neste lugar 300 braças de largo; na margem oriental tem um rancho com bastantes comodidades, e da outra parte também tem alguma casita. A gente passa em duas canoas e todos os cavalos a nado. O caminho até o rio é tudo planície mas corre entre vários alagadiços e pantanais e o rio corre para o Norte.

2 de Julho Corgo Rico

Saí do rancho passado pelas 4¾ da manhã e cheguei a Corgo Rico pelas 11 da manhã. São 6 léguas; o caminho não é mau mas tem seus montes, passam-se dois pequenos riachos com pontes de madeira; passa-se no mau rancho do Olho de Água, meia légua adiante à direita está uma grande lagoa, que da princípio a um ribeirão; este tem muito peixe e muito sucureu, mas é muito nociva a sua vizinhança. No meio do caminho se matou um tamandoá de que se tirou a vista. O rancho do Corgo Rico não é mau aqui, principiam outra vez as minas do ouro.

3 de Julho Paracatu

Saí do Corgo Rico às 7½ da manhã e cheguei a este arraial às 10 horas. São 3 léguas pequenas, o caminho é muito bom, passa-se por uma pequena ponte sobre um ribeiro de madeira, e pelo reguto ou coutagem de Nazaré, pelo rancho de Nazaré, a que em distância de uma légua se achava um esquadrão de cavalaria auxiliar, e vieram esperar muitas gentes da terra, que é bastante grande e merecia ser vila; tem 600 vizinhos e mais de 5.000 pessoas. O sitio é bonito numa planície havia muitas lavras de ouro, e já noutro tempo foram muito maiores; aqui nos fizeram os maiores obséquios, e nos demoramos 3 dias de quedo [sic] e no dia 7 se continuou a jornada para Goiás.

Notas finais

– Os peixes que regularmente se acham nos rios do sertão são: Serobins, Douradas, Matrinxans, Piaos, Pains, Mandins, Piranhas. – Há papagaios de muitas castas e Periquitos, Mantaxas, araras de várias cores: umas encarnadas, outras azuis, todas outras azuis com peito amarelo tostado, chamados Calindiz. – Há muitas espécies de cobras chamadas Sucurias que andam nos rios, e tremedais, gibóias, heraracas, cobra de coral, cobra de cascavél. – Há macacos de muitas castas: Sagoins, Cotios, Apiras, Tatus, Gatimundios, Preguiças, Onças, veados, Antas, Farnandicos de Bandeira.

 – Casca de pau chamado sangue de drago quanto mais grosso milhor bem cozida em um tacho tomar ajudas dela e banho da mesma água é excelente para corrução. – Terá a Igreja Nova 525 fogos. – Dei ao Crutely em 7 de Novembro em Cuiabá – 4/8 ½ ou 5.400 que ainda não carreguei em livro. – Le major Manuel da Rocha Brandão a changé avec moi son cheval à Santa Luzia. – L’autre Major aussi Leandro de Sousa Teles changé avec moi dans le même endroit.  — (Fim do diário)

Vila Boa, vendo-se ao fundo a Igreja de N. S. do Rosário. Desenho de Francesco Tosi Colombina, em 1751.

FESTANÇA EM GOIÁS

O diário de Soveral e Carvalho acrescenta o que não foi contado no diário de Cáceres, a efusiva recepção aos dois governadores em Goiás, quando chegaram à capital Vila Boa, no dia 25 de julho de 1772, “às cinco e um quarto da tarde”. Nos primeiros dias, autoridades civis, eclesiásticas e o povo não pouparam homenagens aos recém-chegados. O melhor da festa foi depois, como anotou Thomás de Souza, o ajudante de ordens:

“… passados os tres dias para os comprimentos, e descanço se entraram a mover as gentes da terra para porem em publico as festas para que se tinha preparado de munto tempo; as quaes se principiaram por huma Encamizada com bastante asseyo, e luzimento em que correram a cavallo para sima de cem pessoas, e na mesma ocaziam se recitaram varias obras Poeticas; seguiram-se três dias de Cavalhadas, entrepolados com outros tantos de Touros que foram sortiados de pé, e de cavallo, e a praça bastantemente cheya com muntas e bem imaginadas dancas finalizando-se estes obzequios com hum grande fogo artificial na noute do dia de Nossa Senhora que forão quinze de Agosto, e na seguinte hum grandiozo Saráu que se executou em Pallacio.”

No dia 27 de agosto, Cáceres partiu para Mato Grosso. Levou saudades de Vila Boa.

Por Eduardo de Paula

• Clique com o botão direito e veja a sequência: “Viajando pela comarca do Sabará”. 

(1) Guerra dos Sete Anos – Conflitos internacionais, ocorridos entre 1756 e 1763, durante o reinado de Luís XV.

(2) SOVERAL E CARVALHO, José de Almeida de Vasconcelos − Governador de Goiás, de 1772 a 1778. D. Maria I concedeu-lhe  o título de Barão de Mossâmedes. 

(3) Vila Boa, depois teve o nome mudado para Goiás Velho ou cidade de Goiás.

(4) PIZARRO DE ARAÚJO, José de Souza Azevedo – Em “Memórias Históricas do Rio de Janeiro e das Províncias Anexas a Jurisdição do Vice-Rei do Estado do Brasil”, Imprensa Nacional, 1822, tomo IX, p. 94 e 95, escreveu: “Luís de Albuquerque Pereira e Cáceres […] fez da sua jornada um itinerário mui curioso e útil, à que ajuntou um Mapa Geográfico, trabalhado pelo capitão engenheiro Salvador Franco da Mota, vindo de Lisboa em sua companhia, para o serviço da Capitania…”

(5) Em “História, Cultura e Sentimento: Outras Histórias do Brasil” (Editoras UFPE e UFMT, 2008, p. 168), Leny Caselli Anzai cita a fonte “Arquivo Histórico Ultramarino”, Mato Grosso, 20 de dezembro de 1772, cx. 15, doc. 63: “Da comitiva faziam parte o capitão engenheiro Salvador da Mota Franco, egresso da cadeia do Limoeiro e um frade.”  // Cadeia situada do bairro da Alfama, em Lisboa. A cadeia do Limoeiro foi muito criticada e Francisco de Melo e Noronha chamou-a de “escola repugnante de todos os vícios, a nódoa imunda que envergonha a nossa capital aos olhos dos estrangeiros…

(6) ASSUNÇÃO, Daniane da Silva − Anais do VII Congresso Internacional da ABRALIN, Curitiba, 2011: “O léxico do Diário do Barão de Mossâmedes”, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Citações – Na passagem por Abaeté“Neste rancho do Abayté se mandam fazer Fogueyras e dar descargas em obsequio de sam João.”; na passagem por Paracatu: “…este Arrayal terá sinco mil habitantes comprehendidos os Arrebaldes, he bem cituado, e tem muntas lavras de Ouro: Aqui houveram magnificas festas em obzequio aos Generaes: houve a demora neste mesmo Arrayal de tres dias e no dia sete se continuou a jornada para Goyaz.” 

(7) MOURA, Francisco Carlos − “O Teatro em Goiás no Século XVIII”, separata da revista da Universidade de Coimbra, vol. XXVII, 1992, p.471 a 485.

(8) PIZARRO DE ARAÚJO, José de Souza Azevedo – “Memórias Históricas do Rio de Janeiro e das Províncias Anexas…”, Imprensa Nacional, 1882, tomo IX, p. 95.

Anúncios

6 Comentários »

  1. Eduardo: Interessante a saga de Luís Cáceres. Parabéns pelo empenho em reconhecimento à história e memória brasileiras, mostrada na pesquisa detalhada e documentada. Cumprimentos pelo trabalho,
    Maria Marilda.

    Comentário por Maria Marilda — 01/10/2011 @ 9:47 am | Responder

    • Marilda:
      Muito obrigado pelo estímulo da leitora assídua.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/10/2011 @ 10:39 am | Responder

  2. Eduardo, mais uma vez parabéns!
    Margaret Campolina

    Comentário por Margaret Campolina — 06/10/2011 @ 5:27 pm | Responder

    • Margaret:
      Sua aprovação é um estímulo. Muito obrigado,
      Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 06/10/2011 @ 11:48 pm | Responder

  3. Eduardo, como sempre excelente! Sua pesquisa exaustiva, paciente e interessantíssima é de uma riqueza enorme! Parabéns, mais uma vez, pela sua verve, animação e energia! Abraços do Arthur Diniz

    Comentário por arthur diniz — 01/07/2012 @ 5:34 pm | Responder

    • Caro Arthur: Você que, por profissão, tem o hábito e a sabedoria para avaliar, traz-me entusiasmo com sua opinião. Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/07/2012 @ 5:52 pm | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: