Sumidoiro's Blog

01/01/2012

A FAZENDA DE MUITA HISTÓRIA

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 12:02 am

♦ Em terras de Jaguara

No século XVIII, abrangendo vasta extensão territorial da comarca de Sabará, foi criado um dos maiores estabelecimentos rurais do Brasil. A sede era a fazenda da Jaguara, situada na beira do rio das Velhas, a sete léguas da vila de Sabará. O patrimônio foi construído por etapas, tanto pela ocupação indiscriminada de terras, quanto através da doação de sesmarias(1) pela coroa portuguesa, mas também em operações de compra e venda entre particulares.

Sede da Fazenda da Jaguara. (por Augusto Riedel, maio.1869 – foto colorizada)

Existem documentos que remetem à sua criação, bem no início do século XVIII, eram os sítios do Jequitibá e do Sumidouro. Essas duas primeiras terras, pertenceram ao militar Domingos Dias da Silva, homem habilidoso na arte de conquistar territórios. Usou da estratégia comum na época, que começava pela ocupação pura e simples, depois oficializando a posse. Nesse caso, obteve a confirmação através de uma carta de sesmarias(2), assinada pelo governador da capitania Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho. Desta forma:

“… Faço saber […] que havendo respeito ao que por sua petição me enviou […] Domingos Dias da Silva […] dar-lhe de sesmarias […] três léguas […] que tem no Jaquitibá(3) e Sumidouro(4) […] dos campos que chegam até o ribeirão da mata grande e seus capões […] Dada neste arraial do Ribeirão do Carmo (Mariana), aos 17 dias do mês de fevereiro de 1711…”

Domingos Dias da Silva ganhou três léguas de terras, no Jequitibá e Sumidouro.

Poucos meses depois, o governador o convocou a lutar contra os franceses, que tinham invadido o Rio de Janeiro. Para tanto, foi investido no posto de capitão-mor. A carta patente(5), lavrada no dia 06.10.1711, no Campo da Boa Vista − Rio de Janeiro −, diz o seguinte:

“… Faço saber aos que essa minha carta de patente virem que, porquanto é conveniente ao serviço de Sua Majestade e conservação destas conquistas, ir eu pessoalmente socorrer o Rio de Janeiro, por ter entrado em aquele o inimigo francês, com dezoito embarcações de guerra, sem que as fortalezas da barra lho pudessem impedir pessoas, e que é necessário levar poder bastante, como o tenho já pronto, da maior parte dos moradores de estas minas, a que também se tem oferecido as pessoas principais delas, não só os Reinóis forasteiros, mas também os naturais de São Paulo e serra acima (montanhas de Minas), e estes deverão levar seus cabos particulares, para que cada um possa satisfazer as obrigações de bom vassalo e valoroso soldado, para o que se carece de sujeito capaz, com valor e respeito, e cabedais (riquezas) bastantes e requisitos, que se acham na pessoa de Domingos Dias da Silva e na das principais famílias de São Paulo, com muito respeito entre todos os seus naturais, valor e boa disposição. Hei por bem provê-lo, como por esta faço, no posto de capitão-mor e cabo de um dos dois moços de gente dos naturais de São Paulo e serra acima, que tenho formado, para me acompanharem no dito socorro…”

Dezoito embarcações francesas invadindo o Rio de Janeiro.

O conteúdo da carta é muito instrutivo, pois revela o funcionamento da máquina do poder. Ao adquirir a patente, o latifundiário ganhou fôlego para atingir seus objetivos. As palavras do governador mostraram as vantagens inerentes à investidura:

“… cujo posto exercitará não só na referida ocasião, mas enquanto eu houver por bem, ou Sua Majestade nas mandar o contrário, para que em outras quaisquer possa ocupar o dito posto, com o qual gozará de todas as honras, privilégios, liberdades, isenções e franquezas que, em razão do dito posto, lhe tocam e são permitidas e costumam ter os capitães-mores e cabos de corpo…”

A terceira invasão francesa ao Rio de Janeiro ocorrera no dia 11 de setembro de 1711. No dia 12, uma esquadra, sob o comando de René Duguay-Trouin, adentrara a baía de Guanabara, ocupando o território por dois meses, até o dia 13 de novembro. Após o pagamento negociado de um resgate, a cidade foi libertada. Tudo aconteceu muito rápido e não houve tempo hábil para Domingos Dias da Silva dar um tiro sequer. Foi bafejado pela sorte, galgando o posto de capitão-mor por acaso e, assim, ganhando mais uma ferramenta para prosseguir nas suas impertinências.

Três fazendas de Domingos Dias da Silva, nas minas de Pitangui.

Uma carta de sesmarias(6) mostra que o prestigiado Domingos Dias da Silva ocupou também terras em Onça do Pitangui, as quais obteve por doação, em 26.03.1716. Segundo suas alegações, eram três fazendas de gado que já explorava. Está assim escrita:

“… três léguas de terras em quadra nas minas de Pitangui, que começariam no Curral do Ribeirão, que deságua na Paraopeba, e légua e meia para baixo, até fazer barra no dito Rio de Pitangui, se até ali se dilatasse a distância das três léguas em quadra…”

Dias da Silva foi um personagem simbólico da época colonial, quando muitos praticavam jogo bruto para ganhar dinheiro fácil. Na sua ilimitada ambição, não respeitava sequer as posses de terceiros. Chegou ao ponto de um proprietário, chamado Gervásio de Campos, solicitar providências ao governador, para afastar o invasor. Seu pedido foi atendido e d. Brás Baltasar enviou, ao guarda-mor Francisco Jorge Silva, um comunicado(7):

“2 de gosto de 1714 − […] ordeno mande seu escrivão notificar a Domingos Dias da Silva e a todos mais, que quiserem intrometer-se nas terras, […] não o façam, sob pena de proceder fortemente contra eles…”

Nem por isso deixou de merecer e de tirar proveito das benesses do governo. Em 10.02.1715, recebeu de d. Brás Baltasar licença para abrir a estrada do caminho de Pitangui para os currais de Minas e com total liberdade de escolher o traçado que achasse mais conveniente(8).

LOUCO POR DINHEIRO

Em 1717, Sumidouro e Jequitibá mudaram de mãos, o sargento-mor João Ferreira dos Santos comprou as duas fazendas e pediu, ao governador da capitania, a formalização por carta de sesmarias(9), que foi lavrada nos seguintes termos:

“… Faço saber aos que esta minha Carta de Sesmaria virem, que […] por sua petição me enviou […] o sargento-mor João Ferreira dos Santos, que ele está de posse de dois sítios. É um chamado Sumidouro e outro chamado Jequitibá, que comprou a Domingos Dias da Silva, a quem o governador Antonio de Albuquerque Coelho de Carvalho fez mercê deles por sesmaria […] Dada nesta Leal Vila de Nossa Senhora do Carmo (Mariana), a 16 de agosto de 1717 – Dom Brás Baltasar da Silveira.”

Jaguara, sede do maior conjunto de fazendas da comarca de Sabará. (mapa de José Joaquim Rocha – 1778)

Dezesseis anos depois, o citado João Ferreira dos Santos acrescentou ao seu patrimônio outra sesmaria, situada ao longo do córrego das Minhocas, conforme carta(10):

“Faço saber aos que esta minha Carta de Sesmaria virem que […] a apresentar-me o capitão-mor João Ferreira dos Santos […] que necessitava de terras […] me pedia meia légua em quadra no córrego chamado das Minhocas […] Hei por bem fazer mercê ao suplicante […] de meia légua de terra […] dada em V.Rica a 15 de junho de 1733 – O conde das Galveas.”

Lagoa e, ao fundo, elevação onde se encontra a lapa do Sumidouro. (por Brandt – sec. XIX)

O sesmeiro muito favorecido foi um dos mais antigos moradores de Caeté(11). Esteve ali radicado com a família desde 1706, plantando roças, criando gado e explorando ouro. Em 1711, partindo daquela vila, teve seu primeiro feito militar importante, época em que se dirigiu ao Rio de Janeiro, acompanhado de quinze escravos seus e às suas custas, para combater os invasores franceses. Exerceu a atividade de arrecadador de tributos e sempre colaborou  com o governo. Pelos seus inúmeros serviços, chegou ao posto de capitão-mor, em 1727. Era um homem poderoso, prepotente e afoito. (12)

Durante o governo do conde de Assumar, esteve à frente de uma expedição enviada à região do Papagaio(13), com o propósito de acalmar os ânimos dos moradores, liderados por Manuel Nunes Viana(14), que se recusavam a aceitar o arrendamento das passagens(15) do rio das Velhas.

Os altos postos que galgou abriram-lhe muitas portas, de modo a facilitar a construção de enorme patrimônio. Sua fortuna foi alavancada quando, em 1730, fez grandes achados de ouro, na região do rio das Mortes(16). Não bastasse a riqueza encontrada, João Ferreira dos Santos, na sua desmedida ambição, fundou uma fábrica de moedas falsas, associado a João da Costa Vilas Boas. Era uma quadrilha liderada pelos dois, mas o empreendimento acabou os levando à ruína. Em maio de 1735, foram delatados por um companheiro e acabaram todos presos. Os cabeças Ferreira dos Santos e Vilas Boas foram enviados para o Rio de Janeiro, em setembro de 1736, e depois a Lisboa, ficando reclusos na mal afamada cadeia do Limoeiro(17), aguardando julgamento.

O historiador Diogo de Vasconcelos(18)  referiu-se aos acontecimentos, dizendo que os pilantras ainda tentaram escapar, enviando uma proposta ao rei. O intermediário foi o governador do Rio de Janeiro, Gomes Freire(19), que informou terem oferecido:

“um regimento de 500 cavalos equipados e armados, posto na fronteira do Alentejo; ou uma fragata de guerra de 70 canhões, que creio a farão de 80 […] pronta para levantar âncora e sair da barra…. 

Mas havia uma condicionante, qual seja, fazer um ajuste contábil estornando o valor dos bens confiscados:

” …importa o confisco destes dois homens, o que consta dos documentos, de que há de se abater as dívidas, que se lhe justificarem, o que aqui é fácil… − 30 de janeiro de 1735” 

D. João V percebeu a tola jogada dos malandros, de dar seis em troca de meia dúzia. Pretendiam usar o dinheiro adquirido pelo crime, que já era do governo, para comprar a fragata e os cavalos. Mas as palavras do rei foram contundentes, diante da proposta indecorosa:

“Não sou servido de aceitar a tal proposta, porque a minha real intenção é que castiguem os delitos, conforme for de justiça [… ] –  Lisboa, 27 de janeiro de 1737.”

D. João V sobre a proposta indecorosa: “… minha intenção é que castiguem os delitos.” (Porto de Lisboa, 1730)

Insistindo em fugir à condenação, mesmo encarcerado Ferreira dos Santos continuava tomando atitudes escorregadias. Tentando se justificar, ele e o companheiro constituíram advogado, que redigiu uma petição lançando um bocado da culpa em sonegadores das Minas. Detalhe do documento revela a quanto tempo estavam presos:

“Diz o capitão João Ferreira dos Santos e João da Costa Vilas Boas, presos na cadeia da Corte, aonde foram remetidos das Minas […] e como os suplicantes se acham presos cá três anos e não tendo ainda juiz nomeado, é infalível que se dilatará a mais tempo a prisão […] − 30 de Julho de 1738.”

Pelo menos até 1742, Ferreira dos Santos permaneceu no Limoeiro. Nesse ano, foi submetido a interrogatórios e usou a velha tática de alegar desconhecimento do objeto das acusações. Não viu nem sabia de nada, mas, nem por isso, se livrou da condenação. A pena foi atenuada, pois tinha amigos importantes na corte, também comprometidos com a fábrica de moedas falsas. Pela gravidade do delito, seria condenado à morte, porém teve uma pena menor, de dez anos de degredo em Angola, proibição de volta ao Brasil e multa de 60 mil cruzados. Entretanto, outra vez, funcionou a manipulação dos amigos poderosos e não embarcou para cumprir o degredo. Em 1745, ainda permanecia em Lisboa, sem conseguir liquidar a dívida que lhe fora imposta.

Palavras do advogado de João Ferreira e companheiro, três anos na cadeia.

CANHÕES NA JAGUARA

Na época que estava ocorrendo grande sonegação de impostos, em data anterior e próxima a 1730, uma fortaleza com canhões foi construída na beira do rio das Velhas, para impedir o extravio do ouro. O militar João Ferreira Tavares se disse autor da obra. Ele era natural de Guarapiranga (SP) envergava a patente de tenente-coronel e mestre-de-campo general, a mais alta das Minas. Prestou inúmeros serviços à coroa, um deles participando como agente da repressão ao revolucionário Manuel Nunes Viana, na guerra dos Emboabas.

Apesar de João Ferreira Tavares ter alardeado que construíra a fortaleza sozinho e às suas custas, os moradores da região do rio das Velhas o contestavam. Diziam que teria sido João Ferreira dos Santos, segundo proprietário da Jaguara, o responsável pela maior parte da obra. Sem dúvida, deve ter havido proximidade entre os dois militares, pois lutaram pelo governo na guerra dos Emboabas.

Em 17.12.1730, o governador da capitania, d. Pedro de Almeida − o conde de Assumar − respondeu(20) a uma correspondência de João V, na qual consultava sobre a fortaleza que o rei teria autorizado construir e Ferreira Tavares pedia recompensas pelo trabalho. Chamavam-na de reduto, palavra que consta várias vezes na carta. A opinião do governador foi que o reduto não tinha utilidade, uma vez que a vigilância de uma só parte do rio das Velhas não seria suficiente para combater o contrabando.

A resposta do governador foi ambígua, pois batia com uma mão e adulava com a outra. Primeiramente, desabonou a conduta do requerente, que considerava o “maior perturbador do sossego” das Minas e “o mais prejudicial ao serviço de Vossa Majestade.” 

Nas suas considerações, indicou que a fortaleza estaria junto à Jaguara, pois escreveu:

“… que importa que o rio das velhas esteja guardado até onde desagua o Jaguara, se o rio Taquarassu que dista dali cinco léguas e o de Antônio dos Reis que dista nove, e o Paraúna dista trinta?  […] que importa que esteja defendido o riacho da Jaguara, que é o de menos consideração e o menos frequentado de todos os rios?

Fortaleza de São José, por inteiro e em dois detalhes; M indica estrada, N indica o rio. (o norte está à direita)

É conhecida a planta da fortaleza, denominada São José, com sua localização definida na beira do rio das Velhas, mas ainda não foram encontrados sequer vestígios de ruínas. Quatro peças de artilharia apontariam para o curso d’água, que era um caminho fluvial muito utilizado. Está posicionada no centro do desenho, mostrando a oeste a “estrada real do Sumidouro” e à leste o rio.

Na legenda, estão relacionadas as várias partes do reduto: AEsplanada com 4 peças de artilharia, B Lugar donde fica o pórtico, CCasa de munições e apetrechos, DQuartel do condestável (chefe dos artilheiros), E – Quartel dos soldados da guarnição, F – Casa para cozinha, G – Casa de cadeia, H – Casa de selas e mantimentos, I – Praça vazia, L – Poço, M – Estrada real do Sumidouro, N – Rio das Velhas, O – Perfil da edificação.

Detalhe do reduto do João Tavares, um perfil(no quadro abaixo das legendas)

Na segunda parte do parecer, o governador mudou o tom, procurando favorecer ao João Ferreira Tavares, sugerindo o pagamento de um prêmio, como escreveu:

“… como o dito tenente-general deseja muito empregar-se em servir a Vossa Majestade, fazendo-lhe serviços de distinção, e desejasse que Vossa Majestade conhecesse o seu grande zelo, […] protesta o […] governador que, se o tenente-general não tivesse o Hábito de Cristo, por aquele grande serviço lho daria logo…”

E se justificou, dizendo que o construtor estaria arruinado com as despesas que teve:

“… até agora ameaçava ruína a este oficial, e que este reduto foi como o sacrifício propiciatório que lhe expiou todas as culpas […] pois, por experiência sei, que o dito João Ferreira foi, na guerra e na paz, muito bom oficial, muito ativo e valoroso, e que ainda deste serviço não resulte nenhuma utilidade, como ele o fizesse à sua custa […] não deixa de ter merecimento…” 

MAIS UM

No dia 26 de maio de 1754, ocorreu a confirmação por carta de sesmaria, do terceiro proprietário da Jaguara, o sargento-mor Francisco da Cunha Macedo. Na verdade, tinha feito a aquisição em data anterior, em torno de 1724. Como já foi dito, incluía terras do Sumidouro e Jequitibá. O documento(21), assinado pelo governador da capitania, foi lavrado nos seguintes termos:

“Faço saber aos que esta  minha carta de sesmaria virem, que […] por sua petição Francisco da Cunha Macedo, que ele era senhor e possuidor da fazenda da Jaguara […] e seu antecessor o capitão-mor João Ferreira dos Santos, havia perto de trinta anos […] dentro da fazenda se achava um capão de mato […] em paragem chamada vargem comprida da parte do poente…”

“… me pediu por […] sua petição […] lhe mandasse passar carta de sesmaria, principiando a medição em um morro que estava no meio do dito capão e que fizesse pião onde mais conveniente fosse […] Pelo que mando, ao mensageiro a que tocar, dê posse ao suplicante da […] meia légua de terra, compreendendo nela a sua fazenda da Jaguara, o capão de mato, pertencente à mesma fazenda […] sito na […] vargem comprida […] E por firmeza de tudo, lhe mandei passar esta carta de sesmaria […] – Dada em Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto, no dia 26 de maio de mil setecentos e cinquenta e quatro. – José Antônio Francisco de Andrada.”

O PORTO

Nos fundos da fazenda, onde  o ribeirão da Jaguara lança suas águas no rio das velhas, existia um porto, utilizado para a comunicação com as vilas próximas. Grande parte da produção das fazendas da região escoava pelo rio, que também era utilizado para o transporte de passageiros. A sede da fazenda pertencia à paróquia de Santa Luzia, localizada poucas léguas rio acima, ali existiam entrepostos receptores e de distribuição de mercadorias para toda a comarca. Havia intercâmbio, de toda sorte, entre os dois lugares. Nesse porto, em 1867, o aventureiro e explorador inglês Richard Burton atracou seu barco, para conhecer a fazenda. Tinha partido de Sabará, com destino ao rio São Francisco e prosseguindo até chegar ao oceano Atlântico. O rio foi navegável, pelo menos, até o final do século XIX.

Capela da Jaguara em dois tempos: 1975 e 2010.

NOSSA SENHORA DA JAGUARA

Um destaque da fazenda é a capela que ali perdura em ruínas. A tradição oral atribui ao terceiro proprietário, Francisco da Cunha Macedo, a iniciativa de dar início à obra dedicada à Nossa Senhora da Conceição. Nos primeiros tempos era um templo modesto, mas depois foi aprimorado. Muitos dizem que foi concluído em 1786, quando a fazenda então pertencia ao português Antônio de Abreu Guimarães. Nesse sentido, a única referência existente está na inscrição localizada na fachada, indicando a data. Mas, daqui em diante, é preciso contar outra história, que fica para o próximo Post.

• Conheça mais da história da Jaguara, clicando com o botão direito, aqui: “Promessa furtada” e aqui: “Dumont, Vianna & Cia.”  

Por Eduardo de Paula

– – – – –

(1) Sesmaria: terra doada pela coroa portuguesa com a promessa de cultivo. 

(2) Arquivo Público Mineiro: SC-07, Cartas patentes, p. 68.

(3) Jequitibá: vila que surgiu por volta de 1670, na época dos bandeirantes. Está situada na região central da zona metalúrgica.

(4) Sumidouro: arraial fundado pelo bandeirante Fernão Dias, em 1675. Hoje pertence ao município de Pedro Leopoldo.

(5) Arquivo Público Mineiro: SC-07, Cartas patentes, p. 14.

(6) Arquivo Público Mineiro – SC-09, gaveta 3. / Vila de Onça de Pitangui, vizinha à vila de Pitangui, ambas na rota dos bandeirantes, onde encontraram uma pepita de ouro de 1 onça (30 gramas), daí a origem do nome.

(7) Revista do Arquivo Público Mineiro: Ano XXI, 1927, fasc. II a IV, ano de publicação 1928, p. 651.

(8) Revista do Arquivo Público Mineiro: Ano XXI, 1927, fasc. II a IV, ano de publicação 1928, p. 653.

(9) Arquivo Público Mineiro: SC-09, p. 262 e v.

(10) Revista do Arquivo Público Mineiro − Ano 1899, vol. 4, p. 850 e 851.

(11) Caeté: vila próxima a Sabará, onde os bandeirantes descobriram muito ouro.

(12) Arquivo Público Mineiro: SC-12, p. 59 v, Carta patente de capitão-mor a João Ferreira dos Santos: “Dom Pedro de Almeida e Portugal na pessoa de João Ferreira dos Santos e a ter servido a Sua Majestade nestas Minas em praça de soldado a cavalo e no posto de sargento-mor […] e assim mesmo em vários descobrimentos […] de ouro […] como foi nos anos de 1713 e 1714 no ribeirão do Morro Grande e em Cocais… / … E um grande concurso […] na ocasião do socorro que levou ao Rio de Janeiro […] por causa da invasão dos frenceses […] e o fazer com sua praça de soldado de sua companhia de cavalos […] de Caeté, levando a sua custa quinze escravos seus armados […] por tempo de um mês […] etc., etc. […] por esta carta o nomeio por capitão-mor das ordenanças do distrito de São Miguel […] Vila do Carmo, 15 de Julho de 1718…”

(13) Papagaio: região onde foi edificada a vila do Papagaio, depois denominada vila de Curvelo.

(14) VIANA, Manuel Nunes − Foi proprietário de lavras de ouro e um dos protagonistas da Guerra dos Emboabas.

(15) Passagem: onde se fazia a travessia de rios e a cobrança de tributos.

(16) Rio das Mortes: afluente do rio Grande; banha, entre outras, a cidade de São João Del Rei.

(17) Cadeia do Limoeiro, Lisboa: Onde esteve preso o poeta Pedro Correia Garção (1771), o poeta Barbosa du Bocage (1797), o pintor Domingos Sequeira (1808) e o escritor Almeida Garrett (1827). O historiador Oliveira Martins, escreveu sobre ela: “Os homens eram amontoados, empurrados a pau para a sociedade dos assassinos, nessa salas imundas, habitação de misérias informais. Davam-lhes sovas  de cacete miguelista e, por dia, um quarto de pão e caldo, onde flutuava, raro, alguma erva.”

(18) VASCONCELOS, Diogo de − “História média de Minas Gerais”, Editora Itatiaia, 1999, p. 85 a 87.

(19) ANDRADE, Antônio Gomes Freire de – Nobre, militar e administrador colonial português. Governador e capitão-general do Rio de Janeiro, entre 1733 e 1763. Primeiro conde de Bobadela, por carta de 20 de dezembro de 1758.

(20) Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, cx. 17, doc. 57 e cx. 18, doc. 16.

(21) Revista do Arquivo Público Mineiro – Ano 1898, vol. 3, p. 923 e 924.

Anúncios

14 Comentários »

  1. Eduardo: Interessante saga da fazenda da Jaguara. Elo entre a região do ouro e o sertão, lugar misterioso. Muito bom seu Post, continue. Serei sempre sua leitora, nesses convites a percorrer as trilhas de Fernão Dias.
    Maria Marilda – Lagoa Santa.

    Comentário por Maria Marilda — 03/01/2012 @ 8:56 am | Responder

    • Marilda: Vamos continuar acompanhando a saga. Em fevereiro devo lançar mais um Post sobre a história da Jaguara.
      Muito obrigado, Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 03/01/2012 @ 3:59 pm | Responder

  2. Só hoje tive um tempo para ler seus posts. Não vou ficar repetindo parabéns, parabéns. Mas que beleza, heim moço? Sou apaixonada pelo patrimônio cultural de Minas e é um prazer ver estas imagens, como também todo o texto. Que tal voltar o olhar para o lado de cá também, em especial para as Sete Lagoas? Pense nisso.
    Um abraço,
    Margaret Campolina – Fortuna de Minas

    Comentário por Margaret Campolina — 06/02/2012 @ 10:41 am | Responder

    • Olá Margaret: Muito obrigado pelo gentil comentário. É claro que gostaria de chegar perto de Sete Lagoas, mas é preciso que informações cheguem às minhas mãos. De qualquer maneira, estou me aproximando, brevemente irei até Matozinhos, em outro Post.
      Um abraço do Eduardo

      Comentário por sumidoiro — 15/02/2012 @ 10:05 am | Responder

  3. Adorei conhecer um pouco da história da fazenda Jaguara. Gostaria muito de visitá-la, conforme sugerido por Maria Marilda. Muitas vezes esses fatos históricos estão tão próximos, mas não nos damos conta de sua importância. Parabenizo-o pela iniciativa da pesquisa e aguardo, ansiosamente, pelo próximo post.
    Uma abraço, Evelin Márcia Viana.

    Comentário por Evelin Márcia Viana — 15/03/2012 @ 2:51 pm | Responder

    • Evelin:
      Muito obrigado pelos comentários. Realmente, Jaguara e Sumidouro são lugares de muitas histórias. Você tem o sobrenome Viana, por isso chamo sua atenção, Sumidouro é origem de muitos Vianas. Vou avisá-la quando sairem novos Posts. Dia 1 de abril, lançarei um sobre Caeté, que fica lá por aquelas bandas.
      Cordialmente,
      Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 15/03/2012 @ 4:36 pm | Responder

  4. Parabéns pelo seu trabalho, achei interessantíssimo. Um assunto que me chama muita atenção, a fazenda da Jaguara guarda alguns segredos de minha árvore genealógica. Você teria estudado sobre alguma história, teria alguma fotografia do ano de 1929 ou de algum ano seguinte? Tenho tanta curiosidade, se tiver agradeceria muito!

    Comentário por Milene Gonçalves — 12/03/2014 @ 3:28 pm | Responder

    • Milene:
      Possuo mais algumas coisas sobre a Jaguara. Vou entrar em contato com você, pelo seu email.
      Obrigado pelo comentário. Um abraço do
      Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 12/03/2014 @ 4:44 pm | Responder

  5. Eduardo, Jaguará, lagoa do Sumidouro, e região, sempre me interessaram muito, desde 1975, quando lá estive pela primeira vez. Pergunto a você, grande conhecedor da região, sobre o inglês Chalmers que construiu aquela casa no alto da colina. Sabe algo a respeito?

    Comentário por Ewerton C. Matta Machado — 10/02/2015 @ 4:28 pm | Responder

    • Ewerton:
      Gostaria de lembrar que o nome da fazenda é Jaguara e não Jaguará. Os Posts “Promessa furtada” e “Dumont, Vianna & Cia.” completam a minha série da Jaguara. Vou lhe enviar mais informações pelo seu endereço de email.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 10/02/2015 @ 5:40 pm | Responder

  6. Prezado Sr. Eduardo,
    Estive esta semana visitando a Fazenda ‘Jagoara’ antiga e me emocionei muito diante das ruínas, e diante da casa da fazenda, meus olhos se encheram de lágrimas. Fui parar lá por acaso, não estava na programação. Lampejos de recordação de minha ida lá com meu pai, por volta de 1976. Em casa, à noite, precisei reler seu maravilhoso artigo e que, por agora, acabo de ler novamente e vou mostrar para minha velha mãezinha.
    Tenho fotos de 1968 que meu pai tirou. Aguardo seu capítulo especial sobre a igreja. E, se desejar, posso mandar as fotos para complementar, se desejar.
    Abraço fraternal, Erika Banyai, Lagoa Santa.

    Comentário por Erika Suzanna Banyai — 21/07/2016 @ 11:29 pm | Responder

    • Querida Erika:
      Quero as fotos, sim! Quem sabe me inspiram para escrever novo Post. Se as publicar, citarei seu nome. Também digo-lhe que me emocionei, quando conheci a Jaguara.
      Um abraço e o muito obrigado do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 22/07/2016 @ 9:31 am | Responder

  7. Prezado Sr. Eduardo,
    Estou encantada com a riqueza de detalhes de seu trabalho sobre Sumidouro e Jaguara. Nasci em Fidalgo é tenho muita paixão pela região. Na Graduação realizei alguns trabalhos na iniciação científica sobre Fidalgo e Quinta do Sumidouro na virada do século XIX para o XX, que foram publicados na Revista de História Cronos, caso interesse posso lhe enviar. Gostaria de saber se o senhor poderia ceder as imagens da Jaguara e do Rio das Velhas para um trabalho atual, serão de grande enriquecimento. Fico no aguardo de um contato.
    um abraço,
    Élica Viveiros

    Comentário por Elica — 25/10/2017 @ 7:29 pm | Responder

    • Elica:
      Muito obrigado pelo comentário. Quero conhecer os seus textos.
      Pode usar as imagens.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 27/10/2017 @ 9:23 pm | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: