Sumidoiro's Blog

01/02/2012

PROMESSA FURTADA

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♦ Em terras de Jaguara

Durante século XVIII, na comarca de Sabará, foi constituído um dos maiores estabelecimentos rurais do Brasil. A sede era a fazenda da Jaguara, situada na beira do rio das Velhas, a sete léguas da vila de Sabará. O patrimônio foi crescendo por etapas, pela simples ocupação de terras, doação de sesmarias(1) ou operações de compra e venda. Parte remanescente da sede fazenda ainda existe e estão preservadas algumas construções antigas. Agora é denominada Jaguara Velha e possui também uma pousada.

Sede da Jaguara e Antônio de Abreu Guimarães. No chapéu, cruz da Ordem de Cristo.

Coube ao quarto proprietário, Antônio de Abreu Guimarães, expandi-la e fazer a história maior da fazenda. No auge, chegou a ocupar um território de 1200 alqueires, quando era operada por centenas de escravos. Para acumular riqueza de tal ordem, o dinâmico empreendedor seguiu a mesma receita dos seus antecessores. Aproximou-se dos altos administradores da colônia, obteve a patente de capitão e ganhou muito dinheiro. Depois, conseguiu o título de cavaleiro da Ordem de Cristo(2), acrescentando ao capital econômico o capital simbólico. Dessa maneira, pôde desfrutar de privilégios que pavimentaram os caminhos para prosseguir enriquecendo, mesmo à custa de algumas imprudências, entre elas a sonegação de impostos. É a explicação mais plausível para seu enriquecimento meteórico.

Parte da Jaguara (área clara), incluindo a sede. Da Quinta do Sumidouro até o rio Jequitibá. 

QUEM É QUEM

Ouviu-se dizer que o capitão Guimarães também teria sido proprietário de sesmaria em Pitangui ou junto ao rio Pará. As referências, nesse caso, foram em direção à uma determinada pessoa, já que os dois lugares estão situados na mesma região. Mas quem pensou assim incorreu em um equívoco, porque onde é a atual cidade de Nova Serrana viveu um homônimo, falecido(3) antes de 1769, e o passamento do personagem da Jaguara se deu em Lisboa, no ano de 1801.

“Diz Antônio de Abreu Guimarães … homem de negócio, solteiro … natural da vila de Guimarães.”

O biografado neste Post afirmou ser “natural da vila de Guimarães, solteiro, homem de negócio, cavaleiro da Ordem de Cristo(4) e que chegara ao “Brasil na menor idade, esperançado tão somente na providência do Altíssimo”, ou seja, em estado de pobreza. Sobre seus primeiros tempos no país, há mais descrições que ganham consistência, embora não se caracterizem como provas definitivas. Entre elas, os textos da carta patente militar, concedida a um Antônio de Abreu Guimarães, como capitão de ordenança do distrito do Morro do Chapéu, termo da vila de São José do Rio das Mortes. A data do evento, 06.08.1748, é coerente com toda a trama da história. Essa carta, emitida à véspera da segunda metade do século, data da época em que começavam os maiores feitos do capitão da Jaguara.

No Morro do Chapéu e em nova companhia de ordenança, Antônio de Abreu Guimarães é capitão.

O historiador Aldair Rodrigues(5) encontrou, nos Arquivos da Torre do Tombo (Portugal), documentação referente à concessão de títulos da igreja católica, também a um Antônio de Abreu Guimarães. Trata-se do processo que precedeu à sua habilitação como agente da Inquisição (em 1753) e, depois, como cavaleiro da Ordem de Cristo (em 1765). O relatório traça o perfil do candidato. Era do “Minho, natural da freguesia de São Vicente de Moscatelos, termo de Guimarães.” Ao chegar ao Brasil, “foi trabalhador de enxada e foice e que depois comboiara pretos algum tempo, do Rio de Janeiro para as Minas e que, para isto, vendera as plantas que tinha roçado”. Depois, explorou o comércio de escravos e chegou a “ter loja de fazendas secas no arraial dos Carijós (atual Conselheiro Lafaiete), no qual assistia e tinha outra, por sua conta, no Serro (vila no centro-nordeste da comarca), para as quais ia comprar fazendas para sortimento ao Rio de Janeiro”.

Nesse conjunto de referências, os lugares, fatos e datas são coerentes, para dizer que tudo se refere à mesma pessoa, embora tais elementos não sejam suficientemente confirmatórios.

Armadura de d. Pedro II (*1648+1706) com a cruz de Cristo e placa da ordem.

A MÍSTICA DA CRUZ

Ordem da Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo foi sucessora da Ordem dos Templários, que nasceu no tempo das Cruzadas. Na empreitada de “descobrir” a terra que já sabiam existir, à qual vieram a chamar Brasil, os portugueses utilizaram muito bem seu ideário e seus símbolos. Quando as caravelas de Cabral chegaram ao destino, a cruz esteve insinuante lá no alto dos mastros como poderosa ferramenta de mídia. Na praia, os nativos boquiabertos diante da cena inusitada, não poderiam imaginar que os recém-chegados iriam considerá-los uma nova categoria de infiéis a ser combatida. A cruz foi de muita serventia, durante todo o processo de consolidação e fortalecimento do poder na colônia.

 Capítulo XVI e frontispício de “A regra & diffiniçoões da Ordem do mestrado de Nosso Senhor Jhú Xpo”. 

Devidamente adaptada aos novos tempos, a Ordem de Cristo consolidou-se na memória coletiva dos brasileiros, como herdeira mística dos Templários. Desta maneira, o antigo papel dos católicos lutando contra os mouros, continuou sendo representado com novos atores. Como estavam condicionadas pelo próprio imaginário, as massas passaram a aceitar seu estado de opressão sem sentir dor, já que a anestesia estava em si mesmas. Em resumo, ao distribuir a comenda da Ordem de Cristo a seletos representantes, a coroa e a igreja católica usaram o simbolismo para manter a população sob o seu jugo. É necessário conhecer esses detalhes, para compreender como tais fatos contribuíram para configurar o país e também seus reflexos na estrutura social, política e religiosa dos dias atuais.

O LATIFÚNDIO

O núcleo inicial da propriedade provinha da aquisição, ao sargento-mor Francisco da Cunha Macedo, de terras do Sumidouro e Jequitibá. Esses dois sítios foram cenários da saga dos bandeirantes Fernão Dias e Borba Gato, à procura das minas de ouro. Depois que o capitão Antônio de Abreu Guimarães assumiu o comando da Jaguara, houve grande expansão do latifúndio. Estendeu-se desde as cercanias da Quinta do Sumidouro(6), até as proximidades do município de Curvelo, com a maior parte das terras situadas a leste do rio das Velhas. Os dois mapas(7) neste Post mostram, na região do rio Jequitibá − ao norte −, uma pequena descontinuidade nas terras, separando a fazenda do Melo das demais. Nos livros contábeis(8), estão anotados itens da diversificada produção das fazendas: suínos, bovinos, equinos, rapadura, açúcar, cachaça, goiabada, marmelada, sabão, cereais, farinha, algodão, mamona, café, ouro e vários outros.

A capela da Jaguara em 1975.

O capitão Guimarães era homem de fé e, por isso, deu especial atenção à melhoria da capela existente na Jaguara, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, que fora iniciada pelo proprietário antecessor. Por volta de 1780, inaugurou um altar encomendado ao mestre Aleijadinho. Há quem diga que ficou pronto em 1787, embora não seja possível precisar a data. Dezessete anos adiante (em 1804), no balanço de contas(9) do estabelecimento, há uma anotação interessante, que informa: “Despesa do ano de 1804, agosto, 25 − Pelo que pagou a Antônio Francisco Lisboa de jornal de seu escravo 7 ½ 4 …” Entretanto, naquela data, o capitão já havia falecido. Então, fica uma pergunta: estaria o escultor realizando outro trabalho? E por encomenda de quem?

Na matriz de Nova Lima: altar e púlpitos, obras do Aleijadinho, originárias da capela da Jaguara.

Durante muitos anos, o bonito templo foi frequentado pela comunidade da região. Possuía inclusive um cemitério, como consta em vários registros de óbito(10). Entretanto, com o desinteresse dos sucessivos proprietários, a capela arruinou-se e, para que não se perdesse o trabalho do Aleijadinho, o conjunto de talhas foi doado, em 1926, à matriz de Nossa Senhora do Pilar de Nova Lima, onde se encontra instalado. Ruínas do templo perduram na remanescente sede da fazenda, que fica no município de Matozinhos(11), próximo à capital, Belo Horizonte.

Inocente Bernardino, filho de Balbina crioula, batizado na capela da Jaguara, no ano de 1819.

SONHO IMPOSSÍVEL

O grande empreendedor chegou à velhice como um dos homens mais ricos da capitania. Viveu com o objetivo de ganhar dinheiro e dizem que sua fortuna foi alavancada principalmente pela sonegação, ao contrabandear ouro e diamante. Também colecionou pecados, até que chegou a hora em que passou a sofrer o tormento das grandes dúvidas. Diante disso, procurou o socorro da confissão, tendo o seu orientador espiritual lhe apontado o caminho da caridade, como forma de garantir um lugar no céu.

Convencido pelas palavras que ouvira, o capitão Guimarães fez promessa de ajustar suas contas com a coroa portuguesa e de pedir socorro a Deus, para atenuar os sofrimentos da alma. Para tanto, elaborou um projeto que levou à rainha d. Maria I, propondo-lhe um acordo, no qual se obrigava a investir a maior parte da sua fortuna em obras pias. Foi uma decisão, de tal magnitude, que não poderia ter sido tomada aleatoriamente. O propósito de socorrer os sofredores surgiu das experiências de vida de um cristão sensível, bondoso e sabedor das misérias humanas. Em um documento(12), enviado à rainha, esclareceu sobre o que o movia e pretendia:

“… Antônio de Abreu Guimarães […] adquiriu, por meio da sua indústria (profissão) e negociação, o cabedal (fortuna) e fazendas de lavras de ouro, criações e frutos, que possui no rio das Velhas, comarca do Sabará, as quais se acham, no presente, com mais de quinhentos escravos e mais de cem casados, e beneficiadas com importantíssimos serviços (de lavras de ouro) […] em distância de mais de oito léguas de terras minerais […] nas quais atualmente trabalha muita gente…”

Justificou:

“… porque […] fez voto a Deus de aplicar a maior parte dos bens […] em obras pias […] em subsídio das misérias e da pobreza dos nacionais (brasileirosdaquele continente…”

Varanda da casa grande da Jaguara.

No detalhado documento expôs todo o plano, que foi repassado à rainha d. Maria I através de assessores da corte. Também deram pareceres sobre cada item proposto, esclarecendo que, como primeiro benefício:

“… se deliberou fazer […] um colégio na fazenda do Riacho Danta, para educação e residência de donzelas pobres, órfãs e enjeitadas […] com o necessário para o seu curativo e trato, por ser um mal que se vai difundindo e grassando pelas Minas, com tal excesso, que pelo decurso do tempo será irremediável a se lhe não ocorrer (socorrer) com semelhante resguardo e providência…”

Para essas donzelas, havia proposto também que a instituição, no momento oportuno, cuidasse de encaminhar seus matrimônios. Para tanto, destinaria a cada uma o dote de quatrocentos mil reis. Se fossem suas parentas, até o quinto grau, e de “sangue limpo” (13), oitocentos mil reis. Naquela época, era exigência do Santo Ofício aos que almejassem a progressão social. Em um mandato, d. Frei Manoel da Cruz, primeiro bispo de Mariana (1739-1764), já havia orientado como verificar a qualidade de sangue. Devia ser feita a seguinte pergunta: “Se tem parte de nação hebrea, ou outra qualquer infecta, ou de negro, ou de mulato.” Quando obteve o hábito de Cristo, Antônio de Abreu Guimarães se submetera à regra e, por sua vez, estava aplicando o mesmo procedimento nas alunas do colégio.

Como segundo benefício:

“Um seminário na Jaguara, para a instrução de meninos pobres, órfãos e enjeitados, com a obrigação de os sutentar e prover do necessário até saberem ler, escrever e contar e, para os que tiverem boa esfera para a língua latina e outras, se lhe assistirão até a idade de dezoito anos…”

Como terceiro benefício:

“Um hospital na vila de Sabará para […] os enfermos pobres, não sendo de moléstias contagiosas…”

Lagoa Santa: imagem do século XIX, segundo croqui de Eugen Warming. 

Como quarto benefício:

“Um hospital na Lagoa Santa(14), para nele se mandarem recolher todos os enfermos de mal de São Lázaro(15) e, aos que forem pobres, assistir-lhes […] com todo o necessário…”

E mais, não se esqueceu dos familiares, aos quais sempre ajudou, e continuava com o desejo de reservar alguns rendimentos para:

“a contemplação […] de alguns dos seus parentes transversais aos quais sempre […] tem beneficiado […] por razões do sangue […] com os meios […] para a sustentação e estabelecimento futuro […] e continua(ndo) no seu testamento…”

Coimbra, por volta do final do século XVII, ou início do século XVIII. (do acervo da Universidade de Coimbra)

A sustentação financeira das obras pias viria dos rendimentos provenientes das fazendas, tudo sob o comando de uma junta administrativa. Para tanto, designaria seu sobrinho e maior beneficiário, o coronel Francisco de Abreu Guimarães, para ser o primeiro presidente. O diversificado projeto, foi examinado cuidadosamente pelos assessores e, com algumas alterações, a rainha d. Maria I encampou a idéia da criação do Vínculo.

Detalhe da proposta de criação do Vínculo e retrato de Antônio de Abreu Guimarães.

Uma importante modificação introduzida foi o acréscimo de um quinto benefício, perpétuo e em dinheiro, para uma casa de amparo às prostitutas de Lisboa. Então, depois de tudo devidamente formalizado, o capitão voltou a Portugal e fixou residência em Lisboa. Ali abraçou o estado religioso e viveu nessa condição até a morte, no ano de 1801. O acordo com a rainha foi oficializado através de um alvará(16), vinculando a propriedade e os seus rendimentos aos benefícios ajustados, da seguinte forma:

“Eu a rainha faço saber […] que tendo julgado conveniente o aceitar a proposta, que me fez Antônio de Abreu Guimarães, de vincular os bens que possui (na) […] Comarca do Sabará, para a ereção, dote e subsistência de três Casas Pias, em benefício e utilidade […] dos meus vassalos […] Fui servida […] fazer-lhe expedir o meu real beneplácito no decreto […] que vem a ser:

um seminário no sítio de Jaguara, para instrução de meninos pobres;

outro para educação de donzelas necessitadas;

um hospital em sítio próprio […] para a cura do mal de S. Lázaro, que naquele continente vai grassando;

um subsídio anual para a cura de outras enfermidades, que não sejam contagiosas, na Vila do Sabará e um rendimento perpétuo para as convertidas do Recolhimento do Rego, junto a Lisboa; 

D. Maria I e detalhe da sua carta, autorizando a criação do Vínculo.

oferecendo para fundo, subsistência e andamento, as vastas e úteis possessões, que tem naquela comarca, denominadas Jaguara, Vargem Comprida, Mocambo, Riacho d’Anta, Pau-de-cheiro, Forquilha, Melo, Barra do Rio Melo, com engenhos, casas, fábricas, escravos, gados, e criações, além de muitas léguas de terras minerais, de que se tem extraído e pode extrair muito ouro;

propondo-se dividir o produto e líquido rendimento do dito fundo em cinco partes iguais, reservando uma para dispor dela livremente em vida ou por sua morte, aplicando outra desde já para o sobredito recolhimento das Convertidas do Rego;

destinando as outras três, para que tirando-se delas oitocentos mil reis anualmente, para o sobredito subsídio dos enfermos de moléstias não contagiosas, em umas das casas nobres que o suplicante possui e destina para este fim na Vila do Sabará;

todo o remanescente se empregue nas referidas fundações e sua perpétua subsistência […] Todos os bens que atualmente possui Antônio de Abreu Guimarães ficarão vinculados, desde a data do meu real decreto, e ficarão inalienáveis […] e estes bens […] serão administrados por uma Junta […] A primeira Junta será nomeada pelo instituidor do Vínculo ou por quem ele declarar que nomeie […] – Lisboa aos vinte e três de setembro de mil setecentos e oitenta e sete. – Rainha.”

Na beira do rio das Velhas, a fazenda da Jaguara.

O SOBRINHO DO CAPITÃO

O grande erro do capitão Guimarães foi atribuir a administração a uma junta, presidida pelo sobrinho e maior herdeiro, o tenente-coronel Francisco de Abreu Guimarães. Foram 17 anos sob seu comando, mas o preposto não se empenhou em executar as disposições do alvará. Pelo contrário, protelou-as enquanto pôde e tirando para si desmesurado proveito. Em Sabará, onde vivia, desfrutava de uma vida faustosa e dissoluta. Alguns bens foram repartidos entre parentes, outros perdidos no jogo ou levados à praça para o pagamento de dívidas. Durante sua administração, só fez por dilapidar o patrimônio. Ao hospital para o tratamento de doenças não-contagiosas o capitão Guimarães dedicava especial atenção, mas o sobrinho nunca pôs em prática o que seria de sua responsabilidade.

Pedido do capitão Guimarães, pela destituição do sobrinho coronel Francisco da presidência do Vínculo.

AS CASAS DO SABER

O seminário para meninos foi implantado havendo alguma demanda pelos seus dois cursos: primeiras letras e gramática latina. Graças ao altruísmo do capitão Guimarães, muitos jovens teriam uma oportunidade de crescer na vida pela força da instrução. E tinha mais, desejava aos alunos de “extraordinário talento para o estudo de ciências maiores, mandá-los à Universidade de Coimbra”, com todas as despesas pagas pelo Vínculo, sempre dando preferência aos seus parentes. Acrescentando que, se desejassem retornar à sua pátria, deveriam ser assumidas as despesas necessárias, até seis meses depois de graduados.

Foi aberto um livro de matrículas(17) dos alunos, originários de diversos lugares da comarca, alguns até bem distantes. No dia 05.01.1808, Martinho Rodrigues foi admitido como primeiro aluno do curso de primeiras letras. Na mesma data, para aprender gramática latina, José Martins Gandra, um moço de vinte anos de idade, morador de Santa Luzia, que tinha perdido a mãe e vivia com o pai. Entre os anos de 1808 e 1809 estão anotadas 33 matrículas para primeiras letras e 26 para gramática latina.

ELE SABIA

Mas o capitão Guimarães, desde que se retirara para Portugal, soube que seu sobrinho não estava cumprindo com os compromissos e, naturalmente, ficou desiludido diante dos fatos. Ademais, por exigência do alvará real, seria necessária a produção de uma carta topográfica, para o conhecimento do Vínculo em toda sua extensão, entretanto, o sobrinho criava embaraços, impedindo que o trabalho fosse realizado. Então, decidiu fazer uma queixa(18) a d. Maria I, que lhe foi repassada nos seguintes termos:

“Agora representa o dito Antônio de Abreu Guimarães que, seu sobrinho o coronel Francisco de Abreu Guimaraens, tem embaraçado a diligência de que se faça este Vínculo […] Pede que, à sua custa, se mande um Ministro […] para privar ao dito Coronel da administração e de tudo ao que pertencer ao suplicante […] e obrigando a sumariamente ao dito Coronel a dar conta.”

Diante disso, a rainha determinou às autoridades no Brasil que tomassem alguma providência. Diz o documento oficial, de 11.01.1788, que chegou a capitânia de Minas Gerais:

“Por Carta Régia dirigida ao Governador e Capitão Geral de Minas Gerais, se lhes ordenou que, em consequência do Alvará […] igualmente nomeasse pessoa capaz de fazer a Carta Topográfica…” 

Enquanto viveu, o capitão Guimarães teve conhecimento dos desmandos do sobrinho. Tentava, através de correspondências colocar as coisas nos devidos lugares, mas não lhe davam ouvidos. Em uma correspondência(19) à Ordem Terceira do Carmo de Sabará, datada de 29 de maio de 1799, enviou uma escritura de perdão de dívidas a seus credores pobres ou necessitados, nestes termos:

“… nesta cidade de Lisboa, […] Capitão Antônio de Abreu Guimarães, cavaleiro professo da Ordem de Cristo […] disse em presença de mim, Tabelião[…] que desejando fazer alguma equidade aos seus devedores da Comarca do Sabará, que se achassem pobres e pensionados de famílias e totalmente impossibilitados de pagarem o que devem, sem ficarem despidos e exauridos de todos os bens que possuírem, determinará a seu sobrinho e administrador o coronel Francisco de Abreu Guimarães lhe mandasse um mapa de todos os seus devedores existentes na dita comarca […] 

E porque o sobredito coronel até o presente não dera cumprimento a esta determinação, e ele dito capitão se achava entrado nos anos e receando falecer antes de realizar esta caritativa obra, o fazia no modo possível, pela maneira seguinte: […] que ele muito de sua livre vontade e sem constrangimento […] havia por pagas as dívidas […] daquelas pessoas… – Lisboa, três de Junho de mil setecentos e noventa e nove […] – (assinaturas).”

Pagamento de pro-lábore ao coronel Francisco de Abreu Guimarães, referente a 1805.

O educandário para meninos teve efêmera existência. Parece que o bem intencionado capitão Guimarães superestimou muitos dos seus beneficiários, como no caso do garotão José Gandra, o primeiro matriculado, que não gostou de estudar latim naquela escola e um ano depois fugiu, conforme está anotado no livro de matrículas. Talvez já fosse um prenúncio do que estava por vir, pois naquele momento, todo o Vínculo estava em franca decadência. A de meninas, na fazenda do Riacho D’Anta não foi implantada e o projeto acabou caindo no esquecimento. Nenhum desses contratempos foi cogitado no grandioso projeto do capitão. Como já havia falecido, livrou-se de sofrer pelo retumbante fracasso das suas escolas, nas quais depositou tanta esperança.

É importante notar que o patrimônio da Jaguara não se compunha apenas de bens materiais, havia também pessoas. E, com elas, um problema grave que demorou a ser percebido, pois centenas de negros estavam abandonados à própria sorte. Se antes sofriam o jugo da escravidão, certamente haviam mudado de mal para pior. Mais uma consequência da conduta irresponsável do sobrinho do capitão. Somente em 1813, o conde de Palma − governador da capitania de Minas Gerais − preocupado com a ruína do Vínculo, tocou no assunto em uma correspondência(20) ao conde de Aguiar − ministro de d. João, príncipe regente −, quando escreveu:

“… Os ditos bens, consistindo principalmente na mineração […] não sendo permanente, nem sendo dirigida com acerto, diminuiu muito […] Contudo, aquele Vínculo ainda conta com numerosa escravatura[…] que ajunta aos conhecimentos filosóficos, muito zelo e desinteresse (sic), também podia ser ouvido, sobre meios de empregar com vantagem tantos braços absolutamente inúteis…”

HOSPITAIS NA PENÚRIA

A duras penas, o hospital para doenças não-contagiosas foi instalado, “nas casas nobres da Rua do Fogo” (21 ), em um domingo, o 31 de maio de 1812. Os imóveis estavam em estado ruinoso e os oitocentos mil reis anuais de dotação, mesmo se tivessem sido pagos, não teriam sido suficientes para a manutenção. A heróica inauguração só foi possível pelo empenho da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e, assim mesmo, porque contou com a ajuda da população e de alguns abnegados. Até 1832, reiteradamente, as administrações do Vínculo e do hospital, tentaram levantar algum dinheiro através do rei d. João VI (22). No final das contas, o soberano proclamou como única instituição credora o Recolhimento do Rego, em Lisboa, e os herdeiros do sobrinho do capitão, o coronel Francisco de Abreu Guimarães(23).

Batizado com o nome de Hospital de Caridade Abreu Guimarães, sempre foi uma instituição de cunho filantrópico. Ao longo dos anos, sobreviveu a duras penas, prestando inestimáveis serviços à população. Existe até hoje, com a denominação de Santa Casa de Misericórdia de Sabará e está situada na rua Francisco de Assis Pereira, 55.

Nos descaminhos da administração do Vínculo, Francisco de Abreu Guimarães teve a coragem de retirar para si, de pró-labore(24), 400.000 mil reis, só no ano de 1805 (contabilizados!), mas nunca pagou os 800.000 mil reis destinados ao hospital. Falecendo em 5 de abril de 1807, deixou o patrimônio esfacelado e a promessa do tio descumprida. Devido ao estado de penúria em que se encontravam as casas da Rua do Fogo, a Ordem Terceira do Carmo, encarregada da sua administração, ainda tentou levantar algum dinheiro, oficiando(25) à nova junta que assumira a administração do Vínculo. A dotação havia sumido e a contabilidade falsificada, é o que se deduz da resposta recebida:

“não podemos condescender com a vontade V. Cdes. e com o que nos propõem, porque, em todo tempo que este Vínculo esteve debaixo da administração do coronel Francisco de Abreu Guimarães, nunca houve liquidação alguma e, apenas, ele firmou uma conta arbitrária em nome desta Junta, que enviou ao Exmo. General, para este remeter a Sua Alteza, na qual mostrou não chegar a receita para a despesa, deixando por isto gravado este Vínculo com dívidas que ainda agora estamos pagando.”

Hospital Abreu Guimarães, reformado pela Siderúrgica Belgo-Mineira, em 1923.

O hospital para leprosos – mal de São Lázaro – não foi instalado em Lagoa Santa, entretanto, a irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Sabará(26), com a ajuda da população da cidade e beneméritos, cuidou da sua construção no bairro de Roças Grandes. Sua fundação data de 1883. A partir de 1944, foi assumido pelo governo do estado de Minas Gerais, com a denominação de Hospital Cristiano Machado, tendo mais recentemente ampliado seu atendimento com a prestação de outros serviços de saúde.

Gazeta de Lisboa, em 1819: alerta contra malandros.

AS ARREPENDIDAS

O Recolhimento do Rego, era uma casa de abrigo de meretrizes, em Lisboa, no convento das Convertidas de Nossa Senhora do Rosário, de religiosas franciscanas, fundado depois de 1768. Chamavam esses lugares de recolhimentos de convertidas ou de prostitutas arrependidas, que eram administrados por freiras. Tem-se notícia do primeiro deles, instituído por um alvará de d. João III, em 1587. Durante largo período da história existiram muitos, tanto em Portugal, quanto em outros países da Europa, África e também no Brasil. Em 1841, discorrendo sobre a prostituição em Lisboa, um médico(27) escreveu:

“Existe em Lisboa uma casa das convertidas com o título de casa da Piedade, ou de Nossa Senhora da Natividade, na rua do Passadiço […] com o fim de nela recolherem as prostitutas arrependidas […] Consta que a primeira casa de Refúgio, ou das Convertidas, fora estabelecida no alto das Chagas (1587), a qual fora destruída pelo terremoto de 1755; foram depois essas mulheres ocupar um estabelecimento à Boa Morte, daí foram para o Rego.”

Como se não bastassem os fracassos no Brasil, ao adentrar no século XIX, o recolhimento fatalmente caminharia para a extinção. Talvez, anunciando os tempos difíceis que viriam, em 08.05.1819, a “Gazeta de Lisboa” publicou um alerta sobre alguns vigaristas, que estavam usando o prestígio da instituição para tomar dinheiro dos incautos:

“A Regente do Recolhimento do Rego faz saber ao Público que andam pessoas fingidas a pedir esmolas para o dito Recolhimento…”

Placa comemorativa da fundação do hospital de Sabará e livro do hospital de Lázaros de Roças Grandes (1901).

O ÚLTIMO ATO

No decorrer desse tumultuado capítulo da história da Jaguara, somaram-se tantos desmandos e infortúnios, que o projeto de Antônio de Abreu Guimarães estava fadado ao desastre final. Sequer d. João VI, quando assumira a coroa, teve boa-vontade em fazer valer o que d. Maria I acertara com o doador, pelo contrário, o projeto do vínculo beneficiou apenas o sobrinho do capitão e os seus herdeiros, mais o Recolhimento do Rego.

Os sofrimentos continuaram e, em 14 de outubro de 1843, o Vínculo foi extinto pelo imperador d. Pedro II:

“Decreto n° 306 — Art. 1° – Fica extinto o Vínculo do Jaguara na Província de Minas Gerais. / Art. 2° – Os bens […] depois de avaliados competentemente, serão arrematados a quem maior preço oferecer à vista […] § 2° – Arrematada uma Fazenda, só se poderá arrematar outra depois de oito dias seguintes […] § 3° – O produto da arrematação […] será remetido à tesouraria Provincial, que o receberá e empregará em Apólices da Dívida Pública […] / Art. 3° – A metade do juro anual das Apólices será […] para pagamento das dívidas, com que […] se acha onerado o Vínculo […] a outra metade será dividida em cinco partes, […] uma pertencerá aos herdeiros do Instituidor, outra para a fundação e um hospital de lázaros na cidade de Sabará, outra para educação de […] meninas pobres no Recolhimento de Macaúbas e as duas últimas para a mantença do hospital já existente na cidade do Sabará […] − José Antônio da Silva Maia, […] com a rubrica de sua majestade o Imperador (d. Pedro II).” (28)

Como mostra o decreto, houve alteração no projeto do colégio feminino da fazenda do Riacho D’Anta. Foi substituído por um subsídio ao Recolhimento de Macaúbas, em Santa Luzia, destinado à  educação de algumas meninas pobres. Nesse sentido, em 18.11.1863, regulamentando decreto anterior(29), o marquês de Olinda determinou: “Art. 1° / §  2° – Serão admitidas tantas meninas pobres quantas o colégio puder receber e, para cuja manutenção e ensino, sejam suficientes de 1/10 do produto da venda dos bens do Vínculo da Jaguara, na razão de 400$000 para cada educanda.” Tudo fantasia, Macaúbas nada recebeu.

Na segunda metade do século XIX, a fazenda da Jaguara foi adquirida por Francisco de Paula Santos, associado ao seu genro Henry Dumont. Imaginavam que ali ainda existiria muito cascalho aurífero a explorar, mas não encontram nada e a decadência do estabelecimento prosseguiu.

Fazenda do Melo: à esquerda, rio Jequitiba e, à direita, Curvelo. Junto a Maquiné foi criada Vista Alegre. 

UM POUCO DE ALEGRIA

A fazenda do Melo, ao ter suas terras levadas à praça, foi subdividida em várias sesmarias. Era o ano de 1883 e o padre João de Santo Antônio(30) trabalhava na região designado por d. Viçoso, bispo de Mariana. Sua missão era educar o povo, melhorar os costumes e promover a vida cristã, especialmente divulgar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Sentindo a boa oportunidade de obter terras para fundar um arraial, apelou à colaboração do povo do lugar. Conseguiu o seu intento, contando com a ajuda financeira de d. Policena Mascarenhas(31), uma fazendeira rica e muito religiosa.

A paisagem do lugar era exuberante e o clima muito agradável. Para o padre, faltava apenas uma capela para completar o seu sonho. E não foi difícil, pois com a colaboração de toda a comunidade pode promover a construção do templo. Em um diário anotou suas primeiras escolhas, o nome do arraial e o seu protetor:

“Aos 21 de agosto de 1883, vim dar começo à fundação da povoação de Vista Alegre, começando por edificar uma capela ao patriarca S. José…”

Capela de São José, construída nas terras do antigo Vínculo da Jaguara.

Enquanto se construía a capela de São José, o padre levantou uma pequena ermida, onde prestou serviços até a conclusão da obra tão almejada. Ali mesmo, no templo provisório, fez sua primeira celebração. São suas palavras:

“No dia 23 de dezembro de 1883, soou pela primeira vez a voz do sino de 62 quilos, que fiz vir do Rio de Janeiro, chamando a vir assistir a primeira missa, neste ainda cerrado de Vista Alegre.”

Pois foi nesse lugar bonito, pertinho da gruta de Maquiné, que surgiu o arraial do Sagrado Coração de Jesus da Vista Alegre. O patrimônio doado à igreja perfazia 40 alqueires e deles o padre João separou vários lotes, para distribuição gratuita. Também não se esqueceu de prover a população com o serviço de água. Mais tarde, por decreto de 09.06.1890, trocaram o nome do arraial para Cordisburgo da Vista Alegre, que é a terra natal do maior poeta do sertão, João de Guimarães Rosa. E quem descreveu melhor foi ele mesmo, no seu discurso ao tomar posse na Academia Brasileira de Letras:

“… pequenina terra sertaneja, trás montanhas, no meio de Minas Gerais. Só quase lugar, mas tão de repente bonito: lá se desencerra a Gruta do Maquiné, milmaravilha, a das Fadas; e o próprio campo, com vasqueiros cochos de sal ao gado bravo, entre gentis morros ou sob o demais de estrelas, falava-se antes: “os pastos da Vista Alegre”. Santo, um “Padre Mestre”, o Padre João de Santo Antônio, […] chamou “O Burgo do Coração”. Só quase coração – pois onde chuva e sol e o claro do ar e o enquadro cedo revelam ser o espaço do mundo primeiro que tudo aberto ao supra-ordenado: influem, quando menos, uma noção mágica do universo.”

. . . . . . . . .

Contrariando o que pretendia Antônio de Abreu Guimarães, o deus do dinheiro comandou grande parte desse processo, fatalmente levando o Vínculo à ruína total. Quem acompanhou o desastre de perto, chegou a comentar que o sonho do capitão abriu para si as portas do céu e, para muitos, as portas do inferno.

Entretanto, ainda não chegou o fim da história, a saga da Jaguara continuou e com passagens muito curiosas, que serão reveladas no próximo Post.

• Conheça mais da história da Jaguara, clicando com o botão direito, aqui: “A fazenda de muita história” e aqui: “Dumont, Vianna & Cia.” 

Por Eduardo de Paula

Retrato de Antônio Abreu Guimarães, que ilustra este Post, pertence ao acervo do Hospital Abreu Guimarães, em Sabará./ Foto da fazenda da Jaguara: Augusto Riedel, maio.1869 / Mapas do Vínculo (1787) – Fonte: Arquivo Público Mineiro. 

– – – – – – –

(1) Sesmaria: terra doada pela coroa portuguesa com a promessa de cultivo.

(2) Ordem de Cristo – Ordem religiosa e militar, criada em 14.03.1319, pela bula “Ad ea ex-quibus”, de João XXII. O “hábito de Cristo” designa a indumentária distintiva da ordem, portanto, há duas maneiras de se referir à comenda. O rei era o grão-mestre da ordem.

(3) Carta de sesmaria a Isabel Bueno, em 03.10.1769, viúva de Antônio de Abreu Guimarães. − Arquivo Público Mineiro – SC / 1ª seção, n° 172, data: 1769-1774, p. 16 e 16v (microfilme).

(4) O capitão Antônio de Abreu se declara cavaleiro da Ordem de Cristo, como consta em uma escritura de perdão e quitação de dívidas, lavrada em Lisboa, em 03.06.1799, vide: PASSOS, Zoroastro Vianna – “Notícia Histórica da Santa Casa de Sabará”, Imprensa Oficial de MG, 1929, p. 14.

(5) RODRIGUES, Aldair Carlos – Mestre em história social, autor de livros e articulista. / Referência a Antônio de Abreu Guimarães: Torre do Tombo, Lisboa (IANTT, HOC, Letra A, mç. 16, doc. 11).

(6) Quinta do Sumidouro: arraial fundado pelo bandeirante Fernão Dias, em 1675. Hoje pertence ao município de Pedro Leopoldo.

(7) Mapas do Vínculo da Jaguara, 1787 – Arquivo Público Mineiro.

(8) Arquivo Público Mineiro – CC / cx. 31 e CMS-055 / microfilme rolo 07.

(9) Revista do Arquivo Público Mineiro – N° 26, maio, 1975, p. 125, doc. n° 1 – Prestação de contas dos bens do Vínculo da Jaguara / Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, cx. 44, 1756-1809.

(10) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Livros paroquiais com anotações de vários óbitos e enterros no cemitério Jaguara.

(11) Matozinhos: segundo a lenda, o povoado surgiu ao redor da capela construída em homenagem ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos.

(12) Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, cx. 111, doc. 42.

(13) Limpeza de sangue: Prática de investigação das origens dos indivíduos, imposta durante a Inquisição, segundo regras estipuladas pelo Santo Ofício.

(14) Lagoa Santa, uma das vilas mais antigas de Minas Gerais, próxima à região do Sumidouro.

(15) Mal de São Lázaro: hanseníase, o mesmo que lepra ou morféia.

(16) Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, cx. 127, doc. 24.

(17) Arquivo Público Mineiro – CC/1649.

(18) Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, cx. 127, doc. 24.

(19) PASSOS, Zoroastro Vianna – “Notícia Histórica da Santa Casa de Sabará”, Imprensa Oficial de MG, 1929, p. 14.

(20) Revista do Arquivo Público Mineiro – 1810/1814, vol. 20, publ. 1924, p. 362.

(21) Rua do Fogo: atual rua Comendador Viana.

(22) JOÃO VI, Dom − Como monarca de Portugal, em 20.03.1816, e regente desde 10.02.1792; como imperador do Brasil, de 29.08.1825 (Tratado do Rio de Janeiro). 

(23) PASSOS, Zoroastro Vianna – “Notícia Histórica da Santa Casa de Sabará”, Imprensa Oficial de MG, 1929, p. 16.

(24) Arquivo Público Mineiro – CC /cx. 31.

(25) PASSOS, Zoroastro Vianna – “Notícia Histórica da Santa Casa de Sabará”, Imprensa Oficial de MG, 1929, p. 11.

(26) Estatutos da santa casa de Misericórdia e Hospital de Lázaros de Sabará – 1910 – “… Capítulo I […] Art. 1o – A irmandade […] canônica e juridicamente instituída nesta cidade de Sabará […] Art. 2o – São seus fins: § 1o – Manter os dois hospitais de caridade atualmente aqui existentes, intitulado um – Santa Casa de Misericórdia – , e outro – Hospital de Lázaros – bem como qualquer outro que, para o futuro, venha fundar…”

(27) CRUZ, Francisco Ignácio dos Santos – Médico da Universidade de Coimbra: “Da Prostituição na Cidade de Lisboa”, Tipografia Lisbonense, Lisboa, 1841.

(28) “Coleção das Leis do Império do Brasil”, de 1863, Tipografia Nacional, Rio de Janeiro, p. 51 e 52.

(29) “Coleção das Leis do Império do Brasil”, de 1843, Tipografia Nacional, Rio de Janeiro, p. 362 e 363.

(30) SANTO ANTÔNIO, Padre João de – Estudou e lecionou em Mariana (Caeté *20.05.1824,  Santa Luzia [Macaúbas] +15.09.1913).

(31) MASCARENHAS, Policena Moreira da Silva − Casada com Antônio Gonçalves da Silva Mascarenhas (comerciante e fazendeiro, em Taboleiro Grande); filha de Apolinário Ferreira Pinto e Custódia Moreira da Silva.

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15 Comentários »

  1. Eduardo: Este Post está respondendo muitas duvidas sobre a Jaguara e toda a região. Fatos inéditos e temas difíceis de pesquisar! Muito obrigada, pela obra e aplauso pela fortaleza de redigir esse documento, tão valoroso para nossa história. Aguardamos os próximos Posts. Bravo, bravíssimo.
    Maria Marilda – Lagoa Santa, das Gerais.

    Comentário por maria marilda pinto correia — 01/02/2012 @ 8:13 am | Responder

    • Marilda: Cara leitora, seu entusiasmo me dá mais fôlego para prosseguir. Muito obrigado, um abraço do
      Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/02/2012 @ 8:42 am | Responder

  2. Eduardo, gostei muito deste post, de tão agradável visual e leitura, e rigor histórico. A figura de Antônio de Abreu Guimarães e o vínculo da Jaguara sempre me fascinaram, tendo sua origem atrelada a esta região (o carste de Lagoa Santa e o Sumidouro) com tanto significado e profundidade histórica. Considero, como você, que a genealogia pode revelar, de seu ângulo, padrões históricos inusitados. Parabéns pelo seu blog, cujos posts vou ler com muito gosto.
    Pedro Lobo Martins

    Comentário por Pedro Augusto Conde Lobo Martins — 09/03/2012 @ 12:32 am | Responder

  3. Magnífico blog! Parabéns ao seu idealizador. Pretendo acessar novamente assim que puder.

    Comentário por Fabrício A. Mascarenhas Fraga — 07/04/2012 @ 2:06 pm | Responder

    • Fabrício:
      Muito obrigado pelo estímulo. Espero continuar recebendo suas visitas.
      Cordialmente, Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 07/04/2012 @ 6:06 pm | Responder

  4. Eduardo: Antes de mais nada, gostaria de parabenizá-lo pelo blog. Em especial pelos seus posts sobre a Jaguara que, como já disseram, está respondendo a muitas questões difíceis.
    Indo direto ao ponto, estou escrevendo a minha monografia sobre a Jaguara e, claro, fiquei muito interessada nos documentos mencionados, arquivados na Torre do Tombo. Gostaria de saber se você tem as imagens desses documentos ou sua transcrição e se é possível, por favor, passá-los para mim.
    Desde já agradeço,
    Ana Cristina Campos

    Comentário por Ana Cristina Campos — 07/05/2012 @ 8:19 pm | Responder

    • Ana Cristina:
      Muito obrigado pelos comentários. Vou responder suas dúvidas pelo seu endereço de email.
      Um abraço do
      Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 07/05/2012 @ 10:21 pm | Responder

  5. Só tive acesso ao blog hoje, depois de fazer uma visita à atual Jaguara e redondezas, e pesquisar na net. Já conhecia toda a história mas, com esse requinte de detalhes, nunca tinha visto. A propósito, qual a sua profissão? Já começou a pesquisar Matozinhos? Tenho algumas referências da metade do século XVIII.

    Comentário por João Pezzini — 15/10/2012 @ 8:23 pm | Responder

    • João: Muito obrigado pelo comentário. Vou responder suas perguntas por email.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 16/10/2012 @ 8:44 am | Responder

  6. Eduardo, Parabéns. Este Blog é mesmo muito bom. De fácil entendimento e leitura. Infelizmente, podemos concluir que a falta de fiscalização e punição de atos desmedidos contribuem, em muito, para o que hoje presenciamos: descaso e corrupção. Admirei a elevada qualidade bibliográfica e exelente pesquisa.
    Por ser filho de Sabará, clamo pela manutenção do Hospital da Santa Casa que, pelo visto, vem se arrastando na penúria ao longo da história. Desde 1990, moro na rua Abreu Guimarães, rua principal, que dá acesso ao hospital. Uma pergunta fica no ar: governo, prefeitos, vereadores conhecem nossa história? Se sabem, deveriam avaliar melhor os seus atos. Se não, deveriam saber, antes de concorrer aos cargos públicos.
    Aguardo os próximos Posts. Um abraço do Erico.

    Comentário por Erico Luis Gomes Carmo — 22/01/2013 @ 5:24 pm | Responder

    • Érico:
      Agradeço as palavras generosas. Compartilho seu sofrimento em ver tudo isso que tanto prezamos morrendo aos poucos, a cada dia.
      Aplaudo sua atitude e lhe envio um abraço,
      do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 22/01/2013 @ 7:37 pm | Responder

  7. Eduardo:

    Gostei muitissimo do seu trabalho. Sou doutorada em história e pesquiso filhos de criação e adoção no Brasil colonial e também em Portugal, entre 1765 e 1822. Cheguei até o blog pois estava procurando imagens para ilustrar a capa do livro que vou publicar com minha tese de doutorado. Foi uma grata surpresa ler textos tão informativos quanto os seus.
    Por falar em imagem, sabe me informar qual museu/insituição detem a obra de Herbert Salentin, que ilustrou seu texto?
    Agradecida,
    Alessandra Moreno/São Paulo/BRASIL

    Comentário por afzbr2@gmail.com — 23/10/2013 @ 8:24 pm | Responder

    • Alessandra:
      Muito obrigado pelo gentil comentário. Vou entrar em contato com você pelo seu endereço de email e lhe darei a referência da imagem.
      Cordialmente, Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 23/10/2013 @ 11:42 pm | Responder

  8. Gostei muito de seu trabalho. Parabéns. Estou realizando um estudo sobre a imagem de Nossa Senhora da Piedade de Felixlândia. Gostaria de ter contato para trocarmos algumas informaçoes. Grata – Rosemere V. dos Reis

    Comentário por Rosemere Vieira dos Reis — 17/04/2017 @ 2:13 pm | Responder

    • Rosemere:
      Muito obrigado pelo aplauso. Vou entrar em contato com você por email.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 17/04/2017 @ 3:37 pm | Responder


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