Sumidoiro's Blog

01/03/2012

DUMONT, VIANNA & CIA.

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 7:44 am

♦ Em terras de Jaguara

Nas terras do Sumidouro foram escritas algumas das páginas mais empolgantes da história das Minas Gerais. Os indígenas chamavam o lugar de Anhacanhura porque ali existe uma lagoa, junto a um maciço de pedra, que possui uma lapa e onde corre um rio subterrâneo. Para os bandeirantes, que chegaram à procura das minas de ouro, era o Sumidouro, onde as águas desaparecem, e esta denominação se estendeu a uma vasta região no seu entorno. Por lá andou Fernão Dias, fundador da Quinta do Sumidouro, junto à lagoa, e onde, na mesma época, as irmandades do Rosário e do Santíssimo Sacramento cuidaram de construir uma capela, uma das primeiras das Minas Gerais. Pertinho, fica o lugar onde foi assassinado o fidalgo d. Rodrigo Castelo Branco, a mando de Borba Gato. 

Maciço e lagoa do Sumidouro. A boca da lapa fica junto à margem da lagoa, atrás da elevação.

Muitos fazendeiros se estabeleceram na vizinhança do Sumidouro, pequenos e grandes proprietários. O maior deles foi o capitão Antônio de Abreu Guimarães(1) que, no século XVIII, formou um importante conjunto de fazendas. O núcleo principal se estendia, em direção ao sul, até o povoado da Quinta do Sumidouro. A sede, denominada Jaguara, ficava a sete léguas da vila de Sabará e a quatro de Santa Luzia, empório comercial da região.

Ao fim da vida, em um ato de benemerência, Abreu Guimarães decidiu doar a maior parte dos seus bens a obras pias e o patrimônio foi intitulado Vínculo da Jaguara, pois estava ligado a uma promessa. Foi instituído em 23.09.1787, no reinado de d. Maria I, mas com o afastamento do capitão, passou a ser dilapidado pelo seu sobrinho, que fora encarregado da administração, e durou pouco mais de meio século. No dia 14.10.1843, foi extinto por decreto(2) de d. Pedro II e os bens remanescentes ficaram sob a administração do governo. Demorou, até que fossem à praça, pois o processo regulatório, que se fazia necessário, só chegou à Secretaria dos Negócios da Fazenda no ano de 1863. A decisão repercutiu nacionalmente e foi anunciada no Diário Oficial do império, na edição de 01.02.1863.

Diário Oficial anuncia andamento do processo para a venda da Jaguara.

Nesse mesmo ano, várias fazendas do Vínculo foram vendidas. A fazenda da Jaguara foi comprada por Henrique Dumont(3) e Francisco de Paula Santos. A data é confirmada pela resolução(4) do Tribunal do Tesouro Nacional, rubricada por d. Pedro II, em 02.09.1863, que diz:

“Henrique Dumont e outros arrematantes das fazendas do Vínculo da Jaguara […] recorreram […] da decisão do Tesouro, que em grau de recurso, mandou acumular ao valor das letras […] para o pagamento daquela arrematação, os juros de 6% …”

Francisca de Paula Santos, Alberto Santos Dumont e Henrique Dumont.

O empresário Henrique Dumont, engenheiro, formado na França, era natural de Diamantina. Filho de François Dumont e Euphrasie Honoré. Seu casamento foi em Ouro Preto, em 1856, com Francisca Santos, filha do seu futuro sócio na Jaguara, o comendador Francisco de Paula Santos(5), um dos homens mais ricos da cidade. Os interesses maiores dos adquirentes eram explorar ouro de aluvião e, principalmente, a madeira que ali existia em abundância. Não tiveram sucesso na cata do ouro, pois o metal tinha se tornado escasso, mas promoveram a devastação das matas, atuando como maiores fornecedores de madeira para a famosa mina de Morro Velho.

Henrique Dumont era homem modesto e de hábitos simples. Seu sogro era bem diferente, pelo menos na opinião do naturalista Hermann Burmeister(6), que fez uma viagem pelo Brasil, em 1850. Em uma parada, no seu retorno ao Rio de Janeiro – entre Ouro Preto e Barbacena –, conheceu Francisco de Paula Santos e assim descreveu os fatos, ocorridos no dia 26 de novembro:

“… bem ao pé de um cume, encontrava-se a estalagem […] Uma senhora de certa idade e pequenos recursos mantinha um regime severo nessa hospedaria, onde havia um grande número de criadas negras. […] Acabávamos de sentar à mesa, quando chegaram mais três grupos de viajantes: um médico inglês de Diamantina, que então se dedicava ao comércio de pedras preciosas; o rico banqueiro (Francisco de) Paula Santos, de Ouro Preto; e um jovem casal, que destinava a essa cidade […] a senhora, bem moça ainda, agradou-me muito e eu senti bastante não estar em condições de manter uma palestra com ela, o que teria sido fácil, pois, como as demais brasileiras, parecia achar graça e agrado no meu filho, por causa do seu cabelo louro.

O sr. Santos passeava pela sala, com uma expressão de importância e arrogância, justificada pela posse de meio milhão de mil réis. Evidenciava sua importância também por meio de um belo par de botas de verniz, que causaram grande estupefação ao meu filho. Eu me satisfiz em conversar um pouco com o inglês, que vinha acompanhado de um filho muito taciturno.”

Porto da Jaguara e barco a vapor em testes, construído por Henrique Dumont. (Foto de A. Riedel, 1869)

O engenheiro Henrique Dumont, que era muito habilidoso e criativo, montou na fazenda a melhor oficina de mecânica e de carpintaria da região, dedicando-se à construção de máquinas, edificações e embarcações. São notáveis duas obras de Dumont, uma ponte de madeira na cidade de Sabará e um barco a vapor, com maquinaria importada do exterior. O barco foi construído nas oficinas da fazenda, a pedido de Joaquim Saldanha Marinho, governador das províncias de Minas Gerais e de São Paulo, com o objetivo de implementar a navegação no rio São Francisco. O engenheiro já possuía experiência com duas outras embarcações, nas quais transportava produtos da fazenda até os portos de Santa Luzia, Sabará e redondezas.

Em maio de 1869, o vapor pioneiro, batizado de Saldanha Marinho, já estava em testes no rio das Velhas, como mostra uma das fotografias de Augusto Riedel(7), feita em atendimento a uma encomenda do duque de Saxe e do seu irmão d. Luís Philippe. A finalidade era documentar os lugares por onde haviam passado em visita ao interior do Brasil, no ano de 1868. Na viagem inaugural, o barco percorreu as águas do rio das Velhas até o São Francisco chegando à vila de mesmo nome, em fevereiro de 1871. Depois, prosseguiu rumo ao estado de Pernambuco, passando por Juazeiro (Bahia), até atingir Santa Maria da Boa Vista. O vapor transportava mais cargas do que passageiros e parou de navegar na década de 1970.

Vapor Saldanha Marinho ancorado no Rio São Francisco.

Quando o viajante e aventureiro inglês Richard Burton(8) esteve em Sabará, em 1867, relatou suas primeiras impressões sobre a vila e o rio das Velhas: “Entramos na cidade pela ponte […] muito comprida, muito baixa e muito velha. A largura total do leito do rio é de 108 metros.” E falou de um projeto que havia para construir uma nova ponte: “Como de hábito, a ponte será feita de aroeira, árvore que cresce em grande quantidade rio abaixo.” Também fez referência ao porto: “… um embarcadouro de madeira, junto de um plano inclinado, mostra onde são descarregados, do barco do sr. Dumont, os enormes troncos de árvores destinados à Mina de Morro Velho. Para cima desse ‘Porto Dumont’, porém o rio não é navegável.” 

Exatamente naquele ano, uma enchente colossal destruiu a ponte. Imediatamente, o governador Saldanha Marinho encomendou, ao engenheiro Dumont, uma substituta mais sólida. Nela se utilizou madeira − aroeira e braúna − das matas da Jaguara. A carga, como de hábito, foi transportada em barcaças, movimentadas à vara por escravos. O desenho da estrutura teve alto padrão técnico e esmero estético, resultando em uma verdadeira obra de arte.

Ponte Saldanha Marinho, em Sabará, com estrutura em triângulos: maestria na física e na estética.

Prosseguindo sua viagem pelo rio das Velhas, em direção ao oceano Atlântico, Burton chegou em visita(9) à Jaguara, no dia 10.08.1867, e disse:

“… vimos, na margem esquerda, uma grande casa quadrada, caiada de branco e com telhados vermelhos, muito estragada, tendo atrás uma igreja […] No porto, fomos recebidos pelo Dr. Quintiliano José da Silva, ex-presidente de Minas e, atualmente, juiz dos feitos da Fazenda Nacional, que me apresentou à dona da casa, dona Francisca de Santos Dumont […] mostrou-nos o quarto de hóspedes e nos cumulou de toda a hospitaleira de que são pródigos os seus patrícios. […] Naquela casa […] passei cinco dias agradáveis…”

Em seguida, teceu uma série de comentários sobre o que viu e o que lhe disseram. Algumas partes do seu relato trazem imprecisões, ao serem confrontadas com documentos. De qualquer forma, o depoimento é valioso e ajuda a montar o mosaico histórico. A leitura atenta do seus dois livros de viagem mostra que, amiúde, foram usados como fonte de informação, naturalmente repassando acertos e erros.

Fazenda do Mocambo, em 18.03.1912, e visconde do Rio das Velhas.

Burton mencionou também outra fazenda do Vínculo, a do Mocambo, dizendo ser “pertencente ao coronel Francisco de Paula Fonseca Vianna”. É um personagem que precisa ser mais conhecido. Seu pai era José de Souza Vianna (*c.1789 +17.07.1863), terceiro filho de Bernardo de Souza Vianna (*c.1761 +20.08.1825), sendo o primeiro Antônio (*c.1786 +16.12.1856) e o segundo Bernardino (*1788 +?). O patriarca Bernardo foi proprietário da fazenda da Jaguara de Cima. A adjetivação “de Cima”, dá a entender que ficava mais próxima à nascente do rio das Velhas, embora não seja possível saber a localização precisa. A família sempre teve ligações com o Sumidouro, pois muitos Viannas nasceram e viveram lá. Vários deles frequentaram os serviços religiosos da capela de Nossa Senhora da Conceição da Jaguara. (10)

Francisco de Paula Fonseca Vianna − tenente-coronel, barão e depois visconde do Rio das Velhas − foi dono da fazenda Bom Jardim, que fazia divisa com o Vínculo, e adquiriu valiosa parte dele, a fazenda do Mocambo. Primeiramente, o negócio foi feito em sociedade com o pai, quando a propriedade foi oferecida em leilão e teve a aprovação pelo governo em 02.03.1863. Ajustou-se o pagamento por letras promissórias mas, por falta de uma procuração de José, para atender às devidas formalidades, a compra foi anulada, mas Francisco de Paula já havia ocupado a fazenda. A decisão final para a venda foi assinada pelo Visconde de Itaboraí, em 08.08.1870, “… em deferimento à petição do Barão do Rio das Velhas, […] como único arrematante da fazenda denominada Mocambo, do extinto Vínculo do Jaguara…” (11)

Terras da Jaguara (parte clara) com a fazenda sede e a do Mocambo. Ao alto, a fazenda Bom Jardim. 

Quando d. Pedro II esteve em visita a Minas Gerais, Francisco de Paula hospedou o imperador e os momentos de convivência foram anotados no seu diário(12) de viagem. Acompanhado de um filho do anfitrião, d. Pedro partiu de Santa Luzia, no dia 08.04.1881, passou pela fazenda do Mocambo e dormiu na vila de Matozinhos. Escreveu:

“5h – Saída para a gruta da Aldeia. Chapadão de bela vista de madrugada. Engenho Fidalgo, Lapinha pequena […] Mocambo […] uma das 5 do Vínculo da Jaguara. O caminho tinha sido preparado e estava bom. Quase sempre havia mais ou menos sombra antes de Mocambo […] Passa-se junto ou pouco longe de 5 ou 6 depósitos de água das chuvas que disse-me meu guia Antônio da Fonseca Viana (sobrinho do futuro visconde) secam depressa…”

No dia seguinte, d. Pedro II retornou a Santa Luzia e registrou no diário um acontecimento desagradável, ocorrido na madrugada do dia 9:

“O barão do Rio das Velhas ao sair da casa onde pousa caiu da escada de pedra de grande altura. feriu bastante a testa e contundiu fortemente o olho esquerdo. Tem vomitado. Fui vê-lo antes de sair.”

Quando d. Pedro II escreveu “fui vê-lo antes de sair”, estava se referindo à saída de Matozinhos, no momento em que retornava a Santa Luzia. É importante observar esse detalhe, porque tem sido repetidamente divulgada a versão de que sua alteza fora hospedada, por Francisco de Paula, em Santa Luzia, o que não é verdade. O imperador cuidou também de prestar assistência ao amigo acidentado, enviando-lhe o médico da câmara imperial, dr. Antônio Teixeira da Rocha − barão de Maceió. Ao prestar o socorro, o médico julgou grave o estado do enfermo pois, ao amanhecer, apresentava ligeiros sintomas de congestão cerebral. A marca do ferimento na testa deixou uma cicatriz, como pode ser vista em uma fotografia. Pouco tempo depois, pelo fato de ter recebido d. Pedro II com especial deferência, foi promovido a visconde e recebeu a comenda da Ordem de Cristo. (13) 

Ruínas da casa, em Matozinhos, onde o barão do rio das Velhas hospedou d. Pedro II.

O pai da aviação, Alberto dos Santos Dumont, é filho de Francisca e Henrique Dumont. Sua vida teve início em terras jaguarenses, ainda ao abrigo do ventre materno, no final do ano de 1872. Três irmãos, Virgínia, Luís e Gabriela nasceram na Jaguara(14). Com a venda da fazenda para o inglês George Chalmers(15), a família mudou-se para o sítio Cabangu, em Palmira (MG), onde Alberto nasceu, em 20.07.1873.

Minerador e empreendedor, Chalmers era superintendente da St. John d’El Rey Mining, empresa britânica considerada um símbolo do imperialismo na América Latina. Tornou-se proprietária da antiga mina de ouro de Morro Velho, situada em Nova Lima, que já era explorada desde 1725.

Na Jaguara, Chalmers fez infrutíferas tentativas à procura de ouro e prosseguiu retirando madeira, para abastecer a mina em que trabalhava. A fazenda propiciava também a prática dos seus “hobbies“, caça e pesca, nas matas generosamente povoadas de animais e no rio muito piscoso. Era seu hábito convidar amigos para participarem da sua diversão, mas também pessoas influentes, com o intuito de incrementar suas relações políticas e comerciais.

Ruínas da igreja da Jaguara (2010) e George Chalmers.

Chalmers era de crença protestante e não tinha maiores interesses pela capela da Jaguara, de tal maneira que o templo, já em estado ruinoso, foi transformado em depósito de materiais agrícolas. Na mesma situação estava o conjunto ornamental que o equipava e cuja peça principal era um altar do escultor Aleijadinho.

Em 1910, um amigo do fazendeiro, o coronel Augusto de Magalhães, dera início à reforma matriz de Nossa Senhora do Pilar, de Nova Lima, e sabendo que o tesouro artístico da Jaguara estava se perdendo, sugeriu-lhe a doação para aquela igreja. Sua proposta foi acatada, tendo sido todo o conjunto de talhas em madeira desmontado e transportado, primeiramente até a estação férrea de Dr. Lund e dali até Nova Lima. Naquele momento, não havia como instalar as peças, pois a igreja necessitaria sofrer adaptações. Em 1926, quando foi terminada a reforma, houve a reinauguração com toda a talha integrada ao novo templo.

Capela da Jaguara e, ao fundo, uma elevação do outro lado do rio das Velhas. (Foto: G. Chalmers, 1942)

A foto panorâmica da Jaguara − por Riedel −, que ilustra os dois Posts anteriores(16), foi captada com a câmera posicionada em uma elevação existente na margem direita do rio das Velhas. Uma foto da capela (acima), de autoria de George Chalmers, mostra o terreno mais alto, ao fundo, onde Riedel instalou seu equipamento. Deste mesmo lado, foi tomada a foto que mostra o vapor Saldanha Marinho e os galpões no fundo da fazenda.

Parte superior do altar-mor, obra do Aleijadinho.

Em todo o conjunto da capela, o escultor Aleijadinho usou jacarandá, madeira muito especial das florestas brasileiras, com exceção do balcão do coro, feito em vinhático. Além do retábulo do altar-mor, são atribuídas ao mestre ou a auxiliares, os retábulos colaterais, o retábulo da sacristia, a tribuna do coro, os púlpitos e a tarja do arco cruzeiro. As obras, que estão abrigadas na matriz de Nova Lima, foram tombadas pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional(17). O mobiliário, peças sacras e imagens, de menor porte, foram doados ou vendidos a colecionadores e “marchands“.

Capela da Jaguara: por trás do arco do altar e escada para o balcão do coro. (Ano: 2010)

Durante três gerações, a fazenda da Jaguara permaneceu nas mãos dos Chalmers, tendo sido vendida, em 17.12.1975, a Leda e Galeno Andrade. Desde então, o casal vem lutando para preservar o pouco que sobrou do importante patrimônio histórico. Em 1984, iniciaram contatos com órgãos públicos e empresas privadas para não deixar as ruínas da capela desabarem e, com o apoio da Usiminas, conseguiram fazer o escoramento com estruturas metálicas.

Ao longo dos anos, também o Sumidouro tem sofrido a ação deletéria do homem. A região, além de constituir-se em berço da história mineira, é patrimônio natural do planeta e os tesouros vão se perdendo. É uma área cárstica com características muito especiais. Somente na região do denominado parque do Sumidouro, que foi delimitada e tombada em 1980, existem 52 cavernas cadastradas e cerca de 170 sítios históricos e pré-históricos. Foi onde o paleontólogo Peter Lund encontrou um grande número de fósseis, de mais 10.000 mil anos. Os estudos continuam e têm ajudado a desvendar desde questões ligadas à natureza, até a origem do homem americano.

SOCORRO!

Quem visita as ruínas da capela da Jaguara sente-se chocado, ao ver a primorosa obra arquitetônica amparada em muletas de ferro e pedindo socorro. É incompreensível que, depois de tombados os altares pelo IPHAN e já passados tantos anos, tenham deixado a edificação em lastimável abandono. Salvar a relíquia histórica não é apenas dever dos governos e dos empresários, é uma questão de cidadania e qualquer benefício pela sua preservação, venha de quem vier, deve ser aplaudido.

Por isso, aqui vai uma sugestão aos estudantes de arquitetura: visitem a capela, visitem o altar de Nova Lima, juntem tudo e recuperem no computador as imagens do passado, elas valem mais que milhares de palavras. E também nota na faculdade, e item no currículo! Enquanto isso, espera-se que os grandes responsáveis pela preservação da história − e da natureza também − acordem enquanto é tempo. Salvem os restos da capela e não deixem morrer o sofrido Sumidouro, agora denominado Parque da Memória(18)

Por Eduardo de Paula

Colaboração: Carlos Aníbal Fernandes de Almeida e Berta Vianna Palhares Bigarella.

– – – – – –

(1) Conheça mais da história da Jaguara, clicando com o botão direito, aqui: “A fazenda de muita história” e aqui: “Promessa furtada”.

(2) Decreto nº 306, de 14.03.183 − Fonte: “Coleção das leis do Império do Brasil, de 1843”, Tipografia Nacional, tomo V, parte 2ª, p. 51 e 52.

(3) DUMONT, Henrique – Empreendedor; engenheiro, formado na França; engenheiro de obras públicas em Ouro Preto (Diamantina, *20.07.1832 / +30.08.1902). / Filho do comerciante de pedras preciosas François Dumont e Euphraise Honoré Dumont (franceses, radicados no Brasil).

(4) Resolução rubricada pelo imperador d. Pedro II – Fonte: “Coleção das Decisões do Governo do Império do Brasil”, 1863, Tipografia Nacional, tomo XXVI, 1863, p. 431 e 432.

(5) SANTOS, Francisco de Paula − ( Ouro Preto, *? / + Rio de Janeiro +21.04.1881) Comendador, banqueiro e um dos maiores negociantes de Ouro Preto, no século XIX. Representou Minas Gerais em várias legislaturas da Assembléia Provincial e da Câmara dos Deputados do Império.

(6) BURMEISTER, Hermann − “Viagem ao Brasil, através das Províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais”, Editora Itatiaia, 1980, p. 300.

(7) RIEDEL, Augusto – (*1836 / †ca.1877) Possuiu estúdio à rua Direita nº 24, em São Paulo (SP).

(8) BURTON, Richard − “Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho”, Editora Itatiaia, 1976, p. 353 e 354.

(9) BURTON, Richard − “Viagem de Canoa de Sabará ao Oceano Atlântico”, Editora Itatiaia, 1977, p. 29 e 33.

(10) Jaguara de Cima: adjetivação tal como em Rio Acima, Cachoeira de Baixo e de Cima, Arraial de Baixo e de Cima, etc. / Clic com o botão direito, veja o Post: “A família de Bernardo”.

(11) Decisões do Governo da República dos Estados Unidos do Brasil — “Nº 222, em 12 de Junho de 1866 – Ministério dos Negócios da Fazenda – Rio de Janeiro em 12 de junho de 1866 – […] conquanto seja certo que a arrematação da fazenda do Mocambo, pelo coronel Francisco de Paula Fonseca Vianna por si e por seu pai José de Souza Vianna, apesar de aprovada pelo aviso de 2 de Março de 1863, está nula na parte relativa ao segundo dos arrematantes…” // “Nº 234 − Ministério dos Negócios da Fazenda – Rio de janeiro, em 8 de Agosto de 1870. − […] em deferimento à petição do Barão do Rio das Velhas […] como único arrematante da fazenda denominada Mocambo, do extinto Vínculo da Jaguara […] ficando revogada a ordem nº 222, de 12 de Junho de 1866…”

(12) “Diário do Imperador a Minas” − Anuário do Museu Imperial, Petrópolis, 1957, vol. XVIII, p. 67 a 118. / Notas de Hélio Vianna.

(13) VIANNA, Francisco de Paula Fonseca − (*02. 05.1815 / †17.02.1895) Barão (em 25.05.1867) e visconde do Rio das Velhas (em 07.03.1885). Filho de José de Sousa Vianna e Maria Cândida Assumpção da Fonseca. Tenente da Guarda Nacional, aderiu à Revolução de 1842 junto aos Liberais. Foi major da 1ª região de Sabará. Anistiado, em 1848, foi nomeado tenente-coronel e mais tarde comandante da Guarda Nacional de Santa Luzia e Curvelo. / Em 1867, auxiliou na organização de batalhões de Voluntários da Pátria, para a Guerra do Paraguai, por isso foi agraciado barão do Rio das Velhas. / Fundador da Companhia Industrial Sabarense, antiga fábrica de tecidos de Minas Gerais. / Membro do Partido Liberal, eleito diversas vezes vereador em Sabará e Santa Luzia. Presidente da Câmara Municipal de Santa Luzia, quando d. Pedro II visitou a cidade, em 1881. Recebeu a comenda da Imperial Ordem de Cristo e foi elevado a visconde.

(14) Nascidos na fazenda da Jaguara: Virgínia Dumont Villares (*20.12.1866 +19.06.1941); Luís dos Santos Dumont (*16.05.1869 / †15.10.1930); Gabriela (*26.03.1871 / †?). — Alberto Santos Dumont (Palmira, *20.07.1873 / Guarujá, †23.07.1932).

(15) CHALMERS, George – (Falmouth, *1857 / Nova Lima, †1924).

(16) Houve quem interpretasse a foto panorâmica da Jaguara, de autoria de A. Riedel, como se tivesse sido captada com a câmera suspensa em um balão de gás. Tecnicamente seria impossível, pois seria necessário que o aparato estivesse absolutamente imóvel. As câmeras da época operavam com grande tempo de exposição (vide Posts: “A fazenda de Muita História” e “Promessa Furtada”).

(17) IPHAN: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

(18) O Parque Estadual do Sumidouro – Parque da Memória – está localizado a 50 km de Belo Horizonte. A unidade de conservação foi criada na década de 1980, pelo Decreto nº 20.375, com o objetivo de preservar o patrimônio cultural e natural existente da região. Mais informações aqui: http://www.ief.mg.gov.br/areas-protegidas/215?task=view

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23 Comentários »

  1. Eduardo de Paula:
    Parabéns! Uma significante pesquisa, cujo valor não se questiona, incluindo no nível da consciência, em prol da cultura mineira. Brilhante como sempre!
    Maria Marilda / Lagoa santa

    Comentário por maria marilda pinto correia — 01/03/2012 @ 7:57 am | Responder

    • Marida:
      A você, que sempre é minha leitora da primeira hora, muito obrigado.
      Um abraço do
      Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/03/2012 @ 8:15 am | Responder

      • Pedro:
        Muito obrigado pelas palavras gentis. Tê-lo como leitor será uma honra.
        Com os cumprimentos do Eduardo.

        Comentário por sumidoiro — 09/03/2012 @ 2:54 pm

  2. Parabéns pelo blog, com muito conteúdo de qualidade pra ler com prazer por um bom tempo ainda pra pegar la do início, e continuar acompanhando os futuros posts…

    Estou tentando dar sequencia em uma pesquisa sobre os cruzeiros seculares de Lagoa Santa e região, além do Fidalgo e do José Dias, por acaso sabe de mais informações sobre os outros diversos espalhados por aqui? Ou aonde posso encontrar?

    abs,

    Bruno L.

    Comentário por Bruno Lourenço — 13/03/2012 @ 12:29 am | Responder

    • Bruno:
      Muito obrigado pelo estimulante comentário. Quanto aos cruzeiros, não tinha pensado no assunto. Você escolheu um bom tema a pesquisar. Muito interessante. Vou ficar de olho, se encontrar alguma coisa lhe enviarei. Gostaria de ler sobre os “seus” cruzeiros.
      Um abraço do
      Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 13/03/2012 @ 8:20 am | Responder

  3. Pela primeira vez, fiz a leitura de alguns de seus “posts” e posso dizer, com toda certeza, que fiquei encantada com o seu trabalho. Pesquiso a visita de dom Pedro II a Minas Gerais, em 1881, e seus apontamentos com certeza poderão me ajudar.
    Abraços e parabéns!!!!

    Comentário por Susiely Alvarenga — 02/04/2012 @ 6:03 pm | Responder

    • Susiely:
      Sua gentileza dá-me ânimo para continuar. Dom Pedro II gostava muito das Minas e dos mineiros. Precisamos fazer releituras e “adivinhar” o que ele viu e sentiu aqui na nossas montanhas.
      Muito obrigado, um abraço do
      Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 02/04/2012 @ 6:24 pm | Responder

  4. Eduardo,
    fui apresentada ao seu blog pelo Zé Alberto Nemer. Desde então, venho seguindo com grande interesse e encantada pelo estilo moderno e coloquial que você usa, para relatar as histórias dos seus parentes. Tenho também pesquisado bastante a história do Rio das Velhas e já juntei muita coisa sobre os donos das fazendas históricas. Sou proprietária, desde 1996, da fazenda das Minhocas. Inicialmente fazenda bandeirante, depois propriedade do Recolhimento de Macaúbas e, durante o século XIX, propriedade dos Oliveira Dolabela, Vianna e Fonseca Ferreira. Temos portanto, muita coisa em comum. Quem sabe, dá para fazer um trabalho sobre a Fazenda das Minhocas? Sem ela, a história fica incompleta. Parabéns e espero que pense nesse assunto. Um abraço, Sonia Penna.

    Comentário por Sonia Penna — 01/07/2012 @ 9:42 am | Responder

    • Sonia:
      Sem dúvida, a fazenda das Minhocas merece um Post. Está em minhas cogitações. Você deve saber que a Ana Flávia, filha do Anastácio Syphronio, e que está citada no Post “Dois Anastácios”, foi proprietária das Minhocas, não é?
      Muito obrigado pelo gentil comentário e um abraço do
      Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/07/2012 @ 10:14 am | Responder

  5. Eduardo de Paula,
    Meu nome é Francisco Vidigal, já ouvi muito falar do Visconde do Rio das Velhas. A foto em que aparece o Visconde, na fazenda do Mocambo, me emocionou muito. A fazenda ainda continua em propriedade da família e exatamente como a foto. Gostaria muito de levar esta memória aos meus familiares. Temos um livro da família que talvez te interesse, chama-se Gavetas do Mocambo. Se você puder me enviar informações e imagens da Fazenda do Mocambo, serei muito grato. Belo trabalho! Obs: a foto foi tirada em 18.03.1912, há exatos 76 anos antes do meu nascimento! 18.03.1988!

    Comentário por Francisco Freire Vidigal — 11/06/2013 @ 9:21 pm | Responder

    • Francisco:
      Terei o maior prazer em lhe repassar tudo que possuo. É melhor mantermos contato por telefone ou email. Vou lhe enviar meu número pelo seu email. Muito obrigado e os cumprimentos do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 12/06/2013 @ 12:06 am | Responder

  6. Eduardo, mais uma, vez parabéns. Meu avô foi proprietário da fazenda Bom Jardim de 1914 a 1943. Meu sítio atual é um pedaço da Fazenda. A estrada antiga, que ligava Fazenda do Mocambo a Matozinhos, passa na minha porta. Conclusão: é bastante provavél que d. Pedro tenha passado aqui. Onde consigo o “Diário do Imperador em Minas”?

    Comentário por João Pezzini — 20/10/2013 @ 7:12 am | Responder

    • João:
      Muito obrigado pelo comentário. Vou lhe dar uma indicação pelo seu endereço de email.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 20/10/2013 @ 10:36 pm | Responder

  7. Parabéns Eduardo! Inquestionável documento de pesquisa de uma parte da história de Minas, da qual nós, matozinhenses, fazemos parte!

    Comentário por regina dutra — 20/10/2013 @ 5:03 pm | Responder

    • Regina:
      Muito obrigado pelo estímulo. Não me considero historiador, mas cuido de ter o apoio em documentos.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 20/10/2013 @ 10:44 pm | Responder

  8. Eduardo, foi com imenso prazer que transcrevi esta sua pesquisa, para que os Matozinhenses tomem conhecimento do legado da visita de d. Pedro a Matozinhos e sobre a fazenda da Jaguara. Meus parabéns, por nos trazer esses fatos que, certamente, irão aumentar o conhecimento da nossa história.

    Comentário por Jose Vagner Batista — 17/03/2014 @ 8:46 pm | Responder

    • José Vagner:
      Continuo trabalhando com mais documentos e espero, no correr no ano, trazer à tona mais alguns fatos da história desse nosso cantinho das Minas Gerais.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 17/03/2014 @ 10:25 pm | Responder

  9. Seus apontamentos foram valiosos para o engradecimento da árvore de Alberto
    Santos Dumont, porém ficou uma dúvida onde o Comendador Francisco de Paula Santos é citado como sócio e pai da Francisca mulher do Henrique Dumont. Em pesquisa , outro site cita os pais de Francisca mulher do Henrique Dumont, como Joaquim Santos e Dona Emerenciana, sendo citado o Comendador Francisco de Paula Santos como irmão da Francisca.

    Comentário por Prof Aristeu Camposde Bragança Paulista - São Paulo — 01/06/2014 @ 6:14 pm | Responder

    • Prof. Aristeu:
      O comendador é pai de Francisca. Vou lhe enviar mais informações no seu endereço de email.
      Cordialmente,
      Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/06/2014 @ 6:35 pm | Responder

  10. Prezado Eduardo, foi um prazer poder consultar sua dedicada e importante pesquisa, pela qual desde já parabenizo. Sou arqueólogo e tenho desenvolvido pesquisas na região da fazenda Jaguara, na margem direita do rio das Velhas. Recentemente, fui alertado de que a fortaleza de São José, poderia estar nesta margem, mas consultando seu trabalho e a planta indicativa, me pareceu claro que a fortaleza estaria na margem esquerda, você concorda?
    Certo de merecer sua atenção, desde já agradeço e me coloco à disposição.

    Comentário por Warley Delgado — 18/08/2014 @ 10:52 pm | Responder

    • Warley:
      Concordo com o que está dizendo. Entrarei em contato com você por email.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 19/08/2014 @ 9:31 am | Responder

  11. Boa tarde Eduardo: Meu nome é Thaís Andrade, neta de Lêda Torres de Andrade, atual proprietária da Fazenda Jaguara. Segue uma carta dela, que me pediu que a enviasse ao senhor. /// “Como fiquei alegre ao saber que há alguém, que ama a Jaguara e se interessa por suas ruínas sagradas! Parabéns, seu blog é maravilhoso e educativo. Aprendi coisas que não sabia. Maravilhosa pesquisa! Sugiro que leia meu livro “Jagoara do pó do ouro ao pó do tempo”, feito intuitivamente, mas com muita pesquisa (9 anos), onde conto a história que me sugeriu esse legar “sui generis”. Sou a proprietária da fazenda Jagoara Velha, juntamente com três filhos. Proprietária, mas não dona. Ninguém é dono do paraíso. Assim a chamou meu amigo Carlos Drummond de Andrade, no seu poema “As loucas festas da fazenda Jaguara”.
    Agradeço seu interesse e convido-o para uma visita.
    Lêda – fazenda Jagoara Velha.”
    Responda para marcar o dia. Atenciosamente, Thaís Andrade.

    Comentário por Thaís Andrade — 10/11/2016 @ 5:01 pm | Responder

    • Thaís:
      Começo por agradecer toda essa gentileza, sua e da sua avó. Entrarei em contato com vocês. Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 10/11/2016 @ 5:39 pm | Responder


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