Sumidoiro's Blog

01/08/2013

PEGANDO BONDE

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 6:19 am

♦ Nem tudo é passageiro…

Assim não pode! Andam jogando poeira na história, dizendo que “na vida tudo é passageiro, menos o motorista e o trocador.” Nada disso! Inverdade do tamanho de um bonde(1). E os personagens são outros, de um tempo em que todo mundo andava na linha, ou nos trilhos.

Post - Ferrocarril BHO motorneiro (nº 1) e o condutor (nº 2), transportando elegantes passageiros, no início do século XX.

Ouve-se com frequência o antigo dito de forma errada, referindo-se a motorista e trocador, mas não era assim. Quem movimentava o bonde chamava-se motorneiro, porque acionava o motor, usando uma manivela apropriada. Quem comandava as partidas era o condutor, através de um apito. Os pontos principais de embarque e desembarque ficavam nos chamados abrigos, que eram coberturas em alvenaria, onde havia espaços destinados a pequeno comércio de jornais, cigarros, bilhetes de loteria, balas, bombons e outras miudezas. As demais paradas, no percurso das linhas, eram assinaladas por uma faixa branca pintada nos postes. Para descer, os passageiros faziam a solicitação puxando uma cordinha, que acionava uma sineta. 

O condutor percorria o veículo, de ponta a ponta, sobre dois estribos laterais, agarrado aos balaustres(2). Cobrava as passagens pré-pagas − ou passes − e as picotava com um perfurador, mas também recebia em espécie. Logo em seguida, puxava uma alça, que ficava conectada a um contador de números de passageiros, denominado relógio. Havia também o fiscal, que aparecia de vez em quando, fazendo o controle de usuários em uma ficha. O bonde não possuía buzina, o alerta era feito através de um sino, acionado com o pé. Na pacata Belo Horizonte, era preciso ter cuidado para não ser atropelado por um bonde, que voava a vinte ou, às vezes, a absurdos trinta quilômetros por hora, nesse caso infringindo a lei.(3)

Post - Din-dinAlça para acionar contador de passageiros, sineta de parada e “relógio” contador de passageiros.

No fim da linha, tudo tinha que ser invertido. O motorneiro trocava seu posto de comando para a outra extremidade. Também alternava-se de lado o cabo conector de energia − denominado lança −, existente sobre o teto do bonde, em cuja extremidade havia um contato, que corria ao logo do fio eletrificado. Os encostos dos bancos eram girados a cada viagem, para o passageiro andar sempre de frente. Recolhiam-se os estribos de um lado e a guarda protetora − trava de contramão − era baixada, fechando o acesso. Na lateral em uso, fazia-se o inverso. As providências de isolar um lado eram muito importantes, porque os postes que levavam os fios eletrificados ficavam no centro das ruas e, geralmente, o lado esquerdo do veículo corria junto a eles. Uma topada num poste poderia se fatal ao passageiro. 

Além dos serviços inerentes à função, muitos condutores presenteavam os passageiros com belas coreografias nos estribos ou quando saltavam do bonde andando, com uma alavanca na mão (chave), para deslocar os trilhos nos entroncamentos das linhas. Tudo rápido e no ritmo certo, porque o bonde não podia atrasar. Evidentemente, quando o condutor era negro, a exibição ganhava colorido, pois é sabido que os afro-descendentes têm a dança no sangue. Não há dúvida que trabalho pesado era o do condutor, mas quem ganhava mais era o motorneiro. Segundo os maliciosos, havia consequência: quando o condutor registrava as passagens e o “relógio” soava din-din, a melodia queria dizer: “- Din-din, dois pro relógio; din-din, um pra mim…”

Post - InstrumentosAqui quem manda é o motorneiro.

Foi por tudo isso e mais alguma coisa que alguém mais inspirado filosofou:

“Na vida tudo é passageiro, menos o condutor e o motorneiro.”

“Pegou o bonde andando e só desceu no fim da linha” é uma expressão popular do tempo dos bondes e diz que a pessoa entrou na conversa sem entender nada, deu palpite errado e insistiu até o fim. Pegou o bonde errado” é outra e quer dizer equivocou-se. Mais uma: “Levou um susto do tamanho de um bonde.” E outra: “Pulou do bonde andando”, ou seja, escapuliu, afobadamente. São muitos os falares do tempo do bonde que ficaram incorporados ao linguajar comum.

Teresa, se algum sujeito
bancar o sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde
Se ele chorar
Se ele se ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredita não Teresa
É lágrima de cinema
É tapeação
Mentira
CAI FORA. — Manuel Bandeira

Post - BH cena antigaBH em festa na inauguração da primeira linha. Em frente ao Bar do Ponto (av. Afonso Pena com rua da Bahia).

Os primeiros bondes que chegaram ao Brasil eram puxados a burros. Não houve quem não se encantasse com a novidade e o escritor Machado de Assis foi um deles. Em 1892, quando começaram a chegar os primeiros veículos ao Rio de Janeiro, Machado neles se inspirou para uma crônica, que foi publicada em 16 de outubro, na revista “A Semana”. Escreveu:

“… Admirei a marcha serena do bond, deslizando como os barcos dos poetas, ao sopro da brisa invisível e amiga. Mas, como íamos em sentido contrário, não tardou que nos perdêssemos de vista, dobrando ele para o Largo da Lapa e Rua do Passeio, e entrando eu na Rua do Catete. Nem por isso o perdi de memória. A gente do meu bond ia saindo aqui e ali, outra gente entrava adiante e eu pensava no bond elétrico. Assim fomos seguindo; até que, perto do fim da linha e já noite, éramos só três pessoas, o condutor, o cocheiro e eu. Os dous cochilavam, eu pensava.”

Post - Bonde Pça SeteNa praça 7 de Setembro, um bonde fechado e um bonde comum (Belo Horizonte).

Em Belo Horizonte, havia vários tipos de veículos, que no início foram chamados de ferro-carris. Eram os bondes abertos − com estribos −, os fechados e de luxo − especiais −, os de carga − sem bancos −, os bondes de socorro − para reparos em caso de pane − e os de oficina, nestes faziam manutenção das linhas. Os bondes de luxo serviam, também, para o transporte escolar de donzelas que estudavam em tradicionais educandários, dirigidos por freiras, como o Sacré-Coeur(4) e o Imaculada(5). O motorneiro dirigia sentado em um banquinho de madeira, com formato de selim de bicicleta, ou em pé. Acelerava o veículo com uma manivela, denominada “controller” e freava girando, com a mão direita, uma roda de ferro.

Post - Três bondesTrês bondes na fundação de Belo Horizonte.

Um depoimento de quem viveu na cidade de São Paulo:

“Eu lembro que quando era criança, às vezes, meu pai me levava no bonde. Eu ia na frente, segurando uma roda grande que tinha ao lado da cadeirinha do motorneiro, parecia uma direção, mas não era, porque bonde não precisa de direção, ele andava sob os trilhos! A roda era uma espécie de freio.

O mais engraçado era no fim da linha. Quando o bonde chegava lá, o motorneiro tinha que descer e puxar por uma cordinha a alavanca, que ficava em cima do bonde, e fazer com que ela encaixasse no fio. Ele desligava de um lado e ligava do outro, e o bonde começava a andar na direção contrária. Parece simples, mas não era, precisava muita prática para acertar a rodinha da alavanca no fio, prática e paciência.”  Roberto Bairros dos Santos

Post - Bonde cheioBonde de menos…

Os passageiros, em exibições machistas, eram afeitos a se instalarem sobre os estribos onde exibiam seus dons acrobáticos. Também costumavam embarcar ou descer do bonde andando (olha aí a expressão!), afoiteza que, vez por outra, acabava mal com o infeliz estatelado no chão. As crianças, naturalmente, adoravam os bondes. Um dos seus divertimentos era enfileirar tampinhas de guaraná ou de cerveja nos trilhos de bonde, para ficarem amassadas. Outro, era colocar bombinhas traque, ou mesmo palitos de fósforo sobre os trilhos, para ouvir as explosões. Era emocionante!

Post - Mapa bondesSetenta e três quilômetros de trilhos.

Embora o centro geográfico de Belo Horizonte seja a praça Raul Soares, a praça 7 de Setembro tornou-se o ponto de referência mais importante da cidade. O nome primitivo foi praça Quatorze de Outubro, em referência à data em que se instalou a comissão encarregada da criação da nova capital. Um dos motivos que deram relevância ao logradouro é que ali a maioria dos bondes faziam pião. A história dos bondes começa em 1902, cinco anos depois da fundação da capital (1897) e o obelisco ali existente − o pirulito − foi instalado em 1924, oportunidade em que se fez a troca de nome para, então, marcar a data da Independência do Brasil.. 

Post - Bonde Rua da Bahia O bonde e os postes, dois inimigos que afrontavam os automóveis (rua da Bahia)

A expansão do importante meio de transporte da capital do estado de Minas Gerais se prolongou até em 1947, quando os trilhos atingiram setenta e três quilômetros de extensão e o sistema contou com setenta e cinco veículos. Porém, a precariedade e obsolescência do sistema fizeram com que o último bonde fosse aposentado em 1963, sendo substituído por ônibus, ônibus elétricos e automóveis. Mas, o prefeito Jorge Carone Filho, que tinha alma de poeta, pretendeu reviver os bondes, implantando uma linha em torno da lagoa da Pampulha e, para tanto, em 1964, assinou um decreto:

“… fica o Executivo Municipal autorizado a […] construir uma linha de bondes que percorrerá a Avenida que margeia o lago da Pampulha. […] Será construída, na entrada do Jardim Zoológico uma gare, que será uma espécie de estação central, para conforto dos passageiros. […] Serão construídas pequenas estações em frente aos seguintes locais: Igreja da Pampulha, Iate Golfe Clube, Casa do Baile, Cassino da Pampulha e Pampulha Iate Clube. […] A denominação da referida linha de bondes será Recordação.” (6)

Post -Rua da BahiaEsquina de rua da Bahia com Timbiras. Prédio à direita, no segundo andar, famosa pensão da Maricota. 

A malha de linhas era tão extensa que, em certos trajetos, havia necessidade de levar merenda, pelo tempo que durava a viagem. Para se ter uma ideia, a linha Pampulha terminava pertinho da igreja de São Francisco de Assis (do arquiteto Niemeyer). O autor deste Post tem uma agradável lembrança dos seus tempos de bonde, na década de 1950. Foi quando fazia escola de belas-artes e o diretório acadêmico promoveu um piquenique noturno, sob as frondosas mangueiras em frente àquela igreja. Os momentos de deleite tiveram início ao anoitecer, às 6 horas, a tempo de voltar no último bonde, o da meia-noite.

Aliás, os bondes da meia-noite foram inspiradores de muitas histórias. Uma delas é a da Loura Fantasma do Bonfim, que tem sido um tanto falsificada por autores mais modernos. Não há como pegar um bonde que já se foi… O velho poeta Drummond, que andou de bonde, sabia das coisas:

Eu sou a Moça-Fantasma
que espera na Rua do Chumbo
o carro da madrugada.
Eu sou branca e longa e fria,
a minha carne é um suspiro
na madrugada da serra.
Eu sou a Moça-fantasma.
O meu nome era Maria,
Maria-Que-Morreu-Antes.  Carlos Drummond de Andrade

Post - BonfimNo Bonfim, repousa a Loura Fantasma, não se sabe até quando.

A lenda tem variações e teria surgido na década de 1940. Diziam que a beldade surgia em horas tardias, mas em tempo de pegar o último bonde para retornar ao seu leito, situado no mais importante cemitério da cidade. Dentro do veículo, se insinuava aos derradeiros frequentadores dos botequins, que embarcavam em algum ponto no trajeto da etérea beldade, percurso que ia do alto da rua do Chumbo (hoje rua Professor Estêvão Pinto), passando pela praça 7 de Setembro, até atingir o cemitério do Bonfim. Os poucos afoitos que tentaram sentir o corpo da loura, repassaram como foi o contato imediato. Ao primeiro abraço, sentiram o vazio total e apenas o suave perfume da flor conhecida por “dama-da-noite”.

Em algumas ocasiões, a loura procurava tomar um “carro de praça” − assim eram denominados os táxis − e nenhum “chauffeur de praça” − assim eram denominados os motoristas − desejava ouvi-la perguntar sequer o “preço da corrida”, logo caiam fora. Em função disso, nas altas horas das noites belorizontinas, só os mais corajosos tinham coragem de circular pela cidade, entre eles os chamados “guardas-civis”, que trocavam silvos de apitos até o alvorecer. Se a loura aparecesse, o máximo que fariam era apitar avisando e logo sairem em disparada.

Post - Cine BrasilCine Teatro Brasil: de madrugada, a diversão continuava em frente, na praça 7 de Setembro.

O bonde colaborou para a boa formação cristã do autor deste Post, quando frequentou as vigílias do convento dos frades dominicanos, situado no alto do bairro da Serra. Tratava-se de um encontro de jovens − às sextas-feiras à noite − onde ouvia-se palestras proferidas pelos religiosos, seguidas de missa e, depois, uma generosa xícara de chocolate. Logo após a meia-noite, saia-se em grupo de amigos, à tempo de pegar o último bonde na rua do Chumbo. E vejam, não tivemos a glória de sequer um encontro com a Loura do Bonfim. Então, ao chegar à praça 7, fazíamos a ceia no bandejão − debaixo do cine Brasil − acumulando energia para as aventuras do resto da madrugada, à pé. Deus que nos perdoe! 

Post - Desastre bondeMotorneiro perdeu o controle do bonde no viaduto de Santa Teresa (Belo Horizonte).

Mas, naquele tempo, nem tudo era felicidade. Morar em rua que passava bonde podia ser um tormento para quem tivesse o sono leve. Principalmente se a residência fosse na curva, onde o veículo passava chiando as rodas, ferro contra ferro, e com o motor zoando. Dormir, só depois do último bonde; acordar, logo ao primeiro bonde. E tem mais, pagando o preço do progresso, os automóveis começaram a brigar com os bondes. Um decreto” (7) assinado pelo prefeito João Lúcio Brandão, em 1925, tentou consertar as coisas:

“Considerando que com a substituição das árvores da rua da Bahia, […] fica um espaço de quatro metros entre as árvores e as linhas de bonde, evitando se assim o perigo de accidentes com os […] automóveis, […] ao lado dos bondes; 

Considerando a(s) […] reclamações […] sobre a volta que os veículos são obrigados a dar para atingirem determinados pontos, à vista da proibição da subida da rua da Bahia, das 18 às 21horas, no trecho […] entre a avenida Afonso Pena e rua Goitacazes;

Considerando […] os inconvenientes […] dessa prohibição, quanto o acesso nos dias chuvosos, a […] estabelecimentos ali situados, […] fica revogada a Portaria […] que proibira […] a subida de automóveis e demais veículos de tração mecânica ou animada, na rua da Bahia entre os cruzamentos com a rua Goitacazes e avenida Afonso Pena.” 

Post - Rua Caetés c S PauloInimigos do trânsito: os postes, as furrecas e os bondes (rua Caetés com av. Afonso Pena – BH).

A revista Fon-Fon, do Rio de Janeiro, de maio de 1907, publicou um alerta sobre os desastres de bonde:

“Os estropiados aumentam e a população de tais lugares, se de todo não desaparecer, em breve ficará privada de braços e pernas”.

Post - Praça Sete & entorno1 – Banco Hipotecário e Agrícola, hoje PSIU; 2 – Campeão da Avenida (loterias); 3 – A Equitativa Seguros; 4 e 5 – Abrigos de bondes; 6 – Carro de praça (táxi); 7 – Cine Glória.

Os acidentes com bondes cresceram junto com a cidade de Belo Horizonte. O primeiro, com gravidade, ocorreu em 29.09.1910, na rua da Bahia, quando faleceu Vicente Corsini. Viajava pendurado no estribo e bateu com a cabeça num poste. Anos mais tarde, no dia 25.04.1926, na travessia das linhas de trem de ferro, um bonde conduzido sob forte chuva pelo motorneiro José Fontes, em direção ao bairro da Floresta, foi colhido por uma locomotiva. Após grande impacto e ao ruído de gritos desesperados saiu muita gente ferida, resultando no falecimento do motorneiro e de José Pereira dos Santos, proprietário da pensão Americana, no bairro da Floresta(8).

Um dos mais traumáticos ocorreu em 1937, quando houve a queda do veículo do alto do viaduto de Santa Teresa. No mais, ocorriam muitos choques com automóveis ou caminhões e outros acidentes por pura imprudência dos passageiros, como quedas e trombadas nos postes, por aqueles que insistiam em pendurar-se do lado errado.

BH antiga rua da BahiaLá vai o bonde, subindo Bahia. Cuidado, tem postes no meio da rua!

E o bonde não parou por aí, também o cronista Rubem Braga deu o seu recado:

“Quando eu era calouro de Direito, aconteceu que uma turma de calouros assaltou um bonde. Foi um assalto imortal. Marcamos no relógio quanto nos deu na cabeça, e declaramos que a passagem era grátis. O motorneiro e o condutor perderam, rápida e violentamente, o exercício de suas funções. Perderam também os bonés. Os bonés eram os símbolos do poder. Desde aquele momento perdi o respeito por todos os motorneiros e condutores. Aquilo foi apenas uma boa molecagem. Paciência. A vida também é uma imensa molecagem. Molecagem podre. Quando poderás ser um urubu, meu velho Rubem?” 

Post - Cavalheiros no bondeNo bonde, era importante andar alinhado: traje social completo (1902).

Namorar no bonde era difícil, mas não impossível, simplesmente porque as moças não saiam de casa sozinhas. Quando pegavam o bonde, por exemplo, para irem ao cinema, tinham de estar acompanhadas de um “Pau-de-cabeleira”, geralmente uma tia solteirona. Diziam “Pau-de-cabeleira” porque a guardiã ficava rígida feito uma árvore, para impor respeito e, naturalmente, tinha lá seus femininos cabelos longos. Mudando o que deve ser mudado, irmãos e outras pessoas confiáveis foram investidas na função e passaram a ser designadas da mesma forma.

Em tempos mais antigos, para a maioria das mulheres − não importava a idade −, andar de bonde desacompanhadas era proibido. Recebiam salvo conduto só depois de casadas e olhe lá. O poeta alumiou o assunto:

Saíras pelo meu braço grávida, de bonde
Teremos seis filhos
E três filhas
E nosso bonde social
Terá a compensação dos cinemas
E dos aniversários dos bebês
Seremos felizes como os tico-ticos
E os motorneiros
E teremos o cinismo
De ser boçais
Como os demais
Mortais
Locais 
 Oswald de Andrade

Post - Abrigo de bondeUm ponto elegante, o abrigo de passageiros sob os fícus da avenida Afonso Pena (Belo Horizonte).

Realmente, as boas famílias tinham de estar temerosas com um perigo que surgiu com o advento dos bondes, assustando suas angelicais donzelas, o famigerado bolina(9). A revista Fon-Fon(10), do Rio de Janeiro, explica:

“Tipo paradoxal que a cidade inteira conhece, o tal que só acha lugares vazios nos bancos onde viajam moças e meninas. E enquanto o bonde corre, já uma perninha ameaça um assalto, depois a mão, logo em seguida o joelho, depois tudo… Se ela reage, ele se melindra, protesta e desce para esperar outro bonde e outra vítima. Se ela consente, ele só não se senta no colo porque os outros protestam. É uma observação interessante: esta classe é quase que constituída por velhos de mais de quarenta e por moços de menos de quinze.”

E continua:

“Nos bondes encontramos as sirigaitas(11), que carregam pastas de couro e cartas de namorados, quase sempre em grupos de mais de três, que falam alto e riem de tudo e por tudo, com barulho e com escândalo.”

Post - Galochas← Par de galochas.

Andar de bonde realmente era uma delícia, mas nem tanto em tempo de chuva. Para se proteger dentro e fora do veículo, era preciso substituir a bengala por guarda-chuva e mais capa de “shantung”. Sem se esquecer do detalhe das galochas(12), indispensável complemento para o homem elegante se proteger das intempéries. O progresso que matou o bonde fez o mesmo com as galochas, que eram bem diferentes dessas que se usa hoje. Tratava-se de uns revestimentos de borracha que se punham por sobre os calçados, para evitar que se molhassem.

A única coisa que não acabou foi o chato de galocha… Ele sempre se aproveitava da facilidade e barateza de se deslocar de bonde, para fazer inesperadas visitas e tomar café de graça em casa alheia. Usando óculos escuros, o espaçoso entrava sem ser percebido e sem tirar a galocha, e molhava tudo. Chato, né? Mas essa já é outra história: a do chato que, por um café com bolo de fubá, não perdia o bonde.

 

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Ouça Noel Rosa no bonde, com o samba “São Coisas Nossas” (clique na flecha):

O samba, a prontidão
E outras bossas,
São nossas coisas,
São coisas nossas!
Baleiro, jornaleiro
Motorneiro, condutor e passageiro,
Prestamista e o vigarista
E o bonde que parece uma carroça
Coisa nossa, muito nossa.

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Post - RisoO riso no bonde

“Conta-se até a história de conhecido magistrado meio destemperado na linguagem que, descendo de bonde na rua da Bahia, teve seu chapéu atirado longe, pelo vento forte. O juiz não teve dúvidas e berrou aos quatro ventos: “Ó vento desgraçado! (ou coisa pior). Para, motorneiro, que eu quero pegar o meu chapéu”. O bonde foi parado, mas ele nem precisou buscar o chapéu, que foi trazido às pressas pelo condutor. Estava assim acobertada a dignidade da magistratura mineira.

Pior ainda foi a história de um português vizinho meu no bairro de Lourdes, que também primava pela incontinência verbal. Na época havia a linha Santo Antônio, que passava pela rua Espírito Santo, ligando o Centro ao bairro. Era um dia de chuva constante e impertinente. O português tomou o bonde e sentou-se bem ao lado de uma goteira. No ponto seguinte, entrou uma mocinha, que pretendendo um lugar no banco, pediu ao português que “chegasse um pouquinho pra lá.” O pouquinho pra lá era exatamente onde empoçava a goteira. O português explodiu: “A senhorita pensa que minha bunda é mata-borrão?” — José Bento Teixeira de Salles, jornal Estado de Minas, 09.03.2010

Post - Bonde subindoBonde “Mercado”, vencendo as ladeiras de Belo Horizonte.

Genealogia da Loura

A bordadeira Nazarena Santarelli, nascida em 1910, viveu nas proximidades do cemitério do Bonfim, no alto da rua Pedro Leopoldo e disse que nunca teve medo de defunto. Contava que, quando jovem, frequentava a praça em frente ao cemitério para brincar e namorar, e ganhou intimidade com a morte. Nessa época, os corpos subiam em carruagem puxadas a cavalo, fazendo o mesmo trajeto dos bondes. Sabia da lenda da Loura do Bonfim e contou sua versão, dizendo que a fantasia fora desmistificada pelo seu pai, quando descobriu-se que era o condutor do bonde que se vestia de mulher, para provocar sustos e namorar as mulheres casadas. Disse, ainda, que alguns desocupados se aproveitavam da situação e saíam pelas ruas vestidos com túnicas brancas, fazendo assombração.

Post - TúmuloExiste outra versão da brincadeira, pelo testemunho de Hélio da Silva (*1940), que garantiu ter sido seu patrão, José Maria de Matos (*1931), o criador da Loura. Disse mais, que esteve em andamento a produção de um noivo para a Loura, materializado num boneco de espuma, tal e qual teria sido a mulher fantasma. Infelizmente o anjo da morte ceifou a vida do gozador, antes de terminar o seu projeto. Acrescentou que a etérea Loura não andava de bonde, mas de automóvel, sentada no banco de trás e, quando adentrava o cemitério, até os coveiros davam no pé.

Pegando carona na história, os motoristas de táxi – chamava-se carro de aluguel – lançaram sua versão. Diziam que ela pegava um táxi no centro da cidade e mandava tocar para o Bonfim. Nas proximidades do cemitério, quando o motorista olhava no retrovisor, constatava que a mulher havia esvanecido. Fonte: jornal Estado de Minas, 21.07.2002.

Post - Bonde a cavaloNo Rio de Janeiro uma nova era, velocidade e conforto sobre trilhos.

O primeiro bonde

Consta que o primeiro bonde que circulou no Brasil, puxado por tração animal − burros ou cavalos −, foi implantado no Rio de Janeiro, pela empresa conhecida abreviadamente por “Companhia de Carris de Ferro da Tijuca”. O proprietário era o médico escocês dr. Thomas Cochrane, que recebera uma concessão do governo imperial. A viagem inaugural ocorreu numa manhã de domingo (30.01.1859) com a participação do imperador d. Pedro II. Havia somente dois veículos. O primeiro percurso ia da rua do Ouvidor, no centro da cidade, até o Largo do Machado, no Catete. Os primeiros carros eram fechados e comportavam trinta passageiros, dezoito sentados e doze em pé.

No princípio, pipocaram uma série de conflitos provocados pelos concorrentes que operavam as “gôndolas” − carruagens puxadas a cavalo −, procurando impedir a passagem dos bondes. Ademais, a população não estava acostumada com os novos veículos sobre trilhos, circulando em “alta velocidade”. Também os frequentes acidentes passaram a afastar os possíveis passageiros. Levou, então, algum tempo para que a novidade fosse definitivamente aceita.

Trinta e três anos depois do bonde a tração animal, é que surgiu o primeiro bonde elétrico do Brasil. Foi o carro que recebeu o número 104, da “Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico”, e sua entrada em serviço se deu em 08.10.1892, um sábado. A viagem inaugural teve início no centro da cidade e contou com ilustres convidados, que foram transportados até os escritórios da empresa, no Largo do Machado. Estava dada a partida para a revolução dos bondes se espalhar pelo país. 

Post - Machado miniatura

Machado de Assis no bonde

Guia de boas maneiras

Ocorreu-me compôr umas certas regras para uso dos que frequentam os bonds. O desenvolvimento que tem tido entre nós este meio de locomoção, essencialmente democratico, exige que elle não seja deixado ao puro capricho dos passageiros. Não posso dar aqui mais do que alguns extractos do meu trabalho; basta saber que tem nada menos de setenta artigos. Vão apenas dez.

Art. I – Dos Encatarrhoados – Os encatarrhoados podem entrar nos bonds, com a condição de não tossirem mais de trez vezes dentro de uma hora, e no caso de pigarro, quatro.

Quando a tosse for tão teimosa que não permita esta limitação, os encatarrhoados têem dous alvitres: – ou irem a pé, que é bom exercicio, ou metterem-se na cama. Também podem ir tossir para o diabo que os carregue.

Os encatarrhoados que estiverem nas extremidades dos bancos devem escarrar para o lado da rua, em vez de o fazerem no proprio bond, salvo caso de aposta, preceito religioso ou maçonico, vocação etc., etc.

Art. II – Da Posição Das Pernas – As pernas devem trazer-se de modo que não constranjam os passageiros do mesmo banco. Não se prohibem formalmente as pernas abertas, mas com a condição de pagar os outros lugares, e fazel-os occupar por meninas pobres ou viuvas desvalidas mediante uma pequena gratificação.

Art. III – Da Leitura Dos Jornaes – Cada vez que um passageiro abrir a folha que estiver lendo, terá o cuidado de não roçar as ventas dos vizinhos, nem levar-lhes os chapéos; também não é bonito encostal-o no passageiro da frente.

Art. IV – Dos Quebra-Queixos – É permitido o uso dos quebra-queixos(13) em duas circumstancias: – a primeira quando não for ninguem no bond, e a segunda ao descer.

Post - Dentro do bondeO bonde que deixou saudades.

Art. V – Dos Amoladores –  Toda a pessoa que sentir necessidade de contar os seus negocios intimos, sem interesse para ninguem, deve primeiro indagar do passageiro escolhido para uma tal confidencia, se elle é assaz christão e resignado. No caso affirmativo, perguntar-lhe-ha se prefere a narração ou uma descarga de ponta-pés; a pessoa deve immediatamente pespegal-os.

No caso, aliás extraordinario e quasi absurdo, de que o passageiro prefira a narração, o proponente deve fazel-a minuciosamente, carregando muito nas circumstancias mais triviaes, repetindo os dictos, pisando e repisando as cousas, de modo que o paciente jure aos seus deuses não cair em outra.

Art. VI – Dos Perdigotos – Reserva-se o banco da frente para a emissão dos perdigotos, salvo as occasiões em que a chuva obriga a mudar a posição do banco. Tambem podem emittir-se na plataforma de traz, indo o passageiro ao pé do conductor, e a cara voltada para a rua.

Art. VII – Das Conversas – Quando duas pessoas, sentadas a distancia, quizerem dizer alguma cousa em voz alta, terão cuidado de não gastar mais de quinze ou vinte palavras, e, em todo o caso, sem allusões maliciosas, principalmente se houver senhoras.

Art. VIII – Das Pessoas Com Morrinha – As pessoas que tiverem morrinha podem participar dos bonds indirectamente: ficando na calçada, e vendo-os passar de um lado para outro. Será melhor que morem em rua por onde elles passem, porque então podem vel-os mesmo da janella.

Art. IX – Da Passagem Às Senhoras – Quando alguma senhora entrar, deve o passageiro da ponta levantar-se e dar passagem, não só porque é incommodo para elle ficar sentado, apertando as pernas, como porque é uma grande má criação.

Art. X – Do Pagamento – Quando o passageiro estiver ao pé de um conhecido, e, ao vir o conductor receber as passagens, notar que o conhecido procura o dinheiro com certa vagareza ou difficuldade, deve immediatamente pagar por elle: é evidente que, se elle quizesse pagar, teria tirado o dinheiro mais depressa.”

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Texto e arte de Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

Post - r Bahia c B GuimarãesRua da Bahia com Bernardo Guimarães (BH). Prédio à esquerda ainda existe.

(1) Bonde – O vocábulo difunde-se a partir do empréstimo nacional de juros pagáveis em ouro (da palavra inglesa “bond”), realizado em agosto de 1868 pelo visconde de Itaboraí, ministro da Fazenda do Império do Brasil, e a grande repercussão da entrega dos “bonds”, cautelas das apólices desse empréstimo. Logo em seguida, entrou em funcionamento, no Rio de Janeiro, o sistema de transporte coletivo sobre trilhos, movido por tração animal e explorado pela empresa Botanical Garden Railroad. A empresa confeccionou cupons que serviam de bilhetes ou passagens, nos quais vinham estampadas a palavra “bond”, com o significado de bilhete de passagem, trazendo a figura do veículo. Por isso, a população deu-lhe o nome de bonde, estendendo-o, mais tarde, aos veículos de tração elétrica.

(2) Balaustre – Haste vertical de veículo coletivo, como bonde, ônibus, etc., para apoio do passageiro.

(3) O decreto da prefeitura de Belo Horizonte, nº 1.535, de 03.09.1902, limitava a velocidade a 20 km/h.

(4) No dia 21 de janeiro de 1928, celebrou-se a missa que marcou a fundação do Colégio Sacré-Coeur de Marie. Nessa época, o colégio funcionava em sua sede provisória, na rua Timbiras, 1491. Em 1930, transferiu-se definitivamente para o prédio da rua Professor Estêvão Pinto, 400, no bairro da Serra. A primeira superiora, diretora do Colégio de Belo Horizonte, foi Madre Tereza Inês de Jesus Soares Teixeira, portuguesa. Durante o ano de 1928, o colégio aumentou o seu número de alunas. O ano terminou com cinquenta e oito alunas. A primeira matriculada foi a menina Astréa Rezende Alvim, de 11 anos de idade, vizinha ao colégio, filha de Sócrates Alvim e Armênia Rezende. A segunda foi a de Maria Celeste de Andrade Janot. Ao final de 1929, o colégio contava com cento e doze alunas.

(5) O Colégio Imaculada Conceição de Jesus foi fundado em março de 1916. Chegaram a Belo Horizonte cinco Filhas de Jesus, provenientes de São Paulo, convidadas pelo Padre Francisco Ozamis da Comunidade Claretiana, para fundarem mais um colégio da Congregação Filhas de Jesus. A comunidade fundadora era formada pelas religiosas Juana Uranga Carrera, Ângela Acevedo Garcia, Lorenza Beraza Beracierto, Josefa Macatzaga Dorransoro e Maria Elósequi Iztueta. O trabalho educativo teve início e, 05.08.1916, num chalé situado na avenida João Pinheiro, 638, com nove alunas e o ano terminou com vinte e três. Em 1918, o colégio foi transferido para a casa de número 221, na mesma avenida. Em 1921, passou a funcionar em prédio próprio na rua Aimorés, 1600.

(6) Lei nº 1114, de 2 de julho de 1964 / Dispõe sobre a construção de uma linha de bondes na avenida que margeia o lago da Pampulha, com a denominação linha da Recordação. ___O Povo do Município de Belo Horizonte, por seus representantes, decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º – Fica o Executivo Municipal autorizado a, por intermédio do Departamento de Bondes e Ônibus, construir uma linha de bondes que percorrerá a Avenida que margeia o lago da Pampulha. § 1º – O percurso da referida linha será somente no trajeto da Avenida que margeia o lago da Pampulha, fazendo os bondes a circular do referido lago.§ 2º – Seu funcionamento ficará restrito ao percurso referido no parágrafo primeiro. Art. 2º – Será construída na entrada do Jardim Zoológico uma gare, que será uma espécie de estação central, para conforto dos passageiros. Parágrafo Único – Serão construídas pequenas estações em frente aos seguintes locais: Igreja da Pampulha, Iate Golfe Clube, Casa do Baile, Cassino da Pampulha e Pampulha Iate Clube. Art. 3º – Ao lado do Jardim Zoológico, em terreno da própria Municipalidade, será construído um pequeno balcão para reparo dos bondes. Parágrafo Único – Serão aproveitados os trilhos que estão sendo retidos das linhas dos diversos bairros da Capital, onde existiam bondes, para construção da linha referida nesta Lei, como também serão aproveitados todos os bondes em boas condições de uso. Art. 4º – A denominação da referida linha de bondes será “Recordação”. Art. 5º – Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Mando, portanto, a quem o conhecimento e execução da presente Lei pertencer, que a cumpra e faça cumprir, tão inteiramente, como nela se contém. / Belo Horizonte, 2 de julho de 1964. / Jorge Carone Filho, Prefeito de Belo Horizonte / Publicada no Minas Gerais de 04/07/1964 Decreto nº 8, de 6 de fevereiro de 1925. / Revoga portaria nº 12, de 19 de abril de 1923, conforme especifica. /

(7) O prefeito de Bello Horizonte usando de atribuições legaes, e de conformidade com o paragrapho unico do art. 42, do decreto estadual nº 5.030, de 9 de junho de 1918 ___Considerando que com a substituição das arvores da rua da Bahia, na distancia de um metro e vinte centimetros do meio fio, fica um espaço de quatro metros entre as arvores e as linhas de bonde, evitando se assim o perigo de accidentes com os vehiculos, principalmente automoveis, em trafego, na dita rua, ao lado dos bondes; Considerando a procedencia das reclamações do publico sobre a volta que os vehiculos são obrigados a dar para atingirem determinados pontos, á vista da prohibição da subida da rua da Bahia, das 18 as 21 horas, no trecho comprehendido entre a avenida Affonso Penna e rua Goytacazes; Considerando egualmente os inconvenientes decorrentes dessa prohibição, quanto o acesso nos dias chuvosos, a diversos estabelecimentos ali situados, decreta: Art. 1º – Fica revogada a Portaria nº 12, de 19 de abril de 1923, que prohibira, das 18 ás 21 horas, a subida de automoveis e demais vehiculos de tracção mechanica ou animada, na rua da Bahia entre os cruzamentos com a rua Goytacazes e avenida Affonso Penna. Art. 2º – Este decreto entrará em execução no dia 8 do mez corrente e revogam-se quaesquer disposições em contrário. Mando, portanto, a quem o conhecimento e execução deste decreto pertencerem, que o cumpra e faça cumprir tão inteiramente como nelle se contém. / Bello Horizonte, 6 de fevereiro de 1925 / Flavio Fernandes Santos, Prefeito / João Lucio Brandão, Secretario / Publicada e registrada nesta Secretaria da Prefeitura de Bello Horizonte, aos 6 dias do mez de fevereiro de 1925.

Post - Esperando bonde(8) Fonte: Jornal Diário de Minas, 25.04.1926.

← Esperando bonde (Charge da revista Fon-Fon, 1907, nº 2).

(9) Bolina − (Segundo o dicionário Houaiss): do francês bouline; cabo que puxa a vela para o vento; por metáfora, indivíduo que busca tocar em alguém com fins libidinosos.

(10) Revista Fon-Fon, edição de 22.07.1922, crônica de Álvaro Sodré.

(11) Sirigaita − (Segundo o dicionário Houaiss): mulher vivaz, ladina, buliçosa / Sinonímia e variantes: cigorelha, cinisga, cricalha, langroia, rabeta, senisga, serigaita; também os seguintes substantivos e/ou adjetivos afins, usados no feminino: afetada, assanhada, buliçosa, coscuvilheira, delambida, doidivanas, esperta, espertalhona, espevitada, exibicionista, exibida, extrovertida, finória, fofoqueira, galinha, intrometida, ladina, lambisgoia, metediça, metida, mexeriqueira, namoradeira, oferecida, perereca, piririca, pretensiosa, saliente, sapeca, saracoteadora, semostradeira, senisga, siririca, viva, vivaça.

(12) Galocha − calçado de borracha que se usava por cima dos sapatos ou das botas, para protegê-los do contato com a água; vem de “galoche”, calçado de couro e de sola de madeira, que os antigos gauleses usavam contra o frio e a umidade.

(13) Quebra-queixo  charuto de péssima qualidade; mata-rato.

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12 Comentários »

  1. Eduardo seu post “andando de bonde” está excelente! Quando criança, era disputa acompanhar uma tia a Belo Horizonte. Mas o que contava não era o amor à tia. Era o bonde e tudo que fazia parte do mesmo.
    Parabéns! Li e reli. Perfeito! Viagem maravilhosa no tempo.
    Maria Marilda – Lagoa Santa

    Comentário por maria marilda pinto correa — 01/08/2013 @ 11:30 am | Responder

    • Cara Marilda:
      Realmente, viajar de bonde era muito bom. Perdeu essa maravilha quem não viveu o tempo do bonde.
      Muito obrigado. Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/08/2013 @ 12:05 pm | Responder

  2. Eduardo, ler seus artigos é sempre uma grande aventura de retorno às nossas memórias. Peguei o bonde em Niterói, já quase no fim da linha. Antes dos meus 12 anos, ele já tinha sido substituído pelo ônibus e pelo trolley elétrico. Muito bem escrito!
    João Vianna, Niterói

    Comentário por João Vianna — 03/08/2013 @ 6:50 am | Responder

    • Olá João:
      Para mim é uma alegria esse contato com você. Digo-lhe que fiz com o bonde tudo que se possa imaginar. Entre muitas estrepolias, fui craque em pular do bonde andando, no bom sentido. E nunca me estatelei no chão.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 03/08/2013 @ 8:16 pm | Responder

  3. Muito legal. Eu andei muito nos bondes de BH.

    Comentário por Flavio Silva — 04/10/2013 @ 2:55 am | Responder

    • Flávio:
      Então vivemos as mesmas coisas. Como era bom andar de bonde, heim?
      Um braço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 04/10/2013 @ 1:37 pm | Responder

  4. Eduardo, eu também andei de bonde e de “troleybus”. Ao ler seus escritos, completo um vazio dentro do meu coração de uma época que gostaria de ter vivido e da busca que não pude continuar ainda. Deus vai me segurar aqui para que eu possa escrever um pouco. João Viana pulou de bonde, eu com 9 anos pulava do trem nas Águas Santas, para reservar uma ducha para nossa família. Muitos amigos meus, cunhados, adorarão ler este Post sobre Pedro Leopoldo, passando por tantas histórias e cidades antigas com seus descendentes, muitos parentes longínquos. Obrigado por resgatar tudo isso. Você é uma pessoa maravilhosa e peço a Deus que lhe proteja; e que lhe dê muitas bençãos, pelo trabalho que faz, que vem do coração. Da amiga, Maria Emília de Magalhães Viana.

    Comentário por Maria Emilia de Magalhães Viana — 02/04/2014 @ 11:01 am | Responder

    • Querida Maria Emília:
      Sua mensagem me emociona. Também me encoraja a prosseguir escrevendo essas histórias.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 02/04/2014 @ 4:07 pm | Responder

  5. Oi, Eduardo. Adorei seu post. E foi a descrição mais detalhada da Loira do Bonfim que já li. Parabéns!
    Estou desenvolvendo uma pesquisa sobre as lendas urbanas de BH e seria muito bom se você pudesse colaborar com este relato ou outros sobre outras lendas que conheça. Tentei encontrar seu e-mail pra te passar detalhes do projeto mas não encontrei. Se te interessar, posso te mostrar a proposta. Fico no aguardo. Meu e-mail é mirianrolim@gmail.com. Aguardo. E, mais uma vez, parabéns!

    Comentário por mirianrolim — 04/02/2015 @ 11:16 am | Responder

    • Mirian:
      Muito obrigado pelo comentário. Vou entrar em contato com você pelo seu endereço de email.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 04/02/2015 @ 5:48 pm | Responder

  6. Prezado sr. Eduardo:
    Textos do seu Blog poderiam ser reunidos em livro, são simplesmente maravilhosos, sob todos os aspectos. Espero que o senhor ainda se lembre de nós. Estivemos no seu apartamento, gravamos várias informações e tivemos acesso a seus documentos. O motivo foi uma pesquisa sobre o escritor búlgaro que viveu em Minas e trabalhou nas fazendas da família Paula (em Corinto e Curvelo). Compromissos retardaram a pesquisa, enquanto estivemos na Bulgária. Agora, retomamos o trabalho e gostaríamos de ter sua colaboração sobre a família dos Paula e a de Bernardo Mascarenhas, nos anos de 1930.
    Atenciosamente, Vania Perazzo Barbosa e Ivan Hlebarov – Minerva Filmes

    Comentário por Vania Perazzo Barbosa Hlebarova — 14/07/2016 @ 4:43 pm | Responder

    • Vania:
      Lembro-me de vocês sim. Muito obrigado pelo comentário. Vou entrar em contato com vocês.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 14/07/2016 @ 10:11 pm | Responder


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