Sumidoiro's Blog

01/09/2013

A LUZ E O TEMPO

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 7:34 am

Ars longa, vita brevis (1)

Dizemos nós, aqui no hemisfério sul: “Não há melhor luz que a luz do norte.” Não é filosofia, mas a pura verdade. Quando construímos uma casa, cuidamos para que os quartos de dormir recebam luz do sol, ou seja, a luz do norte. Não é certo que o sol nasce no leste, se põe no oeste e corre do lado norte? A luz que corre ao sul, por não ser direta, é difusa e homogênea, apropriada para os ateliês dos pintores, gabinetes dos dentistas de estética e de todos aqueles que precisam enxergar bem as formas, particularmente aquele seu melhor atributo, que é a cor. Mas, isto é muito natural, porque a cor vem da luz. O ofuscamento produzido pela luz direta prejudica a visão e não há óculos ou artifício que contorne o problema. Por outro lado, quando se instalam painéis solares nos edifícios, o especialista busca tirar proveito da luz do norte. 

Para bem entender esta questão, que é mais ampla do que à primeira vista parece, vamos nos divertir com os relógios de sol. 

Post - De ChiricoLuzes e sombras da “Piazza d’Italia”. (Giorgio de Chirico, detalhe)

Diz a Bíblia (Gênesis 2): ” 8. Ora, o Senhor Deus tinha plantado um jardim no Éden, do lado do oriente, e colocou nele o homem que havia criado. — 9. O Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores, de aspecto agradável, e de frutos bons para comer; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal.”

Post - Na areia & no relógioSem tic-tac, as sombras marcam as horas em silêncio.

O lado do oriente, posição espacial relativa do Éden, é o lado da alvorada, de onde surgem as primeiras luzes do dia, que prosseguem desenhando as sombras e as horas. Assim era o jardim de Adão e Eva, mas entenda-se que as escrituras falam através de simbolismos. Também não haveria razão para fazer raiar a primeira luz − fiat lux! − noutro lugar. De qualquer forma, a Bíblia, não esclarece com mais detalhes… O que interessa é que, desde que o primeiro homem pisou a terra, passou a sentir a passagem do tempo observando a luz e a sombra. E viu que o sol percorria caminhos no céu e sempre se escondia ao oeste.

Post - Einstein← Einstein, íntimo da luz e da sombra.

A luz  trouxe ao homem o mundo visível, propiciando-lhe desfrutar da natureza e o seguro caminhar. Em contrapartida, a sombra abrigava a temida morte e, de resto, todo o desconhecido, inclusive o que denominou-se assombração. A etimologia ajuda a entender: assombrar quer dizer cobrir de sombra e trata-se de um procedimento de camuflagem dos fantasmas. Com essa constatação, é aconselhável todo o cuidado ao se aproximar das regiões de penumbra, especialmente em torno do alumiar das velas, onde já pode haver assombrações à espreita.

Nesses cenários é que, Adão − e depois Eva −, passaram a desvendar os mistérios da natureza, justamente focados na árvore da ciência(!) do bem e do mal, ou seja, do certo e do errado. E, durante séculos, permaneceu o equívoco, de imaginar que o sol girava em torno da terra. Até que, um dia, bradou Galileu Galilei: “Eppur si muove! (No entanto ela se move!) − colocando as coisas nos devidos lugares, a terra é que era o satélite. Coitado do Galileu! Pagou por ter falado certo na hora errada e suas palavras fizeram-no cair nas garras da Inquisição(2).

Outro cientista que mergulhou fundo na ciência do tempo foi Albert Einstein, quando desenvolveu a teoria da relatividade… Despertou até a esperança de fazer o tempo retroagir, de modo a permitir o retorno ao passado, propriamente viajando em velocidade superior à da propagação da luz. Admirável é que o gênio acreditava no Todo Poderoso e foi ele quem disse:

“A luz é a sombra de Deus.”

Post - Relógio nos templosNa catedral de Chartres. / No templo de Apolo (Pompeia).

Cabe, ainda, falar dos eventos ocorridos no limiar da morte ou “Experiências de Quase-Morte”, que têm sido repetidamente relatados. Os que passaram por isso falam de uma “luz no fim do túnel”, diferente de tudo que viram antes. Embora seja assunto polêmico, já existem inúmeros grupos científicos estudando a questão, em todo o mundo.

No Brasil, professores da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), dedicam-se a pesquisar ocorrências envolvendo a inusitada luz. Na Santa Casa da localidade, foram instaladas “prateleiras acima dos leitos das UTIs e, em cima delas, figuras impressas de fácil identificação. Tais imagens ficam a trinta centímetros do teto, onde só podem ser vistas por alguém que esteja flutuando”, disse o psiquiatra Alexander Moreira-Almeida, coordenador do Núcleo de Espiritualidade e Saúde. Inicialmente, os pacientes são submetidos a testes, para descartar doenças neurológicas ou transtornos psiquiátricos.

Post - TúnelA luz divina no fim do túnel (pintura de Hieronymus Bosch – montagem). 

Entre os séculos XV e XVI, viveu o pintor Hieronymus Bosch(3), era uma pessoa mística e muito imaginativa. Num conhecido tríptico de sua autoria, entitulado “Visões da vida futura”, há uma cena que representa um túnel que se comunica com o paraíso celeste e mostra a tal luz misteriosa. De onde veio sua inspiração? Será que, naquela época, já haveria relatos sobre essa intrigante experiência de quase-morte?

Post - rRelógio pequenoDeixando de lado o misticismo e as possíveis controvérsias sobre o fluir do tempo, é sabido que o homem criou uma ferramenta para aferí-lo, aproveitando-se da regularidade do movimento das sombras. O mais singelo instrumento, para esse fim, foi uma varinha “mágica” fincada no chão, que ficou conhecida como gnômon(4).

Desta maneira, deu também um passo importante para compreender algo sobre o tempo e começar a organizar as memórias dos dias vividos. Também foi assim que pôde começar sua própria história e a da sua comunidade, porque elas não existiriam sem o tempo. Tudo bem! Aprendeu a medir o tempo, mas trágico foi quando, acompanhando as sombras, começou a pensar no inexorável caminhar para a morte.

Esses medidores de tempo tornaram-se muito difundidos e são encontrados em lugares sagrados, como pátios de templos, cemitérios, também em jardins, palácios, edifícios públicos, praças, etc. Por essas e por outras, é que todo relógio de sol que se preze deve incorporar um alerta. Para ficar mais sugestivo, é muito recomendável adotar o latim, como neste:

Bulla est vita humana
(A vida humana é uma bolha)

A criação de frases para esses relógios é um desafio à imaginação. Aconteceu com um filósofo, quando construía um relógio para instalar no seu jardim. Finalizada a peça, fechou os olhos, mentalizou e pediu ao senhor das horas: “− Dê-me uma frase para gravar?” Ao que ele prontamente respondeu, escreva: “Eu volto, tu jamais. O homem aceitou a sugestão, sem se apoquentar, porque era amigo do saber. Por isso, fica aqui o convite: vamos construir relógios de sol e conversar com o tempo!

Post - Wang Zhi & montanhaWang Zhi, escultura existente num telhado do jardim Yu Yauan, em Xangai (montagem).

Ilustrativa é uma antiga lenda chinesa, que fala da passagem do tempo e do jogo de Go. Conta a história do lenhador Wang Zhi. Enquanto buscava lenha numa floresta, descobriu uma caverna no alto de uma montanha, onde dois gênios jogavam uma partida de Go. Fascinado, pediu para assistir os movimentos, lentos, e que pareciam infindáveis. Mas nunca sentiu fome, porque os gênios lhe davam, periodicamente, um fruto para mascar, semelhante a uma tâmara.

Vai que um dos gênios, em certo momento, lhe perguntou porque ele ainda estava ali. Wang Zhi, então, levantou-se e decidiu partir, mas notou que o cabo do machado estava podre. Assim mesmo, e sem perda de tempo, desceu a montanha em passos acelerados, ansioso para chegar em casa. Entretanto, quando lá chegou, notou que só abrigava pessoas desconhecidas. Não viu sua mulher, nem seus filhos, mas percebeu que eram seus descendentes. É porque havia passado séculos…

Post - Três pedrasEsquerda: dois gnômons de Burbage; direita: relógio do Vale dos Reis (1.300 a.C.).

Dizem uns que o grego Anaximandro teria inventado o gnômon, mas tudo leva a crer que apenas o introduziu na Grécia, ao assimilar conhecimentos de outras culturas. De fato, há elementos concretos para sugerir que o uso desse artefato é mais antigo do que se imagina. No sentido de reforçar tal ponto de vista, especula-se que dois objetos em pedra desenterrados recentemente em South West Leicestershire (Inglaterra), no lugarejo de Burbage, seriam gnômons. Datam de um período entre 10.000 e 4.000 anos antes de Cristo e, supõe-se, teriam precípua finalidade ritual (5).

Outro achado, também recente, é um relógio de sol, datado de 1.300 anos antes de Cristo, considerado, efetivamente, o mais antigo de todos. Estava do lado de fora de uma tumba do Vale dos Reis (Egito), no chão da cabana de um operário. A pesquisadora Susanne Bickel, da Universidade da Basileia, na Suíça, disse: “O significado dessa peça é que retroage em um milhar de anos a época, até então aceita, como sendo a primeira vez que se usou esse instrumento de medição.” (6) Os relógios de sol anteriores datavam do período greco-romano, que compreende de 322 anos antes de Cristo a 395 depois de Cristo.

Post - Rel Tiradentes & PequimNa matriz de Santo Antônio (Tiradentes – MG). / Na Cidade Proibida (Pequim). 

Na primavera, verão, outono e inverno ocorrem mutações na natureza, que são mais evidentes à medida que se afasta do Equador. Elas sempre influenciaram e de várias maneiras a vida do homem, especialmente na sua maneira de sentir o mundo. Como se sabe, a terra enquanto percorre seu caminho em torno do sol, desenha uma elipse, ou quase um círculo. Ao mesmo tempo, gira em torno de si mesma, de modo que o sol está sempre iluminando a face que lhe está exposta. Assim é que se fazem os dias e as noites.

Dessa íntima relação entre terra e sol resulta um espetáculo de luzes, que produz sensações as mais variadas em cada indivíduo e em cada lugar. Quem não ouviu falar ou viveu uma primavera em Paris, um verão em Copacabana, um outono em Nova Iorque ou um inverno nos Alpes suíços? Aqui é assim, mas se algum dia o homem puder visitar o planeta Urano, poderá admirar cada estação com a duração de vinte anos terrestres. Quem se candidata a desfrutar da experiência?

O planeta terra está como que fixo num eixo imaginário. Na extremidade que foi denominada norte, aponta para a estrela Polar; na outra extremidade – sul – aponta para a pequenina estrela Sigma. Permanentemente, no seu giro anual em torno do sol, o eixo aponta para essas duas estrelas.

Post - BH & ParisCada qual com sua sombra: Belo Horizonte caindo ao sul e Paris ao norte.

A mudança das estações do ano é decorrência da inclinação do eixo da terra, tendo como referencial um plano imaginário no qual  a terra se desloca em torno do sol. Considerando uma perpendicular ao referido plano, a inclinação é de 23,5 graus. A órbita da terra em torno do sol é ligeiramente elíptica. O ponto mais próximo do sol se chama periélio e o ponto mais longínquo afélio, mas não é a distância do sol que determina a ocorrência do verão e do inverno. As relações espaciais que produzem as estações do ano são de outra natureza.

Devido à inclinação do eixo da terra, há um momento em que um hemisfério* (*metade da esfera) fica mais exposto à incidência de luz solar. Seu ponto extremo se chama solstício de verão. Por outro lado, quando inverte-se a inclinação, e o hemisfério fica menos exposto, o ponto extremo se chama solstício de inverno.

Há, também, dois estágios intermediários entre os solstícios de verão e inverno. Um deles se chama equinócio de outono, o outro de primavera. São situações em que os dois hemisférios ficam igualmente iluminados. Nesses casos, ocorrem dias e noites de mesma duração. 

Post - Estações hem sulOs equinócios e os solstícios marcam as quatro estações do ano.

As estações do ano se alternam no hemisfério norte e sul. Quando é verão no norte, é inverno no sul e vice-versa. Quando é outono no norte, é primavera no sul e vice-versa, nesta sequência: solstício de verão (início da respectiva estação), caminhando em direção ao outono; equinócio de outono (início da respectiva estação), caminhando para o inverno; solstício de inverno (início da respectiva estação), caminhando para a primavera; equinócio de primavera (início da respectiva estação), caminhando para o verão. Deste modo, a movimentação da terra com sua perene exposição ao sol dentro das variáveis das quatro estações e no curso de cada dia/noite, resulta no fascinante espetáculo da natureza, entre luzes e sombras.

Post - Quatro estaçõesO teatro das quatro estações (por Walter Crane).

O canal mais importante para promover a interação com o mundo é o sistema da visão. Ele tem a capacidade de captar energia, tanto aquela que vem diretamente da fonte emissora ou daquela a que é refletida pelos objetos, sendo que o resultado final é uma mensagem elaborada pelo cérebro. As formas captadas pelos olhos têm cor e provém, primordialmente, da energia oriunda da fonte solar mas, também, das fontes artificiais. O resultado são apenas sensações pois, de fato, não se pode dizer que existe cor na natureza, ela é apenas energia eletromagnética refletida.

Também não existe cor pura, porque são todas tonalidades, com maior ou menor saturação. Por exemplo, um vermelho puro não existe, mas pode ser mais claro ou mais escuro. Se tende para o branco transforma-se em rosa, se tende para o preto transforma-se em marrom. Mas, se tende para o cinza, transforma-se em um tom, rosáceo ou amarronzado. Na verdade, todas as cores estão misturadas com cinza, mais intenso ou menos intenso. A quantidade de cinza define o grau de saturação.

Palavras traduzem um conceito e, em língua inglesa, para designar essas cores que não são puras, adotaram a palavra “shade” (7), mas seria mais apropriado dizer “tone” (tom). Mas, sejam “tones” ou sejam “shades”, ambas querem dizer que uma espécie de manto encobriu a luz, ou submeteu-a à sombra. Está se vendo que luz e sombra são inseparáveis, como já haviam notado os pintores renascentistas do “chiaroscuro”, que tão bem conseguiram perceber e representar esse aspecto mágico da natureza.

As variações de tonalidades são sobejamente notadas em períodos especiais do ano, que são o verão e o inverno. No primeiro caso, com o sol mais alto no céu, a luz cai mais verticalmente e resulta em sombras menores, ao mesmo tempo que a maior intensidade luminosa torna as cores mais gritantes. No segundo caso, ocorre o inverso, o sol mais rasante produz sombras maiores e a menor incidência luminosa torna as cores mais suaves e agradáveis. E não é só uma questão de luz. Ocorrem alterações na intensidade de toda a energia eletromagnética que chega à terra, produzindo grande e variado impacto nos seres viventes, animais, vegetais e no próprio planeta.

Post - Sol de verão e invernoNo hemisfério sul: o movimento aparente do sol (ao norte) e as sombras.

Muitas pessoas dizem sentir-se mais tristes no outono e no inverno, atribuindo essa tendência à diminuição da luz solar e às temperaturas mais frias. Naquelas em que a tristeza se manifesta mais intensamente, pode estar se caracterizando o que a medicina denomina transtorno afetivo sazonal. São episódios recorrentes de depressão, que começam a se manifestar na entrada dessas estações. Manifestam-se com maior frequência nas latitudes mais extremas, do norte ou do sul, quando o inverno normalmente é mais rigoroso. Acredita-se que a desordem afetiva sazonal possa ser causada por taxas elevadas de secreção de melatonina(8). Os sintomas incluem letargia, apatia, excesso de sono e gulodice. Existem alguns tratamentos, entre eles a fototerapia, mas o melhor remédio é a chegada das luzes da primavera.

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome,
nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.
A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata,
essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.  A Primavera, Cecília Meireles.

Post - Grow old“Grow old along with me, the best is yet to be.” → Envelheça comigo, o melhor está por vir.

Palavras de luz e de sombra

Está posto, não dá para viver sem a luz e o tempo… nem a sombra. Até Peter Pan teve seus problemas. Certa feita, quando fugia, teve um pedaço da sua sombra decepada por uma janela de guilhotina. Felizmente, a menina Wendy conseguiu recuperar a sombra e a costurou no devido lugar. Místicos, poetas e pensadores sempre se empolgaram com a luz e a sombra, e deram seus recados:

Profetizou o sacerdote Zacarias − casado com Isabel e pai de João −, iluminado pelo Espírito Santo: “Graças ao misericordioso coração do nosso Deus, o sol que nasce do alto nos visitará, para iluminar os que vivem nas trevas e na sombra da morte; para guiar nossos passos no caminho da paz.” (9)

Disse Platão: “Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a verdadeira tragédia é quando o homem tem medo da luz.”

Exclamou Vítor Hugo, agonizando no leito de morte: “Aqui é o combate do dia e da noite.” E antes do último suspiro: “Eu vejo a luz negra.”

Acrescentou James Joyce: “Todavia se pode morrer quando o sol está brilhando”. 

Filosofou a médica e cientista Elizabeth Kübler-Ross(10)que viveu a experiência de entrar no túnel de luz e retornar: “Pessoas são como vitrais coloridos: cintilam e brilham quando o sol está do lado de fora, mas quando chega a escuridão, sua verdadeira beleza é revelada somente se existir luz no interior.”

Poetou Pablo Neruda: “Era verde o silêncio, molhada era a luz, tremia o mês de junho como uma borboleta e no astral domínio, desde o mar e as pedras, Matilde atravessaste o meio-dia.”

Para construir um relógio de sol

Post - Relógio de papelRelógio de sol para a latitude 19º 55′ (Belo Horizonte).

Os iniciantes podem construir um relógio de sol, a partir de uma folha de cartolina no formato A4 ou maior, se desejarem. A figura acima detalha os pormenores de um relógio de mesa, fabricado para funcionar em Belo Horizonte (MG – Brasil), que está situada na latitude de 19o55′. A segunda etapa é da instalação, que deve ser em lugar que possa receber a luz solar durante o maior período possível. O aparato deve ser fixado com o gnômon aprumado − fazendo um ângulo de 90º com a mesa, que deve ficar na horizontal −, alinhado na direção norte-sul e apontando para o sul geográfico. Note-se que o denominado polo norte magnético é variável, portanto não correspondendo ao norte geográfico, que é fixo e permanente.

Post - Hora gnômon← Sombra marcando hora.

A marcação das horas se faz posicionando o relógio de modo que, ao meio-dia, a sombra do gnômon coincida com ela (linha vermelha na figura ao lado). A opção mais simples para isso é elegendo os dias do equinócio de verão ou de inverno, quando o sol do meio-dia produz a sombra precisa. As demais horas podem ser marcadas com o auxílio de um relógio moderno.

De qualquer modo, não há impedimento para que se faça a experiência num dia qualquer, pois há maneiras de se calcular as correções necessárias para o perfeito funcionamento. Importante é não esquecer de acrescentar uma frase inspirada, de modo a estimular o diálogo com o tempo. E, no mais, é tentar fazer muitos e variados relógios porque, sem sombra de dúvida, é um bom divertimento.

Texto e arte de Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

———

Clique na flexa e assista:

Fundo musical: “As quatro Estações”, de Antonio Vivaldi.


(1) Ars longa, vita brevis – Traduzido do latim ao português: “A vida é curta, a arte é longa”, é uma citação latina que tem sua origem nos escritos do arquiteto e médico grego Hipócrates, mas que foi popularizada pelo poeta romano Sêneca. O aforismo foi escrito em grego antigo: βίος βραχύς, / δ τέχνη μακρή, / δ καιρς ξύς, / δ περα σφαλερή, / δ κρίσις χαλεπή Traduz-se ao idioma português mais ou menos assim: A vida é breve, / a arte é longa, / a oportunidade passageira, / a experiência enganosa, / e o julgamento difícil.

(2) O termo Inquisição refere-se a vários movimentos dedicados, a princípio, à supressão da heresia no seio da igreja católica.

(3) Hieronymus Bosch − ( *c. 1450 †09.08.1516) Pseudônimo de Jheronimus van Aken (como assinou várias pinturas), pintor e gravador holandês. Aken significa da cidade “de Aachen”.

(4) Gnômon − Palavra grega que significa “conhecedor” ou “o que dá a conhecer”. Gnomon e gnosis compartilham a raiz indo-europeia “gna”. Através do indicador do relógio solar é possível saber a hora; a gnose é a sabedoria, daí vem que a fisiognomia é a arte de interpretar a fisionomia; agnóstico, é aquele que não acredita; como, provavelmente, tem a mesma origem gnomo e ainda muitas outras palavras.

(5) Fonte: BBC, internet, “A history of the world – Two flint sundials”.

(6) Science Daily, internet, 14.03.2013 – “One of world’s oldest sundial dug up in Kings’ Valley, Upper Egypt.”

(7) O Oxford English Dictionary traz várias definições de shade. A palavra pode ser usada com muita largueza de significado. Apenas dois exemplos: “Sitting in the shade” = Sentado à sombra; “Colour, especially with regard to how light or dark it is or as distinguished from one nearly like it: various shades of blue.” = Cor, especialmente no que diz respeito a quanto é clara ou escura, ou como distingue-se uma da outra, como isto: vários tons de azul (tons ou tonalidades de azul).

(8) Melatonina − É um hormônio produzido por diversos animais e plantas. Em animais superiores, é produto de secreção da glândula pineal, que participa na organização temporal dos ritmos biológicos, atuando como mediadora entre os ciclo claro/escuro ambiental e em processos regulatórios fisiológicos, incluindo a regulação endócrina da reprodução, nos estados de repouso, sono e vigília, bem como na regulação do sistema imunológico, entre outros.

(9) São Lucas, 1: 78-79

(10) KÜBLER-ROSS, Elizabeth – (*08.07.1926, Zurique, Suíça / †24.08.2004, Scottsdale, Estados Unidos). Psiquiatra, especialista em estudos sobre os mistérios da morte. Autora de vários livros; em 1969, o primeiro “On death and dying” / em tradução brasileira “Sobre a morte e o morrer”, discutindo as cinco fases do luto. Ainda, entre outros, publicou “O túnel e a luz” e “A roda da vida”, nos quais aborda a quase-morte, que ela própria experimentou.

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10 Comentários »

  1. Matéria fantástica. Agradeço o envio e vou compartilhá-la.

    Comentário por Luiz Viana David — 01/09/2013 @ 8:52 am | Responder

    • Luiz: Agradeço seu generoso aplauso. Aguarde o próximo Post.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/09/2013 @ 9:19 am | Responder

  2. Eduardo: Grande aula de filosofia e ciência. Engenho e arte!
    Muito bom! Parabéns!
    Maria Marilda

    Comentário por maria marilda pinto correa — 01/09/2013 @ 10:23 am | Responder

    • Querida Marilda:
      Muito obrigado. Seu estímulo é valioso.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/09/2013 @ 12:19 pm | Responder

  3. Fico feliz de receber suas obras. Esta é mais uma maravilha produzida genialmente por você, Eduardo. Parabéns e obrigado.

    Comentário por Edson Luiz Ribeiro — 01/09/2013 @ 1:58 pm | Responder

    • Edson:
      Tenho o mesmo sentimento de felicidade, ao receber o seu aplauso.
      Muito obrigado. Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/09/2013 @ 3:44 pm | Responder

  4. Eduardo: Página para colocar nos favoritos. Uma aula a ser arquivada para pesquisas.

    Comentário por sertaneja — 19/05/2014 @ 10:10 pm | Responder

    • Virgínia:
      Muito obrigado pelo novo aplauso.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 20/05/2014 @ 5:15 pm | Responder

  5. Eduardo, ler o que você escreve é sempre útil e prazeroso, qualidades que raramente andam juntas. Há, em seus escritos, equilíbrio entre extensão e profundidade, o que me dá a sensação de que acerca de um assunto tratado por você não ser necessário acrescentar nenhuma outra leitura. Sobre este post, só tenho a dizer o seguinte: eu gostaria de já ter lido o que você escreveu sobre “A luz e o tempo” há mais tempo, pois teria tido mais luz.

    Comentário por Pedro Faria Borges — 12/10/2015 @ 8:47 am | Responder

    • Pedro:
      Sinto dificuldade em agradecer com poucas palavras tantos elogios. De qualquer modo, digo-lhe que o seu estímulo muito me vale. Dá-me fôlego para continuar escrevendo. Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 12/10/2015 @ 2:42 pm | Responder


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