Sumidoiro's Blog

01/12/2013

NOTÍCIA DE JOSÉ E MARIA

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 6:54 am

♦ Uma história genealógica

Era 11 de outubro de 1813, segunda-feira, na fazenda da Carreira Comprida, em Santa Luzia (MG), quando contraíram matrimônio José de Souza Vianna e Maria Cândida da Assumpção. O noivo, filho do alferes Bernardo de Souza Vianna, fazendeiro, e de Angélica Maria Pacheco Ribeiro; a noiva, filha do tenente-coronel Antônio da Fonseca Ferreira, cavaleiro da ordem de Cristo, fazendeiro e minerador, e de Josefa Maria da Conceição (Abreu Velloso). O ato religioso foi oficiado às duas horas da tarde, na capela da fazenda, pelo pároco da freguesia de Santa Luzia, João de Souza Carvalho, tendo como testemunhas o vigário da vara, José da Costa Moreira, e o de Congonhas, Francisco de Souza Barros.

Post - Casam José & MariaCasamento na Carreira Comprida (figuras e cena imaginária).

CONHECENDO JOSÉ

O que se sabe com segurança é que Bernardo, o pai de José de Souza Vianna, teve pelo menos três filhos. Ainda não foi possível determinar o lugar onde nasceu José, entretanto, documentos revelam que a maioria dos familiares viveu em lugares próximos à antiga vila de Santa Luzia. Melhor dizendo, moravam em fazendas, como a maioria das pessoas abastadas daquela época.

Primeiramente, em união com Thereza Moreira, o patriarca Bernardo teve um filho batizado Antônio; depois, em matrimônio com Angélica Maria Pacheco Ribeiro, mais dois filhos, cujo primogênito chamou-se também Bernardo. Este era ainda conhecido como Bernardo Moço – Mosso, na grafia antiga – ou Bernardino. Em seguida nasceu José, personagem em destaque nesta história. Os três irmãos, frutos dessas duas uniões, mantiveram relacionamento próximo e amistoso, durante toda vida. É possível que tenha existido também uma filha, chamada Ritta, falecida(1) aos cinquenta e sete anos, solteira e sepultada dentro da matriz de Santa Luzia, tal como consta no registro:

“Aos vinte e seis de Abril de mil oitocentos e sessenta e cinco sepultou-se dentro desta Matriz de Santa Luzia Ritta de Souza Vianna, de idade de 57 annos; solteira, a qual faleceo com os Sacramentos da Penitencia e Extrema-Unção e foi encomendada Parochialmente, do que se fez este assento, que assignei / O Vigario José Joaquim Teixeira”

Post - Falec Ritta S VRegistro de sepultamento de Ritta de Souza Vianna (com um detalhe).

Bernardo de Souza Vianna foi proprietário de muitas terras, uma parte localizada na região da vila de Taquaraçu, às margens do rio das Velhas, denominada fazenda Jaguara de Cima. É preciso esclarecer melhor, porque existiu e ainda existe outra Jaguara, que está situada rio abaixo, e Taquaraçu fica rio acima. Em 1872, uma neta de Bernardo vendeu, nesse lugar, terras que eram procedentes de herança. Seu nome Balbina Olímpia Ferreira, casada com Francisco Ferreira da Silva, tal como consta do documento de transferência:

“… somos detentores de vinte e cinco alqueires de terras de cultura em capoeiras, mata virgem e mellôso, havida p. (por) herança de nosso finado avô Bernardo de Souza Vianna na Fzd. (Fazenda) do dto. (dito) finado cujas terras acima ditas vendemos ao Snr. Joaquim Custodio da Costa […] Taquarassú, 8 junho de 72. // Francisco Ferreira da Silva / Balbina Olimpia Ferreira …”

Post - Balbina escrituraBalbina vende terras oriundas do espólio de Bernardo de Souza Vianna (detalhes).

Na fazenda da Jaguara de Cima, entre outras coisas, Bernardo produzia aguardente, como indica um apontamento referente ao ano de 1817, com sua assinatura, nos seguintes termos:

“Fiz nesta minha fazenda da Jaguara de Sima no Anno de 1817 trinta barris de Agoard.te (Aguardente) de que atesto em ver.de (verdade) – Jagoara de Sima 20 de Dez.bro (Dezembro) de 1817 / Bernardo de Souza Vianna”

Post - Cachaça da JaguaraAnotação por Bernardo de Souza Vianna.

Bernardo era pessoa importante e querida, como evidencia a anotação(2) do seu sepultamento, ocorrido em 20.08.1825, dentro da matriz de Santa Luzia. Diz assim:

“Aos vinte de agosto de mil oitocentos e vinte e cinco dentro desta Matriz de Santa Luzia sepultou-se Bernardo de Souza Vianna, casado com Dona Angelica Maria Ribeira [Ribeiro] , o qual falleceu com todos os Sacramentos; foi depositado nesta Matriz onde se fez desta sua Alma um solemne Officio de nove liçoens, com assistencia das Irmandades deste Arrayal e com os Sacerdotes do mesmo e mais das Freguezias circunvizinhas que se poderão convocar, que excedeo o numero de vinte, os quaes todos disseram Missa de corpo presente; todo este acto presidiu o Reverendo Vigario desta Freguezia, o qual solemnemente o imcomendou do que tudo para constar se abrio este assento que assignei. / O Vigr.o Manoel Pires de Miranda” 

Post - Fal Bernado S ViannaRegistro de sepultamento de Bernardo de Souza Vianna (com dois detalhes).

Angélica Maria − mãe de José − é filha de Damiana Josefina Margarida de São José e de Manoel Pacheco Ribeiro. Ele é natural de Santa Luzia, tinha formação em nível superior e também chamavam-no de dom Pacheco Ribeiro. Dele existe comprovação da ancestralidade na linha paterna, perfazendo três gerações portuguesas. Na linha materna, são conhecidas duas gerações portuguesas e uma brasileira. Damiana e mais três irmãs − Justina, Quitéria e Isabel − eram portuguesas. Vindas de Rio Piracicaba (MG), teriam chegado a Santa Luzia com o intuito de pagar promessa a Nossa Senhora da Soledade, rezando na capela existente no cume de uma serra, em terras da vizinha Sabará. Damiana teria possuído um morgadio na Ilha do Faial − Açores −, até sua mudança para o Brasil, quando então foi transferido para a famosa duquesa de Palmela.(3)

Post - Fal AngélicaRegistro de sepultamento de Angélica Maria Ribeiro Vianna (com dois detalhes).

Angélica Maria, mãe de José, faleceu vinte e nove anos após a morte do marido e foi sepultada(4) na matriz de Santa Luzia:

“Aos vinte e cinco de Setembro de mil oitocentos e cicoenta e quatro sepultou-se nesta Matriz Dona Angelica … Viuva do finado Bernardo de Souza Vianna, branca; a qual falleceu com todos os Sacramentos e de idade de oitenta e tantos annos, e foi por mim Encomendada com assistencia de hum sacerdote e a Musica; de que se fez este assento que assignei. / O Vigro. Ecom.do Antonio Francisco Moreira”

CONHECENDO MARIA CÂNDIDA

Josefa Maria da Conceição e o riquíssimo tenente-coronel Antônio da Fonseca Ferreira − português, natural da ilha da Madeira(5) −, são os pais de Maria Cândida. Possuíam muitas terras, mas a principal receita vinha da mineração, proveniente das lavras de ouro da fazenda da Carreira Comprida, situada na beira do rio das Velhas, em Santa Luzia. Consultando o livro “Pluto Brasiliensis”(6) − do barão von Eschwege −, extrai-se a informação de que, em 1814, com o trabalho de oitenta escravos produzia mil trezentas e sessenta e duas oitavas de ouro. Na região, capaz de competir com ele, somente o Vínculo da Jaguara, cuja produção era de três mil cento e trinta e cinco oitavas. No mesmo trecho do rio, seu genro José de Souza Vianna, também tinha a pequena produção de vinte e sete oitavas, contando com  dez escravos (quadro abaixo).

Post - Carreira prod ouroDo “Pluto Brasiliensis”. / Leia-se Carreira Comprida, em vez de Carreira Corrida.

O casal Antônio da Fonseca Ferreira e Josefa Maria da Conceição geraram mais quatro filhos, além de Maria Cândida. São eles: Antônio da Fonseca Ferreira, casado com Teodora Maria (natural de Diamantina); Manoel da Fonseca Ferreira, casado com Silvéria de Deus Salgado; Joaquim da Fonseca Ferreira, casado com Maria Claudina e Joaquina da Fonseca Ferreira, que era celibatária.

A mãe de Maria Cândida falecera, pouco antes do seu casamento. O registro:

“Aos vinte de Março de mil oitocentos e onze, se sepultou dentro da Matriz de Santa Luzia a Dona Josefa Maria da Conceição, mulher do tenente Coronel Antonio da Fonseca Ferreira, aqual faleceo com todos os Sacramentos, tendo feito em testamento, e se-lhe-fez officio de Corpo presente; foi encomendada de licença minha pelo Reverendo Doutor Vigario da Vara José da Costa Moreira, de que se-fez este assento, que assignei / O Coadjutor Manoel Pires de Miranda” 

Post - Falec Josefa M ConceiçãoRegistro de sepultamento de Josefa Maria da Conceição (com dois detalhes).

Ao se casar com José, Maria Cândida levou de dote a magnífica fazenda dos Maçaricos, que juntou à que o noivo possuía, a fazenda dos Angicos. Ambas ainda existem e situam-se no município de Vespasiano − grande Belo Horizonte −, parte delas transformaram-se nos bairros de Angicos e Maçaricos. Esta última gleba se confrontava com mais uma fazenda de José, denominada Córrego Sujo, terras que hoje fazem parte do centro urbano. E ainda outra fazenda, pertencente a Bernardo de Souza Vianna, na divisa com Angicos, transformou-se no bairro Bernardo de Souza. Nesse lugar está sendo implantado o grande condomínio Alphaville − vetor norte.

Post - FazendasTerras de José e do pai Bernardo (à direita: mapa de 1950, IBGE).

A fazenda dos Maçaricos tem muita história, pelo menos por dois motivos. Em certa época, serviu como pousada para viajantes que vinham do norte de Minas, geralmente com destino ao Rio de Janeiro. E por ocasião da Revolução Liberal(7), de 1842, foi invadida e serviu de quartel general para as tropas do duque de Caxias, quando se preparavam para invadir Lagoa Santa. Mas é necessário dizer que José de Sousa Vianna se alinhava com os liberais e era um dos chefes. Por isso, foi detido e conduzido para a cadeia no quartel de Sabará, onde ficou preso junto com os líderes Teófilo Otoni, o padre Marinho, o barão de Cocais − que fora aclamado presidente interino da província − e outros.

O fundador da fazenda da Soledade, João Antônio Velloso, português, casado com uma índia de nome Isabel, são os avós maternos de Maria Cândida. Isabel foi batizada na capela da Soledade(8). São pais de Marianna Velloso (*c.1720), que se casou com Luiz de Abreu (*c.1730) e geraram Josefa Maria de Abreu Velloso (sep†20.03.1811), mãe de Maria Cândida. Diz a tradição que os mesmos Luiz e Marianna são pais do tenente-coronel José Gonçalves de Abreu (*c.1750) que, por sua vez, é pai do capitão Anastácio José Gonçalves de Abreu(9).

OS DOIS JUNTOS

Post - Matr José & M Cândida AssRegistro de matrimônio de José e Maria Cândida.

O casamento(10) de José e Maria Cândida ocorreu:

“Aos onze de Outubro de mil oitocentos e trese annos, na Capella da Carreira Comprida, pelas duas horas da tarde, pouco mais ou menos, havendo Provisão do Muito … (?) Vigario da Vara desta Comarca, na presença do Reverendo Parocho desta Freguesia João de Soiza de Carvalho, e das Testemunhas, o Vigario da Vara o Doutor José da Costa Moreira, o vigario de Congonha Francisco de Souza Barros, se receberão em Matrimonio Jose de Souza Vianna e Dona Maria Candida da Sumpcão, elle filho legitimo do Alferes Bernardo de Souza Vianna e Dona Angelica Maria Ribeira, ella filha legitima do Tenente Coronel Antonio Ferreira da Fonseca e Dona Josefa Maria da Conceycão, naturaes desta Freguesia e residentes, e receberão as bencoens nupciais. / O Coadjutor José Soares Diniz”

Post - Maçaricos colorRuínas do casarão de Maçaricos, dote de Maria Cândida.

Ao se casarem, Maria Cândida (*c.1794) tinha dezenove anos e José (*1788) vinte e cinco anos de idade. Ela faleceu muito jovem, aproximadamente aos trinta e seis anos de idade, quando deu à luz o filho Tristão. José faleceu aos setenta e cinco anos de idade, bastante idoso, dentro das expectativas de vida da época.

Batismo(11) de Tristão:

“Aos vinte e cinco de Maio de mil oitocentos e trinta o Reverendo Coadjutor Alexandre Gomes de Araujo baptizou, e pos os santos Oleos a Tristaõ inocente filho legítimo do Tenente Joze de Soiza Vianna e de Dona Maria Candida de Assumpçaõ; foraõ padrinhos o Capitaõ Manoel da Fonseca Ferreira e Dona Joaquina Claudina de Santa Ritta por Procuraçaõ que apresentou o Capitaõ Joaquim da Fonseca Ferreira de que se fez este assento que assignei, / O Vigro. Manoel Pires de Miranda” 

Post - Bat TristãoRegistro de batismo do caçula Tristão (com dois detalhes).

Geraram quinze filhos: Francisco de Paula, Antônio, Maria Cândida, Joaquim, Cândido José − gêmeo, José Júnior − gêmeo, Bernardo, Joaquina Cândida, Bernarda Cândida, Francisco Xavier, Manuel, Maria Cecília, Maria Luísa, Francisco de Assis e Tristão, este último batizado quatorze dias após o sepultamento da mãe(12)

Post - Fal M Cândida AssRegistro de sepultamento de Maria Cândida (com dois detalhes).

Registro do sepultamento(13) de Maria Cândida, na matriz de Santa Luzia:

“Aos onze de Mayo de mil oitocentos e trinta dentro desta Matriz acima das grades sepultou Dona Maria Candida da Asumpção mulher do Tenente José de Souza Vianna que faleceu apressadamente de parto por isso sem Sacramentos; foi depositada nesta Matriz onde se lhe fez hum Officio nove liçõens com os Sacerdotes deste Arrayal e Freguezia e com os das Freguezias circunvizinhas, que se poderão convocar, os quaes todos dicerão não somente Missa de corpo presente p. Sua Alma, como ainda hum oitavario de Missas logo imediato ao seu falecimento; a cujo Officio assistirão todas as Irmandades deste Arrayal e Musica distribuindo-se com todos a cera (velas ?) necessaria; sendo ao depois de tudo solemnemente encomendada a todo este acto presidiu o Reverendo Parocho desta Freguezia, do que para todo o tempo contar se abrio este assento que assignei. / O Vigro. Manoel Pires de Miranda”

Post - Fal José S ViannaRegistro de sepultamento de José (com dois detalhes).

Registro do sepultamento(14) de José, na matriz de Santa Luzia:

“Aos dezasette de Julho de mil oitocentos e sessenta tres sepultou-se dentro desta Matriz de Santa Luzia o Te José de Souza Vianna, viuvo de Maria Candida Fonseca Vianna, o qual falleceo de edade de 75 annos, e com o Sacramento da Unção; foi solemne e parochialmte (paroquialmente) encomendado; do que fiz este assento, q (?) assignei / O Vigario José Joaquim Teixeira”

Post - Carreira CompridaFazenda da Carreira Comprida, em Santa Luzia (mapa: IBGE, 1950).

SANTA LUZIA

Atribui-se a José Correa de Miranda, membro remanescente da bandeira de Borba Gato, a edificação da primitiva Santa Luzia, em 1692, na parte baixa do terreno às margens do rio das Velhas. Ele figura também como um dos fundadores da vila de Sabará onde, mais tarde, foi investido como capitão-mor e administrador da fazenda real; depois coronel e juiz de órfãos. O núcleo original de Santa Luzia chamou-se Arraial Novo do Rio das Velhas Abaixo e foi destruído por uma enchente, em 1695. Em consequência, decidiu-se construir nova vila, em local mais elevado, mas, como não podia deixar de ser, cuidaram de erigir uma capela coberta de sapé, predecessora da atual matriz. Corrobora essa versão a afirmativa do historiador Augusto de Lima Júnior, que diz: “É bem provável que já existisse a capela de Santa Luzia em 1701 […]  filial da capela de Roça Grande. O bispo d. frei João da Cruz, por provisão de 19 de novembro de 1744, transferiu a sede da freguesia de Roça Grande para o arraial de Santa Luzia.” (15)

Post - St Luzia miniatDando colorido à história, ao lado corre a lenda de como surgiu o nome da cidade. Segundo o imaginário popular, a ideia de dedicar a capela à santa da luz nasceu pelas artes de um pescador que, talvez, estivesse com os olhos tomados por belidas(16) e, nessas condições, quase cego. Chamava-se Leôncio. Certo dia, observara qualquer coisa brilhando nas areias do rio das Velhas e, quando chegou perto, percebeu tratar-se de uma imagem de Santa Luzia. E não deu outra, na mesma hora a protetora dos olhos fez o milagre de devolver-lhe a visão. Em seguida, a imagem foi levada para a modesta capela e tornou-se padroeira do município. Desde então, a vila passou a ser conhecida como Santa Luzia do Rio das Velhas.

Luzia ou Lúcia, nascida em Siracusa, na Sicília, filha de família muito rica, viveu no século IV. Quando ainda era jovem, foi perseguida pelo imperador Diocleciano − pagão − e entregue a um torturador, para que renunciasse à sua crença na doutrina cristãEntretanto, diz a lenda, depois de infrutíferas tentativas para que renegasse a sua fé, teve seus olhos arrancados por um soldado que, em seguida, os devolveu dentro de um prato. Mas, então, aconteceu o inesperado, quando em sua face surgiram dois novos olhos, perfeitos, e mais lindos que os primeiros. E não terminou por aí, depois disso aconteceu o gesto extremo, quando deceparam sua cabeça, mas então surgiu a história da sua santidade e a fama se espalhou pelo mundo. Os milagres atribuídos à sua intercessão transformaram-na em santa auxiliadora dos que imploram pela cura de doenças dos olhos ou mesmo da cegueira. Essa é a tradição secular, cada vez mais atraindo devotos no mundo inteiro. 

Post - Matriz santa LuziaMatriz de Santa Luzia: tudo começou numa capela coberta de sapé.

Em Santa Luzia, desde os tempos da antiga vila, a população católica mantém a tradição, confiando com fé inabalável na sua padroeira e protetora, tal como vários personagens desta história. Assim também, e com toda certeza, Bernardo, Angélica Maria, Ritta, José, Maria Cândida e Josefa Maria. Seus corpos repousam dentro da matriz, abençoados para a eternidade.

—————

 Todo dia 13 de dezembro, Santa Luzia em festa comemora o dia da padroeira. 

Texto e arte de Eduardo de Paula

Colaboração: Berta Vianna Palhares Bigarella, Carlos Aníbal Fernandes de Almeida e Vânia Lúcia de Oliveira.

Post - Árvore Când & José

(1) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Óbitos em Santa Luzia, fl. 144v.

(2) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Óbitos em Santa Luzia, fl. 1v.

(3) Duquesa de Palmela: vide o Post “No alto daquela serra”. / Morgadio ou morgado era um sistema de organização familiar que criava uma linhagem, dentro de determinadas regras. Nesse regime, os domínios senhoriais eram inalienáveis, indivisíveis e insusceptíveis de partilha por morte do titular, sendo transmitidos normalmente ao descendente varão primogênito. Assim, o conjunto dos bens do morgadio estavam vinculados à perpetuação do poder econômico familiar ao longo das gerações.

(4) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Óbitos em Santa Luzia, fl. 117.

(5) Antônio da Fonseca Ferreira, seria natural da ilha da Madeira (segundo o historiador e genealogista Francisco Teixeira da Costa).

(6) ESCHWEGE, Wilhelm Ludwig von – “Pluto Brasiliensis: memórias sobre as riquezas do Brasil em ouro, diamantes e outros minerais”, Companhia Editora Nacional, 1944.

(7) Veja o Post “No tempo do imperador”.

Post - Soledade miniatura(8) Capela da Soledade (imagem à esquerda): vide o Post “No alto daquela serra”. // Segundo o historiador Hélio Vianna, a informação do batizado da índia Isabel, na Soledade, foi-lhe repassada pelo parente José Vianna Romanelli (Fonte: “O mais antigo empresário brasileiro”, Revista Digesto Econômico, n. 216, 1970, p. 69).

(9) Veja os Posts “Carreira Comprida e outras histórias” e “Dois Anastácios”.

(10) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Matrimônios em Santa Luzia, fl. 7v.

(11) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Batismos em Santa Luzia, fl. 118v.

(12) Francisco de Paula (*02.04.1815 †17.02.1895), Antônio (*1816 †1871), Maria Cândida (*c.1817), Joaquim (*1818), Cândido José (bt 05.08.1819) − gêmeo, José Júnior (*1819) − gêmeo, Bernardo (bt 03.08.1820), Joaquina Cândida (bt 18.09.1821), Bernarda Cândida (bt 24.09.1822), Francisco Xavier (bt 02.10.1823), Manoel (bt 10.11.1824 †28.01.1858), Maria Cecília (bt 10.11.1825), Maria Luísa (*1826), Francisco de Assis (bt 10.02.1829) e Tristão (bt 25.05.1830 sep†30.11.1875).

(13) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Óbitos em Santa Luzia, fl. 12.

(14) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Óbitos em Santa Luzia, 1863, fl. 142v.

(15) LIMA Jr., Augusto de − “Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais”, vol. X, p. 282 / Roça Grande – Povoado fundado pelo bandeirante Borba Gato; bem próximo e antes de Sabará (rio das Velhas acima, em referência a Santa Luzia).

(16) Belida − No passado, era comum encontrar muitas pessoas com belidas, nome dado a manchas brancas nos olhos, consequência particularmente da catarata e que era estigmatizanteÉ uma patologia que provoca opacidade parcial ou total do cristalino ou de sua cápsula. Pode ser desencadeada por vários fatores, como traumatismo, idade, Diabetes mellitus, uveítes, uso de medicamentos, etc. Apresenta-se como embaçamento visual progressivo e pode levar à cegueira ou visão subnormal.

Anúncios

8 Comentários »

  1. Eduardo,

    mais uma bela história que você pontualmente nos escreve a cada mês. Parabéns pela pesquisa e pelo esmero.

    João Vianna

    Comentário por João Vianna — 01/12/2013 @ 8:19 am | Responder

    • Caro João:
      Muito obrigado pelo comentário. Leitores como você dão-me ânimo para continuar.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/12/2013 @ 9:06 am | Responder

  2. Eduardo:
    Parabéns por mais essa história. A do João e Maria toca especialmente a minha fazenda das Minhocas, que também foi propriedade dos mesmos donos da Carreira Comprida. Tenho recebido inúmeras visitas de descendentes de antigos donos: Ferreira Fonseca, Vianna, Valadares, Gontijo… Cada um deixa uma história. Na maioria, se fala das notáveis produções de cachaça e ouro. Ouro até o final do XIX.
    Mas sempre fiquei intrigada com o fato da presença de inúmeras lavras de ouro da fazenda não serem especificamente relatadas por Eschwege e outros. Creio que devem estar incluídas quer na produção do Recolhimento de Macaúbas (do qual Minhocas fez parte por um século), quer na Carreira Comprida, pois o mesmo dono tinha três: Maçaricos, Minhocas e Carreira Comprida, esta última ainda hoje é da família Fonseca.

    Acredito que muitos leitores vão se perguntar o que é oitava de ouro. Aqui vai uma contribuição:
    Uma oitava se refere a oitava parte de uma onça, ou seja 3,585 gramas. O peso do ouro era medido em onças e uma unidade muito corrente era a oitava, que constituía a oitava parte da onça, o que corresponde a 3,585 g, também conhecido como dracma. Uma oitava de ouro correspondia a 1200 réis (já descontado o Quinto).

    Um abraço da
    Sonia Penna,
    atual proprietária da Fazenda das Minhocas.

    Comentário por Sonia Penna — 01/12/2013 @ 2:08 pm | Responder

    • Sônia:
      Fico feliz ao saber que você gostou do meu Post. Está correta a informação sobre a onça. Agora, ficará à vista de todos na sua mensagem e vai ensinar a quem ainda desconhece.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/12/2013 @ 3:32 pm | Responder

  3. Eduardo:
    Graças ao seu esforço de pesquisador apaixonado pela história da familia Vianna/Viana, pouco a pouco, vou preenchendo as partes que estavam faltando em minha árvore genealógica. Muito obrigada! Com carinho,
    Kathya.

    Comentário por Kathya — 01/12/2013 @ 6:10 pm | Responder

    • Kathya:
      Se não me faltar fôlego, vou continuar recuperando a nossa história familiar, que estava sendo apagada pela poeira do tempo.
      Muito obrigado pelo apoio e gentileza. Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/12/2013 @ 7:03 pm | Responder

  4. O saudoso Chico Xavier descendia dessa gente, ou estou enganado?…

    Comentário por marcos mauricio mendes lima — 30/10/2016 @ 5:21 pm | Responder

    • Marcos:
      Pelo que sei, não há ligação entre Chico e os personagens deste Post.
      Cordialmente, Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 30/10/2016 @ 6:17 pm | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: