Sumidoiro's Blog

01/05/2014

A FESTA DO BARÃO

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 7:46 am

♦ Era sábado, 11 de outubro de 1884

E agora se fala de uma pessoa notável, que viveu no século XIX. Por atitudes e ações, e mais sua cativante simpatia, tornou-se exemplar figura humana. Foi assim que qualificou-se para ganhar a admiração de quem o conhecia, desde as pessoas mais simples até o imperador d. Pedro II. Seu nome: Francisco de Paula da Fonseca Vianna.

Post - Visconte & rioFrancisco de Paula, o barão, depois visconde do Rio das Velhas.

Pela colaboração na organização dos batalhões de Voluntários da Pátria, que lutaram na guerra com o Paraguai, recebeu o título de barão do Rio das Velhas, em 25.04.1867, por decreto imperial. O relato de uma festa, em uma das suas fazendas, é pequena amostra do seu jeito de ser. Publicou o jornal “Liberal Mineiro”:

Manifestação de apreço e Quinze cartas de liberdade

“A fazenda do Bom Jardim, do Exmo. Sr. Barão do Rio das Velhas, tornou-se, no dia 11 do corrente, solar do cavalheirismo e da liberdade. O Barão […] eminente chefe liberal do 4º distrito, querendo dar uma demonstração de apreço ao benemérito senador Ignacio Martins(1), pelo ato imperial da sua escolha, ofereceu-lhe um jantar, para o qual convidou numerosos amigos. O dia 11 foi de vera festa para todos os amigos do preclaro cidadão.

Muitos amigos o foram receber em sua fazenda, denominada Quilombo, distante três e meia léguas da fazenda do Bom Jardim. Durante o trajeto, de espaço em espaço, eram encontrados grupos de cavaleiros, de sorte que, ao chegar a cavalgada no arraial de Matozinhos, foram contados cento e dezesseis cavaleiros. No arraial de Matozinhos, muitos fogos subiram aos ares e a banda de música do maestro João Coelho Ferreira, em sons festivais, saudou o manifestado. Do arraial, seguiram todos para Bom Jardim e, desde que foram avistados, numerosas girândolas e a mesma banda de música fizeram repercutir, pelas quebradas das serranias, os festejos e alegrias de todos os corações.

A fazenda do Bom Jardim estava coberta de louçanias* (*ornatos). As flores variegadas, as moças formosas e mais de duzentos cavalheiros, dos mais distintos das cercanias, cheios de almo prazer, formavam daquele solar uma residência encantada, onde ostentava-se com o seu divo sorriso de agasalho, como anjo tutelar, a Exma. Baronesa do Rio das Velhas.

Post - Matozinhos - Bom JardimMatozinhos e fazenda do Bom Jardim, no mapa de 1950.

Às cinco horas, serviu-se o jantar. Lúculo, o histórico gastrônomo da Roma tribunícia, ali estaria à vontade e a bel-prazer. As iguarias mais finas e profusas desafiavam os convivas, ao lado dos generosos falernos* (*vinhos). Logo após a primeira coberta, levantou-se o Exmo. Barão do Rio das Velhas e, em discurso cheio de amistosos conceitos, declarou que, oferecendo ao senador Ignacio Martins aquele jantar, procurava dar a maior demonstração do seu prazer de amigo, por vê-lo elevado ao senado, e que, para perpetuar aquele dia, conferia carta de liberdade a dez escravos.

O entusiasmo, naquele momento, excedeu a todos os limites e frenética, e geral saudação, foi dirigida aos dois beneméritos cidadãos, senador Ignacio Martins e Barão do Rio das Velhas.

O senador Ignacio Martins, com as lágrimas do prazer nas vozes, agradeceu a demonstração de amizade que, disse ser para ele a primeira e mais importante que recebera em sua vida, e que, para comemorá-la de maneira condigna, conferia liberdade à sua escrava Olinda, de 19 anos de idade.

Aplausos gerais cobriram aquela declaração, sendo levantados sucessivos e repetidos vivas ao senador Ignacio e ao Barão do Rio das Velhas. Foi naquele momento que teve a palavra o Dr. Vaz Pinto(2) que, em frases animadas e entusiásticas, saudou a confraternização da amizade e da liberdade no amplexo que davam os dois mineiros, que eram honra de sua pátria e que, por sua vez, em homenagem às virtudes preclaras da Exma. Baronesa do Rio das Velhas, conferia plena liberdade à sua escrava Leopoldina.

A corrente elétrica do entusiasmo dominou toda a reunião e novos vivas foram levantados ao senador Ignacio e ao Barão e Baronesa do Rio das Velhas. Seguiram-se os seguintes brindes: (continua no fim do texto).

Muitos outros brindes ainda seguiram-se, quando a orquestra, no grande salão, anunciou que as danças iriam começar. O prazer tinha tocado ao seu auge. Todo o vasto solar era dança, música e risos. No grande salão, seguiam-se ininterruptas as quadrilhas, lanceiros, polcas e valsas. Além, em sala reservada, um grupo de guapos e folgazões moços de fibra de aço e assomos de iridente (*brilhante) alegria dançavam o pitoresco e galhofeiro crequeché(3)Mais além, os camaradas(4) dançavam o animado cateretê e, ainda adiante, os pretos, recordando os adustos palmares africanos, dançavam o quindobe.

No meio da animação geral, ao terminar a segunda quadrilha, entrou o Exmo. Barão do Rio das Velhas acompanhado dos libertos e pediu ao Exmo. Senador para entregar-lhes as cartas de liberdade. Foi o grande, o solene momento. Todos os olhos convergiram para os que há pouco eram escravos e agora estavam livres, em honra a um grande cidadão. Todos fortes e robustos, destacando-se, dentre eles, Júlio, o que sempre foi pajem predileto do Exmo. Barão, que quis mostrar com esta liberdade, que em homenagem ao cidadão senador, dava liberdade à melhor peça dos seus escravizados.

O senador Ignacio convidou os libertos a receberem as suas cartas e, nessa ocasião, pediu-lhes que, ainda uma vez, beijassem a mão protetora do Exmo. Barão do Rio das Velhas e que, na sociedade em que irão entrar, lembrassem sempre de imitar as grandes virtudes da casa de que saíam.

Post - Barão & IgnacioSenador Ignacio Martins. / Barão e baronesa do Rio das Velhas. 

A comoção tornou-se geral e houve o silêncio eloquente dos grandes atos, que só foi interrompido pelo Exmo. Barão do Rio das Velhas, declarando que, além das liberdades conferidas, dava mais à liberdade a escravizada Josepha. Aplausos gerais partiram de todos os ângulos do vasto salão e, naquele momento, o senador Ignacio Martins deu a palavra ao Dr. Vaz Pinto. […] (Ele) saudou os amigos da humanidade ao advento da pátria livre, recordando os fatos mais memoráveis das festas da província de Minas desde os tempos coloniais e, concluindo seu discurso com a frase de Saint-Hilaire(5): “Se há país no mundo que possa passar sem outro país, é Minas Gerais.”

Ao concluir, o Dr. Vaz Pinto o seu discurso, o coronel José de Souza Vianna(6), dominado de entusiasmo, declarou que libertava os seus escravos João e Felícia. Houve aplausos gerais ainda, usando da palavra o Dr. Vaz Pinto para saudar o distinto coronel que, naquele momento, confraternizava com o seu Exmo. irmão em alma e coração. Em seguida, continuaram os festejos até ao amanhecer, sempre animados e alegres. Honra ao benemérito Barão do Rio das Velhas. Honra ao senador Ignacio Martins.

São este os nomes dos libertos: Júlio, de 28 anos de idade; Beatriz, de 40; Úrsula, de 30; Venâncio, de 35; Felisbina, de 34; José, de 50; Antônio, barbeiro, de 50; Theotonio, de 60; Severiano, de 55; Mafalda, de 45; Josepha, de 28; Olinda, de 19; Leopoldina, de 36; Felicidade, de 40 e João, de 38.

OS BRINDES: Do senador Ignacio Martins ao coronel Francisco Gonçalves Rodrigues Lima, liberal prestimoso e amigo de inexcedível valor e, especialmente, à sua esposa, D. Maria José Vaz de Lima, geralmente respeitada e querida por todos. / Do capitão Francisco de Paula Moreira ao senador Ignacio Martins, mineiro que fazia a glória da sua pátria. / Do Dr. Vaz Pinto aos Srs. Dr. José de Assis e padre Odorico (7), ambos sacerdotes, um da ciência, outro da religião, mas ambos abrasados na mesma pira ardente, a da caridade. / Do coronel Francisco de Assis da Fonseca Vianna ao Dr. Vaz Pinto, que era orgulho da pátria que lhe tinha dado o berço. / Do senador Ignacio Martins ao capitão Paulo Vianna, um dos melhores caráteres de Minas. / Do Dr. Vaz Pinto ao Dr. Modestino Carlos da Rocha Franco (8), representado na pessoa do seu distinto filho Antônio Carlos, chefe político de elevado prestígio, amigo dedicado até o sacrifício, médico e jurisconsulto, para quem as ciências são motivos de prazer no gabinete e meios de servir a humanidade. / Do senador Ignacio Martins ao capitão Francisco de Paula Moreira, cidadão e amigo dos melhores. / Do Dr. Vaz Pinto às distintas senhoras que abrilhantavam a esplendida reunião daquele solar. / Do senador Ignacio Martins aos Srs. coronel Francisco de Assis e major Júlio Cesar, distintos e prestimosos amigos. / Do reverendo padre Odorico, que em frases eloquentes saudou ao seu amigo particular, o Exmo. Barão do Rio das Velhas, protótipo de todas as virtudes. / Do Dr. Vaz Pinto ao Coronel José de Souza Vianna (9), digno representante da lavoura, em cujo futuro descansa a pátria.”— Liberal Mineiro, Ouro Preto, de 23.10.1884

Post - Proj abolicionista“Diário de Notícias” (RJ) divulga o projeto abolicionista (04.06.1887).

A luta abolicionista

A abolição da escravatura, no Brasil, vinha acontecendo por etapas. O primeiro passo fôra em 04.09.1850, com a lei Eusébio de Queiroz, que extinguiu o tráfico. Vinte e um anos mais tarde, em 28.09.1871, veio a lei do Ventre Livre, que tornou livre os filhos de escravos nascidos daquela data em diante. Em 28.09.1885, pela lei Saraiva-Cotegipe ou Lei dos Sexagenários, seriam libertados quem contasse mais de sessenta e cinco anos de idade. Mas a questão servil não estava ainda resolvida em sua totalidade e, por isso, durante os anos de 1886 e 1887, retomaram-se os debates com veemência. Diversas propostas foram então apresentadas na câmara dos deputados e no senado, na tentativa de encontrar uma solução definitiva à questão. Apesar dos fortes interesses contrariados, era chegado o momento em que não havia mais como retroceder e a liberdade total tinha de acontecer em breve.

É nesse contexto que entra a festa do barão como um acontecimento deveras especial, transcendendo o mero evento social. E é importante colocar que o anfitrião era ativo político liberal, de longa data, desde os tempos da denominada revolução dos Luzias, em 1842. Na verdade, junto com a homenagem a Ignacio Martins, pretendia-se agitar a bandeira da abolição da escravatura, uma das metas do Partido Liberal. A entrega das cartas de liberdade foi nesse sentido, porque o movimento estava na ordem do dia dos debates políticos. E os resultados não tardariam, pois em 1887, o senador Ignacio Martins tornou-se signatário de um projeto pela abolição.

Este é o projeto, assinado no Paço do Senado, em 03.06.1887:

” — Art. 1º  − Aos 31 de dezembro de 1889, cessará de todo a escravidão no Império. / § 1º − Está em vigor, em toda a sua plenitude e para todos os seus efeitos, a lei de 7 de novembro de 1831. / § 2º – No mesmo prazo, ficarão absolutamente extintas as obrigações de serviços impostos como condição de liberdade e a dos ingênuos (crianças), em virtude da lei de 28 de setembro de 1871. / § 3º – O governo fundará colônias agrícolas para educação de ingênuos e trabalho de libertos à margem dos rios navegados, das estradas e do litoral. / Nos regulamentos para essas colônias se proverá à conversão gradual do foreiro ou rendeiro do Estado, em proprietário dos lotes de terra que utilizar a título de arrendamento. / Art. 2º – Revogam-se as disposições em contrário. […] Dantas(9) – Affonso Celso – G. S. Martins – Franco de Sá – J. R. de Lamare – F. Octaviano – C. De Oliveira – Henrique d’Avila – Laffayette Rodrigues Pereira – Visconde de Pelotas – Castro Carreira – Silveira da Motta – Ignacio Martins – Lima Duarte.”

Detalhe importante é que havia uma sugestão de reforma agrária, como está anotado no parágrafo 3º, do projeto de lei: “O governo fundará colônias agrícolas […] à margem dos rios navegados, das estradas e do litoral.” Ou seja, seriam terras em locais de boa acessibilidade, para que os assentados pudessem escoar sua produção. E mais, teriam a oportunidade de ser tornarem verdadeiros proprietários, mas havia uma particularidade que teria contribuído para levar o projeto ao fracasso, pois dizia: “… se proverá à conversão gradual do foreiro ou rendeiro […] em proprietário dos lotes de terra que utilizar…”. Haveria bônus mas também ônus, pois teriam que pagar pelo uso da terra.

Post - Ignacio no jornalO projeto da abolição repercutindo no jornal conservador de Ouro Preto.

Naqueles dias de 1887, candidatos e partidos políticos faziam campanha de eleições para o senado, marcadas para 27 de junho. Como não podia deixar de ser, os conservadores aproveitaram a oportunidade para fustigar os liberais, usando contra eles o tema da pretendida abolição da escravatura. Os jornais deram cobertura ao assunto e publicaram inúmeras cartas de fazendeiros, revoltados com a perspectiva de perderem a mão de obra escrava. Na defesa nos seus interesses, os radicais contrariados não mediam as palavras. Para se ter uma ideia, basta ler um protesto, publicado no “Diário de Notícias” (RJ), de 19.06.86, assinado por “um lavrador liberal”, atacando violentamente o projeto assinado pelo senador Ignacio Martins (reprodução abaixo). Havia até ameaça de morte, imitando do que acontecera com Abraham Lincoln, em 15.04.1865, assassinado com um tiro na cabeça por um defensor do escravagismo.

Post - Protesto proj Dantas“Diário de Notícias”, violento ataque ao projeto Dantas, assinado também por Ignacio Martins.

Embora o projeto liberal não tenha vingado, serviu para atiçar as brasas na fogueira pela libertação dos escravos. Pouco tempo depois, houve o inevitável desdobramento das inúmeras ações que estavam em curso. Em 13.05.1888, pressionada pelos clamores que vinham de todos os cantos do país, a princesa Isabel − filha de d. Pedro II − assinou a Lei Áurea, abolindo a escravidão no Brasil. Um número enorme de fazendeiros protestou pela perda dos seus “bens”, mas nem todos, claro. Sem dúvida, mais um dia de festa e de muita alegria, também para Francisco de Paula da Fonseca Vianna, então visconde do Rio das Velhas, por mérito e por graça de d. Pedro II.

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A lei áurea

Com apenas dois artigos, a lei nº 3.353, diz:

“Declara extinta a escravidão no Brasil – A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade o Imperador, o Senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembleia Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte:

Art. 1º: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil. /  Art. 2º: Revogam-se as disposições em contrário.

Manda, portanto, a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram, e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.

O secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e interino dos Negócios Estrangeiros, Bacharel Rodrigo Augusto da Silva, do Conselho de Sua Majestade o Imperador, o faça imprimir, publicar e correr. Dada no Palácio do Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1888, 67º da Independência e do Império. // Princesa Imperial Regente/ Rodrigo Augusto da Silva — Carta de lei, pela qual Vossa Alteza Imperial manda executar o Decreto da Assembleia Geral, que houve por bem sancionar, declarando extinta a escravidão no Brasil, como nela se declara. / Para Vossa Alteza Imperial ver. Chancelaria-mor do Império — Antônio Ferreira Viana. / Transitou em 13 de maio de 1888. — José Júlio de Albuquerque.”

Post - Pr Isabel

← Princesa Isabel

Diferentemente da “Lei Áurea”, o projeto que fora apresentado pelo grupo liderado pelo conselheiro Dantas e assinado também por Ignacio Martins, em 03.06.1887, previa o assentamento dos escravos libertos. Realmente, foi uma omissão desastrosa ter deixado milhares de indivíduos ao abandono. No livro “Centenário de Antônio Prado”, editado em 1942, Everardo Valim Pereira de Souza comentou sobre as consequências negativas. Assim escreveu:

“Segundo a previsão do Conselheiro Antônio Prado, decretada de afogadilho […] seus efeitos foram os mais desastrosos. Os ex-escravos, habituados à tutela e curatela de seus ex-senhores, debandaram em grande parte das fazendas e foram ‘tentar a vida’ nas cidades; tentame […] que consistia em: aguardente aos litros, miséria, crimes, enfermidades e morte prematura. Dois anos depois […] da lei, talvez metade do novo elemento livre havia já desaparecido! Os fazendeiros dificilmente encontravam ‘meieiros’ que das lavouras quisessem cuidar. Todos os serviços desorganizaram-se; tão grande foi o descalabro social. A parte […] de São Paulo que menos sofreu foi a que […] havia já recebido alguma imigração estrangeira; O geral da Província perdeu quase toda a safra de café por falta de colhedores!”

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Post - Visconde miniatO visconde do Rio das Velhas

Francisco de Paula de Souza Vianna nasceu em 02.04.1815, na fazenda dos Angicos que, na época, pertencia à freguesia de Santa Luzia e estava no município de Sabará. Foi o filho primogênito de José de Souza Vianna e Maria Cândida de Assumpção da Fonseca Ferreira; neto de Bernardo de Souza Vianna e Angélica Maria Pacheco Ribeiro. (veja os Posts “A família de Bernardo”, “Dumont, Vianna & Cia.” e “José e Maria”)

Casou-se, com Maria Cândida de Salles, em 18.06.1835, filha do tenente Francisco de Salles Rocha e de Carlota Joaquina de Salles − a baronesa do Rio das Velhas. Uniu-se, em segundas núpcias, em 17.05.1879, com Ana Cândida Fonseca Vianna, sua sobrinha, filha do major Antônio Ribeiro da Fonseca e de sua irmã Bernarda Cândida de Souza Vianna.

Quando eclodiu a denominada Revolução Liberal, em 1842, Francisco de Paula era tenente da Guarda Nacional e vereador suplente em Sabará. Naquela oportunidade, participou da sessão da câmara municipal e, conjuntamente, aderiu ao movimento revolucionário. Logo após, foi nomeado, pelo governo sedicioso, major da 1ª região de Sabará.

Em 1848, foi nomeado tenente-coronel chefe do 2º batalhão da Guarda Nacional de Sabará. Mais tarde, foi comandante da Guarda Nacional de Santa Luzia e Curvelo. Em 1867, pelo auxílio prestado na organização dos voluntários da Guerra do Paraguai, recebeu o título de barão do Rio das Velhas, por decreto imperial de 25.04.1867. Na política, militou no Partido Liberal e foi eleito, em várias legislaturas, vereador em Sabará e Santa Luzia, e nesta presidente da câmara.

Por ocasião da visita de d. Pedro II a Minas Gerais, em 1881, recepcionou o imperador, com toda fidalguia, em sua residência de Matozinhos e, como agradecimento, foi agraciado por Sua Alteza com duas honrarias: a comenda da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo e o título de visconde do Rio das Velhas(10).

Como agricultor, foi proprietário das fazendas do Mocambo e Bom Jardim(11). Nas suas atividades de homem do campo, empresário e político, muito contribuiu para o desenvolvimento da região onde atuou. Foi um dos fundadores da Companhia Industrial Sabarense − fábrica de tecidos − e é considerado um dos fundadores da cidade de Pedro Leopoldo (MG).

Post - Falec viscondeDuas datas para o falecimento, na sepultura dia 17, no obituário dia 16.

Desde que recebeu o título de barão, não mais assinou seu nome próprio. Tinha um sobrinho homônimo, Francisco de Paula da Fonseca Vianna(12), e, muitas vezes, os dois são confundidos. Mesmo em documentos oficiais, passou a ser conhecido, como Barão do Rio das Velhas e, depois, Visconde do Rio das Velhas. Falecido antes de completar oitenta anos de idade, ficaram duas anotações de datas do óbito. A lápide do seu túmulo anota o falecimento no dia 17.02.1893. O jornal “Minas Gerais”, editado em Ouro Preto, de 27.02.1893, publicou um obituário no qual o chama por Francisco de Paula Souza Vianna(!) e escreve dia 16, para o falecimento.

Quanto ao sobrenome Souza Vianna, trata-se de um equívoco do jornal, mas há uma explicação: vários irmãos do visconde assinavam desse modo. Sua irmandade: Antônio de Souza Vianna (*1816), Maria Cândida da Assunção (Fonseca ou Souza ?) Vianna (*1817), Joaquim de Souza Vianna (*1818), Cândido José de Souza Vianna − gêmeo (*1819), José de Souza Vianna Júnior − gêmeo (*1819), Bernardo de Souza Vianna (*1820), Joaquina Cândida de Souza Vianna (*1821), Bernarda Cândida de Souza Vianna (*1822) − também sogra do visconde, Francisco Xavier de Souza Vianna (*1823), Manoel da Fonseca Vianna (*1824), Maria Cecília de Souza Vianna (*1825), Maria Luiza de Souza Vianna (*1826), Francisco de Assis da Fonseca Vianna (*1829) e Tristão da Fonseca Vianna (*1830).

 

Texto e arte de Eduardo de Paula

Colaboração: Carlos Aníbal Fernandes de Almeida (Espaço Cultural Nilde Fernandes) 

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

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Veja também, neste Blog: “A FAMÍLIA DE BERNARDO” e “NOTÍCIA DE JOSÉ E MARIA”. No Blog http://docsdosumidoiro.wordpress.com/ : GENEALOGIA SOUZA VIANNA (I)”

(1) MARTINS, Ignacio Antonio de Assis − Visconde de Assis Martins, (Sabará, *16.11.1839 / †02.03.1903).  Advogado, juiz e político. Filho de Francisco Assis Martins Costa e Eufrasia Assis. Casou-se com Angelina Silvina Moreira, viúva de Theodoro Barbosa da Silva. Foi deputado provincial, deputado geral e senador do Império do Brasil de 1884 a 1889.

(2) CUNHA, Antônio Vaz Pinto Coelho da – (Sabará, *1836 / Rio de Janeiro, †1894) – Advogado, juiz de direito,  professor, deputado, romancista e teatrólogo.

(3) Crequeché é o mesmo que reco-reco. São nomes de instrumentos de percussão, que produzem som pela fricção de uma vareta sobre um pedaço de madeira ou bambu, com sulcos transversais abertos para esse fim; é o feitio mais conhecido do instrumento. Na Bahia, encontra-se um outro tipo: uma mola de aço estirada sobre uma caixa de 10 cm x 15 cm. Em Piracicaba, São Paulo, é comum aparecer a mola estendida sobre uma tábua. Atrita-se o arame com uma haste de ferro, onde se enfiam tampas de garrafas, que produzem ruído peculiar ao ser tocado o instrumento. Aparece em várias manifestações musicais afro-brasileiras, como candomblé, moçambique, etc. O instrumento é usado no acompanhamento de músicas carnavalescas, principalmente na bateria das escolas de samba. É também chamado, em vários cantos do pais, de ganzá, raspador, casaca, catacá, caracaxá, querequexé, reque-reque, etc.

(4) Camarada = trabalhador braçal.

(5) SAINT-HILAIRE, Augustin François César Prouvençal de – (Orleans, *04.10.1779 / Orleans, †03.09.1853) Botânico, naturalista e viajante francês.

(6) VIANNA, José de Souza (Júnior) − Irmão do visconde do Rio das Velhas. Filho de José de Souza Vianna e Maria Cândida de Assumpção da Fonseca Ferreira. 

(7) DOLABELLA, Padre Odorico Antônio − Vigário de Lagoa Santa.

(8) FRANCO, Modestino Carlos da Rocha − Médico, juiz de paz, político (Partido Liberal) e fazendeiro, em Santa Luzia.

(9) DANTAS, Manoel Pinto de Souza − (*21.02.1831 /†29.01.1894) Senador (Partido Liberal) e conselheiro (integrante do Conselho de Estado; presidente do Conselho de Ministros, em linguagem moderna seria Primeiro Ministro).

(10) Imperial Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo − Antiga ordem honorífica brasileira, originada da portuguesa Ordem Militar de Cristo, que remonta à medieval Ordem de Cristo. Foi a segunda ordem imperial brasileira com mais titulares, logo atrás da Imperial Ordem da Rosa. Premiava militares e civis. Título recebido por decreto de 15.06.1881 e carta de 25.06.1881. / Visconde do Rio das Velhas: título recebido em 07.03.1885.

(11) Fazendas do Mocambo e do Bom Jardim − Ambas estão situadas do município de Matozinhos (MG).

(12) VIANNA, Francisco de Paula Fonseca (Sobrinho) − Filho de Cândido José de Souza Vianna e de Brígida Honorina Gonçalves Moreira da Silva.

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2 Comentários »

  1. Eduardo,

    muito boa a lembrança de incluir no seu blog esta passagem! Colocá-la no contexto das iniciativas abolicionistas mostra que o Barão estava afinado com as ideias do Imperador, e já antevia o desfecho da luta abolicionista.

    Comentário por João Vianna — 01/05/2014 @ 9:08 pm | Responder

    • Olá João:
      Em maio, agora, comemoramos a abolição da escravatura. Acho qua ainda há muita coisa a ser contada e recontada.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/05/2014 @ 9:14 pm | Responder


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