Sumidoiro's Blog

01/11/2014

NOS PASSOS DO IMPERADOR (VII)

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 8:37 am

♦ Adeus, Caraça!

O casal imperial d. Pedro II e dona Tereza Cristina partiram do Rio de Janeiro, no dia 21.03.1881, sábado, às 6 horas da manhã, para conhecer Minas Gerais. O imperador cuidou de escrever um diário de viagem e também a imprensa deu grande cobertura à visita. Parte desses acontecimentos são aqui revividos por Sumidoiro’s Blog(1), em continuação ao Post anterior, quando o imperador acabara de conhecer o famoso seminário do Caraça. Agora, descreve-se a partida do educandário e a etapa da viagem até Mariana. 

Post - Caraça perfil deitadoA cara de um homem admirando o céu marca a serra do Caraça.

Post - D Pedro miniDiário  ABRIL – 13 (4ª fª) – Desci a pé a ladeira íngreme e mal calçada, às 5h 20′. Montei a cavalo às 5½. A cascata e a vista belíssimas. Tomei à direita. Chácara da Congregação onde há vinha – bebi vinho ontem – não me agradou onde mora o irmão Freitas da congregação. Foi ele que dirigiu a abertura desse novo caminho. No tempo de meu pai, passava mais à direita e por um lugar chamado Varanda de Pilatos. No estabelecimento também mora um antigo professor Manuel Ferreira, que ensinou latim igualmente em Congonhas(2). Foram discípulos dele o Lima Duarte e Afonso Pena. Vim conversando com ele sobre latim, pouco depois de sairmos ambos de São João de Morro Grande(3).

Chegada a Catas Altas, às 9 ½. Freguesia de bastantes casas, bonita igreja, cujas torres têm remate um pouco extravagante, e muito bem situada, com pitoresca serra do caraça defronte para o ocidente, a qual torneamos. Também se veem, desse lado, as escavações da mina de jacutinga(4) aurífera de Pitangui, cujos trabalhos recomeçaram por uma companhia inglesa. Ao partir, entreguei diversas cartas de liberdade concedidas pelo diretor inglês da mina de Cocais, de que falei em Caeté.

Post - Quarto imperadorO quarto imperial para dois pernoites no Caraça.

Segui. Arraial d’Água Quente pequeno. Atravessou-se mato, depois de uma volta que se deu por um tabuleiro todo de canga(5) para evitar parte do caminho ordinariamente trilhado, que é muito mau para liteira. A canga nesta região, segundo Gorceix,  tem talvez 20 metros de espessura, que riqueza de ferro!

Arraial do Inficcionado, depois de margear o ribeirão do mesmo nome, assim chamado por causa das bexigas* (*varíola) que aí houve, ou de cobre de sua mineração que venderam como ouro por este metal, dizendo-o, por isso, inficcionado. Para chegar ao arraial, que é grande e tem três igrejas, atravessa-se uma ponte comprida. Encontramos correio e soube, aí, da morte do Taunay velho(6), o que muito senti. Santa Rita Durão nasceu no Inficcionado(7). Indagando da casa de seu nascimento, só um velho Lúcio Ottoni disse da janela que já tínhamos passado pala casa, na entrada do arraial, à direita e para dentro. Achei melhor não voltar para procurá-la. A serra do Caraça produz bela vista do Inficcionado.

Arraial de Bento Rodrigues, pequeno mas com igreja. Tenho passado, desde Catas Altas, diversos ribeirões ou riachos, que vão ter por fim a Santa Bárbara e aumentar as águas do rio Doce.

Post - Santa Luzia a Ouro PretoO caminho do imperador.

Arraial de Camargos(8), bem situado com igreja. Sempre se tem visto a serra do Caraça. Pouco adiante, vieram ao encontro cavaleiros entre os quais o Gentil, Carlos Assis Figueiredo e seu sogro, e o diretor da mina da Passagem, Patridge, com sua mulher, que eu conhecia no Rio. Enfim, passamos por perto dos trabalhos da mina do Morro de Santa Ana – avultava a grande roda de água com o luar – e, depois, encontraram-se os carros e troles que já tardavam. O caminho não é mau agora que não tem chovido; foi muito reparado, porém, há ladeiras íngremes e com pedras, por onde não podiam passar os carros.

Perto das oito, entradas de Mariana. Bonitas iluminações, boas casas. Subiram-se ladeiras íngremes e, às 8 (h), era eu recebido pelo bispo(9), no seu palácio, que é grande. Por falta de acordo, esperaram com as trevas, até a minha chegada, contudo eu falara com o bispo de modo a começarem-na às 5 (h), mesmo que eu não estivesse. Despedindo-se o bispo de mim, a fim de eu poder descansar, julguei-me dispensado de assistir às trevas(10). Irei às de amanhã e de sexta-feira, o que não faço no Rio. Jantei perto das 9 (h). — DIÁRIO: continua na próxima postagem.

Post - Ataíde ceia - CaraçaNo Caraça: última ceia de Athayde, pintura que encantou d. Pedro II (detalhe).

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Post - Sumidoiro MARCADOIS TESTEMUNHOS

O dia anterior no Caraça, 12 de abril, foi de muitas coisas a admirar, de homenagens e alegrias, mas também de um grande dissabor. A contrariedade surgiu no conflito entre o imperador e o professor de direito canônico, padre João Gualberto Chavanat(11) (leia o Post anterior, nº VI)Tudo se deu durante a arguição dos alunos em demonstração do nível de conhecimentos do alunado. O primeiro a responder as perguntas, feitas pelo padre Chavanat, foi o seminarista Joaquim Silvério de Souza(12), na época com 23 anos de idade. O inesperado acontecimento ocorreu na arguição de um segundo estudante, logo em seguida à sua pessoa, e vai aqui relatado em suas palavras:

Primeiro testemunho

“Desde 1878, o padre Chavanat não saiu mais a missões. Foi-lhe confiada a direção do Seminário Maior, que ainda estava no Caraça e o escritor dessas linhas teve a dita de cursar suas aulas, durante quatro cheios anos. Então lecionou, até morrer, teologia moral […] Em tudo o que se relaciona com o estado eclesiástico era versado e profundo às direitas; direito canônico, liturgia, história eclesiástica, hermenêutica. Nestas matérias, a ele recorriam os sacerdotes da diocese de Mariana, como à fonte pura e sempre corrente, para o refrigério dos sequiosos. […] Não raro se lhe ouvia: – Ensinei ou disse isso, mas devo dizer outra coisa; enganei-me, ou a Santa Sé decidiu de outro modo…

Post - Padre Joaquim SilvérioPadre Joaquim Silvério de Souza

Lembrarei agora um fato gloriosíssimo para o padre Chavanat, dado por ocasião da visita imperial à serra do Caraça. E foi o caso que o monarca, prevenido talvez por outrem sobre a decidida franqueza do lente de teologia do Caraça, exigiu que se tratasse, na sua presença, das relações entre a igreja e o estado.

A visita […] realizou-se, como é sabido, anos após a questão religiosa de que foram sagradas vítimas os dois confessores da fé, d. Vital e d. Macedo Costa, glórias imemoriais da terra de Santa Cruz. Tão longe estava o padre Chavanat de provocar a questão da relação entre a igreja e o estado, como à falsa fé afirmam alguns bufarinheiros* (*vendedores de bugigangas) de frases pelos jornais, que começou a interrogar ao seu discípulo sobre o tratado de justiça.

O escritor destas linhas não só presente na aula, mas assentando-se próximo do lente e tendo sido interpelado, logo em começo da visita imperial à aula, afirma, com conhecimento de causa, e não teme desmentido. Apenas respondera às perguntas ao escritor deste artigo, pôs-se o padre Chavanat a interrogar a outro discípulo, quando o imperador disse: – Quero que me tratem aqui das relações entre a igreja e o estado. Confundindo-se ou, antes, demorando-se o discípulo em expor erros de hereges e regalistas* sobre o assunto, rompeu logo o imperador com estes dizeres: ‘- Entrem em matéria, entrem em matéria’. — * Direito dos reis de interferir na vida interna da igreja.

Post - Almoço no CaraçaRefeitório do Caraça. Ao fundo a ceia de Athayde.

Então o lente, padre Chavanat, expôs a questão como era ensinada e aceita pela doutrina católica: igreja e estado independentes e soberanos, cada um na sua respectiva esfera. Mas, em caso de conflito, primazia para a igreja, superior ao estado, como a alma ao corpo. E, logo, d. Pedro exclamou: – Como imperador do Brasil e defensor perpétuo da constituição, protesto. O estrado em que se erguia a cadeira em que se assentava o monarca ecoou em uma pancada do pé do imperador, o apoiados* (*as manifestações de apoio) partiram da comitiva imperial.

Mas não se teve por vencido o padre Chavanat, o qual, erguendo-se do lado direito do imperador, disse-lhe:

– Vossa Majestade protesta contra a doutrina da igreja, estampada em documentos pontifícios que vou apresentar a Vossa Majestade.

– Conheço muito bem a doutrina da igreja – retorquiu d. Pedro.

Nesse ínteirim, o dr. Gorceix, que ficava junto ao padre Chavanat, puxava pela sotaina* (*batina) deste e dizia-lhe: – Assente-se, assente-se, isto é absurdo – não podendo eu afirmar a quem atribuía ele o absurdo, se ao lente, se ao monarca.

Entretanto, interveio o superior da casa, alegando muito haver ainda que examinar e, com um sinal seu, recolheu-se ao silêncio o professor, o qual, logo depois, chamou a exame outro seminarista, a quem interrogou sobre o que dispunham as leis eclesiásticas quanto à seita maçônica. Parece que o imperador pensou entre si ser proposital a questão da maçonaria, pois declarou, mais tarde, em conversa no Caraça, […] que não era maçom, segundo me foi referido.

Ainda depois dos exames em presença do monarca, o padre Chavanat, saindo ao encontro dele, quando ia visitar as aulas do colégio […] protestou contra o protesto imperial, dizendo ante d. Pedro, face a face, e à vista de muitos seminaristas, do padre superior Júlio Clavelin e da comitiva maior do imperador:

– Ainda não posso tragar o protesto de Vossa Majestade.

– Pois, de novo, protesto – respondeu d. Pedro.

– Então Vossa Majestade não conhece a doutrina da igreja ou não é católico – tornou o padre.

A isto, respondeu o imperador que estudou a questão muito e mais do que o lente… que sabia, etc. […]

Os últimos momentos do padre Chavanat foram dignos de sua virtuosa vida; paciência a toda prova entre dores atrocíssimas da peritonite que o fez sucumbir, zelo para consigo, pedindo os sacramentos derradeiros e recomendando aos que o circundavam humildade invejável , declarando-se no meio da fartura de tudo naquela hora, ser filho de pais sem recursos, etc. A diocese de Mariana o venera como um santo […]” — Recolhimento de Macaúbas, abril de 1900 / Padre Joaquim Silvério de Souza.

Post - SeminaristasSeminaristas no Caraça.

Segundo testemunho

O conflito do padre com o imperador ficou guardado também na memória de outro seminarista, na época Post - Sumidoiro MARCAcom 18 anos de idade. O jovem terminara seus estudos no seminário maior de Diamantina e, em 4 de abril, estava no Caraça fazendo mais um curso. Exatamente oito dias depois, assistiria à aula de direito canônico, ministrada pelo padre Chavanat. O estudante chamava-se Edmundo Pereira Lins(13) e veio a se tornar brilhante e conhecido magistrado.

Seu grande amigo, baiano, jornalista e poeta, João Paraguassú, anos depois, ouviu dele o relato do que presenciara. Certo é que, volta e meia, alguém relembrava esses fatos, mas cada um contava a história a seu modo. E, para colocar pingos nos is, decidiu publicar o relato do amigo na sua coluna de jornal, como vai a seguir:

Post - Lins & Chavanat & JoãoEdmundo Lins, padre João Chavanat e João Paraguassú.

“Em 4 de abril de 1881, dizia-me Lins, cursava eu o Seminário, dirigido por Lazaristas, quando d. Pedro visitou o Caraça, também confiado aos padres da Congregação de São Vicente de Paulo. Dois episódios então ocorridos, ficariam para sempre em minha memória. Um foi a sessão solene em honra de sua majestade. […]

O outro episódio foi quando o imperador assistia a uma aula de Direito Canônico, no Seminário Maior. Era lente dessa disciplina o padre Chavanat, intransigente e ultramontano(14), que nunca perdoara à Coroa a atitude desta no caso episco-maçônico, em que d. Vital e d. Macedo Costa se viram perseguidos. Daí, o padre Chavanat valer-se do momento para um revide.

Mal d. Pedro II assentou-se na sala de aula, o professor mandou que um dos alunos dissertasse sobre a teoria e prática do “placet”, sustentando, conforme a doutrina do Caraça, a supremacia do espiritual sobre o temporal. O discípulo, apoiado energicamente pelo mestre, chegou mesmo a exceder-se, ressuscitando a tese medieval de Gregório VII e Inocêncio II, isto é, competir à Igreja, inclusive, resolver as questões civis, visto que a sociedade inteira lhe era subordinada.

Post - Caraça ft antigaCaraça e o santuário Nossa Senhora Mãe dos Homens.

O soberano que além de versado em Direito Civil e Canônico era, entre nós, o representante máximo do estado e defensor nato da Constituição, não se conteve. Habitualmente ameno no trato, perdeu a paciência, levantando-se. Mas o fez com aparato. “Protesto, exclamou ele, contra a doutrina professada nesta Casa, porque é um constante incitamento à revolta da autoridade eclesiástica contra a civil.” Ao seu lado, achava-se o Superior do Caraça, padre Clavelin, o qual obrigou o padre Chavanat a calar-se, pois este, exaltado, queria, aos brados, contradizer o imperador.

E não se conformou ao silêncio imposto. Valendo-se do instante em que d. Pedro II passava por um grupo de seminaristas, postou-se Chavanat diante dele, exibindo-lhe um imenso in-folio que agora sobraçava. Aos berros, o professor ultramontano reagia:

“Não admito, declarava, o protesto de vossa majestade que escandalizou os meus alunos. Um monarca, que seja realmente católico, não deve sublevar-se contra a doutrina da Igreja, principalmente perante um Seminário Maior.” E batendo na lombada do in-folio: “Aqui estão os Santos Concílios e os grandes doutores canônicos, que aprovam e recomendam a doutrina ensinada nesta casa.”

D. Pedro II, reintegrado na sua calma e impassibilidade, limitou-se a observar: “A diferença, que entre nós há, é ser o senhor um católico intolerante.” O padre Chavanat, com um sorriso de sarcasmo, acudiu: “E vossa majestade é muito tolerante…” Teria prosseguido no debate pessoal, se não fosse a interferência do Superior Padre Clavelin, que lhe ordenou se retirasse para os seus aposentos.

Post - Vitral CaraçaCaraça: vitral central do plebistério, doado por d. Pedro II (à direita, detalhe).

Edmundo Lins silenciou. Vínhamos ambos saindo pelos fundos do Supremo Tribunal Federal. Lins parecia debruçar-se sobre o passado distante em que os fatos se verificaram e ele os comentava com os padres e os seus colegas de seminário. Depois resumiu:

– Só quem conhece a gravidade do problema religioso no nosso Segundo Reinado, com a hipertrofia do regalismo e a crescente opressão do poder temporal sobre o espiritual, de que foi exemplo típico o processo dos bispos, é capaz de avultar os largos benefícios trazidos pelos positivistas, no conseguirem qua a República adotasse a mais completa separação entre a Igreja e o estado, com uma liberdade espiritual que nunca, fora dos escritos de Comte, qualquer publicista proclamara tão totalmente.

Mesmo o maior dos nossos liberais, o grande Ruy [Barbosa], na sua lei de separação, manteve a exclusão do Brasil da Companhia de Jesus, isto é, daquela a que o país justamente devia os mais relevantes serviços. Foi pela mão do jesuíta que o Brasil começou a aprender a ler. O jesuíta, entretanto, que só viveu no Brasil de 1891 para cá, graças à interferência e ao prestígio dos positivistas na Constituinte, a estes se refere, não para lhes ser reconhecido, mas para desancá-los injusta e rijamente. Enquanto a Ruy, que excluía os inacianos do país em definitivo, é por este jesuíta olhado até com simpatia.

Ruy, mais tarde objetei eu, converteu-se em Friburgo, quando falou aos estudantes do Colégio Anchieta…

– Sim – concluiu Lins –, mas foi coisa de última hora. É assim a justiça dos homens e dos jesuítas, apesar da sólida cultura que têm, são tão humanos, como nós outros…

— João Paraguassú – Correio da Manhã (RJ) – 14.09.1945

• Clique com o botão direito e veja todos, “Nos passos do imperador” – de I a VIII) – I | II | III | IV | V  | VI  | VIII 

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Compilação, adaptação, comentários e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

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(1) Fonte do Diário: “Anuário do Museu Imperial”, vol. XVIII, 1957, versão e notas por Hélio Vianna. // Sumidoiro’s Blog corrigiu e atualizou grafias de palavras, alterou pontuações, tanto na transcrição do Diário, quanto nos noticiários da imprensa, preservando a integridade do conteúdo. Ainda acrescentou notas e ilustrou.

(2) Congonhas do Campo – localidade onde existiu o colégio de Matosinhos, fundado pelos padres vicentinos, também chamados lazaristas. O colégio fazia parte do santuário de Bom Jesus de Matosinhos.

(3) São João do Morro Grande – Foi um dos antigos nomes de Barão de Cocais.

(4) Jacutinga – Itabirito aurífero em decomposição.

(5) Canga – Minério de ferro argiloso.

Post - D. Pedro p F Taunay(6) TAUNAY, Félix Émile – (Montmorency, França *1795 / Rio de Janeiro, †1881). Barão de Taunay, pintor, professor, escritor, poeta e tradutor. Chegou no Rio de Janeiro em 1816, acompanhando seu pai, integrante da Missão Artística Francesa, o pintor Nicolas Antoine Taunay (1755 – 1830), que orientou sua formação artística e de quem foi sucessor na cadeira de pintura de paisagem da Academia Nacional de Belas-Artes. Em 1834, após a morte do português Henrique José da Silva (1772 – 1834), diretor da Academia Imperial de Belas-Artes, assumiu seu posto e cuidou da consolidação do ensino artístico no Brasil, seguindo os princípios da Missão Francesa. Auxiliando o arquiteto Grandjean de Montigny (1776 – 1850), participou dos projetos de saneamento e urbanização da cidade do Rio de Janeiro. / Lecionou para o imperador d. Pedro II, que tinha muito talento para o desenho, como também para suas irmãs e filhas. Seguindo a viagem, no dia 17 de abril de 1881, quando passaram por Mariana, Suas Majestades ouviram missa em sua intenção, no palácio do bispo. / À esquerda, retrato de d. Pedro II quando jovem, por F. Taunay (detalhe).

(7) DURÃO, José de Santa Rita – (Cata Preta (MG), *1722 / Lisboa, †1784) Frei agostiniano, orador e poeta. Considerado um dos precursores do estilo literário denominado indianismo. Seu poema Caramuru é a primeira narrativa literária tendo como tema o nativo do Brasil. Sua cidade natal, Cata Preta, que teve o nome mudado para Santa Rita Durão, fora outrora o Inficcionado. / O poeta fez a citação mais antiga sobre a origem da denominação Inficionado ou Inficcionado e está no seu poema “Caramuru, poema epico do descubrimento da Bahia” / Consta na nota referente ao canto IV: “Inficionado. Povo importante das Minas do Mato dentro; chamado assim, porque o ouro, que tinha mui subido, perdeo os quilates mais altos, e ficou chamando-se inficionado. Assim o soube o Poeta dos antigos daquela Paroquia, de que ele he natural.” – Lisboa, Regia Officina Typographica, 1781, p. 140. / Como se lê no Diário de d. Pedro II, embora não haja citação da fonte, o imperador conhecia outra versão sobre a origem do Inficcionado, que estaria relacionada a uma epidemia de varíola.

(8) CAMARGOS – Em 1711, os irmãos Thomaz, João e Fernando Lopes de Camargos encontraram um ribeirão aurífero, onde se estabeleceram, assim nascendo o povoado de Camargos. O distrito tem como sede a cidade de Mariana.

(9) BENEVIDES, Antônio Maria Correia de Sá e – Oitavo bispo de Mariana, de 1877 a 1896.

(10) Trevas – Os três dias da Semana Santa que antecedem a Aleluia (sábado de…), em que não se deixa entrar a luz do dia nas igrejas.

(11) CHAVANAT, João Gualberto – (Saint-Symphorien-sur-Oise, França, *12.07.1840 / Mariana (MG), †11.08.1899) Padre lazarista (o mesmo que vicentino). D. Pedro II equivocou-se escrevendo Chavanaz.

(12) SOUZA, Joaquim Silvério de – (Rio Piracicaba (MG), * 20.07.1859 / Diamantina (MG), †30.08.1933) Em 28.06.1917, tornou-se arcebispo de Diamantina (MG); patrono da cadeira nº 75 do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais; sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; fundador da Academia Mineira de Letras, ocupando a cadeira nº 23. Após a ordenação, além de ser professor de latim, português e história no Seminário do Caraça, foi vigário do Inficcionado, atual Santa Rita Durão, e capelão do Recolhimento de Macaúbas, em Santa Luzia (MG). Colaborou nos jornais católicos “O Apóstolo” e no “Minas Gerais”. Escreveu os livros “Sítios e personagens” e “O lar católico”; fundou o semanário “A estrela polar”, informativo da diocese de Diamantina. / Fonte do depoimento: “Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro”, Tomo LXII, parte I, Imprensa Nacional, 1900, p. 245 a 250.

(13) LINS, Edmundo Pereira – (Serro (MG), *13.12.1863 / Rio de Janeiro, †10.08.1944) Jornalista, jurista e magistrado. Estudou Ciências Jurídicas na Faculdade de Direito de São Paulo. Filiou-se ao Partido Republicano Paulista e foi redator-chefe do jornal “O Movimento”. Foi promotor público em Jundiaí, depois juiz em diversas comarcas, até ser nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal, por Venceslau Brás, em 1917, sucedendo Pedro Antônio de Oliveira Ribeiro e sucedido por Armando de Alencar. Foi nomeado presidente do Supremo Tribunal Federal, em 01.04.1931, presidindo-o até a aposentadoria, em novembro de 1937. Foi fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, professor e diretor da Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais.

(14) Ultramontano – Palavra que significa “de além da montanha”, especificamente, para além dos Alpes, em Roma. O ultramontanismo refere-se à histórica posição dos católicos romanos, quando enfatiza a importância da autoridade papal sobrepondo à autoridade dos reis e das hierarquias eclesiásticas regionais. A partir do século XVII, o ultramontanismo esteve intimamente associado aos preceitos da Companhia de Jesus. Até que, no dia 18 de julho de 1870, a igreja católica radicalizou, instituindo a infalibilidade dos papas como dogma. Naturalmente, houve quem discordasse, entendendo que seus adeptos eram “conservadores”.

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2 Comentários »

  1. Deu “pano para manga” o aparte do imperador durante a aula. Curiosamente, os relatos não são idênticos. O primeiro pareceu bem mais leve. Agora vemos que a discussão foi séria! Muito interessante.

    Comentário por sertaneja — 02/11/2014 @ 12:53 am | Responder

    • Virgínia:
      Sim! Deu pano para manga. Cada um pode tirar suas conclusões do que aconteceu naquele momento, mas sabemos que depois tudo mudou. O estado afastou-se da igreja e mais alguma coisa…
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 02/11/2014 @ 9:11 am | Responder


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