Sumidoiro's Blog

15/11/2014

NOS PASSOS DO IMPERADOR (VIII)

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 10:02 am

♦ Conhecendo Mariana 

O casal imperial d. Pedro II e dona Tereza Cristina, partiram do Rio de Janeiro, no dia 21.03.1881, sábado, às 6 horas da manhã, para conhecer Minas Gerais. O imperador cuidou de escrever um diário de viagem e também a imprensa deu grande cobertura à visita. Parte desses acontecimentos são aqui revividos por Sumidoiro’s Blog(1), em continuação ao Post anterior, quando o imperador, partindo do colégio do Caraça chegou a Mariana. Nesta sequência, descreve-se sua estada em Mariana e o retorno a Ouro Preto, onde já estivera no final de março.

Post - Camargos igrIgreja de Nossa Senhora da Conceição, em Camargos.

Post - D Pedro mini

Diário

ABRIL – 14 (5ª fª) – Acordei às 5½. Depois do arraial de Camargos (no dia anterior), avistei na encosta de uma montanha, à direita, a casa que pareceu-me grande, da fazenda do tesoureiro do barão de Camargos(2) e pés de chá. Ao sair de Catas Altas (no dia anterior), disse-me José Augusto que chegava o dr. Manuel José Rebelo Horta, que foi presidente da província. Tinha-me dito, em Catas Altas, que estava doente. Senti não vê-lo. Não tem aparecido carneiros e, com razão, diz Saint-Hilaire(3) que “les paturages des montagnes de Minas Gerais conviennent parfaitemente aux bêtes à laine” (*). — * As pastagens das montanhas de Minas servem perfeitamente para os animais de lã.

Saint- Hilaire diz que há mais espécies vegetais na serra do Caraça que na Piedade (*serra da Piedade), por ser aquela mais úmida. No caraça não dão as frutas tropicais. No alto da serra da Piedade, Saint-Hilaire viu o morangueiro, o ceraísto comum (Cerastium vulgatum) e o “mouron” dos pássaros (Stellaria media), plantas europeias. Perto de Ouro Fino há uma árvore que dá cortiça. A mesma reflexão de Saint-Hilaire fiz eu.

Em vinte léguas tinha visto  duas cidades e cinco aldeias ou arraiais – “villages”. Ontem, na distância de nove léguas, vi uma cidade – Mariana – e cinco arraiais. Todos os povoados revelam, mais ou menos, decadência. Saint- Hilaire diz: “En peu d’années un petit nombre d’hommes auront ravagé une immense province et ils pourront dire: ‘He terra acabada (*).’” Contudo, essas minas abandonadas são, de novo, trabalhadas pela indústria, melhoradas pela ciência, e, disseram-me em Caeté, que a vida reaparece. Sempre lembrando Saint-Hilaire, página 190, tomo 1, parte 1ª. Siga a estrada de ferro, deite esta ramais, naveguem-se os rios onde se acham desimpedidos de pedras, sobretudo, e a província de Minas será uma das mais ricas do Brasil. — * Em poucos anos, um pequeno número de homens terá destruído (pela mineração) uma imensa província e poderão dizer: É terra acabada!

Post - Palácio bispos & seminário MarianaMariana: 1 – Palácio dos bispos, onde d. Pedro II foi recebido; 2 – Seminário Maior São José.

Apesar do bispo dizer que a missa começaria às 10, por pedido do mesmo, aguardei aviso e só começou às 11, e terminou às 3. Estive já vendo papelada dos ministros. Jantar às 4 e às 5 ½ na igreja, porém, aproveitarei ainda estes minutos. Saint-Hilaire diz que comeu, em Santa Quitéria, na casa do coronel Antônio Tomás de Figueiredo Neves(4), excelente pão feito de trigo colhido a algumas léguas de distância. O mesmo autor lembra que Caraça poderá vir do tupi cãaraçaba, desfiladeiro. Ele foi de Santa Bárbara à ermida de Nossa senhora Mãe dos Homens do Caraça.

Post - Cambucá

← Cambucá

A descrição lembra o atual edifício, que foi aumentado para os lados e no fundo em parte, edificando-se nova capela em lugar da antiga, no mesmo lugar. Ainda há a capela com as relíquias. Não existem os passos da paixão. Refere que irmão Lourenço esteve antes na serra da Piedade. Ce vieillar […] etc., pg. 222, do tomo 1º, primeira parte – pág. 223. Je comtemplais ce veillard, etc. Bela pintura, melhor que o retrato a óleo de que falei. Creio que subiu a montanha, por onde eu lá fui de Caeté. Não poder eu (?) – pág. 225 – Je revins à l’ermitage, etc.

Em Catas Altas, vi muita fruta ao almoço. Havia bastantes cambucás. Saint-Hilaire diz que, para lá de Bento Rodrigues, é que se principia a ver a serra do Caraça – ele ia de Mariana para Catas Altas –, mas creio tê-la avistado, em parte mesmo, para cá de Bento Rodrigues, vindo para Mariana. Fala de fontes de água quente que tinham existido em Água Quente, mas Gorceix não as achou, segundo me disse. Suas reflexões sobre a cultura extensiva são justíssimas. Que não se tem procurado fazer, depois das medidas de Gomes Freire de Andrade, a bem das florestas! Não cesso de lembrar a urgência de acudir-lhes.

O bispo mandou tarde aviso. Cheguei à matriz às 6h¾. Lava-pés do bispo. Pregou o cônego Bernardino Brandão, de Campanha. Sermão ordinário (comum). Por lembrança do bispo, fui antes das trevas, em companhia dele, à igreja de São Francisco, onde havia exposição do Sacramento. Más calçadas, porém a iluminação produzia belo luar. Voltei à matriz para as trevas. Cheguei à casa às 11h 20′.

Post - Mariana panoramaMariana, entre 1817 e 1820 (por Johann Emanuel Pohl).

15 (6ª fª) – Acordei às 5½. Ontem, depois de chegar à casa de noite, recebi carta do Gorceix com Comptes-rendus* (*relatórios), etc. Diz-me que o engenheiro Boutan(5), o dos reconhecimentos para o canal de Panamá, chegará domingo ou segunda-feira a Ouro Preto. Vi processos e papéis de há pouco – quase nove. Tem chovido, mas não em abundância. Vou almoçar.

Ontem, às 8, confessei-me a monsenhor Joaquim Silvério Pimenta(6) e comunguei na capela do palácio episcopal, onde estou, e que tem sacramento. Pouco depois, das 10h, começou o ofício de hoje e terminou pouco antes das 2h, Não tenho gostado do modo porque* (*como) cantam a paixão. As lamentações das trevas, de ontem, foram lamentáveis tom sem caráter triste* (*sem expressão de tristeza) e muito aborrecido, pior foi o das lições dos noturnos.

Houve adoração da cruz, fora do presbitério, para todos os homens que estavam na igreja. O pregador Cornagliotto agradou-me. (7) É padre de talento e instrução, e houve momentos em que revelou muito sentimento. Já assinei o decreto dos perdões e comutações, e vou tomar meio-banho, e ler até serem horas de jantar. 5½, trevas, que terminaram às 8.

Da matriz, fui à casa onde está o presidente (da província) e nasceu Maria Cândida, para ver passar a procissão. As longas caudas dos cônegos, arrastando pela rua, produzem um efeito majestoso. A princípio, pareciam a sombra dos corpos. A noite está lindíssima. Conversei com o Quintiliano(8), enquanto aguardava a passagem da procissão. Ele lembra e procurou que se ensaiasse a indústria de cera de abelhas, cochonilha e bicho-da-seda.

16 (sábado) – Wenderborn(9), da mina da Passagem, trouxe-me coleção curiosa de minerais desse e de outros lugares. Recebi a carta do Bom Retiro(10), ainda não escrita por ele, com data de 11, da Solidão* (*açude da Solidão, na floresta da Tijuca). Tomei banho frio numa fonte do jardim deste palácio e li notícias científicas. Às 9, almoço.

Post - Capela seminário MarianaCapela do seminário de Mariana.

Ofício às 10. Acabou às 2h. Vim à casa e saí depois. Aula de meninos, regida pela professora Bicalho, irmã do cônego(11). Não me agradou. De outra professora estava com licença. Aula de meninas. Professora e limpeza da sala, embora muito estreita, como a da outra, agradaram-me. A aula de latim agradou-me. Fui até o alto, onde se começou a construção da igreja de São Pedro(12), que pena é não acabarem, pois é a mais bela externamente de Mariana. Bela vista. Bebi, perto, excelente água de um chafariz. Há poucos em Mariana.

Seminário. Muito bem arranjado. Reitor Cornagliotto, o que pregou ontem. Gostei, sobretudo, do estudante Barroso, de latim. O Carlindo dos Santos, de Caeté, tem talento e não se saiu mal do latim. Compêndio de filosofia do Soriano(13). Não gostei das respostas em geometria. O monsenhor da Santa Sé – cônego Pimenta – é professor de história. Tem estudado hebraico e vi um cumprimento que ele escrevera nessa língua. Padre Cardito de Nápoles, professor de geografia, aritmética e álgebra; conhece o árabe. esteve muitos anos na Terra Santa.

Post - Igreja de S PedroMariana: igreja de São Pedro dos Clérigos.

Na volta, pouco antes das 7, jantei e recebi até as 9. Vieram dois índios, um velho, que fala bem português, e outro, moço, que apenas o entende. Noutro livrinho escrevi algumas palavras da língua deles, dos nak-na-nuks* (*naknanuks), já bem conhecida. (14)

17 (domingo) – 5h¾. Acordei. Banho no jardim. 7h, saí. Casa da câmara. Boa. Padrões métricos tratados com descuido. Cadeia boa, mas com presos demais. Enfermaria pestilencial, pelo mau cheiro. Livros, como sempre, irregulares. Voltando, entrei na igreja do Carmo. É grande e elegante. A de São Francisco foi construída em 1753, na administração do primeiro bispo.

Quarto [?] de cama de Mariana. Figuras pintadas nas paredes de: Benedito XIV, erigiu o bispado de Mariana, no ano de 1746; frei Manuel da Cruz, da ordem de São Bernardo, primeiro bispo; d. Joaquim Borges de Figueroa, segundo bispo; d. Manuel dos ‘Prazeres’(15), terceiro bispo; d. Domingos da Encarnação, da ordem dos domínicos, quarto bispo; d. frei Cipriano de São José, da ordem dos menores, quinto bispo.

Post - Mariana 2 igrejasMariana: igreja de São Francisco de Assis e igreja do Carmo.

A festa durou das 10h até pouco depois de 12h½. Pregou o cônego Honório(16). Pode fazer melhor sermão. Voltei à casa e fui, depois, ver o estabelecimento das irmãs de caridade. O colégio tem cento e cinquenta pensionistas e cinquenta e oito pobres, separadas umas das outras, embora podendo comunicar-se. Muito asseio e ordem.

Hospital quase que unicamente para mulheres – 68 – que pareceram-me, antes, inválidas. Os edifícios são da mitra. Cada pensionista paga 20$000, por mês. Voltei à casa e, às 3h, fui à mina da Passagem. Percorri a galeria e escavações, durante uma hora. Agora só a tem esgotado por meio de bomba, movida a água. É trabalhada desde 1713. A água tinha sido causa, sobretudo, da interrupção dos trabalhos.

Acompanharam-me Patridge(17), Wenderborn e Monchot(18). Gostei muito do segundo. Esperam tirar muito ouro do veeiro, que vi bem. Estava de volta, pouco depois de 5½. Jantar. Conversa com o bispo, que se encarregou de promover a construção da casa para as aulas primárias com o padre Sipolis, sobre o que tem visto em suas missões da natureza de Minas, referindo-me à existência de uma lagoa, de quilômetros de circuito, perto de Bambuí, que enche e decresce periodicamente, assim como de chamas que se observam, no mesmo distrito, elevar-se a bastante altura do sopé da montanha. Anda à procura do inseto hippocephalus, de que só existe um no Brasil, na coleção de Luís de Carvalho, no Rio. Só se tem encontrado em Minas.

Espera que o padre Davi venha estar aqui o tempo necessário para conhecer a província de Minas. Disse-me que usam da cortiça, que lhe parece mais leve que a do carvalho, da qual fala Saint-Hilaire. Em certos distritos, não compram cera, pois criam abelhas, e que há amoreira selvagem. Enfim, a conversa de Sipolis é muito interessante e seu ar extremamente simpático; recorda-me, um pouco, o padre Tosti, mesmo fisicamente.

Ainda conversei com monsenhor – cônego Pimenta – que falou-me muito sobre seus estudos de grego e hebraico. Animei-o a estudar árabe com padre Cardito. Indiquei-lhe as obras de L’Abeé Vigouroux e de Maspero, que ele não conhecia. Quase que prometeu-me ir a Ouro Preto. O pai é de Congonhas do Campo – era primo do Pimenta, que foi afinador de pianos em minha casa, em 1830 e tantos. Ainda me lembro dele.

Post - Santa Luzia a Ouro PretoDe Santa Luzia a Ouro Preto.

♦ Ouro Preto, outra vez

Post - Arraial Ant Pereira igrejaArraial de Antônio Pereira: ruínas da matriz de Nossa Senhora da Conceição.

O imperador partiu de Mariana ao raiar do dia, prosseguindo até a próxima parada, Ouro Preto.

Post - D Pedro mini

Diário

18 (2ª fª) – Choveu muito de noite, mas estiou. São quase 6h. Vou sair. Cheguei à mina do morro de Santa Ana (de Maquiné), de que é “manager”* (*gerente), por companhia de Londres, Mr. Heilbuth(19). Vi primeiro a bomba hidráulica, cujo motor é uma máquina de vapor de trinta cavalos. A bomba começou, hoje, a trabalhar regularmente. Os trabalhos de extração do minério – jacutinga – estão parados há um ano e meio, por se ter desarranjado a enorme roda de ferro feita na Inglaterra, na fábrica Hail que, pela queda d’água, movia a bomba de esgoto. Sobre a galeria em que estou há outra que se abandonou a 19 (?). Está explorada de há 10 (?). Anda-se, perfeitamente, pela galeria na extensão de 440m ou 220 braças, e ainda há cem e tantas, cheias de água, que se esgota à razão de quatro metros cúbicos por hora.

Reparei bem para tudo e trago um pedaço da rocha de que se separa por bateia o ouro, que tem dado quatro oitavas por tonelada, termo médio e, apesar de muito friável, ainda vai aos pilões. A mina da Passagem é de quartzito e vi um trabalhador separar facilmente o ouro, que logo pintou, na bateia.

Esqueci-me de dizer que, depois da visita da mina da Passagem, fui medir com os olhos de um pequeno teso* (*fio de prumo), o abismo por onde corre o ribeirão(20). Em Maquiné, tem agora trezentos e tantos trabalhadores, quase todos escravos alugados. Já houve seiscentos. O Mechanical* (*engenheiro mecânico) é um John Martins, casado com uma brasileira, como o é Heilburt, que já está no Brasil há 25 anos, tendo estado noutras minas e empregando-se, ao chegar ao Brasil, na casa Naylor.

Post - Ant Pereira - lapa

Lapa de Antônio Pereira.

Almoço às 9½. Segui às 10½. Belo caminho que domina um largo vale. A vista do arraial de Antônio Pereira é muito risonha, por causa das plantações verdejantes. Atravessei-o e cheguei à Lapa. Não tem nada de notável. Afeiaram-na com um pórtico e o que construíram dentro, para tornarem-na capela. Deviam aproveitar somente as pedras naturais. Corri o que pude da lapa. Para ver os outros três salões, teria de passar quase de rastos, por dentro d’água. Em 15 de agosto, que é romaria, não há água na lapa.

Montei a cavalo às 12h 40′, mas parei em casa de Paula Castro, que me estavam esperando na mina que, aliás, nunca eu disse visitaria. Havia mesa posta, porém só bebi café com bolinhos mineiros. As escavações da mina deram ao solo a aparência de ondas, mais ou menos pontadas de mar de teatro, o que aumentava o pitoresco do lugar do arraial. O coronel Pereira, de Queluz, veio ao meu encontro, tendo saído hoje de Ouro Preto, quando eu seguia da lapa. É velho durinho. O caminho tem vistas belíssimas de Ouro Preto. Sobe-se a alta serra de Antônio Pereira, cujo arraial tarde se perde de vista, avistando-se, do lado do vale oposto ao do caminho, a mina de Maquiné.

Deu-se grande volta, mais ou menos pela encosta das montanhas que bordam o vale. Por detrás do arraial de Antônio Pereira, mas a boa distância, vê-se a montanha recortada do Frazão, que se ladeou vindo de Catas Altas. Avistei, por mais longe para esse lado, a serra do Caraça.

Post - Palácio & praça O PretoOuro Preto: praça da Inconfidência e palácio do governo.

Cheguei ao palácio de Ouro Preto às 4h. Estou tomando um meio-banho, apenas para melhor dormir. Nada me fatigou a jornadita. Em caminho, vi bem Mariana, em baixo iluminada pelo sol e, antes, descobriu-se o pico de Itabira do Campo* (*atual Itabirito). Desde que saí* de Ouro Preto (*em 21 de março), dei uma volta perfeita. Antes de chegar a esta cidade, passei pela antiga Vila Rica* (*arraial do Ouro Podre) – muralhas arruinadas que lembram Pompéia.

Dizem-me que o povo quer esbordoar o repórter José Carlos de Carvalho, por atribuírem-lhe o que publicou a “Revista Illustrada”, a respeito das mulheres de Ouro Preto. Vou indagar. Exigem que Carvalho deixe Ouro Preto.” — Leia, a polêmica publicação:

—  “Em Ouro Preto, a vida é mais amena, os homens são francos e as mulheres muito liberaes. Liberaes e accessiveis, apesar das alturas em que vivem, de modo que tenho omado o meu descanço, emquanto S. M. continua a correr outros pointos da província e a cahir de outros cavalos do conego Sant’Anna. Eh um rei cahido, esse Pedro 2o. / Bem boas as ouro-pretanas. Bellas, meigas, attrahentes, de olhos negros que prometem tanto quanto… Admira até que aquelle choramingas de Gonzaga* (* Thomaz Antônio…) se agarrasse exclusivamente á sua Marilia, como se houvesse uma só Marilia em Minas Geraes! / Eu tenho gostado de todas… – Don Juan! / São quasi todas morenas, d’um moreno pallido da humildade, espirituosas, galantes, gostando muito de musica e da gente também. / Têm um defeito: dormem cedo. Deitam-se com as galinhas e accordam com os galos. De modo que, ás oito horas, começam a piscar tão gentilmente os olhos que eu fico em duvida se é de somno, ou se é para mim. Tu que achas? / Aqui é tudo mui patriarcal, o namoro está ainda embryonario e não passou da piscadela d’ollho. A gente pisca para ellas, ellas piscam para a gente… / Ça y est!” — “Revista Illustrada”, 1881, nº 244.

Na verdade, Angelo Agostini, proprietário da “Revista Illustrada”, assumiu a autoria do texto malicioso e desenhou duas páginas com charges ironizando o acontecimento. Suas palavras:

— … vejo, e não sem algum susto ainda, que se houvesse cumprido à risca o meu dever de correspondente especial junto aos viajantes […], teria a esta hora quatro costelas quebradas, os olhos vasados, o craneo espatifado e, por epitafio uma dessas cruzes lugubres que, lá em Minas, anunciam ao viandante […] o lugar maldito onde um homem foi sumariamente arcabuzado. Com efeito, […] os ouro-pretanos tinham decidido […] dar cabo do correspondente da Revista Illustrada e tomando o meu colega Carvalho pelo autor destas linhas, tentaram mesmo ir-lhe ao pelo. As suas intenções eram claras portanto, queriam sovar-me os sicarios! E, se ainda vivo, é pela circunstancia unica de não me ter posto ao alcance das suas cipoadas. […] Depois, onde a minha leviandade? Quais as frases inconvenientes que empreguei […] ? Conheço a provincia de Minas, onde conto mais d’um amigo; acho as mineiras belas, amaveis, graciosas, disse-o. […] Tenho o mais profundo respeito pelos mineiros que primeiro sonharam a liberdade da patria e, quando me referi a eles, foi com toda a veneração… — “Revista Illustrada”, 1881, nº 246.

O conflito repercutiu nacionalmente e, como se lê no relato de um jornal, o acusado escapou por pouco:

“No dia 18 […] mais mil pessoas reuniram-se em frente da casa do tenente-coronel Carlos Andrade, onde estavam hospedados os correspondentes da corte, e por entre vivas levantados ao Jornal do Commercio e Cruzeiro, reclamaram o comparecimento do repórter inculpado. Depois de um tumulto, que durou perto de 4 horas, conseguio-se pacificar o povo, convencendo os mais exaltados; e terminou-se este incidente sem maiores consequências.” — Jornal “O iniciador”, Corumbá, Mato Grosso, 12.06.1881, p. 1 e 2.

A charge, abaixo, foi extraída da “Revista Illustrada”.

Post - PerseguiçãoDefendendo suas mulheres, ouro-pretanos perseguem Agostini, vestido com seu chapéu extravagante.

Diário (continuação do dia 18) — “Jantar, depois da 5½. Ouvem-se vozerias do lado da casa do tenente José Carlos de Andrade(21), onde Carvalho está hospedado. Andrade não quer que Carvalho saia, porque (é) seu hóspede. Há receio de algum sucesso desagradável. Enfim, Carvalho entrou pelos fundos do palácio. Nicolau(22) foi falar-lhe na sala de jantar. Resolveu-se sair de Ouro Preto. O dr. Gesteira deu-lhe sobrecasaca, o Pedro Paiva(23) o chapéu e foi-se pelos fundos.

Tem visitas, entre as quais Quintilano* (*presidente da província) e Vilaboim. O juiz de direito Guimarães(24) veio com as filhas, que tocaram muito bem piano e, a mais jovem, uma valsa de sua composição. É a que vi na aula da rua do Pilar.

Na serra de Antônio Dias cai alguma chuva. Choveu aqui, no princípio da noite.

Post - Ouro Preto vistaOuro Preto e pico Itacolomi avistados do alto da igreja de São Francisco de Paula.

Estudantes da Escola de Minas, amigos de Carvalho, foram em defesa dele e disseram-me que tinham levado pancadas. Desde mais de hora, que nada se ouve. Tudo serenou. São 8½. Vou deitar-me e ler até dormir. O sobretudo ou sobrecasaca não foi do dr. Gesteira, mas do Pedro Paiva. O Gesteira facilitou a saída pelo fundo do palácio.

19 (3ª fª) – 5h, acordei. Banho frio. Leitura, 8h. – 10½, Escola de Minas. Última lição de Gorceix. Falou da época quaternária. Começou pela Europa e, sobretudo, bacia do Sena, e, depois, tratou de Minas. O terreno da ganga é quaternário. Não se observa deslocamento nele. Os rios sulcaram-no, entrando as águas nas cavernas calcárias, cujas fendas produzidas pela contração da camada calcária foram alargadas pela água. Os fósseis e ossos, aí, foram depositados por habitação de animais, arrastamento pelas águas ou queda pelas fendas.

Fez um cálculo de mais de sete milhões de ossos, que se teriam acumulado na lapa da Cerca Grande* (*situada em Matozinhos), segundo os dados de Lund que, à razão de quatro animais por dia, exigiriam cinco mil anos para seu depósito. Crê que, só no salão da lapa da Aldeia, é que tinha sido explorado antes de eu lá ir e que encontrou, na parte que se escavou, então, os dilúvia da época quaternária, devendo estar, no fundo, o terreno terciário sobre o qual se achariam os fósseis.

Post - Planta centro O PretoÁrea central de Ouro Preto, em 1888.

Foi na lapa da Varginha, que Lund achou o crânio, cuja antiguidade não quis Liais(25) discutir. Enumerou os principais fósseis encontrados por Lund, dando às cavernas que foram cheias durante a época quaternária, no Brasil, o nome de cavernas Lund. O terreno tem sofrido elevações e abaixamento, cujos vestígios são as numerosas lagoas que se observam em Minas.

Falou quase duas horas, mas o assunto era demasiadamente vasto. Serviu-se muito, na parte paleontológica, da obra de Gaudry, que devidamente elogio – “Enchaînement…” etc. Depois, assisti um pouco à lição de mecânica de Thiret(26). Explica bem e o aluno Barbosa mostrou ter bastante talento matemático. Almoço perto de 11. Houve, de noite, uma manifestação dirigida por três padres, dos quais um, Camilo de Brito(27), contra Gorceix, porque supunha que asilara Carvalho em casa dele. Dizia: “- Vamos varrer-lhe a casa” –, e tratavam-no de maçom!

Post - Chafariz de MaríliaChafariz de Marília: perto morava a neta de Marília (Foto de Ferber).

12 h – Aulas da freguesia de Antônio Dias (hoje, bairro de Ouro Preto). Estão as duas de meninas e meninos em boas salas, quase contíguas da mesma casa. Agradou-me mais a dos meninos, um mostrou mais doutrina religiosa que em todas as aulas que tenho visitado. O professor é normalista. Segui até o chafariz da ponte, para ver a neta de Marília de Dirceu, mulher de Carlos Andrade(28), que mora perto. Apareceu à janela. É elegante e graciosa, porém não beleza, tem ares de inteligente. Relação onde só achei Quintiliano e o Secretário. Não é má casa. Ouvi que os empregados são bons.

Quartel de linha, com companhia de cavalaria e o contingente do 7º de infantaria. Em mau estado e guardam nele cunhetes com pólvora! Assoalhos todos esburacados. Prisões solitárias mefíticas* (*fétidas). A cavalariça é boa.

Vou ler. Jantar, 4h. – 5h, fui à igreja de São Francisco de Paula, sobretudo para mostrar a vista de Ouro Preto à imperatriz. Preguei uma cavilha* (*pino de madeira) num altar novo. Segui de lá para o Funil* (*ribeirão do…), passando pelo palácio. Era já escuro, mas a noite clara, por causa das estrelas, tornou poético o passeio ao reflexo nas águas que borbulhavam.

A subida da cidade iluminada, também, era um belo espetáculo. Houve fogo de artifício e conversei com o desembargador Guimarães(29), que […] muito lido. Ficou de trazer-me um romance de costumes mineiros, escrito por ele e de mandar-me, ao Rio, o manuscrito de uma espécie de prefação* (*introdução) histórica que pretendia anexar ao romance(30). Escreve sobre a filosofia de Cousin, considerando o ecletismo mero sincretismo.

Depois recebi a carta de Lesseps, que me trouxe o engenheiro Boutan, chegado hoje, e que já encontrara quando estávamos de passagem na Escola de Minas, que ainda não tinha visto a imperatriz, ao irmos para São Francisco de Paula. Conversei com Boutan sobre de Lesseps e família, e, também, a respeito do canal do istmo de Panamá. Enfim, assisti ao drama o “Capitão Paulo” – de Alexandre Dumas –, no teatro que é menor, porém bonito e muito mais elegante que o de Sabará. Terminou depois de meia-noite.

Post - Igr s Fr Paula & ItacolomiIgreja de São Francisco de Paula de onde o casal imperial pôde apreciar a vista de Ouro Preto.

20 (4ª fª) – Acordar, às 5½. Banho frio. Leitura. 7 (h), partida para Itacolomi. Neblina cerrada com garoa ou, antes, chuva. Bom caminho. Lugares esmaltados de flores do campo. Linda árvore de copa arredondada, pareceu-me jabuticabeira, porém não é; colheu-se um ramo na volta. As pedras, ao chegar, adiantam-se na encosta, como enormes espadas apontadas. estava no ponto mais alto, que não o do rochedo “columi”(31), às 9 h. — 10 (h), tudo rodeado de neblina. Medidas da altura, em referência a Ouro Preto, com o barômetro do Fortin, (e o) aneróide do Boutan, que convidei ontem, e ipsômetro.

Almoço campestre, seriam 10 (h). Perto do meio-dia clareou. Vi Ouro Preto e Mariana, serra de Itatiaia e de Ouro Branco; descobri também a igreja da Boa Vista. Quanto tudo estiver claro, há de ser uma paisagem admirável. Também se via o pico de Itabira do Mato-Dentro(32). Antes de deixar o Itacolomi, nova observação do Fortin. Na descida, vi melhor as montanhas, entre as quais a do Frazão e a serra do Caraça. Há um ponto de onde se avistam Ouro Preto, à esquerda, e Mariana, à direita.

O Gentil mostrou-me a planta chamada chá de porrete, excelente em infusão das folhas, muito amargosa, para dores de cabeça provenientes do estômago. O ribeirão do Carmo passa por um precipício estreito de lajes, muito pitoresco. Atravessa-se, aí, pequena ponte.

Post - Antônio DiasEsquerda e 1 – Igreja de N. S. da Conceição; 2 – Igreja de S. Francisco de Assis; 3 – Antiga cadeia.

Volta a palácio, às 2½. Banho morno e leitura. São quase 4h.Vou jantar. 5h, aula agrícola no Seromenho* (*Saramenha). Casa boa. Já tem galinheiro mal arranjado e arados. Houve nove meninos; quatro saíram, porque os pais pensavam que os filhos não teriam de trabalhar braçalmente. Ainda não tem aula. O diretor atual é o padre João Paulo, irmão do secretário do presidente. Chuva, dificuldades no caminho. Andou-se bastante a pé por estas pedras. Chegada à igreja de Antônio Dias* (*N. S. da Conceição, bairro de Antônio Dias).

O ‘Te Deum” esteve mais concorrido que o da matriz de Ouro Preto. Cantou o bispo. Volta a palácio. Falei com alguns. Concerto no paço da Assembleia. Esteve sofrível. As senhoras tocaram bem piano. Na retirada, houve vivas a mim e morras à Confederação Argentina, por causa do sucesso* (*acontecimento) do vapor Inca de que falam os diários do Rio, de ontem(33).

21 (5ª fª) – 5h, banho frio. Leitura. Vou partir. Parei no Falcão, onde se almoçou. Quintiliano e monsenhor Pimenta, assim como outros, vieram até perto, […] Cheguei à casa do Sperling(34) às 2h10′[…]”

Post - Adeus Ouro PretoO imperador saudades deixou e saudades levou… (Ilustração adaptada de desenhos de A. Agostini)

O imperador deixou Ouro Preto no dia 21 de abril, seguindo para Ouro Branco, tendo ali pernoitado em casa do engenheiro Bruno von Sperling. Depois prosseguiria para Queluz, atualmente Conselheiro Lafaiete, no caminho de volta ao Rio de Janeiro. Neste ponto, Sumidoiro’s Blog encerra a divulgação do Diário, que pode ser lido por inteiro no “Anuário do Museu Imperial”.

Compilação, adaptação, comentários e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

• Clique com o botão direito e veja todos, “Nos passos do imperador” – de I a VIII) – I  | II  | III | IV  | V | VI  | VII    

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(1) Fonte do Diário: “Anuário do Museu Imperial”, vol. XVIII, 1957, versão e notas por Hélio Vianna. // Sumidoiro’s Blog corrigiu e atualizou grafias de palavras, alterou pontuações, tanto na transcrição do Diário, quanto nos noticiários da imprensa, preservando a integridade do conteúdo. Ainda acrescentou notas e ilustrou.

(2) SOUSA, Manuel Teixeira de – Primeiro barão de Camargos, título outorgado por d. Pedro II, em 17.05.1871; chefe do Partido Conservador em Minas Gerais; senador do império.

(3) SAINT-HILAIRE, Augustin François César Prouvençal de – Francês (Orleáns, *04.10.1779 / Sennely, †03.08.1853), naturalista e viajante.

(4) NEVES, Antonio Thomaz de Figueiredo – Coronel do 2º Regimento de Milícias da Comarca do Rio das Velhas; membro da junta provisória da província de Minas Gerais, em 20.09.1821; revolucionário de 1842 (revolução dos Luzias); sogro do barão de Cocais.

(5) BOUTAN, Edmond – Engenheiro de minas. Esteve no Brasil a serviço de companhias francesas, para examinar minas da província de Minas Gerais.

(6) PIMENTA, Joaquim Silvério Gomes – (Congonhas do Campo, *12.01. 1840 / Mariana, †30.08. 1922) Padre, professor, orador sacro, poeta e biógrafo; primeiro prelado eleito membro da Academia Brasileira de Letras, para a cadeira nº 19. Em 1890, foi nomeado bispo de Cámaco e auxiliar de Mariana. Em 1897, foi nomeado bispo titular da diocese de Mariana e, em 1906, arcebispo da arquidiocese de Mariana.

(7) CORNAGLIOTTO, João Baptista – Fundador e primeiro reitor do seminário de Mariana, padre lazarista (vicentino) italiano, trazido pelo bispo d. Viçoso. Dirigiu a casa de ensino por meio século e faleceu quase nonagenário, em 1908.

(8) SILVA, Quintiliano José da – Desembargador e ex-presidente da província de Minas Gerais.

(9) WENDEBORN, Robert – Administrador da mina da Passagem (em Mariana), que começou a ser explorada em 1819 e só foi desativada em 1985. Atualmente está aberta para visitação turística.

(10) FERRAZ, Luiz Pedreira do Couto – (07.05.1818 †12.08.1886) Advogado e político; primeiro e único visconde do Bom Retiro. Responsável pela metodização e oficialização do ensino primário, reforma do ensino secundário, das escolas de medicina, do conservatório de música, da academia de belas-artes e criador do Imperial Instituto dos Cegos. Seus restos repousam no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, em modesta sepultura. 

(11) BICALHO, Júlio de Paula Dias – (*1849 †1897). 

(12) Igreja de São Pedro dos Clérigos – É uma das três únicas barrocas de Minas com plano em redondo, característica revolucionária para a época. Seu principal construtor foi José Pereira Arouca. A construção é de 1752, mas a obra encontra-se inacabada. O que resta do altar-mor, talhado em cedro, e do teto do presbitério, provam que o templo seria majestoso se estivesse concluído. A torre da esquerda é original e de pedra, e a da direita, de tijolos, por isso já caiu duas vezes. O telhado lembra um casco de tartaruga, enquanto o fundo um navio. É bem perceptível a influência italiana da segunda metade do século XVIII. 

(13) SOUZA, José Soriano de – (Estado da Paraíba, *1833 / Recife, †1895) Médico e filósofo. Doutor em medicina, pela Faculdade do Rio de Janeiro e doutor em filosofia pela Universidade de Louvain, da Bélgica. / O imperador referiu-se ao seu livro “Compêndio de Filosofia, ordenado segundo os princípios e métodos do Doutor Angélico, S. Tomás de Aquino”, (1867). 

(14) Naknanuks – Significado: habitantes da serra. Ocupavam as serranias entre os rios Jequitinhonha e Mucuri, no nordeste do estado de Minas Gerais. Desse nome, atribuído a um sub-grupo dos índios botocudos, veio a denominação da cidade de Nanuque. Foi fundada em 1923, primeiramente sendo denominada Indiana e assim permanecendo até 1943, quando então ocorreu a mudança.

(15) REIS, Bartolomeu Manuel Mendes dos – (Cercosa, *23.08.1720 / Lisboa, †07.03.1799) Em 1753, foi nomeado bispo de Macau, colônia de Portugal na China. Depois, nomeado 2o bispo de Mariana, em 1773. Por se encontrar na China, distante de Mariana, d. Bartolomeu, ao saber de sua nomeação, empreendeu uma viagem até Lisboa e desanimou-se de atravessar o oceano para chegar ao Brasil. Então, tomou posse de sua diocese através de procuradores e, nesta condição, governou a diocese por 5 anos e 8 meses. Renunciou ao bispado de Mariana em 28.08.1778 e permaneceu morando em Lisboa até sua morte. / D. Pedro II atribuía-lhe o sobrenome “dos Prazeres” por ser amante da boa mesa.  

(16) OTTONI, Carlos Honório Benedito – (Serro, *20.01.1846 / Rio de Janeiro, †21.07.1919) Cônego, político, magistrado, professor e escritor. Deputado federal por Minas Gerais (1901-1902 e 1903-1905); primeiro juiz federal de Belo Horizonte (1907); desembargador da relação de Petrópolis; chefe de polícia e vice-governador de Minas Gerais (1884); presidente nomeado da província do Ceará, de 12.07.1884 a 19.02.1885.

(17) PATRIDGE, Joseph Robey – Diretor da mina da Passagem.

(18) MONCHOT, Charles – Francês, engenheiro de minas.

(19) HEILBUTH, Walter– Diretor da Dom Pedro North d’El Rey Gold Mining Company, Ltd.

(20) Duas íngremes encostas que se elevam à margens do Ribeirão do Carmo.

(21) ANDRADE, Carlos Gabriel – (Ouro Preto, *06.07.1846 / †13.09.1921, Belo Horizonte) Veio a se tornar barão de Saramenha.

(22) GAMA, Nicolau Antonio Nogueira Vale da – (1802 †1897) Mordomo do imperador, acompanhou a comitiva; veio a se tornar visconde de Nogueira da Gama,

(23) PAIVA, Pedro Antonio de – Criado particular do imperador.

(24) GUIMARÃES, José Ignacio Gomes.

(25) LIAIS, Emmanuel – (*1826 †1900) Diretor do Imperial Observatório Astronômico. Em Paris (1871), publicou“Explorations Scientifiques au Brèsil”.

(26) THIRRÉ, Arthur – (*1853 †1924) – Engenheiro e professor da escola de Minas de Ouro Preto. Em 1910, passou a lecionar no colégio Pedro II, do Rio de janeiro; publicou vários livros.

(27) BRITO, Joaquim Camilo de – Ex-vigário de Barbacena.

(28) A neta de Marília de Dirceu, era filha de Carlos Gabriel Andrade (o mesmo da nota 19) e Francisca Lídia de Queiroga.

(29) GUIMARÃES, Joaquim Caetano da Silva – (*1813 †1896)

(30) “João e Francisco” é o título do romance (Mariana, 1878), que recebeu comentário de Eduardo Frieiro em “Páginas de Crítica” (Belo Horizonte, 1955, p. 381 e 389). O desembargador era irmão do poeta e romancista Bernardo José da Silva Guimarães (*1825 †1884). O repórter Tinoco, da comitiva imperial escreveu: “tendo declarado S. M. […] declarado ao Dr. Bernardo Guimarães que desejava possuir uma coleção completa de suas obras […] levou-lhas, mas sendo intérprete perante Sua Majestade a menina Constança da Silva Guimarães, filha […] do poeta”, a qual pronunciou então algumas palavras de oferta. Acompanhava sua irmã Isabel. / Constança Guimarães, falecida ainda jovem, foi a primeira namorada de seu primo, o poeta Alphosus de Guimarães.

(31) CORUMI – Melhor dizendo: Itacolomi / Em tupi-guarani, “ita” quer dizer pedra e “corumi” menino”. Daí, o pico ser visto como a mãe acompanhada do seu filho, ou seja, uma enorme pedra, tendo ao seu lado outra bem menor.

(32) Houve um equívoco na citação do imperador, não era Itabira do Mato-Dentro e sim Itabira do Campo, atual Itabirito.

(33) Relato de uma “quase guerra”, pelo comandante do navio brasileiro Inca – “Aos 5 dias do mez de Abril de 1881, ao passar o vapor brasileiro Inca, de meu comando, em frente às barrancas de S. Lourenço, ouvimos o sibilo de uma bala de fuzil, que veio cahia a poucos metros de nossa proa e, em seguida, o de oito nove balas mais, que cahirão umas perto do costado e outras perto da popa. Dirigimos o óculo ao lugar onde sahião os mencionados tiros […] e vimos então que era do vapor de guerra argentino Avellaneda. Immediatamente mandamos içar bandeira, que vinha arriada por ter vento bastante forte […] Fizemos um chamado e, em seguida, veio a falar-nos o comandante, dirigindo-nos as seguintes palavras: […] Para que vieram aguas acima?’ Ao que respondi, que tinha virado aguas acima porque me tinham feito fogo de seu navio. Elle então me replicou que me tinha feito fogo para que eu fosse mais delicado e cortez e içasse a bandeira, ao passar por um navio de guerra argentino. /etc., etc. / Em vista do que acabo de expor, lavrei o presente protesto contra o procedimento irregular do comandante do vapor de guerra argentino Avellaneda, o qual vai por mim assignado e pelos officiaes de bordo e passageiros […] que presenciaram o facto, que teve lugar às 5½ horas da tarde […] Joaquim Pedro Alves de Barros, comandante… // Jornal “O iniciador”, Corumbá, Mato Grosso, 28.04.1881, p. 1.

(34) SPERLING, Bruno von – Engenheiro do 1° distrito de Obras Públicas da Província. / O imperador estava passando pelo mesmo lugar onde estivera em 30.03.1881, a casa de Sperling.

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2 Comentários »

  1. Que prazer poder ler estes textos sobre a visita de d. Pedro II a Ouro Preto e região. Gosto muito de ler sobre as viagens dos imperadores pelas Minas Gerais. Ultimamente, tenho gostado ainda mais por estar morando em Ouro Preto. É muito legal saber dos locais que o imperador esteve e, logo depois, poder visitar todos eles pessoalmente. Fico imaginando ele ali presente e me lembrando das descrições feitas no diário. É fascinante!
    Foi muito gratificante ter encontrado este Blog, tanto que passei a tarde de hoje lendo os oito Posts sobre o imperador. Parabéns pela iniciativa de nos presentear com estas informações.
    Por coincidência, amanhã terei que ir ao distrito de Antônio Pereira e farei questão de ir até à Lapa, para conhecer o pórtico que tanto desagradou o imperador.
    Parabéns mais uma vez!

    Comentário por Pedro Mafia — 11/05/2015 @ 7:24 pm | Responder

    • Pedro:
      De fato, é fascinante conhecer a Minas Gerais antiga do tempo dos imperadores.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 11/05/2015 @ 9:35 pm | Responder


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