Sumidoiro's Blog

01/12/2014

CONHECENDO DOROTEIA

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 12:05 am

♦ E desvendando o mito Marília de Dirceu

A verdadeira história de Maria Doroteia e Tomás Gonzaga não é a que cantou o poeta, muito menos um conto de fadas, embora assim esteja no imaginário popular. Os personagens centrais do poema Marília de Dirceu, feitos um pastor e uma pastora, transcenderam a fantasia se projetando na vida real. Desse modo, viveram um romance na Vila Rica do século XVIII e tudo acabou com a prisão do bardo, em 1789, pelo seu envolvimento na Inconfidência Mineira. A separação se deu às vésperas de um matrimônio anunciado. Apesar disso, por algum tempo, a relação perdurou em pensamento, melhor dizendo, em poesia.

Post - Marília & janelaMaria Doroteia namorando na janela e inspirando Gonzaga: “É da sala, aonde assiste a minha Marília bela”.

Quando Tomás Antônio Gonzaga chegou a Vila Rica(1) – atual Ouro Preto –, em 1782, para ser Ouvidor dos Defuntos e Ausentes da comarca, Maria Doroteia Joaquina de Seixas – menina de família rica – teria seus quinze anos de idade. Desde os sete anos de idade vinha sendo criada pelo tio João Carlos e tias, maternos(2), devido ao falecimento da mãe, em 1775. Naquela fase da vida, enfrentava a dolorosa ausência dos pais e, certamente, para preencher os vazios do coração, todos afetos seriam muito bem-vindos.

Bem diferente era o poeta, um homem impetuoso pela própria natureza. Advogado, era relacionado nas altas rodas do poder, bastante vivido, agitador político, frequentador das noites ouro-pretanas e namorador. Aliás, quando viveu em Portugal, teve um filho, batizado Luís Antônio, e que foi criado por uma das suas irmãs. Na vida adulta, ele veio a se tornar preceptor e professor de filhos do marquês do Lavradio(3).

Depois, em 1785, já em Vila Rica, Gonzaga envolveu-se com uma mulher de fácil acesso, chamada Maria Joaquina Anselma de Figueiredo, que lhe deu outro filho, batizado Antônio, criado por favor do capitão Pedro Teixeira da Silva Murça, seu subordinado na ouvidoria. Nessa condição, passou a ser considerado como “filho exposto” e, generosamente, recebeu o sobrenome de quem o acolheu, passando a assinar Antônio Silvério da Silva Murça. Por sua vez, a desembaraçada Maria Joaquina conseguiu avançar na sua caminhada e subiu na vida, vindo a se tornar amante do governador Luís da Cunha Menezes(4).

Post - S Fco Assis p Ferrez1 – Igreja de S. Francisco de Assis. 2 – Torre da igreja de N. S. das Mercês e Perdões. 3 – Mercado no largo do Coimbra.

Maria Doroteia nasceu em 1767 e foi batizada no dia 8 de novembro. De início, é preciso lembrar que a mãe, apesar da semelhança de nomes, assinava Ferrão como último sobrenome: Maria Doroteia Joaquina de Seixas Ferrão. A menina foi assim registrada:

“Aos oito dias do mez de Novembro de mil setecentos e secenta e sete annos nesta Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pillar de Villa Rica de Ouro preto, baptizei, e pús os Santos oleos a Maria innocente, filha Legitima de Balthazar João Mairinck, e Donna Maria Dorothea Joaquina de Seixas* (*Ferrão). Foraõ padrinhos o Reverendo Vigario actual Antonio Correa Mairinck, e Maria do Rozario moradora no Rio de Janeiro, e tocou a criansa por procuração da dita o Alferes Theotonio José de Moraes, todos moradores nesta dita freguesia, de que para constar fiz este assento. / O Coad.or João Carv.o da Rosa” (5)

Post - Maria Doroteia - batRegistro de batismo de Maria Doroteia.

Por ocasião do falecimento da mãe, Maria Doroteia, ela nos seus sete anos de idade e seus irmãos, com pouca assistência do pai, foram acolhidos por familiares que os criaram. O primeiro envolvimento amoroso de Maria Doroteia foi com Tomás Gonzaga. O relacionamento não vingou mas, continuando em seu solitário caminhar, um amor efêmero lhe deu um filho. Nunca se casou e faleceu muito idosa, como revela o registro de óbito – a idade anotada não está correta – (ver imagem abaixo) da matriz de Nossa Senhora da Conceição de Ouro Preto. De fato, faleceu aos oitenta e cinco anos de idade. Diz o seguinte:

“Aos des de Fevereiro de mil oitocentos e cinquenta e tres, falleceo com todos os Sacramentos, Dona Maria Dorothea de Seixas, branca, solteira, de idade de noventa annos: foi encomendada e sepultada nesta Matriz, em Cova da Fabrica: para constar, faço este assento, que assigno. O VigrJoao Ferrde Carvo.” (6)

Post - Maria Doroteia óbito montagemRegistro de falecimento de Maria Doroteia.

Quando Gonzaga e Doroteia se conheceram, ela era ainda adolescente, o que teria facilitado para que a flecha de cupido penetrasse fundo no seu coração. A mocinha tinha o costume de frequentar a casa da tia Antônia Cláudia Cassimira de Seixas, situada na rua do Ouvidor, ao lado da casa de Gonzaga(7). Diante de tantas diferenças pessoais, o namoro prolongado em demasia transformou-se numa relação de alto risco. E, como se sabe, deu no que deu!

O encantamento por Maria Doroteia resultou no poema lírico(8) intitulado Marília de Dirceu. Em um dos versos o pastor declara à pastora:

Mal vi o teu rosto,
O sangue gelou-se,
A língua prendeu-se,
Tremi e mudou-se 
Das faces a cor. 
Marília, escuta 
Um triste pastor.

Embora a poesia fosse de ótima qualidade, não se podia dizer o mesmo do namoro. A moça pertencia à família Ferrão, muito ligada aos interesses da coroa e Gonzaga estava associado aos inconfidentes, que lutavam contra o poder instituído. As coisas mostravam-se tão explosivas que o tio e protetor da namorada, tenente-coronel João Carlos Xavier da Silva Ferrão era, nada mais nada menos, que o assessor militar mais próximo do governador Menezes, este inimigo ferrenho dos conjurados. Embora o militar nutrisse simpatia por ele, sem dúvida, Gonzaga estava procurando sarna para se coçar.

Em depoimento nos Autos da Devassa, o Tiradentes – Joaquim José da Silva Xavier – revelou a origem de uma das suas mágoas. Inquirido em 18.01.1790, na ilha das Cobras, disse que foi (ele) quem “ideou tudo, sem que nenhuma outra pessoa o movesse, nem lhe inspirasse coisa alguma, e que sendo projetado o dito levante, o que fizera desesperado, por ter sido preterido quatro vezes, parecendo a ele Respondente, que tinha sido muito exato no serviço* (*no desempenho de uma missão militar), e que achando-o para as diligências mais arriscadas, para as promoções e aumento de postos achavam a outros, que só podiam campar* (*sobressair) por mais bonitos, ou por terem comadres* (*madrinhas, protetoras) que servissem de empenho, porque […] Valeriano Manso, que foi soldado da companhia dele Respondente perto de seis anos está feito Tenente, …” E ainda apontou outros colegas que desfrutavam dos mesmos benefícios.

Post - TiradentesQuartel dos Dragões, em Cachoeira do Campo, e Tiradentes, inimigo potencial de Maria Doroteia.

Então, se Valeriano Manso (da Costa Reis), casado com Ana Ricardina Marcelina de Seixas, irmã de Maria Doroteia, despertava tanta inveja e antipatia no Tiradentes, nesse aspecto o romance era lenha na fogueira, porque se misturava com a pretendida revolução. A propósito, o escritor Castro Alves escreveu a peça teatral “A revolução de Minas, drama histórico brasileiro”, imaginando o que teria ocorrido naqueles dias. Numa cena, o personagem Gonzaga manifesta a Maria Doroteia sua ansiedade por apressar o casamento, supondo ter no tio um aliado capaz de livrar sua pele, por estar comprometido com os conjurados.

Post - Castro AlvesCastro Alves.

As falas:

Gonzaga… O governador chega daqui a dois dias. É preciso que ele nos encontre casados… Hoje escreverei a teu tio e amanhã, oh! amanhã Maria será o dia mais feliz da minha vida.

Maria Doroteia… O governador* (*o futuro governador) não virá. Oh! Aquele homem é o corvo negro da desgraça. Eu tenho medo daquele homem. Mas não. Teu amor é um escudo. Não te esqueças que é amanhã. […]

GonzagaOh! Obrigado. Mas tens razão, Maria! Nestes dias tempestuosos eu receio, a cada instante, um comprometimento. Vês estes papéis? São todos os planos da revolução, tudo que eu possuo de mais perigoso. Só há um homem que os possa guardar, é o tenente-coronel João Carlos, é teu tio,– eu sei que ele deixar-se-ia matar sobre o meu depósito.

Post - Casa de GonzagaG – casa de Gonzaga; T – casa da tia Antônia Cláudia. / Hoje, rua Cláudio Manuel da Costa.

Às vésperas do casamento, aproximava-se o trágico desfecho da Inconfidência. O poeta havia completado quarenta e quatro anos de idade e a musa, já uma mulher madura, vinte e dois. Portanto, naquele momento, não seria mais apropriado o rótulo de donzela desamparada. Nisso tudo, porém, há de se convir que Maria Doroteia era tal e qual uma avezinha distraída, incapaz de avaliar o grave envolvimento político em que Gonzaga se metera. Mas é compreensível, pois, como acontece com toda noiva, seria muito natural que estivesse focada no projeto de casamento.

AMORES TROCADOS

Com a prisão dos inconfidentes, cancelaram o casamento mas, logo, apareceu um pretendente aos amores de Maria Doroteia. Foi Manuel Teixeira de Queiroga, homem de grande fortuna, arrematador de dízimos, dono de vastas terras, criador de animais de montaria e financista. Em sua residência, possuía uma biblioteca com muitos livros, coisa para poucos naquele tempo. Mas não há garantia que os tivesse lido, nem sequer que fosse amante das letras. Indubitavelmente, seu negócio era ganhar dinheiro e sonegar impostos.

Post - Casa de QueirogaMansão de Manuel Teixeira de Queiroga. Do outro lado da rua, à direita, fica a casa de Gonzaga.

Aguardando apenas a oportunidade para dar o bote, o Queiroga estava à espreita da ex-namorada do poeta. Por coincidência e facilidade, morava pertinho de onde residiu Gonzaga, numa magnífica mansão no largo do Coimbra. Dali, do mesmo modo que o poeta e em curta caminhada, podia encontrar a moça lá na Casa Grande. Assim chamavam sua residência, um casarão caiado de branco, abaixo da igreja de Nossa Senhora da Conceição, logo depois da ponte de Antônio Dias(9). Mais fácil ainda seria dar uns poucos passos e chegar até a casa da tia Antônia Cláudia, a quem Maria Doroteia continuava visitando.

Post - Mapa O Preto - 1800Mapa de Vila Rica (data provável, 1800).

Essa segunda experiência amorosa de Maria Doroteia foi breve, mas com tempo suficiente para gerar um filho, fora de casamento, que foi batizado em 1794. Naquele mesmo ano, Queiroga, que já andava com o prestígio em baixa, sofreu uma reviravolta na vida. Os motivos foram, tanto pelas ligações que tinha com os inconfidentes, quanto por estar devedor de uma fortuna em tributos.

Gonzaga bem conhecia Queiroga. Nas satíricas Cartas Chilenas(10), já pintara-lhe um retrato debochado, sob o cognome de Roquério, assim:

… Então vejo 
Ao famoso Roquério neste traje: 
As chinelas nos pés, descalça a perna 
Um chapéu muito velho na cabeça, 
E, fora dos calções, a porca fralda. 
Em um roto capote mal se embrulha 
E grande varapau na mão sustenta, 
Que mais de estorvo que de arrimo serve,
Pois a cachaça ardente, que o alegra, 
Lhe tira as forças dos robustos membros 
E põe-lhe peso, na cabeça leve. 
Não repares, amigo, que te conte 
Este sucesso, que parece estranho:
Este grande Roquério é um daqueles 
Que assenta, à sua mesa, o nosso chefe*.
Agora, amigo, vê se esta pintura 
Não pode muito bem à nossa história.

* O governador da província, de quem também debochava, chamando-o de Fanfarrão Minésio.

As dívidas de Queiroga decorriam dos seus próprios negócios e do que recolhia na arrematação dos dízimos, mas não repassava a parte pertencente à coroa. Como consequência, sequestraram-lhe todos os bens e, daí, prevendo que as coisas pudessem ficar piores, deu nos pés e desapareceu no mundo. Desse momento em diante, a frágil Maria Doroteia ficou sozinha e com um filho para criar. Então, fechou-se entre quatro paredes e ignorou o mundo, saía de casa praticamente apenas para ir à igreja. Mas tinha motivos para ter tomado tal decisão, precisava lutar contra a moralidade obtusa da época, que sentenciava a mãe e o filho natural a levarem a vida estigmatizados.

Revelam os registros paroquiais que, na Vila Rica daquela época, quase toda família tinha algum bastardo e, mesmo assim, as maledicências corriam à solta. Entretanto, apesar do ambiente hostil, Maria Doroteia cuidou de criar o filho dando-lhe a melhor educação, pois seria a maneira altiva de dar resposta às hipocrisias. Assim foi que, passando por cima das dificuldades, conseguiu enviar Anacleto para o Rio de Janeiro, onde estudou e se formou em medicina. Tempos depois, voltando à sua terra, exerceu com brilho a profissão, tornando-se pessoa influente e muito estimada. Vitória de Maria Doroteia!

Post - Casa Branca retocadaCasa Grande “caiada de branco”, segundo Richard Burton (imagem retocada).

REVOLVENDO A HISTÓRIA

Durante visita que fez a Ouro Preto, em 1881, d. Pedro II circulou pela cidade com uma pulga atrás da orelha a respeito de Marília de Dirceu. Conseguiu matar um pouco da sua curiosidade visitando a famosa Casa Grande, onde ela viveu, e caminhou pelas redondezas para conhecer uma neta. Disse ele, no seu Diário:

“Segui até o chafariz da ponte, para ver a neta de Marília de Dirceu, mulher de Carlos Andrade(11), que mora perto. Apareceu à janela. É elegante e graciosa, porém não beleza, tem ares de inteligente.” 

Tratava-se de Francisca Lídia de Queiroga, casada com Carlos Gabriel de Andrade. Certamente d. Pedro II  lera um relato publicado pelo viajante inglês Richard Burton(12), em 1869, no livro “Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho”. Segundo o autor, durante sua estada em Ouro Preto, em 1867, ouvira à boca pequena a história de Maria Doroteia, Gonzaga e Queiroga.

Naquele relato, o autor estava acendendo um estopim para destruir a versão em estilo Romeu e Julieta, tão difundida nos quatro cantos do país. Disse ele que, sendo deportado o inconfidente Gonzaga, “ambos fizeram o diabo depois disso”. Acrescentou, ainda, que: “Um certo dr. Queiroga, ouvidor de Ouro Preto, teve a honra de suplantar o poeta […], mas não com ternura legalizada* (*casamento). Dele, d. Maria* (*Marília) de Dirceu, como era chamada, teve três filhos: dr. (M. A.) Anacleto Teixeira de Queiroga, d. Maria Joaquina e d. Doroteia.” Exagero de Burton, na verdade só Anacleto era seu filho, comprovadamente!

Post - Ponte de Antônio DiasPonte de Marília ou ponte dos Suspiros. Gonzaga morava lá no alto.

Em desdobramento ao que falou Burton é que foi sendo recuperada a história de Maria Doroteia e do “affair” com Manuel Teixeira de Queiroga. Seria absurdo que fosse tudo invencionice, certamente gente de Ouro Preto lhe soprara alguma coisa nos ouvidos. Naquela época, em que ter filho fora do casamento ainda era pecado, a revelação causou alvoroço e repercute até hoje, pois ainda está aceso o debate sobre a vida amorosa de Maria Doroteia.

Post - Chafariz & Casa GrandePonte de Marília. C – Chafariz no largo de Dirceu ou largo de Marília. M – Escola onde existiu a Casa Grande.

MARÍLIA POR BILAC 

O escritor Olavo Bilac esteve em Ouro Preto, no final do século XIX, onde inspirou-se para contar sua versão do histórico romance. Disse em uma crônica(13):

Post - Olavo BilacOlavo Bilac.

“Um certo mistério cerca ainda hoje a história desses amores. O que parece provado é que eles não foram uma dessas paixões que alucinam quando se não satisfazem, e em que a alma entra de parceria com a carne, ambas ansiosas, ambas exigentes, ambas humanamente excitadas.

Mesmo nos mais apaixonados versos de Gonzaga, não palpita essa febre, essa ânsia de gozo e posse, nem aparece uma nota qualquer, capaz de provar que uma aproximação de sexos tenha naturalmente consagrado o idílio encantador, a que nossa poesia deve tanta página deliciosa. […]    

O próprio Gonzaga parece confessar, em verso, que não era junto de Marília que aplacavam os ardores dos seu quarenta anos bem conservados:

Eu sei Marilia,
Que outra pastora,
Cega namora, 
Ao teu pastor; 
Há sempre fumo, 
Aonde há fogo…

D. Maria Dorotéia perdoava-lhe as infelicidades carnais, parece, contentando-se com a sua fidelidade espiritual. […]

Degredado o poeta, o tempo que apaga tudo, – até mesmo as mágoas do amor, ai, de nós! – fez no coração de Marília o que costuma fazer no coração de todo mundo. E, à medida que os anos passavam, monótonos e regulares, as saudades foram passando e minguando. Dizem que, da prisão, Gonzaga propusera casamento à sua musa. Mas, santo Deus! A África ficava tão longe! Moçambique devia ser tão feia! A viagem tão longa, por águas tão ásperas, em temporais tão rudes! A musa ficou e o poeta partiu […]

Post - Chafariz de MaríliaChafariz de Marília, no largo de Marília (ou de Dirceu), bairro de Antônio Dias (foto de Ferber).

… nesse tempo, o poeta já tinha o juízo desequilibrado pelos desgostos do exílio (daí) haver ele declarado ao juiz de casamentos que tinha a idade de 38 anos. Talvez, por um sentimento desculpável de gamenhice* (*malandragem), quisesse ele parecer mais moço à noiva de 19 anos. Seja como for, faltou à verdade. […] 

Teria a branca e sentimental d. Doroteia, em Vila Rica, notícia de que, na terra adusta da África, uma rival, provavelmente mestiça, conseguira saciar de beijos legitimados pela igreja a boca do seu ardentíssimo Dirceu? Talvez não. E, se a teve, resignou-se; deu-se a amores menos platônicos, teve descendência farta, envelheceu e, em 1853, fechou os olhos à vida, em um leito antigo que, como curiosidade histórica, no Rio de Janeiro, o conselheiro Viriato Bandeira Duarte(14) conserva religiosamente. […]

 Já 17 anos antes de morrer, havia d. Maria Dorotéia feito testamento. E esse documento, assinado pelo seu punho, é frio, seco, incolor. […] 

Ora, às imaginações escaldadas, não parecerá com certeza digno do drama este desfecho vulgar. A mim, porém, parece-me o único digno, porque teve a mesma simplicidade e a mesma naturalidade do drama. Este foi simples como a natureza e a vida rústica que lhe formaram o cenário: um poeta, uma mulher, duas janelas que se defrontam, alguns versos lindos, uma conspiração, um apartamento, muitas lágrimas, muitas saudades e, depois… filhos de parte a parte. Mais nada. […]

 Olavo Bilac, 1894.

Post - Anacleto batRegistro de batismo de Anacleto.

Existe um registro de batismo de Anacleto, assim:

“Aos trinta de Julho de mil setecentos noventa e coatro de licença minha na Matriz de Nossa senhora do Pillar de Oiro Preto baptizou, e poz os Santos Oleos o Reverendo Coadjutor José Carneiro de Moraes à Anacleto inocente filho de Pays incognitos, exposto em treze do Corrente à porta de Manuel Ferreira da Silva, casado, e morador na Ladeira da Praça: forão Padrinhos, o mesmo Manuel Ferreira, e sua Mulher Dona Anna Isabel de Ulhoa. Do que fiz este assento, que assignei. / O Vig.o. Bern.do Joseph da Enc.am.” (15)

Ao receberem o recém-nascido, Manuel e Ana Isabel estavam oferecendo seus préstimos e a residência como uma casa de passagem, a fim de inseri-lo na sociedade da maneira menos dolorosa possível. Mais que um favor, parece ter sido uma imposição. Manuel era um militar de nível inferior e o tio protetor de Maria Dorotéia oficial de alta patente, homem influente e poderoso. A criança foi batizada exatamente dois anos após a chegada de Gonzaga à África. Esclarecendo: filho exposto é aquele que, por algum motivo, a mãe não pode assumir e que é entregue para acolhimento por outra pessoa, família ou instituição de caridade.

Post - Casa de Ferreira CintraCasa onde foi acolhido o exposto Anacleto.

Na Ouro Preto dos séculos XVIII e XIX o número de crianças nessa condição era imenso. Acontecia, com muita frequência, ter sido ele gerado dentro da própria família que o recolhia. A exposição, nesses casos, não passava de uma mera teatralidade, nada mais que um disfarce, para apresentá-lo à comunidade sem macular a honra familiar. Era a forma mais inteligente de lidar com os chamados filhos ilegítimos, espúrios ou bastardos. No caso de Anacleto, a família receptora contribuiu para livrá-lo de ser rotulado dessa forma. Além do mais, a palavra exposto soava com mais delicadeza e, de certo modo, facilitava a vida futura.

Irrefutável evidência de quem é a mãe de Anacleto, está no próprio testamento de Maria Doroteia, onde ele aparece como beneficiário. Diz:

“… Eu D. Maria Dorothea Joaquina de Seixas, […] Ordeno meu Testamento na forma seguinte.

Sou natural desta Cid. filha legitima do Cap.am Balthazar João Mayrink, e sua Mulher D. Maria Dorothea Joaq.na de Seixas ja falecidos.

Instituo por meus Testament.os universaes herdeiros a D. Francisca de Paula Manso Seixas, q.’ vive em m.Companhia, e Anacleto Teix.ra de Queiroga q.’ ao presente he rezidente no Rio de Janeiro, p.a

q.’ cada hum de per si in solidum possão ser meus Testamenteiros, benfeitores e Administradores de todos os meu bens, […]

Deixo a eleição da minha Testamenteira as disposições do meu funeral, e só recomendo q.’ o meu corpo será sepultado em cova da Ordem de S. Francisco de Assis, e que por minha alma se celebrem quantas Missas de Corpo prezente couber no possivel de esmola de mil e duzentos cada huma, e tambem quero que se digão as de S. Gregorio, e por esta forma hei findo o prez.te instrumento p.r mim feito e assinado nesta Cid.e do Oiro Preto a 2(dois) 8br.(oitubro) de 1836. /Maria Dorotheia Joaq.na de Seixas” (16)

Post - Doroteia testamentoTestamento de Maria Doroteia (escrita retocada por um restaurador [?]).

Do mesmo modo Anacleto, no próprio inventário(17), mostra sua origem, aponta suas mulheres e descendentes. Cabe a cada um tirar suas conclusões. Um trecho do documento:

“… Sou natural desta Cidade, filho natural do tenente Coronel Manoel Teixeira de Queiroga já falecido, e exposto e criado em caza de Manoel Ferreira da Silva Cintra morador desta Cidade – Sou casado com Jeronima Maria de Menezes, e deste consorcio tive somente uma filha de nome Francisca Lidia de Queiroga – Tenho também uma filha natural de nome Minervina Brazida de Queiroga que foi cazada em o Rio de Janeiro com João Martiniano Martins Pereira e hoje se acha Viuva, a qual reconheci minha filha por escritura publica em o Cartorio do Tabellião Joaquim Jozé de Castro em a Capital do Imperio…”

Post - Dois diplomasDois diplomas em medicina de Anacleto.

Apesar de todas as dificuldades no início da vida, mas com apoio decidido da mãe, Anacleto conseguiu prosperar, estudando e obtendo diplomas em medicina. O primeiro, do reino unido de Portugal, do Brasil e Algarves, foi expedido pela corte de d. João VI. Um dos que o conferiram foi José Corrêa Picanço “do seu conselho e seu Cirurgião-mor do Reino Unido”. É datado de 26.08. 1820, no Rio de Janeiro, e consta que Anacleto Teixeira de Queiroga fora aprovado para exercer a “Arte de Cirurgia nos Meus Reinos”. A autorização corresponde ao chamado barbeiro-cirurgião da época, pois ainda não existiam escolas de medicina nos moldes atuais.

O doutor Anacleto, não contente com o primeiro diploma, frequentou o curso médico completo. O segundo diploma, também do Rio de Janeiro, é datado de 07.01.1829 e, no cabeçalho, consta o nome do barão de Inhomerim, “Medico da Imperial Camara, Lente e Diretor d’Academia Medico-Cirurgica desta Corte”, etc. Informa que ao “haver frequentado o 6o ano do Curso Medico-Cirurgico; repetiu nele as Matérias do 4o e 5o ano; e sendo competentemente examinado, foi aprovado ‘Nemine Discrepante’* (*sem discrepância, por unanimidade) e ficou por isso Formado em Cirurgia, e habilitado para poder curar de Cirurgia e Medicina em todas as partes do Imperio, em conformidade da Lei de 09 de setembro de 1826”.

Post - Anacleto saquarema & médicoAnacleto candidato saquarema, no Rio de Janeiro, e cirurgião do exército, em Ouro Preto. 

Enquanto esteve estudando e mesmo depois, Anacleto contou com o amparo do tio José Carlos Mayrink, que era militar, político e figura proeminente na corte(18). Contudo, durante largo período depois de formado, mesmo exercendo a medicina, esteve a procura de outros rumos na vida. Pelo que se depreende em notícias de jornais da época, era seu objetivo ingressar na carreira militar, vocação que herdara dos antepassados maternos e paternos.

Paralelamente, tal como o tio, quis também fazer política partidária. O primeiro intento – ingressar no exército – atingiu em 1852, quando foi nomeado cirurgião-alferes do corpo de saúde(19). Aliás, morava na rua de São Diogo, 75, pertencente à freguesia e paróquia de mesmo nome e pertinho do campo de Santana, onde ficava o quartel do exército, no Rio de Janeiro. (20)

Politicamente, Anacleto se alinhava com os conservadores, denominados saquaremas. Nessas condições, apresentou-se como candidato à assembleia de representantes da sua região com a finalidade de escolher, em eleições indiretas, deputados e senadores. E logrou ser eleito pelos concidadãos por expressivo número de votos.

Post - Clara & AnacletoNotificações no “Diário do Rio de Janeiro”.

PRIMEIRA MULHER

Como que marcado por uma sina, o exposto Anacleto casara-se com uma moça cujos pais, segundo suas próprias palavras em uma nota de jornal, seriam ignorados. Sua mulher, desafortunadamente, veio a falecer ainda muito jovem. Ficou então viúvo aos 44 anos de idade e sabe-se disso através de uma notificação, publicada do “Diário do Rio de Janeiro”, em 23.06.1842, nos seguintes termos:

“Clara Gomes de Menezes , competentemente habilitada mãe da falecida Maria Apolinaria de Menezes, a qual foi casada com Anacleto Teixeira de Queiroga, faz publico, que pessoa alguma faça transaçao com o dito seu genro Queiroga, sobre os bens que este possue […] em rasao de que ainda nao foram inventariados, a fim de dar partilha a annunciante, legitima herdeira de sua filha […] desde que ella falleceo em 14 de oitubro de 1838…”

O próprio Anacleto confirmou, em nota no jornal, “que tendo falecido sua mulher Maria Apolinaria de Menezes […] e sendo esta filha de pais incógnitos, acha-se hoje habilitada mãe natural e herdeira […] Clara Gomes de Menezes…” Apesar do inicial conflito de interesses entre sogra e genro, a questão foi devidamente pacificada pela justiça e ambos fizeram jus à partilha. (21)

SEGUNDA MULHER

Em segundas núpcias, Anacleto casou-se com Jerônima Maria de Menezes, filha de Bento José Borges e Maria Jerônima de Menezes. Os prenomes eram invertidos. O sobrenome Menezes, faz imaginar que existiria parentesco com a primeira mulher. Bento residia com a família num sobrado da rua do Ouvidor, 110, e possuía “loja de materiais”, na praia do Saco do Alferes. A “Gazeta Official do Imperio do Brasil”, de 10.02.1847, relaciona seu nome como sendo o eleitor da freguesia de Sant’Anna, 20º quarteirão, inscrição nº 1038, 58 anos, proprietário, casado. Bento foi próspero comerciante e falecera ao final da década de 1840, deixando muitos bens.

Post - Anacleto e Jeronyma & Jeronyma“Correio Mercantil”: 17.07.1849 (1) e 29.05.1866 (2) / “Diário do Povo”: 14.03.1868 (3).

Um aviso no jornal “Correio Mercantil”(RJ), de 17.07.1849, permite estimar a data aproximada da morte de Bento. Diz o texto:

“Segunda feira 23 do corrente mez de julho, arrematar-se há em 3ª praça, para pagamento do credor Francisco Antonio Vieira de Barros, a casa de sobrado sita na rua do Ouvidor n. 110, pertencente ao inventario dos bens do finado Bento José Borges, de quem é inventariante o Dr. Anacleto Teixeira de Queiroga, por cabeça de sua mulher […]  foi construida a dita casa em 1834 e 1835, tem um sotão que constitue um segundo andar…”

Até que, o final da década de 1850, bateram saudades das origens e Anacleto decidiu trocar o calor da praia pelo frio das montanhas de Ouro Preto. Quando retornou à capital da  província,  exerceu as funções de primeiro cirurgião-capitão da guarnição fixa de Ouro Preto. Entretanto, não há como dizer quanto tempo lá viveu e nem se foi acompanhado da mulher.

Uma nota no jornal “Diário do Povo” (RJ) comunicou o falecimento de Jerônima Maria de Menezes Queiroga, no Rio de Janeiro, aos 56 anos de idade. A causa da morte foi tuberculose pulmonar e o enterro ocorreu no dia 08.03.1869. Já estava viúva, pois Anacleto falecera em 08.06.1861, em Ouro Preto(22). Daí extrai-se uma pergunta, será que Anacleto, que era 18 ou 19 anos mais velho que ela, em certo momento prenunciara também seu fim? Certo é que cuidou de fazer um testamento, no qual deixou devidamente anotado:

Sou cazado com Jeronima Maria de Menezes, e deste Consorcio tive somente uma filha de nome Francisca Lidia de Queiroga…”

A filha desse segundo casamento é a neta de Maria Doroteia, que d. Pedro II conheceu quando esteve em Ouro Preto.

Post - Óbito Anacleto T QRegistro de falecimento de Anacleto Teixeira de Queiroga, em Ouro Preto, sessenta e seis anos.

TERCEIRA MULHER

No mesmo documento testamental e com a habitual naturalidade, Anacleto havia anunciado outra proeza:

“Tenho também uma filha natural de nome Minervina Brazida de Queiroga, que foi cazada em o Rio de Janeiro com João Martiniano Martins Pereira e se acha Viuva, a qual reconheci minha filha…”

Entretanto, não disse quem seria a mãe de Minervina Brazida. Sabe-se que viveu no Rio de Janeiro, com o marido – fiscal da alfândega –, até quando ele veio a falecer, em 1859, aos 53 anos de idade. Atribuíram o óbito ao que chamavam de apoplexia cerebral, como foi publicado no jornal. Pelo que se sabe, tiveram dois filhos: Pedro Queiroga Martins Pereira e Anacleto Queiroga Martins Pereira. Com o falecimento do pai, mãe e filhos se transferiram para Ouro Preto, onde os rapazes se casaram, tiveram sucesso profissional, se projetaram na sociedade e deixaram descendentes.

Post - Pedro Queiroga livro & escritórioPedro Queiroga: venda do livro e anúncio do escritório, no largo de Dirceu.

Na capital de Minas Gerais, Pedro Queiroga M. Pereira foi alto funcionário da secretaria do Interior, como também o irmão Anacleto Queiroga M. Pereira. Pedro casou-se com Castorina Emília de Paiva, em 04.10.1884; ele faleceu em Ouro Preto, de um ataque cardíaco em 16.01.1893. Anacleto casou-se com Paschoa A. L. de Oliveira, em 03.11.1888. (23)

Importante e aplaudido trabalho, intitulado “Contractos celebrados pela presidencia da provincia de Minas Geraes”, foi organizado por Pedro Queiroga. Tratava-se de uma publicação oficial que estabelecia regras para a construção de estradas de ferro, navegação de rios, estabelecimentos balneários, imigração, feiras de gado e outros serviços. O jornal “Provincia de Minas”, na edição de 25.07.1888, refere-se ao autor como “habilíssimo oficial maior da secretaria do governo” e tece elogios destacando sua notória competência.

Post - Falecimento Pedo QueirogaNotas de falecimento de Pedro Queiroga Martins Pereira, neto de Anacleto Queiroga.

Pedro aposentou-se relativamente jovem e passou a prestar serviços a particulares como procurador em repartições públicas, cobrador e recebedor de dívidas, etc. Por curiosa coincidência, seu escritório funcionava no largo de Dirceu, onde está edificado o chafariz de Marília. Quando veio a falecer, em 16.01.1893, foi lembrado em notícias nos jornais. No Rio de Janeiro, o “Jornal do Commercio”, de 18.01.1893, publicou:

“Falleceu o major Pedro Queiroga, neto de Marilia de Dirceu, victima de lesão cardiaca. Era official maior aposentado da Secretaria do Interior, dotado de inteligencia culta e por todos respeitado.”

Post - Anacleto eleitor & doação livrosAnacleto Queiroga Martins Pereira na nova Cidade de Minas Belo Horizonte (jornal “Minas Geraes”).

Quando Belo Horizonte foi inaugurada, Anacleto Queiroga M. Pereira, lotado na secretaria do Interior, foi transferido para a nova cidade. Sua mãe o acompanhou e, para que pudessem construir suas residências, ambos ganharam terrenos muito bem situados. Por sorteio, dona Minervina obteve o lote de nº 3, quarteirão 33, seção 1ª. Revelam os jornais da época que Anacleto manteve-se muito ativo nas atividades políticas e sociais da nascente comunidade.

Post - Lote MinervinaMamãe Minervina ganhou lote na zona urbana da nova capital.

GENTE COMO A GENTE

O tempo passou e, na terceira década do século XX, um primo de Maria Doroteia, chamado Tomás Brandão indignou-se com aqueles que, no seu entendimento, estariam denegrindo a imagem da parenta. Daí, decidiu apresentar sua versão dos fatos escrevendo uma biografia. Em primeiro lugar, responsabilizou o viajante Richard Burton por ter provocado a suposta onda de maledicências.

Em 1932, publicou o trabalho no qual atribui o referido filho à irmã de Maria Doroteia, chamada Emerenciana Joanna Evangelista de Seixas, mulher de personalidade descontraída e existência um tanto atribulada. Contudo, apesar de não mostrar provas conclusivas de que seria esta a verdadeira mãe, lançou-lhe a pecha, dizendo que era mais uma das suas “maluquices”. E não perguntou a Anacleto, e nem poderia, se gostaria de fazer a troca. Pelo que se sabe, ele nunca tocou nesse assunto publicamente, nem qualquer das duas irmãs. Entretanto, as evidências aproximam Anacleto mais fortemente de Maria Doroteia.

O único documento que Brandão indicou, na frustrada tentativa de fazer as ligações entre Queiroga, Emerenciana e Anacleto foi um registro de batizado. Disse ele que “em 14 de julho de 1793, Queiroga e Emerenciana serviram de padrinhos no batismo da innocente Emerenciana, filha de Manoel Ferreira da Silva Cintra; em 13 de julho de 1794, justamente um anno depois, recebia Manoel Ferreira em sua casa, como enjeitado, um filho bastardo* (*Anacleto) de seus compadres.” Tudo bem, no referido registro, o padrinho é Queiroga, mas a madrinha é Emerenciana Victoria. Ora, não é esse o nome da irmã de Maria Doroteia, pois ela sempre assinou, com todas as letras, Emerenciana Joanna.(24)

Post - Emerenciana VictoriaPadrinho Manuel Queiroga e madrinha Emerenciana VICTORIA, a outra.

E para melhor conhecer Maria Doroteia e Gonzaga – e também Queiroga –, falta ainda muito a pesquisar. Finalmente, deixando os preconceitos de lado, é bom que se diga: todos os protagonistas foram gente como a gente. Então, alguém se atreve a dizer quem esteve certo ou errado, onde estava o bem e o mal? Quanto à fantasia, tudo bem, fica por conta do poema Marília de Dirceu.

Pesquisa, texto e arte de Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

• Clique com o botão direito e veja o Post seguinte: “Conhecendo Gonzaga”. 

(1) Ouro Preto – Originou-se no arraial do Padre Faria, por volta de 1698. Ao longo do tempo, incorporando vários arraiais, tornou-se sede de conselho e elevada à categoria de vila, em 1711, com o nome de Vila Rica. Em 1720, tornou-se capital da capitania das Minas Gerais. Em 1823, após a independência do Brasil, tornou-se capital da província das Minas Gerais, sendo então designada Imperial Cidade de Ouro Preto. Mais tarde, passou a capital do estado, assim permanecendo até 1897, quando a sede foi transferida para os terrenos de Curral Del’Rey, a atual Belo Horizonte.

(2) Tio João Carlos Xavier da Silva Ferrão e tias Joana Rosa, Antônia Cláudia e Isabel.

(3) O 3º marquês do Lavradio, Antônio Máximo de Almeida Portugal (3º marquês do Lavradio), é o pai de Francisco de Almeida Portugal (conde do Lavradio) que, nas suas “Memórias do conde do Lavradio”, parte primeira (1796 a 1833), fala do filho do inconfidente Gonzaga e do seu relacionamento com a família: “… chegou-se a mim o novo mestre de meus irmãos e increpou-me* (*repreendeu-me severamente) por eu não ter tirado chapeu quando elle entrara no jardim; eu respondi-lhe com azedume que não lhe havia tirado nem agora lhe tirava o chapeu, porque ele não era meu mestre. A isto respondeu ele em tom severo que no dia seguinte se veria […] Quando voltavamos do passeio, cahiu o burro em que vinha com o meu fastidioso* (*impertinente) mestre, o que me parece que me causou algum regozijo […] Chamava-se este novo mestre Luiz Antonio Gonzaga, e, segundo ouvi, era filho natural do celebre juiz e poeta Gonzaga…” /// São filhos do 3º marquês do Lavradio: 1 – Eugenia, duquesa de Ficalho (*22.09.1784) / 2 – Marianna, condessa da Ribeira Grande (*11.08.1786) / 3 – Maria, dama da princesa Maria Benedicta (*11.08.1786) / 4 – Luiz, quarto marquês do Lavradio (*08.08.1787) / 5 – Margarida, marquesa de Alegrete (*24.08.1791) / 6 – Francisca, marquesa de Vallada (01.09.1792) / 7 – Antonio, marquês / 8 – Francisco, conde do Lavradio (*12.07.1796) / 9 – Joaquina (*05.01.1799) / 10 – João, oficial de cavalaria (*04.12.1804) – Fonte: “Resenha das famílias titulares do reino de Portugal”, Lisboa, Imprensa Nacional, 1838. /// Luís Antônio, filho de Tomás Gonzaga, nasceu quando o pai foi juiz em Beja (Portugal) e estava entre seus 35 e 38 anos de idade.

(4) MENEZES, Luís da Cunha – (*16.05. 1743 †30.09.1819) Conde de Lumiares; governador da capitania de Goiás e, depois, de Minas Gerais, nesta sucedendo a Rodrigo José de Meneses e Castro, e sucedido por Luís Antônio Furtado de Castro do Rio de Mendonça e Faro, o visconde de Barbacena.

(5) Livro de batismos da Paróquia de Nossa Senhora do Pilar, abertura em 1749, fl. 149.

(6) Livro de óbitos (1846/1853) – Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Ouro Preto, fl. 92. / É desconhecido o motivo de Maria Doroteia ter pedido, em testamento, que fosse enterrada “em cova da Ordem de S. Francisco de Assis”, igreja situada na praça do Largo do Coimbra, junto as antigas moradias dos seus amores perdidos: Gonzaga e Queiroga. Seu desejo não foi atendido, como revela anotação no livro 2, da irmandade, na folha 211: “… falecida a 10 de Fevereiro de 1853. Jaz na matriz de Antonio Dias.” / Fonte: “Revista do Arquivo Público Mineiro”, janeiro-junho, 19o2.

(7) Casa de Gonzaga, na rua do Ouvidor, atualmente denominada rua Cláudio Manuel e número 61. No número 77, residiu Antônia Cláudia Cassimira de Seixas, casada com o tenente Luiz Antônio Sayão.

Post - Livro Marilia de Dirceo(8) A primeira edição de “Marilia de Dirceo” foi publicada em Lisboa, na Tipografia Nunesiana, em 1792. Parte do poema foi composta durante os três anos de prisão de Gonzaga na Ilha das Cobras. É uma obra pré-romântica, na qual o autor idealiza sua amada e enaltece o amor, mas é árcade em todas as outras características. O bucolismo está presente nas repetidas referências ao campo e à vida pastoril idealizada pelos árcades. O estilo denominado arcadismo vem da palavra grega arcádia e designa uma sociedade literária típica da última fase do classicismo. Seus membros adotavam nomes de pastores, sonhando com a vida simples daqueles que viviam em comunhão com a natureza. Nesse caso, Marília era a pastora e Dirceu o pastor. (À esquerda: folha de rosto da edição de 1792.)

(9) ANTÔNIO DIAS (bairro, ponte e matriz) – Antônio Dias de Oliveira foi um bandeirante paulista que explorou o interior das Minas Gerais, sobretudo os vales dos rios Doce e Piracicaba, em busca de riquezas minerais. A origem de Ouro Preto, antes mesmo de se chamar Vila Rica, está na povoação fundada por esse bandeirante, pelo padre João de Faria Fialho e por dois irmãos da família Camargo, por volta de 1698, que levou o nome de arraial do Padre Farias. A pouca distância, a oeste do núcleo residencial, morava Antônio Dias de Oliveira e daí surgiu a denominação de bairro de Antônio Dias, ponte de Antônio Dias e matriz de Antônio Dias (N. S. da Conceição), por estarem no mesmo sítio.

(10) As “Cartas Chilenas” são poemas satíricos, que circularam em Vila Rica em manuscritos, poucos anos antes da Inconfidência Mineira. Gonzaga, sob o pseudônimo Critilo, glosava a desastrada e corrupta administração do “Fanfarrão Minésio” (Luís Cunha Meneses) como governador do “Chile”, na verdade a cidade de Vila Rica. São todas dirigidas a Doroteu que era exatamente seu amigo Cláudio Manuel da Costa, também inconfidente. Como se vê, Gonzaga tinha a namorada Doroteia e o amigo Doroteu como pessoas muito especiais.

(11) ANDRADE, Carlos Gabriel – (Ouro Preto, *06.07.1846 / †13.09.1921, Belo Horizonte) Veio a se tornar barão de Saramenha. / Leia o Post: “Nos Passos do imperador (VIII)”, de 15.11.2014

(12) BURTON, Richard Francis – (*19.03.1821 †20.10.1890) Sir britânico e capitão. Viajante, escritor, tradutor, linguista, geógrafo, poeta, antropólogo, orientalista, erudito, espadachim, explorador, agente secreto e diplomata. O relato, datado de 1869, está no livro “Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho”, Editora Itatiaia, 1976, p. 303 e seguintes.

(13) BILAC, Olavo – “Chronicas e Novellas” – 1893-1894 → “II – Marília”, Cunha & Irmão, Rio de Janeiro, 1894.

(14) DUARTE, Viriato Bandeira – (*21.07.1819 †03.12.1893) Magistrado e parlamentar; ministro do Supremo Tribunal de Justiça, no Brasil Império, entre 1886 e 1891.

(15) Livro de batismos (1793/1798) – Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Ouro Preto, fl. 259 v.

(16) O original do testamento foi oferecido ao Arquivo Público Mineiro pelo capitão Bento Antônio Romeiro Veredas, tabelião em Ouro Preto.  Tem o intróito: “Testamento de Dona Maria Dorotheia de Seixas moradora nesta freguezia de Antonio Dias approvado por mim Tabellião abaixo assignado cozido com cinco pontos de linha verde de algodão e lacrado com outros tantos pingos de lacre vermelho por banda. Imp.al Cidade do Ouro Preto 16 de Mayo de 1840. / O Tabellião Francisco Antonio de Almeida Vasco.” / Documento completo na “Revista do Arquivo Público Mineiro” – Volume 7, fascículo 1-2, 1902, p. 403 a 407.

(17) Inventário dos bens de Anacleto Teixeira de Queiroga / 1861 — “Autuação ep.m de D. Minervina Brazida de Queiroga Miz Per.a tttr.a D.r Anacleto Teixr.a de Queiroga / Para inventr.o dos bens do m.mo / Francisco de Paula Malaquias Primeiro Tabellião e Escrivão da Provedoria de Capellas e Reziduos em Exercicio nesta Cidade de Ouro Preto e seu termo […] Certifico que em meu poder e Cartorio existe o proprio testamento com que fallecera o Doutor Anacleto Teixeira de Queiroga, e seu theor he o seguinte – Em nome da Santissima Trindade, Amem — Eu o Doutor Anacleto Teixeira de Queiroga estando de saude e em pleno exercicio de minhas faculdades intellectuaes, que se achão em seu estado normal, tenho determinado fazer meu testamento pelo modo seguinte — Sou natural desta Cidade filho natural do Tenente Coronel Manoel Teixeira de Queiroga já falecido, e exposto e criado em caza de Manoel Ferreira da Silva Cintra morador nesta cidade — Sou cazado com Jeronima Maria de Menezes, e deste Consorcio tive somente uma filha de nome Francisca Lidia de Queiroga — Tenho tambem uma filha natural de nome Minervina Brazida de Queiroga que foi cazada em o Rio de Janeiro com João Martiniano Martins Pereira e hoje se acha Viuva, a qual reconheci minha filha por escritura publica em o Cartorio do Tabellião Joaquim José de Castro em a Capital do Imperio — Instituo por meus testamenteiros, em primeiro lugar á minha filha Minervina Brazida de Queiroga, em segundo ao meu actual adeministrador e procurador no Rio de Janeiro José Cornelio Martins Pereira, em terceiro á Carlos Fortunato de Meirelles marido de minha neta Francelina — O meu segundo testamenteiro continuara a administrar os meus bens até a conclusão do inventario e partilhas […] — Tambem mandará dizer uma Capela de missas por alma de minha bemfeitora Dona Maria Dorothea Joaquina de Seixas […]; metade das cazas e chacara em que moro, pertencendo a outra metade á Senhora Dona Francisca de Paula Manso de Seixas — […] Declaro que nesta caza do Ouropreto minha e de Dona Francisca Paula Manso de Seixas quatrocentos e oitenta e oito mil reis somente no madeiramento do telhado e mão d’obra despendi em Concertos em o anno de mil oitocentos cincoenta e quatro, e deste anno em diante tenho gasto talvez maior quantia em diversos reparos por ser a caza muito velha, cujas ferias não estão somadas por de novo aferirem novos concertos […] Rogo ás Justiças do Imperio lhe-deem inteiro cumprimento. Ouro Preto dez de Abril de mil oitocentos sessenta e um – Doutor Anacleto Teixeira de Queiroga — Como testemunha que este escrevi João Antonio Affonso” // Cartório do 2º Ofício de Ouro Preto, letra A — Fonte: GOMES, João Batista Magalhães, “Documentário sobre Marília de Dirceu”, Ministério da Educação e Cultura, 1966, p. 111 a 114.

(18) FERRÃO, José Carlos Mayrink da Silva – (Ouro Preto, *05.12.1771 / Recife,†15.01.1846) Proprietário rural e político.

(19) Quartel geral da côrte, 06.11.1852 – Ordem do dia nº 174: Nomeia Anacleto Teixeira de Queiroga como 2º cirurgião alferes do corpo de saúde do exército, conforme publicação no “Diario do Rio de Janeiro”, de 07.11.1852, p. 3.

(20) Em 1753, era denominado Campo de Santana o espaço em frente a igreja de Santana, que foi demolida em 1854, para dar lugar à estação ferroviária Dom Pedro II, a primeira do Brasil em área urbana. Atualmente, o Campo de Santana é um parque localizado na Praça da República, cujo nome decorre de estar nas proximidades de onde ocorreu a proclamação da república, em 1889.

(21) No “Diario do Rio de Janeiro”, de 20.07.1842, p. 3: “Notas Particulares – Anacleto Teixeira de Queiroga, faz publico que tendo fallecido sua mulher Maria Apolinaria de Menezes, no dia 14 de oitubro de 1838, e sendo filha de paes incognitos, acha-se hoje habilitada mãe natural e herdeira da dita sua mulher Clara Gomes de Menezes…” — A redação é confusa e deve ser entendida assim: “…acha-se habilitada Clara Gomes de Menezes, mãe natural e herdeira da dita que era minha mulher.” // A sogra de Anacleto faleceu em torno de 1850. Diz um aviso no “Diario do Rio de Janeiro”, de 28.06.1850, p. 4: “Hoje 28 do corrente, na rua dos Arcos n. 27, ás 10 horas […] será em ultima praça arrematada a casa […] da falecida Clara Gomes de Menezes.

(22) Livro de óbitos (1856/1881) – Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Ouro Preto, fl. 52 v.

Post - Falec Maria Ricarda(23) Casamentos de Pedro Queiroga – 1. A primeira união pode ser conhecida através da leitura de um proclama de casamento no jornal “Minas Geraes”, de 15.12.1892, p. 4: “… Honorina Queiroga, […] 17 annos de idade, filha […] do major Pedro Queiroga Martins Pereira e de d. Maria Ricarda Gomes da Silveira Queiroga, já falecida […] Ouro Preto, 13 de dezembro de 1892…”  (À esquerda: aviso de missa para Maria Ricarda, em 23.01.1884) —— 2. Segunda união: Livro de Matrimônios (1875/1889), Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Ouro Preto: “No dia quatro de outubro de mil oitocentos e oitenta e quatro assisti a celebração do Sacramento do Matrimonio […] entre si os nubentes Pedro Queiroga Martins Pereira e Castorina Emilia de Paiva […] O Vigario Candido Ferreira Vellozo.” // Casamento de Anacleto Queiroga M. Pereira — Jornal “A União”, Ouro Preto, de 03.11.1888, p. 2: “Quarta-feira ultima casou-se com a Exm.ª Sr.ª D. Paschoa A. L. Oliveira Queiroga o nosso distincto Anacleto Queiroga Martins Pereira…”.

(24) Livro de batismos (1793/1798) – Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Ouro Preto, fl. 44 v.

Anúncios

10 Comentários »

  1. Postagem excelente como sempre. É aquela leitura que nos transporta para outros lugares em outros tempos. Obrigada por dividir sua pesquisa e seu talento em contar a história.
    A minha admiração…
    Abraço, Julia.

    Comentário por Julia Pinheiro — 01/12/2014 @ 8:52 am | Responder

    • Júlia:
      Muito obrigado pelo seu estímulo e palavras carinhosas.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/12/2014 @ 9:13 am | Responder

  2. Li, com muito carinho. A história dos inconfidentes e seus amores sempre me fascinou. Como não posso ser considerada uma romântica, saber desta versão em nada modifica meu fascínio. Concordo com sua indagação: “Então, alguém se atreve a dizer quem esteve certo ou errado, onde estava o bem e o mal?” E a poesia permanece belíssima. Gostaria de saber mais sobre Gonzaga na África. Não há nada registrado?

    Comentário por sertaneja — 04/12/2014 @ 11:59 pm | Responder

    • Virgínia:
      Há sim, muita coisa registrada sobre o Gonzaga na África. Descobri alguns documentos. Vou mostrar tudo no próximo Post, mas é bem diferente da história que me contaram no colégio.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 05/12/2014 @ 8:57 am | Responder

  3. Magnífica pesquisa acerca da história de Minas Gerais!
    Parabéns, Eduardo de Paula.
    Maria Marilda, cidadã de Lagoa Santa.

    Comentário por maria marilda Pinto Correia — 03/01/2015 @ 5:39 pm | Responder

    • Pois é, são dois Posts, um sobre a Doroteia, outro sobre o Gonzaga. Os personagens que conheci no colégio não eram esses. Há muito da nossa história para ser reescrita.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 03/01/2015 @ 7:51 pm | Responder

  4. Prezado Eduardo de Paula, sou pesquisador e “genealogista” familiar dos Mayrink dos quais descendo pela avó paterna. Estou muito curioso das fontes sobre a história da minha ilustre antepassada, d. Maria Dorotéia Joaquina de Seixas Brandão, mais conhecida pela alcunha carinhosa e também desditosa de Marília de Dirceu. Qualquer informação genealógica que o nobre autor e pesquisador possa compartilhar, será de extrema ajuda. Entendendo que a intenção aqui não é desmerecer, caluniar ou difamar a memória de uma pessoa a tanto morta, e sim o de desvendar a verdade dos fatos, reumanizando o “mito”, o qual a todos nós de fato interessa. Como desejo redigir um livro contendo a história e a genealogia de minha família, isto me seria de grande utilidade. Convido o nobre autor e pesquisador a conhecer o meu blog, que é a base de minha pesquisa em https://mayrinkteixeirabr.wordpress.com/ e ao compartilhamento de informações que possam ser úteis a ambos!

    Saudações

    Roberto Carlos Mayrink Teixeira

    Comentário por Roberto Carlos Teixeira — 13/01/2015 @ 7:00 pm | Responder

    • Roberto:
      De fato, procuro desvendar a realidade dos fatos. Hoje, tenho convicção que preconceitos e opressão falsificam a história. Meu sentimento é que Doroteia foi vítima das circunstâncias e pelo simples fato de ser uma mulher do século XVIII. Há muitas Doroteias no nosso passado. Por outro lado, acho que qualquer tentativa de mostrar a real Doroteia não a diminui, pelo contrário. Um detalhe, ela não tinha o sobrenome Brandão.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 13/01/2015 @ 8:19 pm | Responder

  5. Excelente o texto Eduardo. Parabéns! A história dos dois é muito interessante, daria um belo filme! Uma pena que aqui em Ouro Preto poucos são aqueles que se interessam por ela. Grande abraço.

    Comentário por Pedro Mafia — 13/05/2015 @ 7:35 pm | Responder

    • Pedro:
      Não foi essa a história que aprendi no colégio. Só descobri isso agora, iluminado pelos meus anjos protetores.
      Muito obrigado,
      Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 13/05/2015 @ 7:46 pm | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: