Sumidoiro's Blog

01/05/2015

MEMÓRIAS DO MAR (IV)

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 7:48 am

♦ Pés na terra, reflexões e alegrias possíveis

Pascoe Grenfell Hill(1) foi capelão da marinha inglesa. Nessa atividade, conheceu o tráfico negreiro que se fazia pela Carreira da Índia e escreveu dois livros sobre o tema. O primeiro – Cinquenta Dias a Bordo de um Navio Negreiro no Canal de Moçambique – vai publicado aqui, dividido em quatro partes.

Post - Boutique de escravosBoutique” de escravos da rua do Valongo, Rio de Janeiro (por Debret).

Em abril de 1842, o reverendo Hill saiu do Rio de Janeiro, no navio Cleopatra, acompanhando o governador William Gomm até a ilha Maurício. Terminada essa missão, participou da captura do navio negreiro Progresso, de bandeira brasileira, em Moçambique, com mais de quatro centenas e meia de escravos. Em seguida, a embarcação foi conduzida ao cabo da Boa Esperança onde os negros foram libertados. “Anotações Finais” — PARTE IV, sequência do Post anterior:

Post - Mercado escravos RioMercado de escravos, Rio de Janeiro, 1835 (por Rugendas).

• Winberg, vizinhança da Cidade do Cabo, 3 de setembro.

Letra Nesse momento, diante das circunstâncias em que testemunhei a prática do tráfico negreiro, fui levado a pensar sobre os obstáculos que ainda impedem a abolição da escravatura. Obviamente, e em primeiro lugar, aparece a impunidade que acoberta aqueles que se dedicam a esse comércio. Enquanto os traficantes não tiverem receio de serem penalizados, embora sejam pegos no cometimento desses crimes, será em vão pensar no fim desse comércio.

Para essas pessoas, nenhum limite, senão o do medo de uma punição, trará algum resultado efetivo. No caso dos espanhóis a bordo do Progresso, parecia evidente que sua única apreensão seria a de obter a mesma benevolência, se enviados fossem ao Rio de Janeiro, tal como aqui já haviam obtido outros companheiros portugueses e espanhóis.

O velho marinheiro português, que embarcara num navio negreiro, porque passava por necessidades no sustento da família, ansiava por retornar ao Rio de Janeiro. Ficamos sabendo, ao chegar ao cabo da Boa Esperança, que os outros 13 – brasileiros ou portugueses – que haviam chegado antes, a bordo do Cleopatra, logo se dispersaram como quiseram, pois lá não havia autoridade para lidar com criminosos.

Post - Transporte negrosDescanso da caravana transportando escravos no interior do Brasil (por Rugendas).

O capitão, ao qual já me referi e que, por equívoco, disseram ter morrido engolfado pelas ondas em Quelimane, estava escondido entre eles. Do mesmo modo, embarcou para o Rio com os seus quatro companheiros, num brigue inglês, tendo conseguido dinheiro numa casa bancária na Cidade do Cabo, como vinha fazendo desde que fora incriminado. Os motivos pelo qual se escondia, presume-se, eram mais pelo receio de que ficasse em prisão preventiva, até que o processo contra o navio negreiro fosse finalizado no tribunal.

Post - Mineiro comprandoMineiro (habitante de Minas Gerais) comprando escravos no Rio de Janeiro.

Aqui, então, está o mal, o primeiro que precisa ser remediado, mas efetivamente colocando em prática os decretos que punem o tráfico negreiro. De modo que não possam mais ignorar impunemente as leis e tratados, ratificados por todas as nações civilizadas do planeta.

Os motivos, que tornam necessárias essas ações, derivam do crescente clamor para que se tenha mais comiseração com os sofrimentos e mortalidade dos negros quando se faz o seu transporte. As medidas até agora adotadas, pelo contrário, não têm aliviado mas sim agravado essa situação. É bem manifesto que, em circunstâncias similares às que relatei, o confisco do navio aprendido costuma ser um evento muito mais desastroso para o escravo do que para o traficante.

Não fora sua transferência para ficarem sob a proteção dos seus libertadores e se tivessem caído em mãos dos compradores, pode-se imaginar que continuariam as calamidades contra os infelizes que vieram a bordo do Progresso. Como os adquirentes têm grande interesse em preservar a valiosa mercadoria, todos os operadores do sistema são muito bem qualificados. A experiência, ao lidar com o negócio, tem ensinado que é preciso contar com mãos hábeis e em grande número, para cuidar da saúde e segurança dos negros. A esse respeito, quando um navio é capturado e aprendida sua carga, o inverso geralmente pode acontecer.

Aqueles que conhecem o serviço naval, sabem que um cruzador, especialmente quando é uma unidade de saúde, dificilmente pode dispensar um número maior de mãos para cuidar das pessoas capturadas. Na verdade, sua equipe mal dá para atender as necessidades do próprio navio. Nesses casos, os poucos que são enviados para combater as doenças, encontrando um ambiente insalubre, não são capazes de mudar a situação.

Desse modo, no caso do Progresso, todos os marujos, cada um por sua vez, também acabava adoecendo. Além do mais, é preciso lembrar que cabe ao oficial comandante do navio apreendido seu empenho e discrição, para garantir o bem estar dos negros resgatados. No meio de enormes dificuldades, em muitos casos acrescidas pela surpresa de um novo comando e debilidade da tripulação, é possível grassar doenças entre eles. Se realmente adoecerem num lugar desconhecido e sem meios para socorrê-los, acontecerá o pior.

Post - Rua mercado escravos RecifeRua do mercado de escravos, em Recife, Brasil (por A. Earle).

Não se espera que alguém, envolvido nessas dificuldades, possa cuidar de 500 pessoas desamparadas, uma verdadeira multidão, usualmente dividida entre grupos de 15 ou 20 para cada cuidador, embora todos bem treinados e trabalhando dia e noite. Um melhor tratamento médico nem sempre traz alívio aos negros, como é de se supor.

Tendo oferecido aos negros do Progresso todos os cuidados, dentro de procedimentos adaptados dos padrões europeus, mesmo assim nosso cirurgião assistente não foi capaz de obter sucesso, disso estou convicto. Por outro lado, os traficantes negreiros, quando prescrevem os medicamentos, encontrados em grande quantidade nos navios, pela sua experiência acreditam que serão benéficos.

De modo geral, é certo que algumas argumentações sobre o sofrimento, no contexto do atual debate pela supressão do comércio negreiro, levam à adoção de medidas mais eficientes. Mas é preciso adotar ações que possam dar mais ênfase às penalidades aplicáveis às pessoas envolvidas nesse tráfico.

Enquanto enaltecemos o nome de Wilberforce, um gênio da eloquência, com a qual alardeia ser contra o tráfico negreiro, outros disputam com ele, clamando serem os “verdadeiros aniquiladores do tráfico”. Contudo, esse comércio, longe de estar sendo aniquilado, nesta hora e como nunca, está sendo praticado em circunstâncias de grande atrocidade. E o sangue derramado pelas pobres vítimas fala mais alto dentro de nós, mas, assim mesmo e sem intenção, agravamos suas misérias.

Post - Jovens do DaoméMoças e crianças do Daomé, uma das maiores fontes de escravos do Brasil.

Concluindo, poderia dizer que, embora dando o primeiro e necessário passo, a raiz do mal, a própria escravatura, permanecerá profunda, mesmo que alguma medida de ordem penal seja aplicada com rigor. Ela nasce da desmoralizada condição das tribos africanas no presente. A característica geral das relações sociais, em inúmeros lugares, é a da servidão imposta pelos chefes tribais. A permuta ou comércio de escravos entre eles é tão comum como se faz com cães e cavalos.

Havia mencionado o caso de um chefe vindo do interior, no porto de Quelimane, que embora não lidasse com o comércio de escravos, fez uma oferta na minha presença. Ofereceu, ao senhor Azevedo, quatro de seus auxiliares a troco de uma insignificante caixinha musical.

Os pais, às vezes, trazem seus filhos para vender. O abominável tráfico exercido nesse negócio, degenerado e degradante, confirma e perpetua esses males. O comércio de atacado que se faz por mar, exportando escravos para países estrangeiros, envolve múltiplas privações durante as jornadas do interior à costa. No caso das jornadas mais longas, ocorrem então o abandono na doença e a falta de comida. Depois do embarque, são agravados os sofrimentos e a mortalidade, mesmo nas mais favoráveis condições. Isso engrossa o rol de acusações contra os traficantes negreiros.

Contudo, a predominância da escravidão nos países bárbaros, onde é tratada como negócio, existe antes mesmo desse tráfico que conhecemos e lá deve continuar existindo. Nenhuma medida pode debelar esse mal, senão a introdução dos princípios do cristianismo entre as tribos selvagens, com o que, recebendo suas bênçãos elas seriam, pelo menos parcialmente, compensadas pela abolição do comércio de escravos.

É, sem dúvida, mínimo nosso poder de especular em qual e tão glorioso momento isso acontecerá. Posso, outrossim, fazendo um retrospecto dos meios abençoados pelo Todo-Poderoso, nos antigos tempos das conversões dos pagãos, concluir que não diferem em nada, se forem aplicados com a mesma finalidade. Embora, nos tempos modernos, os esforços individuais tenham produzido resultados parciais e efêmeros, e mais alguns, cujos sucessos estão nas alturas, de modo geral não trouxeram resultados permanentes. Contudo, deixaram nobres exemplos de zelo e dedicação, que têm sido passados adiante.

Post - LeilãoLeilão de escravos no Rio de Janeiro (por F. Biard).

Quando o espírito dos velhos convertidos, o nosso próprio e o de todos os demais, das outrora nações bárbaras da Europa, de novo puderem animar Sua Igreja – o único instrumento que sempre possibilitou retirar uma simples nação da “escuridão e da sombra da morte” –, será o cristianismo que, outra vez, ganhará terreno ao paganismo, tal como nos antigos tempos. Um ramo dessa igreja, uma vez plantado e florescendo na nossa própria colônia, logo poderá abrir seus braços para as nações bárbaras, em cada lado do adjacente canal (de Moçambique) e reunirá as tribos selvagens de Madagascar e Moçambique sob a bandeira da cruz. Não há outra que possa triunfar sobre a escravidão.

Post - Escravos vendidosConduzindo os escravos recém adquiridos (por F. Biard).

O capitão do Defensivo, um segundo navio negreiro apreendido pelo Cleopatra, em Quelimane, logo após a retomada de sua rota de cruzeiro e levado a Simon Bay, no dia 29, último, sem negros à bordo, tratou de maneira ridícula a noção que se tem, no Brasil, dele ser considerado um descumpridor da lei. Lembrou que, depois de uma pequena estada no Cabo (da Boa Esperança), provavelmente pode retornar ao Rio (de Janeiro), assumindo o comando de outro navio negreiro.

Ele era oficial da marinha brasileira. O tráfico negreiro no Brasil, creio, é visto mais na esfera de uma aventura do espírito e do aprendizado, do que de uma desacreditada forma de empreendimento. É bastante curioso que, entre os capitães de navios negreiros que conheci, dois ou três, sabiam tocar guitarra.

A seguinte ária, composta pelo capitão Árias, um espanhol, foi copiada por mim, com autorização, do livro de músicas da senhorita Apollonia Boonzeier, da baía de Hout (ao sul da Cidade do Cabo):

Capricho del capitan Arias

Camina a orillas del Ebro | Caminha às margens do Ebro
Caballero lidiador. | Cavaleiro lutador.
Puesta en la cuja la lanza | Pois foi com sua lança
Que mil contrarios venció. | Que mil cavaleiros venceu.

Despierta Leonor, despierta. | Desperta Leonor, desperta.
Adios, adios Leonor. | Adeus, adeus Leonor. 
Despierta Leonor, despierta. | Desperta Leonor, desperta.
Adios, adios Leonor. | Adeus, adeus Leonor.

No llores se a saber llegas | Não chores se a saber chegas
Que me matan por trahidor, | Que me matam por traidor,
Que el amarte es mi delito | Que o amar-te é meu delito
Y en el amor non hay baldon. | E no amor não tem ofensa.

Despierta … etc. —  Leia abaixo: “Trovador & trovatore”.

Post - Capricho del capitan

O capitão Arias, depois de alguns meses de detenção no Cabo (…da Boa Esperança), assumiu o comando de outro navio negreiro, na costa da África, mas tendo sido capturado por um severo inimigo, a febre da costa, dizem que morreu em poucas horas.

Junto ao leito ocupado pelo capitão do Progresso, encontrei uma “gage-d’amour” (jura de amor), um belo e elaborado exemplo, com o seguinte verso estampado ao centro de um lenço colorido de seda:

No meio de mil prazeres,
Que gozares com sabor,
Vê nesta pequena oferta
Sinceras provas de amor.

Post - AboliçãoAbolição da escravatura nas colônias francesas, em 1848 (por François-Auguste Biard).

O começo do fim

• 15.05.1820 – A legislação dos Estados Unidos decretou ser o tráfico negreiro pirataria, punível com pena de morte.

• 31.03.1824 – A Grã Bretanha decretou que, a partir de 01.01.1825, qualquer pessoa envolvida com o tráfico negreiro e sendo comprovadamente culpada, “deve se submetida à pena de morte, tal como piratas, criminosos e ladrões.” A pena foi, depois transformada em banimento.

• 15.11.1824 – O estado de Buenos Aires declarou que seus cidadãos, se envolvendo com o tráfico negreiro, devem ser punidos como piratas.

• 23.11.1826 – O Brasil assinou convenção com a Grã Bretanha, estipulando que, passados três anos desta data, o tráfico negreiro deveria ser considerado pirataria.

• 1841 – Áustria, Prússia e Rússia declararam, através de tratado, ser o tráfico negreiro pirataria.

• 1842 – Portugal aderiu, com um tratado semelhante.

– Por Pascoe Grenfell Hill

——

Post - Sumidoiro MARCATrovador & trovatore

A letra do “Capricho del capitan Arias” foi copiada da peça teatral “El trovador”, de García Gutiérrez(1), cuja estreia ocorreu em 1836 e, ao final do espetáculo, o autor teve que subir ao palco para agradecer aos aplausos da plateia. O sucesso continuou em sucessivas apresentações, mas também pela publicação do texto. A narrativa se desenvolve no reino de Aragão – península ibérica –, em torno do ano de 1410.

Anos depois, o compositor italiano Giuseppe Verdi(2) assistiu a peça e nela se inspirou para compor a ópera “Il trovatore”, que estreiou em 1853, em Roma, no teatro Apolo. O libreto foi escrito por Salvadore Cammarano. Em ambas as peças, o enamorado Manrique, um refinado cavaleiro e trovador – o mesmo “caballero lidiador” da canção –, se declara à sua Leonor. São as figuras centrais da história.

• Clique com o botão direito e veja todos: “Memórias do mar” (I, II, III e IV)I | II III 

Tradução, pesquisa e arte de Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

• “Cinquenta Dias a Bordo de um Navio Negreiro no Canal de Moçambique” foi publicado com o título “Fifty Days on Board a Slave Vessel in the Mozambique Chanell, in April and May, 1843” – London, 1844.

——

Post - Gutiérrez(1) GUTIÉRREZ, Antonio María de los Dolores García [imagem ao lado] – (Chiclana de la Frontera, *05.07.1813 / Madrid, †06.08.1884). Dramaturgo, libretista de zarzuela, poeta e escritor. Escreveu o “El trovador – drama cavalleresco en cinco jornadas en prosa y verso”, cuja estreia ocorreu no “Teatro del Príncipe”, em Madri, no dia 1º de março de 1836, e foi a mais aplaudida da história do teatro espanhol. Trata-se de um drama em prosa e verso, desenvolvendo-se em torno da vingança de Açucena, uma cigana, que deixa o trovador Manrique ser morto pelo conde de Luna. Apenas ela sabia que eram irmãos, embora fossem inimigos políticos e disputassem a mão de Leonor. Mas era a Manrique quem de fato Leonor amava e, contrariada no seu desejo, então optou por se envenenar. // Seguinte à fala “despierta Leonor” – aquela que também está na canção –, no teatro, Leonor responde a Manrique: “- Sueños, dejame gozar, no hay duda, el es Trovador…” Ao ver Manrique entrar: “- Será possible?…” E ele exclama: “- Leonor!” Então ela diz: “- Gran Dios! Ya puedo espirar (morrer).” – Jornada III, cena IV.

(2) VERDI, Giuseppe Fortunino Francesco – (Roncole, *10.10.1813 / Milano, †27.01.1901).

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5 Comentários »

  1. Eduardo de Paula. Grande e temente trabalho de pequisa. Tange a nossa sensibilidade.
    Mostra a maldade e pede a Deus misericórdia! Onde estarão, agora, escravos e mandatários para os que acreditam na vida eterna e na justiça do Altíssimo? Seu post arrebata os nervos de quem lê.
    Marilda, cidadã de Lagoa Santa.

    Comentário por maria marilda Pinto Correia — 01/05/2015 @ 8:58 am | Responder

    • Marilda:
      Sou aprendiz da história e da vida. Espero que meu trabalho, quando retrata o bem e o mal, sirva para arregimentar quem queira construir um mundo melhor.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/05/2015 @ 9:10 am | Responder

  2. Eduardo, como sempre me vejo fascinada ao ler suas postagens. Pelo seu cuidado e sua dedicação em divulgar relatos tão importantes da História. O texto nos dá esperança, porque vemos como parecia impossível ter fim aquele horror dos navios negreiros. E acabou. Quero pensar que outros dramas que ainda ocorrerem e que parecem sem solução, poderão também terminar… Que assim seja.

    Comentário por sertaneja — 09/05/2015 @ 10:47 pm | Responder

    • Vírginia:
      De alguma forma, espero estar contribuindo para afastar preconceitos e motivar as pessoas, para que se mirem no espelho, e vejam que somos todos feitos do mesmo barro.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 10/05/2015 @ 5:21 pm | Responder

      • E você está conseguindo isso, Eduardo. De uma forma excelente para todos nós seus leitores. Parabéns.

        Comentário por sertaneja — 10/05/2015 @ 10:21 pm


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