Sumidoiro's Blog

01/08/2015

PALAVRÃO DE CINCO LETRAS

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 7:17 am

♦ Não fale boçal

Certas palavras trazem em si uma carga negativa muito pesada, boçal é uma delas. No dicionário “lusitanicum-latinum” – século XVI –, Jerônimo Cardoso(1) mostra o verbete “boçal cousa” e o relaciona com “rudis, rude”. Mas de onde vem essa “cousa”, melhor dizendo, coisa? Parece que vem de “bueca, buecae”, que é boca, em português. Por sua vez, o órgão da fala é “os, oris”  a ferramenta da oralidade. Contudo, quando usada para falar e sem os devidos cuidados, pode causar maiores ferimentos do que faz uma espada afiada. A coisa rude foi ziguezagueando nas cabeças das pessoas, até se transformar numa palavra para rotular indivíduos desprezíveis, quer sejam homens, mulheres ou crianças.

Post - Não fale boçal“A espada fere o corpo, a palavra faz mal à alma” (Menandro, poeta grego, sec. IV a.C.).

Nos machos humanos, sobretudo quando estão começando a desenvolver o bem falar, há o surgimento de uma barba rala, o mesmo que buço. É uma lanugem que, no limiar da adolescência, brota debaixo das narinas, sobre a boca – “bueca, buecae”. Nessa fase juvenil, naturalmente pouco sabem eles da vida e do mundo. Por isso mesmo, faz muito tempo, algumas pessoas rudes cometeram a brutalidade de os chamar de boçais. Há quem faça isso até hoje…

O dicionário bilingue, de Jean Palet – 1606 –, diz que a palavra espanhola boço” é “la première barbe, poil follet”: a primeira barba, ou pelo, que nasce pela primeira vez. Por outro lado, quando tomou a palavra francesa “apprenty” e fez a tradução para o espanhol, transformou-a em “aprendix, boçal, visoño”.(2) Como se sabe, corresponde em português a aprendiz, boçal e bisonho, ou seja, dá tudo na mesma coisa. Mas não pára por aí. Esse mesmo dicionário mostra a palavra “bozal” – em espanhol, com z – e, quando se traduz para o francês, vira “bossette”, que é o freio de metal que se mete na boca dos cavalos.

Ao mesmo tempo, indica que bozal – na língua espanhola – pode ser tanto substantivo, quanto adjetivo, com a mesma grafia e igual pronúncia. Pelas conotações, trata-se de uma desagradável inconveniência.

Post - Negro boçal← “Bozal or raw-negro, residing in the district of Lima” (Boçal ou negro selvagem, residindo no distrito de Lima – Peru) – Gravura de Richard Phillips, 1805.

Há muitas evidências de que a palavra foi se modificando, até desaguar na denominação atribuída aos negros escravos da América espanhola e portuguesa. Nos países de domínio espanhol, chamavam “bozales” aos cativos oriundos da África, os quais não sabiam falar a língua dos seus senhores. Aos mais brutos e de poucas habilidades, chamavam “bozalones”. Aos que os traficantes traziam para o Brasil, os portugueses denominavam buçais e, daí, derivou a palavra boçal, tão corriqueira até hoje. 

Entendiam todos eles, adeptos do escravagismo, que aqueles negros eram selvagens e, por isso, quase nada sabiam, especialmente porque não falavam a língua do opressor. Contudo, depois que aprendiam a se comunicar, seja em espanhol ou em português, admitiam que tornavam-se mais espertos, daí passavam a chamá-los de ladinos. A palavra ladino tem origem na península ibérica e referia-se às pessoas que aprendiam a língua latina, passando assim à condição de gente de melhor juízo.

Nos dias atuais, admite-se que perduram alguns dialetos denominados bozal falados no Caribe, especialmente em Porto Rico e Cuba. São de fato formas corrompidas da língua dos dominadores. Esse modo deturpado de falar já ocorrera, inicialmente, entre os negros que viveram na península ibérica. Um exemplo se encontra na obra de Gil Vicente(3) – século XV-XVI –, quando o autor português, na peça teatral “Fragoa d’Amor” (Fornalha do Amor). introduziu um personagem negro. Numa cena, ele aparece cantando e Vênus lhe diz:

Prieto, vienes de Castilla? | Preto, vens de Castilha?

O negro reponde clamando liberdade:

Poro que perguntá bos esso?
| Por que perguntas vós isso?
Mi bem lá de Tordesilha; 
| Eu venho de Tordesilha;
Que tem bos de ber co’esso, 
| Quem tens vós de ver com isso,
Qu’eu bai Castilha, qu’eu bem Castilla?
| Que eu vá a Castilha, que eu venha de Castilha?

Pelo testemunho de Gil Vicente, era esse o modo de falar de um negro, em Portugal do início do século XVI. Mas, se usava esse arremedo de português, de uma maneira ou de outra já era ladino. E se, do mesmo modo, isso ocorreu entre eles no Caribe, por que insistir na pecha de boçal que vem até os dias de hoje? Só pode ser pela indomada força do preconceito.

Em 1679, nos “Sermões” – quarta parte – o missionário padre Antônio Vieira usou a torpe palavra, para também rotular o índio brasileiro. Escreveu: “A estrela dos Magos parava, sim, […] as nossas estrelas tornam uma e mil vezes a desandar o já andado, e ensinar o já ensinado, e a repetir o já aprendido, porque o bárbaro buçal e rude, o tapuia cerrado e bruto*, como não faz inteiro entendimento, não imprime nem retém na memória.” —* Negrito nosso.

Tudo indica que a difusão dessa terrível palavra cabe aos cristãos do ocidente. Uma prova disso está na tradução para o espanhol – 1738 – de um texto francês, de Claude Fleury. Trata-se de “Mœurs des israélites et des chrétiens” – 1681 –, que diz:

“Il y a d’autres barbares stupides, come les nègres et les cafres,

Em Espanhol, com a contribuição desse mesmo tradutor, ficou assim:

“Otros bárbaros hay, tontos, como los negros bozales y los cafres,…” (4)

Nesse ponto, é preciso saber que cafre deriva do árabe kafir e que tem sentido pejorativo. Como se sabe, os negros foram primeiramente escravizados pelos árabes, sendo que denominavam cafres àqueles que resistiam em assimilar a religião muçulmana. Por isso mesmo, ao se negarem a aceitar o domínio e a autoridade de Alá, passavam a ser considerados pessoas que encobriam ou ocultavam realidades. Resumindo, eram rotulados de infiéis.

Desse fato e por extensão, surgiu a palavra cafraria, para nomear a comunidade onde se agrupam esses negros. Denominação que, ao mesmo tempo e maldosamente, quer dizer homem primitivo, cruel, rude e grosseiro. Mais ainda, cafrice também quer dizer uma ação própria dessa gente ou, ainda, barbaridade e suma ignorância.(5) 

Na África do Sul, particularmente nos tempos do “apartheid”, a palavra kafir foi utilizada de modo pejorativo, para diminuir os negros. Atualmente por lá, embora continue sendo usada para dizer pessoa negra, ao pronunciá-la é preciso estar alerta com a carga negativa que traz em si.

Post - Bozo← Capa de disco do palhaço Bozo.

E não parou por aí, visto que sempre há alguém disposto a machucar seu semelhante. Assim, em 1910, surgiu a infeliz variação bozo, para denominar uma pessoa fisicamente débil, boba e incompetente. Pois há quem diga que derivou de boçal. No ano de 1940, a Capitol Records utilizou o nome para “batizar” o palhaço Bozo, que ficou conhecido por toda parte. O personagem cresceu e apareceu, tendo seu nome incorporado aos dicionários da língua inglesa: bozo – a fellow, especially a big, strong, stupid fellow” – (gíria).

Paralelamente, para juntar-se a essa coleção de termos racistas e ofensivos, inventaram no Brasil o cabra, que tem sido usado desde os tempos coloniais. Serve para designar indivíduos miscigenados, de ancestralidade indeterminada, geralmente mulatos e cafuzos. Em Portugal, criaram a palavra cabrão, para se referir ao macho da cabra – o bode – mas também, pejorativamente, ao marido que aceita a mulher adúltera, o mesmo que corno, cornudo ou chifrudo.

Da mesma maneira, na Espanha, existe a palavra “cabrón”, com serventia para uma série de xingamentos, entre eles, corno, chifrudo, frouxo, covarde, sacana. Em Cuba: enfezado, mal-humorado, mas, também, experiente, astuto. No México: pessoa de mau caráter. Em alguns países da América do Sul: rufião, gigolô.

Post - Ânus do bodeOs valdenses adorando o traseiro do bode.

Historicamente, as palavras cabra e bode têm sido depreciadas, especialmente quando associam o bicho às bruxas, ao desvario sexual e ao capeta. Ambos têm chifre, rabo e odor hisrcinus*. Para citar apenas um exemplo, há um manuscrito malicioso, produzido em torno do ano 1460, intitulado “Sermo contra sectam vaudensium” (Sermão contra a seita dos valdenses), ilustrado com uma série de bruxas cruzando os ares, montando vassouras, e acompanhadas de vários diabos. Um deles completa a cena pisando em terra, encarnado em um bode, que oferece a região glútea para a adoração dos adeptos. — Odor hircinus = cheiro de bode.

Na Bíblia, o bode – o mesmo cabrão ou “cabrón” – é um personagem importante. No Antigo Testamento, ele aparece fazendo o papel de bode expiatório. Está assim no Levítico:

“Arão imporá as duas mãos sobre a cabeça do bode vivo, e confessará sobre ele todas as iniquidades dos israelitas, todas as suas desobediências, todos os seus pecados. E os porá sobre a cabeça do bode e o enviará ao deserto pelas mãos de um homem encarregado disso. O bode levará, pois, sobre si, todas as iniquidades deles para uma terra selvagem; e enviará o bode para o deserto.”

Post - El cabrón“El gran cabrón” – o diabo, reunido com as bruxas (Francisco de Goya, 1798).

Na tradição brasileira, o “cabra” – o outro nome do bode –, tal como nas Escrituras, é quem carrega a culpa e paga pelos outros, ou seja, expia-os. Aqui, para o mal ou para o bem, o povo criou seu jeito de acolher tanto o quadrúpede, quanto seus arremedos em forma de gente. Em o “O rabicho da Geralda”, um canto popular do nordeste brasileiro, coligido no Ceará pelo poeta José de Alencar(6),  delineia-se com humor uma dessas figuras:

Resolveram-se a chamar
De Pajeú um vaqueiro;
D’entre todos que lá tinha,
Era o maior catingueiro. 
Chamava-se Ignacio Gomes.
Era um cabra curiboca,
De nariz achamurrado,
Tinha cara de pipoca. * 

* Pajeú: sertão em Pernambuco. / Catingueiro: que sabe lidar no mato da caatinga. / Curiboca ou cariboca: mestiço de sangue europeu e caboclo (índio + mulato). / Achamurrado: achatado.

Os dicionários escancaram a maldade definindo o substantivo cabralhada, que nomeia um conjunto de mamíferos quadrúpedes, mas também uma bugrada, canalhada, congada, etc., que são palavras para denegrir(7). Do nordeste vieram algumas variações, ora de bondade, ora de maldade: cabra macho = homem valente; cabra escovado = homem esperto; cabra da peste = homem mau; cabra de aió = homem bobo; cabra da mulesta – cabra da moléstia –, para dizer sujeito ruim, perigoso. E outras mais…

Como se vê, cabra é sujeito. E assim, para piorar as coisas, conseguiram criar uma terrível expressão mestiça com o casamento de duas palavras, uma adjetivando a outra: cabra boçal. Essa então é demais!

Post - CabrochaAlegria geral na favela, onde todas as cores se misturam (Di Cavalcanti).

Por outro lado houve um certo alívio, quando alguém lembrou-se de dar nome a uma formosa criatura, resultado de bom tempero racial: cabrocha – feminino de cabra gente. A uma delas o poeta Orestes Barbosa dedicou a canção “Chão de estrelas”. Dois versos:

Meu barracão no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou… 
E hoje, quando do sol a claridade 
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou. 
……
A porta do barraco era sem trinco 
Mas a lua, furando o nosso zinco, 
Salpicava de estrelas nosso chão…
Tu pisavas os astros, distraída,
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão.

Post - Cabras da mulestaBando do cangaceiro Lampião, um punhado de “cabras da mulesta”.

Tal como bichos, os homens foram escravizados e domados também pela palavra, e é difícil saber quem foi mais maltratado: a cabra bicho, o cabra homem ou o boçal. Esse menosprezo ao ser humano é revelado nos anúncios dos jornais brasileiros. Num deles, como se vê na figura abaixo, iguala-se um um ser humano a um bicho, ao dizer que uma mulher negra e uma cabra preta, ambas eram boas produtoras de leite.

Post - CabrasJornal “O Cruzeiro”, Recife, 05.06.1829.

No “O Farol Paulistano”, jornal de 27.04.1830, um padre clamou pela recuperação de sua propriedade:

“Fugiu do Vigario da Escada aperto de dous mezes um escravo da nação minna de nome Antonio idade quase que quarenta anos, alto, cára riscada, feições redonda poucos cabelos, so na ponta da barba. É meio calvo pelo aturado costume de carregar (de conduzir qualquer coisa sobre a cabeça). E o melhor que tem por signal, a barriga toda lanhada, e uma profunda cicatriz em uma perna. Levou camisa e sirolas de algodão. Não tem xapéo, e nem cuberta. Este demais a mais hé tão buçal (negrito nosso) que apenas saberá nomear – Padre Moureira ou Freguezia da Escada por seu domicilio – Emfim deseja o dicto Sr. ter toda e qualquer noticia, que saberá ser grato.” 

Noutro anúncio, de compra e venda de escravos, no “O Cruzeiro”, do Recife, de 16.03.1831, as palavras mostram o espírito do negociante. Veja a ilustração abaixo.

Post - O CruzeiroJornal “O Cruzeiro”, Recife, 16.03.1831.

E de tanto nomear bicho e pessoa com a mesma palavra, em certos momentos tornou-se necessário separar as criaturas. Ao vender um animal quadrúpede, por exemplo, costumavam escrever: “vende-se huma cabra (bixo), sem cria...”. Veja a ilustração abaixo.

Post - Cabra bixoAtenção, é bicho, não é gente! Jornal “O Cruzeiro”, Recife, 11.03.1830.

De fato, recomendava-se muita atenção para não sair comprando gato por lebre, melhor dizendo, cabra gente por cabra bicho. Dois anúncios diziam: o primeiro – “Quem quiser comprar huma cabra preta, muito boa leitera, derija-se a rua do Cutuvello, n.º 411.”; o segundo – “Quem quiser vender uma escrava, que seja preta, ou cabra, parida de pouco, e com bom leite, e cria, annuncie para ser procurado.”  Jornal “O Cruzeiro”, Recife, 05.06.1829.

Post - Ela é boçalJornal “Diario do Rio de Janeiro”, 12.07.1821 : “ella ainda he boçal … e não falla Portuguez”.

Melhorzinho ficava o negro se fosse nascido no Brasil, portanto aprenderia falar português e não receberia a pecha de boçal, seria crioulo e ladino. Crioulo tornou-se um termo polissêmico que, na sua etimologia, deriva de criar(8). Era a criatura – homem ou mulher – nascida na casa do seu senhor, que embora com novo rótulo, também tornava-se escrava.

Post - CrioulosCrioula e crioulo: Jornal “Diario do Rio de Janeiro”, 18.06.1821 e 13.09.1821.

De alguma forma, a opressão continua. Na internet, encontra-se o lamento de uma jovem brasileira, que diz: “Sou muito tímida e sempre pegaram no meu pé por isso, já me chamaram até de “neguinha boçal”. Acham que, pelo fato de não me aproximar muito das pessoas, de início sou metida…”

Contudo, ao correr do tempo, a maldita palavra foi se aperfeiçoando como arma para ferir e dominar quem quer que seja. Também o substantivo boçalidade serviu para desqualificar tanto negros, quanto índios e mestiços. Agora serve até para os brancos. O dicionário(9) da UNESP traz o verbete e explica: “Boçalidade – falta de discernimento; estupidez; ignorância. Ex: Parece que a boçalidade tomou conta de tudo.” 

Aqui está uma pequena história de xingamentos e do buço que virou boçal. Serve para mostrar que é passada a hora de jogar o palavrão no lixo.

Texto e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

———

 (1) CARDOSO, Jerônimo – (Lamego, PT, *1508 / †1569) O nome varia nas suas diversas obras: em 1551 – primeira obra – como Hieronymi Cardosi; em 1562, como Hieronymi Cardosi Lamacensis; em 1569, como Hieronymu Cardosum; ainda aparece assim: Hieronymvm Cardosvm ou Hieronymus Cardosus. / Obra citada: “Dictionarivm latino lvsitanicvm et vice versa lusitanico latinum”, 1643 – 8ª edição, Lisboa, impressor Lourenço de Anvers.

(2) PALET, Jean – “Dicionário muy copioso de la lengua española y francesa”, Bruxelles, 1606.

(3) VICENTE, Gil – (c.*1465 / c.†1536?) Considerado o primeiro grande dramaturgo português; renomado poeta.

(4) FLEURY, Claude – (Paris *06.12.1640 / Paris +14.07.1723) Eclesiástico e historiador – “Il y a d’autres barbares stupides, come les nègres et les cafres, en qui l’on ne trouve nul sentiment de religion e nulle ouverture d’esprit pour tout ce qui n’est pas sensible et palpable. De tous ces gens-la, il faut en faire des hommes avant que d’en faire des chrétiens.” / Há outros bárbaros estúpidos, como os negros e os cafres, nos quais a gente não encontra nenhum sentimento de religião e nenhuma abertura de espírito por tudo aquilo que não é sensível e palpável. Com toda aqueles indivíduos, é preciso primeiro fazê-los homens, antes de fazê-los cristãos

(5) FARIA, Eduardo – “Novo Dicionario da Lingua Portugueza”, Lisboa, 1850. / Fonte da informação.

(6) ALENCAR, José Martiniano de – (Messejana (CE), *01.05.1829 / Rio de Janeiro, †12.12.1877) Jornalista, político, advogado, romancista e dramaturgo.

(7) DENEGRIR vem do verbo DENIGRIR (século XVII), que significa tornar(-se) negro ou escuro; obscurecer(-se); macular; manchar. Não tem conotação com indivíduo negro.

(8) Em alguns países da América, de colonização espanhola, a palavra criollo foi e é usada para designar o filho de pais europeus, especialmente aqueles originários da Espanha e descendente somente deles. Contudo, há exceções. Ao longo do tempo, a palavra adquiriu inúmeras nuances, tanto na Europa quanto na América. Na Argentina, por exemplo, é usada para se referir aos filhos dos antigos espanhóis que vivem no interior do país. Na fronteira do Rio Grande do Sul com Argentina e Uruguai, a palavra crioulo serve para designar o gaúcho tradicional.

(9) BORBA, Francisco S. – “Dicionário do Português Contemporâneo”, Universidade Estadual Paulista, 2004.

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6 Comentários »

  1. Eduardo: Parece que cada povo tem um número para acreditar no azar. Na minha família, evitavam o número sete, mas me colocavam sete letras nos nomes. Certa vez, uma benzedeira me aconselhou ir ao cartório e mudar meu nome. Não acreditei. Para uns sete é alegre e cinco exotérico. Um padre não quiz batizar uma prima, pois tinha o nome Malene, nome da cantora do tempo da guerra.
    Muito bons e inesperados são seus temas. Mais uma vez: Parabéns!
    Maria Marilda

    Comentário por Maria marilda pinto correia — 01/08/2015 @ 9:50 am | Responder

    • Marilda:
      Sempre recebo o prêmio do seu aplauso. Por isso, meu muito obrigado.
      Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/08/2015 @ 4:28 pm | Responder

  2. Olá Eduardo, como sempre muito interessante seu texto.
    Minha avó, Júlia, nasceu em Pernambuco e, quando esteve aqui em Minas Gerais, tudo era “cabra”. Usava também “filho do cancro, bulir, avexado, bucho, bichinha”, e tantas outras palavras e expressões que gostaria de ter ouvido mais, para conhecer sua cultura. Era algo bom de ouvir. Ela até contou que, quando o bando de Lampião passava, a sua família se escondia no mato, porque o bando saqueava as casas. Conheci o uso da palavra “cabrão” em Portugal, através de histórias que me fizeram rir muito. Mas, enfim, gostei bastante das suas colocações e pesquisa, sempre pertinentes.
    Abraço, Julia Pinheiro.

    Comentário por Julia Pinheiro — 01/08/2015 @ 1:28 pm | Responder

    • Júlia:
      Muito obrigado pelas palavras estimulantes e gentis.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/08/2015 @ 4:32 pm | Responder

      • Virgínia, sertaneja:
        Fico feliz com seu comentário. Muito obrigado e um abraço do
        Eduardo.

        Comentário por sumidoiro — 31/08/2015 @ 3:43 pm

  3. Aprendi muito. Mas isso é o que sempre acontece lendo seus textos. A palavra boçal conhecia também, significando pessoa pedante, esnobe. Um chato, por assim dizer. Aqui, em Montes Claros, era comum usar boçal com esse significado. Lembro de um parente meu olhando uma foto do Ronnie Von e dizendo “cara de boçal”. Acho que estava apenas com inveja da beleza do moço.

    Comentário por sertaneja — 31/08/2015 @ 1:19 am | Responder


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