Sumidoiro's Blog

01/12/2015

PARAÍSO AO PÉ DA SERRA

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 8:43 am

♦ Viagem à nova capital

Um italiano, Carlo Fabricatore, saiu a cavalo de Sabará, em 1894, curioso em conhecer a então muito falada nova capital ou Cidade de Minas. Assim chamavam a cidade que nascia para substituir Ouro Preto como sede do governo de Minas Gerais. Esse viajante presenciou o início da construção de Belo Horizonte.

Post - Igr Boa ViagemAntiga igreja matriz da Boa Viagem do Curral del Rei.

Cinco localidades entraram nas cogitações das autoridades e dos representantes políticos, mas chegaram apenas duas na disputa final. Poderia ser edificada na Várzea do Marçal – em São João del Rei – ou em Belo Horizonte – ao pé da serra do Curral. Por decisão do congresso mineiro, venceu a segunda, atendendo recomendação de Antônio Augusto de Lima, que governava o estado em 1891. A transferência foi aprovada em 17.12.1893, embora sob acirradas discussões e divergências entre os congressistas(1).

Em seguida, no dia 14.02.1894, foi aprovado o regulamento(2) determinando como se organizaria a Comissão Construtora da Nova Capital e pormenorizando as providências necessárias para dar início à construção. Um mês depois, foram iniciados os trabalhos, sob o comando geral do engenheiro-chefe Aarão Leal de Carvalho Reis.

O jornal “Minas Geraes”, de 25.12.1894, publicou o testemunho de Carlo Fabricatore, jornalista, que viu a capital nascer com o nome de Cidade de Minas. Seu relato:

Post - Épenosa atualmente a viagem de Sabará a Belo Horizonte. O cansaço, porém, é mitigado pela curiosidade dos lugares. Entre aquelas extensas terras, pelas quais passa, que foi pródiga em belezas. Montes, colinas, planícies, tudo é soberbamente pitoresco, não menos estranho, algumas vezes, na vegetação original e nos característicos minerais. A topografia apresenta-se acidentada. É essa justamente a terra das minas.

O caminho serpeando por entre as estreitas gargantas e rápidos declives torna-se cada vez mais difícil, devido às últimas chuvas torrenciais. As enxurradas, em alguns pontos, têm aberto fendas e, em outros, acumulado pedras e muita terra. Os carros que transportam víveres e mercadorias adiantam-se penosamente. As rodas já não cantam mais, ouvem-se somente as vozes dos carreiros, roucas, à força de incitar os bois.

Post - Curral d'El Rei maqueteMaquete de trecho do Curral del Rei.

É uma viagem que cansa mas, quando começam a aparecer as primeiras casas do território destinado à nova capital, o panorama apresenta-se esplêndido e os pulmões saciam-se de ar puríssimo. Vale bem o esforço de lá ter chegado. Um horizonte maravilhoso. Os caipiras acharam o nome digno desse paraíso: belo horizonte*. — * Primeiramente, o paraíso chamou-se Curral del Rei, depois Belo Horizonte, mudou para Cidade de Minas e voltou a ser Belo Horizonte.

O solo do território é geralmente constituído de argila, misturada com grande quantidade de óxido de ferro, que lhe dá uma cor vermelha. Em alguns pontos é semelhante aos terrenos de Ribeirão Preto. É terra fertilíssima.

Fora do perímetro habitado, do lado sul, a vegetação diminui gradativamente, até desaparecer na serra do Curral, cujo solo é formado totalmente de minerais de ferro. Outros trechos abundam em granito de boa qualidade.

Post - Curral Del _ 1896Curral del Rei (1896).

O principal curso de água, em Belo Horizonte, é o rio das Arrudas*, que tem muitos afluentes. A água é considerada ótima, sendo esta uma das razões para a escolha da localidade em que se vai erguer a capital de Minas. Hoje, quem chega a Belo Horizonte, só pode admirar a salubridade do lugar. — * Arruda é um arbusto.

Tudo quanto deverá constituir o esplendor da nova capital está em desenhos já prontos, aos quais somente falta a aprovação do governo e, pequena parte, em estudos. Calculando que tudo se fez em nove meses de trabalho, é visto que já se fez muito. Os escritórios de engenharia, cujo pessoal é numeroso, estão em boa ordem.

A ordem, sem dúvida, aumenta o trabalho e, por isso, merecem louvores o dr. Aarão Reis, em primeiro lugar. O arquiteto Magalhães, chefe das construções, o primeiro engenheiro Hermillo Alves e o secretário geral dr. Fábio Leal, todos homens de admirável atividade.(3)

O plano de Minas* (demos à futura cidade seu novo nome) é completo. O seu perímetro é extenso, bem capaz de conter 200.000 habitantes, como foi decretado, tendo-se deliberado que a colocação dos edifícios formará um grande xadrez. — * Nome aprovado pelo Congresso Mineiro, em dezembro de 1893: Cidade de Minas. 

Não se estabeleceu, ainda, o local onde serão erguidos os palácios do presidente e da administração, cujos desenhos revelam dois edifícios imponentes e de gosto artístico admirável. A cidade será atravessada por uma avenida de 50 metros de largo e extensa para mais de três e meio quilômetros, a qual terá o nome de Afonso Pena(4). Será arborizada, como também as outras ruas, que serão espaçosas e ornadas com suntuosas construções. Enfim, uma verdadeira cidade moderna, “great attraction” dos brasileiros e dos estrangeiros.

Post - A LIma & AarãoDois fundadores – Augusto de Lima e Aarão Reis – e o palácio da Liberdade.

O projeto de encanamento e depósito das águas, trabalho estupendo, já está concluído. O estudo mais importante, ao qual a comissão dos engenheiros está ligando toda sua atenção, é o de esgotos. Outro estudo, que brevemente será concluído, é o da divisão dos lotes.

Parti de Belo Horizonte trazendo as mais belas impressões, tendo a certeza de que todos os estudos continuarão com a mesma animação e atividade, como até agora, de modo que, ao findar o prazo marcado, se possa inaugurar a nova capital, que deve abrir na quase inexplorada região do norte deste estado novas fontes de riqueza e prosperidade.

É certo que o governo do estado de Minas atende louvavelmente ao desenvolvimento desse grande território. As estradas de ferro, dia a dia, abrem novos caminhos para o progresso das terras quase ermas e desconhecidas, por causa das grandes distâncias. A mão do homem cria novos mundos lá onde os répteis têm seus velhos ninhos e as feras espantosos covis. Aqueles que, nessas regiões inexploradas passam vida quase primitiva, fugirão, talvez espantados pelo apito da locomotiva. Porém, as gerações futuras alegrar-se-ão ao achar no paraíso que pela natureza lhes foi concedido, o que faltou aos seus antepassados, a civilização.

Tudo devido aos eminentes homens que, neste fim de século, foram providencialmente chamados para governar, administrar e desenvolver o imenso e rico território do estado de Minas Gerais. — Carlo Frabricatore.

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Post - Sumidoiro MARCAA vila ao pé da serra

Conta o historiador Augusto de Lima Júnior(5) que, em 1709, chegou ao Rio de Janeiro um navio extremamente danificado, pilotado por Francisco Homem del-Rei, que o abandonou, então seguindo para Minas Gerais. Consigo levou a imagem da padroeira da embarcação, até que se estabeleceu com um curral numa das vertentes da serra das Congonhas, em sesmaria do bandeirante Borba Gato. Na outra vertente da elevação, estava assentado o arraial dos Campos de Congonhas das minas de ouro.

Junto ao seu curral, Francisco logo construiu uma capela, que veio a se transformar na igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem. Do mesmo modo, com o passar do tempo, o curral tornou-se um arraial, com o nome de Curral del Rei; a serra das Congonhas, serra do Curral; e, por sua vez, o arraial, que nasceu como Campos de Congonhas, também foi mudando de nome: Congonhas de Sabará, Vila Nova de Lima, até a denominação atual, Nova Lima(6).

Mais adiante, em 1716, o fervoroso Francisco pediu licença ao bispo do Rio de Janeiro para que frei Francisco de São Jerônimo, vigário da paróquia de Sabará, pudesse celebrar na capela edificada em pau a pique e coberta de palha. Como tardou a resposta, fez novo pedido, mas então ao rei. Outra vez houve demora e, quando a autorização chegou, já tinham edificado umas poucas casinholas do povoado. Nesse meio tempo, também a capela tornara-se mais espaçosa e confortável.

Post - Largo do RosárioLargo e primeira capela do Rosário (proximidades do nº 1200 da rua Espírito Santo).

Uma variação dessa história é narrada pelo historiador Abílio Barreto(7). Na sua opinião, o fundador do arraial teria sido o sertanista João Leite da Silva Ortiz. Disse ele: “Logo depois de fundada a fazenda do Cercado, foi surgindo o povoado, ao qual os habitantes deram o nome de Curral del Rei.” Contudo, alguns documentos trazem divergências a essa versão, como aponta Waldemar de Almeida Barbosa(8) , quando diz que, “no mesmo ano em que foi concedida a sesmaria do cercado, já o arraial do Curral del Rei era mencionado em várias outras sesmarias; na de Joseph Ribeiro, lê-se: ‘Um sítio defronte ao Curral del Rei…’

Um dos primeiros a vislumbrar qual seria o futuro do povoado foi o padre Francisco de Paula Arantes. Na época em que foi vigário da paróquia, entre 1829 e 1830, enviou uma mensagem profética ao curato de Mariana, dizendo:

A Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem de Curral del Rei está situada em campos amenos na extensa planície de sua serra, donde manão imensas fontes de cristalinas e saborosas águas; o clima da região he temperado; a atmosphera he salutifera; está circulada de pedras e mais materiais, onde se podem fazer soberbos edifícios; a natureza criou este logar para sua formosa e linda cidade, si algum dia for auxiliada esta lembrança.”

E tem mais… Naqueles tempos, em que a aldeia era apenas um pequeno casario ao pé da montanha, a cada hora e a cada dia, podia-se ver no firmamento um espetáculo de encher os olhos. Contrapondo-se à serra do Curral, na extensão leste-oeste, onde a terra se mistura ao céu, a natureza fazia pinturas com luzes. Principalmente ao entardecer, quando os moradores não cansavam de exclamar: “- Que belo horizonte!” Se não foi exatamente assim, pelo menos vale imaginar como surgiu o nome.

E faz sentido, pois relembram os memorialistas que, no limiar da Primeira República(9), o coronel Juca Vaz* – presidente do Club Republicano do Curral del Rei – promoveu uma enquete para mudar o nome do arraial. As preferências recaíram sobre Terra Nova, Santa Cruz, Cruzeiro do Sul, Nova Floresta e Novo Horizonte – o mais votado. Contudo, Daniel Cornélio de Cerqueira, professor e morador do Curral del Rei, sugeriu trocar por Belo Horizonte. — * José Carlos Vaz de Mello.

Post - Comissão constr BHComissão construtora da Nova Capital.

A luta pela capital

Desde 1720, Ouro Preto foi capital das Minas Gerais, mas já vinham dos tempos da Inconfidência mineira os apelos pela mudança da sede do governo. No âmbito legislativo, a primeira tentativa formal nesse sentido ocorreu pelo empenho do vigário Agostinho Francisco de Souza Paraíso(10), natural do Serro. Foi quando era deputado na Assembleia Provincial onde, em 1867, apresentou proposta de edificar uma cidade em algum lugar entre as vilas do Jequitibá* e a do Guaicuí, esta última situada onde o rio das Velhas desemboca no rio São Francisco. — * Jequitibá: situada a 35 km a nordeste de Sete Lagoas.

Embora naquele momento o projeto tenha sido aprovado, sua iniciativa revoltou o povo de Ouro Preto e houve quem tivesse ganas de agredi-lo nas ruas. Só não foram às vias de fato em respeito à sua batina. Logo depois, a decisão foi descartada por Machado de Sousa(11), então presidente da província.

Com a destituição de d. Pedro II e o fim da monarquia, em 1889, o marechal Deodoro da Fonseca assumiu o comando da república do Brasil, como chefe do Governo Provisório. Em Minas Gerais, foram indicados sucessivamente três governadores, que exerceram mandatos breves e provisórios. Em 24 de julho de 1890, em quarto lugar, foi designado Crispim Jacques Bias Fortes e, simultaneamente, Deodoro decretou que os governadores dos estados convocariam as assembleias legislativas, até abril de 1891.

Pouco depois, Bias Fortes deixou o governo para presidir o senado e a Assembleia Constituinte** estadual – em sistema bicameral –, composta de 24 senadores e 48 deputados, com poderes para aprovar a constituição, assim como eleger governadores, vice-governadores e adotar os demais procedimentos necessários para implantar o novo governo. — *Governador provisório de 24.07.1890 a 11.02.1891. **A Constituinte foi instalada no Palácio do Governo, em Ouro Preto, em 07.04.1891.

Ao mesmo tempo, instituiu-se uma “Comissão dos Onze”, escolhida entre senadores e deputados, incumbida de dar parecer no projeto da constituição, ao qual incluiu-se a indicação da nova capital do estado. Essa última questão não constava da proposta inicial, mas foi introduzida a pedido de Antônio Augusto de Lima, governador que fora nomeado para substituir Bias Fortes. A inciativa, contudo, serviu para atiçar as ideias e os debates mudancistas  que estavam adormecidos.

Post - A papuda

← Uma papuda da cidade de Traíras, MG (revista “O Malho).

Como consequência e movidos por interesses principalmente regionalistas, vozes poderosas clamaram por toda parte, sugerindo outros lugares, embora muitos deles se configurassem como verdadeiros despropósitos. Num aspecto, as palavras do relatório dos “Onze” foram veementes ao afirmar que “tendo levantado em uma parte importante da população mineira, a ideia de mudar-se a Capital do Estado, a maioria da comissão resolveu escolher, para a colocação desta, a região do Rio das Velhas…”

Durante os debates, entraram em cogitação as cidades de Belo Horizonte, Barbacena, Paraúna, Juiz de Fora e Vila do Marçal (junto a São João del Rei). Esta última chegou praticamente a ser a vitoriosa, até que houve a reversão das expectativas.

Por sua vez, contra Belo Horizonte pesava a maliciosa tradição de ser terra de matutos e papudos. Contudo, naquela época, pouco sabiam sobre o mal da papeira que, na verdade, era produzido pela carência de iodo no organismo, causadora de um aumento absurdo da glândula tireóide. Pegando nisso e para defender sua terra – Barbacena –, o influente padre, poeta e professor Correa de Almeida(12) usou sua imaginação para denegrir a concorrente. E assim foi que, usando sua língua ferina, passou a chamá-la pelo antigo nome, recitando:

• Para o Curral del Rei

Ao congresso propõe-se na mensagem
Que lá para o Curral del Rei se mude
A velha capital, que, bronca, e rude, 
Em si reune toda a desvantagem!

Congressistas é certo que reagem,
Se nisto o meu bestunto não se ilude;
Apesar da beleza da altitude,
Tem seu que de ruindade essa paragem.

A proposta portanto há de ir abaixo
Depois que a discussão atice o facho
De voraz, caloroso, ardente fogo.

Conforme está provado por estudos,
Os curraleiros todos são papudos
E todos eles devem ao Diogo.

É bem verdade que havia no arraial uma mulher que ficou conhecida como a Maria Papuda. Morava num miserável casebre, onde hoje fica o palácio da Liberdade. Diziam que era feiticeira e com ela surgiu a primeira lenda da nova capital. Contam que, quando já estava definida a mudança e ao ser obrigada a desocupar o terreno, fizeram-no arrastada pelas mãos de militares. Saiu sim, mas praguejando, dizendo que quem almejasse viver naquele terreno morreria logo.

No entender dos supersticiosos foi dito e feito, e levaram um susto, quando o primeiro governador eleito para a fase da nova capital – Silviano Brandão* – morreu antes de tomar posse. Desse modo, a lenda entrou para a história da cidade. — * Francisco Silviano de Almeida Brandão, eleito para o mandato de 15.11.1902 a 15.11.1906; faleceu em 25.09.1902.

Post - Maria papudaMaria Papuda e sua cafua, onde está hoje o palácio da Liberdade.

Pois bem, voltando um pouco atrás, quando ainda prosseguiam os acalorados debates sobre a mudança, houve a manifestação pessoal do então governador Antônio Augusto de Lima, em 07.04.1891, através de uma mensagem ao Congresso Constituinte. Suas palavras:

“O governo, no intuito de concorrer para a solução desta magna questão, depois de estudal-a em todas as suas faces, nomeadamente quanto à localidade mais própria à edificação da nova cidade, habilitando-se com os esclarecimentos e informações exigíveis, chegou à conclusão de que nenhum outro logar reune maior soma de condições para o fim em vista, do que o planalto denominado Bello Horizonte, no vale do Rio das Velhas, no município de Sabará, onde possui o Estado considerável extensão de terrenos.” (13)

Post - Parecer A LimaRascunho de Augusto de Lima, recomendando Belo Horizonte como nova capital.

A par dos pareceres técnicos bem explicitados, os interesses regionalistas estavam influindo na escolha da nova capital. Até mesmo Aarão Reis deixara-se envolver pelo clamor político, ao manifestar sua preferência pela Vila do Marçal, apesar das condições ambientais menos favoráveis. Foi o que se viu, em 16.06.1893, quando chegou o momento de Aarão Reis dar sua opinião, “estabelecendo as premissas que decorrem das análises parciais das cinco localidades indicadas”.

1- Barbacena – “… não oferece […] condições topográficas que permitam o estabelecimento, em boas condições técnicas e higiênicas, de uma cidade superior a 50.000 mil habitantes…”

2 – Paraúna (no centro de Minas Gerais, próxima a Curvelo) – “… não se prestam suas condições topográficas e sanitárias e a contraindica, pelo menos na atualidade, o grande afastamento em que se acha dos meios de rápida e fácil comunicação…”

3 – Juiz de Fora – “… sua colocação, aquém da Mantiqueira e afastada, portanto, do centro territorial mineiro, sua inconveniente proximidade da capital federal* (* Rio de Janeiro) […] suas tendências já acentuadamente industriais, o próprio rápido desenvolvimento […] e até o fato de ir ser, muito breve, a sede aduaneira do Estado, – tudo aconselha que não seja a escolhida…”

4 – Várzea do Marçal (junto a São João del-Rei) e Belo Horizonte – “… é difícil a escolha. Em ambas a nova cidade poderá se desenvolver-se em ótimas condições topográficas, em ambas é facílimo o abastecimento de água e a instalação de esgotos; ambas oferecem excelentes condições para as edificações e a construção em geral e, na atualidade, a Várzea do Marçal representa melhor o centro de gravidade do estado, e acha-se já ligada, por meios rápidos, com todas as zonas […]

É porém de notar que, na Várzea do Marçal, há muito maior área de terrenos devolutos […] e a execução desta exigirá menos dispêndio; acrescendo que Belo Horizonte será mister, desde logo, construir um ramal de ferro de 15 km, ligando-a a Estrada de Ferro Central do Brasil.”

“Por todos esses motivos, […] é preferível que a nova capital seja edificada na Várzea do Marçal…”

Post - Capela de SantanaVioleiro, cafua, casal de noivos e capela de Santana (cercanias da praça da Liberdade – 1894).

Nesse sentido, é preciso destacar que na 15ª reunião, em 12.12.1893, houve um debate acirrado mas, habilidosamente, o deputado Manoel Teixeira da Costa(14) soube manifestar-se e fez cair por terra o argumento do bócio que poderia excluir Belo Horizonte. Disse ele:

“Sr. Presidente, o ilustrado médico […] Pedro Drumond* foi a Belo Horizonte de propósito a examinar aquela localidade e conhecer de visu a verdade do que se dizia sobre o bócio. S. Exa. verificou a inexatidão dessa afirmação e, tanto assim que […] está de acordo com o parecer do dr. Pires de Almeida*. [Ele] disse o mesmo dos indivíduos atacados do bócio, cujo número é limitadíssimo, tendo apenas encontrado oito, durante os 3½ meses que esteve em Belo Horizonte. O número de cretinos é ainda mais limitado, tendo o dr. Pires de Almeida encontrado apenas um […] Disse mais, que a moléstia só tem atacado a classe dos indigentes e não se pode citar um único caso entre indivíduos que se alimentam regular e suficientemente.”

A argumentação funcionou e, na mesma sessão, foi discutida e aprovada a emenda:

“Sobre o local designado para sede da nova capital de Minas. Ao art. 1º, em vez de Várzea do Marçal, diga-se Belo Horizonte. Sala do Congresso, em Barbacena, 12 de dezembro de 1893. – P. Drumond, Rebello Horta, Augusto Clementino, Bernardino de Lima, Viriato Mascarenhas, Teixeira da Costa.” (15)

E, finalmente, no dia 17.12.1893, foi aprovada a lei nº 3, adicional à constituição do Estado, que oficializou a escolha da nova capital que deveria se chamar Cidade de Minas.

A inauguração e as meninas 

Post - Inauguração BHDia da inauguração. À direita, o coreto provisório para o ato solene.

Em 22.05.1895, Aarão Reis transferiu a chefia da comissão construtora para o engenheiro Francisco Bicalho que, em 12.12.1897, entregou oficialmente a Cidade de Minas ao governador Bias Fortes e ele, imediatamente, decretou:

“… É declarada instalada a Cidade de Minas e para ela a sede dos Poderes Públicos do Estado de Minas Gerais. Os secretários de Estado dos Negócios do Interior, da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e das Finanças assim o tenham entendido e façam executar. / Palácio da Presidência do Estado de Minas Gerais, na Cidade de Minas, 12 de dezembro de 1897. — Crispim Jacques Bias Fortes – Henrique Augusto de Oliveira Diniz – Francisco Antônio de Salles.”

O documento foi referendado e assinado em um pavilhão construído para tal fim, na praça da Liberdade, e depois lido aos presentes por Estevão Lobo, oficial de gabinete da presidência. Em seguida, diversas bandas de música se uniram a tocar o hino nacional. Ao final, confetes e flores foram atirados sobre o presidente, enquanto os aplausos da multidão soavam estrondosos.

Post - Nasc EmíliaEmília nasceu na Nova Capital, em 12 de 10brº (dezembro) de 1897.

No mesmo dia 12, também houve comemoração pelo nascimento de Emília, filha de um casal de italianos(16). Um registro da igreja da Boa Viagem mostra que a menina foi dada à luz naquele domingo, dia de Nossa Senhora de Guadalupe, protetora da América Latina.

Mas houve quem reivindicasse o primeiro lugar, ou seja, o de ter sido a primeira criança a nascer no dia da inauguração. Quem disse isso foi a filha de Angela Coracci e do artista-pintor italiano Luigi Canfora(17), e que teria vindo ao mundo à primeira hora da madrugada. Seus pais lhe deram o nome de Minas mas, quando foram registrá-la, alguns dias depois, o escrivão José Pedro da Costa anotou o nome completo: Minas Horizontina Canfora.

Luigi e Angela chegaram à capital com quatro filhos e, depois, tiveram mais três. Canfora era pintor e trabalhou com seus pincéis decorando prédios oficiais e residências particulares. Minas, quando adulta, casou-se com o primeiro chofer de praça de Belo Horizonte, Generoso Pacheco – natural do Rio de Janeiro –, e passou a assinar também o sobrenome do marido.

Post - Minas HorizontinaMinas Horizontina Canfora Pacheco, a primeira belo-horizontina (foto: revista O Cruzeiro).

A vida continua

Dias após após a inauguração, em 29.12.1897, o governador do estado – Chrispim Jacques – assinou o decreto de criação da prefeitura municipal, dando vida própria à cidade. No início do ano seguinte, o “Jornal do Commercio (RJ)(18), de 14.09.1898, publicou:

“A cidade foi estudada para uma população de 200 mil habitantes […] A parte em construção é […] destinada a uma população de 30 mil […] O parque dispõe de uma área de 64 hectares* e, da sua construção, foi contratado o paisagista sr. Villon, que tomou parte nos trabalhos de ajardinamento do Campo d’Aclamação, Quinta da Boa Vista** e outros importantes em vários países. — * Hoje, o Parque Municipal está reduzido a 18,2 hectares. / ** Ambos no Rio de Janeiro.

[…] a cidade é toda iluminada à luz elétrica, sendo a força motriz fornecida pela água do ribeirão das Arrudas, que é represado por uma barragem de alvenaria, no lugar denominado Freitas(19). […] A separação entre a zona urbana e a suburbana é feita por uma grande avenida de contorno, denominada 17 de Dezembro.

Os mananciais […] para o abastecimento da cidade […] são o córrego da Serra e o do Cercadinho […] O ribeirão das Arrudas é canalizado na extensão de 2 quilômetros […] tem duas pontes de ferro(20), uma denominada David Campista* e outra artística, na av. Tocantins, trabalho da “Societé Anonyme de Forges, Ateliers et Constructions de Bruges.” — * Em frente à estação ferroviária, depois transferida para a rua Guaicurus.

Com a recente implantação do Boulevard Arrudas, as duas obras de arte históricas de ferro fundido, importadas da Bélgica, tomaram rumo ignorado. Delas só resta a saudade…

Post - Ponte David CampistaPonte David Campista: acesso à av. do Comércio (atual Santos Dumont). Primeira obra concluída.

Dois anos depois da inauguração, pela lei nº 302, de 01.07.1901, a Cidade de Minas voltou a ter seu nome anterior: Belo Horizonte. Naturalmente continuou crescendo e, com o passar do tempo, foi ganhando sua própria identidade. Pelo 1º recenseamento municipal, em princípios de 1905, possuía 17.615 habitantes, os quais 9.026 eram analfabetos, sendo que 371 tinham filiação ilegítima, embora esse dado seja discutível. No distrito, havia 3.213 edificações urbanas, suburbanas e rurais.

Pelo 2º recenseamento de 31.12.1911 – praticamente seis anos depois – seu perfil humano tornou-se mais definido. Contaram-se “39.884 habitantes, sendo 38.347 católicos, 55 ateus, 1 materialista, 91 espíritas, 386 protestantes e 10 livres-pensadores. Nas profissões, havia 76 advogados, 37 médicos, 1.444 agricultores, 781 cozinheiros, 179 alfaiates, 817 funcionários públicos, 20 padres, 19 doceiras, 40 choferes (cinesíforos), 159 costureiras, 150 pintores, 9 parteiras, 131 sapateiros, etc.

A colônia estrangeira era formada por 2.963 italianos, 334 espanhóis, 325 portugueses, 208 turcos(21), 118 alemães e alguns africanos, ingleses, belgas, franceses, norte-americanos, sírios, japoneses, etc.” (22)

Post - Parque & córregoA – Parque Municipal, B – Ponte sobre o Acaba Mundo, C.Escola Normal (Instituto de Educação).  

As festividades

Bem mais tarde, o 12 dezembro tornou-se data oficial para comemorar o aniversário da cidade, por sugestão dos Diários Associados e por decisão do prefeito Soares de Mattos, quando a capital completava 37 anos de idade, em 1934(23). O evento, denominado Dia da Cidade e feriado, se repetiu até o ano 1993, quando o prefeito Patrus Ananias revogou o decreto(24). Atualmente, a municipalidade ainda comemora, mas em dia útil, através de programações oficiais focadas em lazer e cultura.

A partir de 1967, Belo Horizonte ganhou mais uma data para festejos, o 15 de agosto – dia santo e feriado –, quando passaram a celebrar tanto a Assunção de Maria quanto a Nossa Senhora da Boa Viagem, esta escolhida como padroeira(25). A festa da Assunção é uma das mais antigas da Igreja. Já no ano 600 a igreja católica reservava a data para relembrar as virtudes, os sofrimentos e as obras da mãe de Jesus Cristo. A Assunção foi declarada um dogma da Igreja em 1950, pelo Papa Pio XII.

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Post - Flor de arruda

Flor de arruda (Ruta graveolens).

Protegida também por uma plantinha, com fama de afastar feitiços, quebrantos e maus olhados, aquele paraíso ao pé da serra nasceu com sorte. Talvez o arbusto arruda(26) se espalhasse pelas margens do seu principal curso d’água, o ribeirão das Arrudas. Segundo os antigos, a planta era de muita serventia, pois espantava maus olhados, curava a maleita e fazia muito mais. Naqueles tempos, as gentes cantavam(27):

Arruda tem vinte folhas,
No meio seu arrodeio;
Trata de mim que sou teu,
Deixa de amores alheios.

Pois é, ainda há muita história a ser contada… Por enquanto e para encerrar, vai a descrição de uma caminhada noturna na recém-nascida capital, tendo como cenário as imediações da av. Carandaí, junto ao parque municipal e o córrego Acaba Mundo(28) (veja foto acima). É uma rememoração poética do escritor Pedro Nava(29), vivida no início do século XX: “Ouvíamos o murmurar do riacho, olhávamos as estrelas longínquas, inundávamo-nos de lua cheia e do cheiro das árvores que farfalhavam à brisa de Belo Horizonte. Um perfume nos seguia que era o da cidade menina.”

Pesquisa, texto e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

• Clique com o botão direito e leia mais: “Passeio com a loura”.

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(1) Votaram a favor de Belo Horizonte os seguintes congressistas: Chrispim Jacques Bias Fortes, Manoel Teixeira da Costa, João Gomes Rebello Horta, Frederico Augusto Alvares da Silva, Camilo Augusto Maria de Britto, Francisco Ferreira Alves, Virgílio Martins de Mello Franco, José Pedro Xavier da Veiga, Joaquim Cândido da Costa Senna, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, João Nepomuceno Kubitscheck, Álvaro da Matta Machado, Francisco de Paula Rocha Lagoa, Antônio Martins Ferreira da Silva, José Pedro Drumond, Theodomiro Alves Pereira, Eugênio Salles, Augusto Clementino da Silva, Sabino Barroso Júnior, Nelson Dario Pimentel Barbosa, José Tavares de Mello, Augusto Gonçalves de Souza Moreira, Viriato Diniz Mascarenhas, Henrique Augusto de Oliveira Diniz, Bernardino Augusto de Lima, João Luiz de Almeida e Souza, Manoel Fulgêncio Alves Pereira e Carlos Marques da Silveira. – Trinta votos contra 28.

(2) Decreto nº 680, de 14.02.1894, assinado pelo presidente do Estado de Minas Gerais, Affonso Augusto Moreira Penna, em Ouro Preto. / Regulamento assinado por David Moretzson Campista, secretário de Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas; publicado na mesma data.

(3) MAGALHÃES, José de – Engenheiro e geógrafo, diplomado no Rio de Janeiro e Paris. / ALVES, Hermillo – Engenheiro civil diplomado pela Escola Central da Bahia. / LEAL, Fábio Nunes – Bacharel em direito.

(4) PENNA, Affonso Augusto Moreira – (Santa Bárbara – MG, *30.11.1847 / Rio de Janeiro, †14.06.1909). Advogado e jurista, membro do Partido Republicano Mineiro, deputado federal, governador do estado de Minas Gerais (de 1892 a 1894), vice-presidente e presidente do Brasil (entre 15.11.1906 e 14.06.1909). No seu governo foi decidida a mudança da capital de Ouro Preto para Belo Horizonte.

(5) LIMA JÚNIOR, Antônio Augusto de – (Leopoldina – MG, *13.04. 1889 / Belo Horizonte, †26.08.1970) Advogado, magistrado, jornalista, poeta e historiador. Filho primogênito de Antônio Augusto de Lima e Vera Monteiro de Barros Suckow de Lima.

(6) Nova Lima – Surgiu no fim do século XVII, quando bandeirantes vieram em busca do ouro existente na região. Primeiramente, chamou-se Campos de Congonhas. Em 1836, tornou-se distrito, subordinado ao município de Sabará, com o nome de Congonhas de Sabará. Em 05.02.1891, foi emancipada, passando a município, com o nome Vila Nova de Lima, em homenagem a Antônio Augusto de Lima. Finalmente, em 1923, recebeu o nome que permanece até o presente, Nova Lima.

(7) BARRETO, Abílio Velho – (Diamantina – MG, *22.10.1883 / Belo Horizonte, †17.07.1957) Escritor, poeta, jornalista, historiador e político.

(8) BARBOSA, Waldemar de Almeida – “Dicionário Histórico-Geográfico de Minas Gerais”, Editora Itatiaia, 1995, p. 46.

(9) Primeira República ou República Velha – (1889-1930) Com a proclamação da república no Brasil, instituiu-se um governo provisório, chefiado pelo Marechal Deodoro da Fonseca, para dirigir dirigir o país até que fosse elaborada uma nova Constituição. Em 24.02.1891, foi promulgada a Primeira República e a Segunda Constituição. No dia seguinte à promulgação da constituição, foram eleitos pelo Congresso Nacional, o primeiro presidente e o vice.

(10) Projeto do deputado padre Paraíso, na 7a. Seção Ordinária, em 06.11.1867, Assembleia Provincial, em Ouro Preto: “Sr. presidente, vou ocupar a atenção da casa com dois projectos, que julgo de suma importância: […] o segundo porem contem materia de subida importancia, gravissima, porque demanda emprego de grandes capitães para a sua realização; mas se ele parece inconveniente por este lado, oferece por outros vantagens incalculaveis. / Trata-se, senhor presidente, da capital para as margens do Rio das Velhas. Não é dado a ninguem desconhecer que a opinião da provincia está formada a respeito dessa questão; não se pode mesmo desconhecer que na consciencia de Minas é ella reclamada, como medida de salvação. […] / Considerando que abaixo do Rio das Velhas temos uma grande estrada fluvial* (*o rio das Velhas), que a natureza nos deo, entendi que para suas margens, lugar mais central, devia propor a transferencia. […]” — Fonte: “Diario de Minas”, 16.11.1867.

(11) SOUSA, José da Costa Machado de – Presidente da província de Minas Gerais, de 24.10.1867 a 25.08.1868.

(12) ALMEIDA, Padre José Joaquim Correa de – (Barbacena – MG, *04.09.1820 / Barbacena, †06.04.1905. // Poema da papuda “Para o Curral del Rei”, Barbacena, 12.04.1891.

(13) Mensagem publicada na íntegra no jornal “Estado de Minas Gerais”, de 11.04.1891, primeira página.

(14) COSTA JÚNIOR, Manoel Teixeira da – (Lagoa Santa, MG, *10.08.1833 / †10.07.1913) Senador estadual de 1886 a 1906.

(15) Emenda Drumond, assim ficou conhecida por ter sido apresentada pelo senador José Pedro Drumond, natural de Santa Bárbara.

(16) Arquivo da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte – Batismos, Nossa Senhora da Boa Viagem – 1872/1898, p. 276v.

(17) CANFORA, Luigi – Idade: 34 anos – Embarcado no vapor Alacrità [tradução: Entusiasmo]. Dependentes e idades – Esposa: Angela, 33; Elvira, 8; Alfredo, 6; Italia, 5 e Fedora, 2. (Informação dos registros da Hospedaria de Imigrantes de Juiz de Fora / Livro SA-920 / p. 76 – 20.04.1897.

(18) Republicado no jornal “Minas Geraes”, de 16.09.1898. / Texto original de Ernesto de Senna.

(19) Usina Freitas – Foi construída aproveitando uma queda d’água do ribeirão das Arrudas – região leste –, nas proximidades da atual Granja Freitas, aquém de Caetano Furquim, quase divisa com o município de Sabará. // Para sua instalação, contou com a assistência técnica de Bernardo Mascarenhas. Gerava 225 kW. // Em 1907, com maior capacidade geradora, entrou em funcionamento a segunda usina, denominada Rio das Pedras, em Itabirito.

(20) Ponte David Campista“O sr. Dr. Aarão Reis […] submeteu à aprovação do governo o projeto de uma elegante ponte que terá de ser construída sobre o ribeirão das Arrudas, na praça da estação da futura cidade. […] assim exprime em ofício de 6 do corrente mês: ‘Como esta é a primeira obra que terá de ser construída (concluída? – obs. de Sumidoiro’s) na nova cidade, proponho que, em justa homenagem ao ilustre cidadão que, como Secretário da Agricultura, organizou esta comissão […] seja essa ponte denominada David Campista.’” – Fonte: “Minas Geraes”, nº 67, 10.03.1896. — Instalada sobre o ribeirão das Arrudas, no início da av. do Comércio, atual av. Santos Dumont. Mais tarde, em 1924, a ponte de metal David Campista foi deslocada para a entrada da rua Guaicurus. No seu lugar, construiu-se outra de concreto, que recebeu o nome de Raul Soares, conforme decreto nº 6, de 20.12.1924, assinado pelo prefeito Flávio Fernandes dos Santos. Recentemente, com a implantação do Boulevard Arrudas a ponte de metal foi retirada. // Ponte da av. Tocantins – De acesso à av. Tocantins, atual av. Assis Chateaubriand. Enquanto existiu ficava sob o viaduto Santa Tereza, que foi construído em 1928.

(21) Os imigrantes otomanos, sírios e libaneses, que chegaram ao Brasil antes da Primeira Guerra mundial, eram chamados impropriamente de turcos, porque vinham com passaporte ou identidade turco-otomana. Naquela época, a geografia política era outra. Síria e Líbano não eram países independentes. Daí vem a tradição equivocada de chamar esses povos de turcos.

(22) Fonte dos dados sobre recenseamentos: “Livro de Ouro comemorativo do Centenário da Independência do Brasil e da Exposição Internacional do Rio de Janeiro”, 1922/1923.

(23) Decreto nº 191, de 12.12.1934 – (Revogado pela Lei nº 6370/1993) – “Institue o “Dia da Cidade”. O Prefeito de Bello Horizonte, usando de attribuições legaes, desejando comemorar o anniversario da inauguração de Bello Horizonte, e prestar ao mesmo tempo merecida e significativa homenagem a quantos administradores, politicos, technicos e particulares ligaram as suas actividades e seus nomes illustres á grande realização que é hoje justo orgulho do Brasil e do povo mineiro, decreta: Art. 1º – Fica instituido o “Dia da Cidade”, o qual será feriado municipal, commemorado cada ano a doze (12) de dezembro, data da inauguração da cidade de Bello Horizonte, Capital do Estado de Minas Geraes. / Art. 2º – Revogam-se as disposições em contrario. Mando, portanto, a quem o conhecimento e execução do presente decreto pertencerem, que o cumpra e faça cumprir tão interamente como nelle se contém. / Bello Horizonte, 12 de dezembro de 1934. / José Soares de Mattos, Prefeito de Bello Horizonte – João Lúcio Brandão, Secretario / Publicado e registrado nesta Secretaria da Prefeitura de Bello Horizonte, aos doze dias do mes de dezembro de 1934.

(24) Lei nº 6370, de 12 agosto de 1993 revoga leis, resoluções, decretos e decretos-leis que menciona e dá outras providências. […] Belo Horizonte, 12 agosto de 1993 / Patrus Ananias de Souza, Prefeito de Belo Horizonte — Anexo III: Decretos e Decretos-lei revogados por esta lei […] Decreto nº 191 de 12 de dezembro de 1934.

(25) Lei nº 1.327 de 08.02.1967 – Publicada no Diário Oficial Municipal, em 09.02.1967 / Fixa os dias feriados religiosos no município.

(26) A arruda – Ruta graveolens – é uma planta da família das rutáceas. / Segundo Luis Gomes Ferreira – médico em Sabará, MG –, no mais antigo tratado de medicina e cirurgia de Minas Gerais, é um “Remedio Particular e segurissimo para meleytas”: “Erario Mineral”, Oficina de Miguel Rodrigues, Lisboa, 1735. / Por não haver as necessárias evidências documentais, são possíveis outras interpretações para o nome ribeirão das Arrudas, ou do Arrudas.

(27) GÓES, Carlos – Advogado, catedrático do Ginásio Mineiro, membro da Academia Mineira de Letras / “Mil Quadras Populares Mineiras”, 1916, p. 65.

(28) Córrego Acaba Mundo – Nascia na serra do Curral, lá no fim do mundo. / O curso d’água foi canalizado e encoberto. Começava na serra do Curral, passando por onde hoje está a av. Uruguai; prossegue pela rua Grão Mogol e, depois, toma o rumo da rua Professor Morais; continua pela av. Afonso Pena, até chegar no Parque Municipal e, finalmente, deságua no ribeirão das Arrudas.

(29) NAVA, Pedro da Silva – (Juiz de Fora – MG, *05.06.1903 / Rio de Janeiro, †13.05.1984) Médico e escritor.

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16 Comentários »

  1. Eduardo: Magnífica pesquisa, que deveria sair do Post e ser levada aos estudantes e demais pessoas de toda Minas Gerais. Como sempre, texto audacioso, que serve de referência para quem quer conhecer a história do Brasil.

    Comentário por Maria Marildapinto Correa — 01/12/2015 @ 1:23 pm | Responder

    • Marilda:
      Cara leitora, suas palavras são estimulantes. Agradeço-lhe muitíssimo.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/12/2015 @ 2:05 pm | Responder

  2. Eduardo,

    mais uma bela história das Minas! Como sempre, nota-se o zelo e o grande trabalho de pesquisa. Parabéns,
    João Vianna

    Comentário por jbvianna — 04/12/2015 @ 5:05 am | Responder

    • João:
      Nossa Minas realmente tem belas histórias. À toda hora me surpreendo em minhas pesquisas. Continuo garimpando.
      Um abraço e o muito obrigado do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 04/12/2015 @ 6:58 am | Responder

  3. Eduardo,

    Ao comentário feito por Maria Marildapinto Correa, só me resta acrescentar que ler seus textos é sempre um prazer para mim. Linguagem correta, precisa, encadeamento perfeito dos fatos, fontes inusitadas, seleção primorosa de informações, tudo isso faz de seus textos um deleite para o espírito. Parabéns, meu caro amigo!

    Pedro Borges

    Comentário por Pedro Faria Borges — 04/12/2015 @ 9:38 am | Responder

    • Pedro:
      As palavras de estímulo, de você, meu especial leitor, servem para dar-me fôlego para continuar escrevendo. Aguarde o próximo Post que já está embrulhado para presente.
      Um abraço do Eduardo

      Comentário por sumidoiro — 04/12/2015 @ 2:12 pm | Responder

  4. Praticamente nada sabia sobre a história do surgimento da nossa capital. Ah, dona Maria Papuda danada! Mas, cá pra nós, com tanta terra, se engraçaram logo no lugar onde estava a cafua ? Cafua que nada, era o seu lar! Bem que a entendo. As fotos são deslumbrantes. A da ponte David Campista me fez até pensar que Belo Horizonte foi mais bonita que hoje.

    Comentário por sertaneja — 09/12/2015 @ 12:08 am | Responder

    • Virgínia:
      Pois é, nosso estado de Minas Gerais tem muita história que está se perdendo. Precisamos divulga-la, principalmente entre os mais jovens, senão perderemos nossa identidade.
      Muito grato e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 09/12/2015 @ 8:28 am | Responder

  5. Sou natural de BH, onde nasci em junho de 1961. Apesar de minha “alma” ter nascido em Passa Tempo, aqui pertinho, Centro Oeste de Minas, onde fui criado. Mas, foi aqui em BH que, trabalhei e me aposentei no ano de 2010. Ainda moro, onde criei meus filhos. A única coisa que me incomoda é a tal da pichação. Dá uma certa angústia, ver tantos muros, prédios e residências pichados. Deviam criar leis mais duras para os pichadores. O que mais impressiona, que essa bestialidade vem justamente da parte de “estudantes”, e nem tanto, de pessoas simplórias como parece. Tenho um registro de venda de terreno em BH, de 1897, antes da inauguração da Nova Capital. cuja senhora D. Francisca (segundo Abílio Barreto), foi uma das primeira moradoras de BH. Caso tenha interesse de postar – posso digitalizar e, enviar-lhe por gmail. Parabéns BH, parabéns pelas belas postagens!….

    Comentário por marcos mauricio mendes lima — 12/12/2016 @ 9:29 am | Responder

    • Marcos:
      Concordo em tudo com você. Tenho uma teoria sobre a origem da pichação e, também, a certeza de que a imprensa muito colaborou e tem colaborado para isso. Começaram dizendo que seria uma forma de arte e, agora, a coisa está incontrolável. É preciso ter, inclusive, certa cautela em abordar esse assunto, porque os vândalos estão à solta e ganhando, cada vez mais, prestígio na mídia.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 12/12/2016 @ 9:41 am | Responder

  6. Caro conterrâneo Eduardo,
    também belo-horizontino, mas de coração ouro-pretano, deixo aqui um abraço pelo magnífico presente que Você oferece neste 12 de dezembro à nossa Belo Horizonte.
    Angelo Oswaldo

    Comentário por Angelo Oswaldo de Araújo Santos — 12/12/2016 @ 11:27 am | Responder

    • Angelo:
      O Post foi publicado em dezembro de 2015. Agora, estou recomendando sua leitura aos amigos(as). Conto-lhe uma curiosidade pessoal, nasci no antigo hospital São Lucas. É um prédio velho, que ainda existe, e fica ao lado do novo hospital, na av. Francisco Sales.
      Um abraço e muito obrigado, do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 12/12/2016 @ 1:00 pm | Responder

  7. Excelente, Eduardo, na forma, no estilo e no conteúdo. Continue sempre, faz bem a todos que o leem. Abração e boas festas, João Carlos.

    Comentário por joão carlos pinto dias — 13/12/2016 @ 9:12 am | Responder

    • João Carlos:
      Suas palavras são valiosas e me encorajam. Desejo-lhe também Boas Festas e meu forte abraço. Muito grato, Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 13/12/2016 @ 9:26 am | Responder

  8. Excelente a matéria. Sou amigo do João Amilcar, sou quase conterrâneo dele, pois vivi minha adolescência em Nepomuceno, mas sou, de nascimento, de São João Del Rei e não sabia que a minha terra natal esteve cogitada para ser a capital de Minas. Parabéns.
    Rosalvo Reis.

    Comentário por Rosalvo Reis — 25/12/2016 @ 9:47 pm | Responder

    • Rosalvo:
      Tudo isso é verdade. Você viu que mostrei documentos. Todo dia 1 lanço um novo Post. Tenho surpresas para 2017. Avisarei a você por email.
      Muito obrigado e felicidades no Ano Novo, do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 26/12/2016 @ 8:30 pm | Responder


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