Sumidoiro's Blog

01/03/2016

SONHANDO COM A LOURA

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 7:07 am

♦ Na cova não existe tempo

Em Belo Horizonte, ao cantar dos galos, uma linda e jovem mulher, que fora enterrada no Bonfim, principal cemitério da cidade, despertou do seu sono sepulcral. Daí a pouco, sairia invisivelmente para um passeio pelos mais interessantes recantos da cidade. Pois tive a sorte de passar uma jornada ao seu lado…

Post - Anjo no BonfimUm anjo vela pelo bom sono das almas do Bonfim.

Aproveitando a lenda da Loura fantasma do Bonfim, estou a misturar fantasia com realidade, como uma forma de descrever pedaços da história de Belo Horizonte e, também, algumas vivências. Até o momento, circula apenas a versão da sua viagem noturna de retorno ao cemitério.

Diziam os antigos que a linda mulher, sempre à meia-noite, pegava o bonde na rua do Chumbo* e percorria a cidade assombrando notívagos distraídos, até chegar ao cemitério do Bonfim. Contudo, novos detalhes da sua rotina foram a mim revelados, por ela própria, a partir desse encontro fortuito que tivemos. É claro que, se à noite ela retornava ao túmulo, é porque, em algum momento, dele teria saído. Então, vamos lá! — * Mudou para rua Professor Estevão Pinto.

Contou-me a Loura ter adquirido o hábito de bater pernas pela cidade desde a década de 1940, quando ainda estava viva e a população não atingira os 250 mil habitantes. E tanto gostou que, depois de ter virado fantasma, passou a fazê-lo todo dia, só retornando à casa no início da madrugada.

Comentou que, desde há muito tempo, seu trajeto ao longo do dia tem se prolongado até a serra do Curral. E, sempre ao chegar naquele ponto, faz uma pausa para meditação e descanso. À noitinha, desloca-se então para o bairro da Serra, de onde retorna ao eterno abrigo no Bonfim. Se não me falha a memória, foi isso que dela ouvi. 

Post - Ciganinho & Zé MunizCiganinho morto e Zé Muniz capturado.

Aliás, a rua de acesso à necrópole, a Bonfim, é de variado interesse histórico, tendo sido palco de terríveis embates entre o bem e o mal. Um deles ocorreu no final daquela via, em 22 de fevereiro de 1947 – sábado –, exatamente na esquina de rua Mariana, justo à porta do cemitério. Ali, às 9 horas da noite, os bandidos do temido bando de Zé Muniz assassinaram o juiz aposentado Eurico Leopoldo Bulhões Dutra, que se deslocara para o ermo local.

A vítima, “um velhinho simpático de 76 anos de idade, muito vivo e jovial, (era) excelente contador de anedotas. Deputado estadual, durante três legislaturas, estava aposentado como juiz municipal de Belo Horizonte. Quase toda cidade o conhecia e, especialmente a família forense lhe dedicava filial afeição. […] Desfecharam três tiros contra o ancião, que foi atingido no peito, à queima-roupa.” * Certamente, o notívago imprudente, ao frequentar o sítio mal afamado**, não imaginava a enrascada em que estava se metendo. — * Revista O Cruzeiro (RJ), 29.03.1947, p. 34. / ** Ao final da década de 1940, as ruas Bonfim, Mauá e Paquequer estavam invadidas pela prostituição e pelo crime.

De fato, só Deus sabe exatamente quem foi o autor ou foram autores do crime, pois compunham o bando, além do Zé Muniz, os desajustados Ciganinho e Corisco. Contudo, devido à proeminência social do juiz, deflagrou-se enfurecida caça aos bandidos. Nisso, resultou que, em 26 de fevereiro de 1947, Ciganinho foi barbaramente assassinado num confronto com a polícia. No mesmo dia, Zé Muniz foi preso e, depois, condenado a 78 anos de prisão por todos os seus crimes. Recolhido então à penitenciária de Neves*, bateu-lhe o arrependimento, transformando-se em detendo modelo e ainda ajudando o padre a celebrar missa. — * Penitenciária Agrícola de Neves.

Tais fatos e mais alguma coisa comentei com a Loura, de modo que ela percebeu que tínhamos afinidades e interesses culturais comuns. E isso fez com que me convidasse para acompanhá-la numa jornada pela cidade. Sentindo-me lisonjeado com o convite, aceitei, mas antes fiz uma pergunta: “- E se me virem com uma fantasma?” Porém, sem pestanejar, ela respondeu: “- Durante o dia sou transparente.”

Mas voltei com outra pergunta: “- E por que estou a lhe ver?” Ela respondeu: “- Sou um espectro e tomei corpo só para você.” Ainda insisti: “- Como assim? E ela disse melhor: “- Sou tal como a luz, que se revela nas cores do arco-íris. 

Post - Bonde Loura fantasmaApós a faina diurna, à noite a Loura voltava no bonde da linha Serra-Bonfim.

Rua abaixo

Lisonjeado pela deferência e confiança que a Loura depositara em mim, tomei ânimo para nosso passeio histórico. Daí, a companheira, tão linda quanto o arco-celeste, propôs descermos de bonde pela rua Bonfim. Mas, ponderei que não mais existiam bondes, ao que ela respondeu: “- Comigo tudo existe!” Evidentemente não contestei e lá fomos numa aventura pelo passado.

Logo que nos acomodamos no banco de madeira, tratei de esclarecer que eu nascera em 1937 e, de lá para cá, consigo lembrar-me de muita coisa. A Loura encurtou o assunto com um sorriso e disse: “- Já sei…”

O condutor, então, soprou o apito, dando ao motorneiro autorização de partida e assim o bonde movimentou-se rua abaixo. Logo que vi um poste com uma faixa branca, as memórias começaram a brotar em minha mente. Indicava um ponto de parada, em frente ao casarão que fora residência de meus avós, Pedro Netto e Francisca, a Chiquinha.

Meu tio, Carlos Alberto, morou ali. Dissera-me que, naquele bairro da Lagoinha, vivera os mais felizes dias da sua vida, porque era lugar de gente pobre e simples, descendentes dos operários construtores da nova capital. Explicava que, anteriormente, havia morado no bairro de Lourdes, lugar de outros mais ricos e sofisticados. Vai daí que ele, filho de pais menos aquinhoados pela fortuna, na rua Bonfim passou a viver como que entre iguais.

A Loura já havia esclarecido que faríamos o percurso variadamente. Em alguns trechos caminhando, noutros de automóvel e até a cavalo, de modo a apreciar tudo da melhor maneira possível. Até que chegamos à praça Vaz de Melo, na margem esquerda do ribeirão das Arrudas(*), lugar muito tumultuado, com muita gente circulando, homens e mulheres de vida airada, e intenso comércio. Ali havia, para corridas de aluguel, tanto automóveis – carros de praça** –, quanto caminhões e carroças puxadas a cavalo. Enfim, revi o local que sempre fora verdadeira balbúrdia, bem pior do que hoje em dia. Alguma coisa ainda permanece, tal como era. Que bom passear com uma fantasma e poder misturar o presente com o passado! — * Arruda é um arbusto que deu nome ao curso d’água. / ** Carro de praça: antigo táxi. 

A zona

No nosso passeio virtual, tão logo atravessamos o ribeirão das Arrudas e chegamos à sua margem direita, sentimos a turbulência do lugar, principalmente na rua Guaicurus. Naquele momento, a Loura tirou da bolsa duas folhinhas de arruda, colocou uma atrás da minha orelha e outra na sua. Disse que era para nos trazer sorte e evitar os maus olhados. Estávamos na zona boêmia, ponto alto do comércio dos prazeres, mas que, por isso mesmo, era frequentada por todo tipo de marginais e devassos. A Loura disse-me que o lugar era território do demônio, muito diferente da sua morada no Bonfim*. — * Ainda existe em menor escala.

Aproveitei para falar do cabaré da madame Olímpia – na avenida Oiapoque – e dos dancings que existiram na Guaicurus: o Chanteclair e o Montanhês. Os dois primeiros não foram do meu tempo, o terceiro eu conheci. Nele havia uma ótima orquestra e taxi gilrs para quem quisesse rodopiar pelo salão. As moças traziam, pendurados ao pescoço, uma bolsinha com fichas e um picotador de papel. A duração da dança correspondia ao número de perfurações no cartão, de modo que o usuário fizesse o acerto à saída.

Post - Agricultura & F AmostrasSecretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas (primeira denominação), e Feira de Amostras.

Na avenida

Pois bem. Adiantamos uns dois quarteirões e logo atingimos a área central da cidade. E decidimos apear no ponto de parada onde existiu o primeiro mercado da capital, no início da avenida Afonso Pena. A edificação, uma bela obra de arte em ferro fundido, fora importada da Bélgica, mas teve vida breve e foi demolida para construir a Feira de Amostras. O prédio substituto, que estávamos então a admirar em pensamento, possuía salas de exposições de produtos variados e, no mesmo lugar, funcionava a rádio Inconfidência*. A pouca distância, vimos a Secretaria da Agricultura**. — * Em 1965, foi demolido para a construção do atual terminal rodoviário / ** Atualmente, o prédio da av. Paraná, 56,  funciona como posto policial.

No auditório da Inconfidência – comentei com a Loura –, dei boas gargalhadas assistindo as representações do cômico Zacarias(*) – Mauro Facio Gonçalves –, que desejou também um dia ser pintor e foi meu colega na escolinha do Parque Municipal, do mestre Guignard. Quando Zacarias faleceu, em 1989, meu mundo perdeu um pouco da sua graça. — Do grupo dos Trapalhões: Didi, Dedé, Mussum e Zacarias.

Também na Inconfidência me emocionei ouvindo Clara Nunes cantar. Aliás, quando colaborei na produção visual do programa Alta Tensão, no começo da tv Itacolomi*, pude conviver com Clara e Zacarias. Comentei isso com a Loura e ela me fez relembrar que a cantora, natural de Paraopeba, mudara-se para a capital devido a uma tragédia familiar. — * Inaugurada em 08.11.1956.

Aos 15 anos de idade, Clara vivia ela na vizinha Caetanópolis, órfã de pai e mãe, mas criada pelos irmãos. Porém, envolvera-se numa relação amorosa com o menor Adilson, que abusou da namoradinha, fazendo o que devia e o que não devia, a ponto de revoltar Zé Chilau, seu irmão e protetor. A consequência foi que o irmão, para lavar a honra da irmã, assassinou o garoto. Porém, para livrar Zé Chilau da responsabilidade, Clara assumiu o crime, mas sentindo-se arrasada, mudou-se para Belo Horizonte em busca de esperança*. Assim foi o começo de vida da brilhante artista** — * Fonte: clique botão direito, aqui. ** Clara faleceu no Rio de Janeiro, ao se submeter a uma cirurgia.

Post - Cine AvenidaCinema Avenida e publicidades da época: Sabonete de Haya e Guaratônico.

Ainda viajando na memória, chegamos no meio do quarteirão da avenida Afonso Pena, do lado direito de quem sobe – entre rua Curitiba e Tupinambás –, onde vislumbrei o cinema Avenida. O belo edifício, marcado pelo número 372, fora inaugurado em 1910 e demolido, penso, na década de 1950. Dizia um antigo anúncio* que era “frequentado […] pelo que Bello Horizonte tem de mais chic e selecto de sua sociedade…” Naquela sala, como era comum no início do século, apresentavam também espetáculos de variedades. Revista Novo Horizonte, outubro-1910. 

Disse à Loura que, na minha juventude, frequentei o Avenida. No lugar da usual cortina do palco, havia um imenso painel rígido que subia e descia. Era todo preenchido com publicidades, tais como as do sabonete de Haya, para a pele; Guaratônico, para dar força e vigor; sapataria Zeferina, para calçar bem e outras facilidades para melhorar a vida.

Post - Cine Avenida programa“Dressed to Kill” – Amar para Morrer – (1928). / Jornal Diário de Minas (BH), 04.11.1928.

Porém, a companheira tomou-me a palavra e disse: “Há coisas ainda mais antigas… Um vizinho meu de sepultura contou-me que, num domingo de 1928, divertiu-se a valer no cine Avenida. Primeiramente, assistiu o filme Amar para Morrer, com Edmund Lowe e Mary Astor. Depois, no palco, viu o espetáculo da ‘troupe’ de acrobatas chineses, os Yumazettis. Era anunciado como um número vindo diretamente do Wintergarten, de Berlim – com os maiores acrobatas sério-cômicos da atualidade’. Pois fique sabendo, esse é o motivo de denominarem muitas dessas casas cine-teatros.”

Foi daí que voltaram à minha mente as imagens de Lowe e Astor, e as lembranças do tempo em que o cinema era feito com parcos recursos técnicos, mas muita criatividade. Tive vontade de rever os dois, ela fazendo o papel de femme fatale, no Falcão Maltez (1941), e contracenando com Humphey Bogart, sob a direção de John Huston. — * “The Maltese Falcon” – primeira direção de Huston – foi indicado para três Oscars e é considerado um dos maiores filmes de todos os tempos.

Post - Af Pena c bondeBonde na Afonso Pena, entre São Paulo e Praça 7. – (A) Feira de Amostras.

E assim fomos, passeando e trocando de calçada, de um lado para outro. Até que chegamos em frente ao número 612, do lado direito, na esquina com rua Carijós. Tornei a ver o Campeão da Avenida, casa de loterias que oferecia uma cornucópia* cheia de dinheiro aos esperançosos belo-horizontinos. — * Cornucópia: recipiente em forma de chifre, que armazena a fertilidade, a abastança, a riqueza, a felicidade e também representa a agricultura e o comércio.

Em seguida, ao adentrarmos a praça 7 de Setembro, consegui reconstituir no pensamento o lugar mais significativo para mim, o prédio da Equitativa, onde trabalharam minha mãe Maria Nazareth, meu avô Pedro e meu tio-avô Oscar. Desse momento em diante, tive que comentar com a Loura um pouco da minha história familiar.

A edificação, de dois andares, embaixo era ocupada pela livraria e papelaria Rex*. Em cima, abrigava a Equitativa**, importante companhia de seguros, com sede no Rio de Janeiro. O superintendente da filial, em Belo Horizonte, era Oscar de Souza Netto, auxiliado por Pedro de Souza Netto – meu avô –, diretor e também avalista do irmão. Minha mãe, Maria Nazareth, ali exerceu as funções de secretária e taquígrafa. — * Rua Rio de Janeiro, 602 / ** Praça 7 de Setembro, 13. 

Post - EquitativaPortão com arco: A Equitativa (2º andar). / Papelaria Rex: esquina de Praça 7 com Rio de Janeiro.

Muitas coisas contaram-me do início da década de 1930, de quando eu não era nascido. Nessa época, meu avô levava uma vida muito confortável e possuía uma magnífica residência na rua São Paulo, 990*. Um casarão de dois andares, em cuja varanda meu pai, Eduardo, namorou minha mãe. — * A edificação, muito modificada, ainda existe e abriga um cursinho preparatório para vestibulares.

Porém, meu tio-avô Oscar agia nos seus negócios de modo muito impetuoso, para não dizer imprudente. E, por isso mesmo, era um festeiro e abusava da fortuna. Ganhava dinheiro com facilidade e gastava em alta velocidade. Sua casa tornou-se um lugar de muita felicidade e abastança, onde recebia intelectuais, artistas, políticos e ricaços, ou seja, a fina flor da sociedade belo-horizontina e, mais ainda, muitos forasteiros ilustres. Tudo isso às suas expensas.

Só para ilustrar, compunham sua roda de amizades: Achilles Vivacqua, Rubem Braga, Murilo Rubião, Aníbal Machado, Pedro Nava, Milton Campos, Juscelino Kubitschek, Di Cavalcanti e vai por aí afora. Na residência, da rua Santa Rita Durão – quase esquina de av. Getúlio Vargas –, sua mulher, Ordália Leite, conduzia os frequentes e “liberalíssimos open house” * com permanente alegria. Foi nesse ambiente que o escritor Murilo Rubião conheceu Vanessa – filha de Ordália e Oscar –, a quem deu aulas particulares de português. Desse contato, brotou uma tremenda paixão da aluna pelo mestre, mas que nunca chegou a bom termo, tal como ela desejara. — * Em palavras de João Pinheiro Neto.

Post - OscarDa esquerda para a direita: Afrânio de Melo Franco, Milton Campos, Carlos Quadros, Oscar Netto (flexa) Aníbal Machado, J. Batista Santiago, Jorge Tavares Guerra, Edgard Oliveira Lima, Múcio E. Nelson de Senna, Carlos Maciello e Teófilo Melo Santos.

Pedro Netto, foi farmacêutico prático e possuiu uma botica no Morro da Garça, um longínquo arraial ao norte de Curvelo, onde nasceu minha mãe (25.08.1911). Mais tarde, transferiu-se para Curvelo e, de lá, para Belo Horizonte. Aliás, todos os irmãos mudaram-se para a capital, onde viveram por algum tempo. Pedro era também poeta, muito distraído e nunca levou a sério os bens materiais. Por isso mesmo e sem nenhuma precaução, passou a avalizar títulos bancários do irmão Oscar. Contudo, levando vida faustosa e desabusada, o irmão chegou a falência, fazendo desaguar em meu avô uma enxurrada de dívidas.

Por sua vez, Oscar Netto possuía um modo de ser muito peculiar. Seu amigo Achilles*, também redator da Revista Illustrada, em 1928, publicou no periódico uma nota, por ocasião da sua data natalícia, dizendo: “Como causeur apurado, ou como homem de negócios, o ilustre aniversariante impõe-se pelo seu belo espírito. Dispondo das melhores relações sociais em Belo Horizonte […] da importante companhia de seguros de vida A Equitativa.” — * Achilles Vivacqua.

Os comentários sobre o gênio especial de Oscar circulavam de boca em boca, mas também pela imprensa. Um cronista assim falou sobre ele:

— Todos o retratavam como um monstro sagrado da conversa ao pé do ouvido. E que nunca se soube de onde vinha sua força, nem o seu dinheiro. Mas que tinha a sobrar. […] E que fazia o que queria, sempre trepado nos bancos.

— Disseram que, certa vez, endividado porém tranquilo, ressonava numa boia, lá na piscina do Minas Tênis Clube, enquanto dois amigos o observavam de perto, e um deles dizia: “– É a maior dívida flutuante do país.”

Post - Casa & Pedro NettoPedro Netto, sua casa – na rua São Paulo, 990 –, e  fumando um cigarrinho na Av. Afonso Pena.

— De outra feita, recebeu telegrama de um banco: “Venha tratar assunto seu interesse.” Então, dirigiu-se imediatamente ao banco e já chegou reclamando:

“- Olha! O banco precisa me respeitar, não tem o direito de mentir.”

“- Mas não mentimos e o título está vencido.”

“- Senhor, título vencido não é problema de meu interesse. É do banco e, ademais, banco não é gente e eu só pago gente.”

Dias depois, reiteraram a cobrança, enviando-lhe o título vencido. Oscar retornou ao banco, furioso:

“- Já mandaram aviso ao avalista? “

“- Já.

“- E ele não pagou? Que irresponsável!”

O avalista era Pedro Netto, seu irmão. E foi assim, nessa toada, que meu avô perdeu tudo que havia amealhado ao longo da vida. Mas, nem por isso, deixou faltar ao irmão o afeto que sempre lhe dedicou.

Pois bem, acabei por notar que a Loura estava com um ar enfastiado de tanto ouvir meu falatório, sem que eu lhe desse oportunidade de abrir a boca. Cuidei de me controlar… Então, saindo da Equitativa, e depois de atravessar a rua Rio de Janeiro, ficamos ali parados, no meio do quarteirão, dando uma espiada nos cartazes do cinema.

Post - NoticiárioNo cine Glória, noticiários do cinema: francês, espanhol e inglês.

O cine Glória! Continuei sonhando com o passado… Perdi a conta de quantas horas de encantamento vivi nessa sala da avenida Afonso Pena, 764. Afloraram à minha mente recordações do início da minha adolescência, quando ainda não existia a tv. Pois meu pai tinha o hábito de me trazer a esse cinema, nas manhãs de domingo, para assistir ao cine-jornal. Durante a década de 1940-50, os filmes tardavam a chegar em Belo Horizonte e, do mesmo modo os cine-jornais. Apesar disso, as Atualidades Francesas, Atualidades RKO, No-Do (da Espanha de Franco) e Movietone News, eram aguardadas por um público seleto e fiel. Era uma oportunidade única de ver e saber o que se passava no resto do mundo, onde os acontecimentos do pós-guerra continuavam repercutindo. — * Pelo censo de 1940, tinha 211 mil habitantes; pelo de 1950, 352 mil.

Contudo, apesar do meu entusiasmo ao falar, de repente, a Loura manifestou-se sem rodeios: “- Sei disso e mais ainda, pelo que colegas do cemitério me contaram…” E, com firmeza, foi dizendo o que eu não sabia. Palavras dela:

“Em frente, do outro lado da rua, no número 759, havia outro cinema. Estou falando do cine Pathé, inaugurado em 07.02.1920, com uma matinê, às 14h.* O prédio, que era uma joia arquitetônica, poucos anos depois foi demolido** e dele restaram nada mais que imagens fotográficas e referências nos jornais. No segundo e terceiro andares do edifício, havia salas para aluguel. Ocupavam-nas com escritórios, comerciais e de profissionais liberais. — * O Paiz (RJ), 09.02.1920. / ** Fechou as portas em 1933.

Post - Pathè & GlóriaNa Afonso Pena: o Cine Pathé, do lado esquerdo da avenida; e o cine teatro Glória, do lado direito.

Ainda caminhando virtualmente pela Afonso Pena, chegamos a poucos passos da esquina de rua Tamoios e vimos o Bazar Americano, ocupando as lojas números 788/794. Um comércio de propriedade dos irmãos Aurélio e Alfredo Nocce, que vendia artigos para presentes, brinquedos e produtos variados.

Oferecia um punhado de coisas, vale dizer, de um simples lápis ou uma caçarola, até um enxoval de bebê. Voltei a ficar boquiaberto revendo essa loja, que quase contaminou minha mente infantil com o vírus do consumismo. Desde os meus sete ou oito anos de idade, quando passava por lá com minha mãe, ganhava um presentinho.

Atravessamos a rua e chegamos em frente da igreja de São José, que estava imponente na esquina de Tamoios com Espírito Santo. Prosseguindo e chegando ao outro lado da rua Espírito Santo, vimos justo na esquina de avenida Afonso Pena, o prédio denominado Castelinho, o qual, galhardamente, tem sobrevivido aos tempos. Lançando um olhar na sua loja, voltou à minha mente a imagem da Chapelaria Londres, que vendia os famosos chapéus e capas Ramenzoni.

Quando fiz 15 anos de idade, meu pai presenteou-me com um desses chapéus, explicando que eu não era mais criança. Aliás, comecei a trabalhar aos 16 anos de idade e passei a usar paletó e gravata apertada no pescoço. Porém, com ajuda de Deus, aos poucos tenho conseguido romper minhas amarras.

Post - Bazar AmericanoBazar Americano (filial) e paquera na Av. Afonso Pena.

Ainda mergulhados no passado, fomos percorrendo a “passarela” que começava na esquina do Castelinho ia até a rua Tupis. Essa calçada foi, por muito tempo, o melhor trecho para bater pernas, ficar à toa ou paquerar. Mas senti-me na obrigação de mostrar à Loura o edifício dos correios*, do outro lado da avenida. E foi o que fiz com imensa alegria. — O projeto foi aprovado em agosto de 1919; por volta e 1942/43 estava demolido.

No triângulo, formado por Afonso Pena, Tamoios e Bahia fora edificado o Palácio dos Correios, um dos mais bonitos prédios que conheci da cidade antiga. Visitei-o, aos meus cinco para seis anos de idade, quando meu pai postava uma carta. Outra vez, nesse delicioso devaneio, tornei a me emocionar com sua beleza arquitetônica. — * Onde hoje estão os edifícios Sulamérica e Sulacap. 

Post - Correio 1Prédio dos correios na avenida Afonso Pena.

Pois bem, ao mostrar à Loura o interior do prédio, disse-lhe que as estruturas foram fabricadas na Bélgica, em peças de ferro fundido. O madeiramento, em pinho de Riga, viera da Letônia, como os de tantas outras edificações de Belo Horizonte. Infelizmente, o prédio seria demolido para, em seu lugar, construírem dois edifícios: o Sulamérica e o Sulacap.

Dando um pequeno salto à frente no tempo, falei da importância desse trecho da avenida em minha vida. Isto porque, a partir de 1955, trabalhei justamente no 3º andar do Sulamérica e durante alguns anos – meu segundo emprego –, como desenhista da revista Alterosa.

Serra acima

Ao sairmos dos correios, já era a hora do Angelus – 6 horas da tarde – e ouvimos o coro ensurdecedor dos pardais, empoleirados nas imensas árvores* que sombreavam a avenida Afonso Pena. Nesse ponto, a Loura alertou-me: “- Está ficando tarde. Vamos, depressa, pegar um carro de praça. Precisamos chegar logo ao córrego do Acaba Mundo.” De fato, já havíamos combinado de subir até o alto da serra do Curral e esse era um bom caminho. — * Na madrugada do dia 20.11.1963, mais de três centenas de fícus começaram a ser cortados, por ordem do prefeito Jorge Carone.

Demos mais alguns passos e vimos o Parque Municipal*, se estendendo à esquerda da Afonso Pena. Então, a companheira chamou minha atenção, dizendo que as águas do Acaba Mundo correm ali, até atingirem o ribeirão das Arrudas. E acrescentou: “- De dia é um paraíso, de noite um inferno…” Naquele momento, não compreendi bem o sentido das sua palavras. — * O parque foi projetado para ter 555.000 m², atualmente tem 182.000 m².

Post - Correio 2Interior do Palácio dos Correios.

Em seguida, tomamos um carro de aluguel e nos dirigimos a uma fazendinha existente logo além do limite da avenida do Contorno, na região sul. Ali, cuidei de alugar dois cavalos, para subirmos a serra. Ouvindo minhas tratativas com o proprietário dos animais, a Loura adiantou-se, dizendo: “- Uma montaria é suficiente. Vou na garupa.” Assim sendo, e tudo da melhor forma acertado, tomamos o caminho no meio da mata e, sempre margeando o córrego do Acaba Mundo, conseguimos fazer uma divertida viagem.

Chegando ao alto da serra, bem mais para cima do atual bairro Sion, já era de tardinha. Havíamos chegado ao Country Club* e a companheira convidou-me a tomar um banho em sua piscina de água natural. Sem titubear, é claro, aceitei o seu convite. Então, nadamos e nos divertimos com inocente alegria. Porém, um detalhe chamou minha atenção, a Loura, mesmo em contato com a água, aparentemente não se molhara.

Ao deixarmos a piscina, o céu ainda estava claro e, ao longe, vimos o belo horizonte. Foi essa paisagem que deu inspiração a Daniel Cornélio de Cerqueira, professor da antiga Curral del Rei, para criar o nome da nova capital. Notei também no firmamento um ponto brilhante, melhor dizendo, o planeta Vênus, também chamado de estrela matutina e, naquela hora do poente, estrela vespertina.

A Loura, evidentemente, percebeu minha emoção mas, nem por isso, deixou de jogar água fria nos meus pensamentos. Ensinou-me que os antigos denominavam aquela estrela como Lúcifer, pois seria a transfiguração do primeiro anjo caído da ordem dos Querubins. É claro, fiquei arrepiado!

Post - Bonfim finados 1928Dia de finados no Bonfim (em 1928). Ao fundo o edifício do velório (antigo).

Mas, continuou a companheira: “- Pode crer, é sinal de mau agouro para esta noite.” E respirou fundo… Mas temi pelo que estaria anunciando e então indaguei-lhe: “- O que foi?” A Loura, com voz embargada respondeu: “- Acabei de deslocar-me no espaço e no tempo. Estou agora no 4 de dezembro de 1946. Tenho medo…” Imediatamente, liguei uma série de fatos.

Nesse dia, Décio Escobar, envolvido num relacionamento homossexual, matou o engenheiro Luiz Delgado e seu corpo foi encontrado sem vida no Parque Municipal, às 3 horas da madrugada. Lembrei-me do gaúcho Décio, poeta e diplomata, que morou numa chácara no alto da rua do Ouro.

Recentemente, colocaram um novo fantasma em Belo Horizonte. Chamam-no fantasma da rua do Ouro e dizem que tem assombrado os moradores, vestido de preto e usando guarda-chuva. Se realmente existe, quero crer que é o falecido Décio Escobar, transformado em alma penada. Talvez, agora, esteja perambulando pelo bairro expondo seus sofrimentos e a purgar os pecados.

Acredite quem quiser… Imagino que a nova fantasmagoria aparenta-se tal como foi em vida, um homem de corpo espigado e meio careca. Reforça a suspeita o referido traje preto e o guarda-chuva, pois caem bem para dezembro, tempo das águas e de morrer no parque.

Finalmente o sol se pôs! E, justo naquele momento, ao ter que separar-me da companheira, comecei a sentir saudades e preocupação. Mais ainda, sabendo do seu temor de pegar o bonde da meia-noite na rua do Chumbo e topar com o fantasma do guarda-chuva. Porém, não havia como parar o tempo e, chegada a hora da despedida, a Loura ofereceu-me um beijo. Houve um abraço. Não senti seu corpo, apenas um delicado perfume de dama-da-noite*. — * Flor muito comum nos jardins de Belo Horizonte. 

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O

Acaba Mundo compreendia um extenso território com matas, riachos e pequenas lagoas. Lá havia fazendinhas, chácaras e pedreiras. De uma jazida, situada na região do atual bairro das Mangabeiras, foi retirado mármore para a construção do Palácio da Liberdade e secretarias. Outra, ainda produzindo, situa-se na região do bairro Belvedere, de onde se extrai dolomita pela mineração Lagoa Seca. Nas proximidades, está minimamente preservado o edifício do antigo Country Club de Belo Horizonte, pertencente à empresa.

O bairro da Serra, situado aquém do Mangabeiras, também possuía várias chácaras. Os melhores acessos à região se fazia pelas rua do Chumbo e do Ouro. Na primeira havia transporte por bondes, na segunda – já asfaltada na década de 1940 –, circulavam os ônibus. Na altura da rua Palmira, onde terminava o asfalto da rua do Ouro, começava o imenso terreno da chácara do professor Estevão Pinto, que se prolongava até a rua do Chumbo. O terreno era cortado ao meio pelo córrego da Serra, que encontra-se agora recapeado, sob a rua Dona Cecília.

Post - Mapa BH simplificado← Planta simplificada / (A) Acaba Mundo.

O aceso para o Country Club se fazia pela estradinha que passava pela atual av. Uruguai (bairros Carmo/Sion), até atingir a praça JK e, daí, subindo o morro além do aglomerado do Acaba Mundo. O Anuário Estatístico de Belo Horizonte*, diz: “… Da Praça Sete de Setembro ao Acaba Mundo (sede do Country Club) – 5,6 km.” — * Ano 1937, p. 83.

Bem próximos ao nascedouro do Acaba Mundo e para engrossar as suas águas, há os córregos dos Carvalhos e dos Desenganos. Mais abaixo, surgem outros pequenos afluentes, até que, atravessando o parque municipal, as águas chegam ao ribeirão das Arrudas.

Memória nos jornais

22.03.1899 – O presidente Campos Salles visitou o Acaba Mundo: “Os visitantes fizeram o percurso em trem especial, que os conduziu àquele aprazível bairro, onde se detiveram algum tempo. Tanto na ida, como na volta, era grande o número de pessoas que se achavam em toda a extensão da linha*…” * A linha férrea foi utilizada até o esgotamento da pedreira. / Jornal Oficial Minas Gerais, 23.03.1899.

26/27.04.1899“José Orlandini, pedindo prorrogação do arrendamento da pedreira do Acaba Mundo […] sob as seguintes condições: conservar as matas nas imediações da pedreira; submeter à Prefeitura os planos das novas instalações; conservar a via férrea em bom estado e permitir que seja também trafegada pela Prefeitura; não fazer construção que embarace a captação das águas. Pode ser concedida a área necessária para armazém de descarga na avenida Contorno, na margem da linha.” — Jornal Minas Gerais, 01.05.1899.

12.06.1902 – Falando das secretarias da Praça da Liberdade: “A do Interior é um palácio de três pavimentos, sustentando o peristilo*, no primeiro, formosas colunas dóricas de mármore sanguíneo das jazidas do Acaba Mundo e, no segundo, iguais de estilo coríntio, formando um vasto vestíbulo.” — * Pátio circundado de colunas. / O Paiz (RJ), 12.06.1902.

22.01.1905 – “Uma nova linha de bondes foi inaugurada no dia 22, percorrendo grande parte da rua do Chumbo…” — * A União (RJ), 27.01.1905.

04.11.1912“A empresa de bondes vai construir a linha que liga ao Acaba Mundo*, ponto escolhido para diversões pela população desta cidade.” — * Linha Acaba Mundo: depois denominada Carmo. / A Época (RJ), 04.11.1912.

09.11.1912 – “Já foi aprovado pela prefeitura o traçado de uma linha de bondes que vai até o Acaba Mundo, lugar pitoresco e aprazível. A empresa vai construir um prédio que será um belo hotel, com restaurante e parque para diversões, à imitação do que há no Rio, na Copacabana, Gávea, etc.” — A Época (RJ), 09.11.1912.

11.07.1915 “A oficialidade do 1o batalhão realizou, hoje, um “pic-nic” no Acaba Mundo.” — * A Época (RJ), 12.07.1915.

23.05.1930 – “As colônias estrangeiras desta capital estão em entendimentos, a fim de fundar o Country Club de Belo Horizonte. Terá por sede a chácara Acaba Mundo, distante 20 minutos da capital.” — O Jornal (RJ), 24.05.1930.

Post - Aglomerado & ContryEstrada do Acaba Mundo: A – Aglomerado; B – Country Club (Década de 1950).

06.01.1937“Ontem, no Acaba Mundo, em uma chácara da rua Major Lopes*, verificou-se uma dolorosa ocorrência. O lavrador José Justino dos Santos, às 16 horas, deixou sua casa para se entregar aos serviços de sua lavoura. Em seu quarto, deixara uma pistola Mauser com uma bala no pente. Seu filho, Raymundo Justino, pôs-se a manobrá-la, quando, em um dado momento, a progenitora deste, Jovelina, foi atingida pelo projétil, causando-lhe gravíssimo ferimento na região do ouvido.” — * Rua Major Lopes, atualmente no bairro São Pedro. / Diário da Noite (RJ), 07.01.1937.

24.05.1937 “… O sr. Orlando Moretsohn, delegado da ordem pública, teve conhecimento de que se encontrava nesta capital um indivíduo misterioso a serviço da propaganda vermelha. O investigador Eudóxio de Castro Guimarães conseguiu descobrir que ele residia na av. Tocantins*. No momento em que saía de casa, o policial deu-lhe voz de prisão. O extremista, entretanto, fingindo-se de inocente, pediu que fosse dada uma busca em seu quarto, no que foi atendido. Porém, rápido fechou a porta, trancando-o no interior. Pelos documentos encontrados, verificou tratar-se do comunista José Luiz de Barros, cozinheiro de profissão. De pista em pista, foi novamente localizado na rua Montes Claros**, nas proximidades da estrada de rodagem Acaba Mundo.***” — * Avenida Tocantins: atual Assis Chateaubriand. / ** Rua Montes Claros: atualmente no bairro do Carmo. / *** Estrada: atualmente rua Grão Mogol. / A Noite (RJ), 24.05.1937.

Post - Piscina Acaba MundoPiscina do Acaba Mundo, mais tarde Country Club (foto: Indiano Torres Costa, 1931).

06.12.1938“Quem conheceu Minas Gerais, lembra-se de Belo Horizonte como cidade bem traçada, mas que tinha apenas isso. A capital mineira mostra as ruas mais belas da América do Sul, pavimentadas com esmero. Ostenta edifícios públicos que se destacam entre os melhores do país. Recebe uma prefeitura que é a mais bela de nossa pátria. Recantos de perfeição técnica moderna, como o Minas Tênis Clube*, com a maior piscina da América do Sul, ou de repouso bucólico, como o Country Club, no Acaba Mundo.” — * MTC: praça de esportes inaugurada em 1937. / O Imparcial (RJ), 06.12.1938.

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Pesquisa, texto e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella 

 

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12 Comentários »

  1. Senti arrepios ao ler seu texto. Não de medo, mas de alegria, ao saber que um encontro tão ao acaso está gerando desdobramentos! E que belo texto!

    Feliz de ter te conhecido! Feliz por poder ler seus textos a cada mês! Feliz poder lhe ajudar a contar a história da cidade e das pessoas, e manter viva nossa memória!

    Que mais encontros como esses (meu e seu – seu e da Loira) possam acontecer e germinar!

    Parabéns, sempre! Grande abraço!

    Comentário por mirianrolim — 01/03/2016 @ 8:49 am | Responder

    • Míriam:
      De fato, foi de um encontro nosso que surgiu a inspiração para escrever esse texto. E você é de carne e osso!
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/03/2016 @ 9:04 am | Responder

  2. Excelente texto! Incrível como você escreveu esse post e essa capacidade de resgatar a história da cidade de uma forma tão interessante.
    Sucesso!

    Comentário por Artur Costa — 01/03/2016 @ 9:27 am | Responder

    • Artur:
      Muito obrigado pelas gentis e estimulantes palavras.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/03/2016 @ 9:51 am | Responder

  3. Caro Eduardo: Muita gente ia à capital perseguir a loura do cemitério. Para as pessoas de Lagoa Santa, ela aparecia no cemitério da Saudade. Meu primo tinha um Ford azul e, se cabiam quatro pessoas, iam seis se espremendo. Inventaram a loura de Lagoa Santa, que aparecia às três horas da tarde. Muita gente viu esta loura. A namorada de um primo devolveu a ele a aliança e o anel de noivado: ciúmes da loura do cemitério da Saudade.
    Muito interessante. Marilda

    Comentário por Maria Marilda pinto Corrrea — 01/03/2016 @ 12:45 pm | Responder

    • Marilda:
      Pois é! Vida boa é quando a gente tem um pé na terra e outro na fantasia.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/03/2016 @ 2:08 pm | Responder

  4. Caríssimo Eduardo,
    Estava ansioso para ler este seu novo texto e afirmo-lhe, sem medo de errar, que valeu a espera. Texto primoroso, riquíssimo em informações, uma mistura perfeita de fantasia e realidade. Estou ainda pensando acerca da fala da Loura “Comigo tudo existe”. Parece-me que é, quando deixamos de existir, que tudo passa a existir. Parece-me que, na fantasia, é que a vida realmente acontece. Seus textos, aparentemente despretensiosos, fazem refletir sobre os limites entre ficção e realidade, sobre o passar do tempo, sobre a memória, sobre quem somos e para que lugar estamos caminhando. Há poesia em seus personagens e é sempre difícil distinguir entre a Loura, Zé Muniz ou Décio Escobar quem é fantasma de verdade, embora isso pouca importância tenha.
    Ficou apenas uma dúvida: por que, ao referir-se à Loura, você diz “a fantasma”, “uma fantasma”? Você, que é iniciado em várias ciências e mistérios, esclareça-me: fantasma tem sexo?
    Com o meu carinho e a minha admiração,
    Pedro Borges

    Comentário por Pedro Faria Borges — 03/03/2016 @ 11:07 am | Responder

    • Pedro:
      Suas palavras, bem como as observações, me estimulam e ensinam. Servem para oxigenar meu pensamento e, assim, vou tomando coragem para empreender novas aventuras no meu Blog. Quanto aos sexos dos fantasmas, ainda estou investigando. Por enquanto, posso garantir que há pelo menos os dois tradicionais. Acrescento: as fantasmas, quase todas, são mais bonitas e delicadas.
      Muito obrigado e um abraço do
      Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 03/03/2016 @ 2:34 pm | Responder

  5. Eduardo,
    texto excelente! Morei pouco tempo em Belo Horizonte, já no século XXI, mas meu pai certamente tomou o bonde e assistiu a bons filmes nos cinemas desta bela cidade. Nos fins de semana, ele gostava de contar suas aventuras da juventude.
    Um grande abraço,
    João Vianna

    Comentário por jbvianna — 05/03/2016 @ 3:57 pm | Responder

    • João:
      Essa Belo Horizonte que descrevo tinha muita coisa boa e poesia. Seu pai, sem dúvida, viveu e sentiu suas delícias.
      Muito obrigado pelo comentário. Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 05/03/2016 @ 4:29 pm | Responder

  6. Eduardo, já deve ter notado que demoro um pouco para ler os novos textos. Prefiro ter tempo livre e suficiente para ler com calma. É que os aprecio muito. Esse último, me fez viajar com você e a loura. Peguei carona. Que passeio extraordinário. E que ideia pra lá de interessante de ter uma fantasminha como companhia. Bonita ela, não é? Eu achei.

    Estou absolutamente pasma com a grande quantidade de belezas arquitetônicas que Belo Horizonte perdeu. Sou bastante radical quanto a isso. Não suporto tal descaso pelo patrimônio de uma cidade. Considero um verdadeiro crime. Como foi permitido? Tudo isso é uma loucura. Obrigada, Eduardo. É sempre enriquecedor estar aqui no Blog.
    Virgínia.

    Comentário por sertaneja — 05/03/2016 @ 11:24 pm | Responder

    • Virgínia:
      Na próxima viagem, vou pedir à Loura para levar você em nossa companhia. Entendi que você não tem medo de fantasmas e cemitérios, então vai se muito divertido.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 06/03/2016 @ 7:40 am | Responder


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