Sumidoiro's Blog

01/08/2016

VIVER NÃO É GARANTIDO

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 7:00 am

♦ Remédio sempre há

“Navigare necesse est, vivere non est necesse.” – Pompeu / “Navegar é preciso, viver não é preciso” – Fernando Pessoa (1)

Na Europa do século XVI havia duas medicinas, uma exercida por médicos oficialmente habilitados – eram chamados físicos – e, do mesmo modo, havia os cirurgiões. Paralelamente, havia tanto os médicos práticos, quanto os boticários, barbeiros sangradores e mezinheiros(2). E, como sempre, havia a ‘medicina’ das bruxas e dos feiticeiros. De uma forma ou de outra, e dependendo das circunstâncias, cada qual podia ter sua utilidade. Porém, é importante relembrar que nessa época da Santa Inquisição, a igreja controlava todas.

Post - CirurgiãoO cirurgião da aldeia (por Pieter Jansz Quast, 1606-1647)

Lisboa – 9 de março de 1500

Navegando preciso Cabral chegou ao Brasil, embora, por algum tempo, tenham dito o contrário. O achamento* da terra não se deu por acaso, como foi outrora divulgado, pelo menos é o que têm dito muitos historiadores modernos. — * Na carta do escrivão Pero Vaz de Caminha ao rei d. Manoel: “… a noticia do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação achou, não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza…”

Em 9 de março de 1500, com uma frota de treze navios e 1.580 tripulantes, o capitão-mor Pedro Álvares Cabral partiu rumo à Índia, a fim de estabelecer relações comerciais com o soberano de Calecute. Era esse o objetivo anunciado daquela segunda expedição ao oriente, depois de Vasco da Gama, em 1498.

Para assistência à tripulação, cada nau possuía uma botica e um barbeiro sangrador. Um profissional mais apto, João Faras – o Mestre João –(3), viajava a bordo da nau capitânia. Era qualificado como bacharel em artes, astronomia, medicina e cirurgião do rei. Devido aos seus conhecimentos, fôra também encarregado do mapeamento das estrelas na abóbada celeste, ainda desconhecidas.

Porém, em meio ao oceano Atlântico, a armada afastou-se da costa africana, tomando o rumo sudoeste. Até que, no dia 22 de abril, os marinheiros gritaram: “- Terra à vista!”. Era domingo de Páscoa e, por isso, à elevação avistada “o capitão pôs nome – o Monte Pascoal e à terra – a Terra da Vera Cruz.” Uma afoiteza, visto que o território já possuía sua identidade e era denominado pelos nativos como Pindorama (Terra das Palmeiras, em tupi-guarani). — * Na carta de Caminha.

Brasil – Pé na terra

No dia 23, disse o escrivão Caminha:

velejando […] pela costa, obra de dez léguas do sítio donde tínhamos levantado ferro, acharam os […] navios pequenos um recife com um porto dentro, muito bom e muito seguro, com uma mui larga entrada.”

O desembarque ocorreu em frente a ilha da Coroa Vermelha*, lugar que ficou conhecido como Porto Seguro. De fato, pelas releituras dos documentos da época, entende-se que o “descobrimento” não se deu por acaso, pois que tudo estava já bem planejado. Nos mastros de todas as naus tremulavam as bandeiras com o símbolo da cruz, a marca da Ordem de Cristo e também de Portugal. — * A Coroa Vermelha fica entre as localidades de Santa Cruz de Cabrália e Porto Seguro.

Post - Desembarque CabralDesembarque da expedição de Cabral (por Oscar Pereira da Silva).

Desde então, ao terem usurpado o nome da Terra das Palmeiras, a cruz – marca dos cristãos – foi incorporada à sua nova identidade. Mas, na própria carta de Caminha, em segunda vez, modificou-se a designação do território, dizendo então Ilha da Vera Cruz. Pois bem, o impacto visual daquele símbolo certamente penetrou, de imediato e profundamente, nas mentes dos selvagens. Embora o significado fosse ainda ignorado, a configuração da cruz possuía enorme poder de convencimento, tal como uma trademark(4), como se diz hoje no âmbito da comunicação visual. — * Depois, em 1501, modificou-se para Terra de Santa Cruz.

Brasil – século XVI, o começo

Ainda consta na carta de Caminha que, no dia 26 de abril, “domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão de ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu. Mandou a todos que se aprestassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou naquele ilhéu armar um esperável(*tenda)(5), e dentro dele um altar mui bem corrigido. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes, que todos eram ali. A qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.

Mas nem todos estiveram presentes à missa, o médico Mestre João – judeu espanhol –, em decorrência da própria fé, não deve ter se aborrecido por estar ausente. De fato, permaneceu recolhido a bordo por estar atacado por uma doença na perna e só pôde por os pés em terra no dia 27. Isso revelou numa carta ao rei d. Manuel I:

“… saberá Vossa Alteza que, acerca das estrelas, eu tenho trabalhado o que tenho podido, mas não muito, por causa de uma perna que tenho muito mal, que de uma coçadura se me fez uma chaga maior que a palma da mão; e também por causa de esse navio ser muito pequeno e estar muito carregado, que não há lugar para coisa nenhuma…”

No seu resguardo, Mestre João não ficou inteiramente à toa, pois dedicou-se a apreciar o firmamento do hemisfério austral. E não foi em vão, pois que mirando o céu da baía de Cabrália, percebeu um conjunto de estrelas desconhecido pelos portugueses. Assim, descobrira a constelação do Cruzeiro do Sul, graças ao seu notório interesse científico e ao incômodo da ferida na perna. E escreveu na mesma carta:

“… Somente mando a Vossa Alteza como estão situadas as estrelas do sul […] e essas estrelas, principalmente as da Cruz, são grandes, quase como as do Carro; e a estrela do polo antártico, ou sul, é pequena como a do Norte e muito clara, e a estrela que está em cima de toda a Cruz é muito pequena…”

Post - CruzeiroCruzeiro do Sul desenhado por Mestre João. / À direita, fotografado no firmamento.

Cabe ainda notar a surpresa dos portugueses com a higidez dos nativos. Sobre isso, diz a carta de Caminha: “… eles porém andam muito bem curados* (*saudáveis) e muito limpos…”. Em contrapartida, não se podia dizer o mesmo dos europeus daquela época, eles eram displicentes com os cuidados corporais. Banhos completos só tomavam duas ou três vezes ao ano, visto que o costume de rotina era apenas lavar o rosto e os pés. Por isso, pode-se imaginar os riscos que corria a gente de Pindorama de ser contaminada pelos visitantes maléficos, que estavam agregados aos corpos dos homens de Cabral. Pois bem, o atual hábito brasileiro do banho frequente foi assimilado dos índios.

Brasil – 30 décadas do século XVI

Após o descobrimento, num lapso de tempo que se prolongou por 30 anos, cuidaram os portugueses tão somente de retirar as riquezas naturais da terra. Nesse período, continuaram mantendo seu prestígio os pajés que, com seus saberes nativos, socorriam quem quer que fosse. Com a ajuda dos espíritos e uma boa pajelança, havia remédio para quase tudo.

Em 1530, aportou no Brasil a missão de Martim Afonso de Souza, pioneira na colonização do país. Em 1532, como donatário da capitania de São Vicente, ele fundou a vila de mesmo nome, que seria o primeiro núcleo populacional do país (6). Por essa época, começaram a chegar os primeiros escravos africanos. O mais antigo registro de cativos chegados da África aponta para o ano de 1533, em número de 17, destinados à capitania de São Tomé, que seria doada a Pero de Goes da Silveira(7). Disso há referência nas “Memórias da Capitania de São Vicente”, de frei Gaspar da Madre de Deus(8), assim:

“… Martim Affonso, quando estava em S. Vicente, concedeu a Pedro de Goes, para mandar para o Reino (Brasil) 17 escravos em navios d’El Rei. / No Archivo do Convento de N. Senhora do Carmo da Villa de Santos, […] se acha uma declaração feita por Pedro de Goes e o teor, assim da licença, como da declaração he o seguinte:

‘Por este dou licença a Pedro de Goes, que possa mandar nos proprios navios, que a este porto vierem, dezassete peças de escravos, […] os quaes seram forros (*dispensados, livres) de todos los direitos e frete que forem pagar […] e como dito he (é) o dito Pedro de Goes disse que à conta das ditas dezassete peças de escravos jaa (já) tinha doze e lhe ficavam (…faltando) ainda cinco…’.”

A partir desse evento, abriram-se as portas para que fossem introduzidas as práticas curativas da medicina popular africana. No mesmo estilo dos indígenas, elas se sustentavam no conhecimento de ervas e mezinhas* (*medicamentos populares), mas também em crendices, tais como adivinhações, feitiçaria e benzeduras.

Post - RitualRitual dos tupinambás presenciado por Hans Staden (por Theodore De Bry, 1631).

Brasil – século XVI, colonização

Em 1549, na Bahia, ao assumir Tomé de Souza o posto de governador-geral e tendo ao seu lado os padres jesuítas, iniciou-se a heroica missão de propagar a fé católica. Para tanto, os religiosos fundaram colégios, instalaram missões de evangelização, colaboraram na administração e também exerceram a medicina. Embora esta não fosse do seu mister, com seus saberes faziam por onde aliviar os doentes(9).

Ao mesmo tempo, foram chegando os barbeiros sangradores*, os boticários, mais outros profissionais que se diziam médicos e também os cirurgiões, mas que nem sempre eram formados. Da parte desses homens brancos, além das dificuldades de ordem prática para exercer o trabalho, havia o temor do canibalismo, do contágio de doenças, das picadas de cobras e insetos, e especialmente dos bichos-de-pé. — * Barbeiros sangradores cometiam muitos erros, ou seja, as famosas barbeiragens.

O aventureiro alemão Hans Staden(10), no seu relato em “Viagem ao Brasil” (1557), disse dos vários inimigos com os quais se deparou e, por incrível que pareça, ficou impressionado com os piolhos. Descreveu um hábito das indígenas:

“…quando uma cata os piolhos de outra os vai comendo. Eu lhes perguntei muitas vezes por que fazem isso; me responderam: ‘São nossos inimigos que comem as nossas cabeças e, por isso, queremos vingar deles’ ”

A maioria dos médicos e cirurgiões eram judeus ou cristãos novos, alguns deles tendo sido degredados, por condenação dos tribunais do Santo Ofício. Ademais, além de todas as adversidades que tinham de enfrentar, juntava-se um medo maior, proveniente dos olheiros da Inquisição, que estavam vigilantes contra os ditos infiéis. Qualquer indivíduo, independente de sua origem, convicções ou credo, podia ser alvo de suspeição.

Post - Gravura LèryMundo novo, com selvagens, forasteiros, deuses, demônios e muita novidade (da “História…”, de Lèry).

Entre os pioneiros, mas apenas de passagem pelo país, houve também alguns homens cultos, que escreveram relatos de suas experiências. Um deles, o francês Jean de Lèry(11), publicou, em 1578, a História de uma Viagem feita à Terra do Brasil, onde muita coisa revelou. E disse ter presenciado a realização de um inusitado procedimento estético, para embelezar o nariz dos récem-nascidos indígenas. Assim escreveu:

Post - Tupinambás c filho← Casal tupinambá com filho.

“Quanto ao nariz, diferentemente das parteiras de cá (França), que na ocasião do nascimento das crianças e com o propósito de tornarem-nas mais bonitas e esbeltas, os nossos americanos (indígenas) apertam-lhes as ventas, para tornarem a beleza de suas crianças mais evidente; tão logo elas saem do ventre materno […] amassam-lhes o nariz com o polegar, de modo a ficar chato…” Capítulo VIII.

Certo dia, estando entre os índios tupinambás, assistiu a um parto auxiliado pelo próprio pai da criança. Desse modo descreveu:

Um companheiro francês e eu, lá pela meia-noite, quando dormíamos em uma aldeia, ouvimos os gritos de uma mulher. Pensando que fosse uma fera, chamada ian-ou-are* (*jaguara, uma onça) – aquela que dizem ser destruidora dos selvagens –, saímos logo ao seu socorro. Contudo, constatamos que não era aquilo, mas que a índia estava em trabalho de parto e, por isso, tanto gritava.

Tão logo vi o pai, aquele que já tomava a criança em seus braços, presenciei a cena em que, primeiramente, deu um nó no cordão umbilical e, depois, cortou-o com uma dentada. Em seguida, fazendo o papel de parteira, […] apertou-lhe o nariz até esmagá-lo, usando o próprio polegar do filhinho.” Capítulo XVII.

Pois bem, ainda há que assinalar um ritual pós-parto, tradição comum entre vários povos indígenas. Trata-se da obrigação de recolher a placenta e o cordão umbilical, para depois enterrá-los no mesmo local do nascimento, de preferência sob o fogão. Desse modo, estariam evitando que o invólucro do feto fosse devorado pelas feras, desde que fôra também abrigo de uma alma divina. Parte dessa tradição – a de enterrar o cordão umbilical – continua presente na cultura rural brasileira.

Brasil – século XVII

Aos poucos, também os procedimentos curativos dos escravos foram sendo difundidos entre toda a população. E como os padres não admitiam tais práticas, nem as dos negros, nem as dos índios, pois eram coisas de feiticeiros, instalaram-se os conflitos da fé na terra que havia recebido a santa cruz. A vigilância da igreja se fez presente mesmo entre os médicos e cirurgiões formados, que temiam suas censuras. Cruz-credo! Todos, sem exceção, poderiam ser lançados nos tribunais do Santo Ofício.

Apesar disso, muita gente se arriscava a praticar as artes de curar. No entanto, imprudências havia por parte de todos. Mesmo os ditos profissionais tinham práticas temerárias, entre elas as sangrias, muito recomendadas para curar, como também a prescrição de purgantes. Mas, às vezes, ambas podiam matar os pacientes. Contudo, segundo a mais evoluída medicina da época, esses seriam de fato os procedimentos mais recomendados. Incluíam-se no rol dos salvadores os farmacêuticos – formados ou práticos – e muitos fazendeiros, habitantes de lugares pouco acessíveis, mas que faziam o que podiam para atender os necessitados.

Brasil – século XVIII

No início do século XVIII, os europeus consideravam Minas Gerais como um fim de mundo, terra de bárbaros. Tanto que foi identificada em mapas como Brasilia Barbarorum. Naquela época, lá chegou um cirurgião português, Luís Gomes Ferreyra(12), que sentiu-se motivado a escrever o tratado médico Erario Mineral, publicado em 1735. Ele se disse “cirurgião aprovado, natural da vila de São Pedro de Rates e assistente nas Minas do ouro por discurso (decurso) de vinte anos.”

Contudo, tomando as devidas cautelas pela afoita iniciativa, logo na página de abertura pediu vênia à “puríssima Virgem Maria Nossa Senhora da Conceição, mãe e advogada de todos os pecadores”. Por isso escreveu:

Post - Minas s XVIIIEm laranja,”Brasilia Barbarorum”, território de bárbaros; lugar das montanhas e das Minas. (1740)

“… quisera, oh dulcíssima Senhora, dever-vos essa nova mercê de o aceitardes debaixo do Vosso patrocínio e amparo; que é o mesmo que pedir-vos para mim o perdão dos defeitos […] aqui ponho, diante de Vossa Magnificência, uma ocasião de Vossa maior glória […] com isto, e mediante vosso favor, poderei esperar que o meu trabalho seja proveitoso a alguns, ainda que seja mal recebido de muitos…”

O doutor Gomes Ferreyra estava imbuído do nobre propósito difundir, para o povo em geral, conhecimentos médicos práticos. Pretendia ensinar à gente leiga como diagnosticar, tratar e, também, a preparar medicamentos, alguns dos quais já conhecia, outros ficou conhecendo nas suas andanças por Minas Gerais e pelo país. Com sinceridade, escreveu já na primeira página:

Não sei que haja professor algum, que até o dia de hoje, tenha escrito das enfermidades de Minas, nem ainda do Brasil, e não haverá pessoa que ignore serem os tais climas diferentes dos de Portugal e da Europa. Porque, ou em mais ou em menos diferem. E, na minha opinião, o clima nas Minas é totalmente diferente […] pois não só o clima é diferente, mas a causa das enfermidades e os humores* (* líquidos do corpo) que as produzem…” 

Mais adiante, sobre o que chamava de “pontadas”, as quais seriam muito comuns, escreveu:

“A complicação […] mais vezes é causa de pontadas, principalmente nos pretos. São enchimentos do estômago, lombrigas, corrupção do bicho e alguma obstrução. Mas, como os enchimentos do estômago são a principal complicação, e (a) que mais ordinariamente acontece, […] passo a dizer quais são os sinais do enchimento; e também é causa de de pontadas o enchimento de humores do corpo.”

E achando-me mui triste naquele princípio (na chegada a Minas), vendo que morriam tantos escravos e se perdia tanto ouro em tão poucos dias, assim pelos não poder remediar, o (me) fazia ter grande pena …”

“Isto assim suposto, digo que muitas vezes acontece haverem dores de cabeça e pescoço e, depois, irem irem-lhe descendo pelos ombros, ao que alguns professores costuma chamar reumatismos. E como tais os curam, sangrando-os o que na minha opinião é erro manifesto, porque são sintomas que vêm disparar em pontadas pleuríticas*…”— * Pleura: membrana que recobre o pulmão.

Post - MarianaCidade de Mariana (em 1846), antiga Vila do Carmo, primeiro povoado de Minas Gerais.

Depois, exemplificando, citou um ato fracassado no tratamento de uma pontada pleurítica:

“…em casa do reverendo  Vigário da Vila do Carmo*, o padre Joseph Simões(13), que perdeu um escravo à minha vista, curando-se de uma semelhante queixa com sangrias bastantes, o tantas que o desanimaram e debilitaram, de modo que sem conservar caldo algum no estômago, com vômitos acabou a vida; dando (tendo dado) o professor assistente a esta doença o nome de reumatismo…” — * Vila do Ribeirão do Carmo, hoje Mariana.

Na vila de Sabará(14), onde esteve radicado por mais de 20 anos, Gomes Ferreyra fez nele próprio uso de um santo remédio, por lá muito conhecido: a cachaça ou aguardente. Como chamou à atenção, o medicamento tinha múltiplas serventias. E relatou o que aconteceu consigo:

“… Em mim experimentei, no princípio que cheguei à Vila Real do Sabará […] por me sobrevir uma surdez, que quase de todo perdi o ouvir […] Me resolvi comer alguma coisa de manhã e a beber em cima um copinho da dita aguardente e, assim, a todos (os) comeres, por me persuadir que seriam flatos*, por ter zunidos nos ouvidos e na cabeça. E, sem embargo, que não podia almoçar pelo não ter costume, (e) me fui acostumando, e […] experimentei muita melhora, e […] fiquei são, sendo este o único remédio que fiz. O mesmo tenho aconselhado a muitas pessoas, que eram atormentadas de flatos e maus cozimentos do estômago…” — * Flatos: gás ou ar expelido por qualquer orifício do corpo.

Post - Erva St MariaErva de Santa Maria, da tradição indígena até a farmácia do século XXI.

Teve ainda o cuidado de listar as prováveis causas das pontadas, uma delas por demais frequente, provocada pelas lombrigas. Também traçou as diretrizes para o diagnóstico e como medicar. Pois assim disse:

“O remédio que tem feito grande obra em muitos enfermos […] é o seguinte. Sumo de erva de Santa Maria, assim chamada nestas Minas […] e na Bahia chamada mastruços, sendo os mastruços verdadeiros outros, como na cura de pontadas se verá. Do dito sumo meia xícara, sumo de dois ou três limões, se misture tudo, e se lance uma colher de azeite de mamona, por outro nome azeite de carrapato, com umas pingas de vinagre forte, e uma dedada de pó de açafrão, como de tabaco, tudo bem mexido e, morno, se dá a bebe ao doente pela manhã em jejum, com tal condição que o doente há que tomar primeiro uma colher de açúcar e, quando tomar a mezinha, lhe não há de tomar o cheiro, o que se observará do modo seguinte… (etc.)” — * Erva de Santa Maria, da medicina indígena, ainda é utilizada como anti-helmíntico, anti-pulgas, etc.

Post - Sabará e papudaVila de Sabará, por Rugendas (sec. XIX), e mulher sofrendo de bócio.

Permeando tratamentos sobejamente absurdos, vez por outra Gomes Ferreyra deu opiniões que se aproximavam da verdade. Uma delas quando abordou a cura da papeira que, hoje se sabe, é um distúrbio da glândula tireoide, produzido pela carência de iodo no organismo. Pois bem, num certo ponto escreveu:

“Alguns têm sarado tomando as ondas do mar, e depois lavando e pondo panos de água salgada em cima dos papos ou morando perto do mar, onde bebam daquela água que nasce perto dele. Também alguns têm sarado bebendo em jejum, por muito tempo, urina de menino, ou não a havendo, a sua própria…”

Quanto às urinas, exagerou, mas quanto às águas do mar, esteve bem correto, pois ela é rica em iodo. No Brasil, depois da obrigatoriedade de se adicionar iodo ao sal de cozinha, quase não houve mais papudos. Porém, o autor, quando abordou distúrbios de ordem psíquica, embarcou nas superstições e agiu ele próprio com mente de feiticeiro. Em certo trecho do livro teve a coragem de dizer:

“Um corpo defunto brota sangue em presença do matador por antipatia ou providência de Deus e, pela mesma, um matador não sairá da presença do defunto, enquanto o defunto estiver de bruços. Eu assim o vi no arraial de cima, junto à Vila do Carmo, nas Minas do Ouro, que caindo o defunto de bruços, com uma facada no coração, andava o matador perto do defunto e à sua vista, como pasmado ou peado, sem poder fugir, e tanto que um homem virou o defunto de costas, e logo o matador correu, e fugiu.

De qualquer modo, salvos os equívocos, os bons propósitos do cirurgião colaboraram para divulgar e implementar uma medicina popular mas, nem por isso, as antigas práticas foram de vez abandonadas. Via de regra, os medicamentos da flora foram sempre bem aceitos por todos e continuaram sendo administrados, por quem quer que fosse.

Nesse sentido, destacou-se na obra de Gomes Ferreyra uma planta de múltiplas utilidades, qual seja, a arruda(15). Ninguém podia passar sem ela pois, dizia a tradição, servia na cura de mau-olhado, limpeza espiritual, como calmante e regulador menstrual, e ainda para eliminar vermes, debelar prisão de ventre, etc. Enfim, tinha utilidade em quase tudo e mais alguma coisa. Tanto é verdade que a plantinha, de origem europeia, disseminou-se por toda parte. Na região do Curral Del Rei – atual Belo Horizonte – plantaram-na nas margens do curso d’água que corta a cidade e que, por isso, levou o nome de ribeirão das Arrudas.

Post - Erario

← Erario Mineral, editado em Lisboa, 1735.

Brasil – Século XIX

Até que, em 1840, chegou ao Brasil o médico polonês Pedro Luiz Napoleão Chernoviz(16), com formação pela famosa universidade de Montpellier (França). Ao presenciar o precário atendimento  à saúde oferecido aos brasileiros, Chernoviz foi movido a dar sua contribuição. E tinha plenas condições para isso, porque, além excelente médico, possuía o dom da comunicabilidade e escrevia com simplicidade e clareza.

Assim foi que, como outros já haviam feito, decidiu escrever sobre medicina prática. Publicou primeiramente dois livros dirigidos a todo o público leigo, embora deles tenham tirado proveito os profissionais de saúde. Foram 19 edições do Formulário ou Guia Médico,  a primeira em 1841 e a última em 1927. Depois, em 1842, saiu o Dicionário de Medicina Popular. Até hoje, o conjunto da sua obra é muito admirado por quem entende do assunto.

O costume de publicar manuais de “medicina ao alcance de todos” já era comum no Brasil e tradicional na Europa. Em 1802, obteve grande aceitação no país a tradução para o português de Domestic Medicine, do inglês William Buchan. Em seguida, vieram os compêndios Manual do Fazendeiro ou Tratado Doméstico sobre as Doenças dos Negros (1834) e Guia médico para as Mães de Família (1843), de Jean-Baptiste Imbert, francês, radicado no Rio de Janeiro. Portanto, havia o hábito de se fazer medicina com um livro debaixo do braço.

Post - ChernovizDuas páginas do Fomulário. / Piotr Ludwik Napoleon Czerniewicz, o dr. Chernoviz.

Paralelamente aos livros, Chernoviz comercializou mini boticas, abastecidas com alguns medicamentos e de fácil manuseio. Eram pequenos móveis, fáceis de acomodar nas residências ou em modestos estabelecimentos farmacêuticos. Pela leitura do seu trabalho, percebe-se que era um cientista atualizado. Por exemplo:

“IODO (iode, fr.) – Corpo simples obtido de plantas marinhas, do gênero fucus. É sólido, em escamas de cor negra cinzenta, de um brilho metálico, cheiro d’água de Labarraque e sabor acre; pouco solúvel na água, mais solúvel no álcool e no éter; deliquescente (*que se liquefaz). O iodo e seus compostos empregam-se com vantagem na papeira, escrófulas, engurgitamento das mamas e dos testículos, endurecimento da língua e do colo uterino…”

Detalhe curioso tem a ver com o tratamento dos papudos, pois tanto o antigo Gomes Ferreyra, quanto o Chernoviz, eram ambos concordantes ao indicarem o uso do iodo, embora o primeiro tenha afirmado isso um século antes. A descoberta do iodo ocorreu por acaso, em 1811, pelo francês Bernard Courtois, químico encarregado de produzir nitrato de potássio para fabricar pólvora, a pedido do imperador Napoleão. Por outro lado, a introdução de iodo no sal consumido no país só ocorreu em 1953, devido a alta incidência de bócio na população de várias regiões.

O bócio, por ser uma deficiência orgânica, existia não apenas no Brasil. Era conhecido desde a mais longínqua antiguidade e foi descrito por chineses, egípcios e gregos. Tudo indica que notáveis personagens históricos sofriam de bócio, um deles foi o pintor Piero Della Francesca. Seu auto-retrato denota, no pescoço, a existência da típica protuberância.

Os livros de Chernoviz, entre eles uma História Natural para Meninos e Meninas, publicada em 1860, tornaram-se um sucesso no Brasil e em alguns países de língua espanhola. Divulgados por incisiva publicidade, foram vendidos das cidades aos mais afastados rincões. Um desses anúncios dizia:

“Medicina Doméstica – […] se acha à venda […] nas principais livrarias do Império, a importante obra: ‘Dicionário de Medicina Popular’, em que se descrevem, em linguagem acomodada à inteligência das pessoas estranhas à arte de curar, os sinais, as causas e o tratamento das moléstias; os socorros que se devem prestar nos acidentes súbitos, como aos afogados, asfixiados, fulminados de raios, às pessoas mordidas por cobras venenosas, nas perdas de sangue, nas convulsões das crianças, […] os conselhos para (se) preservar das moléstias e prolongar a vida, […] os erros populares nocivos à saúde; os meios de descobrir a falsificação do vinho e dos alimentos; a preparação dos remédios caseiros, as plantas úteis e venenosas, etc.”

Naquele tempo, quando era mais fácil morrer que viver, ter um guia de Chernoviz na mão era como carregar um tesouro. Quem o possuísse, fosse médico, farmacêutico, sacerdote ou fazendeiro, gente de boa vontade e até mesmo charlatães, podia sair praticando a complicada arte de curar. Cada um, a seu modo, se apresentava pela salvação do próximo, ora acertando e ora errando. E alguns faziam tudo só por dinheiro, principalmente.

Post - História natural & BoticaChernoviz: história natural para crianças. / Botica da fazenda Cachoeira, S. João da Boa Vista (SP).

Contudo e com muita razão, havia quem criticasse a tal medicina popular. Pois um médico, que assinava como dr. P. Mosqueira(17), também fazedor de versos, deu uma opinião bem humorada ao escrever “Doutor formado na aldeia”:

Em sua rude choupana,
A medicina estudou,
E com Chernoviz no bolso,

Doutor Pêco se formou.

Ferrabrás em medicina,
Quer na ciência um lugar;
A cada façanha sua,

A morte põe-se a folgar.

Em 1855, no jornal Correio Mercantil(18), do Rio de Janeiro, um anônimo anunciou curar “tubérculos pulmonares, tísica, catarro pulmonar, asma, tosse, rouquidão, escarros de sangue, opressão, sufocação e dor de peito.” Dizia ser um tratamento novo, mas alertava:

“Já temos obtido alguns resultados […] porém, cumpre-nos declarar que, entregando-nos aos curativos destas moléstias, não temos em vista levantar moribundos das sepulturas […] Serei encontrado todos os dias, exceto aos domingos, da 11 às 2 horas da tarde, na rua dos Ourives, nº 86, 2º andar.”

Será que o tal anunciante possuía um daqueles guias de medicina popular? Pior é que muita gente acreditava nesse tipo de malandro, que proliferava por todo o país. Verdade é que, até meados do século XX, ainda havia toda sorte de médicos improvisados usando e abusando dos guias de Chernoviz, para o bem e para o mal.

Contudo, o fato de ser medicado ou fazer auto-medicação, seguindo os preceitos da “medicina ao alcance de todos“, não aplacava por completo as aflições do paciente, desde que viver nunca foi garantido, mas sempre houve o tal fio de esperança… Pois, então, a quem apelariam? Lembrem-se que na poesia sempre se encontrou bom medicamento, como este:

É a morte que consola, ah! E que faz viver;
É o motivo da vida e é a única esperança.
Tal como um elixir que em nós penetra e inebria,
E nos dá forças para caminhar, até anoitecer.  Charles Baudelaire, em “La mort des pauvres”.

Pesquisa, texto e arte de Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

Leia também – clique com o botão direito –, aqui: “Prodigiosa Lagoa”

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(1) POMPEU & PESSOA – No século I a.C., o general romano Pompeu, encorajava marinheiros a velejar no mar bravio, dizendo: “Navigare necesse, vivere non est necesse”. Muito mais tarde, no século XIV, o poeta italiano Petrarca transformou a expressão em “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Em 1914, o português Fernando Pessoa retomou a frase que está aí, presente. E que cada um a leia como queira. Essa, como toda obra, é aberta e o leitor pode entender o “preciso” como “certo, correto” ou, por outro lado, como “necessário”. Agora a palavra é sua!

(2) Mezinheiro – Aquele que prepara ou trata com mezinhas, que são medicamentos oriundos das tradições populares, geralmente um remédio feito em casa.

(3) MESTRE JOÃO – Cognome de João Faras ou Johanes Emeneslaus. A “Carta do Mestre João” foi descoberta pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen e publicada em 1843, na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, 1843, tomo V, nº 19.

Post - Cruz(4) Trademark – É uma forma gráfica diferenciada; um símbolo; por extensão um logotipo, quando a forma gráfica é associada à palavra; um símbolo que representa uma empresa, uma corporação ou um produto. Uma “trademark” – em português, marca – é distintiva, mas não é necessariamente descritiva. Pode ser registrada oficialmente, para a aquisição do direito de propriedade. / Os nomes da terra achada (ou descoberta), desde o primeiro: Pindorama,Terra de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, Terra Papagalli (Terra dos Papagaios), Mundus Novus (Novo Mundo), América, Terra do Brasil, Índia Ocidental, Brazil e, finalmente, Brasil. / Imagem ao lado: detalhe do marco da posse, em Porto Seguro.

Post - Missa Victor Meireles(5) Esperável – Capa, manto ou cobertura; também chamado pálio (do latim pallium), docel (do latim dossellum), baldaquim (do latim baldachinum), sobrecéu, tenda, toldo. / No livro “Verdadeira Informação das Terras do Preste João das Índias” [em 1520] , pelo padre Francisco Álvares, Imprensa Nacional de Lisboa, 1889, p.123, lê-se: “E a tumba em que vinha a ossada, vinha metida dentro em um esperável de brocado, cercado com cortinas de cetim. E, assim, meteram o dito esperável e tumba dentro da igreja, pela parte travessa onde nós estávamos com a gente que na igreja pode entrar. Viemos a este ofício em saindo o sol e saímos (à) noite com tochas.” / O pintor Victor Meireles, quando pintou o famoso quadro da primeira missa (1860), não colocou o esperável mas apenas o altar (imagem ao lado [monte Pascoal, ao fundo], detalhe).

(6) São Vicente – Atualmente é um município da Baixada Santista (estado de São Paulo). Em 1530, Martim Afonso de Souza chefiou uma expedição para explorar de explorar as novas terras portuguesa e, para tanto, percorreu o litoral atlântico até o limite do Rio da Prata. Como recompensa, foi investido como donatário da denominada Capitania de São Vicente, onde fundou vila de mesmo nome.

(7) SILVEIRA, Pero de Goes da – Capitão hereditário de São Tomé. A capitania foi doada em 28.08.1536 e ficava entre as atuais cidades de Itapemirim (ES) e Macaé (RJ), ou seja, indo do sul do Espírito Santo, até o norte do Rio de Janeiro.

(8) MADRE DE DEUS, Gaspar da (frei) – “Memórias para a História da Capitania de S. Vicente, hoje chamada de S. Paulo”, Lisboa, 1797, p. 75 e 76.

(9) Durante muitos séculos, foi proibida a prática da medicina pelos clérigos, especialmente a cirurgia. Porém, a partir de 1576, por autorização do papa Gregório XIII, permitiu-se a prática médica aos jesuítas que fossem habilitados, excetuando a cirurgia. Contudo, o exercício só era admitido em lugares onde não houvesse médicos leigos e, assim mesmo, com o consentimento dos superiores.

(10) STADEN, Hans – “Suas viagens e captiveiro entre os selvagens do Brazil”, Typographia da Casa Eclectica, São Paulo, 1900. / • Leia também – clique com o botão direito –, aqui: “Um exército invencível”.

(11) LÈRY, Jean de – ( Lamargelle, França, * 1536 / L’Isle, Suíça, 1613) Pastor, missionário e escritor; membro da igreja reformada de Genebra durante a fase inicial da Reforma Calvinista.

(12) FERREYRA, Luis Gomes – (Rates, Póvoa de Varzim, PT, *03.02.1686 / Sé, Porto, PT, †01.02.1764) Aprendeu a arte de cirurgião-barbeiro com Francisco Santos (Cirurgião da Enfermaria Real de d. Pedro). Estudou cirurgia no Hospital Real de Todos os Santos, em Lisboa, recebendo Carta Cirurgião em 1705. No Brasil, passou por Salvador, Bahia (1708 a 1710); região das Minas do Ouro (1710), onde permaneceu por 20 anos. O “Erario Mineral” foi impresso na oficina de Miguel Rodrigues, 1735, em Lisboa.

(13) TRINDADE, Raimundo (cônego) – “Instituição de Igrejas do Bispado de Mariana” – Ministério da Educação e Saúde, 1945, nº 13, p. 13. — Citação: “A Mesa da Consciência e Ordens, etc. Lisboa Occidental, 12 de Fevereiro de 1724 […] Ao Padre Joseph Simões faz S. Mag.e , que Deus guarde, mercê de o apresentar na igreja matriz da Villa do Ribeirão do Carmo das Minas Geraes do Bispado da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que vagou pelo falecimento do Padre Francisco Ribeiro Barbas, por sua resolução de trinta e um de Julho de presente anno…”

(14) A vila de Sabará originou-se de um arraial dos bandeirantes, no fim do século XVII. Transformou-se em freguesia em 1707, depois foi elevada a vila e município em 1711, com o nome de Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará. É cidade desde 1838.

(15) Arruda – Ruta graveolens – planta da família das rutáceas. Originária do sul da Europa e norte da África.

(16) CHERNOVIZ, Pedro Luiz Napoleão – (Lukov, Polônia, *11.09.1812 / Paris, †31.08.1881) Piotr Ludwik Napoleon Czerniewicz – nome polonês. Em 1830, estudando medicina na Faculdade de Varsóvia, foi obrigado a deixar sua pátria, por ter participado de um levante contra o domínio russo. Recebeu abrigo na França, onde continuou seus estudos, doutorando-se em medicina, com 25 anos, na Faculdade de Montpellier. No ano de 1840, tomou rumo ao Brasil, época em que o país oferecia oportunidades na área da saúde. Ao final daquele ano, teve seu diploma reconhecido pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e foi aceito, como membro titular, na Academia Imperial de Medicina.

(17) MOSQUEIRA, P. – “Diario de Minas”, Ouro Preto, 31.10.1874, p. 3.

(18) “Correio Mercantil”, Rio de janeiro, 16.04.1855, p. 3.

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8 Comentários »

  1. Eduardo: História fascinante. Gostei desde o início, quando “usurparam a coroa vermelha”. Ademais, lembrei-me do meu avô, farmacêutico, que decorava o Chernoviz e o “Erario Mineral”. Mais que bom o texto, ou seja, excelente!
    Maria Marilda

    Comentário por Maria Marilda pinto Corrrea — 01/08/2016 @ 1:15 pm | Responder

    • Marilda:
      É um privilégio tê-la como leitora. Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/08/2016 @ 1:57 pm | Responder

  2. Prezado Eduardo,
    Cada vez admiro mais sua capacidade de, em um texto relativamente pequeno, presentear-nos com informações tão bem fundamentadas e que nos mostram ângulos inusitados de nossa própria História. Tem sido um prazer ler os seus textos, pois são singulares, diferentes no conteúdo e raros na abordagem. Com você, tenho aprendido que a História que nos ensinaram nas salas de aula necessita, com frequência, de corajosas releituras. A História não é precisa, mas é preciso conhecê-la bem.
    Grande abraço.

    Comentário por Pedro Faria Borges — 02/08/2016 @ 10:37 pm | Responder

    • Pedro:
      Mais uma vez, sou presenteado com um comentário seu. É uma grande satisfação ter um leitor como você.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 02/08/2016 @ 10:55 pm | Responder

  3. Muito bom. Excelente. Eu sempre aprendendo termos e palavras novas. Esperável! Nunca tinha ouvido esta palavra antes. Então na Bahia existe Mastruço? Aqui falamos Mastruz.
    Mais uma vez, fez-me lembrar do meu pai. Sim, ele tinha um livro de Chernoviz. Acho que todos os médicos tinham. Talvez ainda existam. Vou até procurar na sua biblioteca. Meu pai, Hermes de Paula, tinha fascinação pela medicina popular. Chegou a escrever um livro chamado ” A Medicina dos Médicos e a Outra.” A outra é exatamente a dos curandeiros. Mas ele incluiu mais modalidades, como a chinesa: o Do In. Você tem o livro? Se não gostaria de lhe enviar um exemplar, se me permitir. Acho que vai gostar e dar valor. Escrito por vários médicos e não apenas por ele. Com muitos casos engraçados, assim como os que você narra aqui.

    Comentário por sertaneja — 06/08/2016 @ 11:53 pm | Responder

    • Virgínia:
      Agradeço-lhe o gentil comentário. Continuo pesquisando e tentando escrever histórias curiosas. Espero ter mais algum tempo para fazer o que gosto. Quero o livro, sim!
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 07/08/2016 @ 9:15 am | Responder

  4. Olá Eduardo: Muito bom seu texto, gostei demais da leitura. Essa questão doença/cura é algo que me chama muita atenção, principalmente quando fundamentada com um cunho histórico. Parabéns pelo trabalho!
    Grande abraço.

    Comentário por Gustavo — 24/02/2017 @ 3:27 am | Responder

    • Gustavo:
      Muito obrigado pelo estímulo.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 24/02/2017 @ 7:47 am | Responder


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