Sumidoiro's Blog

01/11/2016

COM MUITO CARINHO

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 7:09 am

♦ De Rosa para Lenice

Num dia de agosto de 1966, a menina Lenice(1), estudiosa e esperta como ela só, desejava brilhar na aula de português. Por isso, quando passaram-lhe uma tarefa escolar, teve a ideia de pedir um depoimento ao primo Joãozito(2), de modo a responder dez perguntas. O parente era primo em primeiro grau de sua mãe Enny, o que tornava a demanda mais fácil de ser atendida. As respostas um pouco tardaram e vieram em carta:

post-carta-rosaObjetos de trabalho do primo Rosa, preservados no museu de Cordisburgo.

rio19 de outubro de 1966.

Lenice, querida Prima,

Perdoe-me, muito, a demora; mas só hoje é que estou recebendo sua cartinha, datada de 23 de agôsto! Enny me telefonou a respeito dela, quando aqui estêve, fiquei esperando… e nada. Hoje, como disse, foi que Tia (digo, Vovó) Carlotinha* telefonou, também, e me mandou enfim a carta, aqui no Itamarati. Assim, tenho de responder depressa, depressa, para não deixar sem matéria Você e suas Coleguinhas. Não reparem, pois, se os quesitos vão preenchidos de modo curto e fôsco. Mas faço-o com vivo carinho e sincera alegria. — * Avó de Lenice, por parte de mãe.

Assim:

I – Desde menino, muito pequeno, eu brincava de imaginar intermináveis estórias, verdadeiros romances; quando comecei a estudar Geografia – matéria de que sempre gostei – colocava as personagens e cenas nas mais variadas cidades e países: um faroleiro, na Grécia, que namorava uma môça no Japão, fugiam para a Noruega, depois iam passear no México… coisas dêsse jeito, quase surrealistas. Mas, escrever, mesmo, só comecei foi em 1929, com alguns contos, que, naturalmente, não valem nada. Até essa ocasião, eu só me interessava, e intensamente, pelo estudo, da Medicina e da Biologia. (Como nasci a 27 de junho de 1908, eu tinha, então, 21 anos, mais ou menos.)

II – Meu primeiro livro publicado foi o Sagarana, em 1946. (O livro tinha sido escrito em 1937.)

III – A sensação que eu tive ao ver o meu primeiro livro sair, foi de deslumbramento, alegria… e susto.

IV – É difícil dizer qual o livro (da gente) preferido. A gente sempre gosta mais de um livro futuro, que se pensa ainda escrever. De qualquer modo, entretanto, posso dizer sinceramente que, de tudo o que escrevi, gosto mais é da estória do Miguilim (o título é “Campo Geral”), do livro Corpo de Baile. Por quê? Porque ela é mais forte que o autor, sempre me emociona; eu choro, cada vez que a releio, mesmo para rever as provas tipográficas. Mas, o porquê, mesmo, a gente não sabe, são mistérios do mundo afetivo.

V – Acho o Sagarana um “filho” igual aos outros, apesar de ser o mais velho.

VI – Falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim, e grego (mas com dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituânio, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do tcheco, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. MAS, TUDO MAL. Eu acho que estudar o espírito e o mecanismo das outras línguas ajuda muito a compreensão mais aprofundada do idioma nacional. Principalmente, porém, estudo-as por divertimento, gôsto, distração.

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← Grande Sertão: Veredas, capa de Poty.

Sagarana e Corpo de Baile já estão editados também em Portugal. Nos Estados Unidos, já saíram Sagarana e Grande Sertão: Veredas (The Devil to Play in the Backlands), e traduzem agora o Primeiras Estórias. Na França, já se publicaram Corpo de Baile e Grande Sertão: Veredas (Diadorim) e está sendo traduzido o Primeiras Estórias. Na Alemanha saíram já o Grande Sertão: Veredas e o Corpo de Baile (Corps de Ballet), a tradução do Primeiras Estórias já está pronta, traduzem agora o Sagarana. Na Itália, saíram o Corpo de Baile (Corpo di Ballo) e o Sagarana, traduzem agora o Grande Sertão: Veredas e a tradução espanhola do Primeiras Estórias já está pronta. No Canadá saíram os mesmos que nos Estados Unidos. O Sagarana está sendo traduzido no Japão. O Grande Sertão: Veredas está sendo traduzido: na Suécia, na Iugoslávia, na Tcheco-Eslováquia; sua publicação está em estudos na Hungria, Romênia, Holanda, etc.

VIII – Seu Colégio é ótimo, e sei que aí procuram sempre melhorar o nível cultural das alunas. Como poderia eu, afastado do vivo dêsses problemas, dar sugestões nesse sentido? Diria apenas a vocês que procurem ler os livros. Vocês mesmas; os livros, em si, é que são importantes. Os autores, não. O autor é uma sombra, a serviço de coisas mais altas, que às vêzes êle nem entende. O autor é sempre “bananeira que já deu cacho”.

IX – A juventude? É uma maravilha. A juventude é quase tudo. É a humanidade e a esperança, recomeçando.

X – A melhor colaboração que a juventude pode dar para melhorar a situação da sociedade? A meu ver, é estudar, aprender, aplicar-se à disciplina e à paciência; e, principalmente, não pensar, por enquanto, em querer melhorar a situação atual da sociedade. Mas procurar, apenas, melhorar a si mesma.

Aqui estão, meu Bem, as respostas – espero que sirvam e que Você e suas Coleguinhas tirem boa nota. Beijo cada uma.

Lembranças afetuosas a Enny e Evaristo.

Com outro beijo, para Você, do

post-assinatura-rosa(Joãozito)” *

——— * João Guimarães Rosa

Sum

APRENDENDO A BRINCAR

Na carta à priminha, Rosa soube dizer: “- Desde menino, muito pequeno, eu brincava de imaginar intermináveis estórias…” Mas sabe-se que contou com o valioso incentivo de Juca Bananeira(3), seu pagem e auxiliar nas artes de brincar. Quem confirma é Enny Guimarães de Paula – mãe de Lenice –, que conviveu com ambos. Também houve um tio Vicente(4), sempre a ajudar.

A prima Enny escreveu(5):

“Eu, bem pequena, me lembro dele já rapazinho, no quintal lá de casa, onde morou por três anos. Lendo no lugar costumeiro, sentado como um Buda, com o livro sobre as pernas, e tendo duas varinhas de papel, muito bem feitas por ele, fininhas e durinhas. Com elas, batia sobre as páginas de forma cadenciada, ora mais rápido, ora mais devagar, conforme a emoção provocada pelo texto. Esse jeito de ler, adquiriu na infância, por certo descobrindo a sonoridade e o ritmo das palavras.

Joãozito foi um menino diferente. Companheiro dele eram só Vicente, seu tio, e Juca Bananeira, vizinho. O que gostava mais era ler e brincar sozinho, armava alçapões para apanhar passarinhos e depois soltá-los. Puxava sabugos de espigas de milho, a imitar carrinhos de bois. Colocava formiguinhas em ilhas e, depois, fazia pontes com pauzinhos para elas passarem.

Muitos outros brinquedos inventava. Conforme disse o tio Vicente Guimarães:

‘Ao relembrar a infância, essa tão divertida, imaginosa e tranquila, no isolamento seu, maravilhoso, ele termina o escrito prometendo compor pequeno tratado de brinquedos para meninos quietos, o que, infelizmente, não chegou a fazer.’

Joãozito amava a natureza, admirava as plantas e era apaixonado pelos animais. Gostava de observá-los e descrevê-los, principalmente bois e gatos:

‘… sempre gostei de bois e de gatos, indistintamente, porque são os mais contemplativos.’ “

post-bananeira-rosa-vicenteJuca Bananeira – pagem e personagem -, Guimarães Rosa e Vicente Guimarães.

BANANEIRA COMPANHEIRO

post-joa%cc%83ozito← Joãozito criança. 

Na idade, havia uma diferença de 15 anos, entre Juca Bananeira (c.1894) e Rosa (1908). Bananeira, era empregado no armazém do seu Flordual – pai de Rosa –, na vila de Cordisburgo(6). Não aprendera a ler nem escrever, mas conhecia estórias de montão e já tinha o traquejo da vida. Por isso, foi repassando seus saberes do mundo para o menino Joãozito. Mas Bananeira não ficou só nisso, foi também boiadeiro, açougueiro, toureiro e coisas mais. Preenchia bons requisitos para tornar-se um dos grandes inspiradores das páginas do sertão roseano e foi personagem do conto “Um Burrinho Pedrês” *. — * Um dos contos de “Sagarana”.

De documento, Juca era José do Espírito Santo Cruz, o terceiro de 13 filhos de d. Francisca Brígida da Cruz e Francisco Santiago Cruz, o Chico Bananeira. O nome da estirpe dos Bananeiras vem da fazenda do Bananal (em Curvelo). Pois bem, as alcunhas vieram a calhar…

Quando empregou-se com seu Fulô – pai de Rosa –, o caboclo Juca Bananeira tornou-se pau para toda obra*. Fazia-se de recadeiro, buscador de animais no pasto, caixeiro ajudante da venda e varredor do mesmo estabelecimento. Tomava refeições na casa do patrão e dormia nos fundos da loja. Seguinte a esse emprego, aventurou-se de vaqueiro e aprendeu a lidar com bois. Até que, certo dia, cismou de ser toureiro. Armava o circo na praça e toureava valentemente. — * Pagem de Rosa até ele transferir-se para Belo Horizonte, aos 8 anos e meio de idade.

Mas, sabido como sempre foi, serrava as pontas dos chifres dos animais que haveria de enfrentar. Quando a plateia descobriu a velhacaria, insultou-o com muitas vaias e foi cobrado pela ilusão. Contudo, reagiu, avisando a todo o arraial que, no seguinte espetáculo, os bois estariam de chifres inteiros. De fato, honrou o compromisso, não sem antes rezar e fazer promessas à Nossa Senhora dos Toureiros, com toda fé e humildade.

Do seu relacionamento com Joãozito, o Bananeira guardou lembranças(7), como esta:

“Quando eu era menino, eu trabaiava cum pai dele […] Quando eu tava lá na venda (no armazém, ao lado da casa de Joãozito), ele gritava: Oi Bananeira! Eu saía, ia lá no quintal… O que é Joãozito? […] Cê vai buscar um cafezim pra mim, que mamãe tá nervosa. Aí, eu ia lá e trazia o cafezim pra ele…

Arranja uns cavalo pra nóis lá! […] Eu pegava os cavalo e fazia ele muntá, e a gente saía, pra ir à rua… […] Agora, Joãozito, nóis lá vai fazê um barui (barulho), sinão num vai:

Ê boiada, vâmo imbora pru sertão,
prá vê a murininha, qui mi matô de paixão…
Ô, ô! Ô, ai, ai! Essa boiada é tão braba,
mas meu cavalo é alazão,
num respeita mula, nem boi brabo.
Eu pego na culera (coleira, rédea). Ai!…”

Com o pagem, o menino tanto aprendeu montar a cavalo, quanto estimulado foi a viver sempre em sorrisos e felicidade. Com esses incentivos e mais lições tiradas de outros, e da sua própria observação, Joãozito descobriu seu jeito próprio de escrever. O ambiente era deveras inspirador… Pois eis um poema cantado por um cego, um tal de sêo Emílio, lá de Santo Antônio da Lagoa (nas cercanias de Cordisburgo), aproveitado por Rosa em um dos seus contos:

Eu já vi um gato ler
E um grilo botar escola;
Nas asas de uma ema 
(ave pernalta do sertão)
Vi jogar jogo da bola.

Só me falta ver, agora,
Cender (acender) vela sem pavio,
Sungar (levantar) pra riba (cima) a água do rio,
Dar louvores (cumprimentos) a macaco,
O Sol se tremer com frio 
E a Lua tomar tabaco.*

Nesses dias tão luzidos,
Entre prados e fulores (flores),
Campos verdes coloridos,
Brilha o Sol com respledores
Aos senhores que aqui vêm
Os meus cantos assistir,
Com nobreza e sentimento
Podem me apolodir (aplaudir),
Deus lhes dê feliz aumento
Por nos ver aqui luzir (brilhar).

— * Em “Sagarana”: A hora e a vez de Augusto Matraga.

post-rosa-vaqueirosRosa em meio a vaqueiros (revista O Cruzeiro).

VISTA CURTA

Joãozito, desde muito cedo, lutou contra a miopia. Lia, mas com dificuldade, mesmo dobrando-se sobre as páginas. Até que, em visita de amizade, o dr. Juca – José Lourenço(8) –, que viera de Curvelo, percebeu a deficiência visual do menino e lhe emprestou os seus próprios óculos. O resultado foi de deslumbramento. Mais tarde, esse acontecimento serviu de inspiração para que Rosa escrevesse, em “Campo Geral”(9), a história de Miguilim. De novo, o mesmo dr. Lourenço iria tirar seus óculos, para então colocá-los em Miguilim, com todo o jeito. Assim:

“- Este nosso rapazinho tem a vista curta. Espera aí, Miguilim…
– Olha, agora!
Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Vias os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa…”

MUITO TIO

Na idade, entre o tio Vicente e Rosa, havia mínima diferença: dois anos e trinta e cinco dias, a favor do tio. Quando Joãozito nasceu, Vicente foi levado à casa da irmã Chiquitinha – mãe de Rosa –, para conhecer o primeiro sobrinho, chegado ao mundo de madrugada. Era sábado, 27 de junho de 1908, ainda na semana das festas de São João Batista. Daí lhe veio o nome.

Guimarães Rosa e seu “muito tio” – assim o sobrinho o chamava –, sempre se empenharam em estar próximos, mesmo que fosse trocando cartas. O tio Vicente deixou um testemunho:

“Eu e Joãozito éramos tio e sobrinho, mas a vida mais nos ligou em especial fraternura, compartilhantes que fomos do mesmo quarto, de brinquedos, peraltices e de geral vivência.”

“Ainda outra de melhor distração era ficar na calçada vendo os pirilampos entreluzirem no escural da noite, num fechabrir constante de seus faroizinhos. Perseguindo os tais em correria alegre, pegava alguns para realizar a principal brincadeira. Colocando o vagalume de costas (peito para cima) na calçada, gritava-se imediato, ordenando-lhe: ‘Salta moleque!’ Ele, obediente, reviravolteava-se num salto completo, caindo com as patinhas no chão. Brinquedo esse de gramprazer, compartilhado pelo riso de todos. Maldade não chegava a ser. Divertimento apenas.”

Tio Vicente ainda relembrou o alto astral dos moradores da casa de Joãozito, onde havia um papagaio parlador. Sempre que alguém gritava por ele, entre outras coisas cantava:

Ó Maria Concebida,
Sem Pecado Original,
Rogai a Deus por nós
Que recorremos a vós.

E, se mais demandado fosse, continuava os versos completando a oração.

post-capela-vista-alegreCapela de São José, Cordisburgo.

PALCO & ATORES

As primeiras vivências a alimentarem o imaginário de Rosa, foram aquelas do lugarzinho onde nasceu. E não podia ser diferente… Em 1883, d. Viçoso – bispo de Mariana – designou o padre João de Santo Antônio(10) para um trabalho de evangelização num lugar chamado Saco do Cocho de Cima. Era apenas ponto de pousada para tropas, onde havia cochos para dar sal ao gado.

Ali, sua missão seria educar* o povo, melhorar os costumes e promover a fé cristã, especialmente divulgar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Naquele momento, sentiu surgir boa oportunidade para que fosse fundado um arraial, naquelas terras então pertencentes ao município de Curvelo. De início, ficou morando na casa de um habitante do lugar. — * Era padre e mestre.

Imediatamente e como de praxe, construiu uma ermida, dedicada a Nossa Senhora das Graças, enquanto aguardava a construção da capela principal, dedicada a São José. Para isso, uma fazendeira muito rica e religiosa, d. Policena Mascarenhas(11), colaborou com dinheiro e, daí em diante, tudo andou muito bem. Até que, num domingo e antevéspera do Natal, tornou-se possível a inicial celebração, mas ainda na primeira ermida. Escreveu padre João:

“No dia 23 de dezembro de 1883, soou pela primeira vez a voz do sino de 62 quilos, que fiz vir do Rio de Janeiro, chamando a vir assistir a primeira missa, neste ainda cerrado de Vista Alegre.”

post-saco-do-cochoJornal “Liberal Mineiro”, 12.08.1884: doação das terras do Saco do Cocho de Cima.

A benção da igreja de São José ocorreu em 20.05.1894 – domingo – e assim foi nascendo o arraial do Sagrado Coração de Jesus da Vista Alegre. Depois, em 1860, na Assembleia Legislativa Provincial (MG), o deputado tenente-coronel Jacintho Dias da Silva(12) apresentou uma reivindicação, nos seguintes termos:

“Sei, sr. Presidente (da Câmara), por […] representação de um venerando sacerdote, que tomou a si encaminhar aquelas almas e proporcionar-lhes algumas comodidades da vida, que as referidas sesmarias vão ser levadas à praça e, nesse caso, […] ver-se-ão aqueles nossos concidadãos forçados a abandonar suas pequenas choupanas.

Nestas circunstâncias, a pedido do sr. padre João de Santo Antônio, missionário apostólico, cidadão muito respeitável, resolvi sugerir a esta assembleia uma ideia, que se parece pequena em si, mas que poderá, entretanto, pelo seu desenvolvimento e acompanhada de outras, trazer-nos já um começo de colonização nacional.

As sesmarias de que trato estão […] na denominada “Saco do Cocho de Cima”, que esse […] missionário começou a fundar […]; existem ali duas capelas, a de São José e a de Nossa Senhora das Graças. A população ali já é avultadíssima.

Mas, sr. Presidente, […] não deixa de haver uma invasão de propriedade e, nessa hipótese, aquele sacerdote pede que a província dote com o valor (em dinheiro) de uma dessas sesmarias, afim de que seja ali fundada, com caráter civil e canônico, uma colônia nacional.”

O projeto foi aprovado, assim:

“Projeto nº 21 – Art. 1º – O Presidente da Província […] mandará arrematar a sesmaria de “Saco do Cocho de Cima”, das do Melo*, pertencente ao extinto Vínculo da Jaguara(13), para estabelecimento dos agregados […] Esta propriedade será distribuída em lotes proporcionais, pela famílias e indivíduos, conforme o número de pessoas e condições de exercício da agricultura… / Sala da Sessões, 5 de agosto de 1884 – J. Dias, Ludovice, cônego Zeferino, Christiano Luz, Padre Cândido.” — * Melo: uma imensa sesmaria que compunha o conjunto da Jaguara.  

post-casa-de-guimara%cc%83esCasa de Guimarães Rosa, em Cordisburgo.

O patrimônio doado à igreja perfazia muitos alqueires e, deles, o padre João separou vários lotes, para distribuição gratuita. Também não se esqueceu de prover a população com o serviço de água(14). Mais tarde, por decreto de 09.06.1890, trocaram o nome do arraial para Cordisburgo da Vista Alegre. E quem bem descreveu o lugar foi Rosa, em voz alta, no seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras:

“… pequenina terra sertaneja, trás montanhas, no meio de Minas Gerais. Só quase lugar, mas tão de repente bonito: lá se desencerra a Gruta do Maquiné(15), milmaravilha, a das Fadas; e o próprio campo, com vasqueiros cochos de sal ao gado bravo, entre gentis morros ou sob o demais de estrelas, falava-se antes: ‘os pastos da Vista Alegre’. Santo, um ‘Padre Mestre’, o Padre João de Santo Antônio, […] chamou ‘O Burgo do Coração’. Só quase coração – pois onde chuva e sol e o claro do ar e o enquadro cedo revelam ser o espaço do mundo primeiro que tudo aberto ao supra-ordenado: influem, quando menos, uma noção mágica do universo.”

JOÃO, SEMPRE NA ALEGRIA

Certa feita, disse Rosa a respeito do mundo animal, brincando e ensinando à sua filha Vilma. Assim:

“O macaco: homem desregulado. O homem: vice-versa; ou idem.”

post-biblioteca

← Antiga Biblioteca Municipal (antes Palácio do Conselho Deliberativo).

Conta também o tio Vicente Guimarães, ter Joãozito sozinho iniciado o aprendizado de francês, com 7 anos de idade. Do seu estudo precoce tirou vantagens, como certa vez, em Belo Horizonte. Lá, foi frequentador habitual da Biblioteca Municipal, situada na rua da Bahia – esquina com av. Augusto de Lima – onde possuía lugar cativo. Assim aconteceu:

“Passava por um barzinho, […] comprava pastéis de tostão, de carne bem cheios; em empadinhas de camarão, de sua preferência, de 200 réis cada, com inteiras azeitonas; uma garrafa de soda limonada, de 500 réis; e doces vários, de tostão cada um. Com esse farnel, dirigia-se à Biblioteca Municipal […] Tinha Joãozito um lugar especial […] Era o mesmo de sempre, a um canto da sala, mais distante possível das janelas, de menos barulho ouvido do trânsito.

Certa vez, […] um leitor idoso de óculos grossos, viu aquele menino com o embrulho aberto, […] comendo […] e bebendo […] sem tirar os olhos do livro […] imediatamente, […] o velho procurou o funcionário da biblioteca e denunciou:

– Ali está um menino fazendo piquenique. Pode manchar os livros num descuido qualquer, pois trouxe até uma garrafa de soda.

– Não tenha receio – tranquilizou o funcionário –, ele é frequentador da biblioteca e, aos domingos, sempre passa a tarde toda aqui […] Dê um pulo, despercebido, até lá e […] veja o que ele está lendo.

O denunciante ver e constatar quis […] Aproximou-se. Embasbacado ficou. Não contava com aquele desenredo. Joãozito, menino de 9 anos, lia um clássico francês.” (16)

E agora, para encerrar, lembrando uma entrevista do Rosa a Günter Lorenz(17):

“Os livros nascem, quando a pessoa pensa; o ato de escrever já é a técnica e a alegria do jogo com as palavras.”

Compilação, texto e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

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(1) PITANGUI, Lenice Guimarães de Paula | GENEALOGIA | filha de Enny Guimarães de Paula (*26.02.1920 / †27.11.2010) e Evaristo Soares de Paula (*29.12.1913 / †17.08.1990) > neta de Carlota Moreira Guimarães (*1896) e João Lima Guimarães (*09.02.1893 / †19.05.1960), por parte de mãe ||| Lenice é prima em 3° grau de Eduardo [Vianna] de Paula [Filho], autor deste Blog. Na linha paterna, são bisavós comuns: Ritta Cassimira Pereira da Silva (*13.07.1848 / †20.03.1914) e o capitão Evaristo Antônio de Paula (*26.05.1835 / †18.05.1813). ||| Fonte da correspondência: “Joãozito, infância de João Guimarães Rosa”, por Vicente Guimarães, Ed. José Olympio, 1972, p. 172 a 174. ||| Clique com o botão direito e leia mais, aqui: O capitão e sua família”.

(2) ROSA, João Guimarães – (Cordisburgo, *27.06.1908 / Rio de Janeiro, †19.11.1967). Filho de Florduardo Pinto Rosa (Fulô) e de Francisca Guimarães Rosa (Chiquitinha).

(3) CRUZ, José do Espírito Santo (Juca Bananeira) – (*1894 / †1998) Personagem do conto “O Burrinho Pedrês”, publicado em “Corpo de Baile”, 1956.

post-era-uma-vez-sesinho(4) GUIMARÃES, Vicente de Paulo – Vovô Felício – (Cordisburgo, *23.05.1906 / Rio de Janeiro, †02.06.1981) Filiação: Luis Guimarães e Maria Lima Guimarães. ||| O vovô Felício ficou famoso com sua literatura infanto-juvenil e produziu mais de 40 títulos. Em 1935, Vicente criou, em Belo Horizonte, a revista “Caretinha”; dois anos depois, foi o responsável pelo suplemento infantil do jornal “O Diário”. Obtiveram grande sucesso suas revistas “Era uma vez”, que começou a circular em 1940, e “Sesinho”, de dezembro de 1947 a agosto de 1960. / Dois famosos personagens criados por Vovô Felício: “João Bolinha” e “Zé Caixinha”. ||| Em tempo: o primeiro desenho publicado pelo autor deste Blog foi na “Era Uma vez”, quando tinha 16 anos de idade. Disso veio também o primeiro pro labore e o incentivo profissional.

(5) PAULA, Enny Guimarães de – Em “Ave, João”, Brasília Gráfica e Editora, 2010.

(6) Cordisburgo – O povoado tem seus limites com Paraopeba, Araçaí, Santana de Pirapama e Curvelo. Os primeiros desbravadores foram os bandeirantes da região calcária das Sete Lagoas.

(7) SOUZA, Geraldo Elísio – Entrevistando, em gravação, Manuelzão e Juca Bananeira, 1989.

(8) VIANNA Filho, José Lourenço (dr. Juca) – (Nova Lima, *01.11.1880 / Curvelo, †?.12.1964). Médico e farmacêutico formado pela Escola de Medicina do Rio de Janeiro.

(9) O conto “Campo Geral” foi publicado, inicialmente, em “Corpo de Baile”, de 1956.  Posteriormente, em “Manuelzão e Miguilim”, de 1964, fruto da divisão de “Corpo de Baile”, em três volumes.

 post-pe-joa%cc%83o(10) MIRANDA, João Baptista Carneiro de (Padre João de Santo Antônio – foto à esquerda) – Nasceu no arraial de Nossa Senhora do Morro Vermelho (Caeté, MG), em 20.04.1824 e batizado em 20.05.1824; filho de Maria Genoveva da Rocha (†12.07.1867) e Joaquim Ferreira de Barros; faleceu com 89 anos de idade, em Pinhões (bairro de Santa Luzia, MG), em 15.09.1913.  / • Padre João aprendeu as primeiras letras em Sabará (MG), com o padre mestre Joaquim Theodoro e foi aluno de latim do padre mestre Delfino da Fonseca Lemos. • Em 13.06.1845, padre João recebeu o hábito religioso no Hospício* da Terra Santa (Sabará – foto abaixo), pelas mãos do frei Salvador São Boaventura (“O Apostolo”, 06.09.1895). Naquele lugar residiu até 27.03.1847 [* Hospício: hospedaria para clérigos idosos ou esmoleres, com a finalidade de arrecadar fundos para manutenção de locais sagrados na Terra Santa. Frei Boaventura administrava a casa.] • A ordenação como sacerdote ocorreu em 08.03.1856, no Seminário de Mariana – onde estudou –, quando contava 32 anos de idade. • Padre João, em 1867 – na época pároco post-hospicioem Caeté –, foi eleitor na Assembleia Provincial pelo partido conservador, tendo sido o mais votado, com 204 votos (“Diário de Minas”, 14.02.1867). Outra vez, em 1869, quando obteve 141 votos (“Noticiador de Minas”, 15.03.1869). / • Em 18.10.1883, atendendo pedido de padre João, foi criada em Saco dos Coxos – freguesia de Traíras, termo de Curvelo (MG) – uma cadeira de instrução para o sexo masculino (“Liberal Mineiro”, 04.12.1883, p.1). ||| • No jornal “O Apóstolo”, 13.09.1895, falando de padre João:

“Pelos sertões de Minas, tanto na diocese de Mariana, como na de Diamantina, numerosas foram as povoações que se reformaram ao sopro de seu zelo e à influência de suas pregações”.

• Padre João foi nomeado missionário em Diamantina, em 1865 (“Cruzeiro do Brasil”, 09.04.1865). ||| • Pároco da freguesia de Pinhões (“O Paiz”, 23.04.1913). ||| • Delegado da Instrução no Morro Vermelho: “Almanak Administrativo, Civil e Industrial” (MG), 1870, 1873; vereador em Caeté: “Almanak Administrativo, Civil e Industrial” (MG), 1874. ||| • Em missões de catequização o padre João percorreu das regiões dos vales do Rio Doce (centro-leste de MG) aos do Mucuri (nordeste de MG), como realizou inúmeras outras atividades religiosas, inclusive além da província de Minas Gerais. Além disso, tinha o hábito de frequentar o Recolhimento de Macaúbas (Santa Luzia, MG). ||| Na localidade de Pinhões, construiu uma capela e uma residência, onde passou seus últimos dias de vida.

post-joa%cc%83o-pinheiro-da-silva← João Pinheiro da Silva, ex-governador de Minas Gerais.

• Em 09.06.1890, o povoado de Coração de Jesus da Vista Alegre foi elevado a distrito de Cordisburgo da Vista Alegre, município de Sete Lagoas, por decreto do então governador, João Pinheiro da Silva (*16.12.1860 / †25.10.1908). Havia fortes motivos para tanto… Anteriormente, ele e seu irmão José, quando estavam vivendo em Ouro Preto, ficaram órfãos de pai – Giuseppe Pignataro, italiano –, tendo então retornado a Caeté, terra da mãe – Carolina Augusta de Morais. Ele e o irmão, aprenderam as primeiras letras em Ouro Preto e continuaram em Caeté, quando se aproximaram do padre João de Santo Antônio que, naquele momento, era vigário na vizinha Morro Vermelho. Nessa época, a pedido da mãe, foram entregues aos cuidados desse padre amigo, que lhes ampliou o conhecimento do português e também ensinou latim. Mais adiante, tendo a mesma influência, o irmão José matriculou-se no seminário de Mariana (MG), onde ordenou-se padre. Em 1890, João Pinheiro da Silva casou-se com Helena de Barros e, dessa união, deixaram grande descendência.

(11) MASCARENHAS, Policena Moreira da Silva − Casada com Antônio Gonçalves da Silva Mascarenhas – comerciante e fazendeiro, em Taboleiro Grande (Paraopeba); filha de Apolinário Ferreira Pinto e Custódia Moreira da Silva.

post-casa-jacintho← Solar de Jacintho Dias, Sabará.

(12) SILVA, Jacintho Dias da – Tenente-coronel e deputado eleito por Sabará, pelo 4° distrito, para a Assembleia Provincial (“Liberal Mineiro”, Ouro Preto, 14.11.1883). / Ata da 3ª Sessão Ordinária – 05.08.1884. Projeto apresentado pelo deputado Jacintho Dias, para a doação das terras de Vista Alegre: “… cabendo-me ainda uma vez a subida honra de representar neste recinto o 4° distrito da minha província…” (“Liberal Mineiro”, 12.08.1884). ||| Além de deputado, Jacintho foi muito influente na província, tendo sido advogado, juiz de paz, delegado e militar como capitão-quartel-mestre do comando superior da Guarda Nacional, e depois major, dos municípios de Sabará e Curvelo; mais tarde, tenente-coronel* (*“Correio Mercantil”, 07.10.1867).

O casarão onde morou ainda existe e abriga a Prefeitura Municipal. Foi construído, por volta de 1773, pelo padre José Correia da Silva, filho de um rico boticário português estabelecido na então vila do Sabará (MG). Era homem culto e abastado, e gozava de grande prestígio. Mas isso não impediu que Correia fosse preso e tivesse os bens confiscados, em decorrência do seu envolvimento na famosa conspiração dos Távora, contra d. José I de Portugal, em 1758. Mais tarde, o prédio pertenceu ao Barão de Catas Altas; em 1831, o Barão nele recebeu d. Pedro I. Em 1851, o imóvel passou às mãos do tenente-coronel Jacintho Dias. Mais tarde, nele se hospedou, por dois dias, d. Pedro II.

(13) Fazenda da Jaguara – Um dos maiores estabelecimentos rurais do Brasil, no século XVIII, abrangendo vasta extensão territorial da antiga comarca de Sabará. Estendeu-se desde as cercanias da Quinta do Sumidouro, até as proximidades do município de Curvelo. Era um conjunto de fazendas cuja sede, situada na beira do rio das Velhas, ainda existe no município de Matozinhos (MG). // As terras doadas pertenciam à porção denominada fazenda do Melo. /// Conheça a história da Jaguara, clicando com o botão direito, aqui: “A fazenda de muita história”; aqui: “Promessa furtada”; e aqui: “Dumont, Vianna & Cia.” .

(14) “Correio da Manhã”, 23.07.1905, p. 3.

(15) A gruta de Maquiné foi descoberta em 1825, pelo fazendeiro Joaquim Maria Maquiné, na época proprietário das terras. O paleontólogo dinamarquês Peter Lund, lá fez inúmeras pesquisas e encontrou fósseis.

(16) GUIMARÃES, Vicente – “Joãozito, infância de João Guimarães Rosa”, Ed. José Olympio, 1972, p. 40 e 41.

(17) LORENZ, Günter – Entrevista no Congresso de Escritores Latino-Americanos, Gênova, Itália, 1963: em “Diálogo com a América Latina”, Ed. Pedagógica e Universitária, São Paulo, 1973.

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9 Comentários »

  1. Eduardo, toca o coração e alerta para o futuro. Tudo fica tão perto, como também distante. Esta carta foi maravilha! Sempre de você esperamos o ótimo!
    Marilda – Lagoa Santa

    Comentário por Maia Marilda pinto correia — 01/11/2016 @ 10:51 am | Responder

    • Querida Marilda:
      Muito obrigado. Seu estímulo ajuda-me a caminhar.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/11/2016 @ 2:03 pm | Responder

  2. Caro Eduardo:
    Mais carinho no que neste Post, impossível! Que riqueza de documentos o senhor possui! Mais uma vez, obrigada pelas portagens.
    Abraços, Vania Perazzo Barbosa.

    Comentário por Vania Perazzo Barbosa Hlebarova — 02/11/2016 @ 9:48 am | Responder

    • Vania:
      Agradeço o carinho da sua resposta. Continue comentando que isso me ajuda.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 02/11/2016 @ 10:16 am | Responder

  3. Eduardo,

    Você conseguiu compor uma imagem muito humana e bonita do grande Guimarães Rosa. A carta para Lenice mostra uma pessoa amável, gentil, cuidadosa nos seus relacionamentos e que, apesar de todos os seus conhecimentos e de todas as suas glórias literárias, apresenta-se de maneira simples, sem arrogância. Passei a gostar mais ainda desse grande escritor.
    A amizade do Joãozito com o Juca Bananeira e com o tio Vicente, tão importante na formação do menino e escritor Rosa, raramente realçada, está muito bem colocada no seu texto. A atitude do Dr. Juca, ao emprestar ao menino os seus próprios óculos, e a reação de Rosa recuperadas, em sua obra literária, são de uma beleza incrível. Parabéns, Eduardo, por mais este texto, que eu aguardava com tanta expectativa. Você foi além do que eu esperava.

    Pedro Borges

    Comentário por Pedro Faria Borges — 02/11/2016 @ 10:06 am | Responder

    • Pedro:
      O mundo está precisando de mais pessoas como Rosa e como você. Continue comentando porque isso dá-me força.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 02/11/2016 @ 10:22 am | Responder

  4. Finalmente volto aqui. E que surpresa, ao ver o tema tratado: Guimarães Rosa. Ainda na semana passada, debati sobre ele com uma uma brasileira, que perguntava se os livros dele tinham sido lançados no exterior. Eu sabia de apenas uma tradução para o inglês, mas não sabia das outras. Agora, tenho uma lista para fornecer, graças a você. Relembrei de u’a manhã, indo com meus pais para Belo Horizonte, em trem de ferro. Meu pai gostava dos trens, mas costumava perder a paciência, devido à lentidão e atrasos. Naquele dia, depois de uma noite de viagem, o trem parou em Cordisburgo e sem hora para retomar a viagem. Então papai desceu do trem, em busca de um ônibus. Logo voltou dizendo que dentro de 2 horas haveria um com destino a Belo Horizonte. No intervalo, fomos visitar a casa de Guimarães Rosa, transformada em museu. Uma lindeza! Lá estava a máquina de escrever, que agora vejo na foto e tantas coisas mais. Em 2013, soube de algo que emocionou-me. Rosa possuía o livro de meu pai, sobre Montes Claros, que também usava para consultas. Uma amiga viu anotações dele, numa das suas cadernetas. Deu gritos de alegria ao ver o título do livro do meu pai anotado duas ou três vezes. Imagine eu como fiquei! Considero “Grande Sertão: Veredas” como um dos melhores livros já escritos em todo o mundo. Alegrei-me ao saber que ele tinha o “Montes Claros, sua história, sua gente e seus Costumes” e se valeu dele para seus escritos. Agora, quando aqui leio sobre sua infância, sinto que seus livros ficaram ainda mais belos… Amei a carta para sua prima, simples, mas tão saborosa quanto uma obra literária. Amei Juca Bananeira. E o pequeno tratado de brinquedos para meninos quietos? Lamento não ter sido escrito. Aposto que seriam apreciados pelas meninas quietas, como eu. Completo dizendo que também brinquei com os pirilampos. Mas nossa ordem era outra: “Pula Martim!”

    Comentário por sertaneja — 11/11/2016 @ 1:49 am | Responder

    • Virgínia:
      Que bom ter-lhe causado essas alegrias! Já que gostamos das mesmas coisas, vamos juntos catar pirilampos. Pula Martim!
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 11/11/2016 @ 8:32 am | Responder

  5. Meu pai era natural de Resende Costa, nas vertentes. Amava a literatura brasileira e trabalhou no Banco da Lavoura de MG. Acredito que conheceu, pessoalmente, o famoso Guimarães Rosa e tinha todos os livros dele. Papai chegou a lecionar “interinamente” geografia e matemática. E gostava de prosear sobre os grandes escritores mineiros.

    Comentário por marcos mauricio mendes lima — 22/01/2017 @ 11:49 am | Responder


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