Sumidoiro's Blog

01/07/2017

RIO ANTIGO (III)

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 8:34 am

♦ Passeio na serra dos Órgãos

Em 1844, o médico francês Yvan Melchior-Honoré, acompanhando uma missão oficial francesa, chegou na então capital do Brasil, em 28 de janeiro. Este terceiro Post, em seguimento ao anterior, é parte do relato que fez da sua visita.

post-serra-dos-orga%cc%83osTropeiros rumo à serra dos Órgãos (por Rugendas).

depois de alguns dias de descanso (na cidade do Rio de Janeiro), recebi com muito prazer o recado vindo do senhor(1) e senhora Lagrené, convidando-me para uma viagem que iriam empreender à serra dos Órgãos*, nas redondezas de Macacu** e Nova Friburgo. Iniciamos esse programa no dia 6 de fevereiro, pela manhã, embarcando no vapor que faz o percurso do Rio a Piedade. Logo estávamos a atravessar essa incomparável baía do Rio, semeada de ilhas sem nome. Ao passar pela Ilha do Ferro*** e pela charmosa Paquetá, toda florida, lançamos palavras e gestos de saudação. Esse pedaço de terra parecia sorrir aos viajantes, como se pedisse que visitassem suas praias. —  * Trecho mais alto da serra do Mar. / ** Cachoeiras de Macacu. / *** Ilha do Ferro, situada a leste da Ilha do Governador.

Até que chegamos a Piedade*. É uma espécie de entreposto, onde os fazendeiros podem encontrar mercadorias de necessidade e também colocam sua produção a ser enviada ao Rio, por barco a vapor. — * Freguesia de N. S. da Piedade, hoje Magé. Situada no lado oposto da baía.

post-porto-da-estrelaPorto da Estrela, no rio Inhomirim – atual Vila Inhomirim, Magé (por Rugendas).

Em certas partes do Brasil há imensos e bizarros magazines, onde armazenam objetos para serem postos à venda. Entrei num desses, em Piedade, que é uma espécie de hangar imenso e vi, empilhados do chão ao teto, tecidos de todos os tipos, roupas prontas de variados tamanhos, sapatos de todas as numerações, charutos, cigarros de variadas qualidades, champanha, vinho Bordeaux, unguentos, ferramentas para agricultura, velas, sebo, etc. Em exposição desordenada, vende-se quase tudo: bois, carneiros e, até mesmo escravos, e ao preço justo.

Foi em Piedade que encontramos os guias e as mulas, enviados pelo proprietário da fazenda da Serra, a quem faríamos uma visita. De imediato, cada um de nós foi munido com um bridão, enquanto arriavam nossas montarias. Há também a possibilidade de alugar cavalos, os quais são encontrados em grande número, contudo não acontece o mesmo com os apetrechos necessários para cavalgar.

Pusemo-nos então em rota, sob a condução de um feitor ou guia principal. Era um mulato corpulento, esbelto e forte, que tinha a cabeça envolta por um lenço de algodão azul e branco, e que portava gravemente uma enorme espora no seu pé nu. Logo que montamos nossas bestas, desabou sobre nós, furiosamente, uma chuva torrencial como só ocorre nos trópicos. Por isso mesmo, tivemos de enfrentar estradas inundadas e lamacentas.

post-baia-vista-serra-orga%cc%83osA baía vista da serra dos Órgãos (por Thomas Ender).

Essa parte do país é por demais insalubre. É tal e qual um imenso pântano, coberto por uma lâmina de água pútrida, que armazena nas plantas matérias animais em decomposição. Os miasmas que escapam desses lugares, infectados na maior parte do ano, engendram febres perniciosas de extrema violência, as quais têm dizimado a diminuta população dessas localidades tão pestilentas.

Partimos de Piedade às 5 horas da tarde e a noite logo envolveu-nos em sombras. Contudo, as claridades do céu e os pirilampos, verdadeiras lâmpadas vivas, cujas luzes acendem em intervalos, foram suficientes para alumiar o guia à nossa frente. Às 11 horas da noite, chegamos à pousada de don Gaetan – situada perto de uma vila –, onde pernoitaríamos. Naquele lugar, já se notavam as influências funestas dos pântanos da Piedade.

Por outro lado, à medida que aumenta a elevação acima do nível do mar, o clima torna-se mais saudável. Devido à altitude elevada, às vezes, em certos meses do ano, uma leve película de gelo forma-se sobre os lagos que vimos ao longo do caminho. Devido a essa friagem, a cultura de café é menos produtiva nas fazendas da região.

As costas do Brasil são protegidas por uma imensa cadeia granítica. Ela se prolonga desde o norte, atravessando as províncias do Espírito Santo, do Rio de Janeiro, de São Paulo e vai até Santa Catarina. Esse largo cinturão apresenta no seu topo saliências e depressões, às vezes intercaladas por lacunas abruptas. Parece até que o Criador ao construir tão bela natureza, acrescentou essas fortificações naturais, como se desejasse colocá-la ao abrigo de qualquer agressão.

post-faz-mandiocaCasa em propriedade rural na serra dos Órgãos: fazenda da Mandioca (por Thomas Ender).

Ao longo das terras que percorre essa cordilheira vai tomando diferentes nomes. Na província do Rio, a pequena distância da cidade, avista-se a serra dos Órgãos. O nome é devido à configuração dos rochedos que se destacam contra o céu. São formações graníticas, dispostas como tubos de órgãos. Porém, esses agudos picos não fazem apenas lembrar os instrumentos das catedrais. Pois dentre esses cilindros de pedra, sons estranhos escapam, completando a ilusão.

Também as vozes da tempestade, as árvores da floresta inclinadas pelo vento, os rugidos lúgubres das onças e os gritos dos bugios, ao percorrerem esses picos sonoros, produzem uma harmonia grandiosa. Superior às dos instrumentos fabricados pelo homem! Sentimos como se fosse a alma do universo acionando um formidável teclado. Em três quartos da sua extensão, a serra dos Órgãos é coberta por florestas virgens. Porém, a ausência de material granítico ocorre em grandes intervalos, onde há vales cultivados pelo homem. Ou, então, quando surgem bacias circulares desprovidas de árvores, nas quais bois e cavalos pastam natural e abundante erva.

post-orga%cc%83os

← Serra dos Órgãos, com o relevo Dedo de Deus.

O caminho que conduz da casa de don Gaetan à serra dos Órgãos é muito bonito, apesar dos terrenos acidentados que têm a se enfrentar. Então, seguimos por um atalho que serpenteia sobre o flanco de uma montanha e, à medida em que subíamos uma rampa, nossos olhares admirados começaram a abraçar um imenso horizonte. No meio da viagem, deparamos com um vale coberto de culturas, cortadas por numerosos córregos, moitas de bambu e algodoais. Ao fundo, avistava-se o mar, iluminado por um sol esplêndido. Naquele ponto, a paisagem estava emoldurada por uma cintura de rochedos negros, coroados de árvores verdes.

Logo que chegamos ao pico mais elevado o ar estava mais fresco. Ali, as espécies vegetais têm formas particulares, devido ao ambiente especial em que vivem. As borboletas também são diferentes, porém não são aqueles imensos morphos que vivem felizes no Corcovado, mas argynnis e argus.

Chegamos às 2 horas à casa do senhor Marsh – o proprietário da fazenda da Serra –, esse homem logo mostrou-se amável e distinto. Sua residência pareceu-nos confortável e bem equipada, e dele recebemos cordial e educada hospitalidade. Posso dizer algumas palavras do que deduzimos sobre nosso anfitrião…

Há cerca de uma vintena de anos, vivia no Rio um jovem negociante inglês, possuidor de grande fortuna. Morava numa residência suntuosa, muito bem montada e com numerosos escravos. Desfrutava de todo luxo, num padrão de vida de tanta opulência, que não importava se aquilo estivesse ocorrendo no novo ou no velho mundo.

De repente, esse jovem gentleman anunciou aos seus amigos que iria retirar-se para o interior, para viver no isolamento. Tivesse acontecido numa cidade francesa, certamente se assustariam com tal determinação e nem mesmo no Rio seria muito diferente. Somente os ingleses estão acostumados a conviver com esse tipo de excentricidade. Dentro dessa ótica, para eles, pareceria natural qualquer fuga para o exterior, afim de cometer suicídio ou fazer uma viagem aos antípodas.

Serra dos Órgãos: Fazenda da Serra, do senhor Marsh (por W. G. Ouseley)

Pois bem, depois de adquirir sua grande propriedade na serra dos Órgãos, esse jovem aventureiro foi tomar posse de seus domínios. E, numa atitude muito própria dos ingleses, resolveu colocar a grande fazenda a funcionar. Para isso, teve que contar com o trabalho de 300 escravos, de modo que a despesa se tornou elevada.

É bom lembrar que, na serra, situada bem acima do nível do mar, a temperatura não excede os 22 graus centígrados. Essa circunstância despertou no gentleman a ideia de estabelecer ali um caravansarai*, onde os viajantes pudessem viver algum tempo junto às belezas primitivas da natureza, mas comodamente instalados. Seria, também, uma casa de refrigério, destinada aos sofredores do Rio para que pudessem reconfortar-se sob a influência do ar fresco da montanha. Um retiro tranquilo, onde os homens fatigados desse mundo, cansados das preocupações que trazem os negócios, pudessem refugiar-se em completo isolamento. — * Pousadas para caravanas, que havia no Oriente Médio, Ásia Central e Norte da África.

Foi com essa finalidade que construiu a imensa casa, dividida em enormes apartamentos, para quem viesse com acompanhantes. Tinha também disponíveis pequenas habitações de três quartos, destinadas a quaisquer pessoas que decidissem viver longe da sociedade.

Esse filho de Albion*, educado no meio burguês, conhecia nossa literatura, era homem sem fronteiras e sabia exercer a profissão com habilidade. Além do mais, todos sabiam que era muito honesto nos negócios, de modo a não colocar o dinheiro em primeiro lugar. Com essas qualificações, conseguia administrar com sucesso seu castelo e pousada. —  * Albion: nome celta ou pré-céltico da Grã-Bretanha.
post-estrada-real

← Do Rio a Nova Friburgo, a excursão do doutor Yvan.

Contava com um gerente engravatado, usando luvas e bem vestido, que recepcionava os forasteiros e lhes oferecia gentil hospitalidade. Além disso, suprindo a falta de alguém mais próximo, essa mesma pessoa lhes servia à mesa com muita gentileza. Tinha ainda o auxílio de um vulgar açougueiro e mais um jovem serviçal para cuidar de receber os pagamentos dos hóspedes.

Logo que nossa comitiva chegou à serra dos Órgãos e para que ficássemos juntos, o gentil hoteleiro colocou à nossa disposição uma bela habitação, construída no meio da mata. Ao redor dela, haviam abatido árvores gigantescas que estavam a obstruir o acesso, o que resultou numa praça circular, convertida naturalmente em pátio.

Devido à poderosa fecundidade desse solo, os reis destronados da floresta foram substituídos por arbustos de flores brilhantes: quaresmeiras, brincos-de-princesa vermelhos, paineiras floridas, mimosas e cássias amarelas. A própria casa parecia um buquê de flores. O teto e as paredes estavam invadidos por trepadeiras de maracujá, cujos ramos penetravam pelas frestas no interior de todos os quartos. Estávamos num verdadeiro palácio de flores. O mais que víamos eram pétalas brilhantemente coloridas. O ar que respirávamos estava pleno de doces perfumes.

Por ter sido experiência de primeira vez, descrevo com cuidado esse intricado entrelaçamento de plantas, que vivem nas prodigiosas alturas. Sob a sombra de abóbadas, onde o sol mal penetra, há uma mistura de bambus, cipós e arbustos. A serra dos Órgãos é um desses lugares mais altos do Brasil, onde as plantas tentam se sobrepor umas às outras. Buscam nutrir-se com pouco de luz, mas ali também morrem. Quando se plantam algumas laranjeiras, bananeiras ou moitas de abacaxi, é certo que não se desenvolverão a contento e terão vida breve.

Os fazendeiros têm que ser hábeis para produzir nessas terras, sem a necessidade de aumentar o número de escravos. Para isso, têm procurado fazer melhoramentos em raças equinas, investir na produção de mulas e ao cultivo de frutas e legumes da Europa. A cultura de vegetais de origem europeia estava longe de dar bons resultados, nas tentativas do senhor Marsh. A maioria tinha boa aparência, mas quase todas as frutas careciam de bom sabor.

A pera perdia seu perfume e as uvas as propriedades refrescantes. A maçã, que parece mais adaptada ao clima, desenvolve-se razoavelmente, mas perde seu gosto original; o fruto têm a forma alterada e as sementes não se desenvolvem. Quanto aos outros vegetais, excetuando o feijão e a batata*, têm pouco agradecido ao solo americano mas, quase todos, me pareceram bem degenerados. — * A batata (Solanum tuberosum) é originária das regiões andinas. Lá é cultivada há 8 mil anos.

post-rio-inhomirimCaçando anta no rio Inhomirim (por Rugendas).

Na serra dos Órgãos tem-se uma agradável estada: a temperatura é deliciosa e os lugares são deslumbrantes. Nosso palácio de flores é frequentado por todas as criaturas aladas da região. Borboletas e besouros, vestidos como personagens de Perrault*, volteavam e zumbiam constantemente ao nosso redor. Papagaios, tangarás e colibris não se cansavam de visitar nossa casa. Essas delicadas aves, vestidas de brilhos, frequentavam o apartamento da senhora Lagrené mas, de tanta insistência, chegavam mesmo a cansar. — Charles Perrault, autor de contos de fadas.

Naquele lugar, tivemos o prazer de conviver com um velho médico que, além de dar assistência profissional aos hóspedes do senhor Marsh, servia de cicerone para os visitantes de mais distinção. Esse doutor tinha uns 60 anos de idade, mas era vigoroso e alerta. Sua fisionomia radiante, seu sorriso e atitudes educadas, denotavam possuir espírito elevado e bondade.

Ele nos falou de suas vivências nos quatro cantos do mundo. Fôra médico da marinha, titulado como Cavaleiro de Cristo*, diretor de explorações coloniais e, sempre que podia, procurava ser útil. Eu apreciava vê-lo nas nossas andanças falando de política, literatura e economia social. Enfim, de tudo que pode-se esperar de um homem inteligente. Sempre se dirigia a mim para discutir algum tema científico. — Honraria oriunda da antiga ordem eclesiástico-militar dos Templários.

Durante oito dias na Serra, ficamos por conta dos gostos e sugestões do senhor Marsh. Meus companheiros faziam diariamente passeios a cavalo pelos seus vastos domínios em torno da pousada. Quanto a mim, pela manhã, sempre mergulhava no interior da floresta, em busca de certos seres diminutos que vivem sob as cascas das árvores. Lembro-me bem e com alegria, dessas minhas aventuras no meio do silêncio.

Um negro cuidava de carregar minha bagagem, nela havia uma coleção sortida de redes, alicates e caixas. Eu carregava o equipamento até onde aguentava e, com uma machadinha na mão, cortava galhos das árvores. Do mesmo modo, rompia os arbustos entrelaçados de cipós que impediam meu caminhar. Com emoção, levantei as cascas de árvores caídas, onde abrigavam-se numerosos besouros. Diante de tantas surpresas, os tangarás, os pica-paus vermelhos e os papagaios chegavam a parecer aves vulgares.

post-cac%cc%a7adaCaçada na serra do Mar (por Rugendas).

O Brasil é a terra prometida dos naturalistas. As regiões montanhosas são as mais interessantes. Para aqueles que não desejarem estender demais a viagem, recomendo a querida serra dos Órgãos, onde vão encontrar tudo que possam imaginar. Costumam caçar onças nessas montanhas, a espécie carnívora mais temida das terras americanas. Para o caçador, seu enfrentamento é demasiadamente perigoso, mas há a opção pela anta, que tem maneiras mais dóceis e sociáveis. Muitas vezes, encontrei esse imenso paquiderme ao longo dos rios e na beira dos lagos. Fiz muitas vítimas entre os tatus, mas com alguma dificuldade, porque sempre estavam bem distantes de mim. O leitor certamente ficará surpreso, mas digo que as serpentes são muito raras nessa parte do Brasil.

Um réptil muito comum na serra é o iguana*, um grande lagarto, robusto, ágil e audacioso, que sobe nas árvores para caçar pequenas aves. Eu os vi atravessando as estradas, tentando capturar pequenos quadrúpedes. O senhor Marsh matou vários durante nossa estada, para servir à nossa mesa essa fina riqueza da culinária brasileira. — * Provavelmente um teiú.

Era meu propósito percorrer as alturas da serra dos Órgãos, até que chegou o esperado momento. Assim foi que, lá no cimo, consegui colocar as mãos na base dos grandes tubos de granito. Naquele momento era turva minha visão da pedra e vi nuvens transparentes movendo-se devagarinho. Em alguns instantes, percebi minha voz misturando-se com os ruídos da floresta, tal como fosse de u’a música do início do mundo, guardada naqueles nichos da pedra.

Admirei, lá embaixo, a cena magnífica de um tapete de folhagens contrastando com o mar azul. Na vasta extensão líquida, formavam-se cabos, enseadas e promontórios. E, para completar, o vento e o sol pareciam estar produzindo esculturas sobre as ondas. Porém, no meio dessa solitude, não fui capaz de perceber sequer uma habitação e isso fez surgir em mim um sentimento de tristeza. Assim, pude compreender que uma paisagem só se completará se tiver alguma manifestação da atividade humana.

post-selva-exuberanteÍndios na selva exuberante (por Rugendas).

Extenuado e sozinho, sentei-me à beira de um riacho e, de imediato, ouvi uma voz, mas não era dos escravos que me acompanhavam. Falava em inglês e contentei-me a responder com displicência, sem sequer voltar os olhos para verificar de onde vinham as palavras. Respondi como pude:

‘- Que deseja, senhor? Não compreendo o inglês.’

Ouvi a resposta:

‘- Esses franceses são engraçados!’– com um acento tipicamente britânico. ‘- Acham que todo mundo conhece sua língua. Falam apenas o francês!’

Então levantei-me, vi a pessoa e repliquei:

‘- Tem razão. Os franceses têm a pretensão de acreditar que sua língua é universal. Mas sofrem pelo descuido, sempre que metem o nariz fora da sua terra.’

Meu interlocutor plantara-se sobre um rochedo, tal e qual um caçador de camurça na borda de um precipício, rígido sobre as pernas. Vestia polainas de couro e um traje arredondado, e trazia uma enorme faca pendurada na cintura. Seu rosto rosado e de tez fina, tinha como moldura uma bela barba ruiva. Era grandão e forte, e sua aparência transmitia um jeito franco e aberto, o que contava a seu favor. Então, depois de lançar-me um olhar explorador, aquele filho de Albion anunciou:

‘- Sou mister Braone*.’ — * Corruptela do inglês Brown ou Browne.

‘– Você quer repousar em minha casa? Gosto muito dos franceses.’

Daí, eu disse meu nome e, usando a mesma fórmula que adotara ao tratar comigo, acrescentei:

‘- Com muito prazer, vou descansar na sua casa. Gosto muito dos ingleses.’

Acredito que, ao exagerar na minha assertiva, devo isso à maneira bizarra como ocorreu nosso encontro.

Então, depois de atravessar uma fenda circular, cavada numa pedra de granito, pude alcançar a propriedade de mister Braone. Devo afirmar que esse moderno Prometeu gentilmente estendeu-me sua mão. Porém reconheço que, ao observar seu rosto corado, fez-me pensar que havia um abutre a roer-lhe o coração. No meu modo de entender, somente um louco, ou um sábio, poderia viver naquele isolamento. Perguntava a mim mesmo: em qual dessas categorias poderia classificar meu novo relacionamento?

O senhor Braone introduziu-me a um pequeno salão devidamente mobiliado. Era um cômodo comprido e estreito, vazado por três janelas acortinadas e mobiliado com um sofá, mais cadeiras de vime. Instalou-me diante de u’a mesa, sobre a qual estavam garrafas de vinho do Porto, licor, conhaque e rum, e havia um grande livro ao lado.

post-negras-de-debretNegras retratadas por Jean-Baptiste Debret.

Logo que me assentei, o senhor Braone, desculpando-se, retirou-se por instantes. Um quarto de hora depois voltou, conduzindo sob o braço uma jovem negra. Essa moça, que poderia ter bem uns 18 anos, estava trajada com um vestido branco e um enorme xale, do uso de algumas damas inglesas. Cobria-se com um chapéu azul, harmonizando com o resto do traje e calçada com sapatos rústicos, em couro preto, que cobriam-lhe os peitos do pés. Suas mãos vestiam luvas. Ela denotava estar muito desconfortável assim vestida.

A pobre criatura tinha um ar de pânico, expressão comum aos negros daquelas plagas. Trazia três fortes cicatrizes abaixo do nariz. Quase todos os negros a pouco introduzidos nas colônias europeias têm esses sinais, resultantes de algum ferimento que, propositalmente, costumam aplicar-lhes na juventude. Isso ajuda na constatação de suas identidades, contudo, não submetem a essa barbaridade os negros crioulos* . — * Crioulo: negro nascido e criado no Brasil.

O senhor Braone postou-se diante de mim, ainda com sua companhia apoiada nos braços e ambos inclinaram-se ao mesmo tempo. Então, referindo-se à jovem negra, disse ele: ‘- Esta é madame Braone!’

Contive o riso e cumprimentei a bizarra dupla, mas faltaram-me palavras para fazer algum comentário. O gentleman, depois de inclinar-se mais uma vez, rodopiou sobre os pés e afastou-se, levando consigo aquela singular madame Braone.

post-negra-c-xale← Negra com xale.

Ainda não havia me recuperado do susto, quando reapareceu o senhor Braone dando o braço a outra negra. Essa, mais jovem que a primeira, usava certamente os mesmos trajes que a outra desvestira mas, como a anterior era de porte mais avantajado, dessa feita parecia um vestido de cauda. O senhor Braone, fiel aos costumes do seu país, o qual estava a adotar nessas apresentações, se inclinou de novo diante de mim, dizendo:

‘- Esta é outra madame Braone.’

Diante da declaração inusitada, dessa feita não foi possível me conter e dei uma imensa gargalhada. Minha barulhenta hilaridade não incomodou o anfitrião. Contentou-se em olhar para o alto e logo exclamou:

‘- Oh! Esses franceses, se escandalizam com tudo!’

E eu retruquei:

‘- Não se escandalizam exatamente com tudo, meu caro senhor Braone, de fato os franceses se encantam com tudo!’ Por favor – acrescentei, sem poder conter o riso – quem foi o padre que abençoou o duplo casamento? Talvez possa recorrer a ele em caso de necessidade.’

Sem pestanejar, prosseguiu o senhor Braone:

‘- O padre sou eu. Casei-me por conta própria.’

‘- Meu caro senhor Braone, ao praticar esse jogo, você acabará pendurado como um cão e amaldiçoado como um judeu! A poligamia é um caso abominável e maldito.’

‘- Oh! Oh!’– disse o gentleman. ‘– Em França e Inglaterra eu estaria perdido, sim! No Brasil, não! Não serei condenado, aqui sou visto como Abraão e Jacó, e bem farei se povoar esse deserto.’

‘- Mas você é cristão, suponho…’

‘- Em Londres ou Paris, sim. Aqui sou patriarca. Conheço a Bíblia melhor que você my dear* (*meu caro). É o único livro que tenho lido há seis anos’– apontando o grosso volume sobre a mesa. ‘É dela que tiro minha única regra de conduta. A Biblia não é, como se pensa, a história de um povo. É a lei escrita, tomando como exemplo os homens na civilização, na barbárie e no patriarcado. Aqui vivo no patriarcado… Oh, não! Jamais serei condenado!’

‘- Meu caro senhor Braone, admiro sua interpretação da Bíblia, mas ela é novidade! E você compreende perfeitamente seus deveres de patriarca?’

‘- Oh, sim! Compreendo bem. Você vai ver…’

Logo em seguida, pegou um chicote que estava pendurado atrás da porta. A empunhadura desse instrumento de correção possuía um apito, do qual tirou sons agudos. Imediatamente, vi adentrar no salão cinco ou seis figurinhas grotescas, de cor marrom, que se postaram silenciosamente, lado a lado, na posição de soldados em armas. O inglês mirou-os com satisfação e, em seguida, me disse:

‘- São os pequenos Braones! Quando crescerem, deixar-lhes-ei tudo que aqui possuo: esta casa, estas montanhas, estas terras. Serão mais ricos do que se fossem filhos de escravos e, então, tratarei de me ocupar com a tarefa de povoar Sidney*… Oh! Se todos fossem iguais a mim, todas as colônias logo estariam como formigueiros!’* Sidney, na Austrália.

De fato, fiquei pasmo diante do senhor Braone. Até então, não podia acreditar que alguém pudesse ser tão louco, mas aparentando ser normal. Depois de um momento de silêncio, prossegui:

‘- Você bem sabe que, retornando à França, eu relatarei sua maneira de viver e as circunstâncias em que nos conhecemos, mas ninguém irá acreditar.’

‘Oh! Certamente, não lhe darão crédito’ – replicou vivamente o gentleman. ‘Os franceses irão considerar esses fatos por demais extraordinários para acreditar. Quanto voltar, ao dizer apenas o que viu, é claro que vão lhe acusar de ter inventado. Oh, sim!’

Essa ideia do senhor Braone feriu-me, por conter tanta franqueza. Assim, estou procurando escrever exatamente, muito exatamente o que pude ver, e não quero ser acusado de exagero.

Ao decidir ir-me embora, o senhor Braone tentou convencer-me a passar a noite com ele. Contudo, não pude atender ao seu desejo, pois meu grupo iria partir da serra na manhã seguinte e teríamos que fazer a viagem a pé, durante o dia. Diante disso, o senhor Braone conduziu-me à saída, passando pela cozinha, onde vi uma negra velha ocupada em preparar dois macacos, que tinham não mais que 60 centímetros de comprimento.

Naquele momento, disse-me o senhor Braone, mostrando a iguaria:

‘Se desejar permanecer, eis nosso jantar!’

post-saturno-devorando← Saturno devorando o próprio filho (por Francisco de Goya).

Fiquei horrorizado! Naquele momento imaginei-me convivendo com um monstro. Os dois pequenos corpos davam a impressão de serem criancinhas. Veio ao meu pensamento aquela cena de Saturno devorando seus filhos. Mas, na sua postura impassível, o inglês tranquilizou-me, dizendo que poderia comer os macacos sem ser taxado de canibalismo. Então apenas apertei sua mão, que cordialmente me estendera…

Voltei à nossa pousada na serra e os companheiros pediram para que narrasse os acontecimentos do dia. Contei-lhes da visita ao senhor Braone, mas eles não acreditaram numa palavra sequer. Como iríamos partir no dia seguinte, não puderam verificar a veracidade dos fatos, por isso permaneceram apenas com a minha versão. Depois disso, fiquei matutando sobre a profecia do senhor Braone e, hoje, acredito que o patriarca da serra é um sábio.

No momento de deixar nossa deliciosa habitação, aproximou-se de mim um negro – era o companheiro de minhas caminhadas – e ele estendeu-me timidamente as mãos. Entendi que pedia um agrado e, então, dei-lhe algumas moedas. Mas recebeu-as sem entusiasmo e ainda mantendo a mesma expressão de súplica. Nesse caso constrangedor, lembrei-me do senhor Braone, ao dizer-me que quando um negro depara-se com um branco, sempre estende suas mãos vazias, mas não a pedir qualquer coisa de material.

Imploram, sim, algo de espiritual, uma espécie de benção(2). E o costume é dizer: ‘- Que Deus te faça Santo!’* Mas penso que mais correto seria responder a tal prática com uma atitude de sinceridade e harmonia, pois essa gente desafortunada merece. Por que não dizer?: ‘- Que Deus o faça merecedor da liberdade!’ — * Expressão antiga, semelhante ao “Que Deus te abençoe!”, mas especialmente dirigida aos negros.

Porém, estou convicto que esse voto como o precedente, ambos certamente iriam se perder no espaço e no tempo, sem qualquer eco. Isso porque, no martirológio* do Brasil, não há nenhum santo negro.” — * Lista com nomes de santos.

post-no-paraibaNatureza exuberante na região do rio Paraíba do Sul (por Debret).

NA REGIÃO DO PARAÍBA

caminho que estávamos a percorrer atravessava a serra dos Órgãos, até chegar às margens do rio Paraíba*. Nos afluentes desse rio, encontram-se populações caboclas**. Elas vivem do produto da caça e da pesca, mas dedicam-se também a algumas atividades produtivas. É nessas comunidades que a maioria dos viajantes estrangeiros têm vindo estudar os hábitos dos indígenas, pois são eles os legítimos representantes do antigo povo da terra***. Da mesma maneira, no século passado, o chevalier M. Florian pesquisou, no entorno de Paris, os hábitos arcaicos dos camponeses. — * Rio Paraíba do Sul, corre ao norte da serra dos Órgãos. // ** Caboclo: indivíduo nascido de branco e índio. // *** Índios puris e coroados.

Mantivemos nossa rota durante boa parte da jornada, até notarmos que nosso principal guia havia nos abandonado sem avisar. Certamente foi consequência da infeliz ideia de terem lhe oferecido uma dose de aguardente. Tivemos então de aguardar seu retorno e, nessa expectativa, fizemos pausa em um parador, lugar de repouso dos tropeiros dessas plagas.

No momento em que ali chegamos, havia uma caravana estacionada numa praça circular. Esse albergue primitivo compõe-se de um galpão coberto de folhas de palmeira e serve de repouso para os viajantes. Há também um curral ao lado, para prender os animais. Nessas ocasiões, as mulas são descarregadas e os negros aproveitam para preparar sua comida.

Tendo em vão esperado nosso guia, decidimos a continuar meio sem rumo, por algum tempo. Até que o encontramos tranquilamente deitado ao pé de uma árvore, desfrutando da condição de homem livre que era. Depois de retomar em segurança a caminhada, penetramos numa admirável floresta de palmeiras e samambaias arborescentes*. A presença desses vegetais anunciava que estaríamos descendo em direção às regiões mais quentes. Também a atmosfera causava essa impressão. — * Samambaiaçus. Do tupi-guarani: sama-mba = o que torce; açu = grande.

post-floresta-serra-do-marNatureza da serra do Mar (por Debret).

Durante todo tempo, atravessamos esse lugar com admiração, até chegarmos onde dois caminhos se cruzavam. Ali, encontramos um negro velho que nos orientou. Deveríamos seguir uma trilha à direita, onde haveria uma casa por perto. Diante disso e sem hesitação, adentramos numa espécie de ravina* estreita e íngreme, rodeada por árvores gigantescas. — * Escavação no solo produzida por chuvaradas.

Aos intervalos, encontramos magníficos bovinos a nos encarar com curiosidade. Quando nos aproximamos, alguns animais mostraram-se enraivecidos, outros decidiram nos acompanhar por algum tempo. Depois, foram nos abandonando, ao mesmo tempo em que lançavam olhares admirados. Contudo, a presença da criação não foi indicativa de alguma casa, pois somente a encontramos somente 1 hora depois, ao descermos uma forte rampa. Era um miserável casebre, rodeado por um enorme descampado (pasto fechado, manga), utilizado para guardar os animais. Um mulato, sua mulher e filhos eram os proprietários.

Disseram eles existir uma venda, distante 1 hora daquele lugar, cujo proprietário era Pedro Espanhol. Desse modo sendo orientados, daquela morada partimos. Depois de 12 horas de marcha, às 7 horas da noite, deparamo-nos com uma horrível habitação. Ali, uma velha e seu filho, feioso homenzinho de um pé torto, eram os únicos moradores. Tão logo nos aproximamos, apressaram-se em dizer que não podiam oferecer comida nem abrigo. O proprietário estaria ausente e não poderiam fazê-lo sem sua autorização, principalmente devido ao avultado número de viajantes que éramos. Logo disse a velha:

‘- Tomem suas montarias e sigam até a fazenda do capitão Custódio, onde poderão receber completa hospitalidade, sem que nada lhes custe. Meu filho os acompanhará, se quiserem.’

Mas ali ainda permanecemos por alguns instantes. Diante da porta de entrada havia um enlameado, onde um porco alimentava-se de restos de comida. O interior era escuro e mal cheiroso, e não havia sequer um cobertor para servir de agasalho, nem uma cadeira para sentar. No quintal, via-se um punhado de patos e um cão sarnento acompanhando a velha.

Houve tanto empenho da mulher em nos despachar, que nos apressamos a atender seu desejo. De fato, a tal venda do senhor don Pedro Espanhol mais parecia um covil de bandidos do que um albergue. Verdade é que ficamos admirados com a sabedoria e sutileza da velha, por ter-nos afastado daquela imundície.

Depois dessa breve parada, tornamos a montar em nossas mulas, porém acompanhados do homenzinho do pé torto, novo guia da nossa cavalgada. Uma hora após a partida, chegamos à casa do capitão Custódio. A entrada da fazenda estava fechada por uma porteira. Os cães ladraram e os escravos se apressaram a receber nosso grupo, que já estava a adentrar impetuosamente. Sem tardar, o Pé Torto pediu para falar com o senhor administrador, que acorreu prontamente.

Nosso porta-voz lhe expôs as dificuldades e o desejo de encontrar uma pousada. Tão logo recebeu o pedido, o homem abriu a porteira. Daí, adentramos por um largo corredor, através do qual alguns negros nos guiaram portando tochas. O habitáculo ao qual fui conduzido era de padrão inferior ao do resto da casa. Compunham-no três pequenos cômodos contíguos, com a aparência de quartos de vestir. Ali jogamos esteiras para descansar, enquanto aguardávamos o jantar. Desde o amanhecer, nada havia entrado em nossos estômagos, senão um pouco de farinha de mandioca e uma xícara de chocolate.

Finalmente, às 10 horas, sentamo-nos à mesa. O jantar compunha-se de aves, uma porção de arroz, feijões pretos – parecendo pérolas negras – e farinha de mandioca. Tanto pela fadiga, quanto pelo sono, não conseguimos permanecer muito tempo na sala. Por isso, logo fomos nos meter debaixo das cobertas e, então, caímos em sono profundo. Logo na madrugada, às 4 horas, já estávamos de pé. Os escravos saiam das suas casas com destino ao trabalho. Ouvimos ruídos de carpintaria e pancadas em bigornas.

A fazenda lembra uma pequena vila. A habitação do capataz é circundada pelas dos escravos. Há também edificadas, todas próximas, cobertas para a preparação do chá, do café e do açúcar. O chá só começou a ser cultivado no Brasil há uns 20 anos e já apresenta considerável produção. A exportação tornou-se a mais importante graças ao seu condicionamento em caixas, no mesmo feitio daquelas que vêm da China.

Contudo, é preciso considerar que existe uma grande diferença entre o chá do Brasil e o do Celeste Império. O chá brasileiro, pelo seu aroma e azedume adstringente, nada tem em comum com o chinês. Acredito mesmo que o do Paraguai*, que de fato não é um chá, é preferível ao chá brasileiro. — * Chimarrão. 

post-moendaEngenho de açúcar (por Rugendas).

Quanto à fabricação do açúcar, penso que deixa muito a desejar. Os fazendeiros não têm noção dos atuais progressos dessa indústria, tal como ocorre na Europa. De acordo com o capitão Custódio, os equipamentos para a confecção dos produtos compõem-se apenas de uma moenda, cinco caldeiras – dispostas em série – e um aparelho destilador.

A moenda é tocada por uma roda d’água, que faz funcionar três cilindros de metal. Esse mecanismo é insuficiente para retirar das hastes toda a sacarina contida. As caldeiras, onde se faz o clareamento e o cozimento do xarope, são no processo de fundição. O espessador e a própria disposição do forno, não permitem regular o fogo de maneira conveniente. Quanto ao destilador, para produzir a aguardente – a cachaça –, é no feitio daquele construído séculos atrás por Arnaud de Villeneuve. É a mesma máquina que vimos desenhada nos livros de alquimia.

A aparelhagem deficiente e o processo tosco, fazem com que o produtor deixe de retirar da cana tudo que ela pode oferecer. Perde-se grande quantidade de substância cristalizada e seus álcoois exalam um gosto desagradável. Porém, apesar de tantas coisas negativas, compensa a fecundidade dessa terra, pois ajuda os produtores a obterem lucros consideráveis, mais do que em outros países tropicais.

As mesmas considerações sobre o açúcar, podem igualmente aplicar-se à produção do café. A polpa do fruto é muito mal aproveitada, devido ao descuido no serem ensacadas. Isso afeta o processo de fermentação, prejudicando a qualidade final do produto. Em algumas fazendas na vizinhança do Rio de Janeiro, a colheita tem sido aprimorada. Primeiramente lavam os frutos, imediatamente após a colheita. Em seguida, os remetem a um descascador, onde são separadas as partes moles das duras. Na fazenda do capitão Custódio cultiva-se um pouco de arroz e a produção tem alcançado os mesmos níveis das melhores terras da Índia. E, tal como lá, pode-se obter várias safras anuais no mesmo solo.”

Texto, tradução, pesquisa e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

CONTINUA no próximo Post. / Clique e leia mais: “Rio Antigo (I)” e “Rio Antigo (II)”

———

(1) LAGRENÉ, Théodore de – (*14.03.1800 / †26.01.1862) Chefe da missão e, posteriormente, embaixador extraordinário da França na China. Casado com Warinka Doubenski – senhora Lagrené – (*1806 /†1901), que fora demoiselle d’honneur da imperatriz da Rússia.

(2) QUE DEUS TE FAÇA SANTO – Extrato do jornal “Sete d’Abril”, Rio de Janeiro, 16.12.1835, p.3: … se despedio o pobre negrinho com um Deus te faça Santo.” // Em “A Madresilva”, drama de J. S. Mendes Leal, Lisboa, 1847, p. 43: “… Deus te faça Santo… Endiabrado! E a serafina!… Ora, louvado Deus…”. / Serafina: variedade de baeta espessa, geralmente com desenhos ou debuxos.

Anúncios

8 Comentários »

  1. Eduardo
    Acabo de ler esse estudo bem detalhado do Rio antigo. Muito boa era aquela época, longe do progresso atual. Parabéns pelos relatos.
    Maria Marilda – Lagoa Santa

    Comentário por Maria Marilda pinto Corrrea — 01/07/2017 @ 9:52 am | Responder

    • Marilda:
      Fico alegre de saber que gostou do texto.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/07/2017 @ 2:11 pm | Responder

  2. Este passeio pelo Rio Antigo é fascinante. Fico pensando se ainda existe algum sinal da fazenda tão maravilhosa que foi descrita. Como tantas flores e doces perfumes. E quem teve a coragem de destruí-la? O que será que existe hoje no mesmo local na Serra dos Órgãos. Me encantei com o percurso da viagem e com a fala “… sentimos como se fosse a alma do universo acionando um formidável teclado”. Dá para imaginar as estradas iluminada por pirilampos e ficar embasbacada. Pena que foram exatamente os humanos que começaram a destruir tudo e continua para mim incompreensível sair caçando, matando tantos animais, desequilibrando toda a natureza. Até os macacos… Foi o momento mais chocante do texto. Quem sabe o Sr, Browne foi realmente criado pelo autor? Bem que ele disse que ninguém acreditaria na história.

    Comentário por Virginia Abreu de Paula — 01/07/2017 @ 11:07 pm | Responder

    • Virgínia:
      O texto completo, que será publicado em cinco partes, é todo muito coerente e dá pra acreditar que tudo é verdade. Muito obrigado pelo comentário e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 02/07/2017 @ 8:37 am | Responder

  3. Eduardo,

    Embora longo, a leitura de “RIO ANTIGO (III)” nos deixa com o desejo de que esse texto jamais terminasse, tamanha é a beleza das paisagens descritas e, principalmente, tamanha é a capacidade do autor (e do tradutor) de nos envolver com sua narrativa. Linguagem precisa, observações deliciosas, comentários intrigantes, tudo contribuindo para uma visão poética das pessoas e de tudo que as cerca. As comparações, as metáforas e a atribuição de características humanas aos animais e às coisas inanimadas conferem ao texto leveza e encantamento.

    Gostei demais de: “Essas delicadas aves, vestidas de brilhos…”; “Esse pedaço de terra parecia sorrir aos viajantes, como se pedisse que visitassem suas praias.”; “Assim, pude compreender que uma paisagem só se completará se tiver alguma manifestação da atividade humana.”; “Aos intervalos, encontramos magníficos bovinos a nos encarar com curiosidade.”

    O diálogo entre o narrador e o Sr. Braone é simplesmente fantástico.

    Eduardo, parabéns pelo trabalho de tradução, pesquisa e arte que resultou neste belíssimo texto.

    Comentário por Pedro Faria Borges — 04/07/2017 @ 10:40 pm | Responder

    • Pedro:
      Fico feliz com sua opinião. Aguarde os dois últimos capítulos. Sumidouro’s Blog lhe promete grandes emoções.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 09/07/2017 @ 8:29 pm | Responder

  4. Eduardo
    Maravilhoso é o mergulho no passado que nos propõe com seus textos e ilustrações. A beleza descrita do ambiente nos embarca em viagem de sonho! Nos anos 1970 ainda era possível encontrar alguma coisa daquela natureza. Também os tipos humanos são pintados com maestria. É interessante que, nos dias atuais, os franceses são ainda tidos como povo aberto a novidades nos relacionamentos. Quanto ao senhor Braone, é inacreditável sua disposição do crescer e se multiplicar! Puro realismo mágico! Agradeço por sua disposição em pesquisar, de forma tão especial, nosso passado com traduções, ilustrações e mapas que tornam seus posts viagens de sonho.

    Em tempo: por falta de condições financeiras o Arquivo Nacional fechará suas portas. Ainda bem que há pesquisadores como você e que trazem à tona nosso passado desconhecido. Corrupção é crime hediondo e sofremos na pele o descaso com o passado, o presente e o futuro do Brasil.
    Grande abraço Vania

    Comentário por Vania — 09/07/2017 @ 6:03 pm | Responder

    • Vania:
      Muito obrigado pelas suas palavras de estímulo. Prometo-lhe mais emoções nos dois capítulos que ainda vou publicar.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 09/07/2017 @ 8:37 pm | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: