Sumidoiro's Blog

01/07/2018

SOL LEVANTE

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 7:56 am

♦ A aurora do Impressionismo

O Impressionismo nasceu no porto de Le Havre – França –, em 13 de novembro de 1872, entre 7h30 e 8h30 da manhã, logo depois do sol se levantar. A mãe foi a natureza, o pai Claude Monet que, ao armar seu cavalete com vista para o mar, conseguiu transportar para a tela um espetáculo único, ao qual deu o título de “Impression, Soleil Levant” – Impressão, Sol Nascente. A confirmação do momento foi feita em 2014, pelo astrofísico Donald Olson(1), da Texas State University.

“Impressão: sol nascente”, pintura em “petites taches” (Claude Monet, 1872).

— Monet pintou o sol levante olhando pela janela de um hotel e, ao finalizar o trabalho, anotou 72 ao lado da sua assinatura, como indicação do ano. A partir dessas referências, o astrofísico Olson conseguiu determinar o ponto e o ângulo de visão. Em seguida, buscou auxílio em fotografias antigas do Le Havre, mapas meteorológicos, etc. Trabalhando com esses dados, pôde determinar dia e hora.

———

  Na segunda metade do século XIX, um grupo de pintores de Paris adotou u’a maneira de pintar com emoção. Compartilhando as mesmas idéias, vários intelectuais a eles se uniram e foi então fundado o movimento dito como Impressionista. Dizendo de outra maneira: um novo estilo de pintura, o Impressionismo. O líder do movimento, o pintor Claude Monet, propôs uma definição:

“Impressionismo é somente sensação imediata. Todos os grandes pintores são menos ou mais impressionistas. É principalmente uma questão de instinto.”

Entretanto, sofreram enorme oposição daqueles que defendiam o Realismo, o estilo então em voga, extremamente figurativo, focado em aparências exteriores e que desprezava o subjetivo. Essa corrente surgira sob a influência do ideário racionalista do Iluminismo, que renegava tudo que pudesse ser entendido como “imaginoso”. Contrariamente, os adeptos do Impressionismo propunham representar sentimentos e, por isso mesmo, evitavam as obviedades e o superficial. Para tanto, retomaram alguns princípios do Romantismo que, embora houvesse surgido antes do Realismo, ainda estava vivo. — * Iluminismo (século XVIII): movimento intelectual e filosófico centrado na razão.

“Bonjour, Monsieur Courbet”, pintura realista (Gustave Courbet, 1854).

DA FÍSICA E DA PERCEPÇÃO

No momento em que o físico Isaac Newton demonstrou que a luz branca podia ser dividida em várias cores* – em 1672 –, houve uma revolução no mundo do conhecimento, embora tenha faltado algo no campo da percepção. Principalmente para os pintores, desde que eles sentiam luzes mas as representavam com tintas, que são coisas bem diferentes. — * Divisão da luz branca, que pode ocorrer através um prisma de cristal ou no arco-íris.

Na verdade, os impressionistas tinham limitada noção do que era luz e do que era tinta. Entretanto, algumas das melhores explicações já haviam sido divulgadas numa obra de Goethe(2), intitulada Teoria das Cores, publicada em 1810. De fato, ela trazia ensinamentos teórico-prático importantes, especialmente, no que toca à percepção. — * GOETHE, Johann Wolfgang von: um dos fundadores do romantismo na literatura.

“A conversão de Maria Madalena”, pintura da Renascença (Paolo Veronese, 1548).

O PAPEL DE GOETHE

Quando Goethe esteve em viagem à Itália, entre 1786 e 1788, descobriu a luz em toda sua plenitude. Isso se deu ao ver de perto as obras de grandes artistas, oportunidade que lhe permitiu aprimorar seus modos de ver e de representar. Vale dizer que Goethe, além de possuidor de um olhar privilegiado, sabia desenhar. Naquele momento, ao conhecer a pintura de Paolo Veronese(3)renascentista do século XVI –, anotou algumas impressões no seu Diário de Viagem(4), em 8 de outubro de 1786:

“Fui presenteado ao ver o mundo com os olhos desse pintor [Paolo Veronese], cujas pinturas me impressionaram, provocando em mim algumas reflexões peculiares. É evidente que o olho se configura de acordo com os objetos que, desde cedo, está acostumado a ver. Por isso, o artista veneziano, mais que os homens comuns, deve perceber tudo como possuindo uma luz mais clara e brilhante. Quando estamos fora de casa, nosso olhar pode cair sobre um solo sombrio que tanto pode estar enlameado, quanto empoeirado e, por isso, em ambos os casos, mostra-se descolorido. Ele dá uma tonalidade indefinida aos raios refletidos. De outro modo, quando passamos nossas vidas abrigados em ambientes fechados, como em casa, nunca podemos alcançar uma visão mais alegre da natureza.

Enquanto viajava nas lagunas à luz do sol, observei as figuras dos gondoleiros, com seus trajes multicoloridos. E, também, como remavam, movendo-se suavemente nas laterais da gôndola, de modo a se destacarem na superfície verde brilhante da água e contra o azul do céu. Captei o melhor e o mais típico modelo da escola veneziana. A luz do sol revelou as cores locais, com brilhos deslumbrantes. Até mesmo as sombras possuíam alguma luminosidade e contrastavam em efeitos matizados, estes como se fossem luz em estado puro. O mesmo poderia ser dito sobre os reflexos da água naquele mar esverdeado. Senti tudo como se estivesse pintado em “chiaro nell chiaro”*, de modo que, a servirem de últimas pinceladas, faltariam apenas ondas espumantes e relâmpagos.” — * Expressão em contraponto ao “chiaroscuro” renascentista.

“Caça aos leões”, pintura romântica (Eugene Delacroix, 1860/61).

O estilo de Veronese era dito como maneirista*. Esse artista se revelou como um dos maiores expoentes da pintura, especialmente devido às suas inovações. Chegado o século XIX, outro pintor, foi buscar inspiração em Veronese, chamava-se Delacroix(5). Este, por não ter aderido ao estilo predominante no seu tempo – o Neoclássico –, acabou por tornar-se um dos fundadores do Romantismo. E foi daí que os impressionistas, através da pintura de Delacroix, descobriram o caminho do moderno. Particularmente no que toca à maneira de tratar as formas, de produzir efeitos ópticos e dramáticos, e de representar o incomum. — * Maneirismo, estilo que surgiu na Itália do século XVI. Significa “maneira” ou estilo próprio de cada autor.

Um entusiasta da obra de Delacroix, o poeta e também crítico de arte Charles Baudelaire(6), ao ver seu trabalho em exposição no “Le Salon de 1846”, lhe dirigiu um elogio:

Um entusiasta da obra de Delacroix,  o poeta e também crítico de arte Charles Baudelaire(6), ao ver seu trabalho em exposição no “Le Salon de 1846”, lhe dirigiu um elogio:

“Para mim, romantismo é a expressão mais recente, a mais atual representação do belo. O romantismo e a cor me remetem diretamente a Eugène Delacroix. Ignoro se ele tem orgulho da sua qualidade romântica, mas o seu lugar está conquistado, porque a maioria do público, há muito tempo, e mesmo a partir do seu primeiro trabalho, o constituiu como chefe da escola moderna.”  —  (Sob o pseudônimo de Baudelaire Dufays, no texto “Salon de 1846”.)

 “Castelo de Norham ao poente”, pintura pre-impressionista (J. W. Turner, 1845).

Há outras influências, diretas ou indiretas, que motivaram os impressionistas. Algumas vêm dos artistas Turner(7) e Whistler(8)dois pre-impressionistas – que já sabiam pintar com o apoio na teoria de Goethe, mas também com o que ensinara M. E. Chevreul(9). Este último, químico da Tapisserie des Gobelins(10), escreveu o tratado “La Loi des Contrastes Simultanés des Couleurs” (1839)*, obra que teve larga repercussão nas artes visuais. Dizia ele que, em determinadas condições, o contraste faz com que as cores sofram interferências mútuas(11), um fato que não podia ser ignorado por quem lidava com as formas. — * “A Lei dos Contrastes Simultâneos das Cores”.

Delacroix já tinha consciência disso, tanto que, por volta de 1850, enviara uma carta a Chevreul, manifestando o desejo de debater o mesmo assunto e esclarecer dúvidas. Contudo, parece que o encontro não se confirmou. Porém, esse interesse demonstra que tanto o grande pintor do Romantismo, quanto os revolucionários do Impressionismo, tinham também algo em comum no que toca às cores.

“A princesa da China”, pintura pre-impressionista (J. Whistler, c.1860)

Nesse contexto é que a novidade impressionista foi ganhando força, até se converter em uma revolução nas artes plásticas. O ano de 1874 marca o início do movimento, com uma exposição organizada pela “Sociedade Anônima de Pintores, Escultores e Gravadores”, cujos fundadores foram Camille Pissaro, Claude Monet, Alfred Sisley, Edgard Degas, Pierre-Auguste Renoir, Paul Cézanne, Armand Guillaumin e Berthe Morisot. Primeiramente, instalaram u’a mostra no ateliê do fotógrafo Nadar* e, nesse evento, Monet apresentou seu quadro “Impressão: sol nascente”. — * Nadar: pseudônimo de Gaspard-Félix Tournachon, fotógrafo, caricaturista e jornalista.

Post - Alelier Nadar.jpgAteliê do fotógrafo Nadar, 2º e 3º pisos: 35, Boulevard des Capucines (1860).

PRÓS E CONTRAS

Foi árdua a batalha pela implantação do Impressionismo. O crítico de arte Joris-Karl Huysmans(12), um inimigo declarado, mostrou-se impiedoso num comentário:

“… Junte então à insuficiência de talento a desajeitada brutalidade do fazer, doença rapidamente provocada pela tensão dos olhos […] e você tem a explicação de loucuras comoventes que se espalharam durante as primeiras exposições em Nadar e Durand-Ruel*. […] A maioria poderia confirmar as experiências do dr. Charcot**, sobre as alterações da percepção de cores que ele notou em muitos histéricos da Salpêtrière…” — ** DURANT-RUEL, Paul: “marchant” de arte. / * CHARCOT, Jean-Martin: médico de alienados do hospital La Salpêtrière, Paris. 

Também no mesmo tom destruidor, o jornal Le Matin publicou uma charge com legenda:

Post - Charge

Apoiado no corrimão, o príncipe da crítica está inventando um gênio e derrubando outro. A moça dirigindo-se ao mestre, depois de uma hora, pede pelo marido que estava expondo pela primeira vez. Enfim, vale tudo no pequeno tribunal dos impressionistas; iluministas, ilusionistas e Claude-Monetistas*. […] A pintura é a vibração. A cor é preconceituosa, a forma é uma ilusão, o desenho é piada de um velho bombeiro. Tudo o que vemos não existe. Tudo o que não vemos existe. O que existe é a vibração. Vamos vibrar, meus amigos, vibremos!” * Referência ao pintor Claude Monet.

Até a consagração do nome Impressionismo foi resultado da má vontade. A responsabilidade é do crítico e também pintor Louis Leroy(13). Depois de ver a tela “Impressão: sol nascente”, que não entendeu e não gostou, resolveu debochar, publicando uma nota no jornal Charivari:

“O que representa essa tela? Impressão! Impressão estou seguro. Assim disse a mim mesmo, porque estou impressionado; lá deve haver alguma impressão. Partiu de Claude Monet, dele mesmo, ao dar um título ao seu quadro, uma paisagem do Le Havre, pintada em 1872: – Coloque impressão, sol nascente.”

Louis Leroy. / Jornal Charivari: “Manet em crise de nervos, ao ver pintura independente.”

Do outro lado, o escritor Émile Zola(14) – adepto do Impressionismo –, pôs mais lenha na fogueira ao combater a pintura da moda, dizendo:

“Realismo, para muitas pessoas, consiste na escolha de um motivo vulgar. Pinte rosas, mas pinte-as vivas, se você diz que é realista.”

Para melhor entender o estilo impressionista, outro ponto há que se destacar, é a maneira de pintar usando petites taches, ou seja, pequenas pinceladas, um jeito espontâneo no trato com o pincel, que muito diferia das técnicas sutis do chiaroscuro(15) e do sfumato(16), ainda muito usadas na época. 

Goethe, Chevreul e Rood.

Também um físico, Ogden Rood(17), através do seu livro “Modern Chromathics, contribuiu para o estilo impressionista. É um pequeno tratado no qual o autor repete Goethe, dizendo de que uma única forma* pode ser vista como uma totalidade; e várias formas, ao ocuparem um determinado espaço, se articulam conjuntamente, formando outra totalidade. Isso é o que se chama composição. — * Toda forma possui tamanho, configuração, textura e cor.

Porém, quando Rood conheceu as obras dos impressionistas, logo mostrou-se decepcionado. Pelo menos foi o que disse seu filho Roland que, certo dia, ao deparar-se com ele muito deprimido, indagou:

” Papai, você está doente?

– Não! – respondeu. Estou muito bem, mas acabei de visitar u’a mostra de pinturas nas galerias de Durand-Ruel… – lamentou. Lá havia umas pinturas de franceses, que se diziam ‘impressionistas’. Algumas de um tal Monet e também de um rapaz chamado Pissarro, e mais outros.

O que pensa deles, perguntei?

– Horrível, horrível! – e engasgou.

Então, lhe disse que aqueles pintores haviam tomado conhecimento das suas teorias. Isso lhe causou um susto, de modo que o levou a perder a compostura. Daí, levantou as mãos, horrorizado e indignado, e gritou:

– Se foi apenas isso o que fiz pela arte, melhor teria sido que nunca tivesse escrito esse livro.

Anos depois, tive a oportunidade de retornar ao mesmo assunto com meu pai. Eu mesmo havia realizado várias experimentações na pintura de paisagens, sempre apoiado nas regras descritas no seu livro, embora inseguro pelo fato de que papai não aceitava o Impressionismo. Mas, entretanto, admitia alternativas, desde que procurássemos a verdade noutro lugar. Quanto ao pintor Turner, ele o compreendia e o considerava lógico. Pois, afinal, externou sua conclusão:

– Meu filho, sempre soube que, na natureza, o pintor pode ver o que quiser, mas nunca que pudesse efetivamente “enxergar” qualquer coisa nas palavras de um livro.”

———

Post - Berthe Morisot“Chapéu verde”, pintura impressionista (Berthe Morisot, 1873).

Seguidamente, ao correr do tempo, continuam sendo derrubados os preconceitos e as fronteiras da estética visual. De tal modo que, agora, ficou difícil saber o que pode ser arte e o que não pode. Mas Goethe já dizia:

“A coisa mais difícil de se ver é a que está diante dos nossos olhos.”

Talvez a salvação esteja nas palavras do pintor Pablo Picasso, que ensinam:

“A arte é uma mentira, que nos faz perceber a verdade.”

———

Texto, tradução e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

(1) OLSON, Donald – (Texas State University, Departament of Physics) Conhecido pelo seu trabalho científico no sentido de desvendar mistérios da arte, história e literatura.

(2) GOETHE, Johann Wolfgang von – (Frankfurt, Alemanha, (*28.08.1749 / Weimar, Alemanha, †22.03.1832) Escritor, esteta, pesquisador científico e estadista. / “Teoria das Cores” (Zur Farbenlehre). Traduzia para o inglês por Charles Lock Eastlake (1840).

(3) CALIARI, Paolo – Mais conhecido como Veronese (Verona, *1528 / Veneza, †19.04.1588). Trabalhou por muito tempo em Veneza.

(4) “Viagem à Itália” (em alemão, “Italienische Reise”). Fonte: “Goethe’s Travels in Italy” – Edição: George Bell & Sons, London, 1885, p. 75.

(5) DELACROIX, Ferdinand-Victor-Eugène – (Charenton-Saint-Maurice, França (*26.04.1798 / Paris, †13.08.1863) Filho de Talleyrand, príncipe, ministro da república e seu grande incentivador. Teve uma educação esmerada nos melhores colégios de Paris, possibilitando que se tornasse um erudito precoce. Estudou no Conservatório de Música, na Academia de Belas-Artes e, também, frequentou o ateliê do mestre Pierre-Narcisse Guérin.

(6) BAUDELAIRE, Charles-Pierre – (Paris, *09.04.1821 / Paris, †31.08.1867) Poeta; crítico de arte, assinando Baudelaire Dufays. Um dos precursores do Simbolismo e fundador da tradição moderna em poesia – juntamente com Walt Whitman –, embora tenha participado de diversas escolas. Sua obra teórica teve grande influência sobre os artistas plásticos do século XIX.

(7) TURNER, Joseph Mallord William – (Londres, *23.04.1775 / Londres, †19.12.1851) Pintor romântico, considerado como referência para o surgimento do Impressionismo.

(8) WHISTLER, James Abbott McNeill – (Lowell, Estados Unidos, *10.07.1834 / Londres, †17.07.1903) Whistler transferiu-se para Paris em 1855, onde alugou um ateliê no Quartier Latin e rapidamente aderiu à vida boêmia.

(9) CHEVREUL, Michel Eugène – (*31.08.1786 / †09.04.1889) Químico francês. Entre outras obras, publicou “De la loi du contraste simultané des couleurs”.

(10) “Manufacture des Gobelins” – fábrica de tapetes artísticos localizada em Paris. A maior parte da produção estava voltada para os monarcas franceses. Foi criada em abril de 1601, por Henri IV e ainda existe, situada em Paris, no “XIIIe arrondissement”.

(11) Chevreul constatou que cores diferentes podiam se apagar, se fortalecer ou se valorizar – uma em relação à outra – quando, por proximidade, sofriam interferências mútuas. A esse fenômeno denominou “contraste simultâneo”. Mas havia outro, chamado “contraste sucessivo”, que ocorre em outras condições e em determinados lapsos de tempo.

(12) HUYSMANS, Charles-Marie-Georges – (*Paris, *05.02.1848 / Paris, †12.05.1907) Escritor e crítico de arte. 

(13) LEROY, Louis-Joseph – Pintor medíocre (quadro à esquerda), gravador, escritor e jornalista (Paris, *1812 / Paris, †1885) Sempre desejou ser paisagista, mas nisso obteve pouco sucesso. Entretanto, foi reconhecido como bom gravador em água-forte, tendo obtido uma medalha de ouro no Salão de 1838. Em 1859, tornou-se colaborador do jornal Charivari, onde escreveu crônicas. Também colaborou nos periódicos Gil Blas, Le Gaulois e no L’Évenenement. Em abril de 1874, publicou no Charivari o artigo “L’Exposition des Impressionistes”.

(14) ZOLA, Émile – (Paris, *02.04.1840 / Paris, †29.09.1902) Escritor e jornalista. Principal representante do Naturalismo na literatura. Essa corrente foi um desdobramento do Realismo, que enfatizava o indivíduo comum e a sua intimidade. Quase sempre, tratava dos camponeses, operários e prostitutas. / O pintor Van Gogh, um pós-impressionista, teve muitas influências de Zola.

(15) Chiaroscuro – Nome italiano e técnica que tira partido do cinza (preto + branco) como artifício para criar contrastes de cor. Essa técnica variou para o “tenebrismo”, quando os princípios do “chiaroscuro” foram levados ao extremo.

(16) Sfumato – Palavra derivada de fumo, designativa de uma técnica que tira partido do cinza, como elemento de união e transição entre as cores.

(17) ROOD, Ogden Nicholas – (Danbury, Connecticut, *03.02.1831 / Manhattan, New York, †12.11.1902) Físico. Um conjunto de experiências e ensinamentos de Goethe enriqueceram seu livro “Modern Chromatics” (1879), voltado para a indústria e a arte.

9 Comentários »

  1. Eduardo, seu Post é uma aula maravilhosa.
    Maria Marilda, Lagoa Santa.

    Comentário por Maria Marilda Pinto Correa — 01/07/2018 @ 8:47 am | Responder

    • Marilda:
      Sua opinião é valiosa, porque você é muito ligada ao mundo da arte.
      Muito obrigado, Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/07/2018 @ 9:21 am | Responder

  2. Eduardo. Eis aí um belo presente que V. nos oferece e se assemelha a um *précis*, remetendo-nos a tópicos relevantes deste movimento marcante da história da Arte, o Impressionismo. Após ler seu post, naveguei em algumas fontes da literatura das Artes e gostaria de apontar duas passagens que me pareceram interessantes.

    A primeira é pertinente ao “Impression, soleil levant”, Claude Monet, 1872; Huile sur toile; Musée Marmottan Monet, Paris. Trata-se de uma paisagem marítima do pintor francês Claude Monet, do ano de 1872, que deu nome ao estilo impressionista. Encontrei-a na Wikipedia francesa e reúne detalhes deste quadro de Monet cujo título deu nome ao estilo impressionista. “Descrição: a imagem mostra o porto de Le Havre pela manhã. No fundo os navios ancorados desaparecem no nevoeiro. No primeiro plano da imagem, três barcos de pesca menores não são claros. Na água quebra a luz do sol nascente. Monet pintou a maior parte da imagem de roxo e azul e pintou o reflexo do sol na água com laranja. Os elementos estruturais são unidades industriais e navios ao fundo, cujos mastros e sombras criam estruturas lineares. A imagem é pintada de maneira tão uniforme que a aparência da distância espacial torna-se clara apenas pela presença de barcos dispostos diagonalmente. Monet desiste da composição e do efeito espacial. O objetivo da apresentação é a reprodução perfeita da impressão visual objetiva atual. A impressão atmosférica está em primeiro plano e rejeita a forma dos objetos. Para realizar suas idéias, Monet aplicou uma técnica de pintura com traços curtos, que ilustra o jogo constante de luz e a cintilação do ar. A tinta é aplicada em locais tão finos (verniz) que a tela brilha. Apenas os reflexos do sol são realçados.”

    A segunda, vem de uma observação feita pela italiana Camille Paglia e pertinente à “l’instantaneità”, em Monet. Em seu “Seducenti immagini – un viaggio nell arte dall Egitto a Star Wars” Paglia comenta que Monet buscava “l’instantaneità”, a experiência imediata do momento efêmero. “La natura non è mai immobile, diccieva. Questa affermazione richiama le massime del filosofo greco Eraclito – “tutto scorre” e “nessuno puó bagnarsi due volte nello stesso fiume.” Como se vê, Eduardo, o conceito de “instante”também fazia parte do pensar e linguajar daquele que foi o principal artífice do Impressionismo.
    Enhorabuen, con mis saludos desde mi bunker. Fuerte abrazo. Estevam.

    Comentário por Estevam de Toledo — 06/07/2018 @ 11:24 pm | Responder

    • Estevam:
      Perfeitamente! Isso é o impressionismo. Quem aprecia a pintura tem que saber desses detalhes, caso contrário, não capta o espírito da obra. Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 07/07/2018 @ 8:51 am | Responder

  3. Eduardo,
    Seu post despertou em mim a alegria que toda aprendizagem me traz e a tristeza de saber que eu poderia ter sido melhor professor de literatura se tivesse conhecimento do que aprendi lendo seu texto. Entre tantas coisas que eu já lhe disse, é provável que tenha falado da minha admiração pela sua capacidade de síntese. Em um texto, relativamente pequeno, você nos dá uma aula acerca do impressionismo e, como bom professor, apresenta-nos até a má vontade com que esse movimento foi recebido.
    Despeço-me como o Estevam, a quem também agradeço pelos ensinamentos: fuerte abrazo.

    Comentário por Pedro Faria Borges — 08/07/2018 @ 6:54 pm | Responder

    • Pedro:
      Como sempre, seus comentários me dão força para continuar pesquisando e escrevendo. No momento, estou viajando na Belle Époque, em Paris. Quero escrever um texto sobre o tema.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 08/07/2018 @ 10:49 pm | Responder

  4. Vou chamar seu post de aula. Muito obrigada por esta aula. Ydernéa

    Comentário por Ydernéa — 02/04/2021 @ 10:25 am | Responder

  5. Como é bom ser inocente. Aos 6 anos de idade, conheci a coleção Museus da Europa, em reproduções. Como nada sabia da teoria, apenas ficava olhando e amando as pinturas. Mas, confesso que com uma predileção especial pelo impressionismo, que eu desconhecia. Isto é, não sabia nada sobre a escola impressionista. Os quadros apenas me maravilhavam, uns mais um pouco que os outros. Havia aqueles que eu falava: “Nossa!”. Os de Van Gogh, também me levavam a exclamações.
    Com isso, pude apreciar todos sem preconceitos. Aos 7 anos de idade, pude ler os textos sobre as telas e biografias dos pintores. Porém, tudo resumido, claro. Nada como ler as suas explicações com riqueza de detalhes. Obrigada.

    Comentário por sertaneja — 15/04/2021 @ 2:45 pm | Responder

    • Sertaneja:
      Fico feliz ao saber que lhe acrescentei algo com esse Post.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 15/04/2021 @ 6:26 pm | Responder


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