Sumidoiro's Blog

01/03/2019

APAGÃO EM PARIS

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 8:29 am

♦ Com tinta e com pólvora

Corria o ano de 1879, quando Paul Signac – 16 anos de idade – se dirigiu à 4ª Exposição dos pintores impressionistas(1). Logo na entrada, se deparou com um homem irreverente a lhe dizer: “– Meu senhor, aqui não se copia.” O alerta vinha de Paul Gauguin(2), pintor iniciante e ex-aluno de um professor acadêmico, mas que já havia assimilado as ideias da pintura impressionista*. * O movimento surgira em 1872, com Claude Monet.

Signac – em torno dos 20 anos de idade – e o rio Sena na tristeza..

      A mãe de Signac tinha origem em família abastada, quanto ao pai, era seleiro*, em Paris. Ele, o filho, nasceu em 11.11.1863 e foi registrado como Paul Victor Jules Signac(3). Ainda muito jovem – 17 anos de idade –, quando corria o ano de 1880, sua vida entrou em grandes mudanças, uma delas devido à perda do pai, em 17 de março. Outra, quando no mês de abril e pela segunda vez, teve contato com a pintura dos impressionistas, na sua “5ª Exposição” aberta ao público. Nessa ocasião, entre as telas de vários autores, viu algumas da autoria de Gauguin. Porém, lhe causaram mais admiração as de Georges Seurat e de Édouard Manet**. — * Seleiro: fabricante de arreios, selas. / ** Não confundir com Claude Monet, pai do Impressionismo.

Na mesma época, impactado pelo que via nas galerias de arte de Paris, Signac abandonou o curso de arquitetura que estava a fazer e optou por ser pintor. De início, procurou algum aprendizado com o acadêmico Émile Bin, frequentando seu ateliê em Montmartre mas, apesar disso, deve ser considerado um autodidata. No calor da juventude, tinha espírito contestador e se comportava como tal. Por isso mesmo, juntou-se a uma turma de jovens rebeldes, auto-intitulados “Les harengs saurs, épileptiques, baudelairiens et anti-philistin” *, todos com o propósito de alvoroçar o mundo.(4) — * “Arenques defumados, epilépticos, baudelairianos e antifilistinos”

Nouvelle Athènes, onde foi declarada guerra contra o academismo imperial.

O AMBIENTE

O bairro de Montmartre fica à esquerda do rio Sena e se estende até o alto de uma colina. Por lá, havia vários cafés, cabarés e casas de prostitutas, ou seja, um ambiente favorável à vida boêmia. Na parte baixa, onde está a Place Pigalle, os pintores da corrente impressionista se reuniam no café Nouvelle-Athènes*. Entre eles, Manet, Degas, Renoir, Pissaro, Raffaëlli e mais outros, que vieram a ganhar fama(5). * Nouvelle-Athènes, originalmente, foi o nome dado ao bairro.

Durante o fin-de-siécle*, eram generalizados os sentimentos de cinismo, pessimismo e tédio, tanto em Paris como em muitos lugares da Europa. Ademais, entendiam que a civilização caminhava para a decadência. Por isso mesmo, estava disseminado o abuso nas bebidas, entre elas, o absinto – um líquido esverdeado –, que por ser tão barato quanto o vinho, era largamente consumido. Porém, a ingestão desabusada costumava resultar em efeitos nefastos ao cérebro, às vezes provocando alucinações, quando comumente se via uma fada verde(6). — Fim do século XIX.

Duas alucinações: “O absinto” (Degas) e “A fada verde”, no Café Slavia, Praga (Victor Oliva).

A propósito, foi no café Nouvelle-Athènes que o pintor Degas obteve inspiração para o quadro “O absinto”, onde mostra um casal imerso em devaneios químicos. Tanto naquela casa, quanto no entorno, circulavam moças profissionais do sexo. Algumas, razoavelmente letradas e elegantes, residiam nas proximidades da igreja de Notre-Dame-de-Lorette*. Por isso eram conhecidas como lorettes. Mas havia outras, de nível social inferior, chamadas grisettes, que habitualmente se vestiam em cinza – “gris”, em francês. Durante o dia, via de regra, trabalhavam como auxiliares de ateliês de costura, à noite praticavam a arte da sedução. Todas elas costumavam se envolver com intelectuais e artistas, ou alguns senhores abastados. — * Entre a Opéra Garnier e Montmartre.

Vários escritores tiveram as grisettes como personagens, entre eles Victor Hugo, em “Os Miseráveis”, e Henri Murger, em “Cenas da Vida Boêmia”. Ambos deram glória às lorettes, mas também o poeta Baudelaire, que bem soube descrevê-las:

“A lorette é uma pessoa livre. Ela vai, ela vem. Ela tem casa aberta. Ela não tem patrão; ela frequenta os artistas e os jornalistas.”

Divertimento com a grisette.

A partir de 1881 a vida boemia de Montmartre ganhou brilho, desde que começaram a surgir os “cabarés artísticos”. O primeiro foi o Chat Noir, criado por Rodolphe Salis, cujo nome foi inspirado nos gatos da literatura de Edgard Alan Poe, de Charles Baudelaire e das lendas francesas(7).

No Chat Noir, decorado em estilo Luis XIII, os garçons vestiam jaquetas verdes, imitando os membros da Academia Francesa. A encenação e o deboche miravam naqueles que se diziam protetores da língua pátria. Ao mesmo tempo, o cabaré acumulava a função de galeria de arte e teatro de sombras*, quando projetavam imagens num pano branco. — * Teatro das sombras: origem do cinema.

Le Chat Noir: com quadros nas paredes e teatro de sombras.

Toda essa agitação parisiense tinha como pretexto o liberalismo, corrente do pensamento que, há mais de um século, propugnava libertar o homem da religião e do Estado, desde que ele fosse totalitário e ineficiente. Na França, os filósofos Montesquieu, Constant, Tocqueville e Bastiat foram propagadores dessa doutrina, entendendo que privilegiava as liberdades individuais.

AS ESCOLHAS 

Pois bem, tão logo se fixou em Montmartre, Signac passou a vaguear pelos seus recantos, até que descobriu o cabaré Chat Noir e tornou-se um dos primeiros fregueses. Lá pôde estabelecer valiosos contatos. A casa tinha como pianista, o compositor Erik Satie e muitos fregueses ilustres, entre eles o dramaturgo August Strindberg e o compositor Claude Debussy.

Foi ali que Signac se enturmou num grupo pseudo-artístico-literário, dito como dos “Hidropatas”, fundado pelo poeta e romancista Émile Goudeau(8). O título fazia analogia com um animal mitológico, a hidra, cujas várias cabeças sempre voltavam a crescer quando eram cortadas. Partindo desse modelo, cada rebelde se configurava como a hidra da revolução, a hidra da anarquia ou, mais fortemente, a hidra das convenções burguesas. Pois bem, estavam imbuídos de sentimentos subversivos e, muito a propósito, faziam coro com o movimento anarquista, que vicejava na época.

Por outro lado suas ideias, fossem de projetos artísticos ou políticos, estavam sempre estimuladas pelo álcool. Especialmente nas noites de sexta-feira, quando toda Montmartre os ouvia aos brados, alardeando sua rejeição à agua, assim:

Hidropatas, cantemos em coro
A nobre canção dos licores.

Post - Chat Noir afficheChat Noir: cartaz, fachada e programa.

Até que um dia, verdadeiramente, Signac se aproximou da política. Em certas ocasiões, frequentava a Brasserie Gambrinus ou a residência do escritor Robert Caze(9), onde se reuniam intelectuais e pintores. Tanto num lugar quanto noutro, havia apaixonados de duas correntes políticas, a dos anarquistas e a dos esquerdistas ou communards(10), em essência todos* adeptos do materialismo. — * Foram precursores dos “comunistas” franceses. 

O anarquismo* é uma ideologia fundada na negação do princípio da autoridade na organização social. Contesta todo tipo de hierarquia e dominação, seja ela política, econômica, social ou cultural, também o Estado, o capitalismo, as instituições religiosas, o racismo e o patriarcado. — Do grego ánarkhos (sem governo).

Do outro lado, entre os communards, não havia uma ideologia claramente definida, cada um deles estabelecia a própria. Foram agentes de um movimento que conduziu à primeira revolução socialista da história, em 1871. Quando os insurretos tomaram o poder, instituíram a “Comuna de Paris”, um governo operário que durou 72 dias. Havia um grito de guerra dos communards:

Morte às vacas” – injúria lançada às forças da ordem, simbolicamente as vacas.

Quanto a Signac, chegada a hora de tomar posição, achou melhor optar por ser um anarquista romântico. Descartou ser um communard, porque se a alternativa fosse levada a sério, redundaria na destruição da sua individualidade, o que seria péssimo para qualquer artista. A sua ideologia era a de lutar pelo bem da humanidade, mesmo que não estivesse necessariamente engajado na política. Sim, sua verdadeira arma foi sempre o pincel!

“Une baignade à Asnières”, por Seurat (à esquerda). Pintura inspiradora de Signac.

PINCEL, CANETA E POLÍTICA

Até 1884, Signac esteve mais afeito às ideias dos impressionistas, até que travou conhecimento com Georges Seurat(11), um ex-impressionista, que havia criado o Neo-Impressionismo. Estava a entender que a pintura deveria ser produzida totalmente com pontinhos e, por isso, a técnica ficou também conhecida como pontilhismo*. Desde então, aboliu as pinceladas mais largas e impetuosas, que eram característica da pintura impressionista.— * Na Itália, uma variação do Pontilhismo se chamou Divisionismo.

Suas ideias repercutiram e a ele se juntaram outros pintores(12) que, com o apoio de alguns críticos, passaram a divulgar a nova arte. No mesmo sentido, fundaram a Associação dos Artistas Independentes(13), com o propósito de expor trabalhos que haviam sido rejeitados no Salão Oficial de Paris. Logo a seguir, no mês de dezembro, ocorreu a primeira exposição do grupo sob o nome de Salon d’Hiver, quando Seurat apresentou a tela “Une baignade à Asnières” e Signac a “Pont d’Austerlitz”. — * Em 19.07.1884.

Entretanto, tudo o que diziam ser novidade, era tão somente uma subversão das cores. De fato, o conhecimento científico mais moderno veio mostrar que, ao se empolgarem como uma suposta valorização da luz, na verdade estavam criando a sombra, o ofuscamento e a indefinição. Desse modo, sempre que se aventuravam com os pincéis, produziam sofríveis harmonias cromáticas, em outras palavras, a negação da cor! Assim mesmo, recebiam o apoio da crítica e os aplausos dos menos entendidos.

No intuito de justificar a nova maneira de pintar, Signac publicou um pseudo-tratado sobre o assunto: “De Delacroix au néo-impressionisme” (1889). Indiretamente, ele e seus companheiros, haviam retirado informações dos dois “Tratados da Cor”, de Isaac Newton e de J. W. Goethe. O primeiro dizia essencialmente da física, enquanto o segundo da percepção(14), mas os neófitos não compreenderam. Verdade é que, ao teorizarem sobre o assunto, atropelavam verdades da física* e da biologia**, ao mesmo tempo em que destruíam valores fundamentais da boa estética. — * Luz é fenômeno físico. / ** Visão é fenômeno biológico.

Pois bem, houve um momento em que, no Salon d’Hiver, um tragicômico personagem entrou pesado na vida de Signac. Foi um italiano natural de Turim, chamado Felix Fénéon, que colaborou para impulsionar a carreira do pintor. Esse Fénéon, depois de servir como soldado da infantaria, conseguiu um emprego de redator do Ministério da Guerra, em Paris, onde atuou entre 1881 e 1894.

Nesse meio tempo, passou também a escrever na imprensa anarquista mas, por precaução, assinava com pseudônimos. Em 1883, atuou como redator da “La Revue Libre”, escrevendo artigos literários e crítica artística. No ano seguinte, 1884, colaborou na “Revue Indépendante”.

Fénéon em três ângulos, ao centro na prisão de Mazas.

Em certo momento, buscando obter mais notoriedade, Fénéon decidiu assumir o papel de efetivo agente anarquista. Nesse sentido, com boa dose de tolice, se meteu a colaborar na fabricação de explosivos. O objetivo seria destruir a burguesia* e o sistema político em vigor. Fato é que, por ação desses extremistas, em abril de 1894, um ataque se consumou com a explosão de uma bomba no restaurante Foyot, frequentado pela elite de Paris. — O termo burguês, em sentido injurioso, surgiu naquela época, de modo a qualificar quem não pertencesse às classes populares. / Os revolucionários russos adaptaram a palavra para burjúy, como sinônimo de capitalista.

Vai daí que, enquanto se conduziam as primeiras investigações, a polícia se dirigiu ao Ministério da Guerra, onde encontrou mercúrio e detonadores guardados numa gaveta de Fénéon. Disso, surgiu a suspeita de que ele fosse um dos terroristas e, embora tenha negado qualquer participação, assim mesmo foi preso. Em seguida, foi ouvido na corte de justiça pelo seu presidente senhor Dayras, que o pressionou, ao afirmar:

“Senhor Fénéon, o mercúrio serve à fabricação de fulminato de mercúrio(14)e a lei pune toda posse de substância que sirva a produzir explosivos.”

Mas o acusado, sentindo-se perdido, apelou para uma justificativa esfarrapada:

“O mercúrio serve também para fabricar termômetros e barômetros.”

Assim mesmo, foi indiciado no famoso Processo dos Trinta(15) e recolhido a Mazas, cadeia nas proximidades da estação de Lyon. Passado algum tempo, admitiu-se que Fénéon tivera pouco envolvimento no atentado mas, assim mesmo, já havia passado seis meses atrás das grades.

Restaurante Foyot e, ao fundo, a Gare du Nord (Estação do Norte).

O ATO TERRORISTA

O atentado ao Foyot ocorreu em plena primavera, no 04 abril de 1894. Momentos antes, o poeta Laurent Tailhade(17), em companhia de uma flor de carne e osso, chamada Violette – nome de guerra de Julia Mialhe –, estavam a aguardar u’a mesa no restaurante. Com a explosão, ambos ficaram feridos e, no dia 6, o jornal “Le Figaro” dando cobertura ao assunto, disse sobre o estado de saúde dos dois:

“A senhora Mialhe, morena de vinte anos, modista*, que mora com o senhor Tailhade, ficou bem menos ferida, mas não queria abandoná-lo. Conseguiu autorização para passar a noite ao lado da cama. No entanto, mesmo que não estando muito machucada, passou por um forte abalo e sofre muito do olho direito, onde recebeu poeira sob as pálpebras.” — * Fica muito evidente que a Violette era uma grisette.

No dia 7, o La Croix fez uma retrospectiva:

“… O senhor Anquetil […] encarregado de investigar o atentado do restaurante Fayot […] foi ao hospital da “Charité” a fim de interrogar os feridos. O senhor Laurent Tailhade respondeu que, ao entrar no restaurante com Violette, cujo nome real é Julia Mialhe, se afastou […], para deixar sair seis cavalheiros […] Entre eles, estava o senhor A. Seydoux, […] a quem o juiz questionou. […] esta testemunha (Seydoux) lançara uma dúvida sobre o Sr. Laurent Tailhade, dizendo que parecia ser o autor do atentado*.” — * As responsabilidades nunca foram apuradas.

“Le Figaro”, 06.04.1884.  / La Croix, 07.04.1884.

Pois sim, o senhor Tailhade já tinha fama de poeta polemista, panfletário, anarquista, maçom e anticlerical. E, quanto à suspeição de terrorista, estava mesmo a merecer, desde que o anarquista Auguste Vaillant – alguns meses antes – cometera um atentado à Câmara dos Deputados. Dessa feita, o poeta Tailhade aplaudiu o delito com um cinismo bem construído:

“O que importa de vagas humanidades, desde que o gesto seja belo?”

ARTE PARA O POVO

Anos depois, mais afinado com as ideias anarquistas, Signac se rebelou contra a arte em voga que, no seu entendimento era decadente, coisa de burgueses. Como consequência, executou várias obras, as quais classificava como sendo arte decorativa ou a pintura dos novos tempos. Uma delas foi “Au temps d’ Harmonie”*, em 1895 – um painel com 4×3 metros – no qual mostra operários se espairecendo num parque. — * Título original: “Au temps de l’Anarchie” (No tempo da Anarquia).

A obra em referência foi doada para a “Maison du Peuple” – Casa do Povo –, em Bruxelas, propriedade do Partido Operário Belga, inaugurada no ano de 1899, com a presença de Jean Jaurès(18), político socialista francês. Esse homem, que embora fosse defensor da luta de classes, propunha uma revolução social democrática e não violenta. Com sua postura pacifista, Jaurès se esforçava para resolver pela diplomacia os conflitos que, infelizmente, iriam redundar na Primeira Guerra Mundial. Em 1904, Jaurès fundou o jornal socialista “L’Humanité”, que viria a se tornar o órgão oficial do Partido Comunista Francês. Dez dias depois do lançamento, foi assassinado em um café de Paris, por Raoul Villain, jovem nacionalista francês, que insistia em guerrear contra a Alemanha.

Post - Temps harmonieSignac: “Au temps d’harmonie”, proletários em pintura decorativa anarco-comunista.

Em 1910, Signac, quando era casado com Berthe Roblés, se enamorou de uma aluna de pintura, Jeanne Desgrange(19) e logo passaram a viver juntos. Algum tempo depois, a partir de outubro de 1912, o novo casal se refugiou em Cap d’Antibes*, onde tiveram uma filha, Ginnette, em 1913. * Cap d’Antibes, Côte Azur; mar Mediterrâneo.

TEMPOS DIFÍCEIS

Em meio a interesses divergentes entre nações, em 21 de julho de 1914, eclodiu a Primeira Guerra Mundial. Tal acontecimento deixou Signac extremamente deprimido, devido ao seu espírito pacifista e não tinha como aceitar o que estava presenciando. Com isso, abandonou os pincéis por uma boa temporada e foi se refugiar na literatura de Stendhal*, focado especialmente em “O Vermelho e o Negro”. O romance é ambientado nos tempos da “Restauração”(20), ou seja, entre 1814 e 1830. Para alguns, a obra tem sido entendida como de cunho subversivo, já que uma série de conflitos político-sociais perpassam toda a narrativa. Sthendal era um adepto do liberalismo. — * STHENDAL, Henry Beyle –“Le Rouge et le Noir”, 1830.

Ainda em meio à guerra, em 1915, Signac foi nomeado pintor oficial da marinha e se afastou de Paris, passando largas temporadas em Cap d’Antibes, onde ele e a mulher desfrutavam do ambiente mediterrâneo e pintavam paisagens.

Ao findar a guerra, voltaram a viver em Paris, tendo Signac retomado a organização das exposições dos Artistas Independentes. Ao mesmo tempo, viajaram pela França, quando Signac passou a pintar aquarelas, mas abandonando o estilo pontilhista. Talvez seja a melhor parte da sua obra!

Porém, passado algum tempo, pressentiu que coisas piores estavam por acontecer, ou seja, a Segunda Guerra Mundial. Em dezembro de 1931, lançou um lamento no papel:

Signac: casa de Van Gogh (desenho aquarelado). / Auto-retrato de Van Gogh. 

“Paris é, apesar de sua beleza, angustiante. […] Todo mundo está triste, mal-humorado, desumano, preocupado. Acontece agora… Há agora um milhão de desempregados e esse governo ignóbil que faz qualquer loucura. Todos esses bastardos, deputados, só pensam em eleições e não ousam, por medo de serem chamados de “boches”*, nem falar em desarmamento.

Sexta-feira**, uma grande reunião internacional de pacifistas, no Trocadero, foi sabotada pelos “camelots du roi”*** e pela polícia. Na Alemanha e na Itália – hitleristas e fascistas –, isso é a guerra, se unem. Você deixará tais horrores acontecerem? As pessoas são covardes […] Podemos esperar tudo … no fim da humanidade, porque civis, mulheres, crianças, todos irão sucumbir. Obras de arte destruídas! Ah, não! Não quero ver isso! ” — * Forma pejorativa de dizer “soldado alemão”.  / ** 27.11.1931 / *** Organização de jovens ligados à Ação Francesa.

Em 1920, foi criado o Partido Comunista Francês e Signac, apesar de não ser filiado, continuou mantendo contato com alguns dos seus membros. Assim, já nos últimos anos de vida e por alguma afinidade de ideias, Signac se aproximou dos comunistas, sucessores dos communards.

Signac faleceu 15 anos depois, em 15.08.1935 e, passados quatro dias, o “L’Humanité” publicou:

“Uma multidão de operários e artistas assistiram às exéquias de Paul Signac — Os amigos, os camaradas de Paul Signac, renderam nesta manhã uma derradeira homenagem ao grande artista, que foi um combatente da causa do proletariado, defensor apaixonado da paz e da União Soviética. Uma multidão agitada acorreu ao columbário de Père-Lachaise: artistas, escritores, operários, militantes, para os quais a vida de Paul Signac ficará como exemplo indubitável de retidão, de ardor e de fidelidade à revolução, prova de união, doravante indestrutível, daquilo que há de melhor na inteligência francesa, junto ao proletariado do país.” — * Na edição de 19.08.1935.

À beira do seu túmulo, no cemitério de “Père Lachaise”, houve várias homenagens, uma delas por Paul Nizan(21), membro do Partido Comunista. Disse ele:

“… Para Signac, a arte era uma forma de ação e ele acendia toda a sua chama e toda a sua paixão como artista. Toda a sua vida foi pontuada por lutas. Foi seu ativismo como pintor que o colocou à frente do Salon des Indépendants e sua revolta o levou aos libertários na heroica era dos anos 90. […] Signac amava a URSS, porque amava o futuro, a juventude, e porque acarinhava a paz. Signac nos deixa no momento em que a frente popular da França se torna mais sólida, mais densa e mais ampla, e no momento em que a Alemanha de Hitler dá o exemplo de um frenesi mortal. Signac nos deixa com a certeza da vitória final. […]” — * Na edição de 19.08.1935, do “L’Humanité”.

Em 19 de março de 1937, o papa Pio XI(22), na encíclica “Divinis Redemptoris” fez um alerta sobre os perigos do futuro:

“7. Queremos, pois, mais uma vez expor, […] os sofismas teóricos e práticos do comunismo, como eles se manifestam principalmente nos princípios e métodos da ação do bolchevismo*: a esses sofismas, todos falsidade e ilusão, contrapõe a luminosa doutrina da Igreja […] — * Doutrina dos partidários do marxismo.

16. O liberalismo preparou o caminho ao comunismo — Mas, para mais facilmente se compreender como é que puderam conseguir que tantos operários tenham abraçado, sem o menor exame, os seus sofismas, será conveniente recordar que os mesmos operários, em virtude dos princípios do liberalismo econômico, tinham sido lamentavelmente reduzidos ao abandono da religião e da moral cristã. […] E assim, por que nos havemos de admirar, ao vermos que tantos povos, largamente descristianizados, vão sendo já pavorosamente inundados e quase submergidos pela vaga comunista?

A Segunda Guerra Mundial eclodiu no 01.09.1939, com a invasão da Polônia pelas tropas de Adolphe Hitler. Daí a pouco, o conflito estava se espalhando por toda Europa, com consequências nefastas em todo o planeta. No dia 14 de junho de 1940, os soldados alemães atravessaram o Arco do Triunfo, tomando posse da cidade de Paris.

“Saindo de Bordeaux, acabáramos de ultrapassar a zona ocupada. […] O passageiro, que estava comigo na viatura franziu a testa e dele ouvi: 

– A Paris, ocupada pelos alemães, estava vazia, triste, mas solene. Pouquíssimo tráfego nas ruas, mas o metrô funcionando. Esse é o único meio de locomoção. Os únicos veículos que circulam são os militares ou oficiais. No entanto, Paris não é uma cidade morta. Ela vive. As lojas estão abertas, assim como os cafés. A clientela, na sua maioria, é de alemães. Nos grandes magazines, os alemães compram muito, especialmente itens de luxo, lingerie feminina, perfumes. Doces, confeitos e chocolate também. Eles pagam com o marco, estimado em 20 francos; festejam, tudo muito barato.

Quanto aos cafés, os preferidos dos oficiais alemães são o “Fouquet” e o “Maxim’s”. Lá eles reinam todo poderosos. Assim, eles têm a ilusão de levar a vida de Paris. […] Minha impressão, de um modo geral, foi que Paris vivia em câmera lenta. À noite, tudo acaba às 21h, ou seja, tudo para. Ao mesmo tempo, me pareceu que a ‘Gestapo’ estava trabalhando ativamente e investigando cada detalhe.”

Soldados alemães no bistrô La Mère Catherine – Montmartre –, reduto dos pintores (1940).

No dia 2 de julho de 1940, o jornal “Le Figaro” publicou o texto de um colaborador, que começa assim.

A RETOMADA DE PARIS

Durante 4 anos, Paris permaneceu envolta pelas sombras da guerra. Seu brilho ressurgiu no 25 de agosto de 1944, com a libertação da cidade. Nesse dia, o jornal “France Libre” publicou em editorial:

“Naquela noite, de 24 a 25 de agosto de 1944, os primeiros veículos blindados da divisão Leclerc entraram em Paris. À tarde, etapas sucessivas os levaram à Porte d’Orleans. Nossos soldados franceses estavam lá, muito perto de nós, orgulhosos e vibrantes, para a entrada triunfal esperada durante cinquenta meses.

Eles estavam lá, enquanto a nossa bela Paris, tumultuada e soberba, vigiava por toda parte o desfigurado boche (soldado alemão), que ainda se defendia com retornos de fúria selvagem. […] Todos sofriam sorrindo: homens, mulheres, crianças, estudantes e trabalhadores. […] Paris, a Paris orgulhosa conquistou sua vitória.

Enquanto escrevo estas linhas, os sinos de todas as nossas igrejas se unem ao soar de Notre-Dame para saudar a libertação. Soldados franceses estão em armas no Hôtel de Ville (Prefeitura), mas o fraquejado boche ainda não capitulou. Nas praças e nas ruas nos abraçamos e nos beijamos ao brilho de incêndios, sob a metralhadora e o canhão. Paris não acredita mais na morte!

Amanhã, a vitória apagará essas memórias pesadas. E, logo, o coração de Paris grita ao general de Gaulle e aos vitoriosos aliados: ‘- Perdemos a primeira batalha mas, graças à Resistência da França, vencemos a guerra.’”

——

Depois de 1944, produziram muita arte em Paris. Os artistas do modernismo – cubistas, dadaistas, futuristas, expressionistas e demais vanguardistas – sentiram que tinham algo em comum e que seriam capazes de mudar os rumos da história. Porém, o que mudou foi tão somente o discurso da forma, até que foram levados à exaustão. O futuro brilhante que projetaram para a humanidade parece que não se consumou. Melhor seria se tivessem ficado restritos aos pincéis.

Sinta o clima do fim-de-siècle europeu na valsa dos “Hidropatas”:

Pesquisa, texto, tradução e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

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(1) Impressionista: Conheça o estilo, clique: “SOL LEVANTE”.

(2) GAUGUIN, Eugène-Henri-Paul – (Paris, *07.08.1848 / Ilhas Marquesas, †08.05.1903) Participou, de 1879 à 1886, das cinco últimas exposições dos impressionistas. Em seguida, abraçou o estilo denominado “Pós-impressionista” (não confundir com o “Neo-impressionista”).

(3) SIGNAC, Paul Victor – Paris, *11.11.1863 / †15.10.1935, 71 anos / Pai: SIGNAC, Jules Jean Baptiste, *1839 / †1880 / Mãe: DEUDON, Héloïse Anaïs Eugénie, *1842 / †?

(4) CROS, Hortensius-Emile Charles – (*01.10.1842 / †09.08.1888) foi um Poeta e inventor francês. Autor do poema satírico “O arenque defumado” — Era uma vez uma grande parede branca – nua, nua, nua, • Contra a parede uma escada – alta, alta, alta, / E, no chão, um arenque – seco, seco e seco. • Ele vem, trazendo nas mãos – sujas, sujas, sujas, / Um martelo pesado, um grande prego, pontudo, pontudo, / pontudo, • Um pacote de barbante – grande, grande, grande. • Então ele sobe na escada – alta, alta, alta, / E martela o prego pontudo – toc, toc, toc, / No alto da grande parede branca – nua, nua, nua. • E deixa solto o martelo – que cai, que cai, que cai; / Amarra o barbante no prego – longo, longo, longo. / E, na ponta, o arenque – seco, seco, seco. • Ele desce da escada – alta, alta, alta, / Pega junto o martelo – pesado, pesado, pesado / E então vai para outro lugar – longe, longe, longe. • E, depois, o arenque defumado – seco, seco, seco, / Na ponta dessa cordinha – longa, longa, longa, / Muito lentamente vai balançando – sempre, sempre, sempre. • Eu compus essa história – simples, simples, simples, / Para enfurecer as pessoas – sérias, sérias, sérias, / E para divertir as crianças – pequenas, pequenas, pequenas.

(5) MANET, Èdouard; DEGAS, Edgar; RENOIR, Pierre-Auguste; PISSARO, Camille; RAFFAËLLI, Jean-François.

(6) Fada verde – Por muito tempo, usou-se o absinto, principalmente na Europa. Sob o efeito da “fada verde” – apelido que remete à cor da bebida anisada – os usuários costumavam ter alucinações. O escritor Oscar Wilde dizia que, quando a bebia, via tulipas surgirem em suas pernas. Também eram adeptos do absinto os escritores Charles Baudelaire e Edgar Allan Poe e os pintores Van Gogh e Toulouse-Lautrec. No começo do século XX, o absinto tornou-se um líquido maldito, banido de praticamente de todos os lugares. Em 1905, desde que o fazendeiro suíço Jean Lanfray matou a mulher grávida e as duas filhas, depois de duas doses, a bebida passou a ser considerada responsável por acessos de loucura, cegueira e crises de epilepsia.

(7) SALIS, Rodolphe  – (*1851 / †1897) “Cabaretier” e animador cultural. / POE, Edgar Allan – (*1809 / †1849) autor, poeta, editor e crítico literário norte-americano. / BAUDELAIRE, Charles – (*1821 / †1867). Poeta boêmio, teórico e critico de arte.

(8) GOUDEAU, Émile – (Périgueux, França, *29.10.1849 / Paris, †18.08.1906) Jornalista, romancista e poeta. Em 11.10.1878, fundou o Círculo dos Hidropatas. Bebia à vontade, particularmente o absinto. Goudeau costumava pagar seus colaboradores com bebida e que levou alguns a ter sua saúde destruída. O nome do Círculo originou-se da valsa “Die Hydropathen”, criada pelo austríaco Joseph Gungl.

(9) CAZE, Robert – (Paris, *03.01. 1853 / Paris, †28.03.1886) Falecido num duelo contra Charles Vignier.

(10) Anarquismo – link: https://en.wikipedia.org/wiki/Communards / Comunismo –link: https://fr.wikipedia.org/wiki/Histoire_du_Parti_communiste_fran%C3%A7ais

(11) SEURAT, Georges – (Paris, *02.12.1859 / Paris, †29.03.1891) Pioneiro do estilo chamado “Neo-impressionismo” ou “Pontilhismo”. Sua obra mais importante, “Uma Tarde de Domingo na Ilha da Grande Jatte”, levou 2 anos para ser terminada (1884-1886). Tal fato indica que sua estética difere completamente do que pregava o “Impressionismo”, ou seja, a pintura rápida e espontânea, que devia representar os sentimentos em estado bruto.

(12) Abraçaram o movimento “Neo-Impressionista” os pintores Georges Seurat, Paul Signac, Camille Pissaro, Henri-Edmond Cross, Maximilien Luce, Felix Pissaro, Antoine de la Rochefoucauld, entre outros.

(13) Destacaram-se no grupo dos “Artistas independentes”: Georges Braque, Bernard Buffet, Marc Chagall, Giorgio de Chirico, Robert Delaunay, Marcel Duchamp, Raoul Dufy, Juan Gris, Wassily Kandinsky, Fernand Léger, André Lhote, Henri Matisse, Joan Miró, Amedeo Modigliani, Piet Mondrian, Edvard Munch, Francis Picabia, entre outros.

(14) NEWTON Isaac – (Woolsthorpe, Inglaterra, *04.01.1643 / Kensington, Inglaterra, †31.03.1727) • GOETHE, Johann Wolfgang von – (Frankfurt, Alemanha, *28.08.1749 / †Weimar, Alemanha, 22.03.1832).

(15) Fulminato de mercúrio – composto químico e explosivo primário, muito sensível à fricção e ao impacto. Utilizado sobretudo como iniciador de outros explosivos, como em detonadores e espoletas. 

(16) Processo dos Trinta – nome provem de um julgamento espetaculoso, ocorrido em Paris, de 06.08.1894 a 31.10.1894. O objetivo foi legitimar as“lois scélérates” (leis bandidas), contra o movimento anarquista e a restrição à liberdade de imprensa, quando se percebeu que havia um compromisso velado entre ambos. Ocorreu em consequência de inúmeros atentados e assassinatos conduzidos pelos anarquistas, na “Terceira República” (1870/1940).

(17) TAILHADE, Laurent – (*01.11.1919 /†1919) Escrevia no “L’Écho de Paris” e no “Le Figaro”. Tentava se esconder sob vários pseudônimos: Lorenzaccio; Tybalt; Azède; Dom Junipérien; Patte-Pelue; Renzi; El Cachetero.

(18) JEAN, Jaurès – (*03.09.1859 / †31.07.1914) Deputado, fundador e diretor do jornal “L’Humanité”, presidente do Partido Socialista Francês.

(19) SELMERSHEIM-DESGRANGE, Jeanne Adèle – (*1877 / †1958) Casada com o arquiteto e decorador Pierre Selmersheim, com que teve três filhos. Em outubro de 1912, deu à luz uma filha “ilegítima” que, mais tarde, foi adotada por Signac (1927).

(20) Restauração – Período que vai da primeira abdicação de Napoleão Bonaparte – 6 de abril de 1914– ao seu retorno em março de 1815. Consiste no retorno à soberania monárquica da “Casa de Bourbon”. Foi uma monarquia constitucional limitada pela “Carta de 1814”, sob o reino de Louis XVIII e Charles X.

(21) NIZAN, Paul-Yves – (*07.02.1905 / †23.05.1940) Escritor, jornalista, tradutor e filósofo.

(22) RATTI, Ambrogio Damiano Achille (Pio XI) – (*31.05.1857 / †10.02.1939). Papa de 1922 a 1929.

10 Comentários »

  1. Eduardo, muito interessante seu post. Muito bom saber deste assunto.
    Parabéns , Maria Marilda
    Lagoa Santa

    Comentário por Maria Marilda Pinto Correa — 01/03/2019 @ 1:37 pm | Responder

    • Marilda:
      Muito obrigado.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/03/2019 @ 7:08 pm | Responder

  2. Eduardo, maravilha! Muito obrigado. Estou honradíssimo com tanta informação preciosa. Um abração do Arthur.

    Comentário por Arthur José Diniz — 01/03/2019 @ 4:48 pm | Responder

    • Arthur:
      Gosto de conhecer a história para me proteger das loucuras do mundo em que vivemos. Sou um sobrevivente.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/03/2019 @ 7:04 pm | Responder

  3. Seu texto é muito bom, Eduardo. Há, no entanto, uma grande quantidade de informações. Ao terminar a leitura, é necessário que o leitor reflita a respeito da intenção que o motivou a produzir este post. O título, talvez, dê a chave para a leitura, mas a história de Paul Signac, parece-me, ter muita importância. Na minha visão, o que está neste post poderia estar dividido em, pelo menos, três textos. Seria mais fácil para o leitor, mais apropriado para os dias em que vivemos. Isso, no entanto, é apenas uma opinião, e como diz Fernando Pessoa “Não tenhas opiniões firmes, nem creias demasiadamente no valor de tuas opiniões”. Eu diria muito menos creias na opinião de teus amigos.
    Aprendi muito, como acontece sempre quando leio seus textos. Um grande abraço!
    Observação: No trecho que vai de “Nessa ocasião, … até … Manet.”, primeiro parágrafo, as obras de Signac causaram admiração a Signac. É isso mesmo?

    Comentário por Pedro Faria Borges — 03/03/2019 @ 10:22 pm | Responder

    • Pedro:
      É muito bom ter um leitor como você. Suas opiniões me ensinam e quero delas tirar proveito. Quanto ao trecho “… mais admiração as de Signac…”, já corrigi. É: “… admiração as de Georges Seurat e Édouard Manet.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 04/03/2019 @ 7:53 am | Responder

  4. Olá Eduardo. Bela idéia a de reunir dados e episódios da história de vida de Paul Signac, figura marcante dentre os impressionistas. Tal como disse Teillard de Chardin, na vida somos todos alpinistas, mas chegar ao topo é sempre desafiador. No caso de Signac, aquele “Meu Senhor, aqui não se copia” foi insuficiente enquanto obstáculo capaz de desmotivá-lo a prosseguir em sua trajetória e colocar-se ao lado dos que já haviam chegado ao topo. Dentre eles, Degas, Pissaro, Rafaeli e tantos outros. E olha que o ambiente na época era mesmo pesado e “l’ennui” (o tédio), como bem mostrou Baudelaire, havia se apoderado do humor de todos. E, pelo que se nota , as duas grandes guerras vieram a torná-lo pior. Para além de considerações sobre o Impressionismo, seu post focaliza também alguns outros aspectos que compunham o cenário daquela época, tais como o da figura dos Communards, que designa os heróis do famoso episódio da história da França, conhecido como “La Commune de Paris”; menciona os Cabarets, como elemento básico da boemia de então; e descreve aspectos ligados à dinâmica da vida política. Seu texto pareceu-me mesmo muito rico e, certamente, surge como excelente tema para nossos papos. Parabéns. Enhorabuena con mis saludos desde mi bunker. Estevam.

    Comentário por Estevam de Toledo — 14/03/2019 @ 7:24 pm | Responder

    • Estevam:
      Nesse assunto, tenho em você um leitor especial, porque conhece a história da França e sua cultura, que tanto apreciamos. Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 14/03/2019 @ 9:53 pm | Responder

  5. Como gosto muito de história essa leitura foi um excelente aprendizado.

    Comentário por sertaneja — 18/03/2021 @ 3:29 pm | Responder

    • Sertaneja: Falei de arte e política. Entendo que é preciso saber o que está por trás das obras de arte. Poucos têm esses conhecimentos.
      Grato, Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 18/03/2021 @ 7:18 pm | Responder


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