Sumidoiro's Blog

01/07/2020

SURPRESAS DE SÃO JOÃO

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 7:40 am
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Em 1867, sir Richard Francis Burton(1), diplomata, viajante e explorador, homem de vasta cultura, viveu por algum tempo no Brasil e fez por onde conhecer boa parte do território. Duas grandes viagens marcaram sua estada no país. Na primeira, partiu do Rio de Janeiro, em 12 de junho, até atingir Ouro Preto e, depois, cidades ao seu redor. Bom tempo dedicou a Congonhas do Sabará (atual Nova Lima), onde visitou a Mina de Morro Velho(2). Na segunda viagem, partindo de Sabará, navegou pelo Rio das Velhas e o São Francisco, até sua foz no Oceano Atlântico. Em resumo, aqui vão passagens da primeira excursão.

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é post-s-j-del-rei-_-h-vanderburch-1.jpgSão João Del Rei, no início do século XIX (Por Jacques Hippolyte van der Burch).

TRÊS DIAS DE JUNHO

22, Sábado Partida de São João Del Rei — “Dia dos Mendigos(3), de acordo com velho costume no Brasil. Nós éramos estrangeiros, portanto, boas presas. A praia* estava repleta de aleijados de todo tipo […] Jamais vira tanta mendicância concentrada em tão pouco espaço. […] Chegando a Matozinhos, o memorável subúrbio, almoçamos com doutor Lee e sua muito agradável esposa sanjoanense, cuja amabilidade e hospitalidade, em tão breve período de tempo, nos cativaram. […] — * Praia no Rio das Mortes.

Com pesar, nos despedimos dos excelentes anfitriões e, então, seguimos em frente pelo vale do Rio das Mortes Grande. […] Passamos por muitas chácaras, agora em ruínas, mas relembrando os dias de opulência de São João. Um lugar notável, situa-se a 2 milhas abaixo da ponte, abraçando a margem direita do rio e, a oeste, conhecido como Vargem do Marçal Casado(4). Fica a duas milhas da ponte, à margem direita do rio e, à oeste, a estrada que vai para Lagoa Dourada. […] — Vargem do Marçal, lugar cogitado para se instalar a capital de Minas Gerais, substituindo Ouro Preto (Em 1893).

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é post-matosinhos-_-rugendas.jpgMatozinhos, gravura de Rugendas (detalhe).

22, Sábado – Entrada em São José* (atual Tiradentes) — “Depois de algum tempo, atravessamos o Morro da Candonga, que fica ao sul e é cortado por profundas ravinas, semelhantes a crateras de vulcões extintos. […] Vimos, de súbito, a nossos pés, a igreja da Trindade e a cidade de São José, singular e romântica. […] O calçamento íngreme de lajes era ainda pior que o de São João. Chegamos à casa do senhor Robert H. Milward, a quem eram dirigidas nossas cartas de apresentação, plenamente dispostos a apear. Porém, tal felicidade não nos foi possível, o senhor Milward encontrava-se fora da cidade […] — *São José do Rio das Mortes.

Voltamos então nossos passos por entre grupos de jacubeiros, alguns deles gente de casaca. Sua única ocupação, quando não estavam fazendo sapatos, parecia ser a de jogar peteca, diversão muito a gosto de ambos os sexos. Na hospedaria mantida pelo capitão Severino, mais conhecido por Joaquinzinho, de fato não esperávamos encontrar a galinha obrigatória, mas não ficamos de todo desapontados. Felizmente, sábado é dia de carne em São José. […]

As atividades em São José, a não ser comer jacuba e jogar peteca estão paradas. A cidade já teve cinco fábricas de panos, com setenta teares, onde eram feitos 30.000 metros de tecidos de algodão da região; cinco olarias e oito fornos, que produziam, por ano, 3.000 alqueires de cal. […]

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é post-igr-tiradentes-burton.jpgIgreja de Santo Antônio, em São José (Tiradentes). / Richard Burton.

A natureza, com sua habitual conduta caprichosa, produziu na São José dos Jacubeiros, nada menos que José Basílio da Gama, ex-noviço jesuíta, protegido de Pombal, membro da Arcádia Mineira, autor de celebrado poema épico, ou melhor, um romance metrificado, O Uraguai*, glória de sua terra natal. […]” — * Publicado em 1769, enaltecendo a política do Marquês de Pombal contra os jesuítas.

* Nota de Burton“Jacubeiros de São José é um termo muito ofensivo, equivalente a capiau, aplicado pelos vizinhos de São João Del Rei. Há por lá disputas que atribuem mais importância a um ou outro lugar. Jacuba é uma comida de escravos. O Padre Correa(5) descreveu com deboche: Nem agradece a jacuba / Quem não comeria em Cuba!. A jacuba é do gosto dos tropeiros e, especialmente, dos barqueiros do Rio São Francisco. A singela receita é composta de farinha de milho, misturada com rapadura e água fria, sem açúcar.

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é post-lagoa-dourada-isabel.jpgIgreja de Santo Antônio, em Lagoa Dourada. / Isabel Burton.

23, Domingo  Partida para Lagoa Dourada — “As camas de São José não eram macias. Combinamos levantar à 1 hora da madrugada e, a maior parte de nós, passou um bom pedaço da noite em conversa recordando os velhos tempos. […] De qualquer maneira, partimos às 4:30h. […] Três léguas mortais e compridas estenderam-se diante de nós, até quase a hora do por do sol.

Depois de muito anathema esto [desconforto], chegamos a uma povoação no alto de uma colina, primitiva como uma taba tupi. Dali, descendo por um caminho íngreme e sinuoso, nos vimos em algo mais civilizado, a freguesia de Santo Antônio da Alagoa (vulgarmente Lagoa Dourada). […] Quando acabamos de atravessar a espichada aldeia, fomos nos arranchar em uma espécie de casa de campo rústica, que trazia uma placa: 

CASA HOSPERIA / Dom Miguel de Assumpção Chaves.

Os covis que nos serviram como quarto de dormir eram imundos. O chão era de terra batida e os tetos no estilo mineiro, isto é, de esteira. […] 

O domingo, 23 de junho, é véspera de São João, talvez o mais antigo dia santo do mundo civilizado. Insisto em dizer, a comemoração do solstício do hemisfério norte, o Mundi oculus*, quando começa o seu Dakhshanáyan**. É a festa do poderoso Baal […] o grande “mestre”, o “marido” da Lua, o poderoso “Senhor” da luz e do calor, o Sol deste grande mundo, ao mesmo tempo olho e alma. — * Mundi oculus = Olho do mundo. O poeta Ovídio chamou o sol de olho do mundo. / ** Festa do sol de junho da Índia, no hemisfério sul, o mesmo do Brasil.

Encontramo-lo, também, chamado Bel e Belus, na Assíria e na Caldeia; Beel, na Fenícia; Bal, entre os cartagineses; Moloch – isto é, Malik, ou rei –, entre os amonitas; Hobal, na Arábia […]; Balder (Apolo), na Escandinávia; Belenus, em Avebury, e Beal, na Irlanda.

A pira flamejante é em honra ao Mundo Animus, animado pela luz solar. Assim lemos no Quatuor Sermones:

‘No culto de São João, as pessoas permanecem em casa e fazem três tipos de fogueiras; uma de ossos limpos e não de madeira, e essa é chamada bonfire; outra é de madeira limpa e não de ossos, e é chamada de fogueira de madeira, para as pessoas se reunirem em torno dela; a terceira é feita de madeira e ossos, e essa é chamada de fogueira de São João’.

Com esse propósito, os adoradores do sol, do norte da Inglaterra, dos condados centrais e da Cornualha acendiam em seus mais altos morros e picos, enormes feux de joie*, que chamavam de Bart-tine(6). — * Fogo de alegria.

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é post-roteiro-burton.jpgMapa de H. G. Halfeld – 1862

Chegou então o momento em que, estando no coração da região montanhosa do Brasil, iríamos assistir a arrumação e o acender da fogueira, como se estivéssemos vendo irlandeses semi-pagãos de Leinster e Connaught, mesmo de Queen’s County. Eles dançavam em torno da fogueira e as crianças pulavam naquele comemorativo Beal-tienne* ou Baal-fire. Enquanto isso, iam admirando as torres redondas, onde as fogueiras crepitavam. — * Segundo Burton, as brasas eram espalhadas pelas lavouras, para produzir boas colheitas.

Aqui, também, pudemos observar o efeito do clima sobre as grandes festividades nacionais. O yeule ou yule nórdico – o Feliz Natal –, festa do hemisfério norte, tem pouca importância nessas latitudes de cá, onde o tempo é quente e chuvoso, e as estradas são más. Quando é o Midsummer*, o meio do verão do norte, aqui [no sudeste do Brasil] é o tempo mais frio do ano. Então, a temperatura é muito agradável e as estradas ficam em boas condições. — * Impropriamente meio da estação, uma vez que, no hemisfério norte, o Verão começa em junho (20/21) e termina com o início do Outono, em setembro (22/23). 

O povo se desloca para as sedes paroquiais vindos de todos os lugares. Cada uma delas tem sua fogueira, há desfile de bandas e o alegre hasteamento do Mastro de São João. As pessoas admiram e participam da festa por toda noite, mas ignoram completamente sua origem. Além do mais, perguntei a eclesiásticos europeus a origem da Festa Junina*, repetidamente, mas foi em vão, de fato não conheciam seu significado. — * Festa Joanina ou de São João.

Brasileiros instruídos têm indagado sobre o que leva as pessoas a caminharem sobre a fogueira de São João sem queimar os pés. Naturalmente, a resposta é que, ao atravessarem as chamas, o fazem sempre muito depressa e, muitas vezes, com as solas dos pés molhadas.

Algumas moças abrem ovos dentro d’água para buscar, nas formas que surgem, as feições dos “futuros”. De outra maneira, todas consultam sua sorte, naturalmente matrimonial, torcendo pedacinhos de papel, que podem ser abertos ou não por causa do frio. Os ignorantes acreditam que, durante sua festa, São João fica dormindo, uma vez que, se acordasse, destruiria o mundo. Pobre santo! A ele entoam canções compridas, que começam assim:

São João se soubera que hoje é seu dia,
Do céu desceria com alegria e prazer.

Na roça a festa é mais animada do que na cidade, onde o repicar dos sinos e o foguetório começam antes do amanhecer. A gente fica surda com os ridículos rojões e os moleques, isto é, os negrinhos, incomodam nas ruas disparando busca-pés ou traques, fazendo tudo que podem para queimar nossas pernas.

Lagoa Dourada é um lugar pobre, mas a situação é verdadeiramente especial e, dizem seus habitantes, é o mais alto arraial de Minas*. Por sua vez, a Serra das Taipas é a mais elevada e o pico do Itacolomi o rei dos montes. A povoação ocupa um dos mais altos planaltos – talvez o mais alto – não só de Minas, como do Brasil, como é provado pelo fato de suas águas correrem para as extremidades meridional e setentrional do império. — * Informações sobre altitudes estão equivocadas. / Altitude de Lagoa Dourada: 1.034m. 

Depois de deixar nossa tralha no pardieiro, me dirigi ao palacete da Comissão, onde estavam hospedados os supervisores da futura grande linha ferroviária, que irá superar a grande perda de tempo de viagem entre o Vale do Paraíba e o São Francisco. […]”

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é post-s-joacc83o-_-guignard.jpgNoite de São João, por Guignard (detalhe).

24, Segunda-feira — “No dia da Festa de São João, quando fizemos uma pausa na viagem, fomos convidados a instalar o primeiro marco da ferrovia. Ao meio-dia, nos dirigimos a um riacho, acompanhados por pequena multidão de homens, cujas esposas e filhos olhavam para o estranho desfile, como sempre, postadas nas suas janelas. […] Na inauguração tudo correu bem, bandeiras foram agitadas, a banda tocou o mais alto que podia. Bebemos em meio a muitos aplausos com Pam, pam, pans! E também com Hip, hip, hip, hurras! Tudo isso à saúde do Brasil, da Inglaterra e, principalmente, pelo fato do prolongamento da Estrada de Ferro Dom Pedro II […]

Na parte da tarde, passeamos pelas margens do pequeno córrego do Brumado. Lá, a bateia conseguia trazer algumas pepitas de ouro […] Tal como sempre acontece entre os verdadeiros britânicos, o dia terminou com um grande jantar oferecido pelo senhor Wittaker. O bom vigário, reverendo Francisco José Ferreira, que rezara u’a missa às 11 horas da manhã, tomou lugar à cabeceira. Minha mulher* ficou na outra ponta e os demais lugares foram ocupados por dezessete brasileiros, mais oito estrangeiros. A comida, como de costume, foi galinha e carne, feijão, arroz, farinha e molho de pimenta. De fato, mexiriboca**, com queijo, cerveja e vinho do Porto das adegas dos engenheiros. A maior surpresa foi o modo de fazer brindes, segundo velho costume de Minas. — * Isabel Burton. / ** Mexiriboca: palavra indígena do tupi-guarani; mexira = frito + boca = rachado. Alimento geralmente feito com carne, também galinha, arroz, feijão, farinha e molho de pimenta.

Imediatamente, após a sopa, cada um fez um pequeno discurso e também cantaram, em um tom muito nasalado. Todos num estilo sentimental, geralmente uma quadrinha e um refrão. São exemplos:

Aos amigos, um bride feito,
Reina alegria em nosso peito.
Grato licor, alegre, jucundo,
Que a tudo este mundo,
                    desafia o amor!

A audiência repete a última palavra e, alegremente, emenda com um melancólico murmúrio: “Amo… o… or”. E pode seguir assim:

Como é grata a companhia,
Lisonjeira sociedade, 
Entre amigos verdadeiros,
Viva a constante amizade,
                   Amizade! (coro)

[…] Depois do jantar deixamos nossas cadeiras e fomos tomar café em plena rua. Nesses baixios da região montanhosa, logo a temperatura começa a cair. Pequenas partículas de gelo se formam e, em certos lugares, um prato com água pode congelar durante a noite. […] As fogueiras da vigília não foram acesas de novo, mas uma banda de dez pessoas circulou pela cidade e, finalmente, para nós, ofereceu uma serenata.

Passei muitos Natais na Inglaterra, não tão alegres, e, todos nós, nunca esqueceremos o Midsummer Day* da Lagoa Dourada, no ano da graça de 1867.” — * Na verdade, o termo vago Midsummer Day, vertido para a estação brasileira, seria Dia do Meio do Inverno.


Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é post-noticiacc81rio.jpg

19, julho, quarta-feira / Na imprensa mineira 

“Chegou a esta capital o célebre viajante Capitão Burton, cônsul de S. M. Britânica, em Santos. O sr. Capitão […] conhecido por longas e arriscadas viagens, em regiões inóspitas, como as da África, é um escritor distinto e que goza de elevado conceito, sobretudo em Inglaterra.

O principal fito da viagem […], à Província de Minas, é estudar a linha da estrada entre a Serra da Mantiqueira e o Rio das Velhas, assim como a navegação até o São Francisco e, por este, até a Bahia. Sua senhoria parte a empreender essa navegação, para o que já mandou preparar canoas e ajoujos(7). O governo imperial recomendou, com toda a instância, o senhor Capitão Burton e seus companheiros à proteção de todas as autoridades. […]” — Jornal “Diário de Minas”, Ouro Preto, quarta-feira.

• Leia mais, clique: “As juninas”.

Texto, tradução e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

——

(1) BURTON, Richard Francis – (Torquai, Devon, Inglaterra, *19.03.1821 / Trieste, Império Austro-Húngaro, †20.10.1890; aos 69 anos de idade, por ataque cardíaco). Explorador, geógrafo, tradutor, escritor, soldado, orientalista, cartógrafo, etnólogo, espião, linguista, poeta, esgrimista e diplomata. Serviu como cônsul em Santos, São Paulo, Brasil. Ficou famoso por suas viagens e explorações na Ásia, África e Américas. / As narrativas das grandes viagens pelo Brasil receberam o título de “The Highlands of Brazil” (1869), em dois volumes. O primeiro foi a fonte deste Post. Uma e outra, traduziram como “Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho” “Viagem de canoa de Sabará ao oceano Atlântico” (Livraria Editora Itatiaia, 1976).

(2) Após sua passagem pela Mina de Morro Velho, diz Burton no seu relato: “Eram 5,15 da manhã, sábado, 29 de junho de 1967, nono pouso a partir de Barbacena e décimo sexto dia de viagem, depois de nossa partida do Rio de Janeiro, quando fomos chamados a montar a cavalo e iniciar nossa última jornada.” Fez, então, um giro por várias localidades: Roça Grande, Sabará, Catas Altas do Mato Dentro e Mariana.

(3) Dia 22 de junho é dia de São João Fischer, o que leva a crer que o “Dia dos Mendigos” tenha a ver com suas ações de caridade. “Aos trinta e cinco anos, foi eleito bispo de Rochester, dedicando-se muito à função. Distribuía esmolas com generosidade e as portas de sua casa estavam sempre abertas para os visitantes, peregrinos e necessitados. Mesmo sendo bispo e chanceler da universidade, levava uma vida tão austera como a de um monge — Fonte: Arquidiocese de São Paulo, Brasil).”

(4) Várzea do Marçal – Nome derivado de Marçal Casado Rotier, português e minerador, durante o século XVIII. Possuía terras na margem direita do Rio das Mortes. Ao final do século XIX,  foi considerada a possibilidade de se construir a nova capital de Minas Gerais nessa várzea, substituindo Ouro Preto. Contudo, a preferência recaiu nas terras do antigo Curral Del Rei, onde nasceu a atual Belo Horizonte.

(5) CARVALHO, Gonçalo Correa de – Natural e batizado na Vila de São João Del Rei, por volta de 1766; faleceu em 1836. Ao ordenar-se, recebeu de presente a Fazenda Lagoa Verde e mais dois escravos, filhos da escrava Antônia. Era muito rico e prepotente. // TESTAMENTO de Gonçalo Correa de Carvalho: “Em nome de Deus Amem. / Eu, o Padre Gonçalo Correa de Carvalho estando em meu perfeito juízo e querendo firmar minha última vontade ordeno o meu testamento na forma seguinte: Sou natural e batizado na Freguesia da Vila de São João Del Rei, filho legítimo de Gonçalo Correa Neto e Dona Tereza Maria Duarte, já falecidos. / Nomeio e quero que sejam meus Testamenteiros em primeiro lugar a meu Irmão o Padre Isidoro Correa de Carvalho, em segundo a Jerônimo Correa de Carvalho e em terceiro a meu Irmão o Guarda Mor João Correa de Carvalho […] Meu corpo será envolto em vestes sacerdotais e será sepultado no cemitério da minha Venerável Ordem terceira de São Francisco da Vila de São João […] Declaro que tenho um filho por nome Jerônimo Correa digo Jerônimo José de Carvalho meu segundo testamenteiro e o reconheço como tal e o constituo nas duas partes de todos os meus bens. Deixo o restante de minha terça […] às minhas duas irmãs Dona Ana Maria de Jesus e Dona Mariana Antonia de Jesus em partes iguais. Deixo mais a Silveria, exposta nesta casa a quantia de quarenta mil réis. / Escrito a rogo pelo Padre João de Castro Guimarães / Fazenda Paciência, 7-4-1836” – Fonte: Projeto Compartilhar — Museu Regional de São João Del Rei / Caixa –20 / Ano – 1-7-1840.

(6) O Bart-tine é o mesmo que Burton chama de Beal-tienne ou Baal-fire. No auge da primavera, dia 31 de maio, ao qual denominam May Day (Dia de Maio), na Escócia e na Irlanda, há uma grande comemoração pelas boas colheitas. Nesse momento, grupos de mulheres dançam ao ar livre, contornando um mastro de madeira, o May Pole, ou seja, Mastro de Maio. Atam-se nele fitas coloridas, de tal maneira que cada participante possa fazer sua coreografia. Nas Festas Juninas brasileiras repetem esse ritual.

(7) Ajoujo – Embarcação para transporte de carga, formada por duas ou mais canoas ligadas umas às outras e em paralelo. / Os ajoujos foram utilizados na segunda viagem, de Sabará ao Oceano Atlântico.

 

8 Comentários »

  1. A maioria de seus textos me deixa consciente do quão pouco conheço de nossa própria História e me deixa com o desejo de voltar a alguns lugares (Lagoa Dourada, São João Del Rei, Sabará, Matozinhos, Tiradentes) para ver, com os olhos do coração, o que viu Richard Francis Burton, em 1867, e que, ainda, temos o privilégio de ver hoje, tão perto de nós. O conhecimento nos faz perceber mais, olhar, com mais atenção, o que nos cerca e compreender melhor o nosso passado. Eu lhe sou grato por essas informações que, de maneira magistral, você garimpa para nós. Um grande abraço.

    Comentário por Pedro Faria Borges — 01/07/2020 @ 10:47 am | Responder

    • Pedro:
      Descobri que nossa história é grandiosa. Eu não sabia! De uns tempos para cá, me empolguei querendo conhecer nosso passado, mas também do resto do mundo. Volta e meia, retorno em pensamento a lugares que conheci, mas não sabia bem da sua história. Todas essas visitas têm me dado imenso prazer.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 01/07/2020 @ 12:03 pm | Responder

  2. Bacana Eduardo.

    Enviado do meu iPhone

    Comentário por Geraldo Eustáquio Bráulio Bráulio — 02/07/2020 @ 6:17 am | Responder

    • Bráulio:
      Os livros de Burton são puro encantamento.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 02/07/2020 @ 4:04 pm | Responder

  3. Muito bom, como sempre, Eduardo! Dá saudades de Minas! Já viajei de S. J. del Rei a Ouro Preto e, em seguida para Sabará, passando por alguns dos lugares mencionados no artigo.
    Grande abraço!

    Comentário por jbvianna — 02/07/2020 @ 7:25 am | Responder

    • João:
      Eu também passei, várias vezes, por esses lugares. Entretanto, ao ler Burton, viajei mais uma vez.
      Muito obrigado e um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 02/07/2020 @ 4:02 pm | Responder

  4. Obrigada. Em seus posts sempre encontro preciosas informações. Ydernéa

    Comentário por Ydernéa — 08/12/2020 @ 8:56 am | Responder

    • Ydernéa:
      Muto obrigado, cara leitora.
      Um abraço do Eduardo.

      Comentário por sumidoiro — 08/12/2020 @ 1:03 pm | Responder


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