Sumidoiro's Blog

01/05/2021

NEM TUDO MUDOU

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♦ Com os olhos no passado

Exatamente na metade do século XIX, Hermann Burmeister(1), médico e naturalista alemão, chegou no Rio de Janeiro, em companhia do filho Christian, então com 15 anos de idade. Depois de tudo que vivenciou no país, publicou Viagem ao Brasil (2). E como introdução da obra*, lançou estas palavras: “- Ao iniciar a viagem, não me animava a intenção de empreender grandes pesquisas científicas: projetava, quando muito, uma excursão de recreio que, ao mesmo tempo, me proporcionasse novos ensinamentos.” * Escritas em 20.12.1852.

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é post-burmeister-rio-1.jpgRio de Janeiro, na década de 1850, e Hermann Burmeister.

Dito e feito! Burmeister partiu de Halle, em 12 de setembro de 1850, com destino ao Brasil, onde pôs os pés em terra no 24 de novembro. No seu livro, expõe como programou a viagem, assim:

“… teria que optar por um espaço onde pudesse manter, dentro de limites razoáveis, a mesma maneira de viver da Europa. Desejava conhecer, o quanto antes e dentro do possível, a natureza tropical, de modo a coletar exemplares zoológicos e cuja conservação não impusesse demasiadas dificuldades […].

Fazia parte do meu programa a escolha de lugares notáveis pelas descobertas de ossadas fósseis, pois nada me atrai mais, sob o ponto de vista científico, do que o estudo exato dos grandes mamíferos tropicais de eras passadas. […] Uma natureza virgem ainda existia às portas da capital brasileira (Rio de Janeiro) e, partindo dali, não seria difícil penetrar no interior do país até Minas Gerais […] onde o dr. Lund encontrou os mais interessantes restos da vida animal pré-adamítica*.” — * Adamítica: primitiva; dos tempos de Adão.

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é post-mapa-rj-a-ls.jpgDo Rio de Janeiro a Lagoa Santa, em verde / Volta ao Rio de Janeiro, em laranja.

Depois da chegada e de um estágio de quase 30 dias na cidade do Rio de Janeiro, Burmeister deu início à sua excursão, no finalzinho de 1850, adentrando em terras do estado do Rio de Janeiro, rumo ao interior do país. Mantendo esse foco, passamos a fazer um apanhado da Viagem ao Brasil, na parte que toca a Lagoa Santa e Congonhas do Sabará. Com essa visão, vamos entender que, daquele tempo para cá, nem tudo mudou.

A Congonhas do Sabará, que Burmeister pôde conhecer, surgiu no fim do século XVII, quando bandeirantes vieram em busca do ouro. Primeiramente, chamou-se Campos de Congonhas*. Em 1836, tornou-se distrito, subordinado ao município de Sabará, com o nome de Congonhas do Sabará. Em 05.02.1891, foi emancipada, passando a município, com o nome Vila Nova de Lima, em homenagem a Antônio Augusto de Lima, natural dessa cidade e um dos responsáveis pela fundação da capital, Belo Horizonte(3). Finalmente, em 1923, recebeu o nome que permanece no presente, Nova Lima. — * Congonha: erva medicinal, nativa da América. Congõi, na língua tupi, dizendo o que sustenta, que alimenta.

Assim consta do relato:

“A finalidade da minha visita […] a Lagoa Santa já fora atingida. Entrara em contato com dr. Lund e passara três semanas por demais agradáveis na sua companhia e na de seus colaboradores. Era tempo […] de pensar na volta. […] Havia alguns dias, não vinha me sentindo muito bem, o que atribuí a falta de exercício e, por isso, resolvi excursionar pelas redondezas, em companhia do meu filho.

No dia 3 de junho de 1851, saímos a cavalo, às 10 horas da manhã, quando […] atravessamos um vale e várias colinas, apreciando uma paisagem encantadora, até chegarmos à fazenda do Buraco […] Não sei que infeliz ideia me levou até a beira do Rio da Velhas, afim de pedir numa casinha algumas bananas. Responderam-me que não tinham, mas que as encontraríamos numas casas mais adiante. Elas ficavam atrás da fazenda do Mandi, onde um pesado portão dava entrada a um pátio. […] Conseguimos passar e, ao atingir a habitação, lá não encontramos as tais bananas. Entretanto, a dona da casa, uma senhora idosa, branca, gentilmente nos ofereceu uma xícara de café.

Como estava com pressa de voltar, montei no cavalo novamente. O portão permanecia semiaberto e meu filho que ia à frente por ele passou. Quando chegou a minha vez, a passagem me pareceu estreita. Então, me inclinei um pouco na sela, para melhorar a abertura e foi quando o animal deu um arranco para trás, me jogando no chão. […] Essa queda desastrosa me custou caro, pois tive quebrado o fêmur na parte superior […]

Quando senti que não conseguia me levantar […] pedi ao meu filho que fosse à procura de socorro. Isso feito, chegaram dois homens que, me carregaram até a sede da fazenda sentado numa cadeira. Lá chegando, fiquei deitado numa cama, até que meu filho regressasse de Lagoa Santa, onde fora tomar as necessárias providências. Nesse ponto, deixo de dar mais detalhes sobre o acidente, imaginando que os leitores deverão ter pouco interesse sobre isso. […]

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é post-lagoa-santa-antiga.jpgLagoa Santa e procissão, passando em frente à casa de Peter Lund.

Algum tempo depois, chegava o dr. Reinhardt*, que me conduziu até Lagoa Santa, carregado por oito pretos. O dr. Lund acolheu-me em sua casa, com grande amabilidade, providenciando também os posteriores socorros. O meu diagnóstico estava certo. Um médico veio me assistir, fazendo os procedimentos necessários, como também imobilizando minhas pernas entre duas talas de latão. Nesse estado, fiquei deitado durante seis semanas e, somente no quadragésimo dia, fiz por onde me levantar. Daí, decorridos oito dias, comecei a andar de muletas e, uma vez sentindo firmeza no seu manejo, resolvi seguir viagem. Para tanto, dr. Lund mandara vir uma liteira de Sabará. […] — * Reinhardt, Johannes Theodor – dinamarquês, trabalhou como assistente de Lund. 

Em companhia de meu filho e mais dois pretos, segui até Congonhas do Sabará*, que atingimos depois de dois acidentes menores mas, mesmo assim, bastante desagradáveis. Tudo isso me fez perceber o quão ariscado estava sendo o meu empreendimento. Ademais, já adentrando nesse destino, ocorreu uma queda e que foi a segunda, sofrida por outro dos muares. Em vista disso, desisti de continuar a viagem […] e resolvi esperar por meu restabelecimento total, de modo que pudesse montar novamente. […] Em 3 de agosto, tomei posse de nova moradia em Congonhas do Sabará, lugar onde permaneci até 18 de novembro. […]”* Burmeister escreve simplesmente Congonhas.

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é post-congonhas-do-sabaracc81.jpgCongonhas do Sabará, atual Nova Lima.

Ao prosseguir com estas narrativas e observando o que toca à justiça e sua aplicação, se evidencia que o passado ainda se projeta nos dias atuais. Pois assim está escrito:

“A minha permanência em Congonhas do Sabará, durante três meses, me permitiu conhecer a vida e os costumes dos brasileiros. Pude observá-los em vários aspectos o que me permite interpretá-los de alguma maneira. Contudo, minhas observações, quase todas, têm foco no povo, uma vez que as pessoas de nível social mais elevado não diferem das europeias de mesmo nível. Por isso, as excluo dos comentários que aqui faço.

Como se sabe, a civilização eleva o ser humano a um patamar em que desaparecem as diferenças da nacionalidade, estabelecendo certa uniformidade e monotonia entre os indivíduos de todas as procedências. Assim sendo, os habitantes das grandes cidades assimilam maneiras de viver e hábitos idênticos. Nesse sentido, não se pode falar em costumes típicos e nem vale a pena enumerá-los. As observações que apresento sobre os mineiros e seu modo de vida, não se referem a essa parte da sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, é preciso distinguir as diferentes camadas da população de acordo com o tom de pele, visto que a posição de cada indivíduo e o nível de vida, dependem muito dessa circunstância. Na Província de Minas, encontrei três classes de gente livre: a dos brancos, a dos mulatos e a dos pretos. Agora não falarei dos escravos, pois em outra passagem deste livro, já tratei deles e da condição de vida a que estão submetidos.

Os três grupos de gente livre, dos quais falo, são iguais perante a lei, mas os arraigados costumes e os diferentes condicionamentos, produziram variantes nessas mesmas leis, muito mais perigosas do que aquelas que estão lançadas no papel. Estas, os brasileiros sabem muito bem ignorar quando lhes convém. Junto à população, muito pouca confiança merece o poder judiciário, pois é por demais sabido que com a ajuda das boas relações pessoais e com o dinheiro, torna-se possível transpor os maiores obstáculos. Tal fragilidade não se deve à participação do funcionalismo ou dos jurados, que não recebem vencimentos.

Porém, o hábito arraigado das decisões injustas, faz com que ninguém leve a sério a letra da lei, mas sim as condições que irão prevalecer nos julgamentos. Assim sendo, o mais rico sempre vencerá o mais pobre e o homem branco vencerá o que não é branco. Por outro lado, no caso de uma contenda entre brancos, vencerá o que tiver mais prestígio ou superior posição social. O mesmo acontece nas demandas entre mulatos e pretos.

Não há quem possa corrigir esse absurdo e, se por ventura, uma pessoa correta ousasse a se opor à maioria, seria alijada na sociedade e apontada como pervertida. Tomei conhecimento de um caso, envolvendo um europeu naturalizado que, na qualidade de jurado e se sentindo constrangido ao defender seu ponto de vista, teve que pedir seu afastamento, utilizando a desculpa de que não dominava suficientemente o vernáculo jurídico.

Em tais processos, a defensoria pública geralmente perde. Mas ninguém se peja de absolver conhecidos ladrões, notórios assassinos e defraudadores, mesmo quando acusados por um promotor. E, com mais facilidade, se os acusados são ricos ou membros de alguma família influente. Com meu testemunho pessoal, poderia citar vários casos.

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é post-justiccca7a-1.jpgNa verdade, o mau exemplo é dado pelo próprio governo, que nobilita pessoas ricas, cuja fortuna provém, na maioria dos casos, de fraudes cometidas contra o fisco. Há também aquelas que, apesar de todos os seus malfeitos, ainda podem receber os títulos de barão, como tive conhecimento de um caso, durante minha presença em Minas Gerais.

Qualquer um que não seja condenado é considerado um indivíduo íntegro, embora possa ter cometido grande número de de fraudes e falcatruas, mesmo que se saiba que pagou pela sua absolvição. Pessoas de poucos recursos, amiúde, dão 10.000 mil réis a cada jurado, antes do pronunciamento da sentença. As mais ricas, pagam de acordo com suas posses e, em ambos os casos, podem contar com a certeza da absolvição.

Às vezes, fala-se de comiseração por parte dos jurados, embora isso não seja justificativa, principalmente quando se trata de um assassino, aquele que tenha tirado a vida de algum homem sem importância. Dizem, então: “- Esse caso já custou uma vida, para quê sacrificar outra? A vítima não ressuscitará com isso.” Outro artifício empregado é o de deixar o réu escapar, mesmo que a culpa já tenha sido devidamente comprovada.

A autonomia jurídica de cada província facilita tais procedimentos, pois o tribunal de uma não tem como condenar o criminoso de outra. Nesse sentido, todo ladrão, assassino ou patife se sente livre ao botar os pés numa província diferente daquela em que cometera o crime. Existem ainda os mais ousados que confrontam a justiça descaradamente, andando armados em plena luz do dia e ameaçando de morte quem ouse prendê-lo. Os delegados do interior, quando não dispõem de força armada, evitam agir contra tais indivíduos. O máximo que podem fazer é enviar um relatório para a capital, de onde podem enviar uma força volante, caso o criminoso persevere na sua provocação. Nessas ocasiões, os soldados caçam o indivíduo como um animal selvagem, não sem tê-lo antes avisado dos seus propósitos, mas sugerindo facilitar a absolvição em caso de rendição voluntária.

Um desses episódios ocorreu durante minha estada em Lagoa Santa. Tive notícia depois de ter ouvido o detonar de dois tiros e, mais tarde, tomei conhecimento de que a polícia matara um criminoso que havia assassinado duas pessoas. Sei que, em casos semelhantes, no primeiro disparo procuram ferir de leve, como advertência. Mas, se o perseguido apresenta resistência, o segundo tiro é para matar. O fato que estou a revelar, ocorreu em pleno dia, às 11 horas, no centro da vila e à vista de grande número de pessoas, que puderam assistir esse espetáculo de caçada humana. O alvo foi um mulato, porém, os que o mataram eram também mulatos, os quais receberam um prêmio pelo serviço.

Outro caso, que presenciei, ocorreu quando passei por Cantagalo* e é bem típico da moral pública do brasileiro. Detrás de uma janela da cadeia, vi um grupo de pessoas sentadas, bem vestidas, e entretidas numa conversação animada, ao mesmo tempo em que bebiam vinho com notável satisfação. Querendo saber do que se tratava, fui informado que ali havia um cidadão muito rico, que já colecionara alguns malfeitos, mas que, por suspeição de um assassinato, fora finalmente preso pela justiça. — * Cantagalo: no estado do Rio de Janeiro.

O fato é que, naquele momento, ali estavam alguns dos seus vizinhos a visitá-lo e a manifestar seus pesares. Em resumo, o preso estava a banquetear na prisão, embora ninguém duvidasse da sua culpa. Naquela situação, todos se manifestavam bem convictos da absolvição, sobremaneira pelo temor de alguma vingança. A visita seria, então, um manifesto explicito da inocência admitida por fingimento.

Mais um caso, do mesmo gênero, presenciei quando estive em Queluz*. Lá, vi meia dúzia de indivíduos trancafiados no xadrez e que cantavam aos berros, molestando quem passava na rua. Comportavam-se como se fossem donos do pedaço e a população ficava obrigada a aceitar tais agressões. Quem ousasse reclamar contra os abusos, corria o risco de ser hostilizado por essa escória humana, o que era uma quase certeza. Assim, não havia quem ousasse manifestar algum descontentamento. Quando fiz um comentário, dizendo que um escândalo como aquele não devia ser tolerado, quem me ouvia apenas deu de ombros. — * Queluz: antes, chamou-se Carijós; atualmente Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais.

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é post-o-preto-cadeia.jpgCadeia de Ouro Preto (por Burmeister).

A verdade é que a justiça brasileira, por ser muito condescendente, não contribui para diminuir a criminalidade. Em todo lugar, de alguma importância, encontra-se um tribunal e uma prisão, instalados num mesmo edifício público. A Casa da Câmara e cadeia é uma edificação única, que se destaca nessas comunidades. Quando surge um povoado, logo se constrói a cadeia que, simbolicamente, serve de ameaça aos malfeitores, além de ser local seguro para trancafiar os mais obstinados. É muito raro deparar-se com uma cadeia vazia.

Por outro lado, nas localidades menores e que não possuem seu cárcere, cuidam de remeter os criminosos para as vilas maiores, onde eles podem ser utilizados para trabalhar em obras públicas. Em outra oportunidade, descrevi um comboio de presos algemados aos pares, que vi lá em Ouro Preto*. Repetiu-se na minha primeira passagem por Congonhas do Sabará, quando um desses comboios se deslocava rumo a Sabará e, pouco mais tarde, encontrei um terceiro durante minha viagem. Vi os presos escoltados por homens armados, mas sem fardas. Geralmente, essas topas são comandadas por um militar a cavalo. Num desses comboios, observei também uma mulher, embora as criminosas sejam em número menor. — * Ouro Preto, antiga capital de Minas Gerais.

Perante a lei, conforme já disse, não há diferença quanto ao tom de pele, posição social ou riqueza. Contudo, comportamentos arraigados, fazem com que essas diferenças de fato ocorram. Quando se investiga nos anais da justiça brasileira, dificilmente aparece um caso em que o pobre tenha vencido o rico. Do mesmo modo, que a justiça tenha sido feita favorecendo um mulato, quando seu contendedor é um branco.

E por aí vai! Sendo que ninguém se admira quando cada pessoa se defende como pode. E mais, que o pobre e o homem de cor, escolham tornar-se criminosos por antecedência, sem aguardar que sejam marcados como tais, por um tribunal que não pratica a justiça. Por outro lado, os que fazem justiça com as próprias mãos é enorme e sempre encontram motivos para justificar suas atitudes. Ninguém ouve falar de roubos ou assassinatos cometidos por simples maldade ou miséria.

De modo geral, qualquer pessoa pode viajar pelo Brasil sem receios. Ninguém a atacará ou lhe fará mal, a não ser que ela mesma tenha iniciado o conflito. Mas, por via das dúvidas, é recomendável que todo viajante esteja bem armado, o que, de certo modo, é uma proteção contra eventuais assaltantes. Cabe ainda notar que, geralmente, os homens de cor são amedrontados pela própria natureza, aceitando a superioridade dos brancos e quase não ousam atacá-los.

A maioria dos assassinatos é cometida por vingança e decorrentes de intrigas amorosas, por ciúmes ou para afastar um rival incômodo. São raros os casos de assaltos apenas com o intuito de roubar e, tais crimes, quando ocorrem, partem de estrangeiros ou escravos fugitivos e não por brasileiros livres. Os escravos, às vezes, vingam-se dos amos, quando estes são por demais cruéis. Entretanto, durante minha estada de 14 meses, só ouvi falar da execução de um escravo por esse tipo de crime.”

— Quase uma reportagem é assim o relato de Burmeister, mostrando como outrora se lidava com a justiça. E dá para sentir que nem tudo mudou, e que o passado continua presente. — Em 2021, completam-se 170 anos da passagem de Burmeister pelo Brasil.

Por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

• Leia mais, clique: Bendita Lagoa Santa.

(1) BURMEISTER, Karl Hermann Konrad – (Stralsund, Alemanha, *15.01.1807 / Buenos Aires, Argentina, †02.05.1892) Graduado em medicina, em 1829, e doutor em filosofia. Zoólogo, entomólogo, herpetólogo e botânico. Foi professor e diretor do museu da Universidade de Halle (Alemanha), de 1837 a 1861. Depois de ter passado pelo Brasil, mudou-se para a Argentina, onde viveu e trabalhou até o final dos seus dias.

(2) VIAGEM AO BRASIL – “Reise nach Brasilien, durch die Provinzen von Rio de Janeiro und Minas Geraes“, Berlim, 1853.

(3) Belo Horizonte – capital do estado de Minas Gerais, inaugurada em 12.12.1897, substituindo Ouro Preto.

 

01/04/2021

FILHO DA DROGA

Filed under: Uncategorized — sumidoiro @ 8:28 am

♦ O nome e sua história

De onde vem o assassino? Digo, o vocábulo. A versão mais difundida vem de Marco Polo, o viajante italiano. No século XIII, ele passou por Alamut(1), no Irã, perto da fronteira com a Pérsia, lugar que, mais tarde, ficou conhecido como Vale dos Assassinos(2). Lá conheceu um castelo, dito como Fortaleza dos Assassinos, situada no alto de uma montanha, onde vivia um homem todo poderoso, que dominava a vizinhança. * Quer dizer “ninho da águia”.

Consta dos escritos(3) de Marco Polo, na parte que começa com o título:

Sobre o Velho da Montanha; seu palácio e jardins; sua captura e sua morte.

      E assim prosegue: “Dito isso, agora direi quem é o Velho da Montanha. Antigamente, existia um distrito onde estava situada sua morada e domínio, era chamado de Mulehet, significando na língua dos sarracenos*, o lugar dos hereges e do seu povo, os Muleetitas ou detentores de princípios heréticos, tal como se aplica o termo dos Patarinos(4) para certos hereges cristãos. Esse Velho atendia pelo nome de Alo-eddin e era maometano**. — * Designação genérica dada pelos cristãos, a árabes e/ou muçulmanos. / ** Liderado de Maomé, profeta do Deus de Abraão.

Ele mandara construir um belo jardim, entremeio a duas altas montanhas, onde havia também plantado um pomar exuberante, contendo todas as variedades de frutas e vinha cercado por um belo arvoredo. Nas edificações que compunham o palácio e anexos, havia adornos em ouro e pinturas, sendo que as peças do mobiliário, em grande parte, eram revestidas de seda.

Palácio onde viviam os assassinos.

Lá, através de pequenos canais, corria água muito límpida em vários ambientes, onde sempre estavam disponíveis vasilhas com vinho, leite e mel. Para morar no palácio, levaram graciosas e belas donzelas. Sabiam cantar e tirar músicas de variados instrumentos, e estavam sempre a dançar. Mais que isso, sempre prontas para oferecer lisonjas e carícias, todas que se possa imaginar.

Essas donzelas, muito bem vestidas em ouro e seda, podiam ser vistas amiúde tomando sol no jardim, ou noutro recanto do palácio. Porém, as demais mulheres, serviçais que lá habitavam, viviam trancadas e nunca tinham acesso para fora do edifício, ao ar livre. Ora, a motivação do Velho, para formar um conjunto de edificações de tal magnitude, com tais características e impor as regras de convivência, foi consequência do que lhe teria dito Maomé. Ou seja, quem as tornasse realidade, seguindo suas recomendações, estaria atendendo à sua vontade.

O Velho dava a entender que, também, era profeta e companheiro de Maomé, e que tinha o poder de colocar no paraíso quem bem quisesse. Por outro lado, era impossível adentrar nesse ambiente sem ser chamado, porque junto à muralha que cercava o domínio – jardins e castelo –, havia uma construção fortificada e, nela, uma passagem secreta para dar acesso ao interior.

O Velho e três assassinos se divertindo com as donzelas.

Muito importante foi o fato de que, para compor a sua corte, o Velho convocava jovens de 12 a 20 anos de idade, audazes e valentes, e que denotavam ser afeitos às armas. Nesse sentido, eram escolhidos entre os que mais se destacavam lá pelas cercanias.

Com o propósito de instruí-los, o Velho fazia pregações sobre as regras e deveres para quem viesse viver naquele Jardim de Maomé. Mais que isso, de vez em quando, administrava uma droga a uns dez ou doze desses jovens, o que os levava a um estado de torpor, a ponto de parecerem meio mortos.

Logo em seguida, passados três ou quatro dias, ainda em estado de ligeira sonolência, eram conduzidos ao jardim. Até que, no momento em que acordavam, se viam frente ao Velho, que perguntava onde estiveram. Nesse momento, enfaticamente, respondiam:

‘- No paraíso, por graça de Vossa Alteza.’

Imediatamente, diante de inúmeras pessoas da corte, revelavam as memórias do paraíso que haviam visitado. Essas manifestações deixavam os ouvintes perplexos. E o Velho sempre emendava, este foi o mandamento do nosso profeta:

‘Quem defende o seu Senhor, certamente irá para o céu. E se você for obediente a mim, também terá essa graça.’

Animados por tais palavras, os jovens se sentiam prontos e honrados em receber as ordens do Velho. As consequências de tal desprendimento é que, toda vez que algum príncipe da vizinhança necessitava de algum “serviço”, podiam contar com a colaboração desses valentes servidores, os quais ficaram conhecidos como assassinos*.(5)  * Consumidores de haxixe.

O senhor de Hulagu e sua consorte.

Para atender ao Velho, estavam sempre dispostos a enfrentar qualquer perigo, mesmo correndo o risco de morrerem. Esses fatos repercutiram, de tal maneira, que o Velho se tornou um temido tirano. Ademais, nomeou dois representantes que também atendiam às suas ordens, um em Damasco* e outro no Curdistão**. Por tudo isso, qualquer pessoa, não importa quão respeitada fosse, se ganhasse a inimizade do Velho, não tinha como escapar da morte.  * Atualmente, capital da Síria. / ** Atualmente, abrange partes da Turquia, do Irã, da Síria e do Iraque.

Na escala do poder, acima do Velho, havia o senhor de Hulagu(6), que era irmão de Mangu, o grão-cã*. Vai daí que Hulagu, ao ouvir falar das loucuras daquele tirano, que também mandava roubar os que circulavam pelo país, teve forte reação. Em 1262, enviou seus soldados para sitiá-lo no castelo. O cerco durou três anos, até que, por falta de provisões, o Velho fraquejou e foi forçado a se render. Finalmente, sendo feito prisioneiro, foi condenado à morte. Mais tarde, o castelo foi desmantelado e o Jardim do Paraíso destruído.  * Grande soberano. / ** Região habitada pelos curdos

Invasão do castelo do Velho da Montanha.

• Texto compilado e reescrito, segundo traduções das “Viagens de Marco Polo”.

ETIMOLOGIA

Desde Marco Polo, se acredita que a palavra do português, assassino, teria vindo do árabe assassin, para dizer viciados em cânhamo(7). De uma das espécies dessa planta, se utilizavam as folhas para produzir o entorpecente denominado haxixe, como também o ópio. Assim sendo, quem fumava ou, de alguma outra maneira, ingeria haxixe, seria um haschichiyun(8).

Em diferentes línguas, a palavra aparece das seguintes maneiras: português → assassino; espanhol → acesino; francês → assassin; inglês → assassin; italiano → assassino; etc.

O historiador Giuseppe La Farina(9), italiano, do século XIX, afirmou que, na Europa, a palavra assassino deve ter sido introduzida no momento em que os Cruzados(10) estavam a retornar do Oriente. Disse ainda que, na Itália, o termo se aplicava àqueles que matavam por dinheiro. Nesse sentido, em Florença, havia um decreto que dizia: “Assassino che per pecúnia uccise uomo.” (“Assassino é aquele que, por dinheiro, mata um homem.”).

Trecho da Divina Comédia comentada por Landino.

Na Divina Comédia, de Dante Alighiere, edição do ano de 1487, comentada por Christophoro Landino(11) aparece a palavra assassino. Está no Canto XIX / Inferno, nesta frase:

… o perfido assessin che poiche e ficto richiama lui perche la morte cessa…” (“… o pérfido assassino, que assim se fez, reclama porque a morte cessa…).

Pesquisa, tradução e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

——

(1) Montanha de Alamut, situada na cordilheira de Elbruz. / Em 1090, o castelo que já existia – Ninho da Águia –  e foi conquistado pela Ordem dos Assassinos. / Atualmente, as ruínas estão em processo de restauração.

(2) Vale dos Assassinos: a 100 km de Teerã.

(3) Acompanhado por seu pai Niccolò e seu tio Maffeo, Marco Polo viajou por terra à China, em 1271-1275. Passou 17 anos servindo Kublai Khan (de 1215 a 1294), neto de Genghis Khan e conquistador da China, para quem realizou trabalhos na China e no sul e sudeste da Ásia. Os três venezianos voltaram para sua cidade natal pelo mar em 1292-1295. Marco Polo logo se envolveu na guerra entre Veneza e Gênova, onde equipou e comandou uma galé na marinha veneziana. Em 1296, foi levado como prisioneiro pelos genoveses e, segundo a tradição, enquanto esteve preso narrou as histórias de suas viagens a um companheiro de cela, Rustichello da Pisa, que as redigiu em francês antigo. O relato de Marco Polo não foi apenas um simples registro da viagem, mas uma descrição do mundo, uma mistura de relatório de viagem, lendas, boatos e informações práticas. Por essas razões, Les voyages de Marco Polo, às vezes, é chamada de Divisament du monde (Descrição do mundo) ou de Livre des merveilles du monde (Livro das maravilhas do mundo). — Fonte: Biblioteca Digital Mundial

(4) Patarino – Segundo o cronista de Arnolfo de Milão, o termo teria origem na palavra grega πάθος (pàthos), no sentido de “perturbação”. Nesse sentido, as várias seitas dos patarinos teriam sido de “perturbadores” da ordem.

(5) Segundo Antoine-Isaac Silvestre de Sacy, filólogo, professor de persa no “Collège de France” e estudioso da cultura árabe, em 1809, comentou sobre o nome assassino, dizendo: “Esse nome, […] é dito de várias maneiras; […] assassini, assissini e heissessini […] Basta-me dizer que todos se esvaíram, porque, sem dúvida, nunca encontraram este nome em qualquer escritor árabe.” / Sacy, ainda escreveu: “Entre os escritores orientais, os ‘assassinos’ são atualmente chamados como Ismaéliens, Molahed, quer dizer, ímpios, ou ‘baténiens‘, que significa partidários.” — Em “Mémoire sur la dynastie des assassins et sur l’origine de leur nom”.

(6) Hulagu, filho de Tolui e neto de Ghengis Khan.

(7) Há três qualidades de cânhamo, cujos nomes científicos são Cannabis indica, Cannabis sativa e Cannabis ruderalis. A primeira, natural da Ásia, é apropriada para o haxixe; a segunda, natural da América equatorial, é apropriada para a marijuana. A terceira, é a selvagem, muito disseminada na Europa e Rússia, e utilizada para fins industriais. Serve para a fabricação de têxteis, óleos e rações animais.

(8) Haxixe – Pode ser consumido fumando, normalmente com cachimbo, bongo (tubo de madeira ou bambu) ou usando vaporizador; às vezes por ingestão oral.

(9) LA FARINA, Giuseppe – (Messina, *20.07.1815 / Torino, †05.09.1863) Patriota, escritor e político italiano.

(10) Cruzados – De 1096 a 1270, foram enviadas várias expedições a Jerusalém, que estava sob domínio dos turcos e tendo como intuito reunificar o mundo cristão. Os participantes ficaram conhecidos como Cruzados.

(11) LANDINO, Christophoro – (Florença, *1424 / Borgo alla Collina, †24.09.1498) Importante humanista da renascença florentina.

01/03/2021

ELA SABIA FRANCÊS

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♦ No Internato Cassão

Memórias de uma ex-aluna, abrem uma janela para revelar qual foi a primeira escola feminina de Belo Horizonte, o Colégio Cassão. Um internato, onde estudou Maria Helena, conhecida como Lelena, seu nome de carinho. É disso que vamos tratar. 

À direita: professora Áurea Palermo, depois de casada.

Remetendo ao início do século XX, a aluna fala do seu tempo de ginásio:

      “[…] Áurea, a professora de francês do colégio, era querida das alunas, não havendo matéria que se estudasse tanto, exercícios que fossem mais caprichados, pois todas queriam agradá-la.

Magrinha, elegante, de estatura mediana, dentes perfeitos e brancos, voz suave, maneiras delicadas com as alunas, sempre impecável, modesta nas suas roupas, saia curta e justa, blusas claras, bem lavadas e passadas, cinto largo de couro na cintura, era para nós um tipo de beleza e de elegância, apesar dos óculos de míope que usava. Isso, a nosso ver, não a enfeava, antes dava-lhe certo charme.

Eram três as irmãs Palermo, todas professoras no colégio: Aurora, Áurea e Aurete, filhas de um viúvo que as internara ali desde pequeninas. Tinham crescido, estudado e se formado, passando de alunas a professoras.

Aurora, a mais velha, mansa e triste, a mais apagada das três, lecionava o curso primário. Aurete, a do meio, quase tão criança quanto as alunas, alegre, inteligente, cheia de vida e graça, ensinava geografia. Conhecia tão bem a matéria que dava aulas lendo o jornal do dia, enquanto de pé, em frente ao mapa, a aluna discorria sobra a lição.

A qualquer engano, porém, sobre a localização de uma cidade, rio ou vulcão, embora de olhos baixos e mergulhada na leitura, levantava a cabeça e, tomando a régua, apontava a direção certa. Quanto a Áurea, a predileta, tinha todas as qualidades possíveis: bonita, inteligente, culta, meiga, a sua afeição era disputada por toda classe.

A mocidade das três irmãs escoava-se lentamente dentro das paredes daquele colégio e só tinham notícias da vida lá fora, através das externas na hora do recreio, no pátio que dava para a sala de dona Romualda. […] Como devia ser maravilhosa a vida lá fora, diziam as internas, suspirando, ansiosas por aquele mundo sedutor, além daqueles muros. Os castelos que faziam para quando saíssem dali!

Aurete queria um noivo que lhe desse uma vida de festas e de liberdade e, tamanha era sua obsessão, que se a campainha da porta principal do colégio soava, parava instantaneamente de falar, o ouvido à escuta, os olhos numa interrogação muda, dizendo depois de um pequeno silêncio:
– É alguém que vem me pedir em casamento.

Mas não era só ela que sonhava: Sinhazinha, Lourdes Mata, todas tinham o seu sonho para um dia, não sabiam qual.

Áurea sonhava com o seu amor, o seu príncipe encantado, que viria buscá-la naquela prisão. Apaixonara-se por Marcelo, filho de uma das melhores famílias de Belo Horizonte, vivendo daquele sonho. Vira-o algumas vezes na rua, tivera com ele um flerte e só pensava nele, nos seus grandes olhos cheios de doçura, na felicidade de falar com ele, de segurar suas mãos.

A classe toda acompanhava o caso, vivendo a paixão como se fosse dela. Se Marcelo ia a uma festa, no domingo seguinte, Aurea ficava sabendo como se tinha apresentado, com quem tinha dançado, as vezes que o fizera, se fora de “par colado” ou não. […]

Só Aurora não desejava, não esperava nada. Sempre melancólica, de olhos baixos, inteiramente desinteressada pelo que se passava fora dos muros do colégio, concentrava sua vida naquelas irmãs, pelas quais não hesitaria em fazer os maiores sacrifícios.

Colégio Cassão, região central de Belo Horizonte.

Não era apenas as alunas que adoravam Áurea. Entre as diretoras, o seu prestígio também era grande: o prestígio da graça, da inteligência. Ninguém escapava às suas maneiras suaves e cativantes. Se adoecia, era uma inquietação no colégio todo: Áurea estava doente. Dona Romualda, que naquelas ocasiões não permitia a sua permanência no dormitório comum, ia transferi-la para um quarto na residência da diretoria.

Que rebuliço na sala, todos queriam ver a sua passagem, nos braços da diretora, embrulhada no cobertor, muito pálida, os cabelos soltos, um sorriso triste nos lábios. Um sussurro de amor corria pela classe. Seríamos capazes dos maiores sacrifícios para que nos dirigisse uma palavra apenas. Era uma paixão coletiva, à qual não escapei […]

Interessada em agradar Áurea, me adiantei rapidamente em francês, matéria que estudava com o maior prazer. Queria ser notada e, em pouco mais de um ano de estudos, obtive o meu intento. Como prêmio por ser aplicada, me confiou a orientação do estudo das classes mais atrasadas do que a minha. Exultei de alegria com a distinção concedida a poucas e, então, mais do que nunca, queria estar sempre entre as primeiras. […] Que felicidade!

Numa tarde, Áurea entrou na sala, correu os olhos por lá, encaminhou-se para o meu lado, onde parou, debruçando-se sobre a carteira:

– Maria Helena, como você vai ser transferida para a sala de dona Romualda, vamos começar logo com as lições de francês.

Antes que pudesse me refazer do susto (tinha horror de mudar de sala), retirou de uma pilha de cadernos, que carregava numa das mãos, um livro fino, de capa amarela (Primeiro Guyau), que abriu e me mandou ler na primeira página(1). Sem ousar desobedecer, comecei gaguejando a soletrar as palavras, cuja pronúncia ela corrigia e, ao final, para quem nunca tinha lido francês, me desembaracei mais ou menos.

Depois da leitura, foi a vez da aula de gramática e do primeiro verbo: avoir (ter), que me fez conjugar em todos os tempos, juntamente com ela, me deixando a certa altura, para que continuasse sozinha, o que fiz sem errar. Olhou-me sorrindo e falou com surpresa:
– Já tinha estudado antes?
    – Não senhora.
– Então, como sabe ler direito?
    – Leopoldo(2), meu tio, já estudou e, como estuda alto, acabei aprendendo também. […]”

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      • Agora, alguns detalhes sobre as personagens e o Colégio.

← Maria Helena Cardoso (Lelena) — Natural de Diamantina (*24.05.1903 / †24.05.1977), tendo vivido em Curvelo (MG) e, depois, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Graduada em Farmácia, autora do livro “Por onde andou meu coração” – memórias – (1967), de onde se extraiu a presente narrativa, e mais, “Vida-Vida” (1973) e “Sonata Perdida” (1979). / Filha de Joaquim Lúcio Cardoso e Maria Wenceslina Netto Cardoso. / Irmãos: Regina Cardoso, Fausto Cardoso (médico), Adauto Lúcio Cardoso (Presidente da Câmara dos deputados, Ministro do STF), Maria de Lourdes Cardoso e Joaquim Lúcio Cardoso Filho (autor de “Crônica da casa assassinada”, etc.). / Prima, em segundo grau, do autor deste Blog (por parte de mãe).

Irmãs Palermo – Áurea (*1894 / †24.03.1990), de três irmãs, a do meio. As duas outras, Aurora (*1892 / †1955) e Aurette (*1897 / †1983), filhas de Maria Celeste Guimarães(⊗) e Giovanni Battista Palermo, italiano de Cosenza. Com o falecimento da esposa, Giovanni internou as filhas no Colégio Cassão. Depois de formadas, continuaram morando no educandário, dando em troca o trabalho como professoras. — Filha de Francisco Cândido da Silva e Anna Augusta da Cruz. Nascimento: Sabará, MG, *1878 / Morte: Sabará, †16.11.1902.

Colégio Cassão – Fundado em Ouro Preto, pelas irmãs Leopoldina Cassão e Romualda Cassão, depois transferido para a capital Belo Horizonte (MG), logo após sua inauguração (em 1897). — Leopoldina Cassão (*1867 / †18.04.1964), filha de Libânia de Almeida e Manoel Bernardes da Cunha Cassão, faleceu aos 97 anos de idade. Seus restos estão depositados no Cemitério do Bonfim (BH), quadra 19, carneiro 92. — Romualda Cassão (*1873 / †10.08.1974), com a mesma filiação, faleceu aos 101 anos de idade. Seus restos estão depositados no Cemitério do Bonfim (BH), dividindo o mesmo carneiro com a irmã. — Ao falecerem, ambas residiam na rua Sergipe, atrás da Igreja da Boa Viagem.

Pesquisa, texto e arte por Eduardo de Paula

Revisão: Berta Vianna Palhares Bigarella

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(1) “Cours Moyen / La première Année de lecture courante” / par M. GUYAU — Première Partie: “Devoirs de l’enfant et de l’homme – 1. L’union dans la famille.La grappe de raisin. → Une mère donna à sa fille une grappe de raisin; la jeune fille, après l’avoir prise, songea que cette grappe ferait plaisir à son frère et la lui porta. / Le frère la prit et dit: – Mon père, qui travaille là-bas, doit être fatigué: portons-lui cette grappe rafraîchissante. / Le père prit la grappe à son tour, puis, apercevant sa femme non loin de là, il s’empressa de venir près d’elle pour la lui offrir. / C’est ainsi que la grappe de raisin, après avoir fait le tour de la famille, revint dans les mains qui l’avaient donnée. Heureuse la famille ou l’union règne! C’est l’image de l’union qui doit régner entre tous les enfants d’une même patrie. // Maxime: Soyons unis par l’affection, et nous serons heureux.”

[TRADUÇÃO] “Curso Médio / Primeiro ano de leitura corrente” / por M. GUYAU – Primeira Parte: “Deveres da criança e do homem – 1. A união na família. – O cacho de uvas. → Uma mãe deu à filha um cacho de uvas; a menina, depois de pegá-lo, achou que esse cacho iria agradar ao irmão e o levou para ele. / O irmão pegou e disse: – Meu pai, que trabalha ali, deve estar cansado: vamos levar para ele este cacho refrescante. / O pai então pegou o cacho e, em seguida, vendo sua mulher não muito longe dali, apressou-se em aproximar-se dela para oferecê-lo. / É assim que o cacho de uvas, depois de ter percorrido a família, voltou às mãos que o tinham dado. Feliz é a família feliz onde reina a união! É a imagem da união que deve reinar entre todos os filhos de uma mesma pátria. // Máxima: Sejamos unidos pelo afeto e seremos felizes.” /// ADOTADO, na França, no nível correspondente à antiga primeira série ginasial do Brasil.

(2) SOUZA NETTO, Leopoldo – (Rio de Janeiro, †15.01.1967). Quando ainda vivia em Curvelo, tornou-se professor de português. Ao mudar-se para o Rio de Janeiro, acompanhando a família, passou a lecionar no Colégio Dom Pedro II. Nunca se casou. Ao lado, aviso para sua missa de 7º dia de falecimento. / “Correio da Manhã”, edição de 22.01.1967. / (Tio avô do autor deste Blog.)

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